Arquivo de janeiro 2017

Pequena cantiga de partir

Madrugada…

Soou lá fora!

Na estrada…

Já vou me embora!

Entre cantigas e canções

Nas caatingas e sertões

Fez-se meu canto ligeiro

Porque sou apenas um estrangeiro

Que chora de saudade

Os verdes campos que deixei

E nas amizades

Que provei

E tudo se faz…

E não se desfaz…

Saudade…

Transumância

Transumância

Esta palavra ficou em minha

cabeça

Desde a escola

Geografia

Meu Deus, tanta coisa

fica em nós como uma

caligrafia

e repetimos da mesma forma…

Uma coisa sem nenhuma utilidade

para a vida

prática

Fico a pensar com meus botões:

Coisas aparentemente sem importância

que ninguém dá uns tostões

pode servir como tema

de um poema.

O verbo amar

De repente levantou-se

do chão

Passou por entre os corpos

das pessoas

como um corisco

como num grito

dilacerante das bocas 

e foi parar nas alturas

até pairar

nas nuvens…

O verbo amar!

O calor abafado

O calor abafado

no mormaço da tarde

 

Meus olhos não são

covardes

à luz que penetra

minhas retinas

 

A minha rua nas pessoas

da comunidade

mostra-se sem muitas metas

 

Porque o chão

que se pisa

é uma oferta

da natureza

onde de Deus traz

as raízes da vida.

Pus os meus pés no mar

Pus os meus pés no mar

e minha cabeça bateu nas

nuvens

Foi assim ao me levantar

e o que era ferrugem

brilhou como o sol

ao meio dia

depois de meditar na palavra

meu canto começou com si

bemol

e a minha vida pareceu uma

melodia.

O vento tece seus sabores

O vento tece seus sabores

e o ar da tarde

se faz

gentil

Eu, como árvore esquecida

me mostro sem flores

Nos montes prendo o meu

olhar

e agradeço a Deus:

Felizes os que têm um lar!

O que vale a pena

No globo se mostra os

desenhos

dos continentes

Desde a maior seca

as enchentes

A gente pensa que não

vai acontecer com a gente

Como gota que cai em um

copo

no retrato se tira uma foto

em menos de um segundo

Não há coisa maior no mundo

do que um momento mágico da

vida

Não perca o foco!

De agradecer por cada amanhecer no mundo.

A mente humana

A mente humana

muitas vezes insana

é enganadora

de feitos com caminhos

falsos

e fazedora

Premia um Rei de paz

com uma coroa de

espinhos

e submete os simples

a pagar pelo que não

fazem

A humanidade precisa

de um reino

que desça dos céus

como chuva frutificante

nos corações

carentes

sedentos

Para que seus feitos

sejam graciosamente

constantes.

Banho

Ah o ar fresco no inicio do

dia

desliza sobre o corpo e os

objetos

Anseio por afeto

Inicio de verão a luz

lumia

e um banho frio

pra refrescar o

corpo

A água escore num

fio

No inicio do dia tudo é

escopo.

O tempo leva os anos

O tempo leva os anos

e quem não faz planos?

Num piscar de olhos

o tempo estica

O que não se explica

é todo o movimento

do cosmos!