Contos e Crônicas

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   Quando eu era menino, no caminho para escola, vi um aglomerado de pessoas à beira do rio que passava por trás da escola. Vi um recém-nascido morto dentro de uma sacola. Isto me chocou muito e me perguntei por que alguém faz algo assim?… Mas eu quero falar é sobre a vida, enquanto ela estiver dentro de mim, pois com a mesma força que a preservamos, devemos preservar a vida do próximo, ainda que ele estiver longe de nós. O próximo não está limitado no nosso próprio espaço, ele habita no mundo como ser humano. Querendo ou não, ele clama por ajuda em qualquer parte do mundo e, necessário é, pelo menos, dar o nosso grito de esperança para tantos que a perderam.

Saúde, automóveis e o verde

   De fato, no mundo contemporâneo as pessoas gastam a primeira parte da vida para acumular riquezas e depois na velhice gastam para continuar a ter saúde e existir. No começo, na infância e na juventude o metabolismo é rápido, depois com o passar do tempo, ele fica cada vez mais lento. Lembrar-se do Criador na juventude é a mais sábia atitude. Não sabemos da luz do amanhã. Nunca é tarde para ser feliz- já dizia minha vó – mas o problema é que damos nós cegos e para depois desata-los, fica difícil. O Homem se aglomera em mega cidades cheia de edifícios e, quanto maior a aglomeração aumenta à violência, a contrario de tudo, a solidão. Muitas cidades modernas aboliram os automóveis das principais ruas, responsáveis por grandes males a humanidade, mas o poder das grandes montadoras é muito grande, enquanto o petróleo existe ainda abundante. Cidades verdes ao redor do mundo, verde sonho entre conflitos de poderes, enquanto a humanidade se perde pela desigualdade nas grandes cidades, onde os refugiados buscam esperança.

Fui convidado para um jantar pelo combate à fome

Fui convidado para um jantar pelo combate à fome. Mas como me alimentar em dia em que muitos passam fome? Se me convidassem para um jejum, eu aceitaria, porque o que o principio me guia é que uma ação humana sincera, não precisa de famosos ou qualquer coisa assim. O que Cristo pregou é o sentir com os que sentem, o descaso para com suas carências. E o cristão na sua essência precisa falar alto ou escrever e ao carente se compadecer. Antes a ação é para não a negação, mas a atitude de cristão, pois a maior fome do Homem é a de Deus.

A solidão dos idosos

   Por décadas atrás se dizia no Brasil: “Somos um País de jovens”- essa realidade mudou, estamos nos transformando num País de idosos. Mas a mentalidade não mudou muito, apesar das ações que tentam valorizar e resguardar os direitos dos idosos, a grande parte de jovens não valoriza os idosos; os tem como ultrapassados e, muitos com graus de invalidez são colocados de lado ou em asilos, considerados um peso, principalmente quando não colaboram para o bem estar financeiro da família. E claro que isso depende, também, da educação da família, seus conceitos. Há a chamada solidão dos idosos, onde a cosmovisão não é bíblica cristã e fraterna, onde o legado deixado pelos mais velhos não é respeitado. Por isso, é imprescindível manter-se ativo pela vida toda, onde a vida não termina na velhice, ela se perpetua nas próximas gerações e aonde o espirito junto à alma, virá na vida futura para eternidade.

O inverno, o lixo e leitores

Tarde de final de junho em pleno inverno, pelo menos deveria ser. Mas o inverno deste ano não mostrou a sua cara, as temperaturas em média superam os trinta graus, aqui no Rio de Janeiro. Tudo não é muito previsível. Será o aquecimento global? Um homem a beira da estrada coletava latinhas de cerveja, refrigerantes etc… Isto me fez pensar em resolver definitivamente separar o lixo em casa, apesar da empresa de coleta do lixo não fazer coleta seletiva. Mas isso não importa, separando o lixo ajuda aos anônimos coletores, digamos assim, trabalharem mais facilmente. Estamos a séculos separados dos países mais avançados neste item. Mais adiante, antes de chegar em casa, perguntei a um amigo que me comprou um livro meu, se o mesmo já havia lido o livro…Ele me respondeu que não, não teve tempo, a velha desculpa! Somos um País de analfabetos literários, pois o brasileiro, em média, tem o hábito de ler dois livros por ano, para ser generoso.

O trabalho de uma criança

   Fala-se muito sobre o trabalho na infância. Mas o trabalho na infância tem que ser educativo; nada além das possibilidades de uma criança, que tem como principal forma de aprender o brincar de forma lúdica, para desenvolver a sua personalidade e sua mente em expansão.

   Expansão esta não de forma forçada, com muitas tarefas e obrigações não agradáveis para a mente da criança.

   O brincar desenvolve o físico e a mente da criança. Cabe aos pais dar um limite com horário determinado, para que a criança poça respeitar o “não” necessário para o caráter da criança.

   O principal trabalho de uma criança é o brincar.

Ditadura, a Bandeira e Lava Jato

Eu nasci um ano antes do golpe militar de 64. Da ditadura, na infância, lembro que na escola tínhamos que hastear a bandeira do Brasil cantado o hino Nacional; e no caderno tínhamos que desenhar a bandeira. Neste excesso de “patriotismo”, ficou a memória de uma espécie de medo, de quem governava, de quem tinha o poder.

Hoje com essa onda atual de incerteza e avalanche de denúncias de corrupção, só resta uma certeza: essa fase vai passar. E eu como otimista incorrigível, confio em nossas instituições.

O mundo sempre caminhou com “guerra e paz”, nestes altos e baixos.

O que continua é o céu e a terra, dizendo que tudo nesta vida passará: governos, nações… E o Brasil espera que a “lava jato” continue, punindo quem verdadeiramente merece, não mais com este nome, mas como, por exemplo: “lava-se sempre, dia e noite”.

A vida e as datas

Por que temos a sensação que no ano novo tudo se inicia? Talvez um novo período de tempo?

O fato que no decorrer do ano ficamos cheios de datas que marcam ou não. E esse incessante continuar, nos dá a ideia de que um novo ciclo se inicia. Mas a realidade é que os dias continuam um após o outro. E o futuro é o que confeccionamos no presente.

O fato que comemorar a vida é licito e puro. E o fruto maduro que plantamos no presente é uma dadiva de Deus.

O tempo continua inexorável.

Pegando melancias

     Bons momentos aqueles, na minha estadia no nordeste. Meu primo e eu costumávamos pegar melancias maduras das roças da vizinhança.

     Era um tempo em que a fauna e a flora ainda se mostravam exuberantes, no inverno do nordeste. E o sistema de plantação era de cortar a mata e depois queimar (período das queimadas). Eu não tinha muita consciência ecológica, mas me mostrava tremulo, sem muita alegria, por ter caçado um pássaro que se mostrava belo, mesmo depois de morto.

     Hoje na cidade grande, ficamos horrorizados pelo preço das frutas, dos legumes que vem das plantações das zonas agrícolas.

     As coisas mudam e a nossa consciência se amplia depois de adulto.

     Meu Deus foi a algumas décadas!

Containers

     É incrível como os políticos fazem mágicas antes das eleições.

     Na minha pequena rua apareceram pequenos containers de deposito de lixo, um dia antes das eleições para prefeito e vereador. E as calçadas ficaram cheias de panfletos de candidatos por uma vaga. Os garis vão ter trabalho extra no dia seguinte.

     Tudo isso se resume a uma coisa: falta de educação, tanto política quanto ambiental.

Mas os políticos só se preocupam em fazer obras visíveis para as pessoas. Porque saltam aos olhos.

     Os debates sobre a necessidade de educação não se esgotam. Mas solução, nada feito!

     A política e a educação são coisas do nosso dia a dia. Que a maioria das vezes, não são levadas a sério.