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E por que não disser esperança?

E por que não disser esperança?

Como dança de criança,

nuvem que passa prateada,

o brilho ofuscou os meus olhos,

surge uma lágrima,

a luz é intensa quando olho,

invade choupanas e prédios,

floresta e desertos,

não quero crer no meu tédio

que o vento leva incerto,

por caminhos já andei,

solitários e escuros,

eu sei!

O que procuro

é a felicidade

que de repente por pouco me invade,

acima dos quintais e dos muros

onde possa existir o amor,

do que há mais puro

sem resistência e dissabor,

porque, por mais que a injustiça

leva e faz,

o olhar sem malícia

revela numa criança

o puro brilho da paz.  

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Os versos se seguem

Um sonho contido

E agora revelado

O que estava escondido

Muito mais amado

 

Batendo no coração

Mesmo que me neguem

E me digam um não

Os versos se seguem

 

No desejo de ser poeta

Pra quem lê meus versos

Que em tons diversos

E se abram portas

 

No peito das pessoas

Ou em mim mesmo

Que não fique a esmo

E assim ressoam.

 

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O tempo todo eu me ouço

O tempo todo eu me ouço,

me viro ao avesso.

 

Conversa mental com os outros.

Planejo o seguir.

 

Tenho sempre a opção “b”.

 

Eu quero vencer e ir,

onde não haja muita algazarra

e tudo seja simples de ser.

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Na exatidão dos relógios

Na exatidão dos relógios,

na exatidão de um pulsar

no universo

revela que não há

sentimento mais denso

que o corpo humano sente.

Tudo é uma questão de densidade;

há densidade no aglomerado das cidades,

no interior harmônico de uma floresta,

numa partida de futebol, no carnaval,

a flor das idades

na força da juventude

tornando mais denso os momentos,

que com o tempo se esvai

se aquietando e tornando mais brando

nas atitudes,

os conhecimentos,

e vai e vai…

A densidade dos anos se aquietando,

como na correnteza de rio estreito

que vai aos poucos se alargando

se tornando manso e profundo.

 

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Desfiladeiro

Desfiladeiro, precipício

onde não há fundo

como se a dor fosse à maior do mundo

caindo, caindo, que aperto no peito…

Pra se desvencilhar não há astúcia

vivo agora a naufragar em ti

angústia.

Um vácuo na vida

remoída e sofrida

que agora me subtrai

aperto da existência

a mente ardendo por urgência.  

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Olho pro quarto perplexo

Olho pro quarto perplexo

Minhas roupas, o computador,

o que eu tenho de maior valor,

e tudo parece sem nexo.

 

A vida passa com seu sorriso.

É preciso conversar com ela,

porque ela não espera,

ela simplesmente não quer compromisso

 

de quem não se aproveitou,

sou eu um mero ator

que não cumpriu seu papel direito,

fiz-me mero e simples sujeito

 

do tempo que não reconheceu os meus feitos.

Tenho transtornos no tempo que não me aprisiona,

como pude esconder meus sentimentos em baixo da cama,

pois não há o que esconder, sou tosco e direito.

 

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O sol encandeou os meus olhos

O sol encandeou os meus olhos

a se pôr às sete horas neste verão.

Sinto-me contemplativo no meu coração,

os carros passam e as pessoas não olham

 

o espetáculo simples da natureza,

sinto em mim não certezas

como o sol se põe, eu também me ponho

a lembrar do sertão num sonho

 

da vida simples que outrora tinham,

onde as casas simples a luz do lampião,

nos confins da mata do sertão

os pássaros vinham toda manhã cantar, vinham

 

disser que a natureza advinha

à hora certa do sertanejo acordar.

Hoje na cidade grande não tenho um lar,

 

vivo de casa em casa a mudar,

pois a cidade grande não é minha,

é do comércio, das pessoas que se apinham.

 

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Na calada noite

Na calada noite, aqui estou

como agora me procuro

como a mim mesmo sou.

 

Nada mais que uma alma que vagueia.

Eu sou assim mesmo, me procuro sempre

olhando pra dentro- tudo é o presente.

 

Na quietude minha mente procura uma semente

pra plantar na terra devagar, adubada com os sentimentos,

terra como agora o meu peito se abre e se sente.

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Há tantos sonhos represados

Há tantos sonhos represados,

Sonhos de um passado não muito distante,

Se deixar, vira uma avalanche

De feitos inacabados.

 

Regozijar-me por que há um dia lá fora

E ele espera por mim.

Façamos assim:

-Um dia de cada vez na estrada.

 

Eu ando, ando e ela nunca se acaba,

Vou transformar o caminho num livro,

Onde posso deixar marcas.

 

Nas palavras qualquer coisa do infinito,

Lá posso deixar o meu grito

Onde nas páginas os meus passos serão livres.

 

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A marcha dos tempos não para

A marcha dos tempos não para

a tomar decisões tardias

e lá se vão nossos dias

cuja incompetência está na cara.

 

Tomam decisões depois que o ovo quebrou,

o caldo da panela entornou

e vidas são ceifadas no maremoto

depois do constante terremoto.

 

O pior da tragédia anunciada

é que só colhem as migalhas,

não fazem uma simples prevenção,

convém o acordar da população.

 

Botar mais investimento no ensino

para que dobrem os sinos,

por o dedo na ferida,

antecipar-se ao flagelo em nossas vidas.

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