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Eu me vejo aqui só

 

Eu me vejo aqui só, 

            engendrado na quitinete.  

Mal olhado;  

            diria assim a superstição.  

Mais no peito bate o coração  

            que menino se perdera na cidade grande.  

Não quero escrever os meus ais.  

Jogar tudo para trás  

            e desconhecer as ofensas;  

            que de minha crença se faça adubo  

             pra o novo brotar e crescer. 

Eu apenas estudo  

o amanhecer.

Cortaram

Na minha escola de infância

Cortaram todos os pés de eucaliptos

Hoje ela se encontra petrificada e  murada

Na época mexeu com meus sentimentos

Aquilo que dava vida a escola foi cruelmente extirpada

Não se falava em ecologia

Não imaginavam que neste dias futuros

Ressoasse acima dos muros

O valor da vida de uma árvore

Existência e sombra do mundo

Espaço

 

Eu não desisto nunca 

Acolho a mãe que me acolheu 

Embora o destino desta vida não seja meu 

Eu enfrento a vida como uma luta 

Onde os mais afortunados encaram como uma disputa 

Na vida que encarna em mim 

Numa lida que reluta assim 

Como o deus do mundo que joga dados 

E  me deixa desorientado 

Se possível apelo para ONU 

Pra gritar que quero apenas ser amado 

Onde a mulher que gera o futuro 

Me acolha em seu regaço  

E me faça agente de um espaço 

Em sua vida bela sem receio 

Como um acalanto no seu próprio seio

 

Onde estão os amigos?

 

Onde estão os amigos? 

Que na infância distante nos acolheram 

O computador num instante me leva além 

Do que nossas mentes imaginaram 

Desde a esdrúxula mediocridade 

Até sublime pureza de uma poesia 

Alegria e tristeza andam juntas 

Esperançando que algum dia 

A Tridimensionalidade se faça humano 

Num simples sorriso e abraço espontâneo 

 

Demente

Ando pela calçada e logo vejo no jornal

Duas noivas de mãos dadas a se beijar

Mas noivas de quem de qual?

Noivas delas mesmas ambas são par

Mas ansioso leio a pericia do perito

Que diz incapacidade permanente

Tanto que venho provar e mesmo

Mendigar por voltar a trabalhar

Mas os peritos alienistas não deixam

Um simples esquizofrênico é demente

Delírio incapacitante astuciosamente

Demente

Coitadas das instituições deste belo País

Que negam  a um homem o seu labor

Mas por favor na volta pra casa não

O trânsito caótico enforcou a segunda

Igreja contemporânea

A contemporaneidade me deixa em vão

Me diz um não

Maníaco de querer trabalhar na segunda-feira

Um passo adiante

Um passo adiante

Não um passo como antes

Um dia observar as flores na janela

Outro contemplar o sorriso dela

Fluindo numa doce canção

Preocupação quem não as tem

Quero meditar no universo

A começar em minha própria vida

E seguir a avenida que se mostra

Em recantos de outros tantos afazeres

Então homem o que queres?

Eu só quero mostrar meu canto

Rios urbanos

Por que a maioria dos rios das cidades são poluídos?

Quais os responsáveis por isso?

As autoridades sem planejar ou imaginar

que as pessoas não olham tudo isto?

A mesma água que deságua no mar

é a mesma que enche os rios.

É falta de vontade das pessoas ou das autoridades

 que não planejam no crescimento das cidades?

As pessoas que não reivindicam um maior cuidado as fontes?

Acolhem favelas e habitações aos farrapos ao fio.

E a suja corrupção que desvia o nosso dinheiro

em pontes onde a podridão passa por baixo.

A sociedade é culpada como um todo.

Quem vê e quem cospe!

 

Abacateiros

Quando menino subia nos abacateiros

Mas não costumava ser arteiro

Só nos machucados e nas lesões com bola

Tinha vergonha de minhas notas na escola

A professora falava mas eu não dava ouvidos

Quando lia um livro ficava comovido

Enfiava-me de baixo da cama para ler

Viajava longe, longe e crer

Que na vida era como uma aventura

Talvez um dia poder ter arquitetura

De montar meus sonhos simplesmente

Tal qual em minha mente imaginava

Sem estímulo eu já sabia

A alegria era como o balançar de uma árvore

Hora vai hora volta

Pai

A vida de meu pai era um caminhão

Numa trilha aventureira

Entre curvas e ultrapassagens

Para ele a vida era seguir viagem

Não importando as pedras e o torrão

As esquinas do caminho ele conhecia bem

Amava o nordeste mais vivia do sudeste

Foi boiadeiro nas suas mãos rijas

Para ele não existia apegos

Era tudo uma questão de sorte

Mas era um nordestino forte na sua rudeza

Não deixou de ser forte

Até na hora da morte

 

O deus deste mundo

O deus deste mundo é perverso

Vou colocar toda minha indignação

Em verso

Embora ninguém espia

Por minha medíocre inspiração

Solto tudo para o tudo e o nada

Pois a esquizofrenia é viver entre dois mundos

O micro e o Macro se antepõem

Um fio de navalha que fere os meus pés

Hora sou um gigante, hora sou um medíocre com fome

De disser ao mundo todo que sou apenas um homem

Tal quais milhões e milhões que sonham

Mas a vida procrastina flui e se perde 

E não consigo fechar a mão onde tudo some

Até minha vida passageira

Onde tudo pra mim é de qualquer maneira

Anularei o tempo num copo de vinho

Desenrolo  minha vida como um pergaminho

Que o certo de errado não se entenda.