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Casa

Minha mãe no

Seu quarto

Deitada

Batem na porta 

Da sala

 

Como alguém

Que desconhece

O afago de um

Irmão

 

Quem poderá dizer

O que se passa

Em oculto

 

Na casa

Do dono

Da própria

Vivenciando

 

O que se passa

Nas vidas

Em pleno

Outono?

Ave que alçou voou

Ave que alçou

Voou

E caiu ao chão

De dentro do habitar

Junto com outras

Aves

Ribeirão

A natureza que acolhe

Pássaros

E animais

Selvagens

Ou não

Caçadores na floresta

Explorando

Com armas

E seus dentes

De leão

Devoram tudo

Pela frente

Que judiação!

Antes que se renove

Tudo em si

Sem explicação.

Nove vezes fora

Nove vezes fora

É um

É sempre um

Como a nau naufragada

Estilhaçada

Pelo tempo

E o tempo não perdoa

Ave que decola

E voa

E os meus dedos

Acabam em cinco

Na mão que pinto

Uma tempestade

E a água

Invade

Os porões

Com o vento

Mas ninguém

Morreria

Naquele

Dia

Náufragos

A nadar

Pois Deus

Prometeu

Que todos

Iriam

Se salvar.

Quando as águas

Quando as águas

Perfumadas

Do perfume da terra

Espere a pressa!

Detenha!

Todos os perdidos

Ainda não foram

Excluídos

Da graça

 

Fogo que queima

Em homenagem

Ao rei

Para sempre o holocausto

Será queimado

Nos corações

Como canções

Na praça.

 

Foi-se

Foi-se o momento

Em lançávamos

Palavras

Ao vento

Como um refrão

Tão repetitivo

Mais

Ninguém dava

Ouvidos

Embora as agruras

Da vida

Não serve como

Guarida

Então

Só me resta escrever

E reter

Embora tateando

O caminho

Que não for

Em vão.

O amor mergulhou

O amor mergulhou

No rio

Entre braços

E igarapés

Sem cuidado e sem

Pudor

Como flor

Despetaladas

Não deu em nada

Nada, nada, nada

Pois o amor

Sem pudor

É como terra desvegetada

Ou você acha

Que Eva

Não ficou envergonhada

Por insensatez

Por sua

Nudez?

Barco apontando pro sol

Barco apontando pro

Sol

Céu azul

Velas ao vento

Cata-vento

É anzol

Mar que brilha

A luz

E tudo se reduz

No azul

E

O céu do mar

Então eu penso

No meu

Lar

Ancora de ficar

Veloz

Vento a correr

Entardecer

E esperar a noite

Pra outro

Dia nascer.

Por mais insignificante

Por mais insignificante

que for a

flor

é uma flor

 

Por mais insignificante

que seja o amanhecer

é manhã

não entardecer

 

Por mais insignificante

que seja a fé

é fé

não o evanescer.

Pra que serve a poesia?

A poesia ora

serve de acalanto

outras vezes

pranto

A poesia pode

ser

alegria

outras vezes

padecer

A poesia pode ser

um grito

outras vezes

espírito

De todas essas

coisas

a poesia é maior

quando for

amor.

A verdade nojenta

 

Escopo burburinho posto

manipulação

da ditadura

cruel remendo

afastando a verdade

como um corisco

aceso

e nojento

variedades

de mentiras

colocam em risco

suas próprias vidas

ocas

nessa vida louca

indisposição

alçapão

calamidades

expostas nas ilhas

como o Japão

incessante

borbulhante

estiva

loucura retida

pela garganta

que não se cansa

da sua própria

dança

e

não sossegam

do seu próprio

ego

nojento

ou nojenta

 

A poesia

se algum dia

ela foi lida

por mentes

esclarecidas

e pressuponho

como um sonho

sujeira

exposta

mão que não abriu

a porta

antes a fechou

e manipulou

toda verdade

não me invade

pois sou limpo

deuses

do olimpo

que se requebram

o seu próprio

ego

como um ladrão

que rouba o tempo

roda moinho

ao vento

faz-se silente

memorias ao relento

por quanto

tempo eu escreverei

mais

alcatraz

que perde tempo

mas

não o pensamento

e tudo se faz

canção

mulata que se pinta

depois dos

trinta

oxigenada

pra se fazer loira

 

Que seu nome não

engane

presidente

que não se lembre

do seu próprio

pente.