Ditadura, a Bandeira e Lava Jato

Eu nasci um ano antes do golpe militar de 64. Da ditadura, na infância, lembro que na escola tínhamos que hastear a bandeira do Brasil cantado o hino Nacional; e no caderno tínhamos que desenhar a bandeira. Neste excesso de “patriotismo”, ficou a memória de uma espécie de medo, de quem governava, de quem tinha o poder.

Hoje com essa onda atual de incerteza e avalanche de denúncias de corrupção, só resta uma certeza: essa fase vai passar. E eu como otimista incorrigível, confio em nossas instituições.

O mundo sempre caminhou com “guerra e paz”, nestes altos e baixos.

O que continua é o céu e a terra, dizendo que tudo nesta vida passará: governos, nações… E o Brasil espera que a “lava jato” continue, punindo quem verdadeiramente merece, não mais com este nome, mas como, por exemplo: “lava-se sempre, dia e noite”.

Esgulepado

As noticias de corrupção

se espalham como um

homem esgulepado

Coisas que aconteciam

menos no passado

E o nosso dinheiro

é consumido como um

leão devorador

Mas a sombra do mal

feitor

será iluminada como o sol

do meio dia

Distribuir esperança

é para os que tem confiança

na dignidade humana

que será

nossa guia.

Qual o outro nome do amor?

Qual o outro nome do amor?

Diriam uns que é bem-querer

Diriam outros que afeto

Diriam outros não saber

Mas eu digo que entre tantas

dúvidas

e nomes

há um que fez aliança

com o Homem

E doou-se a ponto de morrer

mas vive para todo sempre

Essa é a esperança

de quem crer

Olhando os céus

surge a resposta:

O outro nome do amor

é Deus!

Camisa Dez

Eu era bom de bola

na rua

na escola

mas tímido como só eu…

 

Preferia ser o último

ao invés de ser recriminado

por um erro meu

 

Mas certo dia o professor de

Educação física resolveu

distribuir camisas de jogador

 

Todos fizeram fila para receber

uma camisa

 

Eu como sempre

 fiquei por último

 

Quando chegou a minha vez

quão surpresa minha!

Quando peguei a camisa dez.

Não é debalde a paciência

Não é debalde a paciência

Paz da ciência

Cada vez mais escassa

Encurtamos o tempo

Mais a vida parece que logo

passa

Neste mundo apressado

não paramos pra pensar

no nosso próprio estado

e o dia se transforma numa

linha tênue

onde tudo é descartável pra

durar

neste mundo cada vez mais virtual

e de conteúdo que nada preenche.

O dia de aniversário

Quando um ano de vida é

completado

vão-se as ondas que se desfizeram

no mar da vida

O dia de aniversário

é o início de um novo

ano(um novo ciclo)

É como um outro calendário

Nossos anos são no tempo dos séculos

medidos

E quando nos vamos deste mundo

nosso legado

terá valor do quanto falamos

ou escrevemos

junto com nossos atos

calculado.

Ouvir o vento que sopra

Ouvir o vento que sopra

uma canção que fala de amor

cantigas de roda ecoadas no ar

Minha mãe põe panos na vidraça

da porta

– Minha mãe, pare de se preocupar

e deixe o sol adentrar

e iluminar tudo em volta!

 

A alegria de viver

se espreguiça no entardecer

Tantas coisas pra se falar

em papéis multicores

e dizer parábolas

de sabedoria

que se vive dia a dia:

As palavras escritas às vezes

saem melhor que a fala.

Antes que o frio dos anos alcance

Antes que o frio dos anos alcance

Antes que o espirito do bem se retire

e você não tenha historia pra contar

na velhice

 

Erga a mão

e arrebata do chão o teu irmão

 

Nada vale a pena

se a vida for pequena

 

Pequenos gestos

são grandes atitudes

que flui de tuas virtudes

 

Nunca se canse de fazer o bem.

Compartilhar

Fiz de minhas mãos

e meus dedos magros

algo que compartilha

coisas do meu ser

com minha alma

um caminho que trilha

em palavras de coisas

que vezes não se podem ver

Reconhecer-se a si mesmo

ao receber algo deste poeta

que quando num instante sem fala

diga uma luz que te faltava.

Apelo

Nossa jornada no mundo

se distrai com vultos

como numa caixa de presente

oculto

Meu Deus tu tudo podes!

Rejuvenesce a alma deste pobre

Meus versos querem tomar vida

como trilhas de caminhos de sendas

já vividas

E meus escritos passam como um grito

do que pensei ou vivi

Como uma repetição batendo numa porta

anunciando o que foi dito.