Viver

Quando olhamos para trás

Temos o sentimento de o quanto éramos meninos

À décadas passadas

E nosso dinheiro é um torvelinho   

Nosso bolso parece rasgado

Por erros mal fadados de compras inúteis

E não viviamos as coisas pequenas do passado

Coisas que acreditávamos que eram fúteis

Mas hoje é a nossa razão de existir

Parei

Parei entre o sinal

Os motoristas buzinam

As motos ameaçadoras despejam seu ronco

A rua é dos automóveis e veículos

Temo a travessia

Cuidado os que não temem!

Os motoristas têm presa

O sinal vermelho é uma largada

De sentimentos afoitos ou compassivos

Até onde suportará a atmosfera em nossos ouvidos?

O País cresce, o mundo cresce

Até onde?

Até onde suportará nossa vida passageira?

Onde tudo é descartável, até nossas vidas

Somos sufocados por um mundo de informações

A maioria de números onde os economistas tateiam em desvendar

Há um limite pra tudo

Parem a fúria, parem o egoísmo!

Tem de ser um mundo onde haja o sustentar!

Existência

Penso que a existência humana é como um rio

Nasce numa fonte pequenina

Vai crescendo e se alargando

Num caminho impreciso

Atravessando obstáculos como caídas de cachoeiras

E vai traçando seu rumo dando ajuda e vida a tanta gente

Montanhas serras e vales e ribanceiras

Embora haja ações traiçoeiras

Não deverá desistir de buscar

Do seu caminho traçado

As vezes como enchente

As vezes sequidão no imenso sertão

Há rios caudalosos e enormes

Há afluentes destes mesmos

Vai neste incessante caminho

Até desaguar no Deus mar

Simples

Um pé de abacate só dá abacate

É simples assim!

Pode até adicionar engenho e arte

E minha cabeça pensa em mim

Retrocedo o que já passou

Entendendo o que sou

Na solidão minha mente voa

As vezes por vias sem saída

Só guardo coisas boas

Aprendi as diversas ramificações

Eu queria aprender a fazer canções

Que lancem sensações como um banho de cachoeira

E saltem para os céus!

Não quero escrever asneiras

Isto é só um derepente

Que não se perda ao léu!

O carvalho

Não recusarei desafio, minha mente é atrevida

Não penso em recuar

Embora só, conjugo o verbo amar

O futuro é hoje em minha Vida

Cuidar de mim mesmo é respeitar aos outros

E, quando o choro vem na noite fria

Como um carvalho resisto a ventania

E venço os estremos pouco a pouco

Pois o tempo e a solidão são meras ilusões

Assim

Por que acordar tão sedo ?

Só para ver o dia clarear na janela

Ainda que eu não veja o sol eu sei que é ele

Que a luz a todos ilumina

É tudo uma questão de ser e sentir a pele

Aquecida pelo calor pequeno neste inverno

Eu não uso terno nem ponho gravata

Porque sempre nasce o sol

É inexoravel que ele nasça

O Senhor quiz assim

Por você e por mim

O Querer nascer

Os rios que correm em minhas veias

Desaguam em meu coração

Descanso a cabeça no meu próprio peito

Ouço as cachoeiras a desaguarem no mar de silêncio

Na minha garganta muda renegando o não

Da tristeza que aflora a fauna dos meus pensamentos

Talvez sou uma floresta sem pássaros

Que as vezes chegam de repente e adentram na minha cabeça

Minha esperança é que um dia amanheça

Espelhando o sol em rios de luz

Renascer

  Cuidar de quem nos cuidou mexe com obrigação

   Dar a mão

   Retrato de si mesmo mesmo que não dê certo

   Continuar tentando

   A vida flui e escorrega entre os dedos

   Coisas que já foram segredo

   Plantei uma árvore Flamboyant

   Uma semente fértil nascerá no Amanhã

   O vento que balança a copa das Árvores

   Imponente do céu azul

   As raízes que adentram no solo

   Vigorosas e centenárias

   Que escaparam as serras de dores

   Veloz devastação do canhão

   Que soltam bombas em forma de flôres

   Irmão meu não faça o não!

   Se una com as pessoas que choram a devastação.