Maio
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 3 de maio de 2012
Maio iniciou-se com chuva
e frio pelas manhãs, aqui no Rio.
Trazendo consigo a porta aberta,
por onde entrou o ano com seus
alaridos de autofalantes e cinzas de abril.
Rompeu o calor abafado, que insistia
todos os dias.
Maio mês das mães, das mulheres
que ditam e enfeitam as flores
do mês,
do ano.
Maio veio para querer amenizar as sombras
das dores,
dos partos nas mães
que geraram filhos.
Sede da terra
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 1 de maio de 2012
Um homem portando um crachá de idoso
ao pescoço
lavava seus pés sob a chuva na água
para esgoto,
escorre para os bueiros e rios
no término de abril.
A água invade tudo, se ramifica,
limpa o ar e ensopa os corpos,
mata a sede da terra até se fartar
para as pessoas que se esquecem
que a água pode acabar,
como acaba em outros sertões,
deixar de ser potável
pelo uso irresponsável
no esvair da torneira aberta
que a natureza empresta
no insaciável desperdício
como ouro jogado no precipício,
profundo, do seio da terra.
Pois dela depende a manifestação
da vida,
onde dela e nela se manifesta
a criação.
O dia amanhece cinzento de nuvens
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 30 de abril de 2012
O dia amanhece cinzento de nuvens.
Nuvens se condensam em água,
escorre pelos telhados.
O café se vaporiza perto da janela,
penso em escrever sobre flores,
mas, as flores que eu vejo são de plástico
sem vida, sem brilho.
Passarinhos cantam chamando pela vida
à luz clara mormaço,
no silêncio da manhã
recolho-me em casa
ouvindo canções no espaço,
calmas e sutis,
o rádio está desligado.
Ligado estou eu
na calma e fresca manhã,
em algum lugar do subúrbio do Rio de Janeiro.
O tanque
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 26 de abril de 2012
Crianças brincam num tanque de guerra
em Latrun, comemoram a independência do lugar,
os Israelitas.
Penduram-se no canhão e nas armas do tanque,
o tanque se fez de brinquedo,
brinquedo que mata,
que destrói
o sonho de brinquedo de outras vidas,
o caminho para Jerusalém,
histórias de guerras,
batalhas e conquistas.
Ferro que se corrói,
pelo sonho de paz das vidas de além.
Umbuzeiro
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 24 de abril de 2012
Há! umbuzeiro de porte imponente
Tu és um oásis neste sertão
Saciando a sede e cansaço das gentes
Árvore amada neste chão
Ao sol tu dás sombra com tua copa larga
Árvore frutífera tão almejada
É tão doce a poupa de teu fruto
Quando te pejas tão belo e maduro
A sombra tão fresca ao sol causticante
Tu és o descanso do caminhante
Erguendo os olhos para os teus ramos
A música suave dos pássaros com seus cânticos
Do nascer do sol ao anoitecer
Tu sempre serás a árvore que dá de beber.
Move-se o ônibus
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 20 de abril de 2012
Move-se o ônibus pela rua congestionada,
somos passageiros neste barco lotado,
voltamo-nos o olhar para tudo que passa,
a atmosfera é inundada de propaganda,
no fim de semana há mais carros;
pela janela do ônibus é um agredir os olhos
de propaganda em cada canto,
em cada espaço,
placas,
Outdoor,
faixas nas faixadas;
o gargalo do trânsito é inundado de nuvens
que se movem fatigadas
na abafada atmosfera
onde se sente a ferrugem
do tempo,
que já não sustenta
o capitalismo egoísta,
porque já surge no horizonte
a esperança de novos ventos.
Sonhar
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 18 de abril de 2012
Passamos boa parte de nossa existência
dormindo,
mas, sonhar acordado,
é o que nos move na luz da sobrevivência:
um amor correspondido,
uma viagem para ver o mundo.
Sonhar em apascentar a vida, no mundo,
para o amanhã
é um sonho de titãs
para quem vive um trabalho de rotina,
em incertezas ou certezas,
fazendo e desfazendo
no contato com a realidade.
Mais vale a amizade
do que uma falsa alegria serpentina.
Ciranda cirandinha
sorriso de menina,
vamos todos cirandar.
Abraçando o calor da vida na sua beleza
e o menino de minha infância, sonha a observar.
Dizeres que vem
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 16 de abril de 2012
Só o que tenho para oferecer
são versos,
como num quintal à vista,
pois só o sentimento sabe,
o que o cotidiano trás
por dizeres que vem
e faz em mim portador da paz.
A paz neste silêncio
que vem do meu quintal,
onde o sol faz-se em sombras
sem árvores que atraiam pássaros
como um sonho não recordado
que não tira o descanso da noite,
como um menino que dorme,
ao cólo, no aconchego de sua mãe.
E assim se vive
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 13 de abril de 2012
O que me resta saber
é o que me resta viver,
por um incessante deslizar do tempo
/tempo, tempo – vento, vento/,
vives solto por entre os Homens
e não tem olhos que reparam em nada.
História ave alada,
de repente dar-se uma guinada
e mudam o rumo das coisas
/uma lâmpada que se acende,
uma lâmpada que se apaga/
e a onda nos pega de surpresa,
de crise em crise
o mundo gira
e assim se vive,
com a cabeça cheia de números
transitórios;
transitam pelos gráficos da economia,
onde cada curva pode ser um desemprego,
um aumento de gastos no prato.
Prato feito de gordura ou secura
das bocas avidas para sentir o gosto
do pão do dia-a-dia,
como um canto de alivio
e um recomeçar a contar
os dias no calendário
com planos no amanhã,
porque os dias pedem vida
para aqueles sonhos armazenados.
Correnteza
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 10 de abril de 2012
A doce esperança de um amor
na correnteza de uma queda d’água.
Eu nado contra a corrente.
É inevitável a queda
para a realidade.
O que parecia certezas
é uma ilusão,
a flor da substância de querer te amar
e desejar,
o inalcançável segredo dos teus olhos.
Se me acolhesses no seu regaço
como ninho de passarinho.
Nos teus braços num entrelaço
e me mostrasses a virtude,
nas tuas mãos cheias de calor
na atitude de acalentar
de amor à plenitude.