Quand’a fé

Quand’a fé aconteça

que a dor no peito

da frustação

se esvaneça

fazendo bem ao coração

uma cantiga de roda

que ficou na memoria

nos faça sorrir

E a essência da alma

como um abraço

de aço

nos faça sentir.

Museu do Cotidiano

 Surgiu-me uma ideia, não sei se há coisa parecida ou ideia semelhante.

       Um Museu do Cotidiano aqui no Rio de Janeiro.

Memórias do cotidiano

Memórias do cotidiano

no passar dos anos

não resta mais que

escorias 

aleatórias

Dizendo que o mundo

urbano

ao reles dos planos

ficou no muro pichado

num condomínio

inchado

destas grandes e pequenas

metrópoles.

Esforçado

E quando o céu azul

do pensamento

não estiver mais

em movimento

e o que ficou pra trás

não mais causa alento?

Já viajei milhas e milhas

no pensamento

com discrepâncias

e coisas tantas

que meu ego

fez aliança

com sonhos

acordado

e às vezes

estranhos

na minha vida

de homem nas letras

esforçado.

Entre o mar e a montanha

Entre o mar e a montanha

algo flutua nesta cidade

com uma força tamanha

que nos braços do Cristo

circula fraternidade

Antes que a sombra do mal

alcance a pobreza

encoberta no carnaval

Desde o profeta Gentileza

a Joãozinho Trinta

e o Rio se pinta

da cor incomparável

na beleza imutável

desta cidade linda.

Pilão

Pilão pilão pilão

Pisa o milho

Pisa o trigo

Pisa o grão

 

No suor de cada mão!

 

Eu piso a palavra

De mim dada

Pra não passar a vida

Em vão.

Viveu entre nós

Viveu entre nós

seres humanos

sem planos

a sós

Quisera que o povo

reconhecesse

em todo o mundo

em forma de prese

que somos moribundos.

Era meia noite

       Era meia noite, Juca andava por uma rua do centro de São Paulo, no inverno de junho de 2016. Viu uma coisa se mexendo em um cobertor todo remendado. Chegou mais perto para ver o que era. Um menino, que tremia de frio naquela noite gélida de menos de 10 graus.

       Tirou o seu casaco e tentou agasalha-lo melhor.

Não adiantou, o menino estava gelado.

     – O que você faz aqui, menino?

O menino nada respondia, apenas tremia.

       Juca comovido resolveu tirar aquele menino da rua, naquele inverno frio.

       Enrolou o garoto com o lençol e colocou-o nos braços. Levou para sua casa que não ficava muito distante daquele local.

       Colocou três cobertores de moletom cobrindo o garoto em um sofá da sala.

       Juca morava em uma quitinete em uma rua do centro de São Paulo. É funcionário publico aposentado e divorciado. Morava só.

A situação daquele garoto o comoveu.

       Preparou uma sopa de legumes e ofereceu ao garoto faminto.

O garoto parou de tremer. Juca o serviu, dando-lhe a sopa quente.

Aquele garoto de rua o fez lembrar da sua infância difícil, sem recursos e muito pobre.

       Juca assumiu o papel de pai para aquele menino. Seu curador.

Comprou roupas, alimentou, levou para uma escola de tempo integral. Juca o adotou.

       Agora aquele menino de sete anos que jazia nas ruas, tem agora um futuro. Pode escolher o seu destino. Deixou de ser invisível para os olhos dos outros.

Quero acordar

Quero acordar

junto do sol

na linda manhã

Sentir o cheiro da hortelã

e quando levantar

abrir a janela

e ver um campo de girassóis

 

Dirá você que quimeras

não duram

nem giram

no tempo sobre a terra

 

Direi que um sonho

é um sonho

mas com fé:

podem disser os cristãos!

Que se pode ver

o mundo em revolução.

O cais

Quando o amanhã

estiver melhor

ou pior

não se esqueça do próximo

e de Deus

pois os erros teus

não são piores que os meus

 

Faça um ofertório

do fundo da alma

na tua mão

na tua palma

carrega as digitais

 

Uma alusão

aos teus desejos individuais:

esteja perto do cais

para embarcar

a sombra dos teus sonhos

e recomeçar.