Antes que a água se acabe

Antes que a água se acabe

Antes que o riacho desague

Antes que haja escassez

Antes que as colheitas percam a vez

 

E tudo no mundo

O poço seja fundo

Porque a vida não espera

Tanto tempo que tudo se regenera

 

E só haja o escaravelho

Pra rolar o esterco

E eu me perco

Neste mundo velho.

Pisa os pés sobre o chão

Pisa os pés sobre o chão

tange as arpas

alaúdes

violão

 

O seu pisar é suave

não espanta

os pássaros as aves

levanta palavras

mansas

de amor e perdão

 

O celeste sobre a terra

dois mundos em união

numa infinita

vida e boas novas

que o corpo não desterra.

O mundo presente

O mundo presente

o nosso mundo

o mundo de cada um

nos olhos da mente

em um segundo

transforma a realidade

que busca a felicidade

de muitos e alguns

E a felicidade

de cada comunidade

onde reina a paz

muito mais bela em tudo

que

se

faz.

Um ônibus

Um ônibus

Deu

O prego

Um outro

Tirou

Fina

Raspando

Na lateral

Do outro

Ô seu

Motor

Piloto!

Vê se

Dirige

Legal!

Suspiro da natureza

E a luz desceu do céu

como chuva temporã

e todas as tribos julgaram

ser tupã

Elegia que desceu

para dizer que a natureza

em toda sua beleza

não é mais a de outrora

A sombra benigna da natureza

está indo embora

para últimos refúgios

entre montanhas

últimas entranhas

De onde tirar agora

o nosso futuro?

O corpo ao dormir

O corpo ao dormir

entregue ao sono

passivo

mas ainda palpita

Devagar se move

na contagem das horas

no breu da noite

E a noite não se agita

e não mexe a dormência

que molemente

alivia-se do cansaço

Quando paira a manhã

na janela

e a noite abre e estende

os braços

para fora do dia

quando

principia

o despertar novamente.

Sacoleja

A noite esvaneceu

e o dia brilhou no céu

O liquidificador corta e

sacoleja a vitamina da manhã

com banana e maçã

sacoleja, sacoleja, sacoleja

sobre um canto da mesa

O dia no inicio

como um principio

dos acontecimentos

que venham a existir

E tudo me faz sentir

nada mais que simples

sob o firmamento

coberto de azuis.

Amar

O amor é como uma amizade intima

Que nasce do querer doar-se

Como o rio que desagua no mar

Dar valor a uma ação ínfima

Um ao outro retratar-se

Na plenitude do verbo amar.

Quanto pesa a fraterna alma humana?

Quanto pesa a fraterna

alma humana?

Em busca de se conhecer

que em Deus a alma chama

num simples vencer

toda sua arrogância

do pouco que se fez

e tem

Considere o bem

além da infâmia

carência

que vem de

vez em vez

E você verá que tudo

se faz leve

alvo como a

neve.

Eu queria transformar

Eu queria transformar

os azuis

Eu queria voar

pelas ondas de um

blues

e navegar

nas cortinas

do tempo que ensina

e realizar

o sonhar.