Olimpíadas

Olimpíadas

espetáculo corporal

Mais forte mais rápido

mais alto

E esse espetáculo geral

só três sobem ao pódio

O artista em malabarismo

desafia a gravidade universal

num encontro de nações

E eu me imagino correndo

pra ser o primeiro

levantando as mãos

dizendo para mundo inteiro:

Aqui estou eu!

Mostrando pros meus

venci a mim mesmo

sou bronze

prata

e ouro.

Ser um planador

Ser um planador

Voar contra o vento

Eu me sustento

Sem motor

 

O horizonte redondo

Estou alto demais

É só pra ter paz

E ver Deus num encontro

 

Por que a vida é tão breve?

Se eu estou tão leve?

Acima das nuvens

Sonhar e voar são virtudes…

Um dedo entre as nuvens

Um dedo entre as nuvens

rasgou o céu

e caíram as estrelas

e luminares

Os maldosos tornaram-se

réus

 

O Homem na sua essência

(não homem maldoso)

será transformado

e esmigalhadas todas

as carências.

E se a luz

E se a luz

Que brilha

Fizesse jus

A trilha

Do chão

Que se pisa

Como afago

De irmão

Como atalho

Pra felicidade

Ingênuo peito

Sem maldade

Assim meus

Ombros

Terminassem

Em sonho

Com Deus.

Aviso!

Peço por favor, vocês leitores, deixem um comentário!

Noite

Acordado na noite

no embalar da música

noite na Boiuna

o sábado passa

e se retrata

no último fio

de minutos da semana

semanas cotidianas

quase nenhum comércio

no fim da estrada

no pedaço de bairro

esquecido

depois de tantas esperas

soluça a noite dentro de mim

nada de jornais

me sinto alheio

mas presente no País que

pulsa

os dias são todos apressados

correm atrás do calendário

e a roupa no armário é pouca

a biópsia do mês que termina

pede luz

como meu quarto reluz!

no escuro da noite

dorme a gente pacata

neste pedaço

da Barreira

tudo é empírico

nada de besteira

meu mundo se equilibra

na minha alma de poeta

simples

mas ser simples não é tão

simples

e o que pesa mais no gotejar

da vida

são as coisas simples

o puro extrato da existência

o amar

a vida

que sempre procrastina

na variação de valores

tanto matérias quanto pessoais

e o Rio de Janeiro no vermelho

como um sinal de trânsito

entre tantos sinais

no abarrotado circular

de carros.

 

Arrependei-vos!

Arrependei-vos!

Arrependei-vos!

Gritava o profeta

E quantas coisas

eu me arrependo…

e ter travado batalhas

incertas

No tempo eu aprendi

e aprendo

que a maioria nem sempre

está certa

Josué e Calebe foram

minoria

Na vida se aprende

que para os que acreditam

no final é alegria.

Desarrumados

A rede envolve os peixes

O texto envolve pessoas

Que minha arte me deixe

e não me faça atoa!

Sai versos sai linhas

Canta alto a galinha

por ter botado o ovo

Não tente enganar o povo

com versos desconjuntados!

Eu canto satisfeito

por ter escrito bem feito

em versos desarrumados.

A palavra pão

A palavra pão

alimenta a sede

do irmão

Tão clara como

a luz do sol

Eu a como

e me sinto saciado

A luz vertente

aquece o peito

desanimado

A palavra do filho

que pisou a serpente.

Conto Infantil

       Zé Game acordou, de um pulo. Quando ouviu algumas vozes estranhas, enquanto tirava seu pijama. Escovou os dentes, quando bateram na porta do banheiro. Era sua mãe dizendo frases incompreensíveis. Abriu a porta e deu de cara com sua mãe, aparentemente lhe perguntando algo numa língua que ele não entedia.

Zumplingfunk up!

Era assim que Zé Game entendia.

O que houve com a família? Será que ficaram loucos?

Lembrou que ficou até tarde da noite, jogando game. Era sua mania. Seu hábito incontrolável.

       Era um jogador solitário. E maníaco. Às vezes jogava com um amiguinho, como sempre, se saia vencedor. Isto lhe dava orgulho, e aumentava mais e mais sua paixão pelos games.

Não entendia o que as pessoas falavam, nem da família, nem os vizinhos, ninguém.

Não podia ir à escola, sem entender nada do que falavam.

       Foi levado ao médico que o examinou. Nem ele nem o médico entendiam o que um e o outro diziam. O médico resolveu encaminha-lo a um médico de cabeça. Um psiquiatra.

Levaram-no ao psiquiatra. O psiquiatra dizia: “Zumplingfink on”. Segundo Zé Game entendia. E ele dizia: Linklinkon, linklinkon. Segundo o que o psiquiatra ouvia.

O psiquiatra encaminhou uns exames de eletroencefalograma, exames de sangue, etc…

Levaram os exames ao psiquiatra.

Não deu nada muito grave. Só uma anemia, por alimentação inadequada.

       O psiquiatra o encaminhou a uma junta médica, junto com os pais.

Os médicos ao interrogar os pais, recomendaram uma boa alimentação e exercícios físicos. Afinal ele só tinha onze anos!

Recomendaram mais: ausência de todo tipo de game, videogame e computadores.

       Zé Game, ao chegar em casa e entrar no seu quarto, teve uma surpresa. Nada de aparelhos eletrônicos!

Ele chorou, chorou… Tentou falar com os pais “sneef sneef link”, mas os pais não entenderam nada. Só entenderam quando ele no seu quarto apontara para o lugar dos eletrônicos.

Os pais disseram:”snak e snak”. Segundo entendera Zé Game, eles disseram “não e não”!

Os médicos também recomendaram mudar a rotina de Zé Game. Recomendaram boa alimentação, muito lazer, um animal de estimação e livros para sua idade. Afinal de contas, não são umas coisas difíceis!

       Ao passar de uns dias, Zé Game acordou entendendo tudo. Brincava com seu cachorro, ia à escola normalmente, e, até, lia livros de historia, poesia, etc… Conseguiu melhorar até suas notas na escola.

       Hoje, Zé Game não se chama mais Zé Game. Chama-se: “Zezinho Sonhador”.