Amadurecer

Achei que a vida era como

uma mulher bela e generosa

mas aí o meu desejo

se transformou poesia e prosa

dando assim ensejo

para a realidade crua

da carência

na existência

nua

de ganancia

na vida em desejo

que se esvaneça e flua

para vida mais pura

e não comer a fruta verde

mas madura.

Multiplicação

Se

um dia o universo

estiver

repleto de seres

humanos

não restará mais

nada a fazer

 

E ver da lua

o amanhecer

da terra nua

de florestas

 

A terra estará

coberta de gelo

da frieza

da automação

e

uma lágrima

escorrerá de

tristeza.

A vida pede vida

A vida pede vida

antes que estiver

perdida

E o que estiver de

súplica

faça bem a nossa vida

única.

Lancei um sonho no espaço

Lancei um sonho no espaço

E ele subiu, subiu…

Como num gesto gentil

Segurei a vida num abraço

 

Acrescentei fé ao sonho

Apesar de às vezes enfadonho

Persisti apesar de opiniões contrarias

Deixe que eu nade e me aporte numa praia!

Fragilidade

Quando o ter

se sobrepõe o ser

surge um vazio no peito

e o direito

em cada dia

transforma-se em apatia

Pois é fácil querer ser

quando se tem

mas a hora vem

que o seu tesouro

vira-se em fastio

de novo.

A cidade estava fria

A cidade estava fria

senti isto dentro

de mim

Os outdoors anunciavam

coisas sem sentido

Os ouvidos acostumados

assim

com o zumbido da cidade

Mas o sábado começou

em paz

Essa paz de um calor

de irmão

Faço o possível pra fazer

bem com minhas mãos

que demonstro com

pulsar da paixão

de escritor.

Malamanhado

Malamanhado

Diz-se do sujeito

relaxado

Ora, o meu quarto

é uma desarrumação

arrumada

E o que há de dizer com

as ruas abandonadas

no subúrbio?

O subúrbio é cidade

e quando chega o período

das chuvas

é uma verdadeira calamidade.

O reino dos céus

Um milagre

Uma cura

A palavra em forma

de parábolas

simples e pura!

Um grão de mostarda

O semeador

saiu a semear…

O reino dos céus

é simples

e profundo…

Como poesia

a se falar.

Pegando melancias

     Bons momentos aqueles, na minha estadia no nordeste. Meu primo e eu costumávamos pegar melancias maduras das roças da vizinhança.

     Era um tempo em que a fauna e a flora ainda se mostravam exuberantes, no inverno do nordeste. E o sistema de plantação era de cortar a mata e depois queimar (período das queimadas). Eu não tinha muita consciência ecológica, mas me mostrava tremulo, sem muita alegria, por ter caçado um pássaro que se mostrava belo, mesmo depois de morto.

     Hoje na cidade grande, ficamos horrorizados pelo preço das frutas, dos legumes que vem das plantações das zonas agrícolas.

     As coisas mudam e a nossa consciência se amplia depois de adulto.

     Meu Deus foi a algumas décadas!

Quando a poesia vem

Quando a poesia vem

não encontra obstáculo

Um grão de areia pode ser

o seu extrato

E quando toca

toca para ficar marcado

o coração

Como uma cantiga nova

Como assoviar uma canção.