O carioca pega onda!

            O carioca pega onda!

       A onda do funk,

                    Tão sem horizonte;

                                Igual a disco riscado.

                                                      Não vai amarrar o bode!

                                                 Pega onda da roupa, ao corte no cabelo.

                                                                              No presente há roupa pra usar?

                                                                                                Não mente, isso é puro caô!

                                                                                                                     Até na prece que leva fé;

                                                                                                                                   Tô nessa parada!

                                                                                                                                     Vou de camelo,

                                                                                                                                    Com esse bonde!

                                                                                                                                  Tudo bem, já foi!

                                                                                                                       Não basta o oi.

                                                                                             Valeu irmão, já é!

Internado

Estou concorrendo a um concurso de pintura, organizado pelo laboratório que fabrica o Risperdal. O comprimido que eu tomo todos às noites.

Confesso que não estou muito animado para este concurso. Não tenho tido muita criatividade na pintura; e o meu quadro estou achando um horror. Não que eu não tenha talento, eu até faço alguns bons desenhos. Acho que é a faze pelo que estou passando mesmo. Por alguns dias eu pensei estar com a sorte nas mão. Foi por um triz que a sorte passou por mim.

Hora essa, eu sou jovem e tenho qualidades, para ser bem sucedido no trabalho. Tenho lá minhas cismas. Não deixo de acreditar na minha capacidade de me superar.

Não posso deixar de acreditar que a sorte ainda vai estar ao meu lado.

               Sinto o presente no futuro. E, assim, num dia destes eu acordarei sorrindo e triunfante de alegria, pela vida. Verei tudo mais colorido, tudo mais bonito. Sonhos serão realizados e a alegria de um futuro promissor, será um componente de minha vida.

Junho de 1998 – Terapia Ocupacional do Hospital Jurandir Manfredini

Além

Peço apoio ao sol que nasce no horizonte
 
Acima dos montes
 
Jogando luz nesse céu azul
 
Nada pode deter o meu pensamento
 
Que num momento transpõe galáxias além
 
Além, Além, Além, Além
 
Além, Além, Além, Além
 
E onde fica o trono do criador?
 
Inalcançável, impenetrável é o Senhor
 
Entre raios e trovões ainda ele há
 
Acima das nuvens na calmaria ele vê o céu azul
 
Abro minhas asas de águia pra chegar lá
 
Mas na verdade ele há
 
O seu Espírito está em todos os lugares
 
Nas fossas abissais e nas vagas dos ares
 
Muito mais além do que pensamos
 
Além, Além, Além, Além
 
Além, Além, Além, Além

As coisas da vida

As coisas da vida passam numa bandeja

Coitado dos tímidos que não estendem a mão

Por medo da negativa do não

Esperto a olha e fareja

A oportunidade aos seus olhos

Inesperadamente ela se insinua

Os gaviões dão um rasante voo

E logo a deixa toda nua

Em suas garras oportunistas

Espectro de artista inveterado

O coração bate malvado

Palitando os dentes após a comida

Anjo também eu não quero ser

Quero olhar e ver, reter

Dizer palavras doces ao meu bem

Calmamente elevar-me as nuvens

Antes que caia do sono inebriado

 

 

É arriscado

Apostar no futuro sem numerário

É arriscado; apelo pra Deus!

Porque os erros foram meus

Minha vida, meu pão diário!

Não o que o diabo amaçou

Crente eu sou!

Não quero ser hipócrita

 Um erro dá lugar a outro

Quero meu espirito solto

Enriquecido de palavras boas

 Não quero andar atoa

Ser simples sem medo da verdade

Que ilumina minha mente

Mesmo que digam que sou um demente

Clara, as vezes obscura pela vaidade

Das pessoas que no fundo,

Amam mais o deus deste mundo.

Calado

O que fazer?

Quando tudo é escasso.

Quando os montes parecem inatingíveis.

Não há fonte no regaço.

E o conviver dos humanos é difícil.

Quando a inebriante vida é partida;

Embora eu chame a mulher com o olhar,

Não é o bastante para amar.

Minha vida, meus sentidos, são sonhos mal começados.

Embora haja frustação em minhas palavras;

Solto o tom além de uma oitava;

Pra meu espírito não ficar calado.

 

Futebol

Aqui no Rio o povo é mesmo fanático por futebol.

A seleção Brasileira jogou; e foi rojão pra todo lado.

Eu particularmente adoro futebol, mas não chego a esses exageros que vejo por aí.

É aí que os políticos aproveitam a ocasião para se promoverem na alegria do povo.

Pão e circo para o povo, já diziam os romanos. Mas o futebol é mesmo apaixonante; tirando

alguns exageros, o povo tem razão de festejar as suas partidas.

Isso faz me lembrar da época que eu jogava futebol como mais um garoto de rua. Bons

 tempos aqueles. Os sonhos, as fantasias que passavam pela minha cabeça de garoto.

Tenho saudades destes tempos. Minha doce ingenuidade de menino sonhador.

Tudo tinha mais cor, mais emoção. E os sonhos de ficar adulto e ser independente pareciam

mais simples.

15 de junho de 1998

Minha mãe é matéria

Minha mãe é matéria

Eu sou alma e coração

A flor despetala neste refrão

Quando o ego é atingido

Nossa mente se revolta e nosso coração cai em terra

O poder da palavra desloca o atingido

Como mudar uma mulher de setenta no seu rancor vestido

Quase toda hipocondríaca

Quase uma visão de mim medíocre

E os bons ventos se desviam para o nada

Eu piso na navalha para me equilibrar

Já cansei de tentar o impossível

Já cansei de me encurvar

Já cansei de perder o equilíbrio

O verde

O verde das árvores

Verdes de todas as cores

As sombras das árvores

Luz do sol fazendo desenhos na vegetação

Brilham as flores

Exalam perfumes tão doces sublimes

O céu que num manto azul

Faz um quadro perfeito pra observar

A vida fervilha

Insetos

Borboletas, asas a planar

E esse clima de paz perfeita

Enche-me de vida e esperança

Maio de 1998

Na Central

Na Central, Central do Brasil

Comida por um Real

 Vai e vem andarilho o povo alimenta seu martírio

Na travessia ariscada assenta o pé na calçada

Do povo que outrora já foi capital, o povo do Rio

Os camelos põem na desordem a ordem

O pipoqueiro  alimentando a pombada

Desnudam de fantasia na sua gíria do bem

Em passos que se cruzam

Na doce harmonia do samba

Trem, trem, trem