Outubro

O ônibus avança, as pessoas em silêncio…

em outubro sinto a ânsia de querer viver,

subir numa árvore, na praia correr,

ver e mexer cores, atravessar um rio a nado.

Fazer diferença neste mundo

e descobrir o obvio que nasce em cada dia,

o renovar da vida, o giro no espaço

na letra viva numa explosão de alegria,

daquelas que não se esquece, lá no fundo.

Quando o povo se revolta

Quando o povo se revolta

Há uma voz que se solta

Um mar de folhas de hissopo

Que inundam a praia num sopro

 

Cheia de corruptos escondidos

Na areia da praia encrustados

Comprados pelos corruptores

Agentes e no País atores

 

Desde o tempo do império

Sonegando e comprando

A mente distorcida nos valores

Desconhecendo o povo sério

 

Que agora dar-se conta

Essa coisa arraigada no dia-a-dia

Influindo no País a economia

Como o estralar na cara a tapa

 

Desde o simples cotidiano

Até os mais altos palácios

Percorrendo o caminho

Até chegar a Brasília nos pátios.   

Reticências

Sou apenas um ponto no meu País,

Um ponto no planeta terra,

Um ponto na galáxia,

E no universo sou apenas reticências…

Ciranda

Uma menina ao redor da fila no banco,

seu mundo é uma brincadeira,

o banco não passa de uma passarela,

entre pessoas enfileiradas sem bancos.

 

Não imagina as cifras astronômicas

que circulam na ciranda financeira,

em negócios da china econômica,

levando o negócio do bolso em fileiras

 

a entrar na montanha russa do sobe desce,

em coisas do futuro que poucos conhecem

-não vale o sorriso desta menina!

Valor humano que tanto me anima.

 

Gráficos da especulação de ondas

que se quebram na praia da vida.

Vida que fervilha do desejo que há,

entre cada compra e o desejo a continuar.

Pássaro

Pássaro da liberdade decole

abrindo suas asas espalhando as folhas secas.

Carregue a mente dos homens de luz,

onde há o peso nos ares

na incerteza velada nos muros.

Rasgue o véu do fundamentalismo

rompendo a resistência do egoísmo;

o som de tua voz não se cale

para injustiça humana do regime duro

na libertação do povo afligido.

Castelos

Algumas pessoas acreditam em sonhos.

Temem ou se alegram que ele se torne palpável,

as vezes sonham em um prazer agradável,  

as vezes sonham em pesadelo medonho.

 

Sonhar é como mergulhar num rio

do porão (em nossa mente) inundado,

coisas do presente, coisas do passado

distorcidas num naufrágio de navio.

 

Castelos que a vida desfaz,

renovando com as mesmas pedras

outros sonhos futuros,

construindo derrubando muros.

 

Sonhar, assim de olhos abertos,

onde o caminho trilhado pode ser real;

revolvendo o obstáculo impenetrável,   

que o céu é rasgado firmamento.

O amor alcança

Já não conto o trem da minha vida

pelos anos que passam mas, pelas ações

de rimas soltas, cantos canções;

vagões de sentimentos carregam a lida

 

de vitorias sobre mim mesmo;

não fracassos a esmo,

nem o grito preso na garganta,

disso nada, nada adianta.

 

Em tudo o amor suplanta

pelo que não aconteceu;

a vida não morreu,

antes tarde que o amor alcança.

 

Como o nascer do sol

Como um menino que acorda

            bem cedinho esperando

o nascer do sol.

Eu sou assim…

Com uma tremenda esperança

            no futuro.

Que ele seja melhor que o presente,

            que a vida se renove

            e tudo seja belo e único

como o nascer do sol.

Pois nós somos como estrelas

            que pulsam e iluminam este mundo,

embora muitos não se importem

            com o calor de suas veias;

vivem num eclipse duradouro,

            não amam a si mesmos nem ninguém.

Seus sóis são como a sombra e a dureza das pedras.

Mudança

Mudança dá muito trabalho

Comecei a empacotar tudo

Do chuveiro ao chinelo

Nesse ambiente conturbado

Deixei tudo encasulado

Quando vi na geladeira

Que ficaram soltos dois ovos

Ó duvida ovípara!

Ovo é uma célula comestível

Salvar a célula gema e clara

Salvar o involucro plausível    

Tudo eram caixas enfileiradas

O que fazer com dois ovos?

Não é bom o desperdício

Jogar os ovos num precipício?

De ultima hora decidi aos olhos

Embalei numa frasqueira usada.

Um membro

Estava apressado andado no corredor,

quando me vi solto no espaço;

estatelei-me no chão, o pé tropeçou.

A queda feriu o meu braço.

 

Senti o quanto é importante

um membro ferido limitado

na nossa vida, o braço,

que na necessidade estende,

 

encolhe,

levanta,

sustenta,

o peso alavanca

 

no nosso corpo máquina perfeita.

Hora esquerda, hora direita

da mão sua extensão,

que muitos alçam ao espaço fazendo violação.