Leve

Eu toco os teus ombros e tua cintura;

para onde vão os teus desejos de mulher?

paixão e proteção,

não sabes se sim ou não?

meu toque é singelo,

um convite para a dança

do amor a esperança;

feche teus olhos,

no sentir do toque;

eu já disse tudo,

mulher;

dou minha proteção

e meu sentimento;

tu sentes na pele

a delicadeza de ser

mulher,

no toque leve.

Meu barco

Eu revelo meu barco,

que percorre as fronteiras,

onde não há cercas,

não há mal me quer;

não há o intrincado medo da verdade.

Os ventos empurram para os rochedos,

onde cantam as sereias com suas ilusões.

Meu horizonte aponta para o sol,

pois a tempestade às vezes me encobre;

os ventos às vezes rasgam as velas

num dilacerar de sentimentos afoitos,

mas não me desvio da rota.

Meus sonhos não são pequenos

comparado com o que tenho,

meu horizonte é sem fim.

Tente, tente, tente!

Viajante solitário!

No mar do mundo haverá um arquipélago,

onde pássaros cantam cantos todos os dias.

Ilusões

Se eu chorar não me deixes só

nesta penúria de fazer dó

o vazio me invade

com maldade

 

a vida toda um labirinto

que não consegui escapar

do que adianta ser limpo

debaixo do tapete o verbo amar

com minhas ilusões

de pobre andarilho

que anda nos trilhos

 

a mente cheia de precauções

eu invejo Carlitos vagabundo

em preto e branco

não sente a agonia pela garganta

estremecendo no peito

 

meu nome?

esperança

do que vai acontecer

fazer-me uma dança de criança

sem musica pra ouvir

 

lá fora o sol

eu vejo caminhos para percorrer

eu sou Carlitos urbano

no preto e no branco

o radio dança dança.

Equidistante

Minha mente equidistante

da pessoa na internet

que solta um não

sinônimo de negação

 

tão forte que derrete a neve

do outro lado do mundo

nesse conversar mudo

nesse software leve

 

msn sem rumo resumido

o som do teclado

impresso em meus ouvidos

eu passo horas calado

 

no contato virtual

desejo feliz natal

desejo feliz ano novo

no respirar do povo

 

fechado na lan house

na cabine manuseando o meu mouse

na tela refletida pelo monitor

sou mais um dependente do computador.

Tempo

Se a chuva molhou a sua roupa

            não se preocupe o sol irá voltar

pra que se preocupar com coisa pouca

            mude as vestes e se outras não tiver

deixe secar

 

pra que se preocupar com a chuva

o sol irá voltar

            deixe a chuva cair

veja o renovo que o tempo irá produzir

 

            a mesma chuva cai para justo e injustos

os de corações perversos e os puros

            vento vento vento vento

o homem é sujeito ao tempo

 

            o homem da quitanda

a mulher na varanda

            o homem solitário

a mulher mal amada

            o casal de mãos dadas

o tempo não tem proprietário.

Luto

Eu luto resoluto

o luto da morte da sorte

sorte não me faz de filho

menino maltrapilho que errou o tiro

da baladeira

eu sento só na cadeira

olhando o tempo passar

como passam as magoas e relutar

levanto resoluto do luto

abro a porta mudo

querendo me ouvir falar

a prese de estomago vazio

o papel em branco é fastio

que preencho devorando o espaço

da letra que sai do mar

de sentimentos que enlaço

e lanço no infinito

de temores

de dores

que disfarço.

Exista

Faça de conta que o amanhã não exista

Que tudo é uma questão simples na vida

Afinal a liberdade é tão subjetiva

É possível ter liberdade entre quatro paredes

Como no debruçar em uma rede

O corpo no espirito se liga

Fazendo-nos transladar numa distante terra

O céu nunca se encerra

Erga as mãos como asas

E se deixe arrebatar pelo vento

Esteja sempre em movimento

E voe acima do telhado de sua casa

A casa nosso ninho de passarinho

Desperte para o amor e seu caminho.

Anoitecer

Céu cinzento com chuvisco

anoitecer no verão

a brisa refrigera a estação

 

digas-me por que não gostas dos meus ditos?

minha vida gira ao meu redor

são carros luzes movimento

o comercio

faço tudo pra evitar o tedio

 

eu um sobrevivente de coração sonhador?

vejo meu vulto no vidro dos carros

as vezes me pergunto pra que um coração tão sincero?

se o que eu mais quero

não esta junto de mim

 

às vezes sou Don Quixote

moinhos de vento girando girando sem fim

as vezes um homem forte

mas que guarda dentro de si

o medo tremulo do desamor.

 

Quando

Quando a primavera chegar

Tu saberás

o quanto custa no inverno esperar

 

Quando o sol se pôr 

Tu saberás

O quanto custa esperar um amor

 

Quando despertares

Saberás que uma noite inteira passou

E a noite não tem sabores

Para quem não se aconchegou

 

Quando as flores brotarem

Então saberás

Quando elas desabrocharem

Saberás

 

Então sorrirás

E não pensarás

o quanto e quando olhastes pra trás.

O tempo e o espaço

Passeando pela folha de papel

passeando pela cidade

com presentes de papai Noel

importado do norte

 

o polo norte não é aqui!

não há neve!

tudo ferve!

tudo é um borbulho do povo

a iniciar um novo ciclo

 

o tempo e o espaço

rasgam o calendário

 

um celular…

um tênis…

um computador…

umas roupas novas…

 

afinal tudo de um numero novo 

estará vestido…

por baixo o corpo do passado.