Quando se fala em digitalização de acervos, é preciso pensar em acesso qualificado. O que significa extrapolar os limites de apenas tornar visível um determinado conteúdo e permitir ao usuário operar sobre o objeto digital, catalogando, criando conexões com outras obras e até remixando. A visão é apresentada pelo gerente de cultura digital do Ministério da Cultura José Murilo Jr., na entrevista em vídeo a seguir.
Nele, Murilo explica os objetivos do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que aconteceu em São Paulo de 26 a 29 de abril, fala sobre a rede do Fórum da Cultura Digital Brasileira, a necessidade de mudar a lei de reforma de direitos autorais e reflete sobre qual papel o Estado deve desempenhar no processo de digitalização de acervos. “A lei está caduca e precisa ser atualizada. Hoje, instituições culturais públicas não podem digitalizar seus acervos (nem) para a preservação (das obras físicas). [...] Quando você tem recursos públicos embutidos na produção de bens culturais digitalizados, [..] é preciso pensar que esse acesso deve ser público e facilitado”, disse.
Google Books aponta caminhos
O acordo de digitalização de livros feito pelo Google é apontado por Murilo como um case importante. “O Google explora possibilidades que estão abertas no cenário criado pelo ambiente digital, pelas novas perspectivas, e entra no vácuo que acontece entre público e privado. É como se fosse uma terceira dimensão, que não é público nem privado, é Google”.
“É quase como se o acordo Google Books denunciasse que o Estado não foi rápido suficiente para repensar seu marco regulatório de direito autoral, criando uma situação que é constrangedora para todos, para artistas, distribuidores, indústria cultural e principalmente para os usuários”, completou.
Assista à entrevista com José Murilo Jr. gravada durante o Simpósio:
Veja o post completo sobre a entrevista em: http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/05/18/a-logica-do-acesso-deve-orientar-os-processos-de-digitalizacao/




Maximiliano Leguiza 19 de maio
boa entrevista!
Andréa 20 de maio
Digitalizar para preservar e acesso qualificado!!!
Mas ainda falta atualizar a lei de direitos autorais…
Ótima entrevista!!
Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe 20 de maio
parabéns Murilo
Camila Guimaraes Dantas 21 de maio
Entrevista muito esclarecedora sobre o tema atual e polêmico da preservação digital. De fato a questão do acesso é um ponto central no debate, mas há vários dilemas em pauta, como por exemplo, a questão crucial sobre o que deve ser alvo das políticas de preservação…Muito bom contar com esse registro online e poder a partir daí pensar e discutir esses tópicos.