MT Criativo se reúne com comunidade de Mata Cavalo

 

A coordenadora de Articulação e Redes do MT Criativo, Terezinha Quilombola (de vermelho) em conversa com a comunidade

A coordenadora de Articulação e Redes do MT Criativo, Terezinha Quilombola (de vermelho) em conversa com a comunidade

Neusa Baptista – Comunicação/MT Criativo

Representantes do MT Criativo estiveram reunidos na última sexta (17) com cerca de 50 lideranças de quatro comunidades do quilombo de Mata Cavalo para dar início ao levantamento de demandas da comunidade quanto ao incentivo à economia criativa no local, um dos primeiros passos do projeto que visa construir uma rota turístico-cultural no local.

O encontro aconteceu na escola estadual quilombola Tereza Conceição Arruda, na comunidade de Mata Cavalo de Baixo, com a presença de cerca de 50 quilombolas das comunidades de Mata Cavalo de Cima, Mata Cavalo de Baixo, Aguassu e Ponte da Estiva, além da coordenadora de Articulação Regional e Redes do MT Criativo, Terezinha Quilombola, da articuladora regional da instituição, Lúcia Picanço, e da coordenadora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Marina Lacerda.

Elas falaram aos quilombolas sobre as ações desenvolvidas e serviços prestados pelo MT Criativo no Estado e detalharam o objetivo da construção da rota turístico-cultural no local. “Somos muito ricos e muito pobres ao mesmo tempo, porque temos nas mãos a nossa riqueza cultural, mas não sabemos como mostrá-la ao turista, gerando renda para as famílias. Nossos costumes, rezas, saberes tradicionais, comidas precisam ser revalorizados. O turismo cultural é uma grande fonte de riqueza e temos que explorar este potencial”, comentou Terezinha Quilombola.

Entre as principais demandas apontadas pela comunidade está o investimento na melhoria de infraestrutura para o desenvolvimento da dança e da capoeira. A representante da comunidade de Mata Cavalo de Baixo, Arlete Pereira Leite, falou de seu desejo de resgatar o grupo de siriri do local. “Tem muita gente já querendo ter aulas de siriri, a procura está grande. Precisamos resgatar, ressignificar essas práticas. Uma comunidade quilombola sem cultura não existe”, disse ela, citando também a necessidade de fomento à produção de doces artesanais e ao artesanato em argila e palha de milho.

Outra liderança do local, Maria Pinto de Morais, conhecida como “Maria do chá”, ressaltou a importância do investimento em capoeira. “Meu filho é professor de capoeira e está parado por falta de verba. As crianças querem muito que ele volte a dar aula, é uma apresentação bonita, que tira as crianças das ruas, é educativa. Não é só para defesa, é uma tradição quilombola que precisa ser preservada”, opinou ela.

O artesanato também foi apontado como um dos carros chefe da produção cultural pela líder Berenice Lemes do Espírito Santo, da comunidade de Aguassu, onde as cerca de 60 famílias têm como tradição o crochê, a fabricação de chinelos e a pintura.
Para Manoel Domingos Lúcio, liderança da comunidade de Mata Cavalo de Cima, as manifestações religiosas de matriz africana, como a umbanda, merecem mais atenção. “Nós queremos o fortalecimento desta cultura que já existe, por exemplo, do terreiro de umbanda da nossa comunidade, que faz festas tão lindas, tem muita gente, da Festa de São Benedito. Queremos o tombamento dos cemitérios históricos e a revitalização da nossa culinária tradicional. Temos pessoas que são mestres na fabricação de pão, doces, bolos, mas que precisam de qualificação para pôr este produto no mercado”.

A líder Ivone Conceição de Arruda Abreu, da comunidade Ponte da Estiva, pediu apoio à Festa de São Benedito, realizada por sua família desde 1982 no terceiro sábado do mês de setembro, que reúne anualmente cerca de 500 moradores de todas as comunidades do quilombo. “Queremos montar um projeto e angariar recursos para reformar a casa onde vivia minha falecida mãe, criadora da festa. Ela pediu que quando morresse, a família continuasse realizando esta festa, e assim temos feito”, explicou ela.
O projeto da rota turístico-cultural de Mata Cavalo está sendo discutido por um grupo de trabalho formado pelo MT Criativo, pelo Iphan e pela UFMT.

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