o batismo do fogo

Pela pressão da ocupação urbana caótica e a cobiça que desfaz a cabeça, os candomblés de roça vão se espremendo entre a sanha poluidora e a incompetência dos tais modernos conviverem com o sagrado. Com seus cultos profundamente ligados aos caminhos da natureza é raro uma Casa como a de Mãe Railda na periferia de Brasília (no entorno da Capital a violenta Valparaiso). De tradição fortissima e sob linhagem respeitada Mãe Railda promoveu a festa de Xangô onde a Justiça se faz vibratória pelo calor do fogo. O fogo que queima vaidades, arrogância, cegos egos infláveis cairem sob a chama da lucidez, da generosa beleza de um povo que queima e teima para não cair no balabala-bla-bla-blá da politicagem astuta. Fogo alto no Planalto. Cinzas para cicatrizar ferida. Ritos para impedir a mentira, a maledicência e a hipócrita soberba de quem acha que pode faturar a Vida maior em proveito menor das suas vidinhas. Aula na fogueira. O batismo de uma pequena rainha. Belíssima nobreza (no sentido mais pleno do nobre como algo que não se dobre, se desfaça em farsas diluídas). A menina que nos resgata; o fogo que restaura ao incinerar velhas jogadas; a Mãe que ora enquanto canta e dança; a casa de um povo que faz da festa, da comida e do prazer símbolos libertários; nós que somos gratos pela chance de continuar na estrada costurando o caminho com a linha do horizonte. Queimando nossos erros para poder servir melhor sem repeti-los. A chama me chama: vamos nessa! graTTo, sempre

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