terça-feira, 22 de maio de 2012

Arquivo da pesquisa concluida

    Prezad@s,

    Repasso o link, agora bem certinho da compilação dos meus 05 produtos, da
    pesquisa sobre a Cadeia Criativa do Livro. Organizei as principais
    informações e dados que surgiram na pesquisa em um único documento. Espero
    que tod@s leiam e que este documento colabore para a implementação de uma
    politica pública para o fortalecimento da cadeia criativa do livro.
    Boa leitura e qualquer coisa estou à disposição.

    http://pt.scribd.com/doc/77946945/Cartografia-Da-Cadeia-Criativa-Do-Livro

    Abraços


Cadastro Nacional de Bibliotecas do Brasil

Hoje a Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC), através do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), lançou o novo Cadastro Nacional de Bibliotecas do Brasil, projeto realizado em conjunto com o Sistema Nacional de Informação e Indicadores Culturais (SNIIC) .

O objetivo do cadastro é mapear de maneira abrangente todas as bibliotecas existentes no país, sejam elas públicas, comunitárias, escolares, universitárias, ou especializadas, levantando dados sobre a relação institucional, público, acervo, serviços, infraestrutura e gestão.

Para inserir seus dados as bibliotecas públicas, escolares, universitárias e especializadas devem ser cadastradas pelos órgãos públicos, ou privados aos quais estão vinculadas, a partir do CNPJ da instituição. Já as bibliotecas comunitárias e os pontos de leitura poderão ser cadastrados a partir do CNPJ da instituição mantenedora, ou pelo CPF do responsável pela biblioteca/ponto de leitura.

É importante realçar que apenas as Bibliotecas que estiverem com os dados atualizados no Cadastro Nacional de Bibliotecas do Brasil estarão em condição de participar dos programas de modernização e atualização de acervos, coordenada pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.

Segue o link do cadastro: http://www.bn.br/portal/?nu_pagina=128


Reinstalação da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e da Leitura

Reinstalação da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e da Leitura
Dia: 28 de setembro (quara-feira)
Hora: 8h30,
Local: Auditório da Comissão de Educação e Cultura da Câmara
 
Deputada Federal Fátima Bezerra – Presidente da Comissão de Educação e Co-presidente da Frente Parlamentar
Deputado Federal Artur Bruno – Vice-Presidente da Comissão de Educação e Co-presidente da Frente Parlamentar


VIII Bienal do Livro de Pernambuco

VIII Bienal do Livro de Pernambuco
A VIII Bienal do Livro de Pernambuco será realizada de 23 de setembro a 02 de outubro, em Olinda. Nesta edição, o evento segue a temática Literatura e Cidadania e presta homenagens ao poeta Mauro Mota e ao escritor Ronaldo Correia de Brito. A programação conta com a participação de cinco representantes do Ministério da Cultura (MinC): no dia 28, Roberto Azoubel, participa do Café Cultural sobre Mercado Editorial; no dia 30, Fabiano Santos, Maria Antonieta Cunha e Tuchaua Rodrigues conversam no Café Cultural sobre Políticas públicas: as novas perspectivas do Ministério da Cultura/Biblioteca Nacional; ainda no dia 30, Cláudia Leitão participa de palestra sobre Economia Criativa e Desenvolvimento; no dia 1º de outubro, Fabiano Santos está no Café Cultural para conversar sobre Encontro da Rede Nordeste Livro, Leitura e Literatura. Confira a programação completa: http://www.bienalpernambuco.com/programacao


REUNIÃO COM PONTOS DE LEITURA DO CEARÁ

REUNIÃO COM PONTOS DE LEITURA DO CEARÁ
LOCAL: Praça do Ferreira, dentro da programação da II Feira do Livro Infantil
Endereço: Praça do Ferreira
DATA: 16/09 – Sexta-feira
HORÁRIO: 18h
 
PAUTA:
1.   Rede Estadual dos Pontos de Leitura formada pelos contemplados pelos seguintes editais: Concurso Pontos de Leitura Machado de Assis, 2008; Edital para Pontos de Leitura do Ceará 2010; Edital Pontos de Leitura de Fortaleza 2010.
 
Participação do Diretor de livro, leitura e literatura do MinC/FBN, Sr. Fabiano Santos
Fátima Mesquita, Secretária de Cultura Secultfor; Urik Paiva, Coordenador de Literatura,Livro e Leitura da Secultfor
Representante da Secretaria Estadual de Cultura do Ceará.


DECRETO 7.559/2011 – Plano Nacional do Livro e Leitura

DECRETO 7.559/2011

DECRETO Nº 7.559, DE 1º- DE SETEMBRO DE 2011

Dispõe sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 1º, 13 e 14 da Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, DECRETA :

Art. 1º O Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL consiste em estratégia permanente de planejamento, apoio, articulação e referência para a execução de ações voltadas para o fomento da leitura no País.

§ 1º São objetivos do PNLL:

I – a democratização do acesso ao livro;

II – a formação de mediadores para o incentivo à leitura;

III – a valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor simbólico; e

IV – o desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional.

§ 2º As ações, programas e projetos do PNLL serão implementados de forma a viabilizar a inclusão de pessoas com deficiência, observadas as condições de acessibilidade.

Art. 2º O PNLL será coordenado em conjunto pelos Ministérios da Cultura e da Educação.

Parágrafo único. Os Ministros de Estado da Cultura e da Educação designarão, em ato conjunto, o Secretário-Executivo do PNLL.

Art. 3º A implementação do PNLL será feita em regime de cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Parágrafo único. A implementação dos programas, projetos e ações instituídos no âmbito do PNLL poderá ser realizada com a participação de instituições públicas ou privadas, mediante a celebração de instrumentos previstos em Lei.

Art. 4º O PNLL será gerido pelas seguintes instâncias colegiadas:

I – Conselho Diretivo;

II – Coordenação-Executiva; e

III – Conselho Consultivo.

Parágrafo único. A participação nas instâncias enumeradas no caput será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.

Art. 5º Compete ao Conselho Diretivo:

I – estabelecer metas e estratégias para a execução do PNLL;

II – definir o modelo de gestão e o processo de revisão periódica do PNLL, observada a Política Nacional do Livro, instituída pela Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003;

III – elaborar o calendário anual de atividades e eventos do PNLL; e

IV – elaborar o regimento interno de gestão do PNLL e de suas instâncias, que será aprovado pelos Ministros da Cultura e da Educação.

Art. 6º O Conselho Diretivo será composto pelos seguintes membros e respectivos suplentes:

I – dois representantes do Ministério da Cultura;

II – dois representantes do Ministério da Educação;

III – dois representantes da sociedade civil com notório conhecimento literário;

IV – um representante dos autores de livros;

V – um representante dos editores de livros;

VI – um representante da sociedade civil com reconhecida atuação ou conhecimento no tema da acessibilidade; e

VII – o Secretário-Executivo do PNLL.

§ 1º Os representantes de que trata o caput serão designados em ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação, para atuação pelo período de dois anos, sendo permitida uma recondução por igual período.

§ 2º Caberá aos representantes descritos nos incisos I, II e VII do caput a consulta a entidades representativas de autores, de editores e de especialistas em leitura e em acessibilidade para a indicação dos seus respectivos representantes.

§ 3º As decisões do Conselho Diretivo serão adotadas por maioria simples.

§ 4º O ato a que se refere o § 1º designará o responsável pela coordenação do Conselho Diretivo, a ser escolhido dentre os representantes descritos no inciso I do caput.

Art. 7º Compete à Coordenação Executiva:

I – coordenar a execução do PNLL, de modo a garantir:

a) o cumprimento de suas metas e estratégias;

b) a articulação com os executores de programas, ações e projetos do PNLL ou que com ele tenham pertinência; e

c) a divulgação de seus programas, ações e projetos;

II – participar dos processos de revisão periódica do PNLL e de definição de seu modelo de gestão; e

III – divulgar o balanço de cumprimento de metas do PNLL e decisões adotadas pelo Conselho Diretivo, ao final de cada gestão executiva, nos termos de regimento.

Art. 8º A Coordenação-Executiva será composta pelos seguintes membros e respectivos suplentes:

I – o Secretário-Executivo do PNLL, que a coordenará;

II – um representante do Ministério da Cultura;

III – um representante do Ministério da Educação;

IV – um representante da Fundação Biblioteca Nacional; e

V – um representante do Colegiado Setorial referente à área de literatura, livro e leitura, instituído no âmbito do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC, nos termos do § 4º do art. 12 do Decreto nº 5.520, de 24 de agosto de 2005.

Parágrafo único. Os representantes de que trata o caput serão designados pelo período de dois anos, permitida uma recondução por igual período, por meio de ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação, após indicação pelos titulares dos respectivos órgãos ou entidade ou, no caso do inciso V do caput, pelos membros do Colegiado.

Art. 9º Ao Conselho Consultivo compete assistir o Conselho Diretivo e a Coordenação Executiva no exercício de suas atribuições.

§ 1º O Conselho Consultivo será composto pelos membros do Colegiado Setorial a que se refere o inciso V do caput do art. 8º.

§ 2º A coordenação do Conselho Consultivo será definida em ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação.

Art. 10. O PNLL está estruturado em quatro eixos estratégicos e dezenove linhas de ação.

Parágrafo único. São eixos estratégicos e respectivas linhas de ação do PNLL:

I – eixo estratégico I – democratização do acesso:

a) linha de ação 1 – implantação de novas bibliotecas contemplando os requisitos de acessibilidade;

b) linha de ação 2 – fortalecimento da rede atual de bibliotecas de acesso público integradas à comunidade, contemplando os requisitos de acessibilidade;

c) linha de ação 3 – criação de novos espaços de leitura;

d) linha de ação 4 – distribuição de livros gratuitos que contemplem as especificidades dos neoleitores jovens e adultos, em diversos formatos acessíveis;

e) linha de ação 5 – melhoria do acesso ao livro e a outras formas de expressão da leitura; e

f) linha de ação 6 – disponibilização e uso de tecnologias de informação e comunicação, contemplando os requisitos de acessibilidade;

II – eixo estratégico II – fomento à leitura e à formação de mediadores:

a) linha de ação 7 – promoção de atividades de reconhecimento de ações de incentivo e fomento à leitura;

b) linha de ação 8 – formação de mediadores de leitura e de educadores leitores;

c) linha de ação 9 – projetos sociais de leitura;

d) linha de ação 10 – estudos e fomento à pesquisa nas áreas do livro e da leitura;

e) linha de ação 11 – sistemas de informação nas áreas de biblioteca, bibliografia e mercado editorial; e

f) linha de ação 12 – prêmios e reconhecimento às ações de incentivo e fomento às práticas sociais de leitura;

III – eixo estratégico III – valorização institucional da leitura e de seu valor simbólico:

a) linha de ação 13 – ações para converter o fomento às práticas sociais da leitura em política de Estado; e

b) linha de ação 14 – ações para criar consciência sobre o valor social do livro e da leitura; e

IV – eixo estratégico IV – fomento à cadeia criativa e à cadeia produtiva do livro:

a) linha de ação 15 – desenvolvimento da cadeia produtiva do livro;

b) linha de ação 16 – fomento à distribuição, circulação e consumo de bens de leitura;

c) linha de ação 17 – apoio à cadeia criativa do livro e incentivo à leitura literária;

d) linha de ação 18 – fomento às ações de produção, distribuição e circulação de livros e outros materiais de leitura, contemplando as especificidades dos neoleitores jovens e adultos e os diversos formatos acessíveis; e

e) linha de ação 19 – maior presença da produção nacional literária, científica e cultural no exterior.

Art. 11. O Prêmio Viva Leitura integra o PNLL e tem como objetivo estimular, fomentar e reconhecer as melhores experiências que promovam a leitura.

Parágrafo único. Ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação disporá sobre as regras e o funcionamento do Prêmio Viva Leitura.

Art. 12. Os Ministérios da Cultura e da Educação darão o suporte técnico-operacional para o gerenciamento do PNLL, inclusive aporte de pessoal, se necessário, permitindo-se a celebração de convênios ou instrumentos congêneres.

Art. 13. Os gestores do PNLL adotarão a consulta pública como um instrumento permanente para assegurar a participação interativa do setor público e da sociedade civil.

Art. 14. O Conselho Diretivo terá o prazo de noventa dias, a contar da publicação deste Decreto, para estabelecer metas e estratégias de que trata o inciso I do caput do art. 5º.

Art. 15. As despesas decorrentes da implementação do PNLL correrão à conta da dotação orçamentária dos órgãos ou entidades executores das ações, projetos e programas.

Art. 16. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 1º de setembro de 2011; 190º da Independência e 123º da República.

DILMA ROUSSEFF

Fernando Haddad

Anna Maria Buarque de Hollanda

D.O.U., 05/09/2011 – Seção 1


Programa dos pontos de leitura na Bienal do RJ.

LISTAGEM REDUZIDA DOS PONTOS DE LEITURA DO MINISTÉRIO DA CULTURA QUE TERÃO ATIVIDADES CONSTANTES, NOS TURNOS MANHÃ/ TARDE / NOITE, DA XV BIENAL 2011 – RJ

5ª FEIRA – DIA 01 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 35 PESSOAS

Ponto de leitura ZUENIR VENTURA – CISANE – Nova Iguaçú – (M/T/N) – 15 PESSOAS

Tema: MULHERES EM VERSO E PROSA

9h: Abertura Cortejo Literário “Despertando com a leitura” (10 pessoas Saindo da entrada da Bienal até o stand)

(20 pessoas)

9h – Roda de leitura Infantil (no stand);

10 as 12h: Oficina de Fansini com Ivone Landim

13h: leitura livre

14 as 15h: Bate-papo poético e lançamento do livro de Lírian Tabosa

15h as 17h: Daniela Marques da Silva Cardoso (Secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência)

17h: Arte com visão exposição de artesanato,vídeo dos trabalhos realizados,teatro de fantoche,esquete

19h: bate-papo com o poeta Moduan Matus

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Ponto de Leitura Atelier das Palavras – Morro da Mangueira-RJ – (M/T) – 10 PESSOAS

Das 10 às 17h

- Apresentação do Projeto: 10 MENINAS E MULHERES DO MORRO DA MANGUEIRA

Vídeo institucional e detabe

Mesa redonda com 2 escritoras e um mediador

Bate papo com Pesquisador quanto a estatísticas sobre leitura/livro Márcio Gonçalves

6ª FEIRA – DIA 02 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 20 PESSOAS

Pólo Conexão Leitura – Baixada-RJ – (M/T/N)

Tema: JOVENS E LEITURA

9h: Despertando com a leitura

10 as 11h:  Bate papo com o autor Gregório Filho

11 as 13h: Polo Conexão Leitura

13h  – Estimativa -Início da programação e distribição de senhas;

14h: Apresentação do trançando idéias nas escolas;

15h às 16h30: – Confecção de tranças – distribuição de senhas,

17h às 19h: Exibição do programa TV WEB – Programa REconhecer.

19h – Roda Literária com Hécio Sales poesia revoltada

SÁBADO – DIA 03 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 15 PESSOAS

Ponto de Leitura LER É UM PRAZER – GASCO – Vidigal – (M/T/N)

Tema: DIA DO SORRISO: YOGA + LEITURA + ARTE

10 às 12h – Apresentação Gasco

10:15  – vivência Yolga (crianças e adultos)

11h – Roda de Leitura -  O Planeta está com febre

11:30 às 13h – Oficina e debate sobre a roda

14:15 – Yoga com jogos criativos

15h – Roda de leitura – O livro da família

16h – debate e oficina da roda

18h – Apresentação Gasco

18:15 – Yoga com jovos criativos

19h – Roda de leitura – O planeta está com febre

19:30 – Oficina e debate sobre a roda

DOMINGO – DIA 04 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 20 PESSOAS

Tricicloteca Profª Joelma Monteiro de Carvalho – Parintins-AM – (M/T) – 03 pessoas

Tema: O AMAZONAS E SUAS DIVERSIDADES

9 as 12h – Apresentação vídeo Institucional

Exposição e banner

Vídeo Tricicloteca e depoimentos

Exposição Power point dos resultados

13  às 16 – Debate professora jucie Maria Butel Tavares (Nhamundá-AM)

Debate profª Andreza Silva (Boa Vista do Ramos – etnia Satere Mawer)

Vídeo do Festival Folclórico de Parintins – AM

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Ponto de Leitura da Rocinha – (T) – 12 pessoas(10 alunos e 2 professores)

16:30 às 18 – Recital de Poesia dos Pequenos Poetas da Rocinha

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Ponto de Leitura Zuenir Ventura – Baixada RJ – (N) – 05 pessoas

19h – Bate-papo com o escritor Zuenir Ventura

2ª FEIRA – DIA 05 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 15 PESSOAS

Pólo Conexão Leitura – Baixada/RJ – M/T/N) -    15 pessoas

Tema: O MUNDO DA LEITURA NA ERA DIGITAL – Rede Literária da Baixada

9h: Despertando com a leitura

10 as 11h: Integração entre diferentes bibliotecas com Malena Xavier coordenadora da Biblioteca Municipal Professor Cial Brito

11 as 13h: Movimento por um Brasil Literário

14h as 15h: conversa com o Escritor Julio Emílio Braz

15 as 17h: “Leitura puxa Comunicação e Comunicação puxa Leitura” com o Professor Romano de Artes e Tecnologia da UERJ

17h as 19h: “Leitura na Rede Digital”  com Marcelo Lemos(Gestor do Programa de Inclusão Digital do Banco do Brasil)

19h: roda de conversa com o Escritor Francisco Gregório Filho mediadora: Lúcia ou Ana do Conexão Leitura

3ª FEIRA – DIA 06 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 15 PESSOAS

Pólo Baixada Literária – Baixada/RJ – (M/T/N) –   15 pessoas

Tema: PLANETA LEITOR: LENDO E PRESERVANDO

9h: bate-papo sobre a reciclagem do óleo de cozinha e distribuição de receitas para tal;

10h: oficina de caderno-Diário Leitor;

11h as 12h: oficina com garrafa pet

13 as 18h:  Roda de conversa: Gilvoneick de Souza José – LEI DE RESÍDUOS SÓLIDOS, RECICLAGEM E RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE

10 às 22 h: Exposição de Fantoches e Marionetes Artes “De Um Tudo” feitos com:  garrafas pet, caixas, revistas e outros materiais reutilizados. Marionete Merengue a disposição do público para eventual manipulação e vídeos colocados no youtube passando no telão.

18h: roda de conversa com Gerusa do ONDA VERDE

4ª FEIRA – DIA 07 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 15 PESSOAS

Museu da Maré – Manhã e tarde – Maré – (M/T) – 15   pessoas

Das 10 às 17h – Cultura e Arte

Apresentação e exposição da história do complexo da Maré e o Cantinho da leitura

Contação de contos e lendas da Região da Maré

5ª FEIRA – DIA 08 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 20 PESSOAS

Projeto Pimenta Social – CISANE – Baixada/RJ – (M/T/N) –   20 pessoas

Tema: LITERATURA E A CULTURA NORDESTINA

Daniel Guerra com o Pimenta Social

1 – O cordeelista Miguel Bezerra se apresentando e lançando o seu livro de cordel. Explicando sobre literatura de cordel , sua construção. Entrevista com Beto Souza ( Sanfoneiro do Trio de forró mais antigo do Brasil

2- ( Trio Nordestino ) Entrevista do Sr Jota Rodrigues – Falando sobre a confecção dos Livretos de cordel

3 – Recital de poesia.Toukshow com Gilberto Teixeira, entrevista sobre o seu trabalho literário e musical

4-CANTOS & CONTOS DA FEIRA. Toukshow com Gilberto Teixeira, entrevista sobre o seu trabalholiterário

5- musical . com o músico, compositor e pesquisador Marcus Lucenna – Tema Apresentação do Grupo Regional Pimenta Do ReinoImigração

6-Exposição de Xilogravuras de Erivaldo Ferreira – Feira de São Cristovão

6ª FEIRA – DIA 09 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 20 PESSOAS

Pólo Baixada Literária Baixada/RJ – (M/T/N) –   20 pessoas

Tema: DIREITO COM DIREITO – Cecom/Nossa Casa (com Causa)

10h  às 12h – ONG Com Causa debate com José Cláudio Alves.

13 às 15h: oficina com jornal.

15:30h às 18h – Entrevista sobre políticas culturais com SEC.MUN.CULTURA Nova Iguaçú

20h:  Oficinas, rodas de leitura, exposições etc…

SÁBAD0 = DIA 10 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 31 PESSOAS

Casa de Leitura Casimiro de Abreu – Projeto Leitura Viva – Barra de São João (M/T) – 25 pessoas

(18 crianças e 7 adultos) – 9 as 17h

- Despertando com a leitura (roda de leitura, debate e oficina)

- Pré-Lançamento de livro e apresentação de trabalhos feitos nas escolas

- Encontro com escritora Fausta Pires

Ponto de Leitura Traças do Bem – Clube de leitura – Maricá – (T)) – 06 pessoas

15h às 16h10min

1 – Exibição de Vídeo: O Poeta do Castelo (Manuel Bandeira)  -  12’ Acervo: Ponto & Cine Canteiros

2) Cine Mais Cultura/Programadora Brasil (Série Cinema e Poesia 2)

3 – Contação de histórias (infantil), por Maria das Graças Costa/ Luciana Custódio

4 – Leitura de textos (adulto), por Maria das Graças Costa; Patrícia Custódio; Maria Regina Moura; Conceição Evaristo

16h20min às 16h30min   – Exibição de Vídeo: do Curso de Contadores de Histórias  – 10’ Prod.: Patrícia Custódio

16h30min às 17h – Breve palestra p/professores e público em geral: “ Representação de personagens negros e da Cultura afro brasileira na Literatura Infanto Juvenil”, com a Profª. Drª Conceição Evaristo

DOMINGO – DIA 11 DE SETEMBRO – MANHÃ-TARDE-NOITE – 20 PESSOAS

Bibliot. Comunitária SOLANO TRINDADE – Duque de Caxias – (M/T/N) – 20 pessoas

Tema: Música e Poesia

9 as 11h: Café Literário – Quem tem medo de Frevo? Onofrevo

11 às 12h – Debate: A nova Biblioteconomia e os movimentos sociais” – Revista Biblio

12 às 13h – “A Economia solidária das  das Bibliotecas Comunitárias”  – UFF

13 às 14:30 -  Exibição do documentário: “Vento Forte do Levante – Solano Trindade” e debate com o Prof Roddrigo Dutra e Antonio Carlos

14:30 às 15h – Exibição do documentário Biblioteca Comunitária Solano Trindade – Centro Cutural Donana

15 às 16h – “Desfiando o Futuro – Hist´roais de crianças e adolescentes do Brasil” – Fernando Trajano (violência sexual infantil no Brasil)

16 às 17h – Peça Tetral “O Arlequim de Cqarnaval” Grupo Teatro BST

17 às 18:30 – Exibição do documentário: “Vento Forte do Levante – Solano Trindade” e debate com o Prof Roddrigo Dutra e Antonio Carlos

19 às 20h – Apresentação Cultural ” Jean Mano e Bruno Max” – após debate com o tema: a juventude e o livro na era da Internet


Do papel ao suporte digital, entrevista com Galeno Amorim

Entrevista
Ano XV – Nº 59 – O fascinante e despovoado mundo da leitura – Agosto a Outubro de 2011
Do papel ao suporte digital
Galeno Amorim
Apaixonado por livros desde a infância, o jornalista e escritor Galeno Amorim é, desde o início do ano, presidente da Fundação Biblioteca Nacional. Ainda menino e dotado de grande imaginação, pensou que a Casa de Livros, em sua cidade natal, Sertãozinho, no interior de São Paulo, era toda feita de livros. “Achei que poderia levar comigo pedaços dessa casa. Depois, era só devolver”, recorda. Esse foi o seu primeiro contato com uma biblioteca pública. A paixão foi imediata e definitiva. Autor de 16 obras, entre ensaios e literatura infanto-juvenil, o leitor/escritor faz do amor aos livros uma trajetória profissional e política, exemplo seguido em casa pelos filhos, que são hoje dois jovens leitores. “Li para eles até a adolescência. É bem verdade que, em seus primeiros dias de vida, eu lia para mim mesmo – gostava de ler Neruda em espanhol. Mas, ao fazer isso, estava criando uma cumplicidade, um vínculo afetivo muito forte e poderoso através da leitura”, conta. Diretor do Observatório do Livro e da Leitura e especialista em políticas públicas do livro e leitura há mais de 20 anos, Galeno Amorim já foi também secretário da Cultura em Ribeirão Preto. Criou e dirigiu diversas instituições ligadas a essa área, presidiu o Comitê Executivo do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc/Unesco) e foi ainda consultor de políticas públicas do livro e leitura da Organização dos Estados Íbero-Americanos para a Educação, Ciências e Cultura (OEI), com sede na Espanha. No trabalho e na vida, ele pode conciliar sua paixão pelos livros de papel e as novas ferramentas tecnológicas. Blogueiro entusiasmado, com 80 mil leitores no blogdogaleno.com.br e milhares de seguidores no Twitter e no Facebook, tem sempre fôlego para falar de livros.
Sabemos que há hoje poucas bibliotecas públicas bem-aparelhadas e que elas são inexistentes em grande parte das escolas públicas. Qual é a estrutura de disponibilização de livros pelo Estado à população brasileira?
Nos últimos 8 anos, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), da Fundação Biblioteca Nacional/MinC, distribuiu cerca de 4,5 milhões de livros para bibliotecas públicas do país. À Fundação Biblioteca Nacional cabe distribuir somente para as bibliotecas atendidas pelo SNBP, o que não inclui as escolares, que estão vinculadas ao Ministério da Educação.
O que deverá ser feito a curto e médio prazo nesse sentido?
Tenho conversado com os dirigentes do MEC sobre a importância de se criar no país, no âmbito do SNBP, um sistema de bibliotecas escolares e também sobre como podemos cooperar com esse ministério para que o Brasil possa cumprir, até 2021, a lei assinada pelo presidente Lula, que obriga todas as escolas a terem pelo menos uma biblioteca escolar. Acredito que faremos grandes progressos nesse tema.
Uma recente pesquisa mostrou que os estudantes brasileiros têm, em média, menos de 10 livros em casa, enquanto os de países mais bem-colocados em exames internacionais têm mais de 100 livros. O que é preciso para que os brasileiros leiam mais?
Hoje, o índice de leitura por habitante é de 4,7 livros ao ano. Existem no mínimo 95 milhões de pessoas que leram ao menos um livro nos últimos três meses. Precisamos ultrapassar a marca de 100 milhões de leitores. É importante que o Estado brasileiro crie ações para que isso se efetive. O Plano Nacional do Livro e da Leitura funciona com base em quatro eixos que, integrados, formam o motor para estímulo à leitura no país. Estamos estimulando a abertura de milhares de novos pontos de venda de livros, negociando novas linhas de crédito e também preparando editais de compra de livros populares para as bibliotecas municipais e comunitárias. A Fundação Biblioteca Nacional está implementando uma série de mudanças para acelerar os processos de acesso à leitura no país. O Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER), por exemplo, terá um papel importantíssimo no enraizamento do PNLL através da sinergia com os vários projetos do governo federal na área da leitura. A principal sinalização desse processo é o montante de recursos a ser anunciado para os próximos 12 meses: será algumas vezes maior do que o valor investido nos últimos anos.
O livro digital já é uma realidade, mas no Brasil ainda não chegamos nem à fase do livro de papel, uma vez que o índice de leitura é muito baixo. O senhor acredita que para a nova geração, a dos chamados nativos digitais, o livro de papel será obsoleto, considerando-se tanto os cidadãos com mais recursos financeiros quanto os de baixa renda?
O livro impresso manterá sua tradição e seu simbolismo. Ele pode conviver com os formatos digitais, que permitem outras possibilidades de uso. O importante é dar acesso ao leitor a boas leituras, seja em bibliotecas tradicionais, multimídia ou através de novos formatos, como os empréstimos de e-books, uma realidade em países da Europa, cuja dinâmica queremos trazer para o Brasil.
As tecnologias digitais podem ser uma alternativa para democratizar o acesso à leitura?
Penso que sim. Hoje, podemos dar acesso a milhões de usuários, com grande facilidade, a um livro da Idade Média existente na Biblioteca Nacional em um formato simples como o pdf. É importante ampliar ações desse tipo. Estamos começando a preparar a Biblioteca Nacional Digital para que ela também possa, em breve, emprestar e-books. Vamos iniciar a digitalização de 4.500 títulos importantes da literatura brasileira que estão em domínio público, dos quais serão selecionados 100 para que sejam, a partir do início de 2012, colocados à disposição dos leitores para empréstimo gratuito.
Há muito tempo se fala que no Brasil não se lê porque o livro é caro e que o livro é caro porque não se lê. Portanto, as tiragens são baixas, o que encarece o processo. Qual é a sua opinião sobre isso e como sair desse círculo vicioso?
É possível fazer com que o livro no Brasil seja vendido a preços mais baixos. Estamos trabalhando para criar as condições necessárias para que as dezenas de milhões de brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos anos também passem a consumir livros, assim como já consomem mais eletrodomésticos, serviços bancários ou passagens aéreas. Queremos colocar os livros na cesta da classe C. Estamos estimulando a abertura de milhares de novos pontos de venda de livros, negociando novas linhas de crédito e preparando editais de compra de livros populares para as bibliotecas municipais e comunitárias.
Muitos estudantes não têm a oportunidade de manter contato com a leitura em casa. Vale lembrar que muitos professores também não têm o hábito de ler e, por isso, não podem transmitir o gosto pelos livros. Como virar esse jogo?
A sala de aula deve ser reconhecida como um espaço de leitura. O “professor leitor” é a figura que mostra ao aluno a importância do livro para a formação do cidadão. Uma das práticas do PROLER é atualizar o conhecimento de professores e estimular, por meio de cursos de formação, a inserção de novas ações em sala de aula. O PROLER atua em 71 comitês regionais em todo o país e, desde a sua criação, em 1992, já formou mais de 65 mil mediadores de leitura, beneficiando cerca de 270 mil pessoas. A continuidade e a dinamização desse trabalho é o que nos possibilita crer em uma “virada de jogo”.
Em sua opinião, quais são os principais programas de incentivo à leitura que realmente fizeram ou estão fazendo a diferença no Brasil?
A criação do Plano Nacional do Livro e da Leitura é um marco na história do Brasil e hoje suas ações constituem uma referência para outros países. Os últimos 10 anos certamente entram para a história como os mais importantes na área, pois representaram um grande avanço. A Lei do Livro, o Prêmio Vivaleitura e a desoneração fiscal dos livros são exemplos concretos de incentivo à leitura.
No âmbito mundial, o senhor conhece exemplos de países que conseguiram aumentar seus índices de leitura, com repercussão na qualidade da educação, que poderiam servir de modelo para o Brasil?
O Ministério da Cultura ajudou a construir no Rio de Janeiro, em 2010, a Biblioteca Parque de Manguinhos, nos moldes das existentes na Colômbia. Medellín e Bogotá, naquele país, são exemplos de cidades marcadas pelo narcotráfico e pela violência. Com a inauguração de equipamentos que integravam leitura e programas culturais em apenas um lugar, essas cidades conseguiram diminuir os índices de violência e aumentar os de educação. Um belo exemplo a ser seguido em programas de leitura mundo afora.
Qual a situação do Brasil em termos de leitura se comparado a outros países emergentes e aos vizinhos latino-americanos?
Apesar dos avanços dos últimos anos, ainda há muito a fazer para melhor a posição do Brasil no ranking de leitura. Em 2010, ficamos em 53º lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou o conhecimento de cerca de 470 mil alunos em leitura, ciências e matemática no ano anterior. Os melhores resultados foram apresentados por alunos de Xangai, na China. Na América Latina, ficamos à frente de países como Argentina, Panamá e Peru, mas vizinhos como Chile, Uruguai e Colômbia apresentaram índices melhores. Já com relação aos índices de leitura, somente quando os países vizinhos realizarem suas pesquisas utilizando a metodologia do Brasil, desenvolvida pelo Cerlalc/Unesco, é que teremos condição de estabelecer essas comparações na América Latina.
Como é ser presidente de uma das bibliotecas mais importantes do mundo?
Dirigir a Fundação Biblioteca Nacional é uma dupla responsabilidade. Primeiro, porque a instituição é responsável pela gestão da Biblioteca Nacional, que tem 200 anos e nove milhões de peças. Passaram por seus cargos de direção nomes importantíssimos da literatura e da intelectualidade do Brasil. Segundo, porque a fundação tem sob sua responsabilidade o comando da formulação e execução das Políticas Públicas do Livro e da Leitura do país. Mas eu me sinto preparado levar adiante esses desafios.
No dia 9 de junho, o senhor teve um encontro muito importante com o presidente do Senado, José Sarney, ao qual pediu apoio às Políticas Públicas do Livro e da Leitura. Esse encontro foi produtivo?
O presidente José Sarney assumiu alguns compromissos. O primeiro deles foi reapresentar um projeto de lei que estende às pequenas livrarias e editoras a desoneração fiscal para aquelas empresas que são optantes do simples. Para as outras editoras, livrarias e distribuidoras, a desoneração acontece desde 2004. Nessa época, estava no governo e já havia conduzido esse processo com a ajuda do senador José Sarney. O Senado fará uma sessão solene no Congresso para homenagear os 200 anos da Biblioteca Nacional. Estaremos lá com uma exposição de obras raras na sede do Congresso Nacional. O presidente do Senado também assumiu o compromisso de apoiar os projetos de lei de interesse da nossa área no Congresso Nacional, como, por exemplo, a criação de uma nova instituição para gerir as Políticas Públicas Setoriais, a criação de um Plano Nacional do Livro e da Leitura e a criação do Fundo Nacional Pró-Leitura. Discutimos outras questões, como o apoio ao Programa do Livro Popular e a criação das Livrarias Populares. Contaremos com o apoio do Senado para a Lei das Biografias. Vamos tentar dar fim a essa onda de proibições de biografias não autorizadas que, infelizmente, assola o país.
Com tanto trabalho e responsabilidade, ainda sobra algum tempo para a leitura?
O volume de trabalho é significativo. Em geral, começo a trabalhar às 9 horas da manhã e vou até as 21 horas, mas eu leio muito. Sempre publico no Twitter o que estou lendo. Este ano, já li cerca de 14 livros. Preciso da leitura e da literatura para viver.
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EntrevistaAno XV – Nº 59 – O fascinante e despovoado mundo da leitura – Agosto a Outubro de 2011Do papel ao suporte digitalGaleno Amorim Apaixonado por livros desde a infância, o jornalista e escritor Galeno Amorim é, desde o início do ano, presidente da Fundação Biblioteca Nacional. Ainda menino e dotado de grande imaginação, pensou que a Casa de Livros, em sua cidade natal, Sertãozinho, no interior de São Paulo, era toda feita de livros. “Achei que poderia levar comigo pedaços dessa casa. Depois, era só devolver”, recorda. Esse foi o seu primeiro contato com uma biblioteca pública. A paixão foi imediata e definitiva. Autor de 16 obras, entre ensaios e literatura infanto-juvenil, o leitor/escritor faz do amor aos livros uma trajetória profissional e política, exemplo seguido em casa pelos filhos, que são hoje dois jovens leitores. “Li para eles até a adolescência. É bem verdade que, em seus primeiros dias de vida, eu lia para mim mesmo – gostava de ler Neruda em espanhol. Mas, ao fazer isso, estava criando uma cumplicidade, um vínculo afetivo muito forte e poderoso através da leitura”, conta. Diretor do Observatório do Livro e da Leitura e especialista em políticas públicas do livro e leitura há mais de 20 anos, Galeno Amorim já foi também secretário da Cultura em Ribeirão Preto. Criou e dirigiu diversas instituições ligadas a essa área, presidiu o Comitê Executivo do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc/Unesco) e foi ainda consultor de políticas públicas do livro e leitura da Organização dos Estados Íbero-Americanos para a Educação, Ciências e Cultura (OEI), com sede na Espanha. No trabalho e na vida, ele pode conciliar sua paixão pelos livros de papel e as novas ferramentas tecnológicas. Blogueiro entusiasmado, com 80 mil leitores no blogdogaleno.com.br e milhares de seguidores no Twitter e no Facebook, tem sempre fôlego para falar de livros.Sabemos que há hoje poucas bibliotecas públicas bem-aparelhadas e que elas são inexistentes em grande parte das escolas públicas. Qual é a estrutura de disponibilização de livros pelo Estado à população brasileira?
Nos últimos 8 anos, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), da Fundação Biblioteca Nacional/MinC, distribuiu cerca de 4,5 milhões de livros para bibliotecas públicas do país. À Fundação Biblioteca Nacional cabe distribuir somente para as bibliotecas atendidas pelo SNBP, o que não inclui as escolares, que estão vinculadas ao Ministério da Educação.

O que deverá ser feito a curto e médio prazo nesse sentido?
Tenho conversado com os dirigentes do MEC sobre a importância de se criar no país, no âmbito do SNBP, um sistema de bibliotecas escolares e também sobre como podemos cooperar com esse ministério para que o Brasil possa cumprir, até 2021, a lei assinada pelo presidente Lula, que obriga todas as escolas a terem pelo menos uma biblioteca escolar. Acredito que faremos grandes progressos nesse tema.

Uma recente pesquisa mostrou que os estudantes brasileiros têm, em média, menos de 10 livros em casa, enquanto os de países mais bem-colocados em exames internacionais têm mais de 100 livros. O que é preciso para que os brasileiros leiam mais?
Hoje, o índice de leitura por habitante é de 4,7 livros ao ano. Existem no mínimo 95 milhões de pessoas que leram ao menos um livro nos últimos três meses. Precisamos ultrapassar a marca de 100 milhões de leitores. É importante que o Estado brasileiro crie ações para que isso se efetive. O Plano Nacional do Livro e da Leitura funciona com base em quatro eixos que, integrados, formam o motor para estímulo à leitura no país. Estamos estimulando a abertura de milhares de novos pontos de venda de livros, negociando novas linhas de crédito e também preparando editais de compra de livros populares para as bibliotecas municipais e comunitárias. A Fundação Biblioteca Nacional está implementando uma série de mudanças para acelerar os processos de acesso à leitura no país. O Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER), por exemplo, terá um papel importantíssimo no enraizamento do PNLL através da sinergia com os vários projetos do governo federal na área da leitura. A principal sinalização desse processo é o montante de recursos a ser anunciado para os próximos 12 meses: será algumas vezes maior do que o valor investido nos últimos anos.

O livro digital já é uma realidade, mas no Brasil ainda não chegamos nem à fase do livro de papel, uma vez que o índice de leitura é muito baixo. O senhor acredita que para a nova geração, a dos chamados nativos digitais, o livro de papel será obsoleto, considerando-se tanto os cidadãos com mais recursos financeiros quanto os de baixa renda?
O livro impresso manterá sua tradição e seu simbolismo. Ele pode conviver com os formatos digitais, que permitem outras possibilidades de uso. O importante é dar acesso ao leitor a boas leituras, seja em bibliotecas tradicionais, multimídia ou através de novos formatos, como os empréstimos de e-books, uma realidade em países da Europa, cuja dinâmica queremos trazer para o Brasil.

As tecnologias digitais podem ser uma alternativa para democratizar o acesso à leitura?
Penso que sim. Hoje, podemos dar acesso a milhões de usuários, com grande facilidade, a um livro da Idade Média existente na Biblioteca Nacional em um formato simples como o pdf. É importante ampliar ações desse tipo. Estamos começando a preparar a Biblioteca Nacional Digital para que ela também possa, em breve, emprestar e-books. Vamos iniciar a digitalização de 4.500 títulos importantes da literatura brasileira que estão em domínio público, dos quais serão selecionados 100 para que sejam, a partir do início de 2012, colocados à disposição dos leitores para empréstimo gratuito.

Há muito tempo se fala que no Brasil não se lê porque o livro é caro e que o livro é caro porque não se lê. Portanto, as tiragens são baixas, o que encarece o processo. Qual é a sua opinião sobre isso e como sair desse círculo vicioso?
É possível fazer com que o livro no Brasil seja vendido a preços mais baixos. Estamos trabalhando para criar as condições necessárias para que as dezenas de milhões de brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos anos também passem a consumir livros, assim como já consomem mais eletrodomésticos, serviços bancários ou passagens aéreas. Queremos colocar os livros na cesta da classe C. Estamos estimulando a abertura de milhares de novos pontos de venda de livros, negociando novas linhas de crédito e preparando editais de compra de livros populares para as bibliotecas municipais e comunitárias.

Muitos estudantes não têm a oportunidade de manter contato com a leitura em casa. Vale lembrar que muitos professores também não têm o hábito de ler e, por isso, não podem transmitir o gosto pelos livros. Como virar esse jogo?
A sala de aula deve ser reconhecida como um espaço de leitura. O “professor leitor” é a figura que mostra ao aluno a importância do livro para a formação do cidadão. Uma das práticas do PROLER é atualizar o conhecimento de professores e estimular, por meio de cursos de formação, a inserção de novas ações em sala de aula. O PROLER atua em 71 comitês regionais em todo o país e, desde a sua criação, em 1992, já formou mais de 65 mil mediadores de leitura, beneficiando cerca de 270 mil pessoas. A continuidade e a dinamização desse trabalho é o que nos possibilita crer em uma “virada de jogo”.

Em sua opinião, quais são os principais programas de incentivo à leitura que realmente fizeram ou estão fazendo a diferença no Brasil?
A criação do Plano Nacional do Livro e da Leitura é um marco na história do Brasil e hoje suas ações constituem uma referência para outros países. Os últimos 10 anos certamente entram para a história como os mais importantes na área, pois representaram um grande avanço. A Lei do Livro, o Prêmio Vivaleitura e a desoneração fiscal dos livros são exemplos concretos de incentivo à leitura.

No âmbito mundial, o senhor conhece exemplos de países que conseguiram aumentar seus índices de leitura, com repercussão na qualidade da educação, que poderiam servir de modelo para o Brasil?
O Ministério da Cultura ajudou a construir no Rio de Janeiro, em 2010, a Biblioteca Parque de Manguinhos, nos moldes das existentes na Colômbia. Medellín e Bogotá, naquele país, são exemplos de cidades marcadas pelo narcotráfico e pela violência. Com a inauguração de equipamentos que integravam leitura e programas culturais em apenas um lugar, essas cidades conseguiram diminuir os índices de violência e aumentar os de educação. Um belo exemplo a ser seguido em programas de leitura mundo afora.

Qual a situação do Brasil em termos de leitura se comparado a outros países emergentes e aos vizinhos latino-americanos?
Apesar dos avanços dos últimos anos, ainda há muito a fazer para melhor a posição do Brasil no ranking de leitura. Em 2010, ficamos em 53º lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou o conhecimento de cerca de 470 mil alunos em leitura, ciências e matemática no ano anterior. Os melhores resultados foram apresentados por alunos de Xangai, na China. Na América Latina, ficamos à frente de países como Argentina, Panamá e Peru, mas vizinhos como Chile, Uruguai e Colômbia apresentaram índices melhores. Já com relação aos índices de leitura, somente quando os países vizinhos realizarem suas pesquisas utilizando a metodologia do Brasil, desenvolvida pelo Cerlalc/Unesco, é que teremos condição de estabelecer essas comparações na América Latina.
Como é ser presidente de uma das bibliotecas mais importantes do mundo?
Dirigir a Fundação Biblioteca Nacional é uma dupla responsabilidade. Primeiro, porque a instituição é responsável pela gestão da Biblioteca Nacional, que tem 200 anos e nove milhões de peças. Passaram por seus cargos de direção nomes importantíssimos da literatura e da intelectualidade do Brasil. Segundo, porque a fundação tem sob sua responsabilidade o comando da formulação e execução das Políticas Públicas do Livro e da Leitura do país. Mas eu me sinto preparado levar adiante esses desafios.

No dia 9 de junho, o senhor teve um encontro muito importante com o presidente do Senado, José Sarney, ao qual pediu apoio às Políticas Públicas do Livro e da Leitura. Esse encontro foi produtivo?
O presidente José Sarney assumiu alguns compromissos. O primeiro deles foi reapresentar um projeto de lei que estende às pequenas livrarias e editoras a desoneração fiscal para aquelas empresas que são optantes do simples. Para as outras editoras, livrarias e distribuidoras, a desoneração acontece desde 2004. Nessa época, estava no governo e já havia conduzido esse processo com a ajuda do senador José Sarney. O Senado fará uma sessão solene no Congresso para homenagear os 200 anos da Biblioteca Nacional. Estaremos lá com uma exposição de obras raras na sede do Congresso Nacional. O presidente do Senado também assumiu o compromisso de apoiar os projetos de lei de interesse da nossa área no Congresso Nacional, como, por exemplo, a criação de uma nova instituição para gerir as Políticas Públicas Setoriais, a criação de um Plano Nacional do Livro e da Leitura e a criação do Fundo Nacional Pró-Leitura. Discutimos outras questões, como o apoio ao Programa do Livro Popular e a criação das Livrarias Populares. Contaremos com o apoio do Senado para a Lei das Biografias. Vamos tentar dar fim a essa onda de proibições de biografias não autorizadas que, infelizmente, assola o país.

Com tanto trabalho e responsabilidade, ainda sobra algum tempo para a leitura?
O volume de trabalho é significativo. Em geral, começo a trabalhar às 9 horas da manhã e vou até as 21 horas, mas eu leio muito. Sempre publico no Twitter o que estou lendo. Este ano, já li cerca de 14 livros. Preciso da leitura e da literatura para viver.sumário »© 2006. Artmed Editora S.A. Todos os direitos reservados.


Agentes de Leitura, artigo de Fabiano Santos Piúba

artigo de Fabiano Santos Piúba sobre o Programa do Ministério da Cultura AGENTES DE LEITURA.

AGENTES DE LEITURA

Inclusão social e cidadania cultural

Nossa tarefa é ler o mundo

Walt Whitman

O essencial não é ter um método para ler bem, mas saber ler, isso é: saber rir, saber dançar e saber jogar, saber interiorizar-se jovialmente por territórios inexplorados, saber produzir sentidos novos e múltiplos. A única coisa que pode fazer um mestre de leitura é mostrar que a leitura é uma arte livre e infinita.

Jorge Larrosa. Nietzsche e a Educação.

A leitura como direito

Em seu livro Como um romance, o escritor francês Daniel Pennac fala dos direitos imprescritíveis do leitor. São eles: “o direito de não ler, o direito de pular páginas, o direito de não terminar um livro, o direito de reler, o direito de ler qualquer coisa, o direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível), o direito de ler em qualquer lugar, o direito de ler uma frase aqui e outra ali, o direito de ler em voz alta e o direito de calar”.

Para Pennac, tal como o verbo amar, o verbo ler não suporta o imperativo. Ler é outra coisa. Na leitura é preciso imaginar, portanto, trata-se de um ato de criação permanente. Ninguém ama nem lê por obrigação. Talvez, venham dessa afirmação, os direitos imprescritíveis do leitor pensados pelo escritor francês. E o primeiro é exatamente o direito de não ler. A partir dessa leitura inspiradora, fiquei pensando no prolongamento desses direitos com o exercício de imaginação que segue:

Toda pessoa tem o direito de ler. O direito de ler em casa no aconchego com os pais, os filhos, o marido, a esposa, o namorado, a namorada. O direito de ler na escola com o carinho da professora. O direito de ler na biblioteca na companhia dos livros. O direito de ler na roda com amigos. O direito de ler para dormir e sonhar. O direito de ler para acordar o mundo. O direito de ler para amar. O direito de ler para conversar melhor sobre as coisas da vida e do mundo. O direito de ler na escola durante uma aula chata ou na rede para enganar a preguiça. O direito de ler para se aventurar por entre saberes e sabores. O direito de ler para viajar por pessoas, tempos e lugares. O direito de ler para gastar os livros com as impressões digitais e com as asas da imaginação. O direito de ler para brincar com as palavras, as histórias, as poesias, as fábulas, os contos. O direito de ler para crescer com os livros fazendo parte de sua vida e de sua história. O direito de ler para compreender o que lê. O direito de ler para poder se encontrar com o outro, com o mundo e consigo mesmo. O direito de ler para escrever, reinventar e transformar o mundo. Junto a isso, mais dois direitos fundamentais: toda pessoa tem o direito de não saber ler, mas toda pessoa tem o igual direito de ter vontade de aprender a ler para viajar nos mundos que moram dentro das palavras.

Esse exercício de prolongamento dos direitos imprescritíveis do leitor é imaginado aqui com ênfase no direito à leitura como um direito de cidadania. Diz Jorge Luiz Borges, que o livro é a extensão da memória e da imaginação. Sendo assim, quem lê amplia seus horizontes, seus conhecimentos, seus repertórios culturais, sua capacidade crítica e inventiva. Quem lê amplia sua compreensão leitora e sua própria capacidade de ler o mundo.

Vivemos num país onde os indicadores de leitura não são nada favoráveis. Por mais que estejamos avançando, os níveis de compreensão leitora ainda são baixíssimos e o número de leitores, idem. Daí o acesso ao livro e formação leitora ser um direito básico de cidadania, de inclusão social e de desenvolvimento. É nessa perspectiva que o agente de leitura deve agir. Sua ação cultural é, por excelência, uma ação social de transformação da realidade onde ele está inserido. Numa dimensão mais ampla, todo agente de leitura é um agente cultural e social.

Uma ponte cultural

A ponte não é de concreto,

não é de ferro,

não é de cimento.

A ponte é até onde vai

o meu pensamento.

Lenine e Lula Queiroga

A imagem de que partirmos para pensar a noção de ação cultural é a ponte. Pela ponte fazemos contatos, ligações, intercâmbios, comunicações, diálogos e encontros culturais. A ponte é uma boa metáfora para a idéia de travessia cultural. Algo muito mais do que ligar um ponto ao outro, uma cultura à outra. A ponte pode ser uma zona de contato e de ação intensa de produção, difusão e fruição cultural.

Zonas de contatos, segundo Boaventura de Souza Santos, são áreas “onde culturas, sociedades, arranjos normativos, estilos de vida, concepções de mundo muito distintas, com formas de poder também muito distintas, se encontram”. Já ação cultural é um movimento de geração de interação e de diálogo entre sujeitos de meios sociais e de universos culturais diversos, através do compartilhamento de linguagens artísticas e de experiências culturais. A ação cultural implica, portanto, na compreensão intersubjetiva do lugar que ocupamos no mundo. De como, através da experiência com o saber e o fazer cultural, podemos compor interpretações e leituras como formas possíveis de atribuição de sentidos à produção simbólica e às relações do sujeito com o outro e com o mundo, numa perspectiva de subversão e transformação da realidade social.

Pensando com Maria Christina Almeida, “A ação cultural busca a expressão e a criatividade dos indivíduos no grupo e na comunidade. Está ligada à idéia de transformação, de emancipação a partir da expressão. Diz respeito não apenas a produtos culturais acabados, como também as condições que levem à capacidade criativa, à produção cultural.” Sendo assim, a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, mas uma relação mediada e complexa. Daí a importância do papel do agente como aquele que estabelece uma interação entre os sujeitos e o mundo cultural que o rodeia.

A proposta dos Agentes de Cultura consiste em movimentar relações sociais através de instrumentos e linguagens artísticas e culturais. O agente é aquele que estabelece pontes de comunicação entre os universos que percorre, enfocando esses atores sociais como sujeitos que transitam entre múltiplos pólos, mobilizando idéias, estilos de vidas, práticas sociais, modos de percepção, objetos, linguagens e universos culturais. Dessa forma, os agentes de cultura, – enfatizando aqui, os agentes de leitura –  não apenas dão movimento a esse trânsito como desempenham o papel de fazer interagir diferentes mundos e experiências por meio da literatura numa interfase com outras linguagens artísticas e suportes de leituras.

Sendo assim, podemos pensar os Agentes de Cultura como sujeitos intermediários que provocam a comunicação entre mundos diversos, como tradutores e veículos das diferenças, sempre respeitando, compreendendo e fazendo compreender a diversidade cultural que os rodeia no sentido de valorizar e promover a diversidade humana. Por outro lado, não podemos entender o papel do agente cultural sem a sua função social, ou seja, todo agente cultural é, por excelência e em potencial, um agente social, um agente inventivo de transformação da realidade. Trata-se, portanto, de reconhecer a dimensão cultural da sociabilidade e a importância crescente da linguagem na construção social da realidade. Noutras palavras, cultura e sociedade estão indissociavelmente ligadas.

Nesse sentido, a ação cultural se apresenta como um princípio de inclusividade e de cidadania. Como instrumento que estimula a aquisição de competências, saberes, fazeres e compartilhamento de experiências que potencializem as capacidades e o poder de atuação das comunidades atendidas, de modo a diminuir as barreiras sociais e culturais e a descobrir nas diferenças riquezas próprias. Procurando valorizar e afirmar as diferenças culturais, étnicas e sociais, de modo a consolidar identidades, mas também dando a conhecer essas diferenças, facilitando a inter-relação e inter-compreensão dos diversos atores sociais.

Os agentes de leitura[1]

Os agentes de leitura com os quais me debruçarei neste artigo têm lá suas cores e peculiaridades. Trata-se de um projeto do Ministério da Cultura que foi buscar lá no Ceará, sua fonte de inspiração e de trabalho.

O projeto se insere no programa Mais Cultura e tem como objetivo promover a democratização do acesso à produção, à fruição e à difusão cultural através do livro e da leitura como ação cultural estratégica de inclusão social e de desenvolvimento humano, por meio de atividades de socialização de acervo bibliográfico e de experiências de leituras compartilhadas como exercícios de cidadania, de compreensão de mundo e de ação alfabetizadora.

Os agentes de leitura são jovens entre 18 e 29 anos, com ensino médio completo, situados, preferencialmente, num contexto sócio-econômico do programa Bolsa Família, selecionados por meio de uma avaliação escrita (interpretação e produção textual), fluência de leitura e uma entrevista domiciliar. Feito o processo de seleção, passam por uma formação continuada e cadastram um grupo de 30 famílias de sua comunidade, onde desenvolvem atividades de formação leitora como rodas de leituras, cirandas de livros, leituras compartilhadas, empréstimos de livros, contação de histórias, saraus artísticos, performances literárias, registros de contos populares e criação de clubes de leituras entre os membros de suas comunidades.

Os agentes de leitura atuam integrados às bibliotecas públicas municipais, dinamizando seus acervos e realizando programações culturais, como rodas de leituras e oficinas literárias. Da mesma forma, estão inseridos nas escolas, contribuindo na formação leitora de crianças e jovens, atuando articulado com os professores em projetos pedagógicos de incentivo à leitura, voltados para a comunidade escolar. Outros ambientes importantes para a ação dos agentes são os Pontos de Leitura e Pontos de Cultura existentes na em suas áreas de abrangência, mobilizando o acervo literário e participando das programações culturais nesses pontos, desenvolvendo assim, uma ação sistêmica de livro e leitura, onde educação e cultura atuam juntas e de maneira integrada, criando ambientes favoráveis para a formação leitora dentro das casas, gerando uma melhoria do rendimento escolar de crianças e jovens atendidos pelo projeto.

O projeto é uma ação de formação educacional e humana. Formação compreendida como uma viagem aberta, uma aventura, uma experiência de transformação e de encontros com o outro, com o mundo e consigo mesmo. Os agentes são selecionados e formados num processo contínuo, descobrindo o que há de melhor em si, para atuarem em suas próprias comunidades com responsabilidade social e comprometimento ético, desenvolvendo talentos, saberes e fazeres para compartilhar experiências de interpretações e de leituras de mundo por meio da arte e da cultura. Atuarão em seus territórios, gerando zonas de contato e pontes de interação, proporcionando às comunidades o acesso à produção cultural através de processos críticos e inventivos de compreender, criar e transformar o mundo a partir de suas próprias realidades; servirão ainda como incentivadores/propiciadores/divulgadores da produção comunitária para um contexto mais amplo, constituindo-se numa ponte de mão-dupla entre o local e o universal. Nesses termos, os agentes de leitura são construtores de pontes, gerando encontros e comunicações entre as margens, facilitando o acesso aos bens e serviços culturais. Atuando como leitores e escritores do mundo a partir da inserção e da interpretação de suas próprias realidades, estarão eles, também, ampliando seus horizontes, conhecimentos e capacidades de compreensão leitora e de escrita através das linguagens artísticas e do acesso aos saberes e à produção cultural universal.

Partindo dessa premissa, a formação dos agentes de leitura consiste no desenvolvimento contínuo de construção e experimentação de conhecimentos, conteúdos, procedimentos e habilidades em torno da sensibilização e pedagogia da leitura, dinamização do acervo literário, consciência e expressão corporal, literatura e contação de histórias, saberes comunitários, produção textual e criação literária, registro e difusão de contos populares, criação de clubes de leituras, planejamento das ações, bem como conceitos de leitura, cultura, ação cultural, inclusão social e cidadania cultural. Essas noções e abordagens compõem o cardápio básico cultural e pedagógico da formação dos agentes de leitura. No entanto, sua formação vai para além da carga horária dos cursos oferecidos. No âmago dessa formação está a vida de cada agente de leitura, compreendendo nesse percurso, a possibilidade de promover situações de formação leitora na sua própria vida. De como um agente de leitura tem que inebriar-se de poesia para derramar poesia na vida das pessoas, de como ele tem que ser tocado por um bom conto para pousar na inteligência do outro, de como ele pode se indignar com um texto para que possa provocar algum pensamento no outro, de como ele pode se emocionar com uma história de amor para compartilhar essa sensibilidade com o outro, de como ele pode se divertir com uma crônica para que possa sentir a alegria do outro, de como ele pode ficar mudo diante de uma beleza literária para que possa compartilhar seu silêncio com o outro. Afinal, como fala Bartolomeu de Campos Queiróz, ninguém dá conta da beleza sozinho, sempre necessitamos do outro para compartilhar da beleza que nos toca. É como ver um pôr-do-sol do sol e se lembrar de um bem-querer: “Quem devia está vendo este pôr-do-sol não era eu e sim fulano de tal”. O mesmo sentimento valeria para um bom livro que nos toca e nos envolve. É como se o agente de leitura dissesse: “que livro lindo, preciso compartilhar essa beleza com outras pessoas”. Aí pode ser uma criança, um homem, uma senhora quem fazem parte de seu itinerário por entres casas, escolas, bibliotecas, hospitais, presídios, pontos de leitura e outros ambientes favoráveis para a leitura.

A experiência da leitura

Para ser um agente de leitura a pessoa tem primeiro que gostar de ler, ter vontade e compromisso social de compartilhar esse gosto e sua experiência de leitura com outro tanto de gente, formando leitores em ambientes diversos como bibliotecas públicas municipais, escolas, hospitais, fábricas, empresas, associações, comunidades e dentro das casas, no seio de famílias que abrem suas portas para que os livros e a leitura possam entrar em suas vidas.

Daí a importância da dimensão da experiência. Destaco bem essa palavra. O educador espanhol Jorge Larrosa gosta muito de burilar com ela. Para ele, a própria palavra experiência nos ensina coisas. Ela vem do latim experiri e seu radical pode nos levar a idéia de relação, perigo, travessia, passagem, viagem. Para Larrosa, a experiência é cada vez mais rara, por falta de tempo e pela ânsia da pressa nos dias de hoje. Por isso mesmo, a experiência requer outro tipo de tempo e de espaço, que chamo vagar. Precisamos vagar para sentir o tempo da experiência. Mas deixemos o Jorge Larrosa com a voz. Num artigo intitulado Notas sobre a experiência e o saber de experiência, ele escreve: “A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.”

Se a experiência é o que nos passa, o que nos atravessa, o que nos acontece, o que nos toca, a experiência da leitura só pode ser uma experiência de formação, ou, se preferirmos, uma viagem aberta de transformação. Creio que a ação do agente de leitura pode partir desse sentido e sentimento: a experiência da leitura é capaz de nos fazer melhores e ao mundo. Alberto Manguel em seu livro Uma história da leitura, diz isso com maestria: “Todos nós lemos a nós próprios e ao mundo à nossa volta para vislumbrarmos o que somos e onde estamos. Lemos para compreender ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase tanto como respirar, é uma das nossas funções vitais.” Que bela constatação. Penso que devemos nos guarnecer dela: ler é uma das nossas funções vitais. Por isso mesmo, lemos com os olhos e com a boca, com os ouvidos e com o nariz, com as mãos e com os pés. Lemos com a alma e com o corpo inteiro.

Aliás, como nos lembra ainda Manguel, existem várias formas de nomear a arte do leitor. Ou várias metáforas da leitura. Uma delas é considerar o livro como um ser humano ou o ser humano como um livro, o autor como um leitor e o leitor como um autor, o mundo como texto ou um texto como o mundo. O fato é que, como nos aponta Walt Whitman, nossa tarefa é ler o mundo. E, quem sabe, indo além, transformar o mundo através dessa arte de cultivar o encontro, chamada a experiência da leitura.

Uma imagem de pensamento: a vida dentro de um livro

Lilian é uma agente de leitura na pequena cidade de Mucambo, no estado do Ceará. Certa vez, em um de seus relatórios de atividades, narrou uma bela história. Ela nos conta que quando chegou na casa de Dona Antônia, uma velha senhora camponesa e artesã da palha da carnaúba, abriu um livro e começou a lê-lo. Lilian lia e Dona Antonia ria. Lilian atravessava um conto e Dona Antônia dava risadas. Quanto mais Lilian avançava nas páginas daquela história, mas Dona Antônia dava gargalhada. Ao final, quando Lilian terminou a leitura, a velha artesã disse:

- Minha fia, eu não sabia que a minha vida todinha tava dentro desse livro.

A frase da Dona Antônia foi o bastante para a Lilian perceber a riqueza daquele momento. Ela saiu dali semeando para sua comunidade que aquele era o livro onde Dona Antônia se encontrara. E todo mundo queria saber qual era o livro que aquela senhora tão querida estava dentro. Essa imagem de pensamento nos instiga a pensar a relação entre a vida e a literatura, entre o escritor e o leitor. E nessa relação, o que conta não é apenas o mundo que o escritor pensou, mas o mundo que o leitor pode criar e escrever. O mundo e a história que o leitor pode construir inspirada nalguma fábula, conto, romance ou poema. O que uma narrativa, um verso podem possibilitar de diálogo e de leitura de mundo por parte do leitor. Gosto dessa relação porque abala a idéia da autoria centrada na figura do escritor e coloca a leitura como uma experiência de viagem e de descoberta interior. Podemos sentir isso no belo poema Infância de Carlos Drummond de Andrade:

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre as mangueiras

lia a história de Robinson Crusoé.

Comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

A ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu

Chamava para o café.

Café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo

olhando para mim:

— Psiu… Não acorde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito.

E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

A partir disso podemos pensar em outro tipo de relação com a leitura. Tanto os versos finais desse poema de Drummond como a frase de Dona Antonia, nos levam a crer que, ao mesmo tempo em que à literatura pode levar a vida, a vida também pode nos levar à literatura. Está aí uma belo sentido e sentimento da ação de um agente de leitura.

Nessa perspectiva, quando um agente de leitura chega numa casa, seu objetivo não é desenvolver atividades pedagógicas com leituras funcionais e instrumentais, mas despertar o interesse e gosto pela leitura de maneira crítica e inventiva, como um prazer infinito na vida de cada pessoa. Quando ele faz um empréstimo de livro ou uma roda de leitura compartilhada numa casa, numa escola ou numa biblioteca, sua preocupação não é saber o que o leitor entendeu da leitura ou o que o autor quis dizer com tal frase. Ao agente interessa conversar sobre as coisas da vida e do mundo a partir da leitura de cada um. Quais as relações e que bifurcações essas leituras podem gerar. De como um bom livro pode nos levar para uma canção, um filme, uma peça teatral, uma dança, uma pintura, uma memória, uma cidade, uma paisagem, um tempo… e nos trazer de volta para o livro ou nos levar para um outro livro e viagem literária.

Por fim, retomo a frase digna de um Guimarães Rosa, que Dona Antônia soltou num encontro literário com a Lilian. O que elas conversaram ou por quais veredas as duas se embrenharam? Isso tudo me faz pensar na leitura como uma ação cultural dinâmica, que tem a ver com a formação e a aventura humana de cada leitor. Imagino ser isso a anima do agente de leitura: fazer cada um descobrir o que há de melhor em si, através do tato e do contato, do hábito e do hálito, do curso e do percurso, da vida e da experiência de cada um com a leitura como essa viagem de transformação e de encontros com o outro, com o mundo e consigo mesmo.

Fabiano dos Santos. Diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, onde exerceu também a função de Secretário Substituto da Secretaria de Articulação Institucional e Coordenador de Articulação Federativa do Programa Mais Cultura. Doutor em Educação pela UFC e Mestre em História pela PUC-SP. Graduado em História pela UFC. Foi Coordenador de Políticas de Livro e de Acervos da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, no período de 2005 a 2007, onde concebeu e coordenou o projeto Agentes de Leitura do Ceará. É também escritor e poeta do grupo Os internos do pátiO.

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. A ação cultural em bibliotecas: grandeza de uma prática e limitações de um papel. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 20, n. 1/4, p. 31-38, 1987.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Record, 2001.

LARROSA, Jorge. Nietzsche & a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

LARROSA, Jorge.  Notas sobre a experiência e o saber de experiência.  Revista Brasileira de Educação, nº 21, novembro de 2001. ANPEd – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. In: http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE19/RBDE19_04_JORGE_LARROSA_BONDIA.pdf

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

SANTOS, Boaventura de Souza. A territorialização/desterritorialização da exclusão/inclusão social no processo de construção de uma cultura emancipatória. In: http://www.cedest.info/Boaventura.pdf.


[1] Os agentes de leitura, da maneira aqui apresentada, têm como referência o projeto Agentes de Leitura, criado em 2005 pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, financiado pelo Fundo Estadual de Combate à Pobreza (FECOP), com atuação em municípios do interior cearense e em bairros da cidade de Fortaleza com baixos índices de Desenvolvimento Municipal (IDM) e de Desenvolvimento Humano (IDH), em parceria com as Secretarias de Educação e de Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado, associações comunitárias, organizações não governamentais, instituições da sociedade civil e com as prefeituras municipais por meio de suas secretarias de cultura e de educação. O projeto teve início com 175 agentes de leitura em 15 municípios e 05 bairros de Fortaleza. Hoje são mais de 500 agentes atuando em 30 municípios e em 10 bairros da capital. O projeto se tornou referência nacional de política pública na área do livro e da leitura, transformando-se em uma ação do Programa Mais Cultura do Ministério da Cultura.


Os agentes de leitura e suas histórias

agentes de leitura Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/#399864

Os agentes de leitura e suas histórias

De São Bernardo do Campo, SP

“QUAL É A HISTÓRIA HOJE?”

“As crianças vêm a mim”, diz, parodiando a Bíblia, a agente de leitura Roberta Fortunato Henrique, de 28 anos. Quando a reportagem do GLOBO chega com ela ao bairro Jardim das Garças, numa região da periferia de São Bernardo do Campo conhecida como Alvarenga, é fácil perceber que não se trata de força de expressão. Roberta nem precisa bater nas portas das casas que se enfileiram no alto de uma encosta às margens da represa Billings. Basta uma criança perceber sua chegada para, depois de pular em seus braços, chamar o resto da turma, formada por uma maioria de meninas entre 2 e 15 anos de idade.

— Qual é a história de hoje, tia? — pergunta Daíssa, de 6 anos.
Os meninos de vez em quando aparecem, observam de longe. Alguns se animam e juntam-se ao grupo, enquanto fazem uma brincadeira de roda num sábado ensolarado e calorento no estranho inverno paulista.
— Antes de começar a leitura, faço brincadeiras. Isso ajuda, porque eles gastam energia e ficam mais atentos — explica a agente sobre seu método.


O livro do dia, a ser lido em voz alta por Roberta e por cada uma das crianças que saibam ou queiram ler, é “O pote vazio”, de Demi. É a história de um imperador que escolhe como seu sucessor o único súdito que não consegue fazer nascer uma flor das sementes que ele distribuíra pelo reino (o imperador as queimara antes, em segredo, para testar a honestidade da população).

Depois da leitura, Roberta conversa com as crianças sobre a história, pede opiniões e responde às perguntas. E propõe uma atividade: fazer desenhos e colagens reinterpretando o livro. Da mochila de Roberta surgem lápis de cor, papel sulfite e crepom, tesoura e canetas, além de um lanche — bolachas salgadas — dividido por todos, enquanto o livro circula de mão em mão. Material e lanche são por conta de Roberta, que graças à bolsa de agente de leitura, de R$ 350 mensais, cursa o primeiro ano de pedagogia e sonha se formar professora.

Roberta mora no Alvarenga com sua mãe e uma irmã. Seu salário de auxiliar de cozinha em uma escola de portadores de deficiência ajudou a pagar a faculdade da irmã e a dar conforto à mãe, hoje dona de casa, que criou as filhas sozinha a custo de muito trabalho duro. Agora que a irmã está formada e Roberta virou uma agente da leitura, é a vez dela de chegar à universidade.


— O bom de trabalhar durante a semana na escola é que estou aprendendo a Libras (Língua Brasileira dos Sinais) — conta a jovem, que está em campanha no bairro para conseguir doações de brinquedos e roupas para as crianças que já chama de suas.

O VOCABULÁRIO DA PERIFERIA


Impressiona o quanto o agente de leitura Leandro Henrique Paulino, de 26 anos, é pragmático. Não foi por acaso que escolheu ler na casa da família Tambalo — para os irmãos Marcos André, 13 anos, Lucas Gabriel, 12, Fábio Fernando, 9, e a mãe, a doméstica Marilda Cristina, 48 — o cordel “Encontro com o destino”, de Moreira de Acopiara. Ele queria ampliar o vocabulário dos garotos.

— Não é porque somos da periferia que não temos capacidade — diz, defendendo a escolha com convicção.

Leandro, que durante a semana trabalha como auxiliar de limpeza em uma escola pública no Alvarenga (mesma região onde mora e atua como agente de leitura), costuma levar gramática e livros de matemática ou ciência para as rodas de leitura.

Terminado o encontro, Marcos André chama a repórter do GLOBO para mostrar casas vizinhas que foram parcialmente demolidas pela prefeitura por risco de desabamento. Pergunta o nome de todos da equipe e anota com capricho. A mãe acredita que as visitas semanais de Leandro têm ajudado os meninos na escola.

Jonathan Henrique Cipriano da Silva, de 11 anos, recebe Leandro na casa de sua avó. Leem juntos “A revolta dos guarda-chuvas”, de Sidonio Muralha.

— Antes eu não gostava de ler — diz Jonathan, citando como seu livro preferido um dos volumes da coleção “Poesias: Coleção para gostar de ler”, cujos poemas embalaram algumas manhãs de sábado passadas com Leandro. — Também adoro história em quadrinhos, principalmente as do Homem-Aranha.

Por enquanto, Leandro não pensa em cursar uma faculdade. Prefere estudar sozinho para se preparar para outros concursos. E conta que está juntando dinheiro para ampliar sua biblioteca pessoal.

DA TEORIA À PRÁTICA

As noites de terça e quarta-feira da cabeleireira Célia Moura Rantzi, de 27 anos, são dedicadas a rodas de leitura e narração de história nas salas de aula do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA) no bairro Baeta Neves, periferia de São Bernardo do Campo. A segurança com que Célia estimula os alunos a ler em voz alta não denuncia que a jovem quase desistiu de ser uma agente da leitura no início do projeto.


— A formação foi maravilhosa, parecia até uma terapia, pois fizemos exercícios de contar nossas próprias histórias. Mas não tinha ideia de como seria na prática. Sou tímida e me sentia insegura — lembra Célia, ela mesma uma leitora convertida pelo projeto. — Nunca imaginei que fosse ler com prazer e menos ainda que fosse querer trabalhar com educação. Agora, leio muito e quero estudar para alfabetizar adultos.


Amália Polinari Sinari, de 60 anos, pegou emprestado com Célia o livro “Uma boa cantoria”, de Ana Maria Machado. Em casa, leu para o neto, mostrando a ele sua recém-adquirida habilidade para ler.

— Quando era criança, meu pai dizia que mulher não precisava ler e escrever. A leitura abre um novo mundo. Clareia nossa vida — conta Amália, já pensando na próxima história que lerá para o neto.

Não é apenas Célia quem conta histórias. As leituras servem como impulso para que todos dividam suas memórias. A professora da turma, Maria Aparecida Pereira, acredita que um dia estes novos leitores também se tornarão autores.

— Não quero ter casa, carro, riqueza. O que queria mesmo era aprender a ler — diz Marilene Rosa de Jesus, de 75 anos.