Íris

Portas que se abrem a um passado não tão distante, num tempo antes das madrugadas, antes de esperar o amanhecer nublado, que no presente me surpreende com uma manhã de domingo ensolarada, de um sol incandescente de propostas indecentes e indecorosas pra quem está no escuro, trabalhadas numa loucura sem par, apenas o par psicodélico da visão azulada que procura em vão tesouros em janelas de porões de quintais, no qual a vida brinca de viver, como se não fossemos mortais, como se não houvesse amanhã, e eu te pergunto: há?

Sigo para corpos que se jogam e cabeças que racham sob a pressão de ideias, e ainda assim considero melhor me lançar à loucura, e gostar do que se é, alimentando vícios que nos escondem do dia, e como servos da noite que se encontram entre gerações, que sem explicações se esperam, e que faz com que eu me contagie da coragem e me lance ao abismo sem medo, me assuma também filha adotiva de lampião, que não tema a seca que há em nossos corações, porque ele me sabe desde tempos em que nem eu mesma sabia que seria. Viu-me crescer e cresceu comigo, na minha escrita, numa trajetória de insanidades partilhadas e de testemunhos de quando aos 15 anos de idade eu vendi o amor, e sem que fosse muito diferente de mim, vítima da mesma maldição. Hoje não importa mais, porque isso muitas vezes nos parece bênçãos, que pintam corpos cansados com imagens que chocam, que a maioria não entende e mais uma vez trazem a espera.
Sem expectativas, lembro como foi um dia, me oferece uma bebida, acende um cigarro, nos condena ao inferno de ponta cabeça, como faz desde o princípio, me trás um dejavu, e num desatino de plena lucidez, eu vou, porque não consigo conter o riso e azul ainda é minha cor favorita.

Renaly Oliveira

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