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	<title>CASA do MÚSICO e o mundo da música</title>
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	<description>Textos de ANA TERRA sobre questões da área musical</description>
	<lastBuildDate>Thu, 29 Jul 2010 15:50:28 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Artigo de Ana Terra sobre direitos do autor.</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 15:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[FPM-RJ Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[autores. músico]]></category>
		<category><![CDATA[compositor]]></category>
		<category><![CDATA[criadores]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>

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		<description><![CDATA[O direito autoral é uma conquista da civilização e dos criadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/07/logp-VP.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-104" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/07/logp-VP.jpg" alt="" width="265" height="68" /></a></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td>
<p><strong>O diabo mora nos detalhes -</strong><strong> </strong><strong><br />
<em>reflexões sobre os direitos do autor</em></strong></td>
</tr>
<tr>
<td>.</td>
</tr>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td width="70%"><strong><a href="http://www.viapolitica.com.br/_imprimir.php?id=208&amp;tabela=Pagina">Por Ana     Terra, de Niterói</a></strong><strong> </strong></td>
<td width="30%"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
<tr>
<td>
<strong><em>As alterações que estão sendo propostas na legislação trazem em sua   redação palavrinhas perigosas e aparentemente inocentes, mas abrem brechas   que podem prejudicar os direitos dos autores.</em></strong></p>
<p>Em debate recente alguém perguntou ao maestro Leonardo Bruno, o que é um   músico? E ele respondeu mais ou menos isso: é aquele para quem a música é a   primeira e principal razão de viver.</p>
<p>O artista é alvo de amor e ódio da sociedade. Ao mesmo tempo em que endeusado   por sua criação, é também invejado por sua liberdade. Prazer e trabalho   raramente se conjugam. A maioria não gosta do que faz porque seu trabalho não   tem significado, não lhe diz respeito, é alienado, não lhe pertence. E   esperam o fim de semana para fazer finalmente o que gostam. Quando alguém me   pergunta qual a minha profissão e respondo, compositora e escritora, algumas   vezes ouço: mas no que você trabalha de verdade!?</p>
<p>No momento encontra-se em consulta pública a proposta de alteração da lei   9610/98 de Direitos Autorais. Não sou advogada, sou autora, e como tal minha   cabeça é livre para pensar sem nenhuma amarra técnica. Tenho lido sobre a   legislação a respeito, mas mesmo as correntes mais protetoras dos autores em   algum momento os deixam órfãos. Precisava de uma chave para compreender o   argumento filosófico que institui esse paradoxo que me intriga e para isso fui   às origens.</p>
<p>A arte sempre existiu, mas antigamente não tinha o status de propriedade. Era   tratada como uma prestação de serviço especial e seus criadores eram   sustentados pela corte ou pela elite. A arte sempre foi fundamental para a   existência. O que seria dos templos, palácios, cerimônias públicas, salões   nobres? O que seria a vida sem ela? Por isso os criadores sempre foram   sustentados.</p>
<p>Quando Gutenberg inventa a prensa, a história muda. Passa-se do manuscrito,   sob a guarda de seus autores, à possibilidade de reprodução em grande   quantidade a partir de um original. Surge então a questão de autoria e   propriedade sobre os escritos. Diante disso, os monarcas instituem o regime   de privilégios que, por meio de critérios políticos, garante exclusividade aos   impressores e aos editores. A elite, como sempre, protege os meios de   produção. O capital, e não o trabalho. Só na passagem da Idade Média para a   Renascença e seus princípios de valorização do homem, é que os autores   percebem sua importância inquestionável para o desenvolvimento da indústria   editorial.</p>
<p>Coube à Inglaterra, em 1710, sancionar a primeira legislação escrita sobre a   matéria com a célebre Lei da Rainha Ana, o <em>Copyright Act</em>, reconhecendo aos   autores o direito exclusivo de reprodução sobre as obras por eles criadas.   Mas essa noção só seria plenamente institucionalizada com as leis francesas   de 1793, que garantiram expressamente o direito ao autor de exploração da   obra pelo prazo previsto, após o qual cairiam no domínio comum <strong>“como compensação pelo fato de valer-se o criador, em sua elaboração,   do acervo cultural da humanidade.”</strong></p>
<p>Esse é o detalhe principal. Uma premissa falsa a partir da qual o paradoxo se   instala e justifica as mudanças propostas para a lei brasileira em vigor. Por   um acaso alguma coisa pode nascer do nada? Tudo nasce do acervo cultural da   humanidade.</p>
<p>O Direito Autoral no Brasil é amplamente amparado na Constituição brasileira   que, em 1988, não só consolidou mas ampliou esses direitos que, além dos   anteriores direitos de reprodução e exclusividade de utilização, incluiu   também a prerrogativa de exclusividade na publicação da obra. Isto significa   que o autor tem a faculdade de oferecer ou não ao público o acesso à sua   obra.</p>
<p>A proteção à propriedade intelectual é uma garantia fundamental, como o   direito à vida e à inviolabilidade do domicílio. Muitas vezes, com a melhor   das intenções, criam-se armadilhas conceituais. Os temidos detalhes. Por   exemplo, a obra do espírito é definida equivocadamente como imaterial, como   se pudesse existir alguma “obra” que não fosse resultado de uma ação ou   trabalho. Mesmo uma música, que se propaga no ar, não precisa estar gravada   ou registrada em uma partitura para receber proteção autoral, mas precisa ser   exteriorizada. Para ser executada pela voz ou outro instrumento a idéia se   materializa em primeira instância no suporte corpo humano. Não há idéia   exteriorizada dissociada do suporte físico, portanto não há obra imaterial.</p>
<p>A obra de arte é o patrimônio moral e pecuniário de seu autor. No sistema   capitalista brasileiro deve ser tratado como qualquer patrimônio, que é   transmissível por herança sem prazo para extinção desse direito. Da mesma   forma que a ciência de construir uma moradia é fruto do acervo cultural da   humanidade, nem por isso ela passa ao domínio público. E também não é alvo de   autorização não voluntária para, por exemplo, fins educacionais ou culturais.</p>
<p>O Direito Autoral é uma conquista do trabalhador intelectual e da   civilização. Em 2002, na recente codificação dos direitos civis, foi incluído   nos Direitos da Personalidade, inserido nos chamados Direitos da Pessoa   referentes à posição do ser humano na sociedade, e destina-se a   individualizar a pessoa e conferir-lhe meios de se desenvolver   intelectualmente. A obra de arte é considerada um prolongamento da   personalidade de seu autor e com ele estabelece um vínculo permanente mesmo   após sua morte.</p>
<p>O conflito entre o direito de propriedade sobre suas obras X o direito da   sociedade ao conhecimento é um falso conflito causado por detalhes que,   aparentemente, não são do mal, mas vão distorcendo perigosamente o espírito   das leis.</p>
<p>No mundo nada é de graça. Mesmo nos eventos “gratuitos” alguém está pagando   por isso. No caso da música, por exemplo. Em cerimônias religiosas, nas   festas populares, nos estabelecimentos de ensino, nas academias de ginástica   e, evidentemente, nos meios de comunicação, todos recebem por seu trabalho. O   padre, o pastor, o produtor, os técnicos, o vendedor de cachorro quente, o   porteiro, os professores. Os únicos acusados de “atrapalhar a festa” são os   autores. Por quê? Seria por conta dos sentimentos de amor e ódio que   despertam nos não criadores?</p>
<p>Podemos negociar preços, caso sejam inadequados, mas não princípios. Todo   trabalhador, tem que ser receber pagamento por seu trabalho. Para todas as   questões, inclusive as de ordem subjetiva, existem os parâmetros das leis. A   lei de Direitos Autorais em vigor no Brasil, e na maioria dos países,   guardados os equívocos de origem apontados, segue os princípios da Convenção   de Berna. Esta garante os direitos morais e patrimoniais do autor e os dos   titulares de direito conexo ao do autor, incluindo nessa categoria, os   intérpretes e executantes.</p>
<p>As alterações que estão sendo propostas trazem em sua redação palavrinhas   perigosas e aparentemente inocentes, mas abrem brechas para alterar o   espírito da lei. E como reza a sabedoria popular: o diabo mora nos detalhes.</p>
<p>24/7/2010</p>
<p><strong>Fonte: ViaPolítica/A autora</strong><strong> </strong><strong></p>
<p>Mais sobre Ana Terra</strong><strong> </strong></p>
<p>Ana Terra é compositora, escritora e autoprodutora. Atualmente coordena com   Teo Lima o projeto “Casa do Músico”, realiza palestras sobre o “Sistema   Criativo da Música Brasileira” e participa do FPM-RJ Fórum Permanente de   Música do Rio de Janeiro.</p>
<p>Tem cerca de 100 gravações de obras musicais com letras de sua autoria, como:   Elis Regina &#8211; “Essa Mulher”, “Pé sem Cabeça”, “Sai Dessa”. Milton Nascimento   e Nana Caymmi &#8211; “Meu Menino”. Maria Bethânia -“Da Cor Brasileira. Emílio   Santiago &#8211; “Ensaios de amor” e “É só uma canção”. Barão Vermelho e Ângela Rô   Rô &#8211; “Amor meu grande amor”. Elton Medeiros &#8211; “Virando Pó”, “Direito à vida”,   “Mãe e Filha”. Sueli Costa e Lucinha Lins &#8211; “Insana”, “Minha Arte”. Dori   Caymmi, Leila Pinheiro e Renata Arruda &#8211; “Essa Mulher”. Lisa Ono &#8211; “Os dois”,   “Eu sou carioca”, “Diz a Ela”, “Essência”. Mart’nália &#8211; “Sai Dessa”.</p>
<p>Publicou em literatura, <em>Letras e Canções</em><em> </em>(poesia), <em>Estrela</em> (prosa) e <em>Minha Arte</em><em> </em>(biografia virtual). Recebeu prêmio do Ministério da Cultura pelo   roteiro original do longa-metragem <em>Os Campos de São   Jorge</em>. Produz e dirige audiovisuais e tem peças de teatro inéditas.</p>
<p>Ao lado da criação artística, atua como ativista política participando do   movimento independente das artes, da implantação do canal comunitário de   Niterói, dos fóruns de música.<br />
Em 2004 foi tema do documentário <em>Ana Terra</em>, do cineasta Luiz   Rosemberg Filho.</p>
<p><strong>E-mail:</strong><strong> </strong><strong><a href="mailto:anaterra01@gmail.com">anaterra01@gmail.com</a></strong><strong> </strong><strong></p>
<p>Blog:</strong><strong> </strong><strong><a href="http://anaterra01.blogspot.com/%20" target="_blank">http://anaterra01.blogspot.com/ </a></p>
<p>Rede:</strong><strong> </strong><strong><a href="http://anaterra.ning.com/" target="_blank">http://anaterra.ning.com/</a></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		</item>
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		<title>SER ARTISTA</title>
		<link>http://culturadigital.br/casadomusico/2010/03/08/ser-artista/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 03:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[O artista precisa ir por caminhos que nunca passou antes. E, no caso dos mestres, por onde nunca ninguém passou. “Saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão” (Chico Buarque) Na próxima encarnação quero vir artista outra vez. Falei isso para minha filha, também artista, que não acredita em reencarnação, mas ouvia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="40" align="left">
<tbody>
<tr>
<td width="215"></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: -webkit-center" valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong><em> O artista precisa ir por caminhos que   nunca passou antes. E, no caso dos mestres, por onde nunca ninguém passou.</em></strong><strong> </strong><strong></strong></p>
<p><strong> </strong><strong>“Saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão”</strong> (Chico   Buarque)</p>
<p>Na próxima encarnação quero vir artista outra vez. Falei isso para minha   filha, também artista, que não acredita em reencarnação, mas ouvia e se   emocionava junto comigo, músicas de meu letrista soberano. Conversamos sobre   o que nos leva a continuar criando mesmo com irrelevante retorno financeiro,   como é o nosso caso e de muitos. Para mim está claro: crio para não morrer ou   enlouquecer. Sei que de outra forma não daria conta da intensidade do que   sinto. Mas paradoxalmente só com esse sentimento avassalador é que me entendo   com a vida.</p>
<p>A criatividade nasce dos sonhos, da fantasia que todos temos, dormindo ou   acordados e é gerado pelo desejo de transformação. O inconsciente é livre e   para ele nada é impossível. Dessa liberdade muitas vezes incompreensível   nascem novas conexões que nos revelam saídas, novos caminhos para nossas   questões pessoais. E assim é para a maioria.</p>
<p>A criação de uma obra de arte vai além desse limiar. O devaneio precisa   entrar em acordo com a memória e a consciência individual e buscar um canal   apropriado de expressão para, de essa fusão nascer a possibilidade de fazer   da lama um anjo, dos sons separados uma música, das palavras soltas um poema.   A fantasia pessoal é instrumentalizada para se amalgamar a um material e   ganhar uma forma que será accessível ao outro. Para o artista, criar é cair em   si para sair de si.</p>
<p>Quando se diz que arte é muito mais transpiração que inspiração é para,   talvez, se livrar da idéia de que não é um trabalho. Ao contrário do castigo   de Sífiso, da lenda grega, condenado a empurrar eternamente morro acima a   pedra que rola morro abaixo, o artista precisa ir por caminhos que nunca   passou antes. E, no caso dos mestres, por onde nunca ninguém passou.</p>
<p>Quanto maior o artista, mais riscos corre. É preciso coragem existencial para   ir por mares nunca dantes navegados. Quanto mais dá asas à fantasia, mais   domínio do material é exigido. Quanto mais aperfeiçoa a linguagem, mais   cuidado precisa para não aprisionar a imaginação.</p>
<p>A conciliação entre natureza instintiva e civilização, que se fundem num   fluxo harmônico e encontram ressonância no outro, apresenta-se como resolução   de um conflito. Esse “estado de graça” que alcançamos quando admiramos uma   obra de arte que entra em sintonia com a nossa percepção, é o alívio de saber   que alguém pensou nisso antes e nos adiantou a viagem.</p>
<p>E há ainda aqueles que ampliam tanto as fronteiras da criação que sua obra só   encontra acolhida tempos depois de sua morte. Porque não se submeteram aos   padrões estéticos de sua época ou às leis dos homens ou às do mercado.   Seguiram as leis que não estão escritas e por isso se tornam imortais.</p>
<p>7/3/2010</p>
<p><strong>Fonte: ViaPolítica/A autora</strong><strong> </strong><strong></strong></p>
<p><strong> </strong><strong>Mais sobre Ana Terra:</strong><strong> </strong><br />
Ana Terra é compositora profissional e tem cerca de 100 gravações de obras   musicais com letras de sua autoria, como Elis Regina &#8211; “Essa Mulher”, “Pé sem   Cabeça”, “Sai Dessa”. Milton Nascimento e Nana Caymmi &#8211; “Meu Menino”. Maria   Bethânia -“Da Cor Brasileira. Emílio Santiago &#8211; “Ensaios de amor” e “É só uma   canção”. Barão Vermelho e Ângela Rô Rô &#8211; “Amor meu grande amor”. Elton   Medeiros &#8211; “Virando Pó”, “Direito à vida”, “Mãe e Filha”. Sueli Costa e   Lucinha Lins &#8211; “Insana”, “Minha Arte”. Dori Caymmi, Leila Pinheiro e Renata   Arruda &#8211; “Essa Mulher”. Lisa Ono &#8211; “Os dois”, “Eu sou carioca”, “Diz a Ela”,   “Essência”. Mart’nália &#8211; “Sai Dessa”.</p>
<p>Publicou os livros <em>Letras e Canções</em><em> </em>(poesia) e <em>Estrela</em> (prosa).   Recebeu prêmio do Ministério da Cultura pelo roteiro original do   longa-metragem <em>Os Campos de São Jorge</em>. Produz e dirige audiovisuais e tem peças de   teatro inéditas.</p>
<p>Ao lado da criação artística, atua como ativista política participando do   movimento independente das artes, da implantação do canal comunitário de   Niterói, dos fóruns de música. Em 2004 foi tema do documentário <em>Ana Terra</em>,   do cineasta Luiz Rosemberg Filho.</p>
<p><strong>Site:</strong><strong> </strong><a href="http://www.anaterra.mus.br/" target="_blank"><strong>www.anaterra.mus.br</strong><strong> </strong></a><strong></strong></p>
<p><strong> </strong><strong>E-mail:</strong><strong> </strong><a href="mailto:anaterra@anaterra.mus.br"><strong>anaterra@anaterra.mus.br</strong><strong> </strong></a></p>
<p>Para ler os textos anteriores desta série, clique em:</p>
<p><a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=159" target="_blank"><strong>Minha Arte – 1</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=163" target="_blank"><strong>2</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=166" target="_blank"><strong>3</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=168" target="_blank"><strong>4</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=170" target="_blank"><strong>5</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=172" target="_blank"><strong>6</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=174" target="_blank"><strong>7</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=175" target="_blank"><strong>8</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=177" target="_blank"><strong>9</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=179" target="_blank"><strong>10</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=181" target="_blank"><strong>11</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=187" target="_blank"><strong>12</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=186" target="_blank"><strong>13</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=189" target="_blank"><strong>14</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=190" target="_blank"><strong>15</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=191" target="_blank"><strong>16</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=192" target="_blank"><strong>17</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=193" target="_blank"><strong>18</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=194" target="_blank"><strong>19</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=196" target="_blank"><strong>20</strong><strong> </strong></a>|<a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=198" target="_blank"><strong>21</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=200" target="_blank"><strong>22</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=202" target="_blank"><strong>23</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=203" target="_blank"><strong>24</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=207" target="_blank"><strong>25</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=209" target="_blank"><strong>26</strong><strong> </strong></a><br />
| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=211" target="_blank"><strong>27</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=212" target="_blank"><strong>28</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=213" target="_blank"><strong>29</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=215" target="_blank"><strong>30</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=216" target="_blank"><strong>31</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=220" target="_blank"><strong>32</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=221" target="_blank"><strong>33</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=223" target="_blank"><strong>34</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=224" target="_blank"><strong>35</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=226" target="_blank"><strong>36</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=228" target="_blank"><strong>37</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=229" target="_blank"><strong>38</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=230" target="_blank"><strong>39</strong><strong> </strong></a><br />
| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=231" target="_blank"><strong>40</strong><strong> </strong></a>| <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=232" target="_blank"><strong>41</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=234" target="_blank"><strong>42</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=235" target="_blank"><strong>43</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=237" target="_blank"><strong>44</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=239" target="_blank"><strong>45</strong></a> | <a href="http://www.viapolitica.com.br/entreato_view.php?id_entreato=240" target="_blank"><strong>46</strong></a></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>3-.-0.10</td>
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<tr>
<td></td>
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<tr>
<td valign="bottom"></td>
</tr>
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		<title>Reunião Núcleo Casa do Músico 9 fev 2010</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 21:12:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotos na &#8220;Nêga Produções&#8221;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_96" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img class="size-medium wp-image-96" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/1-reunião-9-fev-2010-225x300.jpg" alt="Teo Lima/Ana Terra/Sandra de Sá/Frejat/Leo Borges" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Teo Lima/Ana Terra/Sandra de Sá/Frejat/Leo Borges</p></div>
<p>Fotos na &#8220;Nêga Produções&#8221;</p>
<div id="attachment_91" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-91" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/4-reunião-9-fev-2010-300x225.jpg" alt="Ana Terra e Sandra de Sá" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Ana Terra e Sandra de Sá</p></div>
<div id="attachment_92" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-92" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/9-reunião-9-fev-2010-300x225.jpg" alt="Ana, Teo, Frejat, Leo" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Ana, Teo, Frejat, Leo</p></div>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-93" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/10-reunião-9-fev-2010-300x225.jpg" alt="10 reunião 9 fev 2010" width="300" height="225" /><img class="alignleft size-medium wp-image-94" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/11-reunião-9-fev-2010-300x225.jpg" alt="11 reunião 9 fev 2010" width="300" height="225" /></p>
<div id="attachment_95" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-95" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/02/12-reunião-9-fev-2010-300x225.jpg" alt="Frejat e Leo Borges" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Frejat e Leo Borge</p></div>
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		<title>EUA x RORAIMA artigo de Eliakin Rufino, poeta e compositor</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 12:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[EUA X RORAIMA Caros amigos e amigas do Brasil e do Mundo: Circula na Internet um texto que pretende alertar todos nós sobre a iminente invasão norte-americana em Roraima, em busca de (pasmem!) PETRÓLEO. O autor do texto, ou os autores, após algumas informações superficiais colhidas sem critério numa rápida visita , atestam a atual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>EUA X RORAIMA</p>
<p>Caros amigos e amigas do Brasil e do Mundo:</p>
<p>Circula na Internet um texto que pretende alertar todos nós sobre a iminente invasão norte-americana em Roraima, em busca de (pasmem!) PETRÓLEO. O autor do texto, ou os autores, após algumas informações superficiais colhidas sem critério numa rápida visita , atestam a atual ocupação e anunciam para breve a invasão total de Roraima.</p>
<p>O tema central do texto, essa previsão mirabolante e doentia, já causa espanto pela demência, pela paranóia e pela cara de pau. Com certeza, meus caros amigos e amigas, esse texto é de autoria do resquício mais nojento da ditadura militar no Brasil: a extrema-direita. Não esqueçam que foram eles, os ideólogos da extrema-direita, que divulgaram recentemente que nos livros didáticos dos estudantes norte-americanos, a Amazônia aparecia como de propriedade mundial. É aquela velha paranóia da ‘internacionalização da Amazônia’. Eu pensava que essa canalha já tinha se recolhido. Foi no colo deles que a bomba do Rio Centro explodiu. Eles sempre foram péssimos com artefatos explosivos, seja uma bomba, seja um texto na Internet.</p>
<p>Em primeiro lugar, é bom ressaltar, que o único currículo do autor do texto é ser ‘pessoa conhecida e séria’. Ora, isso é piada. Pessoa ‘conhecida’ de quem?  Pessoa ‘conhecida’ e ainda por cima ‘séria’, aí já é demais. Séria? Pessoa séria escrevendo um texto desses? Fala sério!</p>
<p>Outro dado do texto é que o autor ‘passou em concurso e foi trabalhar em Roraima’. Lá, de repente, o recém-concursado tomou contato com um ‘Brasil que a gente não conhece”. Um Brasil onde ‘é difícil encontrar roraimense’. Ora, a sociedade roraimense é composta por brasileiros de todas as partes do Brasil. Brasileiros como esse autor do texto que foi para Roraima trabalhar, prestou um concurso e tal. Brasileiros que encontram em Roraima um lugar digno e bom, bem diferente da falta de oportunidades, da pobreza e – muitas vezes &#8211; da miséria na qual viviam em seus estados de origem.</p>
<p>A multiculturalidade de Roraima já rendeu até uma classificação dos seus habitantes: os roraimenses, que são aqueles que nasceram lá e amam sua terra; os roraimados, que são aqueles que não nasceram lá, mas foram pra lá, gostaram, adotaram e foram adotados pela terra e também amam a nova terra. E, por último, estão os roraimosos, oportunistas, golpistas, picaretas e abutres engravatados que foram para Roraima se dar bem, explorar, sugar, depredar e sair falando mal.</p>
<p>O autor aponta a diversidade cultural e a sócio-diversidade roraimense como responsáveis pela ‘falta de identidade com a terra’. Pena que o autor do texto só conversou, de acordo com ele, com ‘engenheiros, pessoas do povo e vendedores ambulantes’.  Tivesse ele visitado algum espaço cultural, teria tomado conhecimento do Movimento Cultural Roraimeira  que grande contribuição prestou na construção da identidade roraimense nos últimos 25 anos. Quem quiser saber mais sobre o movimento basta ver o documentário Roraimeira – Expressão Amazônica, de Thiago Bríglia, exibido para todo o Brasil em 2009, na série DOC-TV da Rede Brasil.</p>
<p>O autor afirma que todos são funcionários públicos em  Roraima. Inclusive ele, o autor do texto, que se diz aprovado num concurso para trabalhar em  Roraima. Por que essa pessoa ‘conhecida e séria’ não chegou para trabalhar na iniciativa privada? A Economia roraimense é parcialmente movida com o dinheiro dos funcionários públicos porque fomos, durante 47 anos, o Território Federal de Roraima, área de segurança nacional, onde todos os empregos eram federais. E esse papo de que ‘não existe indústria de qualquer tipo’ é mentira, maldade e desinformação. Existe a Federação das Indústrias de Roraima – FIER – responsável atualmente por milhares de empregos.</p>
<p>As reservas indígenas, que o autor do texto parece odiar, é racismo mesmo. Um estado como Roraima, onde vivem 10 povos indígenas diferentes, precisa demarcar essas reservas para garantia da integridade e da sobrevivência desses povos. O autor revela total indignação de que o tráfego na rodovia BR174 seja suspenso durante a noite ‘para que os índios não sejam incomodados’.</p>
<p>Para falar a verdade, meus amigos e amigas, eu não sei como esse texto pode convencer ou impressionar alguém. Desculpem, mas ‘bandeiras americanas, inglesas e japonesas hasteadas nas entradas das reservas indígenas’ é doença mental.  Se os índios falam sua língua nativa e outra língua é porque vivem na fronteira. Os que estão próximos da Guiana falam inglês, os que estão próximos da Venezuela falam espanhol. E até os habitantes de Boa Vista, que passam férias em Margarita, arriscam um portunhol.</p>
<p>O que causa espanto maior ainda é o no final do texto o autor afirmar que ‘saio de Roraima com a certeza de que em breve o Brasil vai diminuir de tamanho’. Ora, e o concurso que ele passou? E a oportunidade de ter, finalmente, um emprego digno e viver numa cidade linda? Será que ele ficou com tanto medo assim da invasão norte-americana? O que foi que ele viu em Roraima que saiu correndo e alertando a todos nós sobre o perigo da guerra?</p>
<p>Como sou roraimense e passei toda a minha vida convivendo com esse discurso colonizador e racista, sei exatamente o que pretendem os seus autores.  Responsabilizar os índios pelo atraso Roraima, ajuda a esconder os verdadeiros responsáveis: os corruptos, os ladrões do dinheiro público. Inventar uma possível invasão norte-americana, mascara a invasão que está sendo feita por maus brasileiros que trabalham na extração criminosa da madeira e nos garimpos ilegais.</p>
<p>Os norte-americanos, meus amigos e amigas, já invadiram há muito tempo. Com os filmes, os livros best-seller, a música, o hambúrguer, o hotdog, a coca-cola, o jeans, o american way.  Invasão norte-americana em Roraima em busca de Petróleo? Conta outra.</p>
<p>Eliakin Rufino</p>
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		<title>DESPEDIDA do HELVIUS por Kiko Continentino</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 20:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje de manha, fui informado do falecimento do Helvius por telefone. Quem ligou foi meu amigo e conterrâneo de BH, Paschoal Meirelles. Ontem, realizamos na Modern Sound uma bonita homenagem musical pro Helvius. Segundo Nivaldo Ornelas, organizador da homenagem, foi arrecadado mais de 2 mil reais numa urna que rodava as mesas. Muita gente talentosa e querida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje de manha, fui informado do falecimento do Helvius por telefone. Quem ligou foi meu amigo e conterrâneo de BH, Paschoal Meirelles.</p>
<p>Ontem, realizamos na Modern Sound uma bonita homenagem musical pro Helvius. Segundo Nivaldo Ornelas, organizador da homenagem, foi arrecadado mais de 2 mil reais numa urna que rodava as mesas. Muita gente talentosa e querida do meio musical estava lá.</p>
<p>Inicialmente já havia sido escalado pelo Nivaldo para participar de uma noite que reuniria os pianistas. Depois, recebi o convite para fazer o `sub` oficial do Alberto Chimelli (que viajou para Minas), como costumo fazer nas quintas &#8211; quando ele não pode tocar.</p>
<p>Vou falar um pouco sobre o show, sobre essa bela reunião musical que acabou marcando a despedida do nosso querido Helvius.<br />
na verdade, ninguém imaginava que essa partida se daria logo apos homenagem tão bela.</p>
<p>Eu estava no conjunto base com Mauro Senise, Sergio Barrozo (substituindo Paulo Russo) e o baterista Ricardo Costa. Fizemos um primeiro set com temas de jazz &#8211; puxados pelo Mauro &#8211; de Thelonious Monk, Kenny Baron, Chick Corea, e Standards como `These foolish things`, concluído com o belo ANDORINHA &#8211; de Tom Jobim.</p>
<p>Me lembrei de certa feita, no Mistura Fina, quando o Helvius apareceu para uma canja. A musica que ele escolheu tocar com meu irmão Alberto no baixo foi uma do Dave Brubeck, se não me engano, `Blues rondo a la turk`. Me lembro da cara de felicidade dele ao ver que o Alberto &#8211; o q me surpreendeu também, sabia tocar aquilo de cor.</p>
<p>Logo depois do quarteto, começaram as canjas, com Alfredinho Cardim no piano, Nilson Matta, grande contrabaixista brasileiro residente em NY (que arrebentou), Paschoal na bateria e Nivaldo no sax soprano.</p>
<p>Depois entrou o duo Gilson Peranzzetta e Mauro Senise, tocando um belo tema do garoto, se não me engano, LAMENTOS NO MORRO;</p>
<p>Em seguida, algumas palavras do Mauro e do Nivaldo, discurso de agradecimento da família do Helvius lido pelo Novelli &#8211; compositor, contrabaixista e amigo de sempre do Helvius, que concluiu com uma premonição: &#8221; e agora, o Guilherme vai arrasar&#8221;.</p>
<p>Guilherme Vergueiro tocou duas de piano solo &#8211; o único da noite, evidenciando seu enorme talento ao piano na condução de vozes, uma harmonia simples e de extremo bom gosto e apurado sentido melódico &#8211; com uma levada muito elegante. Guilherme toca muito. interpretar coisas como É LUXO SÓ (do Ary), com todo aquele swing e malemolência, não é uma tarefa fácil ao piano solo. Guilherme Vergueiro realmente arrasou, emocionando a todos.</p>
<p>Depois do Guilherme, Cristóvão bastos tocou duas com João Lyra &#8211; em duo. Fiquei muito feliz com a presença do Gilson e Cristovão, grandes pianistas-arranjadores que tantas paginas musicais escreveram na musica brasileira, prestigiando o Helvius.</p>
<p>Logo após, o Nivaldo me chamou novamente. fizemos a formação original do seu quarteto, com Barrozo e Paulo Braga na bateria. Braga também deu um belo e emocionado depoimento, recordando a época em que ele e Nivaldo tocavam no conjunto do Helvius, em BH. tocamos uma composição do Nivaldo, `Nova Granada&#8217; (bairro de BH que ele morou) e `Mr. Day&#8217;, blues em fá sustenido, do mestre Coltrane.</p>
<p>Houve ainda o depoimento de uma cantora-atriz, cujo nome não me recordo agora. mas ela chamou a atenção para uma coisa importante: Helvius recebeu no ano passado o premio de melhor arranjo escrito para um musical de teatro; Vilela vinha fazendo direção musical de sucessivos espetáculos que essa cantora participou. A mesma manifestou toda a sua admiração e gratidão por ter sido acompanhada por ele.</p>
<p>Fechamos a noite com Mauro Senise e Nivaldo Ornelas nos sopros, comigo no piano, Barrozo no baixo e Teo Lima na bateria. Tocamos um CORCOVADO que saiu bem bonito.</p>
<p>Foi a nossa homenagem ao querido companheiro.</p>
<p>Havia muito mais gente lá. Que me lembro agora:<br />
Paulo Moura, Mauricio Maestro, Arthur Verocai, Fernando Leporace, Jamil Joanes, Wilson Meirelles, Jovi Joviniano, Fernando Costa, Marcos Resende (que arrasou num tema do Chick Corea) Geraldo Picanco, Gomide, Silvinho Froes, Chico Batera, Toca Delamare, Osmar Sallack, Claudio Guimarães, entre muitos outros músicos e amigos musicais, num clima de re-encontro e doação de todos.</p>
<p>Acho que o Helvius acabou tendo uma bela despedida.</p>
<p>A intenção era levantar recursos para ajudar no tratamento dele, que estava com câncer nos dois pulmões, mas, sem querer, foi o que acabamos proporcionando:<br />
uma despedida musical.</p>
<p>Com certeza me esqueci de mais gente. por favor, me perdoe o lapso. Mas achei importante deixar aqui o meu depoimento desta noite em homenagem ao Helvius. Agora, mais um na constelação musical enriquecendo a orquestra celeste.</p>
<p>Kiko Continentino, 29 de janeiro de 2010  para Grupo Cardiem</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Projeto CASA do MÚSICO</title>
		<link>http://culturadigital.br/casadomusico/2010/01/26/projeto-casa-do-musico/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 18:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma casa de corpo e alma. De abrigo e ensinamentos, de velhos e moços. De espetáculos, cantos e repousos. De ficar, de passar, de partir, de voltar. De ver, mas principalmente de ouvir nossa música e nosso músico. “Sensibilizado com tanto descaso e com as dificuldades que vêm enfrentando os músicos, resolvi encaminhar este projeto. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma casa de corpo e alma. De abrigo e ensinamentos, de velhos e moços. De espetáculos, cantos e repousos. De ficar, de passar, de partir, de voltar. De ver, mas principalmente de ouvir nossa música e nosso músico</strong><em>.</em></p>
<p><em>“Sensibilizado com tanto descaso e com as dificuldades que vêm enfrentando os músicos, resolvi encaminhar este projeto. Como todo mundo sabe, não resolve, mas sem dúvida dará uma grande contribuição para a melhoria e a dignidade da classe tão nobre e reconhecida em qualquer parte do mundo como os verdadeiros embaixadores de seu país. Com isso contribuindo também para a preservação do nosso mercado de trabalho e de nossa rica Cultura.  Através da música é que os povos melhor se comunicam, deixando de lado o ódio e o preconceito.” </em></p>
<p><em> Teo Lima – março de 1990 </em></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-74" src="http://culturadigital.br/casadomusico/files/2010/01/casadomusico-logo6-300x226.jpg" alt="logo de Gabriel Caymmi" width="300" height="226" /></p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>Este projeto é baseado na ideia do músico Teo Lima que, em 1990, iniciou uma campanha para a criação da CASA do MÚSICO, mirando-se na similar para atores, a Casa do Artista. Muitos profissionais do setor concordaram com a relevância do projeto e se colocaram à disposição para ajudar a viabilizá-lo <a href="/Users/ANA%20TERRA/Desktop/CASA%20do%20M%C3%9ASICO/26%20jan%202010%20.%20CASA%20do%20M%C3%9ASICO.docx#_edn1">[i]</a>.<br />
Em 2010, a situação dos músicos permanece a mesma. Fizemos algumas atualizações, mantendo o espírito do projeto original, e formamos um grupo<a href="/Users/ANA%20TERRA/Desktop/CASA%20do%20M%C3%9ASICO/26%20jan%202010%20.%20CASA%20do%20M%C3%9ASICO.docx#_edn2">[ii]</a> para tentar implantar no Rio de Janeiro a CASA DO MÚSICO.</p>
<p><strong>Objetivo</strong><br />
Construção e manutenção da CASA do MÚSICO situada no Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de reunir múltiplas atividades do setor musical, para a promoção e o                                                                                                           amparo do músico profissional brasileiro residente no Estado, propondo-se como                                                                                                               modelo de referência para outras unidades da federação.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Justificativa</strong><br />
A música brasileira é uma arte conhecida e reconhecida por públicos do mundo todo. Além de um bem simbólico fundamental para a identidade do país, é uma atividade econômica com mercado próprio.<br />
Criando um centro oficial de apresentação da diversidade da música brasileira, podemos tornar a CASA do MÚSICO auto-sustentável.<br />
Longe de ser um local de isolamento, pretendemos criar um espaço atraente para o público em geral, com agenda permanente no calendário cultural e turístico do Estado.<br />
Longe de ser um local de simples benemerência, pretendemos um espaço de troca de experiências e valores existenciais, reconhecimento aos que nos antecederam e incentivo aos que virão.</p>
<p><strong>Apelo</strong><br />
Será feito um apelo às autoridades para que seja doado um terreno para construção da sede da futura &#8220;CASA DO MÚSICO”. A preferência é por um local de fácil acesso, para que todos freqüentem, e que possa ser usada comercialmente para a manutenção da instituição.</p>
<p><strong>Descrição</strong><br />
<strong>Módulo residencial</strong>: pequenos alojamentos individuais para permanência gratuita temporária ou definitiva de músicos sem condições financeiras para manter uma moradia.<br />
<strong>Módulo albergue</strong>: alojamentos coletivos para hospedagem paga de músicos em trânsito e a trabalho no município.<br />
<strong>Módulo espetáculo</strong>: estúdios de gravação, salas de ensaio e de espetáculo para apresentação de shows musicais.<br />
<strong>Módulo formação</strong>: salas para aulas, oficinas, reuniões e debates.<br />
<strong>Módulo acervo</strong>: documentos, livros, vídeos e áudios de música brasileira para consulta e venda ao público.<br />
<strong>Módulo saúde</strong>: assistência médica, odontológica e hospitalar para os residentes por meio de convênios.</p>
<p><strong>Parcerias</strong><br />
Serão propostas parcerias com o poder público municipal, estadual e federal e a iniciativa privada para doação e construção do espaço físico e implantação do projeto. As entidades de classe da área musical serão convidadas a participar por meio de convênios.</p>
<hr size="1" /><a href="/Users/ANA%20TERRA/Desktop/CASA%20do%20M%C3%9ASICO/26%20jan%202010%20.%20CASA%20do%20M%C3%9ASICO.docx#_ednref1">[i]</a> <strong>Nota</strong><strong> </strong><strong><br />
Apoios recebidos na época e atuais (em permanente atualização)</strong>:<br />
Ivan Lins – Sergio Ricardo &#8211; Chico Buarque &#8211; Caetano Veloso &#8211; Milton Nascimento –Djavan &#8211; Gilberto Gil &#8211; Wagner Tiso – Arthur Maia &#8211; Alcione &#8211; Sandra de Sá &#8211; Leo Gandelman &#8211;  Frejat- Ana Terra  &#8211; Antonio Adolfo &#8211; Tibério Gaspar &#8211; Paulinho da Viola – Flavio Oliveira do Salgueiro – Leo Borges – Claudio Guimarães &#8211; Jane -Duboc- Xuxa &#8211; Ivete Sangalo &#8211; Claudia Leite  &#8211; Charles Gavin &#8211; Carlinhos Brown  &#8211; Simone &#8211; Rildo Hora &#8211; Arnaldo Antunes &#8211; Zeca Pagodinho -– Martinho da Vila &#8211; Gal Costa &#8211; Ana Carolina &#8211; Edu Lobo &#8211; Selma Reis &#8211; Ney Matogrosso &#8211; Paralamas do Sucesso -Titãs &#8211; Rita Lee &#8211; Fagner &#8211; Paulo Jobim &#8211; Hermeto Paschoal &#8211; Vanessa da Mata – Beth Carvalho &#8211; Arlindo Cruz &#8211; Joanna &#8211; - João Bosco &#8211; Fafá de Belém &#8211; Grupo Raça &#8211; Raça Negra &#8211; Almir Guineto &#8211; Fagner &#8211; Dona Ivone Lara &#8211; Lecy Brandão &#8211; Wando &#8211; Fernando Mendes &#8211; Odair José &#8211; - Emilio Santiago – Zé Renato &#8211; Guinga &#8211; Neguinho da Beija-flor. &#8211; Delia Ficher Daniela Mercury &#8211; Jorge Aragão &#8211; Jorge Vercilo &#8211; Jorge Benjor &#8211; Batacotô &#8211; Preta Gil &#8211; Toquinho &#8211; Zizi Possi &#8211; Elba Ramalho &#8211; Grupo Só Preto &#8211; Clara Sandroni &#8211; Quinteto de Metais &#8211; - Exporta Samba &#8211; Luiz Airão &#8211; Jair Rodrigues &#8211; Nei Lopes &#8211; Elson Forrogode – Fabio Junior &#8211; Ivan Paulo &#8211; Rosemary &#8211; Adriana Calcanhoto &#8211; Golden Boys &#8211; The Fever &#8211; Agnaldo Timoteo &#8211; Agnaldo Rayol &#8211; MPB 4 &#8211; Os Cariocas &#8211; Alceu Valença &#8211; Moraes Moreira &#8211; Armandinho &#8211; Dicró &#8211; Cesar Camargo &#8211; Marina &#8211; Joyce &#8211; Jards Macalé &#8211;  Ana de Hollanda &#8211; Zezé Motta &#8211; Eduardo Dusek – Marco Suzano &#8211; Lenine &#8211; Armando Marçal &#8211; Francis Hime &#8211; Olivia Hime – Gilson Peranzzetta &#8211; Mauro Senise &#8211; Nivaldo Ornellas &#8211; O Rappa &#8211; Cidade Negra &#8211; Olodum &#8211; Jerry Adriani &#8211; Banda Eva &#8211; Margarete Menezes &#8211; Marisa Monte &#8211; Nando Reis &#8211; Araketu &#8211; Kid Abelha &#8211; Victor Biglione &#8211; Marcos Ariel &#8211; Zimbo Trio &#8211; Roberto Menescal &#8211; Boca Livre – Skank -Barão Vermelho &#8211; Vitor Santos &#8211; Quarteto em Cy &#8211; Carlos Lira &#8211; Wanda Sá &#8211; Flavio Venturini &#8211; Eliana de Lima &#8211; Eliana &#8211; José Augusto &#8211; Chitãozinho &#8211; Xororó &#8211; Toni Platão &#8211; Lulu Santos &#8211; Dominguinhos - Danilo Caymmi – Juliana Caymmi – Gabriel Caymmi (logomarca e site) &#8211; Toninho Horta &#8211; Silvio Cesar &#8211; Paulo Miklos – Elza Soares &#8211; Egberto Gismonti &#8211; Leandro Braga &#8211; Célia Vaz &#8211; Zezé de Camargo &#8211; Luciano &#8211; Roberta Sá &#8211; Cristóvão Bastos &#8211; Eduardo Souto Neto &#8211; Guto Graça Mello &#8211; Sergio Cabral &#8211; Ricardo Cravo Albin –  Nilson Chaves – Gerson Araujo &#8211; Marcos Sabino  – Zé Bigorna – Fernando Pereira &#8211; Claudia Redig – Vanisa Santiago – Flavio Aniceto- Tavinho Bonfá – Felipe Cerquize – Luiz Carlos Machado – Eudes Fraga –  Luiz Carlos Contursi &#8211;  Claudio Nucci &#8211; Fred Martins &#8211; Marcos Quinan<br />
<a href="/Users/ANA%20TERRA/Desktop/CASA%20do%20M%C3%9ASICO/26%20jan%202010%20.%20CASA%20do%20M%C3%9ASICO.docx#_ednref2">[ii]</a> <strong>NCM- NÚCLEO de APOIO CASA do MÚSICO</strong>:</p>
<p><strong>Alcione  *Arthur Maia * Frejat * Ivan Lins </strong></p>
<p><strong>Leo Gandelman * Sandra de Sá *  Wagner Tiso </strong></p>
<p><strong>Coordenação do projeto: Téo Lima e Ana Terra</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Para Helvius Vilela &#8211; Natal de 2009</title>
		<link>http://culturadigital.br/casadomusico/2010/01/26/para-helvius-vilela-natal-de-2009/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 12:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Eles se expressam em outro idioma, que, mesmo não sabendo falar, compreendemos com a escuta do coração quando uma música “nos toca".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td><strong><br />
MÚSICOS</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>.</td>
</tr>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td width="70%"><strong><a href="http://www.viapolitica.com.br/_imprimir.php?id=231&amp;tabela=Entreato">Por Ana Terra, de Niterói</a> </strong><strong> </strong></td>
<td width="30%">
<p align="right">
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
<tr>
<td><strong><em>Eles se expressam em outro idioma, que, mesmo não sabendo falar,   compreendemos com a escuta do coração quando uma música “nos toca”.</em></strong><em></p>
<p></em><em>Para Helvius Vilela – Natal de 2009</em></p>
<p>Não fui agraciada pelos deuses da música com talento para tocar um   instrumento. Minha arte se resume a descobrir, nas melodias dos parceiros,   palavras que traduzam o que o músico já disse com suas notas musicais. É   exatamente isso, traduzir. Músicos se expressam em outro idioma, que mesmo   não sabendo falar, compreendemos com a escuta do coração quando uma música   “nos toca”.</p>
<p>Quando entrei na família Caymmi, iniciei minha carreira de letrista. Mas   muito mais do que isso, aprendi, com Dorival e família, respeito e admiração   pelos instrumentistas que os acompanhavam e a outros artistas. “Ouça, minha   filha, a maravilha que esse menino faz com o piano!”</p>
<p>Hoje é dia de Natal e por estarmos mais sensíveis com o nascimento do   menino-deus, verdadeiro ou simbólico, pensamos naqueles que estão ausentes,   porque morreram, como Dorival e Stella, ou porque sofrem com doenças ou   outros males. Por isso pensei no pianista Helvius Vilela, que, doente, não   pode trabalhar e ganhar seu sustento e de sua família. Pensei nele porque   soube disso pela Ana de Hollanda, com quem tocou e que revi no lançamento do   seu CD em setembro.</p>
<p>Pensei em Helvius porque tenho pensado muito nos músicos “da antiga”, que trabalharam   a vida inteira, mas não tem quem os mantenha quando a saúde lhes falta. Além   da batalha diária para conseguir trabalho com música decente, à altura do   talento deles, e não essa porcaria que infesta os meios de comunicação.</p>
<p>Pensei em Helvius, porque há mais de 30 anos venho militando no setor   musical, no qual percebo a perversão que aflora nos que sentam a bunda em   qualquer instância de poder, sejam entidades de classe ou poder público. É a   figura histórica do traidor de classe, o capitão do mato. Essa perversão   consiste em desqualificar os músicos: “são bêbados&#8230; são drogados&#8230; não se   organizam&#8230; se estão nessa situação, a culpa é deles&#8230;”</p>
<p>Não, a culpa não é deles. A culpa é de todos nós quando compactuamos com   políticas públicas que financiam o empresariado e não o trabalhador. Quando   não exigimos um sistema de saúde que atenda a todos e não apenas aos que têm   plano de saúde. Quando não exigimos do Estado a obrigação que lhe cabe:   responsabilizar-se por todos os seus cidadãos, na saúde e na doença, na   alegria e na tristeza.</p>
<p>Mas, enquanto isso não vem, tratemos de fazer do nosso modo. Levemos adiante   o projeto do baterista Teo Lima, que, inspirado na Casa do Artista dos   atores, vem batalhando para criarmos a CASA do MÚSICO.</p>
<p>Vamos nos unir para, em 2010, concretizarmos essa ideia. Aí sim, teremos um   feliz ano novo. “Ouçam, meus filhos, a maravilha que esse menino faz com o   piano!”</p>
<p><a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;VideoID=101589934" target="_blank">Clique aqui para ouvir “Retrato em   Branco e Preto”, com Helvius Vilela ao piano</a></p>
<p>25/12/2009</p>
<p><strong>Fonte: ViaPolítica/A autora</strong><strong><br />
</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Fórum Social Mundial &#8211; tenda Cuba 50 anos &#8211; Belém 2009</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 12:25:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[FPM-RJ Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto “O Norte da Música – música brasileira, o xis do problema” é uma comunicação da compositora Ana Terra como coordenadora de Música Popular do Centro de Música da Fundação Nacional da Arte (FUNARTE), no Fórum Social Mundial (FSM), Belém do Pará, em janeiro de 2009. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td><strong>O Norte da Música</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td width="70%"><strong><a href="http://www.viapolitica.com.br/_imprimir.php?id=101&amp;tabela=Anima##">Por Ana Terra</a> </strong><strong> </strong></td>
<td width="30%">
<p align="right">
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
<tr>
<td><strong><em>Música brasileira – o xis do problema</em></strong></p>
<p>Belém, Pará – O brasileiro é essencialmente musical e cantar a vida nos   alimenta a alma. Mas apenas uma parcela da população fará dessa atividade   criativa também o alimento do corpo. Estes são os músicos profissionais que   por talento e vocação escolhem essa forma específica de ganhar a vida. Para   simplificar, chamarei de músico os integrantes do Núcleo Criativo da Música,   isto é, compositores, letristas, instrumentistas, arranjadores, regentes,   cantores.</p>
<p>Formando-se em centros musicais de excelência ou formando-se intuitivamente,   sendo como todos são, fruto da natureza e da cultura, o músico, como qualquer   artista, tem como missão do espírito materializar algumas idéias que habitam   o imenso oceano do inconsciente coletivo. Mas a forma única, pessoal e   intransferível dessa expressão é que torna a obra de arte única, pessoal e   intransferível.</p>
<p>A criatividade é uma característica humana que pode ser exercida em qualquer   tipo de produção, entretanto a obra de arte é um produto que não tem valor   utilitário, mas valor simbólico, e o simbólico é um dos ingredientes da   fórmula humana. É uma necessidade social. Para aquele que se dedica   integralmente à produção da obra de arte na sociedade mercantilista, sua   produção precisa tornar-se uma mercadoria para que dela advenha seu sustento.</p>
<p>Todo músico é indiscutivelmente produtor musical porque produz a obra. Esta   categoria vem sendo confundida com produtor industrial e comercial que são de   natureza técnica, não personalizada, que o artista pode ou não também ser,   caso tenha acesso aos meios de produção e circulação. Enquanto a produção da   obra de arte não depende só de treinamento e vontade, mas de talento, vocação   e dedicação. Esse é o xis do problema.</p>
<p>Para tentar destituir o artista de seu poder, o discurso dos detentores de   outro poder, econômico e político, isto é, os detentores dos meios de   produção e circulação da obra musical organizados como pessoa jurídica,   tentam de todas as maneiras inverter as relações fazendo crer que são   “produtores do artista” quando na verdade todo artista é naturalmente   autoprodutor. Todo artista é pessoa física e é dessa condição que realiza   como autor e/ou intérprete a produção da obra musical. O que ele pode fazer é   contratar profissionais ou empresas especializados em indústria e comércio   para obter mais ganhos com seu produto. Mas nem isso mais é fundamental.</p>
<p>Nos tempos de hoje os avanços da tecnologia permitem que muitos músicos   tenham num computador seu próprio estúdio. A indústria fonográfica passou   para as mãos dos músicos. A era digital por meio da internet tornou o suporte   material CD praticamente obsoleto. O comércio da obra musical passou para as   mãos dos músicos. A música ao vivo sempre esteve nas mãos dos músicos e é   desse nicho que os produtores fonográficos tradicionais agora tentam obter   lucro. E do dinheiro público, claro.</p>
<p>Então eu pergunto, por exemplo:</p>
<p>1- Por que na Feira Música Brasil – programa instituído pelo Ministério da   Cultura e financiado com recursos públicos para a economia do setor, a pessoa   jurídica e não a pessoa física é quem dita a política a ser adotada?</p>
<p>2- Por que no Conselho Gestor da Feira Música Brasil não há assento para a   representação do autoprodutor quando a música produzida por milhares deles é   que alimenta a economia da cultura?</p>
<p>3- Por que os editais para projetos da área musical são direcionados para a   pessoa jurídica e não para a pessoa física? O Estado tem conhecimento que a   empresa produtora proponente do projeto torna-se proprietária de um produto   que ela não produziu, a obra de arte? Quando muito, contratou serviços   industriais e comerciais para confeccionarem o suporte físico e sua distribuição   porque muitas vezes só “emprestam” a firma para o artista poder cumprir as   exigências dos editais.</p>
<p>4- Por que o legítimo produtor da obra musical, trabalhador autônomo que é,   não pode legalmente pagar serviços e receber por seu trabalho, sendo obrigado   a ceder a propriedade de sua obra ou constituir uma empresa, que o leva ao   abismo kafkiano da burocracia?</p>
<p>“Músico não entende de produção”. “Autor não entende de direito autoral”.   Substituir a realidade por uma idéia insistentemente repetida, como essas,   por exemplo, é a função da ideologia, um dos meios utilizados pelos   dominantes para exercerem a dominação de tal forma que os dominados não se   reconhecem como tal.</p>
<p>Através do Estado, o poder econômico exerce um poder político e mantém toda a   sociedade sob seu jugo. O grande instrumento do Estado é o Direito que faz   com que o legal, isto é, o estabelecimento das leis, pareça aos olhos de   todos como <em>legítimo.</em></p>
<p>No Brasil recente, em que o Estado autoritário é substituído pelo Estado   democrático, novos pactos e marcos regulatórios são, e devem ser propostos,   para substituir o legado jurídico e burocrático criados para servir à   ditadura militar.</p>
<p>Com relação a políticas públicas para os setores artísticos estamos tendo a   oportunidade única de reverter o quadro de exploração que a classe sempre   sofreu, assinando contratos absurdos para que sua obra receba remuneração   ínfima comparada aos setores patronais.</p>
<p>Precisamos trabalhar com uma nova lógica em todos os setores. Falando da   música, no quadro atual da discussão pública dos seminários para propor uma   nova lei autoral, com exceção da mesa que participei como palestrante ao lado   do maestro Amilson Godoy e do compositor Gilberto Gil, todos os outros   seminários excluem o autor, como pessoa física e independente de   instituições. Advogados, técnicos, administradores, professores e tantos mais   resolvem dizer como devem ser delineados os novos marcos regulatórios do   autor, menos o autor. Está errado!</p>
<p>De um lado temos o discurso dos representantes do poder econômico, que não   sendo nem autores nem intérpretes, mas meros parasitas do direito da   personalidade, defendem seus direitos à propriedade alheia, como se legítimo   fosse. Por outro lado, os que são favoráveis à chamada flexibilização dos   direitos autorais, isto é, pedindo que a gente dê de graça a única coisa que   temos para vender, lembrando Cacilda Becker, estão se utilizando argumentos   equivocados e de má fé.</p>
<p>Por cada CD vendido legalmente o autor da música ganha centavos, já que em   média é pago 8,4% do valor vendido ao lojista, dividido por todas as faixas e   depois pelos autores. Quando o borderô de um show é falsificado e/ou a lista   das músicas com seus respectivos autores é falseada; quando o fiscal do ECAD   é corrompido pelo usuário, quando o serviço de escuta é manipulado, quando as   rádios, TVs, bares, etc. não pagam o direito autoral, autores e músicos   deixam de ganhar o seu sustento.</p>
<p>Quando uma palestrante do Seminário Internacional diz que tanto os versos de   um cordelista como a biruta que mostra a direção dos ventos são bens   públicos, e que a lei de proteção ao autor cria uma situação artificial de   exclusividade para um bem naturalmente público, este é um argumento absurdo!</p>
<p>Culpar o autor por estar dificultando o acesso da população à cultura e dizer   que sua obra é um bem imaterial e público enquanto os meios de produção são   bens materiais e privados é um argumento inaceitável! Por que cargas d&#8217;água   estão movendo mundos e fundos para que o artista profissional abra mão de sua   remuneração já que ela, mesmo quando alta, é ínfima se comparada à   remuneração da indústria e do comercio? Utilizar os conceitos de Antonio   Negri, intelectual italiano que atualiza a concepção marxista da história,   para massacrar, nos moldes capitalistas, o artista, é uma manipulação   perversa!</p>
<p>Tratando a obra de arte como bem imaterial e público, estão tentando abolir o   direito da personalidade que é uma conquista da civilização. A lei autoral em   vigor é boa, se fosse cumprida. E nenhuma lei impede que o proprietário de um   bem o disponibilize gratuitamente Não precisa Creative Commons para isso.   Quem quiser autorizar download grátis de sua obra pela internet, que o faça!   Mas caso seja inevitável uma nova lei autoral, que a música institua sua   própria e exclusiva lei. E que seja formulada também uma lei, como a   Argentina está fazendo, que proteja a atividade musical.</p>
<p>A música brasileira é riquíssima em diversidade e força. Ela se mantém viva e   criativa em todo o território nacional mesmo que aparentemente submersa pela   música descartável e pobre do jabá. A chamada música de entretenimento   veiculada pelos grandes meios de comunicação e/ou empresários picaretas que   fazem de nossas crianças e jovens meros consumidores embrutecidos por   porcarias. Causando um retrocesso no imaginário coletivo ao tratar a mulher   como vagabunda e o encontro amoroso como orgia.</p>
<p>A música não é isso. A lei de educação musical nas escolas foi aprovada.   Nossas crianças e jovens terão acesso à maravilhosa arte musical brasileira e   esse novo tempo poderá ser risonho e franco se as pessoas responsáveis deste   país assim o quiserem. É da responsabilidade dos que ocupam hoje cargos no   poder público, o destino das gerações que virão e dos músicos profissionais   que tiram de sua arte seu sustento.</p>
<p>Temos a oportunidade de fazer uma reparação histórica em relação aos que   produzem o que não tem utilidade nenhuma.</p>
<p>Os que têm como ofício manter vivos a memória, o sonho, a imaginação.</p>
<p>Os que produzem os valores que permanecem quando tudo que é útil não nos   serve para nada.</p>
<p>24/1/2009</p>
<p><strong>Fonte: ViaPolítica/A autora</strong></p>
<p><strong>O texto “O Norte da Música – música brasileira, o xis do problema” é uma   comunicação da compositora Ana Terra como coordenadora de Música Popular do   Centro de Música da Fundação Nacional da Arte (FUNARTE), no Fórum Social   Mundial (FSM), Belém do Pará, em janeiro de 2009.</p>
<p>Ana Terra é compositora, escritora, produtora musical e audiovisual.<br />
Integra a Coordenação do Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro   (FPM/RJ).</p>
<p></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
]]></content:encoded>
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		<title>Seminário de Direito Autoral &#8211; Ministério da Cultura 2008</title>
		<link>http://culturadigital.br/casadomusico/2010/01/25/seminario-de-direito-autoral-minc-2008/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:25:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
				<category><![CDATA[FPM-RJ Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Direito Autoral, Música, Ministério da Cultura]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cultura.gov.br/site/2008/12/10/seminario-autores-artistas-e-seus-direitos-acontece-no-rio-dias-27-e-28-de-outubro/">Assista ao Vídeo</a></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td><strong>O estado da música<br />
e da cultura no país</strong></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>
<p style="text-align: left"><em><strong>Comunicação da compositora, escritora e produtora Ana Terra,   como palestrante no seminário &#8220;Autores, Artistas e seus Direitos&#8221;,   promovido pelo Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro, em 27 e 28 de   setembro de 2008. O evento, que fez parte do Fórum Nacional de Direito   Autoral, foi promovido pela Coordenação-Geral de Direito Autoral do   Ministério da Cultura, com apoio da Funarte. De acordo com o MINC, o encontro   objetiva angariar subsídios dos autores e artistas quanto aos benefícios e   dificuldades impostos pela atual estrutura do direito autoral no Brasil;   ouvir quais são os seus anseios e receios diante das questões impostas pelo   advento das novas tecnologias de produção e difusão dos bens culturais; e   discutir como têm se dado as relações contratuais com os investidores  da área   cultural. </strong></em></p>
<p>“Nosso planeta está passando por um momento onde atingimos o ápice do ciclo   cujas regras são ditadas por um conselho presidido pelo deus mercado. As   conseqüências estão aí. Vivemos uma guerra civil global e nunca se viu tantos   crimes bárbaros, porque a essência da vida que não está mais em nós se vinga   e reaparece pelo lado mau das coisas. O grande desafio do século XXI será   rever os princípios, as premissas que norteiam nossas práticas de vida. E   muitas vozes, no mundo inteiro clamam pela volta da vida.</p>
<p>Não me darei à pretensão de apresentar um texto jurídico diante de tantos   especialistas no assunto. Não sou advogada, sou artista, autora, embora venha   há mais de 30 anos advogando a causa dos meus colegas compositores e   intérpretes. Também como cidadã, venho participando de muitos movimentos   políticos em defesa dos princípios que orientam minha vida. E é dessa   condição, de artista e cidadã que darei meu depoimento neste seminário.</p>
<p>Quando comecei profissionalmente como compositora tive vários espantos.   Admiradora desde a infância, da música popular brasileira e de seus   maravilhosos autores e intérpretes, ao conviver de perto com alguns dos meus   ídolos, a realidade se mostrou muito distante da imagem que as pessoas, em   geral, fazem do mundo artístico. Vou trazer fatos porque foram fundamentais   na minha trajetória para tentar compreender vários paradoxos.</p>
<p>Foi um presente do destino conhecer e conviver com o autor dos versos que   mais me emocionaram na infância.Lembro até hoje de meu espanto de menina ao   ouvir no rádio a seguinte frase cantada: &#8220;pobre de quem acredita na   glória e no dinheiro para ser feliz&#8221; . Por conta de minha inclusão na   família, convivi como nora e depois como amiga e mãe de seus netos, com os   nossos saudosos Dorival Caymmi e Stella. Posso dizer que os dois me   proporcionaram, por mais de três décadas, muitos dos melhores momentos da   minha vida.</p>
<p>Sentado em sua cadeira de balanço num apartamento comum de classe média, em   sua querida Copacabana, Dorival calmamente ia me respondendo as perguntas que   eu, abismada, lhe fazia. Porque, evidentemente, eu não compreendia o motivo   de um dos mais importantes nomes da canção brasileira não ser um homem rico.   É claro que tanto eu quanto ele fazemos parte de uma classe que é   privilegiada num país em que fazer três refeições por dia é sem dúvida um   privilégio. Mas o que me espantava era ver que os gerentes da nossa   profissão, isto é, empresários, produtores, advogados, administradores e   editores, faziam parte de uma outra elite: a que ganha muito dinheiro com a   obra dos profissionais do Núcleo Criativo.</p>
<p>Chamo de Núcleo Criativo aquele formado pelos únicos elementos indispensáveis   à existência da obra musical: o autor e o intérprete. Sem a autoria não há   obra. Sem a interpretação não há comunicação da obra. Por haver uma conexão   natural entre eles, os direitos do intérprete (cantor, instrumentista,   arranjador) são conexos aos do autor.</p>
<p>Por trabalhar com as palavras e gostar muito delas, implico, às vezes por   motivos estéticos, outras vezes por motivos éticos, com algumas delas, quando   as empregamos mal. Por exemplo, a palavra &#8220;cadeia&#8221; me remete sempre   a prisões. A expressão &#8220;cadeia produtiva da música&#8221; me incomoda   muito mais porque coloca o autor e o intérprete como simples elos de uma   enorme corrente, quando eles são a única razão da existência de inúmeros   profissionais do universo econômico da música.</p>
<p>Claro que muitos são honestos e bons parceiros, tenho amigos pesquisadores,   produtores, empresários, advogados, e não estou fazendo críticas pessoais,   mas sim ao conceito que inverte e corrompe o sentido das coisas. Quem tem   direito, de fato, de estipular preços e contratar esses serviços são os   artistas, e não o contrário. O que tenho assistido é uma grande quantidade de   profissionais que, na verdade, integram, como diz um amigo músico, a   &#8220;cadeia destrutiva da música&#8221; comportarem-se como donos do artista   e de sua obra.</p>
<p>Voltando ao Dorival, e sua cadeira de balanço, fiquei sabendo no início dos   anos 1970 que a maior parte de seu repertório era gerido por editoras   musicais. Como assim editoras musicais?<br />
-&#8221;É que antigamente, minha filha, a forma de divulgação da música era   feita por partituras. Com a partitura impressa, os compositores corriam às   orquestras para tentar divulgar seu trabalho. Ainda não era o disco gravado,   mas as grandes orquestras eram os principais canais difusores da   música.&#8221;<br />
-“Sim, Dorival, mas agora É O DISCO!!! Para que servem as editoras AGORA?”<br />
-&#8221;Pois é, Aninha, hoje elas só servem para autorizar gravações e<br />
fazer adiantamentos, que a gente está sempre devendo.&#8221;<br />
-“Mas o compositor não pode autorizar e receber direto da gravadora?&#8221;<br />
-“Não minha filha, porque a maioria das editoras hoje em dia é das   gravadoras, e tem uma tal de cessão de direitos que o compositor é obrigado a   assinar senão não é gravado&#8221;.<br />
-“E as sociedades de direito autoral que você ajudou a fundar?”<br />
-“Ih, nem queira saber&#8230; o início foi terrível, chamavam até a polícia   quando se falava em cobrar direito autoral das casas noturnas, que usavam a   nossa música e não queriam pagar. Aliás, a idéia de que a autoria da música   devia ser paga nasceu de um<br />
episódio na França. Compositores jantavam num restaurante quando músicas   deles eram executadas. Depois do jantar, levantaram para sair e o dono do   estabelecimento veio cobrar a conta. Eles responderam: a conta está paga.   ‘Foi paga com a nossa música que vocês serviram aos fregueses’.”</p>
<p>Bom, agora deixemos em paz o bom Dorival, e vamos ao meu discurso. Essas   sociedades, que eram arrecadadoras e distribuidoras do direito autoral, foram   proliferando de tal maneira que causavam uma enorme confusão na hora de   cobrar dos usuários. Músicos e aliados, então, resolveram a desordem da   seguinte forma. Seria criado um órgão normativo e de fiscalização, o Conselho   Nacional de Direito Autoral e uma central única, uma empresa privada   constituída pelos titulares de direito autoral. Criou-se então o CNDA e o   ECAD &#8211; Escritório Central de Arrecadação de Direitos,</p>
<p>Pela lógica do bom senso não haveria mais necessidade de sociedades, mas pela   lógica do empreguismo, as sociedades continuaram a existir meramente como   repassadoras dos pagamentos do ECAD aos respectivos associados. E mais que   isso, como gravadoras e editoras são tidas como titulares o direito autoral   junto ao Núcleo Criativo, e o ECAD é dirigido pelos seus donos, um conselho   formado por essas sociedades administra o ECAD.</p>
<p>Conheço bem essa estrutura porque fui fundadora do quadro de compositores e   exerci cargos eletivos na AMAR- Associação de Músicos, Arranjadores e   Intérpretes, primeira sociedade dirigida apenas por titulares do Núcleo   Criativo, e que foi fundada com o objetivo principal de defesa do direito conexo   do músico.</p>
<p>Acho importante esclarecer vários equívocos que são repetidos   irresponsavelmente e acabam também se naturalizando: O ECAD não é estatal. O   ECAD não é monopólio. O ECAD cobra em nome dos titulares a remuneração do seu   trabalho. Portanto, os funcionários do ECAD não são porta-vozes da classe, e   não podem participar de decisões políticas como, por exemplo, ter assento na   Câmara Setorial da Música como aconteceu ou no Colegiado que a substituirá. O   ECAD também não pode impedir que nenhum titular possa receber diretamente do   ECAD seus pagamentos, se não quiserem pertencer a nenhuma sociedade. Já   consultei vários advogados e eles reafirmaram o raciocínio óbvio: o direito   constitucional de livre associação assim como não impede, também não obriga ninguém   a se associar contra a sua vontade. E mais ainda, óbvio, os proprietários da   empresa é que decidem a forma de sua remuneração e não os empregados. Quem   pode mais, pode menos.</p>
<p>A demonização do ECAD pela mídia serve aos interesses dos proprietários dos   meios de comunicação, muitos deles políticos profissionais, e outorgantes das   concessões públicas, que não querem pagar direito autoral. Nesta cultura   institucionalizada do furto do trabalho alheio, estão tentando convencer o   consumidor das obras musicais que esse trabalho não deve ser pago. Como   assim? É um comércio como outro qualquer! Por que as instituições não querem   pagar a música que utilizam dando esmola com o chapéu alheio? Se, por exemplo   numa cerimônia de casamento, além das flores, do vestido da noiva, do bufê,   até o padre é pago, por que não a música? Que lógica maluca é essa?</p>
<p>Penso agora como, realmente, a história se repete como farsa. Quando a farra   de download começou na internet, nem o poder público nem a sociedade civil   ensinaram aos meninos que isso era furto e que furto é crime. O crime se   naturalizou com a idéia que a internet é um território livre e democrático,   quando todos sabem que grandes corporações são proprietárias desse imenso   território virtual.</p>
<p>Naturalizou-se o furto também quando a prática de comprar CDs pirateados   começou a ser justificada, com o singelo argumento que os CDs originais são   muito caros. Bom, já que é assim, proponho eu a vocês, vamos todos falsificar   cédulas de dinheiro porque o dinheiro original é muito caro! Naturaliza-se o   crime quando as palavras e os conceitos são corrompidos. Quando os   proprietários de casa noturna cobram o chamado <em>couvert</em> artístico e   esse dinheiro não vai integralmente para o artista. Quando as gravadoras   pagam o cachê do músico e o obrigam a assinar um recibo ilegal de cessão de   direitos autorais. Quando a pessoa jurídica, como a gravadora e editora,   escoradas em acordos internacionais escusos, apropriam-se de um direito que é   exclusivamente da personalidade, da pessoa física, do artista.</p>
<p>Seguindo essa lógica, é natural, então, que os músicos solicitem ao Estado o   direito à isonomia. Trocando em miúdos, que os músicos sejam incluídos,   formalmente, como sócios da pessoa jurídica. Que nossos nomes sejam   incluídos, como acionistas e recebam os dividendos, na razão social de todas   as empresas industriais e comerciais que se utilizam da obra musical,   inclusive provedores de acesso à internet e a indústria da informática.</p>
<p>Além desta, lembro outra proposta e que tem precedente histórico na   Inglaterra que, pelo que eu saiba, é um país capitalista. A famosa BBC de   Londres é financiada por uma taxa incluída no preço dos aparelhos de TV   vendidos. Já que é tão difícil coibir o furto na internet e, como dizem,   &#8220;baixar música de graça já é cultura&#8221;, então vamos encontrar uma   solução para remunerar o trabalho dos autores, instituindo uma taxa no preço   de todos os suportes físicos que permitem o uso da internet.</p>
<p>Repito mais uma vez: sem a autoria não há obra, sem a interpretação não há   comunicação da obra. A criação artística nasce de um estado subjetivo da   personalidade, anterior e independente das normas jurídicas, mercadológicas,   sociais e políticas.</p>
<p>E, agora, passando de leve no terreno do direito formal, cito o jurista   Goffredo Telles Jr.: “A personalidade consiste no conjunto de caracteres   próprios da pessoa. A personalidade é que apóia os direitos e deveres que   dela irradiam, é objeto de direito, é o primeiro bem da pessoa que lhe   pertence como primeira utilidade, para que ela possa ser o que é, para   sobreviver e se adaptar às condições do ambiente em que se encontra,   servindo-lhe de critério para aferir, adquirir e ordenar outros bens.”</p>
<p>“O direito objetivo autoriza a pessoa a defender sua personalidade de forma   que os direitos da personalidade são os direitos subjetivos da pessoa de   defender o que lhe é próprio, ou seja, a identidade, a sociabilidade, a   reputação, a honra, a autoria. São direitos comuns da existência, porque são   simples permissões dadas pela norma jurídica, a cada pessoa, de defender um   bem que a natureza lhe deu, de maneira primordial e direta.”</p>
<p>As diretrizes gerais do Plano Nacional de Cultura estão num caderno impresso,   que se destina à difusão dos debates públicos, o que vem acontecendo em todo   o país por iniciativa do Ministério da Cultura, e está aberto às   contribuições que vão subsidiar a relatoria do Projeto de Lei 6835/2006, que   instituirá o Plano Nacional de Cultura do Brasil.</p>
<p>Este Plano orientará a atuação do Estado brasileiro na próxima década, na   aplicação de políticas públicas na área da cultura. No item 4 dos Valores e   Conceitos do Plano está escrito: “A sociedade brasileira gera e dinamiza a   cultura, a despeito da omissão ou interferência autoritária do Estado e da   lógica específica dos mercados. Não cabe aos governos ou às empresas conduzir   a produção da cultura, seja ela erudita ou popular, impondo-lhe hierarquias e   sistemas de valores&#8230;”</p>
<p>Bom, vamos resumir o papel que o Estado e os governos tem feito na área   musical. Quando a indústria fonográfica multinacional se instalou no país,   foi financiada, através do governo, pelos trabalhadores brasileiros como,   aliás, é pratica corrente em todos os setores. A música estrangeira que aqui   chegava produzida e paga nos países de origem, era majoritariamente divulgada   pelos meios de comunicação, concessões públicas, diga-se de passagem, e   consumidas por nós, colonizados que somos.</p>
<p>Fomos abençoados por Deus que dotou os músicos brasileiros de extraordinário   talento e isso ninguém pode negar. O que o Estado fez? Como forma de   incentivar a produção fonográfica da música brasileira, isentou do pagamento   de impostos, o ICM na época, as gravadoras multinacionais. Então não houve   investimento de capital estrangeiro, como nunca há. Quem financiou a música   brasileira “de mercado” foi o dinheiro do trabalhador brasileiro que o Estado   repassou pelo mecanismo da renúncia fiscal. E continua repassando até hoje,   por meio da lei Rouanet.</p>
<p>O Estado e os governos brasileiros tem como tradição financiar com dinheiro   público as empresas privadas nacionais e estrangeiras de todos os setores. Na   área da cultura, o Ministério da Cultura adota essa prática, que é repassar   os recursos públicos para as empresas “escolherem” quem elas vão patrocinar,   como se fosse seu investimento! Ao seguirem a “lógica do mercado”, escolhem   somente os produtos que lhes dêem maior visibilidade! É com essa lógica de   mercado que as empresas, financiadas pelo dinheiro público, escolhem que   projetos serão patrocinados! Sem falar, só para dar um exemplo, do Cirque de   Soleil, empresa estrangeira favorecida por recursos subsidiados através da   lei Rouanet, criada para o incentivo à cultura brasileira.</p>
<p>Alguém pode perguntar se eu defendo o intervencionismo do Estado. Mas o   Estado é intervencionista por definição, haja vista a gigantesca operação do   país ícone do capitalismo, que transfere bilhões de dólares para salvar o   Grande Cassino da Especulação Financeira, levando à ruína milhões de   trabalhadores em todo o mundo. O Estado, intervencionista por natureza, poderia,   por exemplo, intervir<br />
para equilibrar as relações desiguais entre capital e trabalho, que é a   função do Estado democrático.</p>
<p>Poderia não ter dado poder de veto às empresas que foram convidadas para   &#8220;pactuar&#8221; com os músicos na Câmara Setorial da Música. Pactuar o   quê? Desde quando as classes dominantes pactuaram alguma coisa com o   trabalhador a não ser por pressão? O Estado intervencionista poderia, por   exemplo, deixar de tratar o artista e o pequeno produtor como um bandido que   precisa apresentar milhões de comprovantes e cartas de anuência para   solicitar, não o dinheiro, mas a autorização para pedir pelo amor de Deus a   uma empresa que financie o seu projeto, com o dinheiro que é dele, do   vizinho, da população enfim, é surreal&#8230; Se a cultura, como os outros   setores precisam de financiamento, porque não destinar os recursos da   renúncia fiscal para o Ministério, como o nome está dizendo, da Cultura,   gerir esse dinheiro?</p>
<p>Em vez de patrocínios personalistas, por que não cria mecanismos de   circulação para os milhares de profissionais músicos autoprodutores do país,   que não querem ou não podem pagar o jabá para terem suas obras veiculadas   pelos meios de comunicação, só lembrando, concessões públicas?</p>
<p>Por que não reapropriar os espaços públicos federais, estaduais e municipais   como as universidades, escolas, centros culturais, meios de comunicação e   teatros para que o artista autoprodutor possa trabalhar? O músico   profissional não quer esmola, só quer ter condições dignas de trabalho como   todo e qualquer cidadão.</p>
<p>E, para encerrar, peço emprestada uma frase do filósofo contemporâneo Antonio   Negri: “Todos os elementos de corrupção e exploração nos são impostos pelos   regimes de produção lingüística e comunicativa: destruí-los com palavras é   tão urgente quanto fazê-los com ações.”</p>
<p><strong>Fonte: ViaPolítica/A autora</strong></p>
<p><strong>Ana Terra é compositora, escritora, produtora musical e audiovisual.<br />
Integra a Coordenação do Fórum Permanente de Música do Rio de Janeiro   (FPM/RJ).</strong></p>
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		<title>FEIRA MÚSICA BRASIL &#8211; lançamento em 2006</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 00:10:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ANA TERRA</dc:creator>
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