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  • Carta de Brasília – novas adesões

    CBC-150x100

    Por uma primavera do audiovisual brasileiro

     

    As entidades representativas do audiovisual brasileiro reunidas em Assembleia Geral Extraordinária do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), durante a realização do 47º Festival de Cinema de Brasília, vêm se pronunciar sobre as atuais políticas públicas voltadas para o setor.

    O Congresso Brasileiro de Cinema entende que se faz necessária a realização de ajustes significativos nas atuais políticas públicas. Isto com a clara finalidade de atender as demandas reais do setor, referentes à produção; distribuição; exibição; formação de público e profissional; preservação; difusão e pesquisa, ampliando o acesso aos mecanismos instituídos. A finalidade dessas propostas é garantir a presença do audiovisual brasileiro em todas as telas, como forma de promover os direitos do público a um amplo acesso aos bens culturais.

    Acreditamos que se faz necessária uma urgente ampliação da cota de tela nas salas de cinemas, que hoje varia de 28 a 63 dias por ano, para garantir uma maior presença do cinema brasileiro no circuito exibidor.

    Acreditamos que se faz necessária a garantia do cumprimento da regionalização, como um critério nas políticas públicas, e como forma de alavancar e tornar igualitária a inclusão das diversas regiões do Brasil nos avanços do setor audiovisual.

    Reconhecemos o papel do Conselho Superior de Cinema, como um órgão consultivo e deliberativo, mas exigimos participação efetiva das entidades representativas do audiovisual na formulação das políticas públicas para o setor.

    E por último, sabemos que os avanços conquistados pelo segmento derivam também das ações gestadas nos seis últimos Congressos realizados pelo CBC, desde 2000, que contou com ampla participação dos principais segmentos representativos do cinema e audiovisual brasileiros.

    Convocamos, então, a sociedade brasileira, especialmente o setor do audiovisual, os gestores públicos a se unirem em defesa da diversidade cultural e da soberania nacional.

    Conheça as demandas prioritárias pactuadas em Brasília:

    1. Aprovação imediata da PEC 150;
    2. Revisão e ampliação da atual cota de tela em salas de cinema, visando a inclusão da produção independente;
    3. Criação de um novo marco regulatório para a substituição do uso da Lei 8.666/1993 para projetos culturais;
    4. Revisão do decreto 7.592/2011 da LDO, que impede o repasse de recursos para entidades da sociedade civil sem fins lucrativos na forma de convênios, em decorrência do visível retrocesso causado no desenvolvimento de ações voltados para principalmente para a formação e difusão do audiovisual;
    5. Garantir mecanismos para a manutenção das obras brasileiras independentes em cartaz no circuito exibidor, tendo em vista a ampliação da participação do setor audiovisual na utilização do Vale Cultura, bem como a utilização do Vale Cultura em pontos de cultura e cineclubes;
    6. Regulamentação do Capítulo V, da Constituição em vigor, que tem objetivo a garantia da participação da produção regional e independente brasileira na programação das TVs abertas;
    7. Aprovação da nova Lei do Direito Autoral;
    8. Encerramento da ação impetrada pelos exibidores, indeferindo o pedido de inconstitucionalidade da cota de tela para exibição de filmes brasileiros para salas de cinema;
    9. Prorrogação do período de vigência da Lei do Audiovisual e a ampliação de seus mecanismos para pequenas e médias empresas; micro empreendedores individuais e pessoas físicas;
    10. Inclusão das políticas públicas voltadas ao fortalecimento das pequenas e médias empresas produtoras no âmbito do Plano de Diretrizes e Metas (PDM), aprovado pelo Conselho Superior de Cinema;
    11. Desburocratização dos trâmites administrativos da ANCINE – Agência Nacional do Cinema;
    12. Ampliação do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da ANCINE/ BRDE com linhas de investimento voltadas para projetos não comerciais e autorais;
    13. Isenção tributária da importação de equipamentos e softwares, no setor produtivo, para pequenas e médias empresas;
    14. Criação de uma política mais clara em defesa da diversidade cultural específica para o audiovisual;
    15. Inclusão da modalidade fílmica documentário na linha de financiamento para filmes de linguagem inovadora e relevância artística (PRODECINE 5);
    16. Fortalecimento da Secretaria do Audiovisual, tanto no que se refere à formulação das políticas públicas voltadas para o cinema independente brasileiro, quanto ao seu poder de fomento, com atenção ao CTAv e à Cinemateca Brasileira;
    17. Retomada do DocTV e fortalecimento dos programas Cine Mais Cultura e Olhar Brasil (Núcleos de Produção Digital) e outros programas e ações de fomento outrora protagonizados pela SAv/MinC, como o apoio ao circuito de festivais e mostras;
    18. Reformulação dos procedimentos de inclusão de representantes da sociedade civil do audiovisual brasileiro no Conselho Curador da EBC e Conselho Superior de Cinema;
    19. Participação nas instâncias de debate e implementação da Lei 13.006/2014, que garante a exibição de conteúdo brasileiro em todas as escolas;
    20. Ampliação da discussão sobre a digitalização do parque exibidor brasileiro, para que evitemos o monopólio do setor e possamos garantir a participação da produção independente do Brasil;
    21. Aplicação de recursos para implementação definitiva do Mercosul Audiovisual;
    22. Expansão da produção independe brasileira, através de políticas de incentivo a co-produções e co-distribuições internacionais, fomentando a participação dos produtores, realizadores e distribuidores em mercados, feiras e festivais no Brasil e no exterior;
    23. Criação de um sistema de monitoramento e avaliação das políticas públicas de internacionalização do audiovisual;
    24. Retomada do processo de implementação de um amplo circuito de salas de exibição pública em todo o território brasileiro, com tecnologia brasileira;
    25. Criação de uma plataforma pública de Video On Demand para o cinema nacional e latino americano;
    26. Retomada da política de difusão audiovisual realizada pela Programadora Brasil, especialmente em plataformas digitais de amplo acesso e distribuição comercial e não comercial;
    27. Aplicação da Condecine para empresas estrangeiras de Internet como Google, Facebook e YouTube; para produtos audiovisuais estrangeiros licenciados que se utilizam de personagens e dispositivos técnicos de conteúdo audiovisual; para a veiculação de publicidade em canais estrangeiros de TV a cabo; para games importando-se seus consoles e periféricos; para empresas jornalísticas e outros veículos de comunicação que veiculam ou se utilizam de vídeos institucionais, material publicitário, jornalístico, dentre outros;
    28. Taxação progressiva para filmes que sejam lançados a partir de 50 salas;
    29. Revisão e ampliação dos Programa Cinema Perto de Você, da ANCINE / BNDES;
    30. Criação de contrapartidas a serem cumpridas pelas empresas que se utilizam das vantagens do Recine (Regime Especial de Isenção Fiscal de Empresas Exibidoras de Cinema), voltadas para a produção do cinema independente brasileiro;
    31. Criação de uma linha de crédito para desenvolvimento e pesquisa tecnológica brasileira para o setor audiovisual;
    32. Regulamentação dos 15% dos recursos do FSA não retornáveis destinados ao audiovisual cultural;
    33. Ampliação das políticas de pesquisa e preservação do audiovisual, por meio de uma regionalização das ações.

     

    Brasília, 21 de setembro de 2014.

     

    Subscrevemos,

     

    1. Congresso Brasileiro de Cinema
    2. Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas–metragistas – ABD Nacional
    3. Associação Brasileira de Críticos de Cinema – ABRACCINE
    4. Associação Baiana de Cinema e Vídeo – ABD – BA
    5. Associação Brasileira de Cineastas – ABRACI
    6. Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas de Roraima – ABDeC-RR
    7. Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas–metragistas do Espírito Santo – ABD Capixaba
    8. Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas–metragistas do Mato Grosso do Sul – ACV-MS
    9. ABD RJ – Audiovisual Independente
    10. Associação Curta Minas/ABD-MG
    11. Associação das Produtoras Brasileiras de Audiovisual – ABPA
    12. Associação dos Produtores e Cineastas da Bahia – APCBahia
    13. Associação de Produtores e Cineastas Norte e Nordeste – APCNN
    14. Associação de Difusão Cultural de Atibaia
    15. Associação Brasileira de Propriedade Intelectual dos Jornalistas – APIJOR
    16. Associação dos Roteiristas de Televisão e Outros Veículos de Comunicação – AR
    17. Associação Pernambucana de Cineastas – ABD PE – APECI
    18. Associação Espaço Cultural Diálogos do Sul
    19. Associação de Cinema e Vïdeo do Paraná – AVEC-PR
    20. Aroma Filmes
    21. Arquipélago Ltda
    22. Associação de Filmes de Quintal
    23. Atos Central de Imagens
    24. Boteco Cinematográfico – Produtora/RJ
    25. Capicua Filmes
    26. Catavento Filmes
    27. Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – CPCB
    28. Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos – SP
    29. Cia Atos e Atores – RJ
    30. Cidadela – Arte, Cultura e Cidadania – RJ
    31. Cine Alto Moura – PE
    32. Cine Chinelo no Pé – Recife-PE
    33. Cineclube Amoeda Digilat – Recife-PE
    34. Cineclube Atlântico Negro – RJ
    35. Cineclube Casa Curta-SE
    36. Cineclube Gavião – DF
    37. Cineclube Lua Banguela – RJ
    38. Cinema da UFPE
    39. Cinema de Garagem
    40. Cinema no Interior – Instituto de Pesquisa e Produção Audiovisual
    41. Cinema Petisco – Produtora/RJ
    42. Cinema Vitória – SE
    43. Cinemateca Catarinense – ABD-SC
    44. Cineramabc – Festival Internacional de Cinema em Balneário Camburiú
    45. Colegiado de Audiovisual de Brasília e DF
    46. Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – CNC
    47. Curta o Curta
    48. Curta Canoa
    49. Curta-SE – Festival Iberoamericano de Cinema
    50. Difusão Cineclube – Atibaia / SP
    51. Difusão Cineaclube – Itapetinga / BA
    52. Difusão Cineaclube – Caatiba / BA
    53. Elaine Soares de Azevedo – produtora
    54. FACA – Frente Aberta do Audiovisual – PR
    55. Fazendo Milagres Cineclube – Olinda/PE
    56. Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC
    57. Federação Internacional de Cineclubes
    58. Festival Curta Cinema
    59. FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino
    60. Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual – SP
    61. Festival Internacional de Filmes Curtíssimos
    62. Frente Aberta do Audiovisual – PR
    63. Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual – FORCINE
    64. Fórum dos Festivais
    65. Horizonte Líquido Produções Culturais
    66. Instituto Cultural Cinema Brasil – Fórum CINEMABRASIL
    67. Instituto Delta Zero para o Desenvolvimento da Economia Criativa
    68. Jura Filmes
    69. ML Produções
    70. Mostra Agrícola de Cinema Orgânico – MACO
    71. Mostra Cine Latino Americano de Brasília
    72. Mostra de Cinema de Gostoso
    73. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis
    74. Mostra do Filme Livre – MFL
    75. Mostra Internacional de Filmes de Montanha
    76. Núcleo de Produção Orlando Vieira – SE
    77. Observatório Cineaclubista
    78. Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades
    79. Rede de Inovação Audiovisual – RIAV
    80. Sociedade Brasileira de e Estudos de Cinema e Audiovisual – SOCINE
    81. TV Cidade Livre – Canal Comunitário – SP
    82. União de Cineclubes da Bahia
    83. União dos Cineclubes do Distrito Federal e Entorno – UCDF
    84. União Nacional da Infraestrutura Cinematográfica – UNINFRA
    85. Adriano De Angelis – Produtor de TV
    86. Alexandre Costa – Produtor
    87. Alexandre Figueiroa – professor, crítico e pesquisador
    88. Alexandre Pires Cavalcanti- Imago Filmes
    89. Amanda Ramos – Produtora Cultural e Cineclubista
    90. Analice Araújo de Souza – Produtora e Cineclubista
    91. Antonio Claudino de Jesus – Presidente da Federação Internacional de Cineclubes
    92. Ana Arruda Neiva Marques – Cineclubista, Produtora e Programadora
    93. Ana Johann
    94. Ana Paula Barbosa Abreu – Imago Filmes
    95. Andréa Mota – Produtora e educadora
    96. Anna Karina de Carvalho – Exibidora e Produtora
    97. Antonio Martedal – Produtor
    98. Armando Lacerda – Cineasta
    99. Bethânia Glória – Catavento Filmes
    100. Breno Farhat Assunção Souza – cinegrafista
    101. Bruno Figueiredo Nina – Ator
    102. Bruno Torres – Ator e Cineasta
    103. Calebe Augusto Pimentel – Documentarista e Produtor Cultural
    104. Carol Martins – Produtora
    105. Cavi Borges – Produtor e Cineasta
    106. Cecília Souto Maior – Maria Bicuda Soluções Criativas e Audiovisual
    107. Clara Angélica – produtora (Bondosa Terra)
    108. Cláudio Assis – Cineasta
    109. Cláudio Chaves Lavôr
    110. Claudino de Jesus
    111. Cleiton Costa de Souza – Professor e Cineclubista
    112. Clementino Junior
    113. Conceição Senna – Atriz e Produtora
    114. Denise Andrade – Cineasta
    115. Diego Benevides – Crítico de Cinema
    116. Eber Novo – Editor de TV
    117. Edson Ferreira – Cineasta, Roteirista e Ator / ES
    118. Edu Fernandes – Crítico de Cinema
    119. Elizabeth Formaggini – Documentarista
    120. Erika Bauer – Cineasta
    121. Fabiano Canosa
    122. Felipe Peres Calheiros – Coletivo Asterisco
    123. Fernando Valadares – Músico e Cineclubista
    124. Francisco de Paula Castro Neto, artista audiovisual independente
    125. Frederico Neto – Produtor e Realizador
    126. Gabi Saegesser – diretora e produtora (Coletivo Aogue)
    127. Gabriela Saldanha – Professora e Cineclubista
    128. Gê Carvalho – Produtor e Cineclubista
    129. Gleciara de Aguiar Ramos – Cineclubista
    130. Gustavo Almeida – produtor
    131. Guto Pasko
    132. Hilton Lacerda – Roteirista e Cineasta
    133. Indaiá Freire – Produtora Cultural
    134. Isabella Cribari – Set Produções Audiovisuais
    135. Ismaelino Pinto – Crítico de Cinema
    136. Gilmar Ribeiro – Professor
    137. Giselia Lemos – Professora e Cineclubista
    138. Hamilton Cavalcanti – produtor
    139. Ivonete Pinto – Professora e Crítica de Cinema
    140. Jessica Candal – Realizadora e Educadora
    141. Joel Pizzini – Cineasta
    142. Joelma Paes – Produtora
    143. Jorge Bodanzki – Cineasta
    144. José Damata – Exibidor, Programador e Cineclubista
    145. Júlia Nogueira – Coordenadora de TV e Documentários – Camisa Listrada
    146. Karen Akerman – Cineasta
    147. Klayton Marinho – Documentarista
    148. Lúcio Aguiar – Produtor
    149. Luiz Giban – Cineasta
    150. Maeve Jinkings – Atriz
    151. Manfredo Caldas – Cineasta
    152. Mannuela Costa – professora e produtora (Plano 9)
    153. Marcela Cartaxo – Atriz e Cineasta
    154. Marcelo Ikeda – Professor e Cineasta
    155. Marcelo Pedroso – Cineasta
    156. Marcos Carvalho – Cineasta
    157. Marcos Manhães Marins – Cineasta
    158. Marcus Nascimento – Emvideo
    159. Maria Lopes – roteirista, diretora e produtora
    160. Maria Luiza Aboim – Realizadora
    161. Math Ali – Compositor
    162. Maurício Correa – produtor
    163. Mauro Lima – Produtor e Gestor Cultural
    164. Mendes Junior – Produtor
    165. Myrna Silveira Brandão
    166. Natália Lopes – mestranda em cinema e cineclubista (Fazendo Milagres Cineclube, Olinda-PE)
    167. Nicole Kubi
    168. Orlando Senna – Cineasta
    169. Pablo Feitosa – Cineclubista
    170. Pedro Severien – Cineasta
    171. Paulo Canabrava Filho – Jornalista e Escritor
    172. Paulo Carneiro da Cunha Filho
    173. Rachel Ellis – produtora (Desvia Produções)
    174. Renata Pinheiro
    175. Renato Flit – Cineclubista
    176. Renato Vallone – Montador e Realizador
    177. Ricardo Salles de Sá – Cineasta
    178. Roberta Garcia
    179. Roberto Milani – Crítico de Cinema
    180. Rodrigo Bouillet – Cineclubista
    181. Saskia Sá – Diretora e Produtora
    182. Séphora Silva – produtora e diretora (Arquicênicas Audiovisual)
    183. Sérgio Oliveira
    184. Sergio Uchoa de Lima – Ator e Produtor Audiovisual
    185. Sheila Campos – Atriz e Pesquisadora
    186. Silvia Roncador Borges – Professora e Cineclubista
    187. Solange Stecz – Pesquisadora
    188. Stella Zimmerman – produtora
    189. Synara Veras de Araújo – Educadora Jurídica e Cineclubista
    190. Taciana Portela – produtora
    191. Tatiana Mitre – produtora
    192. Vitor Sarno – Cineclubista
    193. Viviane Ayres – Produtora
    194. Viviane Calasaens – Professora e Cineclubista
    195. Yanara Galvão – cineclubista
    196. Zé Cahue – Maria Bicuda Soluções Criativas e Audiovisual

    Diretoria do Congresso Brasileiro de Cinema, eleita na assembleia realizada no dia 20 de setembro de 2014, na cidade de Brasília:

    Presidente:

    Frederico Cardoso (ABD/RJ)

    Vice-presidente:

    Carem Cristini Nobre de Abreu (APBA/MG)

    Tesoureiro:

    Guilherme Whitaker (Fórum dos Festivais/RJ)

    Diretores:

    Carla Osório (ABD/ES);

    Solange Straube Stecz (CPBC/PR);

    André Dib (ABRACINE/PE);

    Norlan Souza da Silva (ABCV/DF);

    Conselho Fiscal:

    Carolina Paiva (ABRACI/RJ)

    Rubens Rewald (APACI/SP)

    Roger Madruga (APBA/DF)

    Conselho Consultivo

    Sylvia Palma (AR/RJ)

    André Gatti (SOCINE/SP)

    Solange Lima (APC/BA)

    Orlado Bomfim (ABD/ES)

    André Leão (ABDN/DF)

    Leopoldo Nunes (CBC/DF)

    Afonso Galindo (APCNN/PA)

    João Castelo Branco (AVEC/PR)

    Antonio Leal (Fórum dos Festivais/RJ)

    CONSELHEIROS CONVIDADOS Geraldo Moraes, Rosemberg Cariry, João Batista Pimentel Neto, Edina Fujii, Sivio Da-Rin, Cícero Aragon, Paulo Canna Brava, Tuna Espinheira, Carlos Brandão, Cesar Cavalcanti e Luciana Rodrigues

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  • 1110 Tons de cinza : notas sobre a ocupação do mercado e a mexicanização dos circuitos de salas de cinema no Brasil

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    Em cada país ou em escala internacional , o capital exerce pressão para fora, a partir do centro – em outras palavras, seus lugares históricos de origem – para a periferia. Ele tenta continuamente estender-se em novos domínios, converter setores de reprodução simples de mercadorias, em novas esferas de produção capitalista de mercadorias, suplantar, pela produção de mercadorias que até então só produziam valores de uso. O grau em que este processo continua a ocorrer, ainda hoje, perante nossos olhos, nos países altamente industrializados, é exemplificado pela expansão, nas duas últimas décadas, das indústrias que produzem refeições prontas para servir, máquinas distribuidoras de bebidas e assim por diante. (Mandel, Ernest In O capitalismo tardio. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p.31)

    Mais recentemente, houve uma polêmica acesa no ambiente cinematográfico-audiovisual brasileiro, por ocasião do lançamento do filme Cinquenta tons de cinza , que entrou em 1110 salas, com apenas 237 cópias, num aparente desrespeito ao que esta disposto no Decreto n.o 8.386/2014 . Esta estratégia mercadológica rendeu a empresa Universal um faturamento da ordem de R$ 38 milhões para um público de 2.857.766, segundo os dados do Boletim Filme B n.o 900. Por isso, a atualidade do pensamento do crítico Paulo Emilio Salles Gomes, que no seu seminal texto Cinema: trajetória no subdesenvolvimento (1996) desenvolveu as teses sobre a situação colonial do cinema no Brasil, onde ele afirma que o subdesenvolvimento não é um estágio, mas sim um estado (1996, p. 85). Talvez as teses sobre o subdesenvolvimento não sejam as mais adequadas para entender o atual estágio civilizatório em que nos encontramos, mas, elas ainda se sustentam em alguns setores da atividade econômica e cultural no Brasil. Afinal, somos um gigante que acordou, como otimisticamente anunciava a propaganda do uísque do João Andarilho? E, claro estamos entre as 10 maiores economias do mundo. Um apetitoso mercado em ritmada contínuo de expansão, durante um período de 10 anos (2003-2012). Agregou-se uma Argentina ao consumo de bens e serviços tradicionais, onde o audiovisual pode alcançar uma parte deste quinhão.

    Entretanto, precisamos recuar um pouco no tempo, com a finalidade de entender a verdadeira dimensão do problema da ocupação cultural cinematográfica e audiovisual que estamos presenciando no espaço mercadológico ecrânico nacional. Este que tem se caracterizado como um terreno descampado que permite ao ocupante uma mobilidade que o mesmo desconhece na sua pátria-mãe, mesmo sabendo que o capital não tem pátria, mas os filmes têm, felizmente. A ocupação do mercado audiovisual brasileiro tem se dado de maneira horizontal e vertical de maneira sistêmica desde sempre. Esta situação subordinou a produção nacional ao ritmo imposto pelas grandes corporações que controlam a produção e a circulação dos conteúdos em escala global. Na verdade, desde os anos 90, os mercados de sala de cinema, home vídeo, Tv paga, Pay-per-view, games, Internet e outros são grandes fornecedores de conteúdo importado. O que de fato acontece é que estes produtos chegam ao nosso mercado praticamente sem nenhuma barreira de defesa da produção brasileira propriamente dita. Mesmo em mercados altamente regulados, como a China, por exemplo, a presença das empresas transnacionais do audiovisual apresenta um efeito devastador, o que tem gerado inclusive ruídos na harmônica relação diplomática sino-estadunidense. Basta lembrar o caso Homem de Ferro 3, mais recentemente, onde os chineses resolveram não enviar uma parte dos lucros que o filme tinha gerado por ocasião do seu lançamento na China .

                      Na verdade esta ocupação vem desde a introdução da invenção do cinema no Brasil, ou seja, desde passagem do Sec. XIX para o XX e aí está até hoje. O mercado de exibição cinematográfico desde então vem sendo ocupado por filmes das empresas estrangeiras e/ou seus representantes aqui localizados. Para se ter uma pálida ideia desta situação colonial, a empresa cinematográfica mais antiga em atividade em solo brasileiro é a Fox Films, que aqui se instalou há exatamente 100 anos atrás, onde permanece em larga atividade presentemente. Basta notar que em 2014, a Fox , ou melhor, os seus filmes faturaram a bagatela de R$ 446.258.961,00 maior arrecadação já registrada na história comercial do cinema no Brasil. O montante representa mais que o dobro do faturamento de todo o cinema brasileiro no mesmo período. Estes são os dados inegáveis da ocupação que tem se dado embaixo dos nossos narizes, faz mais de um século. O fato é que sem uma estratégia de enfrentamento direto com o cinema do ocupante, jamais teremos uma atividade de entretenimento fílmico livre da tutela do Estado e autonimizada, dentro das regras do jogo do capitalismo contemporâneo. Isto mesmo num momento como este em que nunca se produziu na historia, em tal escala. Mas, mesmo assim, não se deve esquecer o fato de que a nossa produção média é baixa em quantidade e em qualidade, isto em comparação com o produto estrangeiro que aqui aporta.

    O nosso mercado de salas consome, nas atuais condições, em média, uns 350 filmes por ano. Em outras épocas, com o número de salas que temos hoje, tínhamos quase o dobro de filmes em exibição nas salas. O efeito concentracionista nunca foi tão palpável como hoje se encontra. Portanto, em tese, nas atuais condições, não adiantaria em nada o mercado ter mais salas de cinema, pois o número de filmes exibidos comercialmente nas salas de cinema permanecerá, praticamente, o mesmo. Precisamos de uma regulação mais ordenadora do mercado já, claro que de uma maneira racional, para que o mercado venha mantendo os níveis de crescimento alcançados anteriormente. Neste cenário, o cinema hegemônico e as suas distribuidoras adquiriram um protagonismo em nível preocupante. Isto se deve a várias questões, pois não podemos nos furtar o fato de que pesa uma inabilidade histórica em garantir o espaço para a produção brasileira e, com isso, garantir uma diversidade de programação, que venha a contribuir para a construção de uma cinefilia universalizante e rica, sob o ponto de vista cultural e artístico. Isto porque hoje, praticamente, todos os países do mundo produzem conteúdo audiovisual. O discurso da diversidade cultural precisa voltar à cena, esta parece uma política que teria uma clara postura anti-hegemônica de caráter globalizante.

                      Além desta questão do subdesenvolvimento, existe um dado novo, que seria uma clara mexicanização do mercado cinematográfico brasileiro. Explicando melhor, por exemplo, um blockbuster anteriormente, nos anos 1990, lançado por uma empresa major ou candidata ao posto, era lançado de maneira simultânea em três países, estes que eram vistos como um único mercado, ou seja, os EUA, México e Canadá. O que se percebe é o fato de que de maneira lenta, mas gradual, o mercado cinematográfico do Brasil está se integrando a este mecanismo de lançamento splah de maneira transcontinental. Pois, não temos uma janela de quarentena para isolar estes mamutes cinematográficos, como tem a França, por exemplo. Na realidade, o mercado de sala já se encontra plenamente mexicanizado, basta ver que três empresas detêm mais de 60% da receita total do arrecadado nas bilheterias, entre elas, não por acaso uma mexicana, a Cinepólis que em cinco anos já se tornou o segundo maior exibidor, superando Severiano Ribeiro, que em 1917 completará 100 anos de atividade.

    Outra questão que rebate de maneira bastante imperiosa é o fator tecnológico, ou seja a digitalização da exibição que se encontra amarrada aos esquemas draconianos de VPF que foram mal mimetizados pelos agentes audiovisuais brasileiros. Neste cenário, onde muitos destes agentes se encontram numa verdadeira sinuca de bico, há um grande clima de incerteza. Isto porque muitos pequenos e médios exibidores estão vivendo um verdadeiro processo de estrangulamento financeiro e operacional, a despeito dos esforços da Ancine, pelo seu braço armado, o programa Cinema Perto de Você. Não se pode esquecer que tanto a Cinemark quanto a Cinepólis, atualmente as duas maiores exibidoras em atividade no Brasil, fizeram seus contratos de VPF diretamente com as empresas da MPAA, nas suas matrizes. O que se nota é que a exibição digital padrão DCI virá varrer os pequenos e médios exibidores que não conseguirem se adequar a tal sistema imposto pelas majors. Pois, as grandes empresas já se adequaram ao DCI, como é o caso da citada Cinépolis já operando a algum tempo de maneira totalmente digital e a Cinemark caminhando a passos largos para tal objetivo.

    André Piero Gatti

    apgatti@gmail.com

    Todos os direitos liberados

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  • FILME NÃO EXIBIDO, É OBRA MORTA

    André Gatti

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Por André Gatti, Professor da FAAP, Membro da SOCINE e

    Conselheiro do CBC

    Vou comentar o texto distribuidor Bruno Wainer, que foi criador da Lumière e é proprietário da Downtown, distribuidora exclusiva de filmes brasileiros. O texto intitulado A falsa guerra do cinema brasileiro, publicado na Folha de São Paulo em 26/09/2014.

    Ele fala da velha guerra entre o cinema comercial e o não comercial. Ao abrir este texto com este chavão , sou obrigado a divagar um pouco, inclusive fazendo um certo retrospecto histórico dos fatos.

    O cinema e o filme enquanto objeto apresentam radical caraterísticas, ele é arte e indústria, o filme é produto e artefato cultural/artístico. Isto tem que ser entendido em toda a sua extensão. Esta dualidade, entendo ser esta a riqueza do nosso objeto,

    Se o cinema é arte e indústria, a partir desta dualidade temos que enxergar a questão , sob a lógica que são dois pilares quase que antagônicos entre si, mas, é dentro deste antagonismo que tem que se pensar uma política para o setor.

    E quando me refiro a isto quero dizer que uma entidade que nem a nossa precisa trabalhar no sentido de harmonizar estes interesses e campos de conflito. Acho que está é uma bandeira que podemos ter como proposta de legitimidade da entidade, fora disto, é jogar a coisa num gueto, onde o estado das coisas beira o insuportável. isto devido a uma esquizofrenia crônica que o conjunto da ópera nos trouxe. ou seja, ao aprestarmos, o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), como representante do cinema cultural….Qual CBC queremos? A esta questão que deveremos discutir no nosso próximo Congresso.

    Na realidade, esta guerra que o Bruno Wainer comenta vem de longa data, nem sempre com as mesmas letras que estão hoje apresentadas. O primeiro organismo estatal do setor foi o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) com a sua vocação de cinema educativo, ideologicamente amparado em um decreto é uma lei, mas, principalmente no Decreto 21.240/32, que reorganizava o Ministério da Educação e Saúde. Os 13 artigos dedicados ao cinema nesta legislação foram uma conquista da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos (ABPC), que realizou o verdadeiro primeiro Congresso do setor e que foi responsável em pautar o texto do Decreto, junto à burocracia estatal varguista que reorganizava o aparelho estatal brasileiro.

    O decreto instituiu a taxa cinematográfica para a educação popular”, primeira taxa cinematográfica para fonte de recursos do INCE e que seria organizado em 1936 e que seria definitivamente implantado somente em1937. Portanto, o INCE é a base sólida do cinema cultural, por excelência, somos uma velha tradição do cinema brasileiro, onde o Estado foi o principal protagonista. Isto precisamos colocar na nossa pauta política. Esta questão não pode ser escamoteada da forma como estão sendo colocada.

    O queixume sobre a distribuição apoiada na fala do Klotzel, replicado pelo Bruno Wainer, parece-me totalmente desfocado, quando Klotzel chora a perda do protagonismo para as distribuidoras e Bruno Wainer claramente aposta nisto. Acho que devemos sim criticar os excessos provocados inclusive pelo art. 3 da Lei do Audiovisual. E, que os distribuidores brasileiros conseguiram reverter com os recursos do Funcines/BNDES e do FSA/ANCINE.

    O que me constrange no referido texto é que um filme comercial tem que ser distribuído em pelo menos 100 salas, o que me parece que não caracterizaria como comerciais filmes do tipo O som ao redor, Hoje eu quero voltar sozinho, Cine Roliudi, Bezerra de Menezes , onde tem filmes inclusive distribuídos pela Downtown.

    Depois, uma distribuidora que ano passado vendeu mais de 17 milhões de ingressos e mais de 50 na sua carreira comercial, em um sistema meritocrático deveria contar com outros esquemas de incentive, como o Prêmio Adicional de Renda.

    Numa economia de mercado, a distribuição é um ponto chave que não pode absolutamente ser desprezado. Os realizadores têm que achar novas maneiras de distribuição dos seus filmes. O slogan para este período é: Exiba ou morra. Numa era exponencial para a produção, o filme não exibido, é obra morta.

     

     

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