Dia 2:57

  • Boletim APTC – ABD/RS

    Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos

    Porto Alegre, setembro de 2010.

    Boletim 94


    8° CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

    “Queremos o cinema e o audiovisual como atividade plenamente sustentável, inovadora, consistente cultural e economicamente e acessível a toda população brasileira.”

    Trecho da Carta de Porto Alegre, aprovada pelo 8° CBC.

    Em época de revolução tecnológica, convergência digital, transmídia, novas mídias e grandes expectativas realizou-se em Porto Alegre, entre 12 e 15 de Setembro, o 8° Congresso Brasileiro de Cinema que segundo dados da organização, reuniu em nossa cidade 380 representantes de 64 entidades dos diversos segmentos das cadeias produtiva e criativa do cinema e do audiovisual dos 27 estados brasileiros na intenção de se avaliar os desafios que representam esta nova perspectiva na produção audiovisual e cinematográfica no país. Durante esses quatro dias discutiu-se os novos rumos que tomaremos em tempos de economia da cultura e mercado, enfim vários temas inovadores e polêmicos que foram divididos em 6 grupos de trabalho: GT1 – Infra-estrutura e Produção, GT2 – Distribuição, Exibição e Difusão Cultural, GT3 – Formação, Pesquisa, Preservação e Crítica, GT4 – TVs, Novas Mídias e Convergências Digitais, GT5 – Direito Autoral, Direitos do Público e Gestão Coletiva, GT6- Políticas Públicas, Arranjos Produtivos e Ações Estratégicas; onde se retirou por consenso, 5 propostas para cada tema. Aos grupos se seguiram os painéis temáticos de discussão sobre cada um destes assuntos prioritários para o desenvolvimento da atividade audiovisual dentro de uma nova contextualização, com participação expressiva das representações de classe e produtores/realizadores, bem como do Ministério da Cultura, da Secretaria do Audiovisual ( SAV ) na figura do novo secretário Nilton Cannito e da ANCINE que mais uma vez reforça sua postura de diálogo e colaboração para o desenvolvimento da industria audiovisual brasileira. O encerramento do evento resultou na aprovação unânime da Carta de Porto Alegre, documento que representa as expectativas de nossa classe para o novo momento que se desenrola, baseadas das propostas dos grupos de trabalhos. O conteúdo na íntegra pode ser acessado em http://culturadigital.br/cbcinema e já possui o apoio de mais de 150 entidades. Ou pelo facebook www.facebook.com/pages/CBC-Congresso-Brasileiro-de-Cinema.

    A importância da realização deste evento na cidade de Porto Alegre, lembrando o histórico 3° CBC, realizado também na cidade em 2000, 10 anos atrás, faz renascer em muitos de nós, realizadores locais, a chama de um passado em que nosso estado era referência na produção cinematográfica e a esperança de que dias melhores virão. O evento organizado pela FUNDACINE RS foi motivo de orgulho e cabe aqui o agradecimento a esta entidade pelo esforço de trazer  novamente o CBC para o sul, tão esquecido e abandonado pelas politicas estaduais de incentivo. A profunda avaliação do momento atual e de um futuro promissor para a atividade propiciada pelo encontro, junto à possibilidade de trocas e conhecimentos nestes dias de convivência com colegas de todo o país, do centro, do norte e do nordeste, sem dúvida nos faz pensar sobre os rumos que tomará nossa cada vez mais diminuta produção local, frente aos avanços que o restante do pais já alcançou. Num momento de grandes expectativas e maiores empreendimentos, em que posição estamos realmente nos colocando frente às gigantescas possibilidades que se abrem para a produção audiovisual? Creio que vale à pena a classe realizadora audiovisual do Rio Grande do Sul também discutir seus rumos e tomar posição, ou cada vez mais ficaremos  na memória do passado e na expectativa de um novo CBC que nos integre à realidade do pais.

    O audiovisual e as novas mídias em debate

    No dia 23 de outubro, no Santander Cultural, teve início o seminário Tempos de Transição, com reflexões sobre a política e mercado audiovisual no contexto das novas mídias. O evento faz parte das comemorações dos 25 anos da APTC.

    Pela manhã, Leandro Valiatti apresentou um estudo sobre a economia do audiovisual, a partir da pesquisa que tem desenvolvido sobre Economia da Cultura na UFRGS. Ao seu lado, Daniela Pfeiffer conversou sobre as possibilidades de distribuição de conteúdos audiovisuais na internet, a partir da experiência da Elo Company, com a EloChannels – canais temáticos de televisão, criados e gerenciados pela empresa –, via internet.

    À tarde foi a vez de Michel Tikhomiroff, da Mixer, e André Deak, da Fli Multimídia se encontrarem para discutir o tema Novas mídias, um novo mercado? Como chegar ao público no mundo digital. Michel apresentou alguns cases que estão em desenvolvimento na Mixer e envolvem o uso de mais de uma mídia, seja no caso de publicidade ou no caso de séries de TV. Ele também conversou sobre as tendências atuais da publicidade, que cada vez mais está buscando referência na realidade e trabalhando com depoimentos documentais. André Deak fez uma exposição sobre as possibilidades de exploração das novas mídias não só como meios secundários de distribuição de conteúdos, mas também como meios principais de projetos.

    Todos os palestrantes reafirmaram a importância da discussão. Segundo eles, o nome – Tempos de Transição – não poderia ser mais adequado ao debate, já que vivemos em uma época em que muitas possibilidades estão colocadas para serem usadas e testadas, mas não se tem ainda dados precisos dos retornos buscados.

    Os slideshows utilizados por Daniela Pfeffeir e por André Deak estão disponíveis para download, respectivamente, nos seguintes endereços: http://www.elocompany.com/poupup_noticias.php?ID=115 e http://www.jornalismodigital.org/2010/09/tempos-de-transicao/.

    O seminário Tempos de Transição terá mais duas edições, uma no dia 19 de outubro e outra no dia 6 de novembro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail aptc25anos@okna.com.br.

    Acompanhe mais informações sobre os próximos encontros e assista trechos dos seminários (EM BREVE) através do site da APTC: www.aptc.org.br

    Fórum Entre Fronteiras e a estréia de Histórias de Integração d Nossos Povos

    No dia 24 de setembro, às 20h30min, no Complexo Cultural Guido Miranda, em Resistência, Argentina, aconteceu a estréia da série documental Parcerias Entre Fronteiras, durante o encerramento da 7ª Semana de Cine Nacional Lapacho. A noite começou com muitas expectativas em relação a estréia dos documentários, e seguiu com aplausos, risos e emoção durante a projeção dos filmes Jesarekó, do Paraguai; Causos e Cuentos de Fronteira, do Brasil; La fronteira de Misiones e Riberas do Chaco, da Argentina. Os documentários abordam histórias de fronteiras, onde os protagonistas são as pessoas que vivem na região e seus relatos à cerca dessa realidade.  Quatro documentários com visões bem distintas e plurais sobre a fronteira, o que mostra a diversidade cultural das fronteiras territoriais.

    Parcerias Entre Fronteiras – Histórias de Integração de Nossos Povos é um projeto impulsionado pelo Fórum Entre Fronteiras, uma organização que reúne realizadores audiovisuais do NEA Litoral Argentino, Paraguai e Sul do Brasil. Esta organização trabalha desde 2007 no desenvolvimento audiovisual na região, cujo objetivo principal é a diminuição de assimetrias com os grandes pólos de produção. Seu caráter itinerante e a horizontalidade na tomada de decisões, permite que as 14 organizações que lhe compõe tenham laços realmente democráticos e plurais. O Fórum trabalha agora para lançar o edital de uma série de ficção e incorporar entidades do Uruguai.
    Riberas, do chaquenho Arturo Fabiani, mostra a filosofia existencial de Alfonso Lezcano, um músico que ensina meninos e jovens de Pilar, Paraguai, a resgatar as origens de sua cultura através da revalorização da sua tradição musical.  Por meio da figura de Alfonso vemos a convivência  dos países depois da Guerra da Tríplice Aliança,  as fricções da atualidade, a discriminação, e a viagem à Argentina em busca de atenção médica, a música compartilhada.

    La fronteira, do missioneiro Lucho Bernal, nos mostra a estranheza dos povos que vivem divididos (e unidos) somente por uma rua: a fronteira seca entre Bernardo de Irigoyen e Dionisio Cerqueira. Através de relatos cheios de humor, tempos rápidos e uma colorida fotografia, vemos o contrabando naturalizado, a paixão pelo futebol, a penetração cultural e idiomática e a convivência dos povos.

    Jesarekó significa em guaraní, entre outras coisas, reflexo. Este documentário, dirigido pelo paraguaio Gerardo Jara, retrata através do relato de seus protagonistas a vida de um paraguaio, que vive na zona portuária e cruza a fronteira diariamente onde realiza a venda de comida; e a de um argentino que dedica sua vida a estiva e trabalha arduamente dia após dia na costa; abordamos uma reflexão sobre a diversidade e a comunidade da vida em uma fronteira.
    Causos e cuentos de fronteira, da brasileira Francieli Rebelatto, é uma aproximação antropológica aos contadores de história da  fronteira. Em uma  região solitária e rural  que convergem Argentina, Brasil e Uruguai, estes contadores de histórias revivem a mitologia popular, um imaginário coletivo de fronteira. Com uma interessante busca fotográfica e a potência dos silêncios, este curta-metragem cruza limites políticos, estabelecendo vínculos de uma cultura comum de fronteira, por meio dessas histórias.

    Os documentários contaram com o financiamento do Instituto de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) da Argentina, e da  Secretaria do Audiovisual (SAV) do Brasil, também contou com o apoio de numerosas instituições dos três países. As equipes dos quatro documentários eram compostas por membros dos três países.

    Fundo de Inovação do Audiovisual

    Após ter conhecimento das linhas sugeridas pelo MINC para o Fundo de Inovação do Audiovisual, a APTC discutiu em reunião de diretoria as linhas apresentadas e chegou a algumas conclusões que serão encaminhadas a SAV em documento oficial.

    Seguem abaixo algumas observações:

    Ao contrário de outros fundos em outras áreas, o audiovisual tem dois fundos. O Setorial e o de Inovação. O Fundo de Inovação é um fundo diferente do FSA, administrado pela ANCINE, onde o objetivo principal é o de fazer o audiovisual brasileiro ser competitivo e chegar ao público. O Fundo de Inovação foi criado para  garantir e aprofundar o espaço de um cinema menos voltado ao sucesso comercial ou ao grande público e mais preocupado com o viés autoral, ao risco, a  temas e abordagens que podem ter mais dificuldade em atingir as grandes platéias, os diretores de marketing de empresas investidoras via Lei de Incentivo, ou os critérios mais comerciais do FSA.

    Parece que, através das linhas sugeridas, a SAV preocupou-se mais em espraiar os recursos do Fundo por um leque amplo de atividades do que em possibilitar aos realizadores um acesso a um fomento de reflexão e experimentação. Parece-nos que aumentar de maneira tão radical o escopo seria oportuno se os objetivos dos modelos atuais de fomento já estivessem consolidados. Mas a realidade de hoje  (embora muito melhor do que a de ontem)  ainda consiste numa situação em que cineastas com força de criação e competência comprovadas, se vêem obrigados a iniciar cada projeto quase do zero, em editais onde a demanda é tão absurdamente maior do que a verba que se torna quase uma loteria. Nesta realidade, aprofundar o impacto é mais importante que ampliar o escopo.

    Acreditamos que o Fundo deva ser inovador no seu modelo de financiamento, não compartimentando suas linhas pela duração/gênero e muito menos por temáticas pré- estabelecidas. Esta mescla de formatos por linha é que pode gerar um diferencial e riqueza para o objetivo do Fundo. E que os editais sejam substituídos por resoluções periódicas (algo semelhante ao modelo CNIC – Rouanet) que criem um fluxo continuo de fomento e permitam avaliar as demandas e reequilibrar as verbas entre as linhas, com cada projeto apresentando seu orçamento ao invés de somas fixas, como são os editais. Finalmente, todas as Linhas deveriam ter uma espécie de indutor regional ou de descentralização, na qual está calcada toda a argumentação da mudança da Lei.

    As propostas para as linhas de financiamento específicas podem ser encontradas no site da APTC: http://www.aptc.org.br/producao/fundo-de-inovacao-proposta-da-aptc/

    DOC TV
    Num primeiro momento a TVE RS anunciou que não iria aderir ao Doc TV 2010, porém o secretário da Cultura, Cezar Prestes, anuncia que conseguiu o dinheiro da contrapartida para a TVE e que, portanto, o Rio Grande do Sul, poderá participar do Concurso Doc Tv 2010. O edital deve sair em breve.

    FUMPROARTE

    A APTC, juntamente com o SATED/RS, o SINDIMUS/RS e a FITEDECA/SC-RS entregarão uma carta ao Secretário Municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, manifestando sua preocupação e solicitando explicações sobre o grave fato de que neste ano de 2010, excepcionalmente, não irá acontecer o 2º Edital do Fumproarte.

    O Concurso, que ao longo dos anos sedimentou-se e hoje é fonte de fomento indispensável para a realização de trabalhos independentes em todas as áreas da cultura da cidade, funcionou durante seus 16 anos sempre com dois Editais anuais.

    Ao invés de aprimorar e ampliar sua capacidade de financiamento, a SMC cortou este ano os recursos pela metade, já que os valores do Edital do 1º. Semestre, que ainda não foi concluído, foram os mesmos. A comunidade cultural que aguardava o Edital do segundo semestre foi pega de surpresa, e não há resposta até o momento sobre o destino dos recursos do segundo semestre, algo próximo dos 600 mil reais.

    Mostra Gaúcha – Prêmio Assembléia Legislativa de Cinema 35mm e Digital

    A APTC parabeniza a todos os vencedores e demais participantes da Mostra Gaúcha por apresentarem curtas de grande qualidade que compuseram uma das melhores programações dos últimos anos. Os vencedores foram:

    Melhor Filme: Um Animal Menor, de Pedro Harres e Marcos  Contreras

    Melhor Direção: William Meyer, por Eu e o cara da piscina

    Melhor Roteiro: Pedro Harres e Marcos Contreras, por Um animal Menor

    Melhor Fotografia: Bruno Polidoro, por Um animal menor e Peixe Vermelho

    Melhor Direção de Arte: Lívia Santos, por Eu e o cara da piscina

    Melhor Música: Jean Pierre Caron e Rafael Sarpa, por Peixe Vermelho

    Melhor Montagem: Denise Marchi, por Eu e o cara da piscina

    Melhor Edição de Som: Gabriela Bervian, por Peixe Vermelho

    Melhor Produtor/ Produtor Executivo: Ana Adams por Peixe Vermelho

    Melhor Ator: Fernando Mantelli, por  Limbo

    Melhor Atriz: Araci Esteves, por Maldita

    Seu Curta no Canal Brasil

    A APTC, através de uma iniciativa da ABD Nacional em parceria com o Canal Brasil, está participando da elaboração da Mostra ABD no Canal Brasil. No momento estamos pré-selecionando 5 (cinco) obras audiovisuais de até 30 minutos de duração, que possuam CPB que serão enviadas ao Canal Brasil para uma seleção final. As obras selecionadas receberão uma remuneração de R$ 900,00.

    Os interessados devem entrar em contato através do e-mail: aptcrs@yahoo.com.br até o dia 15 de outubro.

    Dia da Animação no Cineclube Gaia

    Nascido em novembro do ano passado, através de uma parceria entre o Programa Cine Mais Cultura do MinC e a APTC, o Cineclube Gaia já teve 36 sessões – todas elas gratuitas –  sendo 12 delas com conteúdo da Programadora Brasil, e tem uma média de 20 espectadores a cada exibição. Concebido a partir do Programa Cine Mais Cultura, o projeto tem como objetivo contribuir para a formação de plateias e desenvolver o pensamento crítico de pessoas que, em outras circunstâncias, não teriam acesso a conteúdos audiovisuais. O Cineclube também já realizou exibições para o Programa ProJovem – que terá outra sessão dia 15 de outubro.

    O público de Esteio também vai poder comemorar o Dia da Animação, que acontece no próximo dia 28 de outubro. O Cineclube Gaia, com apoio do Coletivo Tomada Rock e da prefeitura Municipal de Esteio, também entrou na programação que exibirá filmes do mundo inteiro. No ano passado o público chegou a 600 espectadores – 200 crianças por sessão aos risos e gargalhadas no apagar das luzes. O diferencial deste ano é que a programação inclui mostras para deficientes visuais e auditivos. A mostra oficial acontece no dia 28 de outubro, quinta-feira, às 19h30.

    Parcerias como essas têm sido essenciais para a divulgação do Cineclube: ong Unir Raças, Coletivo Tomada Rock, Coordenadoria da Juventude da Prefeitura, Projeto Todos pelo Planeta e Secretaria de Arte e Cultura já promoveram sessões no Cineclube.

    As sessões regulares do Cineclube Gaia ocorrem todas as sextas, às 20h, na Casa de Cultura Lufredina Araujo Gaya. O endereço é Rua Padre Felipe, 900, no Centro de Esteio.

    Novo Governo no RS

    Tarso Genro, do PT é eleito Governador do RS no primeiro turno. Vale aqui ressaltar que, durante a campanha, Tarso teve um encontro com os cineastas no Festival de Gramado e comprometeu-se, caso eleito fosse, a receber as entidades, antes mesmo de assumir o mandato. Propôs que, junto com a equipe dele, elaboraríamos um plano para o resgate do audiovisual gaúcho. A APTC parabeniza o governador eleito e já se coloca a disposição para continuar esta conversa iniciada em Gramado.

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