Nota de Pesar do CBC à Zózimo Bulbul

  • É com imensa tristeza e pesar que o CBC – Congresso Brasileiro de Cinema recebe a notícia do falecimento do companheiro Zózimo Bulbul, cuja paixão pelo cinema e pela cultura negra fez com que ocupasse lugar de destaque no cenário nacional e internacional. Misto de cineasta, ator e ativista, o diretor de “Abolição” e “Alma no Olho” sempre pensou o cinema como uma arma capaz de transformar a dura realidade que cerca a maioria da população de cor.

    Sua formação como ator se deu no curso regular de teatro do Tablado e, a partir de 1961, no Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE), importante núcleo da esquerda brasileira. Bulbul trabalhou como ator na televisão, no teatro e no cinema, tendo sido o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira, Vidas em Conflito, na qual formava com Leila Diniz o primeiro casal interracial da TV brasileira.

    PS: parte das informações contidas nesta nota foram retiradas da Revista Milímetros, em homenagem a Zózimo Bulbul, publicada pela ABD Capixaba.

    Logo no início da carreira, destacou-se em produções do Cinema Novo, dirigido por Leon Hirszman em sua estreia no cinema (em um dos episódios de Cinco Vezes Favela), Glauber Rocha (no clássico Terra em Transe) e Carlos Diegues (Ganga Zumba, Rei dos Palmares), entre outros. A partir daí começa a se interessar pela criação cinematográfica e co-produz o longa-metragem República da Traição, de Carlos Ebert. Sua estreia na direção, após a consagração como uma das mais influentes personalidades negras do país, deu-se em 1974 com o curta-metragem Alma no Olho, uma obra prima que trata do tráfico negreiros dos africanos para o Brasil e a situação dos negros no país. Premiado internacionalmente, o curta causou polêmica no país dos militares e foi a pressão da Ditadura Militar que levou o ator e cineasta para o auto exílio, primeiro em Nova York, depois em Paris.

    Ao retornar filma Dia de Alforria (1981), sobre o sambista Aniceto do Império. Posteriormente, o cineasta se dedica por sete anos de pesquisa em bibliotecas até realizar Abolição, seu primeiro e único longa-metragem, um apanhado de 150 minutos de entrevistas com importantes pensadores negros de todo o país. Este filme foi premiado no Festival de Brasília de 1988 pelo roteiro, pesquisa histórica e fotografia e vencedor como melhor documentário no Festival Latino-Americano de Nova York, em 1990.
    Atualmente, Zózimo vinha se dedicando através do Centro Afro de Cinema a realizar, ao lado de sua companheira Biza Viana, os Encontros de Cinema Negro Brasil, África, América e Caribe, que em 2012 chegou a sua sexta edição. Com um enorme reconhecimento em países como Burkina Faso, Angola, Cuba, Moçambique e Senegal, ele vinha atuando como um embaixador cultural, levando e trazendo produções cinematográficas com objetivos de mostrar e unir estes mundos.

    Zózimo parte nos deixando um legado de talento e fé num mundo melhor. Afinal, ele nos ensinou que negra é cor da Liberdade!

    CBC – CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA


    João Baptista Pimentel Neto
    Presidente do CBC Congresso Brasileiro de Cinema

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