Realizado pelo  Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Políticas Culturais (SPC), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do grupo INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, o programa Cidades Sensitivas irá desenvolver uma série de ações direcionadas a fornecer subsídios teóricos e práticos para a discussão do espaço público como lugar de expressão, o reconhecimento de dinâmicas sociais – especialmente as historicamente excluídas, e o debate das cidades enquanto espaço potente para experimentação de políticas públicas. O programa surge como desdobramento do programa piloto LabCEUs – Laboratórios de Cidades Sensitivas, buscando ampliar a pesquisa sobre o envolvimento das pessoas com os espaços urbanos, a partir do uso de tecnologias abertas.

Ações do programa Cidades Sensitivas:

– Chamada Pública para projetos de pesquisa e ação de 40 ocupações culturais em territórios urbanos. O processo será guiado por uma Consulta Pública online, tendo como objetivo reunir críticas, observações e sugestões para desenvolvimento dos itens da Chamada, a fim de adequá-la às reais necessidades dos que atuam com o tema Cultura e Cidades;

– Plataforma de código aberto, desenvolvida por bolsistas pesquisadores de sistemas de informação cultural para cadastro e cartografias de iniciativas e propostas de ações laboratoriais e práticas de ocupações criativas, para documentação das pesquisas, assim como para publicações de artigos;

– Eventos com sessões de apresentação de experiências, proposições de ideias e métodos, constituintes, encontros de plataformas, pesquisadores, redes e iniciativas culturais e urbanas;

– Publicação das pesquisas e ações do programa em diferentes formatos (livro impresso e e-book)

Cidades como laboratórios de experimentação de políticas públicas

Os laboratórios de Cidades Sensitivas têm como recorte o aprofundamento das ações de ocupações culturais para a construção de conhecimento através de experiências em tecnologias digitais e sistemas dinâmicos sociais dentro e fora dos equipamentos culturais. Esta prática visa a ampliação do sentido de viver as cidades onde as ruas e os equipamentos culturais se tornam plataformas abertas para a construção, o compartilhamento e a experimentação de ideias sustentáveis e de alterações sociais.

O sentido de Cidades Sensitivas prioriza a realidade aumentada do sentir e a fenomenologia das sensações, que busca enfatizar um Brasil agregador de culturas ancestrais, corporais e antropofágicas. Este sentido não conjectura com os modelo baseado em cidades inteligentes (smart cities) ou mesmo cidades sencientes (sentient cities). Cidades Sensitivas, em contraposição a essas terminologias, visa principalmente dialogar com as questões subjetivas que estas vem propondo à sociedade: O que as novas tecnologias significam para a cultura urbana e que impacto isso tem sobre como podemos moldar nossas identidades e nosso cotidiano?  Para além de uma mudança na filosofia da técnica, é também um ponto de vista prático para realização de mudanças sociais.

A questão qual cidade queremos? não está separada dos laços sociais, da natureza, das tecnologias, dos valores éticos e estéticos que desejamos. Nessa questão, percebe-se que modelos colaborativos associados ao desenvolvimento de tecnologias emergentes são ferramentas fundamentais para o enriquecimento cognitivo. Ao propor uma mobilização ampla através de ocupações de equipamentos culturais em várias regiões do Brasil, esta ação aspira criar interfaces para além de mapeamentos e experimentos, apontando também para inovações no desenvolvimento de nossas cidades e das pessoas envolvidas. O direito à cidade vai além da liberdade individual de acessar os recursos urbanos: trata-se do direito de transformar a si mesmos na transformação da cidade.

Para isso, é fundamental que tais laboratórios se conectem não só com a Internet, mas também com a cidade – assimilada como ferramenta de conhecimento e observada como um organismo complexo de pessoas, máquinas e naturezas. Portanto, para aprofundar a prática e metodologias das Cidades Sensitivas, é primordial que as ações não estejam limitadas a espaços e computadores. Estas ocupações devem operar como hubs deste sistema operacional vivo e possibilitar a produção de instrumentos potentes na apropriação tecnológica e no desenvolvimento de inovações para a transformação social.

A ação Cidades Sensitivas tem como missão a promoção de políticas de cidadania através do urbanismo emergente, da inovação tecnológica e das interações sociais através da ativação de espaços de criatividade cidadã e de produção social, com o objetivo de potencializar os espaços públicos como locais de convivência catalisadora de ações culturais, econômicas, científicas e sociais. O programa tem o desafio constante de incentivar ações em territórios de vulnerabilidade social, tomados como estruturas de intensas relações sociais cognitivas.