Em 2014, em iniciativa do Ministério da Cultura, através da Secretaria de Economia Criativa, por meio de parceria com o INCITI/Universidade Federal do Pernambuco – UFPE, foi desenvolvido o LabCEUS – Laboratórios Cidades Sensitivas, um projeto-piloto desenvolvido em 10 unidades dos Centros de Artes e Esportes Unificados – CEUs, a partir do acúmulo de experiências e metodologias da equipe de pesquisadores em laboratórios de inovação cidadã e tecnológica em territórios de alta vulnerabilidade social no Brasil nos últimos 15 anos.

Sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República, o projeto dos CEUs foi concebido com uma perspectiva interministerial, envolvendo Ministério da Cultura, Ministério do Esporte, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Ministério da Justiça. Após a construção do espaço, é realizada uma mobilização da sociedade para a “ativação” da unidade e formação do Grupo Gestor, buscando agregar iniciativas “socioculturais, socioassistenciais, recreativas, esportivas, de formação e qualificação”.

O projeto LabCEUs contou com uma equipe de pesquisadores da UFPE e também com gestores e pesquisadores do Ponto de Cultura Coco de Umbigada (PE), Pontão de Cultura Nós Digitais (SP), Ponto de Cultura Odomodê (RS) e Pontão da ECO(RJ) com larga experiência em projetos envolvendo ações de cultura digital, gestão de centros culturais e laboratórios de produção de mídia e tecnologia no Brasil. O objetivo do projeto foi fomentar ocupações culturais em laboratórios multimídia de 10 unidades dos CEUs através de 2 chamadas públicas totalizando 30 ocupações.

Somente na primeira chamada pública dos LabCEUs, foram recebidas mais de 250 propostas de todo Brasil, demonstrando um enorme potencial e demanda de apoio para inovação tecnológica e social nas periferias, envolvendo uma ampla gama de áreas de atuação, como linguagens artísticas, mídias interativas, memória e tradições, drones, impressão 3D, rádio, cartografias sociais, entre outras. Foram selecionadas 15 propostas em cada chamada, que atuaram nas cidades de Águas Lindas de Goias (GO), São Félix do Xingu (PA), Horizonte (CE), Petrolina (PE), Luis Eduardo Magalhães (BA), Sete Lagoas (MG), Colatina (ES), Sertãozinho (SP), Campo Largo (PR) e Erechim (RS).

Durante os meses das primeiras ocupações, a comunicação e gestão do projeto estruturaram uma base sólida para o acompanhamento de uma equipe interdisciplinar, integrando mediadores e formadores aos bolsistas de gestão local dos CEUs e estes, aos bolsistas de ocupação. A partir do uso de ferramentas potencializadas com habilidades de grupos locais, evidenciou-se a organicidade do trabalho em rede e a potência de experiências que partem do acúmulo de iniciativas anteriores para desenvolver uma metodologia de longo prazo. Compreendeu-se que a cada etapa alcançada pelo projeto, é possível seguir adiante para aprofundar dinâmicas que fortaleçam a participação cidadã em seus territórios. Ao seguir para a segunda etapa de ocupação dos LabCEUs, observou-se um amadurecimento de uma plataforma de pesquisa tangenciando políticas públicas atentas à inovação tecnológica e que privilegiam a emancipação social no contexto brasileiro.

Nesse projeto piloto, através do acompanhamento contínuo das ocupações nos CEUs e da gestão das pesquisas, foi aprimorada uma metodologia de ativação de redes de laboratórios, que a presente proposta pretende expandir para outros equipamentos culturais. A metodologia de ação do projeto piloto LabCEUs e o sucesso das ocupações apontam as diretrizes para a construção da Ação Laboratórios de Cidades Sensitivas.