INPI bate recorde de pedidos de marcas e patentes em 2011

janeiro 13th, 2012 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     Apesar da crise internacional, os indicadores de propriedade intelectual estão fechando 2011 em alta. Tanto marcas quanto patentes já garantiram, até a primeira quinzena de dezembro, recordes históricos. Durante esses 11 meses e quinze dias, foram feitos  30.088 pedidos de patentes, contra  28.052 solicitados em 2010.

    Para as marcas, o Instituto registrou, 140.815 solicitações até 15 de dezembro, contra 129.620 pedidos de marcas nos 12 meses do ano passado.  Até a virada do ano, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) estima que o total de pedidos de patentes pode chegar a 35 mil. O de marcas deve encostar em 150 mil.
- Os índices revelam o bom momento do País, mas também a conscientização da sociedade brasileira sobre a importância da propriedade intelectual – comentou o presidente do INPI, Jorge Ávila.
A missão do INPI é utilizar o sistema de propriedade intelectual como
instrumento de capacitação e competitividade, estimulando a inovação a fim de alavancar o desenvolvimento brasileiro. Para facilitar ainda mais o acesso dos brasileiros ao sistema de patentes, o Instituto lançará, em 2012, o sistema ePatentes, que permitirá o pedido via Internet.

Texto: Hiago Rocha
Fonte: http://www.inpi.gov.br/

Pesquisa esclarece os cuidados sobre o preparo térmico dos alimentos

janeiro 13th, 2012 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Luci Tojal vê a nutrição como uma missão

O projeto de pesquisa intitulado “Produtos de Glicação Avançada (AGEs) Dietéticos e Integridade dos Tecidos Renal e Intestinal em Ratos Adultos” que integra as professoras Luci Tojal e Terezinha da Rocha, sob coordenação da professora Susana Lima de Oliveira, da Faculdade de Nutrição (FANUT/UFAL), vem construindo significativa presença no tratamento e manejo térmicos de alimentos. Vejamos, a seguir, alguns tópicos para reflexão que essa pesquisa propõe:

Historicidade e Descobertas

Em 1912, Loius Camille Maillard, médico e químico francês, adicionou glicina à glicose e aqueceu a mistura: percebeu que os componentes escureceram e que liberavam  moléculas organolépticas (cor, brilho, sabor, odor, etc). Essa reação ficou conhecida como Reação de Maillard – uma reação química entre um aminoácido ou proteína e os açúcares (carboidratos): quando o alimento é aquecido (cozido) o grupo carbonila (=O) do carboidrato interage com o grupo amina (-NH2) do aminoácido ou proteína, e após várias etapas produz as melanoidinas, que dão a cor e o aspecto característicos dos alimentos cozidos ou assados.

Dependendo dos tipos de proteínas e açúcares que compõem o alimento, o processo produz resultados diferentes quanto ao aspecto, cor e sabor. Estas características são diferentes entre um bolo assado e um frango assado, por exemplo. O aspecto dourado dos alimentos após assado é o resultado desta reação de Maillard. Descobria-se os AGEs (ainda sem esse nome).

“Inicialmente, a comunidade científica mundial acreditava que os AGESs estavam apenas relacionados à perda de energia dos aminoácidos”, esclarece Luci Tojal. No entanto, a partir da década de 1970, nos Estados Unidos, descobria-se que estes agentes atuavam em todas as células. E partir de então, surgiram indícios da atuação e dos caracteres prejudiciais.

Doenças Associadas

A presença dos produtos de glicação na alimentação e no organismo humano tem sido relacionada a doenças crônicas, tais como diabetes, mal de Alzheimer, osteoporose, artrite reumatóide, aterogênese, que é o surgimento da placa nas parede internas de um vaso sanguíneo, geralmente decorrente de uma má alimentação que provoca o aumento do LDL- colesterol ruim.  E também doenças gastrointestinais, como esteatose, que é o acúmulo de gordura no miocárdio e/ou no fígado, cirrose hepática e, inclusive, diversos tipos de câncer.

Os efeitos patológicos dos AGEs estão intimamente ligados à capacidade destes compostos de modificar as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas, através da geração de radicais livres, da formação de ligações cruzadas com proteínas ou de interações com receptores celulares. Segundo a professora Terezinha, os AGEs são uma “reação entre grupos carbonílicos livres de açúcares, por exemplo, ou de compostos dicarbonílicos que são produzidas no metabolismo da glicose ou no processamento de alimentos que  produz compostos bastante reativos com grupamentos amina de proteínas”. Daí para frente acontecem reações não enzimáticas que culminam na produção do Ages que acabam por comprometer a estrutura proteica, seja ela atividade proteica, como doença de Parkinson, Alzheimer, Diabetes.  A equipe tenta compreender os danos causados pela produção e consumo destes agentes.

A observação em ratos

O acompanhamento da dieta dos ratos baseia-se em três grupos de controle que são submetidos a diferentes tratamentos térmicos. Por exemplo, aquela crosta que se forma nos alimentos, ali há uma gama de elementos. O calor seco é um grande estimulador, um catalisador de AGEs. O calor tem grande expoência. O primeiro grupo recebe a ração comercial sem nenhuma alteração nutricional ou térmica. Já o segundo grupo é alimentado com uma ração comercial que sofre outro tratamento térmico (promover mais produtos de glicação avançada); o terceiro grupo se alimenta a partir de da adição de uma vitamina protetora, vitamina B1 ou tiamina – que no metabolismo cria ou recupera substâncias que ajudam na desintoxicação do organismo. Logo a deficiência de tiamina pode acelerar o processo.

Por isso a questão: como a reposição da tiamina regula o surgimento e/ou redução de AGEs? Entra em questão o quarto grupo. “Ele ganha uma ração com quantidade superior à necessária de tiamina, na proposta de suplantar os AGEs”, explica Terezinha Ataíde. Depois, o grupo analisou as deteriorações no que se refere à integridade dos tecidos renal e digestivo. Essa observação contribui para sistematizar e traços paralelos entre os seres humanos, se submetidos às mesmas dietas, em quais deficiências agravariam o comprometimento com os AGEs e mais, com que capacidade poder-se-ia contralá-los.

Diferenças e cuidados com a saúde

Vale acrescentar: a reação que ocorre no processo de Maillard é diferente do processo de tostamento e caramelização. No tostamento ocorre uma reação de pirólise do carboidrato (desidratação térmica) e na caramelização ocorre uma desidratação, condensação e polimerização do carboidrato. Em nenhum dos dois casos ocorre o envolvimento das proteínas. Acredita-se que a reação de Maillard é um dos fatores responsáveis pelo envelhecimento do nosso organismo.

“É uma relação muita estreita, tanto de causa como de efeito, em relação ao estresse oxidativo que danifica as estruturas celulares e macromoléculas, comprometendo assim a sobrevida e induzindo a morte celular”, salienta a professora Luci Tojal que estuda os AGEs há mais de vinte anos e mantém um blog – www.lucitojal.blogspot.com – onde esclarece e discute sobre este tema. Medicamentos vêm sendo desenvolvidos para tentar retardar o processo.

“Temos como controlar a produção destas substâncias – cuidando do processamento de alimentos”, explica. Ainda para a professora, o alimento não processado (cru) também apresenta essas AGEs. Por isso deve-se manusear e ter cuidado com os modos de preparo dos alimentos. As pesquisadoras recomendam o uso do calor úmido (onde se a água para cozinhar os alimentos) que, segundo os testes, não acentuam o surgimento dos produtos de glicação.

Texto de Hiago Rocha

Foto do Blog Lucitoajal.blogspot.com

Para saber mais: www.lucitojal.blogspot.com

Curso de Design de Interiores do IFAL celebra 10 anos

novembro 3rd, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Ainda há quem se surpreenda ao saber que em Alagoas existe um Curso Superior Tecnológico de Design de Interiores. Mas ele existe e completará 10 anos no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), trazendo o I Circuito Design, nos dias 7 e 8 de novembro. O evento tem o objetivo de divulgar o Curso e a profissão, além de agregar estudantes e profissionais alagoanos que atuam dentro do design, de diferentes instituições de ensino e áreas variadas, como produto, moda e gráfico.

O Circuito, que é organizado pelo Centro Acadêmico de Design de Interiores (CADI)z o tema “10 anos de Interiores em Alagoas”, apresentando os desafios dessa primeira década e celebrando o presente momento do Curso, que atualmente busca renovar sua identidade no Estado. Para o evento estão confirmadas as presenças de Fábio Malves, que é Designer de Interiores e Rodrigo Fagá, que é Arquiteto.

Mas não só interiores será debatido durante o Circuito. Moda, gráfico e produto também serão contemplados por meio de cases e mesas-redondas e apresentará nomes como o Estúdio ZeroPixel que trabalham com Gráfico e Larissa Nunes, que é Designer de Moda. Para o estudante e presidente do CADI, Jefferson Nunes, o evento será uma boa chance de fazer com que profissionais e graduandos alagoanos interajam mais. “Embora o foco seja o design de interiores, o Circuito Design tem caráter interdisciplinar e buscamos nos unir com outras instituições de design em Maceió e promover o intercâmbio entre as áreas”, explica.
Para Luís Antônio Costa, coordenador e um dos fundadores do Curso, é importante fomentar o design em Alagoas, especialmente na área de interiores, pois o mercado se encontra em aberto, porém precisa ser melhor explorado. “O Curso existe há 10 anos e vem crescendo no Instituto, mas o mercado local precisa acreditar mais nos profissionais alagoanos”, comenta.

texto:Ben-hur Bernard Pereira Costa

Maceió discute Tecnologia da Informação no III COALTI

outubro 27th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

           A partir de amanhã, 28, e nos dias  29 e 30 de outubro acontece na Faculdade Integrada Tiradentes (FITS), a terceira edição do Congresso de Tecnologia e Informação (COALTI), que visa colocar Alagoas no circuito de discussões de TI, trazendo o que há de melhor para o nosso estado.

              O III COALTI traz para a nossa cidade os melhores profissionais em suas áreas de conhecimento com o intuito de atualizar, discutir e capacitar àquelas pessoas que buscam treinamento e qualificação na área de Tecnologia da Informação. Serão discutidos os mais variados temas, como: crimes digitais, robótica, inclusão digital, segurança na rede, educação, perícia digital, monitoramento de redes sociais, entre outros.

               O Congresso contará com palestras técnicas, painéis, minicursos e discussões nas áreas empresarial, acadêmica e pública do uso de Tecnologias da Informação. Potencializando também o encontro entre empresas e profissionais de TI, com um dos dias do COALTI voltado para o setor de Negócios.

             Neste ano, o COALTI contará com a presença, além de palestrantes alagoanos e nacionais, da americana Leslie Howtorn, consultora de projetos Open Source e ex-gerente de Programas do Google, que possui mais de dez anos de experiência em projetos de Marketing de Alta Tecnologia gestão e relações públicas.

          O Congresso de Tecnologia e Informação pretende atingir o reconhecimento pela comunidade Alagoana como o mais completo evento de Tecnologia da Informação de Alagoas, sendo gerador de conhecimento e informação para os diversos profissionais da área.

Ediçao do Texto: Ana Cecília(estagiária)

Fonte:  http://www.coalti.com.br/2011/index_evento.php

WikiAlagoas disponibiliza cultura local em ambiente virtual

outubro 26th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos
 
 
Projeto segue modelo da wikipedia

        

          O projeto WikiAlagoas ( http://www.wikialgoas.al.org.br ), parceria da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento do Estado de Alagoas (Seplande), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do Instituto de Ciências Sociais (ICS), ganhou mais visibilidade durante o VIII Congresso Acadêmico, que aconteceu de 17 a 22 de outubro de 2011, na Ufal. A razão disso foi que, no dia 17, três alunos do projeto tiveram a oportunidade de apresentar a plataforma no Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (IGDEMA); já no dia 19, foi à vez do coordenador do projeto pronunciar-se, Evaldo Mendes participou de uma mesa redonda no Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA), que tinha como temática “Informação, Tecnologia e Ambientes Colaborativos: Incursões de uma Cultura Digital”.

                A iniciativa para a criação e desenvolvimento do projeto aconteceu através da articulação desses órgãos, já citados anteriormente, que visavam inserir de maneira mais organizada e coesa o maior número de informações possíveis referentes ao estado de Alagoas no ciberespaço. A pesquisa é desenvolvida por nove alunos dos mais diferentes cursos de graduação da Ufal (ciências sociais, comunicação social, geografia e história), e conta também com a ajuda de uma aluna de análise do sistema, da Uncisal, responsável pela parte técnica da plataforma. O trabalho, dividido em várias etapas, teve início em novembro de 2010, e terá termino no próximo mês, quando completará um ano de pesquisa.

HISTÓRICO

               Em um primeiro momento, o foco dos bolsistas limitava-se a pesquisas feitas na internet. Após uma seleção, havia o momento de organizá-las em um único local: a plataforma WikiAlagoas. Posteriormente, as pesquisas foram realizadas em museus, centros históricos, bibliotecas, entre outros locais. Os alunos também realizaram algumas viagens, com o intuito de mapear fotograficamente alguns dos 102 municípios do estado, além de buscar relatos orais que pudessem contar um pouco mais da história de cada lugar visitado.

                O WikiAlagoas já encontra-se disponível na internet, em um modelo semelhante ao que o serviu como base, o Wikipédia. Lá, qualquer usuário, em qualquer lugar do planeta, pode inserir informação acerca de qualquer assunto. O intuito de alojar os conteúdos em um site como este é de que as pessoas possam colaborar com a inserção de informações, sem necessariamente fazer parte do projeto. O que se pretende é que exista um número cada vez maior de conteúdos referentes a Alagoas criados e divulgados por pessoas comuns que se sintam convidadas a produzir e inserir dados na plataforma.

                Atualmente, o número de verbetes (pequenos textos), na plataforma, é de, aproximadamente, 600 verbetes. Eles abordam as mais variadas temáticas: cultura, economia, demografia, religião, gastronomia, etimologia. Atualmente, às vésperas de conclusão do projeto, a equipe “wiki” concentra-se na revisão dos conteúdos, a fim de entregar uma plataforma à altura do nosso estado.

Texto:  Bárbara Barros e Madysson Weslley( estagiários do Projeto WikiAlagoas)

Alagoano defende ensino básico da matemática brasileira

outubro 20th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Re-eleito recentemente presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o professor Hilário Alencar (IM/UFAL), que também é membro da Acadêmia Brasileira de Ciências (ABC), acumula conquista acadêmicas memoráveis. Em uma sala da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a entrevista é acompanhada de boas doses de café, e memórias – “Tive uma educação privilegiada. Sempre com bons professores, não só de matemática, de português também”, relembrando nomes de alguns mestres do tempo de colégio.

Hilário Alencar: descobridor de vocações na matemática

Como principais metas para essa gestão na SBM, o professor Hilário pretende ampliar o PROFMAT – programa de pós-graduação stricto sensu em rede, o Integrando a Amazônia e a coleção de textos matemáticos de alta qualidade, com linguagem e preço acessíveis. Há uma mundialização da matemática brasileira, ele não nega: “Sim, mas temos que voltar os olhares para o Brasil, interiozá-la”. Acompanhe a seguir a breve conversa e o entusiasmo do docente, alagoano de coração:

Ciênci@lagoas – Professor, o Estado alagoano é conhecido como celeiro de Matemáticos – temos o Fernando Codá, Manfredo Perdigão, Elon Lages, o Kerley Irraciel (do Instituto de Matemática – IM/UFAL), para ficarmos em poucos exemplos. Como a SBM enxerga Alagoas, sabendo que ele detém um dos piores índices de analfabetismo do País?

Hilário Alencar – A SBM tem um olhar nacional, no entanto, vem dando prioridade as regiões Norte e Nordeste. Sãos regiões carentes de matemáticos, nesse contexto o PROFMAT – com bolsa da Capes, para aprimoramento da formação profissional de professores da rede pública na educação básica. É uma política bem agressiva quanto a isso [risos]. Temos uma Matemática em dois extremos – uma de ponta, com inserção internacional e no outro lado uma matemática (ensino) interna ruim. Esse ruim não é só em Alagoas. Dados nacionais da CGE/OBMEP mostram que alunos, não somente aqui, mas em todo o território, tem dificuldade quanto lidam com geometria.

Ciênci@lagoas – Há uma mundialização da matemática brasileira. É paradoxal…

Hilário Alencar – Sim, mas temos que voltar os olhares para cá, temos que interiorizá-la também.

Ciênci@lagoas – O PROFMAT vem sendo bem recebido?

Hilário Alencar – Sim, ele completou dois anos. Voltado para a educação básica em matemática é um estímulo para que as Universidades do Norte e Nordeste integrem a rede proposta pela SBM.

Ciênci@lagoas – A demanda é enorme… como é a procura?

Hilário Alencar – Disputada. Foram 1.192 vagas para 20.000 inscritos. Para se ter ideia, em Alagoas, a média mínima para o candidato “entrar” no mestrado é praticamente a mesma do que uma instituição em São Paulo. Como a disputa foi alta, você começa a ter bons concorrentes – todas as vagas destinadas para cá, foram reservadas para professores de educação básica, de escola pública, atuantes. A previsão é que até 2012, alcancemos 2.000 vagas, com as novas parcerias.

Ciênci@lagoas – Esse despertar para o mestrado profissional é uma política recente?

Hilário Alencar – Sim, é recente, dois anos. A Capes sempre acompanhou o surgimento de mestrados profissionais, agora este, o Profmat, é o primeiro dentro da UAB [Universidade Aberta do Brasil].  Não é um problema isolado. O caso das licenciaturas, por exemplo – a maioria dos professores não sai de universidades públicas, há uma diferença enorme entre público e privado. É um quadro nacional.

Ciênci@lagoas – E quanto a ações conjuntas com o IMPA?

Hilário Alencar – Entre as atividades que a SBM realiza, como as Olimpíadas de Matemática, destaca-se o projeto Klein em Língua Portuguesa, que tem como objetivo dar uma visão ampla da Matemática aos professores e educadores do ensino médio e da graduação universitária além de oferecer publicações, DVD e site específico para consultas. Também entre as iniciativas da SBM estão o programa Integrando a Amazônia que apoia atividades de pesquisa e pós-graduação nesta região do País. Há também o Projeto Klein que integrou a Sociedade Brasileira de Educação Matemática, a Sociedade Brasileira de História de Matemática.

Entrevista concedida a Hiago Rocha

Foto: disponibilizada no site www.abc.org.br 18/10/2011

Arquitetura da UFAL recebe prêmio do CNPq

outubro 19th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

      pesquisa na Universidade Federal de Alagoas tem se destacado no Nordeste e em todo território nacional. Recentemente, a instituição foi contemplada com o terceiro lugar no 9º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica do CNPq (http://destaqueic.cnpq.br). O trabalho premiado é intitulado “O Convento e a História da Cidade: O franciscanismo delineando paisagens em Alagoas”,  de autoria da bolsista Taciana Santiago de Melo, com orientação da  professora Maria Angélica da Silva, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).

Taciana: premiação é o reconhecimento do esforço

    Desde 2003, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) premia alguns trabalhos dos bolsistas de Iniciação Científica (PIBIC),  considerando a relevância e qualidade dos relatórios finais da pesquisa. Para se ter uma ideia, foram indicados 1057 bolsistas no intervalo 2003-2010, uma média de 132 inscritos por ano nas três grandes áreas – Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, Ciências Exatas, da Terra e Engenharias e Ciências da Vida. Nesse período foram 42 ganhadores, sendo apenas quatro do Nordeste (Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte). Portanto, a UFA passa a ser a quinta universidade do Nordeste  contemplada com esta premiação.

     “Foi uma surpresa para nós também, não esperávamos ganhar, já que a príncipio,  uma pesquisa que se reporta a frades e conventos parece bastante distante dos temas de maior apelo na atualidade”, comenta a professora Maria Angélica. A pesquisa sob sua coordenação busca entender a influência das casas conventuais franciscanas na construção dos lugares urbanos, em especial em Alagoas.

     Quanto ao desempenho da bolsista ganhadora do prêmio, a professora comenta que “ela é muito dedicada e responsável, capaz de sacrificar férias ou algum compromisso pessoal para cumprir suas obrigações. Mas o que eu acho ser a sua principal qualidade enquanto pesquisadora é a  generosidade e a discrição. Sempre  se mostrou solidária com os outros membros do Grupo de Pesquisa no sentido de auxiliar os colegas, compartilhar o conhecimento mas também de acolher o que outro produziu e dar continuidade, sem a ansiedade em definir a quem pertenceria o saber. A idéia do compartilhar e a curiosidade em conhecer novas frentes de investigação são outras qualidades de Taciana.

Pesquisa urbana

A Profª Maria Angélica, que coordena o Grupo de Estudos da Paisagem (http://www.fau.ufal.br/grupopesquisa/estudosdapaisagem/), explica que sempre viu no PIBIC um programa de grande importância e participou dos processos de seleção deste de sua implantação na UFAL. Em trabalhos anteriores as pesquisas do Grupo buscavam entender como as cidades se implantaram no Brasil, abordando vinte localidades entre as mais antigas do Nordeste, na faixa territorial que vai da Paraíba ao sul da Bahia. Foi neste contexto que se descobriu o papel dos conventos na vida urbana, em especial os franciscanos. No decorrer da pesquisa, Taciana se propôs a analisar a construção da paisagem em Alagoas a partir das casas de Nossa Senhora dos Anjos e Santa Maria Madalena, situadas nas cidades de Penedo e Marechal Deodoro, respectivamente.

      Embora se saiba da existência de alguns trabalhos produzidos abordando dados históricos e arquitetônicos relativos aos conventos. o diferencial da pesquisa é  investigá-los como elementos urbanos. As casas conventuais desempenhavam várias funções. Como uma mini-cidade, ofereciam vários tipos de suporte. Acolhia os pobres e os doentes, serviam de asilo e como hospedaria, funcionavam como escola, botica e cemitério, atuavam na justiça e influenciavam nas demandas públicas. Além disto, segundo Gilberto Freyre, a cultura brasileira guardaria as marcas do franciscanismo: cordial, plástica, intuitiva.

     A professora relembra que Germain Bazin, um importante curador do Louvre, veio nos anos 1950, observou estes conventos e criou a expressão “Escola Franciscana do Nordeste” – devido à importância e originalidade da sua arquitetura. “Resolvemos nos deter neles”, pontua Maria Angélica. Mas as fontes documentais, procuradas tanto no Brasil quanto em Portugal eram poucas.. “Pensamos: os próprios conventos é que terão que falar”, conclui. E a pesquisa foi buscar dados na própria arquitetura dos 14 conventos da denominada “Escola Franciscana do Nordeste”. Portanto, o Grupo pôs-se novamente em viagem, como no início das pesquisas, agora revisitando as cidades em busca dos seus conventos. O projeto tem o apoio da  Petrobrás Cultural.

Conventos franciscanos

     Constatou-se que as situações dos conventos eram bastante diversas. O convento de Penedo conseguiu preservar suas funções religiosas. Em Paraguaçu na Bahia, o convento perdeu seus traços religiosos – está em ruínas. Em Marechal Deodoro (“parado” há cem anos, funcionou como orfanato e quartel), o convento também está   não é mais casa de frades e aguarda reabertura mas enquanto Museu. Ainda assim,  o convento de Santa Maria Madalena é o monumento mais significativo de Marechal, servindo inclusive de marco visual  da prefeitura da cidade.

     Quanto ao convento de Santa Maria dos Anjos em Penedo, continua muito ativo, exercendo suas funções religiosas e apoiando a comunidade penedense. Os dois conventos alagoanos foram fundados no mesmo ano, em 1660 e são tombados como monumentos nacionais.. O Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem celebrou os 350 das duas casas com um seminário que envolveu as comunidades das duas cidades, visando divulgar a história dos mesmos, com visitas guiadas e fechando  as comemorações nos adros dos dois conventos.

Quanto ao Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem, sempre teve feição  multidisciplinar. Temos geógrafos, historiadores, antropólogos e restauradores”, diz Taciana, inclusive como bolsistas PIBIC..Outro ponto importante é a metodologia, que combina  por um lado, a busca pelo saber através dos canais sensoriais mas por outro, quase ao inverso, emprega  recursos dos softwares de manipulação de imagens.

Quatro Instantes e Um olhar no passado

     Taciana divide a metodologia empregada pelo Grupo de Pesquisa em cinco momentos: Exercícios Sensoriais, Revisão de Literatura, Estudos de Iconografia, Contato com a População e Produção e Socialização dos resultados. Os Exercícios Sensoriais constituem-se no estabelecimento de uma relação direta de cada estudante com o lugar que vai ser investigado. Trata-se de um exercício de observação livre, que lembra o “flâneur” de Baudelaire ou a deriva dos Situacionistas. Tem como meta construir uma relação perceptiva, sensorial e afetiva com os espaços que estão sendo investigados. Portanto, antes de ler sobre os lugares, estes são experimentados.  

A sensibilização é uma das etapas da pesquisa

     “Usamos a sensorialidade – os sentidos guiando as impressões sobre o lugar. E depois fazemos os diários de bordo –  que criamos com as impressões do local,  registradas em textos ou objetos de produção manual e criativa ”, esclarece. Eles são bem diferentes: uns são colagens, recortes e costura, outros são mais arrojados, podem ser garrafas com mensagens para serem lançadas ao mar ou jogos e enigmas gráficos. Taciana mostra um dos seus diários, que tomou a forma de  uma caixa. Nela, optou por registrar suas impressões  dos conventos em cada face, com papel marchê e tintas. Dentro, pequenos detalhes. Há fichas coloridas envolvidas em papel de presente. Cada ficha representa um convento visitado e cada embalagem correspondente, uma experiência sensória.

     “Que cor esse convento me lembra? Na Bahia, o Convento de Santo Antônio do Paraguaçu era o dourado e, as fichas são com desenhos de lá”. O de Cairu, por seus detalhes, mostrou-se um espaço feminino, resultando nestes outros desenhos e em outra cor”, explica. Depois o estudo prossegue através das fontes bibliográficas. Antologias são construídas coletivamente e assim as fontes primárias ficam disponibilizadas para todos do Grupo.

     O terceiro passo é a comparação cartográfica. Na condição de arquitetos e estudantes de arquitetura, as imagens e desenhos gráficos e de observação são destacados. Buscam-se os registros urbanos na forma de mapas, desenhos antigos, que são trabalhados no computador e contrastados com imagens atuais, produzidas pelos membros do Grupo além do uso de fotos aéreas e outros recursos imagéticos A equipe vai a campo buscando comparar desenhos (pinturas) antigos, inclusive os deixados pelos holandeses, no tempo das invasões no século XVII. Como estas imagens são reconhecidas pela sua intenção de fidelidade, busca-se fotografar as paisagens no mesmo ângulo, enquadramento, perspectiva e posição do observador.  Novos mapas e infográficos são criados, deixando claras as conclusões da pesquisa. Assim foi possível mostrar como as áreas dos conventos eram imensas, se comparadas às das localidades onde eram implantados,evidenciando espacialmente a sua importância. Taciana e seus colegas estudaram o caso de Marechal e Penedo, mostrando os vários movimentos temporais que as  cidades passaram no decorrer dos séculos, tendo como centro os conventos.

     O penúltimo movimento é o contato com a população. Buscar os relatos com a intenção de troca de informações ou de acessar o conteúdo do imaginário em relação aos fatos da históri é o objetivo desta atividade. Finalmente, a última etapa  do trabalho é transformar os resultados da pesquisa em informações acessíveis ao público.   O Grupo desenvolve produtos voltados para a socialização e para a educação patrimonial. Um exemplo é o “Enigma da Cidade”. Um livrinho com textura, com projeções sobrepostas – o antigo e novo – nas imagens, uma entrando na outra, feito pelos bolsistas da pesquisa.

     Taciana vem trabalhando em soluções que divulguem fatos da  história dos conventos de Penedo e Marechal, que se confunde com fatos da vida da população e em estudos que permitam a aproximação da mesma com os monumentos.

     Apesar de vivermos um tempo onde a religiosidade tem menos força, os edifícios conventuais guardam expressões estéticas e uma ambiência introspectiva que muito pode falar aos homens e mulheres de hoje. Estudá-los significa também pensar a vida coletiva, no papel exercido pelas comunidades. Dizem as fontes historiográficas que o  ensino em Alagoas iniciou-se nos conventos franciscanos.Portanto, de alguma forma, também compartilham uma vocação com a universidade.

     Voltando à questão da premiação do CNPq , a orientadora comentou: “Fiquei mais feliz do que se tivesse recebido um prêmio individual, pois creio na troca e na solidariedade como a base do trabalho acadêmico”, finalizou a professora. Aguardamos que os estudos realizados auxiliem agora na próxima etapa da pesquisa, qual seja, buscar uma inserção criativa e sustentável destes conventos na vida urbana, através de propostas de reuso.

Texto e fotografia: Hiago Rocha

Pesquisa da UFAL viabiliza novas marcas de cachaça

setembro 28th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     Não existe no Brasil uma bebida que sofra mais preconceito por parte dos consumidores do que a cachaça. A bebida, popularmente conhecida como “pinga”, está presente em todo o território nacional, e para muitos pode não ser “uma boa ideia”. Para a ciência, no entanto, o seu conhecimento é irresistível.

João Nunes ajuda a valorizar a cachaça como potencial comercial

     É isso que motiva o pesquisador João Nunes, do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas. Ele desenvolve há pelo menos 10 anos uma cachaça artesanal, proveniente de estudos que envolvem o envelhecimento em barris de diferentes tipos de madeira, que dão um sabor e uma coloração diferenciados à “branquinha”. Com uma cor mais viva, a cachaça é produzida e armazenada em diversos tonéis no Laboratório de Derivados de Cana-de-açúcar da Universidade.   

     Para o pesquisador, o segredo do destilado está diretamente associado à seriedade do trabalho. Para Nunes, a “cachaça está se tornando chique”, não devendo em nada em qualidade diante de produtos já consagrados como, por exemplo, o uísque, de origem escocesa. Tudo isso vem sendo comprovado aos poucos, pelo surgimento de bares especializados, inclusive na capital alagoana, demonstrando uma aceitação comercial cada vez mais crescente e, portanto, uma diminuição no famigerado preconceito.

     João Nunes tenta explicar o fascínio pela bebida. “Como professor do curso de Engenharia Química eu me interessei pelo produto desde o início… Comprei um alambique pequeno, pra começar a dar aula prática. Não produzia muito, mas depois das aulas era comum distribuir gratuitamente, e foi aí que começou a ter retorno”, conta o pesquisador.

     O processo acabou sendo natural. Em pouco tempo, já existia estudantes interessados em testar novos melhoramentos na bebida. Com isso, foram surgindo trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses de doutorados sob a orientação de Nunes.

     O que antes era tido apenas como uma atividade curricular, que reunia dentro da academia conhecimento científico, gastronomia e diversão, acabou se tornando também um negócio. Foi assim que João Nunes abriu em 2008 a empresa Nunes e Góes Beneficiamento e Comércio de Bebidas LTDA. E passou a investir dinheiro do seu próprio bolso, cerca de R$ 150 mil ao longo dos anos, para produzir diferentes tipos de cachaça e comercializar o produto.

     Ao mesmo tempo, porém, a pesquisa continuava na universidade por meio da criação de uma empresa na incubadora da Ufal. É por isso que, para ser comercializada, a cachaça “Engenho Nunes” recebe também o selo da universidade.

     “A produção ainda é pouca, porque não existe uma grande demanda, mas aos poucos as pessoas estão perdendo o preconceito com o produto quando veem que é de qualidade”, justifica o professor.

     Entre os estabelecimentos comerciais que já disponibilizam a cachaça universitária na prateleira, estão os restaurantes Bodega do Sertão, na Jatiúca, Império dos Camarões, na Ponta Verde, e a casa de bebidas Pichilau, na Gruta de Lourdes.

  Processo

      Para produzir a aguardente de cana, o pesquisador usa barris de diferentes tipos de madeira como o carvalho, castanheira, jequitibá, jatobá e umburana. As mais consumidas são as cachaças feitas com madeira de carvalho e umburana. Por fim, o produto deve conter entre 38% e 48% de álcool, segundo normais nacionais.

     “A verdadeira cachaça, não é aquela que desce arranhado a garganta. É aquela que, se bem apreciada, não dá ressaca e nem dor de cabeça”, ressalta Nunes, com relação ao popular efeito nocivo da bebida.

     Mensalmente, a cachaça passa por uma análise de qualidade feita em laboratório. É nesse laboratório que os estudantes têm a chance de aprimorar seus conhecimentos científicos e testar inovações que podem ser refletidas na qualidade final do produto.

     Fatores climáticos como temperatura e os raios do sol também influenciam na boa qualidade da cachaça. O produto final depende também do tempo de repouso e envelhecimento.

     Como nenhuma pesquisa tem o caráter definitivo, o pesquisador avisa que novas alternativas continuam sendo buscadas durante o estudo, como a utilização de outros tipos de madeira, totalizando em nove, o número de cachaças produzidas. Além disso, o próprio pesquisador já orienta uma tese de mestrado que objetiva aprimoramento da aguardente de mel de abelha de diferentes floradas.

Novos produtos entram no mercado com selo da UFAL

Bom Negócio

     De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac), no Brasil existem atualmente 40 mil produtores de cachaça, sendo que 99% são micros ou pequenos produtores. Ainda segundo o instituto, existem quatro mil marcas de cachaça no país, que contribuem com 600 mil empregos diretos e indiretos.

     No ano de 2009, o país exportou 10,8 milhões de litros da bebida. Os principais compradores foram Alemanha, Estados Unidos, Portugal e França.

      O reflexo dos dados pode ser traduzido no recente investimento em bares especializados, como é o caso da Cachaçaria Água Doce, na Jatiúca. E a escolha do nome não é por acaso.

     “Cachaça hoje em dia é uma tendência mundial. É tanto que a Sagatiba [primeira marca de cachaça a se estabelecer fora do Brasil, em 2004] foi comprada pela italiana Campari”, conta o empresário Rosiel Caetano, proprietário da cachaçaria.

     Segundo ele, a referência da bebida no exterior é muito forte. “A gente atende vários clientes ‘gringos’, que chegam a Alagoas com esse intuito: provar a cachaça brasileira. É por isso que a minha empresa está querendo montar pelo menos mais três franquias fora do país”, avisa, entusiasmado.

     De acordo com Fernando Pichilau, dono da Pichilau Bebidas, na Gruta, “o produto vende, e vende bem”. “Apesar das cachaças mineiras ainda dominarem o mercado, é notável o crescimento do produto local”, avalia. O estabelecimento disponibiliza para venda, além da cachaça desenvolvida no laboratório da Ufal, a cachaça Brejo dos Bois, Gogó da Ema e Valeu Boi, todos produtos inteiramente alagoanos.  

Raízes

     A cachaça é considerada símbolo da identidade do povo brasileiro. A justificativa pode ser buscada na história. Em 1660, uma rebelião que ficou conhecida como Revolta da Cachaça, foi determinante para que a Coroa Portuguesa legalizasse a produção e comercialização da bebida.

     A proibição era uma forma de incentivar o consumo da bagaceira, bebida produzida pelos portugueses a partir do bagaço da uva. A elite bebia a bagaceira, o vinho. Enquanto que os escravos ficavam com o mel da cana-de-açúcar.

     A liberação do consumo da cachaça aconteceu em 13 de setembro de 1661, há exatos 350 anos. A data é considerada pelos produtores como o “Dia da Cachaça”. Porém, ainda tramita no Congresso Nacional uma lei que tenta oficializar o dia no calendário brasileiro de datas comemorativas.

     Os escravos depois de um dia duro de trabalho, na produção de cana-de-açúcar, deixavam o mel sem estar no ponto. Com o tempo, o caldo fermentava e se tornava azedo. “Aí alguém bebeu e achou interessante… E assim começou o processo de destilação. A condensação dos vapores do álcool batia no telhado e pingava nas costas dos escravos, e supostamente, a partir dessa ocasião a bebida passou a se chamar pinga”, explica o pesquisador João Nunes.

     A atividade foi rapidamente estimulada pelos senhores de engenho, que viram na aguardente uma maneira de controlar os escravos. A bebida deixava-os mais alegres, e, portanto, fazia esquecer a saudade de casa.

Autor: Milton Rodrigues e Petronio Viana

Fotos: Milton Rodrigues

Fonte:  http://tribunahoje.com/noticia/5300/cidades/2011/09/12/pesquisador-da-ufal-produz-cachaca-artesanal-em-alagoas.html

Alagoas lidera produção de laranja lima no Brasil

setembro 28th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     A laranja não é apenas uma importante fonte de vitamina C. Há 60 anos o cultivo dessa fruta é o que movimenta a economia local da Região do Vale do Mundaú. Cerca de 2.500 agricultores familiares, distribuídos nos municípios de Branquinha, Ibateguara, São José da Laje, União dos Palmares e Santana do Mundaú, tornaram Alagoas o terceiro maior produtor de laranja do Nordeste e o maior produtor de laranja lima do país.

Condições ambientais favorecem citricultura alagoana

    Aspectos como o solo e o clima favorável da região contribuem para que Alagoas, através dos citricultores – organizados em 40 associações e duas cooperativas regionais – possua 13 mil hectares de terra cultivados com laranjas lima e uma produção de 213 mil toneladas anuais, movimentando uma receita de R$134 milhões.
     Os agricultores integram o Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), através do APL da Laranja no Vale do Mundaú. O programa do Governo de Alagoas – através da Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplande) em parceria com o Sebrae/AL -  busca dinamizar o agronegócio e promover o aumento da produtividade, da qualidade do fruto, da sustentabilidade sócio-econômica e ambiental, buscando novos mercados.
     “O trabalho desenvolvido pelo APL tem o objetivo de motivar a interação e cooperação entre produtores e empreendedores para atração de capitais e aumento do dinamismo empresarial. A redução dos custos e riscos empresariais e a promoção de inovações tecnológicas também estão entre as nossas metas”, explicou a gestora do Arranjo, Leila Flávia.
     Aumentar a produtividade em 60% e elevar em 30% o padrão de frutas classificadas com “Tipo A” são alguns dos resultados que o Arranjo pretende alcançar até dezembro de 2012. Para o final desse ano, espera-se que o volume de laranja lima dos produtores selecionados para a certificação em Produção Integrada aumente 80%.
     Outros pontos que também estão dentro do plano de ação do APL é a ampliação do volume de frutas comercializadas em 30% até dezembro de 2011 e em 30% até dezembro de 2012 e o aumento da renda dos produtores em 60% até dezembro de 2012.
COOPLAL
     A Cooperativa dos Produtores de Laranja Lima (Cooplal) foi criada em junho de 2002 com o objetivo de comercializar as laranjas lima de Santana do Mundaú – maior centro de produção cítrica de Alagoas, com cerca de 90% da produção estadual. Os cooperados eram os presidentes e diretores das associações e representantes de 15 comunidades desse município.
Atualmente, a Cooplal conta com 48 cooperados e 20 associações de produtores rurais, somando mais de 500 citricultores. “Temos dois técnicos agrícolas que realizam reuniões nas comunidades para auxiliar os agricultores na comercialização e fabricação da fruta. Além de capacitações para que os produtores conheçam as pragas e doenças constantes da região”, destacou o presidente, Antonio Carlos Souza.
     Com o surgimento do APL, em 2009, a Cooplal passou a coordenar as vendas para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e realizou 10 projetos, beneficiando 263 produtores e 249 mil pessoas carentes de 16 municípios. No ano de 2010, foram desenvolvidos 19 projetos que contemplaram 518 citricultores e 290 mil pessoas.
     Segundo a gestora do Arranjo, Leila Flávia, através dos 24 projetos realizados esse ano foram vendidas 3.498 toneladas de laranja, resultando em uma quantia de R$2.204.044,92 e beneficiando cerca de 900 pessoas.
Uma máquina de beneficiamento da laranja – no valor de R$50 mil – para lavar, secar e classificar em três tamanhos a fruta, além de uma extradora, dosadora e seladora, no valor de R$37mil, para a fabricação do suco congelado da laranja, foram alguns dos equipamentos captados através de ações APL para aumentar a produção.
     “Graças a toda essa estrutura que conseguimos montar, hoje vendemos para oito supermercados em Maceió, como o Bompreço, Palato e Cesta de Alimentos. Além das duas toneladas por mês que vendemos para 17 mercadinhos da central de Maceió”, explicou Leila Flávia.
      Para se tornar um cooperado, o produtor de laranja precisa ser um agricultor familiar, ter até 64 hectares de terra plantados, renda bruta anual de até 100 mil reais e residir na região do Vale do Mundaú.
PROPRIEDADES NUTRITIVAS
     A laranja lima é considerada fonte de vitamina C e fibras, além de possuir quantidades significativas de minerais, como o potássio e o fósforo. Vitaminas do complexo B e ácido fólico também são encontrados nessa fruta energética.
     Por ser rica em vitamina C, a laranja tem papel oxidante e ajuda a combater o envelhecimento precoce das células; fortalece as defesas do organismo, tornando-o mais resistente às infecções e auxilia o corpo a absorver o ferro de outros alimentos. Já as fibras contribuem para a diminuição das taxas de colesterol e atuam no funcionamento regular do intestino.
      Mas, para que todas essas propriedades nutritivas da laranja sejam mantidas, é necessário ficar atento na hora de consumir a fruta, pois a perda do valor nutritivo dos alimentos tem inicio desde a produção e, se manipulado de forma incorreta, essa perda pode ser acentuada.
     Por saber desse fator, o APL da Laranja desenvolve um trabalho voltado para que o valor nutritivo da fruta não seja alterado. “Nossas laranjas são grandes, doces, com menor acidez, polpa muito suculenta e de coloração amarelada, reconhecidas por consumidores locais e de outros estados”, ressaltou Leila Flávia.
     Quanto a maneira de consumir a fruta, a nutricionista do Mesa Brasil Sesc Alagoas, Kelly Morgana Araújo, explica que o suco e a fruta “in natura” são recomendados para quem quer ter uma alimentação saudável. Ao consumir a fruta, os benefícios das fibras e de algumas vitaminas mais voláteis são mantidos.
     “O suco de laranja também são uma ótima opção nutritiva, no entanto há alguns cuidados que devem ser mantidos durante o preparo, como coar o mínimo possível para manter parte das fibras e consumir de imediato, pois mesmo guardado em geladeira alguns nutrientes são perdidos”, detalhou a nutricionista.
     A especialista também falou que para quem não gosta de fruta e precisa absorver as propriedades nutritivas da laranja, a opção é consumir um bolo ou um doce da fruta, por exemplo. “É só prestar atenção na embalagem e se o produto foi acondicionado de forma adequada até o consumo”, concluiu a nutricionista.

Texto e Ilustração: Laís Pita ( colaboradora/estudante de Jornalismo da    Universidade Federal de Alagoas)

Livro traça o panorama do rádio no Brasil

agosto 11th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Panorama do rádio em Maceió destaca 13 emissoras da região metropolitana

     Um livro inédito e histórico sobre o rádio brasileiro será lançado no dia 5 de setembro, em Recife, durante a realização do 34º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. A obra Panorama do rádio no Brasil é um trabalho pioneiro que traça um amplo inventário das emissoras de rádio de todas as 27 Regiões Metropolitanas do país. A organização do livro é da professora mineira Nair Prata, que contou com uma equipe de 52 pesquisadores que, de norte a sul do país, produziram um panorama original da radiofonia brasileira. A obra é mais um trabalho em conjunto do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

     O capítulo que trata do Panorama do rádio em Maceió é de autoria dos pesquisadores Lídia Ramires (UFAL) e Ricardo Ferro (FITS) e aborda 13 das 16 emissoras, analisando história e características da programação. Nem todas as emissoras disponibilizaram dados, dificultando o levantamento das informações. Segundo a organizadora do livor, professora Nair Prata, o trabalho de pesquisa durou cerca de um ano. A professora explica: “É importante destacar que são pesquisadores locais, inseridos na comunidade, a maioria deles professores universitários, que realizaram a investigação”.

PESQUISQA  EM REDE       

O radio continua sendo popular e atual

     O livro, publicado pela Editora Insular (www.insular.com.br) tem 590 páginas e mapeia 561 emissoras de todas as Regiões Metropolitanas. A obra faz parte de um amplo projeto de pesquisa, que pretende inventariar todas as emissoras de rádio de todos os Estados e de todos os municípios brasileiros. O projeto ainda abrangerá as emissoras que funcionam apenas na internet, as webradios.

     A realização de uma pesquisa tão ampla teve seus problemas segundo a professora: “Enfrentamos algumas dificuldades na realização desta investigação. A primeira delas foi a formação do grupo de pesquisadores, pois precisávamos de pelo menos um representante em cada Capital e também em Brasília. Fizemos convocações aos grupos de pesquisa de todo o país e, assim, conseguimos montar a grande equipe de investigadores. Depois, a principal dificuldade foi o levantamento dos dados, já que são poucas, ou inexistentes em alguns casos, as informações oficiais sobre algumas emissoras de rádio, com suas histórias, seus programas, suas trocas de proprietários, suas idas e vindas no dial. Em algumas situações, pesquisadores relataram que houve até má vontade explícita no fornecimento de informações, já que não havia interesse que determinadas histórias ou situações fossem desvendadas e publicadas”.

Colaboração: Lídia Ramires 

Ilustração disponibilizada em http://www.aerp.org.br/inicio/?p=296

Lançamento do livro Panorama do rádio no Brasil   Data: 5 de setembro (segunda-feira) Horário: 14h às 18h  Local: Universidade Católica de Pernambuco – Recife

Contatos: Lídia Ramires – lidiaramires@uol.com.br – (82) 9972-1976   Ricardo Ferro – ricardomoresi@gmail.com – (82) 9971-8823      Nair Prata - nairprata@uol.com.br -  (31) 9985-5826