Com o título “Heróis de Laboratório”, a edição de 20 de março de 2011 da Revista “VEJA” destacou aqueles que são considerados, atualmente, os mais notáveis jovens talentos da ciência brasileira. Neste grupo seleto está o matemático alagoano Fernando Codá Marques.

Fernando Codá confirma a vocação matemática de Alagoas

     Embora tendo nascido em São Carlos, no estado de São Paulo, foi em Maceió que ele cresceu ao lado de seus dois irmãos e seus pais, professores de Engenharia Civil Severino Pereira Cavalcanti Marques e Dilze Codá Dos Santos Cavalcanti Marques. A carreira dos pais o influenciou bastante. Acompanhava-os nos congressos, ouvia suas discussões. Ele recorda que. “realmente, tinha aquele ambiente de estudo em casa”.

Carreira acadêmica

     Ao entrar na UFAL o rapaz ganhou uma bolsa de iniciação científica como prêmio pelo desempenho no Vestibular. Seu orientador era o Professor Hilário Alencar do Departamento de Matemática, hoje presidente da SBM (Sociedade Brasileira de Matemática).“Comecei a ler livros de Matemática Pura e aos poucos fui percebendo que a matemática era a minha verdadeira vocação.”recorda Fernando. Em 1997 fez alguns cursos de verão no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, onde hoje trabalha como pesquisador.

     No ano seguinte trancou sua matrícula na UFAL e foi para o Rio de Janeiro fazer o mestrado no IMPA. Recebeu o diploma de Graduação em Matemática pela UFAL em 1999, através de um processo especial de avaliação. Fernando é considerado gênio pelo meio acadêmico. O alagoano cumpriu sua graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em tempo recorde, “ao mesmo tempo em que estava terminando o mestrado, eu terminei a graduação” diz ele.

Desafio científico

     Com o doutorado na Cornell University e pós-doutorado pela Stanford University.. Codá é pesquisador e professor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, e divide sua rotina entre pesquisas, aulas e palestras dentro e fora do país. Em 2008, Fernando e mais dois colegas pesquisadores norte-americanos resolveram um problema de geometria que estava sem solução há duas décadas: a conjectura da compacidade. Elaborada pelo também norte-americano Richard Schoen, a tese determinava que formas curvas se comportavam de maneira semelhante em todas as dimensões.

     O grupo de Codá provou  que a tese de Schoen tem limitações: funciona até uma hipotética 24 dimensão, mas falha a partir da 25%  “Foi uma surpresa para o pessoal da área. E só”, diz Marques, que se diverte com a dificuldade de explicar seu trabalho a leigos. O que ele mais gosta na Matemática é “a estética na Geometria”. Explica em seguida que a Matemática “é toda uma linguagem que a gente aprende com o tempo” e confessa: “é difícil explicar, é realmente muito abstrata”. Marques trabalha com teoria matemática. Suas pesquisas são voltadas para a Geometria Diferencial e Equações Diferenciais Parciais.

Colaboração de Priscila Anacleto

Foto: sem autoria, publicada no site da Academia Brasileira de Ciências

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