Pesquisa da UFAL viabiliza novas marcas de cachaça

setembro 28th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     Não existe no Brasil uma bebida que sofra mais preconceito por parte dos consumidores do que a cachaça. A bebida, popularmente conhecida como “pinga”, está presente em todo o território nacional, e para muitos pode não ser “uma boa ideia”. Para a ciência, no entanto, o seu conhecimento é irresistível.

João Nunes ajuda a valorizar a cachaça como potencial comercial

     É isso que motiva o pesquisador João Nunes, do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas. Ele desenvolve há pelo menos 10 anos uma cachaça artesanal, proveniente de estudos que envolvem o envelhecimento em barris de diferentes tipos de madeira, que dão um sabor e uma coloração diferenciados à “branquinha”. Com uma cor mais viva, a cachaça é produzida e armazenada em diversos tonéis no Laboratório de Derivados de Cana-de-açúcar da Universidade.   

     Para o pesquisador, o segredo do destilado está diretamente associado à seriedade do trabalho. Para Nunes, a “cachaça está se tornando chique”, não devendo em nada em qualidade diante de produtos já consagrados como, por exemplo, o uísque, de origem escocesa. Tudo isso vem sendo comprovado aos poucos, pelo surgimento de bares especializados, inclusive na capital alagoana, demonstrando uma aceitação comercial cada vez mais crescente e, portanto, uma diminuição no famigerado preconceito.

     João Nunes tenta explicar o fascínio pela bebida. “Como professor do curso de Engenharia Química eu me interessei pelo produto desde o início… Comprei um alambique pequeno, pra começar a dar aula prática. Não produzia muito, mas depois das aulas era comum distribuir gratuitamente, e foi aí que começou a ter retorno”, conta o pesquisador.

     O processo acabou sendo natural. Em pouco tempo, já existia estudantes interessados em testar novos melhoramentos na bebida. Com isso, foram surgindo trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses de doutorados sob a orientação de Nunes.

     O que antes era tido apenas como uma atividade curricular, que reunia dentro da academia conhecimento científico, gastronomia e diversão, acabou se tornando também um negócio. Foi assim que João Nunes abriu em 2008 a empresa Nunes e Góes Beneficiamento e Comércio de Bebidas LTDA. E passou a investir dinheiro do seu próprio bolso, cerca de R$ 150 mil ao longo dos anos, para produzir diferentes tipos de cachaça e comercializar o produto.

     Ao mesmo tempo, porém, a pesquisa continuava na universidade por meio da criação de uma empresa na incubadora da Ufal. É por isso que, para ser comercializada, a cachaça “Engenho Nunes” recebe também o selo da universidade.

     “A produção ainda é pouca, porque não existe uma grande demanda, mas aos poucos as pessoas estão perdendo o preconceito com o produto quando veem que é de qualidade”, justifica o professor.

     Entre os estabelecimentos comerciais que já disponibilizam a cachaça universitária na prateleira, estão os restaurantes Bodega do Sertão, na Jatiúca, Império dos Camarões, na Ponta Verde, e a casa de bebidas Pichilau, na Gruta de Lourdes.

  Processo

      Para produzir a aguardente de cana, o pesquisador usa barris de diferentes tipos de madeira como o carvalho, castanheira, jequitibá, jatobá e umburana. As mais consumidas são as cachaças feitas com madeira de carvalho e umburana. Por fim, o produto deve conter entre 38% e 48% de álcool, segundo normais nacionais.

     “A verdadeira cachaça, não é aquela que desce arranhado a garganta. É aquela que, se bem apreciada, não dá ressaca e nem dor de cabeça”, ressalta Nunes, com relação ao popular efeito nocivo da bebida.

     Mensalmente, a cachaça passa por uma análise de qualidade feita em laboratório. É nesse laboratório que os estudantes têm a chance de aprimorar seus conhecimentos científicos e testar inovações que podem ser refletidas na qualidade final do produto.

     Fatores climáticos como temperatura e os raios do sol também influenciam na boa qualidade da cachaça. O produto final depende também do tempo de repouso e envelhecimento.

     Como nenhuma pesquisa tem o caráter definitivo, o pesquisador avisa que novas alternativas continuam sendo buscadas durante o estudo, como a utilização de outros tipos de madeira, totalizando em nove, o número de cachaças produzidas. Além disso, o próprio pesquisador já orienta uma tese de mestrado que objetiva aprimoramento da aguardente de mel de abelha de diferentes floradas.

Novos produtos entram no mercado com selo da UFAL

Bom Negócio

     De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac), no Brasil existem atualmente 40 mil produtores de cachaça, sendo que 99% são micros ou pequenos produtores. Ainda segundo o instituto, existem quatro mil marcas de cachaça no país, que contribuem com 600 mil empregos diretos e indiretos.

     No ano de 2009, o país exportou 10,8 milhões de litros da bebida. Os principais compradores foram Alemanha, Estados Unidos, Portugal e França.

      O reflexo dos dados pode ser traduzido no recente investimento em bares especializados, como é o caso da Cachaçaria Água Doce, na Jatiúca. E a escolha do nome não é por acaso.

     “Cachaça hoje em dia é uma tendência mundial. É tanto que a Sagatiba [primeira marca de cachaça a se estabelecer fora do Brasil, em 2004] foi comprada pela italiana Campari”, conta o empresário Rosiel Caetano, proprietário da cachaçaria.

     Segundo ele, a referência da bebida no exterior é muito forte. “A gente atende vários clientes ‘gringos’, que chegam a Alagoas com esse intuito: provar a cachaça brasileira. É por isso que a minha empresa está querendo montar pelo menos mais três franquias fora do país”, avisa, entusiasmado.

     De acordo com Fernando Pichilau, dono da Pichilau Bebidas, na Gruta, “o produto vende, e vende bem”. “Apesar das cachaças mineiras ainda dominarem o mercado, é notável o crescimento do produto local”, avalia. O estabelecimento disponibiliza para venda, além da cachaça desenvolvida no laboratório da Ufal, a cachaça Brejo dos Bois, Gogó da Ema e Valeu Boi, todos produtos inteiramente alagoanos.  

Raízes

     A cachaça é considerada símbolo da identidade do povo brasileiro. A justificativa pode ser buscada na história. Em 1660, uma rebelião que ficou conhecida como Revolta da Cachaça, foi determinante para que a Coroa Portuguesa legalizasse a produção e comercialização da bebida.

     A proibição era uma forma de incentivar o consumo da bagaceira, bebida produzida pelos portugueses a partir do bagaço da uva. A elite bebia a bagaceira, o vinho. Enquanto que os escravos ficavam com o mel da cana-de-açúcar.

     A liberação do consumo da cachaça aconteceu em 13 de setembro de 1661, há exatos 350 anos. A data é considerada pelos produtores como o “Dia da Cachaça”. Porém, ainda tramita no Congresso Nacional uma lei que tenta oficializar o dia no calendário brasileiro de datas comemorativas.

     Os escravos depois de um dia duro de trabalho, na produção de cana-de-açúcar, deixavam o mel sem estar no ponto. Com o tempo, o caldo fermentava e se tornava azedo. “Aí alguém bebeu e achou interessante… E assim começou o processo de destilação. A condensação dos vapores do álcool batia no telhado e pingava nas costas dos escravos, e supostamente, a partir dessa ocasião a bebida passou a se chamar pinga”, explica o pesquisador João Nunes.

     A atividade foi rapidamente estimulada pelos senhores de engenho, que viram na aguardente uma maneira de controlar os escravos. A bebida deixava-os mais alegres, e, portanto, fazia esquecer a saudade de casa.

Autor: Milton Rodrigues e Petronio Viana

Fotos: Milton Rodrigues

Fonte:  http://tribunahoje.com/noticia/5300/cidades/2011/09/12/pesquisador-da-ufal-produz-cachaca-artesanal-em-alagoas.html

Alagoas lidera produção de laranja lima no Brasil

setembro 28th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     A laranja não é apenas uma importante fonte de vitamina C. Há 60 anos o cultivo dessa fruta é o que movimenta a economia local da Região do Vale do Mundaú. Cerca de 2.500 agricultores familiares, distribuídos nos municípios de Branquinha, Ibateguara, São José da Laje, União dos Palmares e Santana do Mundaú, tornaram Alagoas o terceiro maior produtor de laranja do Nordeste e o maior produtor de laranja lima do país.

Condições ambientais favorecem citricultura alagoana

    Aspectos como o solo e o clima favorável da região contribuem para que Alagoas, através dos citricultores – organizados em 40 associações e duas cooperativas regionais – possua 13 mil hectares de terra cultivados com laranjas lima e uma produção de 213 mil toneladas anuais, movimentando uma receita de R$134 milhões.
     Os agricultores integram o Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), através do APL da Laranja no Vale do Mundaú. O programa do Governo de Alagoas – através da Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplande) em parceria com o Sebrae/AL -  busca dinamizar o agronegócio e promover o aumento da produtividade, da qualidade do fruto, da sustentabilidade sócio-econômica e ambiental, buscando novos mercados.
     “O trabalho desenvolvido pelo APL tem o objetivo de motivar a interação e cooperação entre produtores e empreendedores para atração de capitais e aumento do dinamismo empresarial. A redução dos custos e riscos empresariais e a promoção de inovações tecnológicas também estão entre as nossas metas”, explicou a gestora do Arranjo, Leila Flávia.
     Aumentar a produtividade em 60% e elevar em 30% o padrão de frutas classificadas com “Tipo A” são alguns dos resultados que o Arranjo pretende alcançar até dezembro de 2012. Para o final desse ano, espera-se que o volume de laranja lima dos produtores selecionados para a certificação em Produção Integrada aumente 80%.
     Outros pontos que também estão dentro do plano de ação do APL é a ampliação do volume de frutas comercializadas em 30% até dezembro de 2011 e em 30% até dezembro de 2012 e o aumento da renda dos produtores em 60% até dezembro de 2012.
COOPLAL
     A Cooperativa dos Produtores de Laranja Lima (Cooplal) foi criada em junho de 2002 com o objetivo de comercializar as laranjas lima de Santana do Mundaú – maior centro de produção cítrica de Alagoas, com cerca de 90% da produção estadual. Os cooperados eram os presidentes e diretores das associações e representantes de 15 comunidades desse município.
Atualmente, a Cooplal conta com 48 cooperados e 20 associações de produtores rurais, somando mais de 500 citricultores. “Temos dois técnicos agrícolas que realizam reuniões nas comunidades para auxiliar os agricultores na comercialização e fabricação da fruta. Além de capacitações para que os produtores conheçam as pragas e doenças constantes da região”, destacou o presidente, Antonio Carlos Souza.
     Com o surgimento do APL, em 2009, a Cooplal passou a coordenar as vendas para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e realizou 10 projetos, beneficiando 263 produtores e 249 mil pessoas carentes de 16 municípios. No ano de 2010, foram desenvolvidos 19 projetos que contemplaram 518 citricultores e 290 mil pessoas.
     Segundo a gestora do Arranjo, Leila Flávia, através dos 24 projetos realizados esse ano foram vendidas 3.498 toneladas de laranja, resultando em uma quantia de R$2.204.044,92 e beneficiando cerca de 900 pessoas.
Uma máquina de beneficiamento da laranja – no valor de R$50 mil – para lavar, secar e classificar em três tamanhos a fruta, além de uma extradora, dosadora e seladora, no valor de R$37mil, para a fabricação do suco congelado da laranja, foram alguns dos equipamentos captados através de ações APL para aumentar a produção.
     “Graças a toda essa estrutura que conseguimos montar, hoje vendemos para oito supermercados em Maceió, como o Bompreço, Palato e Cesta de Alimentos. Além das duas toneladas por mês que vendemos para 17 mercadinhos da central de Maceió”, explicou Leila Flávia.
      Para se tornar um cooperado, o produtor de laranja precisa ser um agricultor familiar, ter até 64 hectares de terra plantados, renda bruta anual de até 100 mil reais e residir na região do Vale do Mundaú.
PROPRIEDADES NUTRITIVAS
     A laranja lima é considerada fonte de vitamina C e fibras, além de possuir quantidades significativas de minerais, como o potássio e o fósforo. Vitaminas do complexo B e ácido fólico também são encontrados nessa fruta energética.
     Por ser rica em vitamina C, a laranja tem papel oxidante e ajuda a combater o envelhecimento precoce das células; fortalece as defesas do organismo, tornando-o mais resistente às infecções e auxilia o corpo a absorver o ferro de outros alimentos. Já as fibras contribuem para a diminuição das taxas de colesterol e atuam no funcionamento regular do intestino.
      Mas, para que todas essas propriedades nutritivas da laranja sejam mantidas, é necessário ficar atento na hora de consumir a fruta, pois a perda do valor nutritivo dos alimentos tem inicio desde a produção e, se manipulado de forma incorreta, essa perda pode ser acentuada.
     Por saber desse fator, o APL da Laranja desenvolve um trabalho voltado para que o valor nutritivo da fruta não seja alterado. “Nossas laranjas são grandes, doces, com menor acidez, polpa muito suculenta e de coloração amarelada, reconhecidas por consumidores locais e de outros estados”, ressaltou Leila Flávia.
     Quanto a maneira de consumir a fruta, a nutricionista do Mesa Brasil Sesc Alagoas, Kelly Morgana Araújo, explica que o suco e a fruta “in natura” são recomendados para quem quer ter uma alimentação saudável. Ao consumir a fruta, os benefícios das fibras e de algumas vitaminas mais voláteis são mantidos.
     “O suco de laranja também são uma ótima opção nutritiva, no entanto há alguns cuidados que devem ser mantidos durante o preparo, como coar o mínimo possível para manter parte das fibras e consumir de imediato, pois mesmo guardado em geladeira alguns nutrientes são perdidos”, detalhou a nutricionista.
     A especialista também falou que para quem não gosta de fruta e precisa absorver as propriedades nutritivas da laranja, a opção é consumir um bolo ou um doce da fruta, por exemplo. “É só prestar atenção na embalagem e se o produto foi acondicionado de forma adequada até o consumo”, concluiu a nutricionista.

Texto e Ilustração: Laís Pita ( colaboradora/estudante de Jornalismo da    Universidade Federal de Alagoas)

Livro traça o panorama do rádio no Brasil

agosto 11th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Panorama do rádio em Maceió destaca 13 emissoras da região metropolitana

     Um livro inédito e histórico sobre o rádio brasileiro será lançado no dia 5 de setembro, em Recife, durante a realização do 34º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. A obra Panorama do rádio no Brasil é um trabalho pioneiro que traça um amplo inventário das emissoras de rádio de todas as 27 Regiões Metropolitanas do país. A organização do livro é da professora mineira Nair Prata, que contou com uma equipe de 52 pesquisadores que, de norte a sul do país, produziram um panorama original da radiofonia brasileira. A obra é mais um trabalho em conjunto do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

     O capítulo que trata do Panorama do rádio em Maceió é de autoria dos pesquisadores Lídia Ramires (UFAL) e Ricardo Ferro (FITS) e aborda 13 das 16 emissoras, analisando história e características da programação. Nem todas as emissoras disponibilizaram dados, dificultando o levantamento das informações. Segundo a organizadora do livor, professora Nair Prata, o trabalho de pesquisa durou cerca de um ano. A professora explica: “É importante destacar que são pesquisadores locais, inseridos na comunidade, a maioria deles professores universitários, que realizaram a investigação”.

PESQUISQA  EM REDE       

O radio continua sendo popular e atual

     O livro, publicado pela Editora Insular (www.insular.com.br) tem 590 páginas e mapeia 561 emissoras de todas as Regiões Metropolitanas. A obra faz parte de um amplo projeto de pesquisa, que pretende inventariar todas as emissoras de rádio de todos os Estados e de todos os municípios brasileiros. O projeto ainda abrangerá as emissoras que funcionam apenas na internet, as webradios.

     A realização de uma pesquisa tão ampla teve seus problemas segundo a professora: “Enfrentamos algumas dificuldades na realização desta investigação. A primeira delas foi a formação do grupo de pesquisadores, pois precisávamos de pelo menos um representante em cada Capital e também em Brasília. Fizemos convocações aos grupos de pesquisa de todo o país e, assim, conseguimos montar a grande equipe de investigadores. Depois, a principal dificuldade foi o levantamento dos dados, já que são poucas, ou inexistentes em alguns casos, as informações oficiais sobre algumas emissoras de rádio, com suas histórias, seus programas, suas trocas de proprietários, suas idas e vindas no dial. Em algumas situações, pesquisadores relataram que houve até má vontade explícita no fornecimento de informações, já que não havia interesse que determinadas histórias ou situações fossem desvendadas e publicadas”.

Colaboração: Lídia Ramires 

Ilustração disponibilizada em http://www.aerp.org.br/inicio/?p=296

Lançamento do livro Panorama do rádio no Brasil   Data: 5 de setembro (segunda-feira) Horário: 14h às 18h  Local: Universidade Católica de Pernambuco – Recife

Contatos: Lídia Ramires – lidiaramires@uol.com.br – (82) 9972-1976   Ricardo Ferro – ricardomoresi@gmail.com – (82) 9971-8823      Nair Prata - nairprata@uol.com.br -  (31) 9985-5826

TCC propõe mobiliário com tubos de papelão

julho 30th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Tubos são opção ecológica

Aluna do curso tecnológico de Design de Interiores do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Ingrid Nicácio Ferreira, defendeu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em junho passado, intitulado “Uma discussão do design sustentável: proposta experimental para mobiliário com tubos de papelão”.  O trabalho segue o princípio do ecodesign, propondo a discussão sobre a sustentabilidade através da reutilização de materiais descartados na natureza.

O trabalho foi orientado inicialmente pela professora e pesquisadora do IFAL, Áurea Rapôso, mas esta precisou sair de Alagoas para fazer doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), deixando o cargo de orientadora para a professora-doutora Rossana Gaia, também do IFAL. A aluna Ingrid Nicácio fez parte do Núcleo de Pesquisa em Design (NPDesign), trabalhando com a professora Áurea no projeto MobPET, que busca reflexões a cerca de mobiliários com garrafas pet. Foi através do MobPET que a aluna não só pensou seu TCC como imaginou um novo projeto, mas desta vez baseado em mobiliários construídos com papelão, o MobPAPER.
PROJETO ALTERNATIVO
“A Ingrid tem um perfil diferenciado. Ela faz parte daquele grupo de alunos que não se interessam apenas na formação, mas buscam também a extensão e a pesquisa”, revela Áurea Rapôso. A aluna ainda fez parte de oficinas e cursos voltados para a comunidade, um deles foi realizado na Vila Emater II, antiga favela do Lixão de Alagoas. Os projetos MobPET  e MobPAPER  resultaram em vários trabalhos científicos, nacionais e internacionais, e estão disponibilizados gratuitamente na internet.
Uma das questões mais discutidas na Banca Examinadora foi a lógica de consumo da sociedade atual. “Não são as pessoas individualmente que vão dar um fim aos problemas ambientais. Há todo um sistema de ações e de atores que são os produtores, as empresas e os designers. Todos estão interligados”, esclareceu Áurea. “Se todos não repensam essa questão da lógica do consumo, a gente fica sem possibilidades de ponderar um futuro promissor para a habitação nesse planeta. Projetos desse tipo são interessantes para que os seres humanos reflitam um pouco sobre questões que estão relacionadas à nossa época”.

Móveis com tubos de papelão são facilmente recicláveis e biodegradáveis

A principal contribuição do TCC é a refleção sobre a politização das práticas que são feitas por todos os agentes, que não se resume ao design, mas a toda sociedade que compra, consome e gera demandas. Além dos empresários, dos distribuidores e dos fornecedores que alimentam a cadeia de produção. O trabalho traz temáticas atuais que ajudam na modificação do pensamento e da conduta em relação aos recursos e ao espaço de habitação que nós ainda temos.

Outra função importante do projeto apresentado pela aluna é a disseminação e divulgação no ambiente acadêmico. “Eu vejo um TCC que pode vim a ter um efeito multiplicador positivo no âmbito acadêmico do IFAL e de outras Instituições locais, ou até mesmo contribuir nacionalmente para essa discussão”, afirma Áurea Rapôso. “Enfrentamos, justamente na academia, a carência de estudos específicos que abordem a relação da sustentabilidade com o Design, com as cadeias produtivas, com o produto, o consumo e o mercado”, conclui ela.
AVALIAÇÃO ACADÊMICA
A Banca Examinadora foi composta pelo professor Fernando Antônio Souza Santos, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a professora Iolita Marques (Suplente/IFAL), a professora Gabriela G. Bianca (IFAL), a professora e orientadora Rossana Gaia e a professora e co-orientadora Áurea Rapôso.
Finalmente, Rossana Gaia fez questão de mencionar a importância do incentivo que as Instituições de Educação Superior e Fundações de Amparo a Pesquisa dão aos alunos graduandos: “É sempre muito importante quando a Instituição ou a Fundação de Amparo a Pesquisa garantem bolsas a esses alunos e as condições mínimas adequadas para que eles possam se dedicar aos estudos e produzirem trabalhos desse nível”.
Texto de Elayne Pontual
Fotos disponibilizadas em
http://portuguese.alibaba.com/product-gs/paper-tubes-451243805.html
http://www.amigosdanatureza.net/lixo-e-reciclagem/veja-que-beleza-estes-moveis-feito-de-tubos-de-papelao/

Webrádio é tema de mestrado em Educação

julho 21st, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Noemia enfatiza o papel estratégico do rádio na Educação à distância

Com os olhos voltados para Educação à Distância(EAD), a mestranda Noêmia Bito em entrevista para a Agência Ciênci@lagoas fala das possibilidades educacionais da web rádio. Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe e em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas, ela vem acumulando experiência nos usos das mídias sonoras, a partir da realização do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), quando iniciou estudos sobre podcast(arquivo em audio) e não parou mais.

Agência Ciênci@lagoas : Quando surgiu a ideia de trabalhar com a web rádio?

NOEMIA: Em 2010, no segundo ano do mestrado em Educação Brasileira, meu orientador, professor Elton Fireman, sugeriu que trabalhássemos com web rádio, ao invés de nos restringirmos ao podcast. Eu particularmente tive medo, porque não sabia se conseguiria compreender e fazer funcionar esse formato midiático, visto que exigia mais conhecimentos de informática do que eu possuía.

Agência Ciênci@lagoas:  Sua pesquisa é fruto da graduação em comunicação?

NOEMIA:  Em 2008, eu estava no último ano do curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, escrevendo o trabalho de conclusão de curso (TCC) orientado pelo professor Ronaldo Bispo e  intitulado “Podcast Jornalístico: tecnologia alternativa e comunitária”, em parceria com Jakeline Santos. Como já era formada em Pedagogia, me inscrevi na seleção do mestrado para ingresso em 2009 apresentando no projeto de pesquisa a proposta de trabalhar com podcast educativo para uso no Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle. Só em janeiro de 2011 me formei em Jornalismo, porque dei mais atenção às disciplinas do mestrado do que ao TCC. Por isso, afirmo que é fruto de vários estudos, principalmente de Educomunicação.

Agência Ciênci@lagoas: Quem participa desse projeto?

NOEMIA: O professor Antônio Freitas, da Comunicação, é co-orientador. Um estudante de jornalismo, Manuel Henrique de Oliveira Barbosa, acompanha as atividades, a qeum eu aproveito para agradecer aqui as dicas que ele me dá na área de informática.  É colaborador, sem bolsa.  Não é um projeto do CNPq, nem da Fapeal, nem da UAB. Quando ingressei no mestrado, já era funcionária da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), o que na época me impedia de solicitar bolsa de pesquisa por já exercer atividade remunerada. 

Agência Ciênci@lagoas: Como se deu a criação de uma web rádio vinculada a EAD?

NOEMIA: É preciso considerar que existem vários tipos de web rádio. A que estudo funciona para apresentar ao vivo, em horários pré-determinados e comunicados ao estudante, um programa de uma hora cuja transmissão ao vivo conta com a participação dos estudantes por meio de bate-papo, e-mail e telefone.  Ela é vinculada especialmente a uma disciplina, funciona dentro de limites que caracterizam essa transmissão ao vivo como material didático em mídia sonora para os estudantes do curso de Pedagogia Licenciatura a distância da UFAL. É claro que estudando essa possibilidade, também visualizamos a ideia da web rádio institucional, mas não é esse o objetivo do trabalho

Agência Ciênci@lagoas: Além de você alguém mais do Centro de Educação(CEDU) participa do projeto?

NOEMIA: Como um projeto de mestrado, envolve os professores Elton e Freitas; o técnico de áudio Edson Silva e o estudante Manuel Henrique de Oliveira Barbosa, ambos voluntários do Curso de Comunicação. Professor Freitas tem, junto à coordenação do NEAD, elaborado propostas envolvendo o uso de mídias na educação. Além disso, temos a Mary Scofield, mestra em educação pelo CEDU, cujo trabalho, anterior ao meu, já tratava sobre web rádio; e outro colega do mestrado é Rafael Barros, que também está estudando sobre web rádio. Finalmente, a Coordenadoria Institucional de Educação a Distância(CIED)  da UFAL tem proposta de web rádio institucional. 

Entrevista concedida a Hiago Rocha

Editada por Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Alagoano é destaque no Brasil e no exterior

julho 8th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

     Com o título “Heróis de Laboratório”, a edição de 20 de março de 2011 da Revista “VEJA” destacou aqueles que são considerados, atualmente, os mais notáveis jovens talentos da ciência brasileira. Neste grupo seleto está o matemático alagoano Fernando Codá Marques.

Fernando Codá confirma a vocação matemática de Alagoas

     Embora tendo nascido em São Carlos, no estado de São Paulo, foi em Maceió que ele cresceu ao lado de seus dois irmãos e seus pais, professores de Engenharia Civil Severino Pereira Cavalcanti Marques e Dilze Codá Dos Santos Cavalcanti Marques. A carreira dos pais o influenciou bastante. Acompanhava-os nos congressos, ouvia suas discussões. Ele recorda que. “realmente, tinha aquele ambiente de estudo em casa”.

Carreira acadêmica

     Ao entrar na UFAL o rapaz ganhou uma bolsa de iniciação científica como prêmio pelo desempenho no Vestibular. Seu orientador era o Professor Hilário Alencar do Departamento de Matemática, hoje presidente da SBM (Sociedade Brasileira de Matemática).“Comecei a ler livros de Matemática Pura e aos poucos fui percebendo que a matemática era a minha verdadeira vocação.”recorda Fernando. Em 1997 fez alguns cursos de verão no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, onde hoje trabalha como pesquisador.

     No ano seguinte trancou sua matrícula na UFAL e foi para o Rio de Janeiro fazer o mestrado no IMPA. Recebeu o diploma de Graduação em Matemática pela UFAL em 1999, através de um processo especial de avaliação. Fernando é considerado gênio pelo meio acadêmico. O alagoano cumpriu sua graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em tempo recorde, “ao mesmo tempo em que estava terminando o mestrado, eu terminei a graduação” diz ele.

Desafio científico

     Com o doutorado na Cornell University e pós-doutorado pela Stanford University.. Codá é pesquisador e professor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, e divide sua rotina entre pesquisas, aulas e palestras dentro e fora do país. Em 2008, Fernando e mais dois colegas pesquisadores norte-americanos resolveram um problema de geometria que estava sem solução há duas décadas: a conjectura da compacidade. Elaborada pelo também norte-americano Richard Schoen, a tese determinava que formas curvas se comportavam de maneira semelhante em todas as dimensões.

     O grupo de Codá provou  que a tese de Schoen tem limitações: funciona até uma hipotética 24 dimensão, mas falha a partir da 25%  “Foi uma surpresa para o pessoal da área. E só”, diz Marques, que se diverte com a dificuldade de explicar seu trabalho a leigos. O que ele mais gosta na Matemática é “a estética na Geometria”. Explica em seguida que a Matemática “é toda uma linguagem que a gente aprende com o tempo” e confessa: “é difícil explicar, é realmente muito abstrata”. Marques trabalha com teoria matemática. Suas pesquisas são voltadas para a Geometria Diferencial e Equações Diferenciais Parciais.

Colaboração de Priscila Anacleto

Foto: sem autoria, publicada no site da Academia Brasileira de Ciências

Edufal lança 3,4 Feijão com Arroz no Prato

junho 11th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Fruto do projeto de extensão Feijão com Arroz: o dia-a-dia da alimentação e nutrição saudável (FCA), o livro 3,4 Feijão com Arroz no Prato tem como objetivo principal incentivar e resgatar o consumo dessa tradicional combinação alimentar pela população brasileira: “Os dados do IBGE mostram que as pessoas estão se distanciando um pouco desse hábito, principalmente por aquilo que chamamos de comensalidade contemporânea ou globalização da alimentação”, revela autora e organizadora da obra, Sandra Mary Lima Vasconcelos.

Sandra Vasconcelos enfatiza valor nutricional da dupla feijão e arroz

O lançamento de 3,4 Feijão com Arroz no Prato acontece no dia 15 de junho, no I Congresso Alagoano de Práticas Interdisciplinares: tecendo redes de promoção da saúde. O evento ocorrerá no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso nos dias 15, 16 e 17 de junho.

RESGATE

Com caráter informativo e uma linguagem simples, o livro conta a história do feijão e do arroz, apresentando a diversidade desses grãos e comentando a finalidade e composição nutricional de ambos. Estão presentes na obra algumas curiosidades que envolvem o prato, além de receitas e várias ilustrações. “No lançamento do livro nós pretendemos estar disponibilizando alguns pratos para degustação em um espaço Gourmet”, revela Sandra.

Com uma triagem de 1000 exemplares, a proposta é realizar a distribuição gratuita para os Núcleos de promoção da saúde do Estado de Alagoas, além de escolas da rede pública municipal e estadual. “Para nós será uma satisfação muito grande que o livro tenha essa penetração nos setores estratégicos”, disse Sandra revelando em seguida a pretensão de que, até a Bienal do Livro, seja publicada a versão digital para que haja uma propagação mais ampla da obra.

O livro é um trabalho coletivo da equipe de graduação e pós-graduação do Laboratório de Nutrição em Cardiologia (NUTRICARDIO) e do Projeto de Extensão Feijão com Arroz (FCA), com autoria e organização da professora Sandra Mary Lima Vasconcelos, coordenadora do NUTRICARDIO e FCA – FANUT/UFAL.

Autora: Elayne Pontual

Ufal discute criação de curso de oceanografia

junho 10th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

        

Litoral é campo fértil para pesquisas

   A bióloga Mônica Dorigo, docente da Universidade Federal de Alagoas/UFAL, está defendendo a criação de um curso superior em oceanografia em Alagoas. Ela ressalta, com certo descontentamento, que “a maioria da população não conhece as lagoas que batizam o estado”. Assim, se o curso for aprovado pelo CONSUNI – Conselho Universitário – a população se beneficiaria não somente no aspecto de conscientização, mas, sobretudo, com o aprendizado – para crianças até adultos (a priori o público selecionado seria pescadores). O local de realização do mesmo seria mais precisamente na antiga Escola de Aprendiz de Marinheiro, próxima ao Detran, no Pontal.

            Sendo um curso de ciências do mar, estando próximo à costa, a pesquisa de campo envolveria a experiência aproveitada pelos cidadãos do entorno, isto é, eles acompanhariam estudantes e professores, indicando locais estratégicos para o olhar acadêmico do envolvidos. Para tanto, barcos estariam à disposição da equipe que, além de se relacionar e levar à comunidade os métodos científicos da pesquisa de campo germinaria uma cultura de interesse por ciência. Outra grande conseqüência é a criação de um Museu de Ciências do Mar.

MUSEU DO MAR

            A proposta, segundo Dorigo, é recriar, em resina de carbono, que não se degrada (tão facilmente) e conserva a modelagem aplicada, biomas marinhos alagoanos garantindo um primor, seja milimétrico, seja reprodutório das espécies escolhidas para esses modelos. Além disso, o museu abrigaria um aquário e um viveiro. A professora esclarece –“a maioria das cidades litorâneas (grande parte, portuária) conta com esse espaço para a sociedade, o curso de oceanografia traria solidez e, construiria mais um campo de análises e reflexões sobre a gênese (biótica e abiótica) de Alagoas, ressalta. O Estado se beneficiaria como em uma relação mutualista, onde todos ganham.

            Há mais de vinte anos na UFAL, a professora Mônica Dorigo, trabalha no LABMAR – Laboratório Integrado de Ciências do Mar, da Usina Ciência, estudando recifes de corais. Com atuação, nas áreas Biologia Marinha, Zoologia Costeira e Oceanografia, a sua tese de doutorado foi fruto de pesquisa sobre a costa alagoana, mais especificamente a Ponta Verde. No Brasil, se conhece muito pouco a respeito sobre os arrecifes. Somente na década de 80 se alavancaram o interesse, o fomento, a preocupação e a importância deles. De lá para cá, mesmo com toda a evolução científica a respeito, ainda falta muito pra se conhecer.

Auotr: Hiago Rocha

Foto: http://www.freephotosweb.com/Landscape/pic5232.html

Alagoas comemora o Ano Internacional da Química

junho 3rd, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

Jangada regionaliza evento internacional

  O ano de 2011 foi proclamado o Ano Internacional da Química (AIQ) no ano de 2009, na Escócia-Reino Unido, sob o tema “Química – a nossa vida, o nosso futuro”. Tendo como objetivo celebrar as contribuições da deste ramo da ciência para o bem-estar da humanidade. Assim, as atividades programadas para este ano darão ênfase à importância da química para os recursos naturais sustentáveis. Além disso, também será comemorado o 100º aniversário do Prêmio Nobel em Química para Marie Sklodowska Curie – pelas suas contribuições aos estudos sobre radioatividade – o que motivará uma celebração pela contribuição das mulheres à ciência. 

INTERAÇÃO COM O PÚBLICO JOVEM

     Em Alagoas não é diferente. O Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Ufal, também participa das comemorações no País. Uma das formas de interação é oferta de oficinas temáticas. Elas contribuirão para tornar cada vez mais próximo a aprendizagem da química de forma a alimentar o interesse de alunos para o entendimento dos processos químicos. Uma das organizadoras do AIQ na Ufal é a professora Marília Goulart. “Nós queremos estar presentes, ser ascendentes”, afirma. E não é para menos. O site do AIQ conta com diversos atrativos para estimular o interesse de jovens. Exemplo disso são as iniciativas do próprio site do AIQ – na página “365 dias de Química”, onde os entrevistados (professores universitários) explicam uma molécula nova por dia, as quais são compiladas por um grupo de alunos de doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Outro braço forte na promoção das celebrações e aproximação é o “QuiD+”, site infanto-juvenil  da Sociedade Brasileira de Química (SBQ). A professora Marília concedeu entrevista para ambos os sites e ratifica a necessidade das escolas em preparar os alunos para conhecer a química por trás do mundo, distanciando-se de fórmulas e balanceamentos, não que eles são sejam necessários – “todos nós (entrevistados) tivemos grande orientação por parte de nossos professores enquanto estudantes do ensino fundamental e médio. Era inevitável escapar das fórmulas, tínhamos que aprender e não decorá-las como costumeiramente é repassado para os alunos de hoje”, esclarece.

OFICINAS      Primeiramente, os professores de escolas municipais e estaduais, assim como professores de escolas particulares, serão convidados a entender temática dos cursos ofertados pelo IQB. As escolas do interior do Estado serão contempladas por meio de caravanas. Todos os professores que ministrarão as oficinas são do IQB, sem distinção entre os bacharéis e licenciados. Os graduados do curso também participarão como monitores nas oficinas. As quais estão divididas em quatro divisões temáticas: Experimentação em Química com Material de Baixo Custo; Química Biológica; Química e Energia e Química e Meio Ambiente. A professora Adriana Ribeiro, responsável pelo tema Química e Energia, reforça que serão trabalhadas, energias sob todas as formas e mostraremos o funcionamento de células solares.

      O horário será das 8:00h às 12:00h e das 13:00 às 17:00, em sábados alternados. As primeiras oficinas iniciaram-se no dia 07 de maio e tem previsão para término no dia 19 de novembro. 

EXPOSIÇÕES

     Com 20 painéis ilustrativos,  a exposição “A Química no Cotidiano” vem mostrando o quanto ele está presente em tudo que nos cerca: nos alimentos, na saúde, na agricultura, na energia e na comunicação.

     Elaborado pelo Museu da Vida, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Sociedade Brasileira de Química, com o apoio da Secretaria Regional da SBQ em Alagoas, a exposição é aberta ao público, com foco nos alunos de ensino médio, graduação e pós-graduação, além de professores. A programação que se iniciou em abril (de 25 a 29) na Usina Ciência, também contemplou a Biblioteca Central da Ufal (de 16 a 20). Estão confirmadas as exibições no Auditório do Campus Arapiraca da Ufal de 6 a 10 junho e De 13 a 17 de junho – no Instituto de Química da Ufal, no Campus Maceió, em comemoração ao Dia do Químico – comemorado em 18 de junho.

     Outra grande articulação foi a divulgação da AIQ com o uso das velas das conhecidas jangadas na orla das praias de Maceió. “Essa ideia é genuinamente nossa (comissão do IQB)”, pontua. As jangadas serão levadas para mar e poderão ser apreciadas por todos os alagoanos.

Site do  AIQ www.quimica2011.org.br

Autor da matéria: Hiago Rocha

Alagoas: um lugar especial para a química

Estaleiro: lacunas entre o mar e o continente

maio 6th, 2011 by Magnolia Rejane Andrade dos Santos

         Com a construção do Eisa, não somente o manguezal será atingindo. Toda a zona costeira onde estão previstas as construções anexas estão assoreadas, isto é,  a areia fica aparente e, em outros trechos, mesmo com as marés, continuam visíveis. Essa disposição é crucial para entender o hiato entre continente e o mar da região. 

         Uma das grandes questões diz respeito à construção de um canal, saindo da região continental do estaleiro até o mar. A princípio, os navios serão produzidos com calados (profundidade do casco) com até 14 metros. No entanto, devido ao assoreamento, cogita-se a possibilidade de se realizar dragagens dos sedimentos que impossibilitariam o alcance desses navios ao mar. Atrelado a essa situação, não foi verificada ainda a suposta existência de tubarões nos 6 km de distância entre a barreira de corais e a costa.

         E não há estudos que provem o contrário. No caminho inverso, a população de pescadores do Pontal do Coruripe, acredita que sim. “Se o estaleiro vier, aparecerão muitos tubarões, além de espantar os peixes, os turistas vão ficar com medo”, diz Márcio de Souza, 54 anos, pescador há 35 anos. Mas alguns pescadores entendem o outro lado –“se o estaleiro vier, vão aumentar as quantidades de empregos na região”, comenta Paulo Antônio, pescador há 8 anos. A tendência parece ser essa mesma – os 202 mil habitantes da região poderiam ser capacitados para a indústria naval.

          A oferta fácil de emprego já vem atraindo pessoas de municípios próximos.  Nas ruas da cidade, casas já estão sinalizadas para aluguel. Grande maioria poderia trabalhar, mas somente na construção civil, com força braçal. A professora Mônica não titubeia – “toda essa procura gerará uma favelização, já que não temos mão de obra qualificada para atender toda essa demanda”, explica.

O pescador Márcio duvida dos benefícios da obra

              O turismo também poderia sentir os abalos do estaleiro. Já que a procura dos turistas tem com maior intuito a calmaria. Estruturas, que podem alcançar 36 metros, poderiam desviar o encanto e, refletir na economia da região, já que até lá, continuará sendo uma das grandes fontes de renda da população local.

         Pode-se ainda nomear uma série de dificuldades para a implantação da obra do Eisa: Coruripe está distante do aeroporto mais próximo (Zumbi dos Palmares); as rodovias não estão tão aptas para receberam toneladas de materiais; não há energia elétrica o suficiente na cidade para alimentar o estaleiro; a construção de canteiros de obras deixaria o solo da costa cada vez mais frágil; e o aumento do número de veículos afetaria o ar. Tudo isso, sem contar com os prováveis abalos de reserva de água para a população.

         Mas nem tudo foi assim tão cristalino. Em 28 de setembro de 2010, o procurador da República Bruno Baiocchi Vieira assinou uma ação civil pública contra o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e o Estaleiro Eisa pedindo a nulidade do processo de licenciamento do projeto que desapropriou praias e terrenos da União para construção do empreendimento. O procurador argumenta que a desapropriação não pode ocorrer por decreto do governador do estado, uma vez que a área é bem da União.

         Os alagoanos aguardam ansiosos os resultados previstos para próximo junho. Nesse meio tempo, está sendo estudada a implantação de outro estaleiro no Estado. Agora, só nos resta esperar o pronunciamento do Ministério Público. Até lá, continuaremos cogitando mudanças – sejam elas boas ou ruins.

Autor: Hiago Rocha