Conferência realizada hoje e amanhã pretende colocar a Capital no caminho de uma gestão cultural mais moderna
Florianópolis está atrasada. Pelo menos em relação à gestão cultural compartilhada entre esfera pública e sociedade civil, se comparada a Joinville e Itajaí, listadas entre as 10 melhores cidades do país nesse quesito.Para tentar diminuir esse atraso, e sobretudo para fortalecer uma política cultural de Estado, será realizada neste final de semana a 2ª Conferência Municipal de Cultura na Capital, com o slogan Sinal Verde para as Ideias.
Convocada pela prefeitura, por determinação do Ministério da Cultura, a conferência deve indicar propostas e representantes para as Conferências Estadual e Nacional de Cultura. O superintendente da Fundação Franklin Cascaes, Rodolfo Pinto da Luz, explica que as propostas de todos os estados e municípios serão levadas à Brasília para a elaboração do Plano Nacional de Cultura, que terá a duração de uma década, para não sofrer alterações com as mudanças de governo.
– Agora é o momento de ouvir todas as áreas culturais – afirma Luz.
Nesta semana, foram realizadas reuniões setoriais preparatórias para a Conferência, nas áreas de literatura, audiovisual, teatro e dança, cultura popular e música. Amanhã, haverá mesas-redondas na parte da manhã e grupos de trabalho à tarde, ao final dos quais será redigido o documento final da conferência, com as propostas de cada área. Outro resultado da Conferência será a indicação de 15 representantes da sociedade civil, que somados a outros 15 do poder público, irão compor o Conselho Municipal de Política Cultural.
O superintendente afirma que, formado o Conselho, a prioridade será a criação de um Fundo Municipal de Cultura, do Plano Municipal de Cultura e a integração com a região da Grande Florianópolis. É pela falta desses quatro elementos – conselho, fundo, plano e integração – que Florianópolis está atrasada na gestão cultural. Estes são alguns dos critérios adotados pelo MinC e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados do IBGE de 2006, para formar o Índice Municipal de Gestão Cultural. Na pesquisa divulgada em maio, Joinville e Itajaí estão em sexto e nono lugares, respectivamente, no país.
Criado há 22 anos, Conselho foi sancionado somente agora
O presidente da Conferência, Dennis Radünz, lembra que o Conselho Municipal de Cultura, criado em lei há 22 anos, só na terça-feira passada foi sancionado. E seu nome mudou para Conselho Municipal de Política Cultural, obedecendo a terminologia do MinC, que desde 2003 trabalha na implementação do Sistema Nacional de Cultura. A partir de 2010, o MinC vai privilegiar o repasse de recursos aos municípios que estiverem de acordo com a nova estrutura.
– Hoje não se pensa a cultura como manifestação artística, mas sim como cidadania e economia. Há que se considerar toda a cadeia produtiva, desde a formação de profissionais, passando pela criação até a difusão dos bens culturais – explica Radünz, que reconhece haver muita desinformação, inclusive no meio cultural, sobre a política do MinC. Mesmo assim, espera maturidade e objetividade nas propostas apresentadas.
Presidente do Fórum Municipal de Cultura, criado em agosto deste ano, Murilo Silva acredita que com o sucesso da Conferência, o patrimônio cultural será protegido e valorizado, com mais acesso a eventos e programas culturais.
A Conferência será dividida em cinco eixos temáticos: produção simbólica e diversidade cultural; cultura, cidade e cidadania; cultura e desenvolvimento sustentável; patrimônio cultural, meio ambiente e turismo; e cultura e economia criativa. Entre os convidados para palestras estão a coordenadora da Biblioteca Barca dos Livros, Tânia Piacentini; e o diretor do filme de animação Minhocas, Paolo Conti. Todo cidadão pode participar. A Conferência Estadual de Cultura está agendada para 25 de novembro, em Florianópolis, e a Conferência Nacional será de 11 a 14 de março de 2010, em Brasília.
Fonte: Alícia Alão
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