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APRESENTAÇÃO NO XX VIVÊNCIAS MUSICAIS

Alunos do Espaço Cultural Pierre Verger participam do XX Encontro de Vivências Musicais

Durante três meses alunos do Espaço Cultural participaram da Oficina Construindo o Som – Oficinas de Construção de Fontes Sonoras de Matriz Africana, ministrada pelo professor Roberto Luis, na qual foram feitos trabalhos de improvisação e construção de instrumentos musicais, além de interações com outras oficinas do Espaço como, por exemplo, a de percussão, do professor Everton.
Os alunos dessas duas oficinas foram convidados para participar da abertura do XX Encontro de Vivências Musicais, realizado no dia 27 de setembro, no Instituto Feminino da Bahia. No evento, eles mostraram suas habilidades na execução de música percussiva e dos instrumentos que ajudaram a fazer, sob a orientação do professor Roberto Luis, durante o projeto Construindo o Som, como as Humarimbas e Marimbas, entre outros.
O XX Encontro de Vivências Musicais reúne educadores de diversos estados do Brasil e do exterior para mostrar suas
experiências na área de educação musical.

Local: Instituto Feminino da Bahia
Data: 27 de setembro de 2010

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Publicação no Boletim  Informativo de Setembro da FPV

CLIQUE PARA VISUALIZAR O BOLETIM COMPLETO:

INFORMATIVO_setembro_FPV

http://culturadigital.br/construindoosom/files/2010/09/INFORMATIVO_setembro_FPV.pdf

MARIMB’AXÉ – OFICINA E GRUPO DE PERCUSSÃO

Apresentação no:
XX Encontro de Vivências Musicais — 27 de Setembro, 18:00h.
Local: Instituto Feminino da Bahia –
Rua Monsenhor Flaviano, nº 02 Politeama de Cima.

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Apresentação Artística:

MARIMB’AXÉ

Foto: Paula Telles

MARIMB’AXÉ – OFICINA E GRUPO DE PERCUSSÃO

Uma pequena amostra do resultado das oficinas para adolescentes
e jovens do Espaço Cultural Pierre Verger, ministradas por
Roberto Luis Castro (Ateliê Construindo o Som).

Performance musical com alunos do Espaço Cultural Pierre Verger,
apresentando o resultado da oficina de construção de instrumentos
(destaque para as Humarimbas) e estruturas sonoras elaboradas
em interação com a oficina de percussão.

Facilitador: Roberto Luis Castro (Ateliê Construindo o Som)
Colaboração: Everton Isidoro, Nildes Sena, Dona Cici
(e toda a equipe do Espaço Cultural)

Visite o blog MARIMB’AXÉ:

http://marimbaxe.blogspot.com/

CONSTRUINDO INSTRUMENTOS A PARTIR DE FOTOGRAFIAS DE PIERRE VERGER – PARTE 1

A Fundação Pierre Verger abriga o acervo de fotografias do etnólogo Pierre Verger, além dos livros publicados por ele e da sua vasta biblioteca particular.
Pierre Verger registrou, com sua lente, imagens da vida e da cultura de grupos étnicos que não eram tidos, até então, como protótipos de beleza ou de interesse estético, se encaradas através da lente das civilizações ocidentais. Sua fotografia, fixada em negativos, (preto e branco) eterniza momentos do cotidiano de pessoas e grupos, estabelecendo, sobre o seu lazer, seu trabalho ou sua religiosidade, um novo “olhar”, o olhar de Oju Obá, os olhos do rei Xangô.
Não por acaso, encontramos, entre essas imagens, o registro de instrumentos musicais de percussão, alguns dos quais caídos em desuso, e mesmo no esquecimento, quer pela ausência do modelo original ou do seu registro visual/sonoro, quer pela escassez ou pelo desaparecimento de recursos empregados na sua confecção.
A foto de Verger nos fornece subsídios valiosos para tentar reconstituir estes objetos na sua forma original, além de demonstrar com toda clareza a forma do seu uso: não há fotos isoladas de instrumentos, registrados de forma estática, senão objetos sonoros em ação.

Pedra Furada, Salvador (1946-1948) Foto: Pierre Verger

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Festa do Bonfim (1946-1962) Foto: Pierre Verger

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Nosso trabalho começa aí. O primeiro estímulo foi proporcionado pelo olhar atento a essas fotografias de Verger.
Conduzimos os alunos à biblioteca do Espaço Cultural (Biblioteca Jorge Amado), onde tiveram acesso à obra fotográfica disponibilizada  nas páginas dos diversos livros.

LEVANTAMENTO ICONOGRÁFICO POR LIVRO

Objetivo: demonstrar a existência, na primeira metade do séc. XX, de instrumentos de percussão com estrutura, usos e funções extintos, visando sua reconstituição, a partir da análise de fotografias do etnólogo Pierre Verger.

Verger, Pierre. O Olhar Viajante de Pierre Fatumbi Verger.
Salvador: Fundação Pierre Verger, 2002.

Verger, Pierre. 1902-1996. Retratos da Bahia: 1946-1952.
Salvador: Corrupio, 2005.

Verger, Pierre. Pierre Verger: O Mensageiro: fotografias 1932-1962.
Salvador: Fundação Pierre Verger, 2002.

Carybé & Verger: Gente da Bahia.
Salvador: Fundação Pierre Verger: Solisluna Design Editora, 2008.

Verger, Pierre. 1902-1995. O Brasil de Pierre Verger.
Rio de Janeiro: Fundação Pierre Verger, 2006.

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PESQUISA ICONOGRÁFICA

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Identificando livros de fotos de Pierre Verger. Foto: Lavínia

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Alunos na Biblioteca Jorge Amado. Foto: Roberto Luis

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Descobrindo instrumentos de matriz africana. Foto: Roberto Luis

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Anotando as fontes pesquisadas. Foto: Roberto Luis

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Uma rica iconografia disponível no Espaço Cultural. Foto: Roberto Luis

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Não foi difícil identificar os instrumentos de matriz africana presentes nos registros fotográficos. Os alunos puderam com facilidade perceber os tambores, pandeiros, tamborins, assim como os materiais de que foram feitos: barris de madeira, pele de cabra, de cobra, de boi.
As situações de uso, a funcionalidade dos instrumentos: o samba-de-rua, as festas de largo, o carnaval, os ritos religiosos.
Através dessa viagem no tempo (as fotos situam-se entre 1930 e 1960), e do espaço geográfico do observador, (a maioria das imagens selecionadas foram tomadas em Salvador, Bahia, mas constatamos o registro de instrumentos percussivos e de seus elementos constituintes no interior do estado, assim como em Recife, Pernambuco e até na Guatemala, América Central) nossos jovens pesquisadores puderam perceber a importância dos barrís de madeira – sua utilização original e o seu re-aproveitamento, seja  transportando água, no lombo das “mulas”, seja servindo à confecção de tambores, por sua vez utilizados nos grupos de “afoxés” e blocos de carnaval.

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PELE NATURAL

Os instrumentos mostrados nestas fotografias, eram invariavelmente encourados com pele de origem animal, fossem de cobra, de boi ou de cabras, ou bodes.
Tal constatação provocou a reflexão sobre o uso dos recursos naturais e as diversas questões ecológicas implícitas, cuja compreensão suscita a necessidade de desenvolver uma consciência ambiental.
Discutimos sobre a pseudo-tradição do uso da pele de gato nos tamborins, muito em voga entre os sambistas no Rio de Janeiro, mas revestida de contradição, ao ser contestada pelos experts:

“Segundo Mestre Marçal, por exemplo, o tamborim tinha couro de boi, não couro de gato, como afirmado por muitos sambistas. Para Marçal, no entanto, isto seria um mito. No seu depoimento ao pesquisador Carlos
Didier disse a respeito:
Couro de gato não tem resistência, é igual a papo de galinha. É um mito que existe no samba e que não é verdade. […] Sempre foi couro de boi, que naquela época se chamava de raspa.
[…] Para encourar, você molhava a pele, encostava no aro e dava duas tachas no mesmo lado, numa ponta e na outra. Puxava o couro e botava tacha em todo o lado oposto, bem preso. Para os outros dois lados, a mesma coisa. Quando o cara não queria deixar a tacha aparecendo, fazia, com o próprio couro molhada, um viés para cobrir. Botava em cima e dava uma tacha em cada ponto (apud Cabral, 1996: 102).
O couro na época influenciou também a sonoridade, pois ressoa ao contrário do nylon, usado hoje. Mudou também a baqueta que era menor que um palmo e fino, na grossura de um cigarro, que produziu um som grave. Hoje, a baqueta é comprida, mede 30 a 50 cm de comprimento, dependendo do fabricante, e o nylon que substituiu o bambu é flexível que resulta num som de estalo. Com a flexibilidade transformou-se também a maneira de tocar. Antigamente, tocava-se o tamborim de lado, a batida se encaixando no conjunto do restante da bateria. Havia improvisação, enquanto hoje o arranjo é padronizado.”
(“O criador na tradição oral: a linguagem do tamborim na escola de samba – Dra. Marianne Zeh
XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM) Brasília – 2006)

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Dentro da idéia da sustentabilidade, vimos que o uso em instrumentos musicais da  pele de cabra/bode não oferece ameaça à preservação ambiental, observando as técnicas de produção em alguns curtumes, através de pesquisa via internet. A carne,  o leite,  e até as vísceras de caprinos são utilizados na alimentação humana.
No contexto das religiões de matriz africana, (uma vivência direta para a maior parte dos sujeitos envolvidos neste projeto) constata-se o uso ritual das peles dos animais sacrificados (bodes) no encouramento dos atabaques da orquestra ritual. Um dado significativo é que a carne desses animais é posteriormente consumida pelos membros da comunidade religiosa, em respeito ao sacrifício do animal.
A conclusão levantada a partir dessas considerações é a de que não se justifica o abate de animais exclusivamente para a obtenção da pela natural, constituindo atitude não ecológica a captura de animais silvestres com este fim.
Só após essa etapa é que foi oferecida aos alunos a oportunidade de acompanhar a confecção de um tamborim quadrado, aproveitando um retalho de pele de cobra obtido há mais de 20 anos atrás, em uma das feiras de Salvador, idêntica à dos rústicos pandeiros com soalhas comercializados à mesma época nos mercados de artesanato da cidade.

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VIVÊNCIA CONSTRUTIVA

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Apresentando a pele natural de cobra. Foto: Ricardo Pamfilio

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Pele adquirida na feira há mais de 20 anos. Foto: Roberto Luis

O índio Tanawi também examina o material. Foto: Ricardo Pamfilio

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Tamborim quadrado com pele de cobra. Foto: Roberto Luis

Um exemplar do pandeiro com pele de cobra, com mais de vinte anos porém em bom estado de conservação, foi apresentado aos alunos, que não esconderam sua admiração diante da qualidade sonora e estética do instrumento.

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Pandeiro antigo com pele de cobra. Foto: Roberto Luis

Assim, fechou-se um ciclo, pois voltamos ao objeto da foto de Pierre Verger.

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Pandeiro com pele de cobra. Salvador, festa do Bonfim.

(Detalhe) Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Tamborim quadrado pele de cobra. Pedra Furada, Salvador.

(Detalhe) Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Vídeo: “Cobra no Pandeiro”

Neste vídeo, o professor de Percussão (Everton) experimentava o pandeiro da foto acima, quando o aluno Léo, não resistindo ao groove do samba, improvisou: “Quebra, quebra, vai, quebra, vai”.  Porque a levada do pandeiro insinuou a rítmica do “pagode baiano”…

TAMBORIM QUADRADO

Os tamborins quadrados confeccionados com os alunos foram produzidos com madeira de reflorestamento (Pinus) e  peles tratadas de caprinos, adquiridos em um curtume de Recife, Pernambuco. Essas peles são fornecidas mediante nota fiscal de venda ao consumidor e podem ser adquiridas inteiras ou nos formados padronizados (cortes em círcunferência) nos tamanhos adequados para os instrumentos de percussão.

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Tamborim quadrado em processo de encouramento. Foto: Roberto Luis

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Tamorim quadrado finalizado. Foto: Roberto Luis

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Tamborins quadrados em ação. Foto: Roberto Luis

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Vídeo: “Improviso no Tamborim Quadrado”

Logo após a confecção dos tamborins quadrados, foi feita uma sessão se experimentação, com a participação do professor de Percussão (Everton Isidoro). Note que os executantes evitam percutir com força nas peles, ainda úmidas.

TAMBORINS COLORIDOS

A rota criativa desenvolvida nessas oficinas incluiu a decoração dos tamborins, com pinturas elaboradas na moldura de madeira e na própria pele, usando tinta gouache e posteriormente o verniz feito à base de álcool e extrato de sementes de urucum.

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A planta e o extrato natural de urucum. Foto: Roberto Luis

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Tamborim decorado com guache e urucum. Foto: Roberto Luis

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Tamborim quadrado. Foto: Roberto Luis

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Tamborim quadrado construído e decorado nas oficinas. Foto: Roberto Luis

CONSTRUINDO O SOM


Xilofone inspirado no modelo usado na Congada de Ilhabela, litoral norte paulista.
Foto: Roberto Luis

FACILITADOR:
ROBERTO LUIS CASTRO – Ateliê Construindo o Som

(Salvador – Bahia)

Músico, pesquisador e construtor de objetos sonoros, especializado em percussão de barras (xilofones, metalofones, marimbas).
Atualmente, além de produzir instrumentos, dedica-se a investigar programas digitais que exploram sonoridade, movimento e criação a partir de instrumentos musicais de referências étnicas, visando sua aplicação em educação.
Site: http://www.construindoosom.com.br
Rede Social: http://instrumentosmusicais.ning.com/

Histórico

O ateliê Construindo o Som é desenvolvido há 30 anos pelo músico e educador baiano Roberto Luis Castro.

Sua proposta originou-se trabalho que  ele realizou em 1978/79 com crianças e jovens carentes dos bairros de Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, em Salvador, através do Núcleo Municipal de Arte-Educação e em seguida no Centro de Recepção e Triagem da Fundação de Assistência a Menores do Estado da Bahia, em 1984/85.

Motivado pela idéia de promover a educação musical através da construção e utilização de fontes sonoras elementares, o músico começou confeccionando e criando instrumentos a partir de matérias-primas da natureza, agregando em seguida os refugos e materiais de sucata, num processo de refinação crescente que resultou na proposta atual, que consiste em produzir veículos sonoros de qualidade, com design e acabamento sofisticados, fornecidos a escolas de música e núcleos de musicoterapia em todo o país.

A produção bem cuidada de xilofones, metalofones e marimbas, entre outros instrumentos, faz do ateliê Construindo o Som referência para estudantes, profissionais e instituições voltados para ensino/terapia, o que pode ser constatado no site oficial, na seção “Clientes/ Parceiros”.

Preocupado em desenvolver um projeto sustentável e socialmente responsável, Roberto Luis tem contribuído com a doação de objetos sonoros de sua produção a entidades como o GAS – Grupo de Ação Social (instituição filantrópica sem fins lucrativos, que, entre outras atividades, ministra aulas de música para 30 crianças em vulnerabilidade social no bairro de Jardim Cajazeiras), e o GACC – Grupo de Apoio à Criança com Câncer, ambas em Salvador.

Paralelamente, Roberto ministra cursos e oficinas para professores e musicoterapeutas, difundindo sua experiência em diversas cidades brasileiras. Um dos resultados de alcance mais significativo foi a oficina desenvolvida com crianças e jovens da unidade de música do Projeto Axé, no Pelourinho em Salvador, em 2005/06. Durante cinco meses, com a participação ativa dos alunos, incluindo visita ao ateliê Construindo o Som, foram construídos diversos instrumentos, incluindo xilofones ‘Orff’ e uma marimba cromática de 3 e 1/2 oitavas, que hoje integram o acervo instrumental do Projeto Axé.

No mais recente trabalho assumido por Roberto Luis está o estudo de viabilidade para produção no Brasil de uma gama de objetos sonoros específicos para o treino auditivo, (etapa importante na metodologia Edgar Willems de Educação Musical), que atualmente são importados com altos custos da Europa, tendo sido convidado pela Associação Internacional de Educação Musical a desenvolver tal estudo. Um dos antecedentes dessa colaboração foi a doação feita à entidade, através da representante do Método Willems no Brasil Carmen Mettig Rocha, de um exemplar do “Kit de Intervalos”, material criado por Roberto Luis para facilitar a percepção das relações sonoras (intervalos musicais).

Atualmente, Roberto Luis Castro dedica-se à manutenção de uma rede social on-line, que congrega músicos, luthiers, artesãos, pesquisadores com o objetivo de discutir e divulgar propostas na área de construção e utilização de instrumentos musicais de cordas, sopro, percussão e alternativos:

http://instrumentosmusicais.ning.com/

Proposta de Interação

A presente proposta visa gerar intercâmbio cultural, compartilhando com jovens e adultos do bairro do Engenho Velho de Brotas e seu entorno, as técnicas de construção de instrumentos sonoros, assim como troca de experiência/conhecimento referentes às matrizes musicais africanas com jovens e adultos freqüentadores da Oficina de Percussão do Espaço Cultural Pierre Verger.

O Espaço Cultural é resultado das atividades sócio-culturais desenvolvidas pela Fundação Pierre Verger. Inaugurado em 4 de novembro de 2005, tem por objetivo proporcionar a crianças e jovens moradores do bairro do Engenho Velho de Brotas e região circundante, um espaço para a realização de atividades culturais, dando-lhe oportunidade, através de oficinas artístico-pedagógicas, de experimentar/conhecer as diversas linguagens artísticas, ampliando assim suas referências culturais.

O objetivo principal do Projeto Construindo o Som é o de desenvolver habilidades, através de estímulos, tendo como ponto de partida a experiência do proponente e o poder criativo dos jovens e adultos que participarão das oficinas de construção e utilização de instrumentos de percussão. Tal proposta não deixa de contemplar a possibilidade de investir no âmbito da profissionalização dos jovens e adultos, a partir da aquisição de conhecimento e da identificação pessoal com as técnicas construtivas, ampliando o alcance da proposta para uma perspectiva de auto-suficiência e conseqüente inserção dos indivíduos no mercado cultural.
Além de incentivar a criação e aperfeiçoamento de novas práticas culturais, tendo a cultura afro-brasileira como fonte inspiradora ao longo do desenvolvimento das atividades pedagógicas e da pesquisa/ação, implementadas no decorrer da interação/integração estética.

Apesar de muito específica e relativamente complexa, a área de confecção de veículos sonoros abrange diversas modalidades de “fazeres” de cunho acentuadamente popular (a exemplo da confecção de berimbaus). Este Projeto intenta ampliar e enriquecer o universo musical dos participantes a partir do compartilhamento de experiências na área de instrumentos musicais de referência étnica, ao introduzir o trabalho com marimbas, envolvendo membros de uma comunidade sabidamente vinculada a esta realidade histórica, geográfica e cultural.

Como público-alvo das Oficinas de Construção serão selecionados alunos na faixa etária a partir de 10 anos, estabelecida como parâmetro para a participação em atividades que utilizem materiais perfuro-cortantes, podendo, no entanto, envolver as crianças com  idade abaixo desta faixa em outras vivências a serem realizadas durante o período da residência artística.

OBJETIVOS

Promover interação do Atelier Construindo o Som com o Espaço Cultural Pierre Verger, possibilitando aos alunos e professores a vivência da prática de construção e utilização de instrumentos musicais percussivos, assim como o levantamento e sistematização de informações referentes à continuidade/descontinuidade dos instrumentos musicais de matriz africana no Brasil.

Objetivos Específicos

Ministrar oficinas integradas às atividades do Espaço Cultural, proporcionando todos os meios para a construção e utilização de objetos sonoros, priorizando os instrumentos melódicos de percussão de barras e os xilofones típicos africanos: “balafon, timbila, amadinda, mbaire”, entre outros, buscando identificação com sua sonoridade;

Refletir sobre a continuidade dos instrumentos de matriz africana no Brasil, através da observação/experimentação dos objetos da nossa cultura, estabelecendo comparação com a cultura de outros povos de procedência étnica marcadamente africana;

Promover vivências sonoras com os participantes, possibilitando novas descobertas através dos instrumentos construídos e tocados por eles mesmos, partindo da abordagem eco-sustentável dos recursos existentes na região circundante (bambuzal, bananeiras) e dos materiais específicos fornecidos pelo facilitador;
Construir e tocar instrumentos de percussão, experimentando diferentes combinações de timbres e afinações, tendo como repertório tanto improvisações estruturadas como motivos melódicos de inspiração étnica e canções de temáticas voltadas para o meio ambiente;

Exibir audiovisual previamente preparado de cada conteúdo a ser trabalhado nas oficinas, como informação preliminar, motivação e como meio para criar a predisposição e espontaneidade necessária à participação dos alunos;

Realizar pesquisa visual e textual junto aos acervos do Espaço Cultural e da Fundação Pierre Verger, visando enriquecer a fundamentação do projeto e a descoberta de novas possibilidades de abordagem para o tema proposto;

Estabelecer contatos com pessoas da comunidade que estejam envolvidas em atividades de confecção e/ou reparo de instrumentos de percussão ligados aos cultos afro, buscando a interação/integração com o Ponto de Cultura através da realização de entrevistas, palestras, apresentações, visitações, etc.;

Produzir e exibir registro audiovisual e fotográfico das etapas da interação estética, assim como dos resultados das pesquisas junto ao acervo da Fundação Pierre Verger;

Estimular a atividade de produção de instrumentos musicais de referência étnica como meio de capacitar o indivíduo para o trabalho e para a transferência de conhecimento, visando sua melhor inserção na sociedade e no mercado de trabalho.

JUSTIFICATIVA

Partimos de experiência anterior, precisamente em 2006, na qual o músico e pesquisador Roberto Luis Castro, realizou uma exibição audiovisual no Espaço Cultural Pierre Verger com o tema “Marimbas do Mundo”, seguida de exposição acerca de seus trabalhos na área de construção de instrumentos, contribuindo ao final desta participação com a doação de alguns instrumentos sonoros de sua produção, o que enriqueceu as atividades musicais e pedagógicas desenvolvidas na instituição.

Sendo o Espaço Cultural Pierre Verger, referencia em estudos da cultura afro- brasileira e pertencendo a uma comunidade formada em grande parte por afro-descendentes, nos sentimos motivados a promover essa integração, desenvolvendo uma série de atividades que possibilitem a ampliação da compreensão, através de estudos e vivências, dos valores musicais de matriz africana, principalmente no que se refere aos diversos instrumentos de percussão originários do continente africano tais como, o xilofone e a marimba.

EXECUÇÃO

O Projeto “Construindo o Som: Uma proposta de interação e resgate da musicalidade ancestral africana na comunidade do Engenho Velho” prevê a duração de 3 meses.
Nesse período, as ações de pesquisa, intercâmbio, planejamento, avaliação, documentação, serão desenvolvidas em ritmo contínuo, enquanto que as atividades de oficinas, ensaios, palestras e visitações serão distribuídas em períodos/aula regulares, com pelo menos 03 encontros semanais de 2 horas. No total serão 36 aulas, perfazendo o mínimo de 72 horas, nas quais serão desenvolvidos: 09 Oficinas, 04 Vivências, 03 Painéis e uma Culminância.
Para o alcance das metas previstas foram estabelecidas 188 horas de trabalho do artista-residente.
Previamente, terão sido cumpridas as etapas necessárias para concepção da proposta, visitas e contatos com a equipe do Ponto de Cultura, reuniões com a consultoria de elaboração do Projeto, planejamento e levantamento de custos operacionais e de materiais/ferramentas. No primeiro mês da residência artística está prevista a execução de todo o processo de compra de materiais permanentes e de consumo. No terceiro mês serão destinadas horas às etapas de avaliação, elaboração de relatório, além das atividades de desdobramento na forma de culminâncias diversas do produto final.

INTERAÇÃO E INTEGRAÇÃO COM O PONTO DE CULTURA

Partindo das atividades já desenvolvidas pelo Espaço Cultural tais como: Oficinas de Violão Popular, Canto e Coral, Percussão, Experimentação Musical e Capoeira Angola entre outras, constatamos a possibilidade de enriquecer a expressão musical dos alunos, com a utilização de instrumentos de percussão melódicos como: metalofones, xilofones e marimba de orquestra, disponibilizados pelo ateliê Construindo o Som no período da residência artística. Isto servirá como elemento propiciador e como motivação para que os alunos construam seus próprios instrumentos, mediante a orientação do facilitador.

Entre os instrumentos disponibilizados estará uma marimba cromática de 3 oitavas de extensão, instrumento típico de orquestra, que poderá ser utilizada nos arranjos instrumentais nas atividades pedagógicas desenvolvidas no Espaço Cultural Pierre Verger.

A residência facilitará a realização de pesquisas no acervo textual e fotográfico da Fundação Pierre Verger, visando à obtenção de informações sobre instrumentos musicais de matriz africana e/ou originários de manifestações culturais da Bahia e de outras localidades pelas quais o etnólogo Pierre (Fatumbi) Verger teve passagem. Sendo este Espaço Coordenado pela etnomusicóloga Angela Lühning, abre-se mais uma possibilidade de interação e integração constituída pelo contato entre profissionais de áreas complementares da área de música, como sendo: a pesquisa musicológica e a atividade de construção de instrumentos.

Integrando a equipe pedagógica responsável pelas Oficinas de Música do Espaço Cultural está o professor de Percussão, membro originário da comunidade do Engenho Velho e atualmente estudante de marimba/vibrafone na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, o qual se manifestou muito favorável ao intercâmbio sugerido neste Projeto, sendo o parceiro principal nesta interação. Por outro lado, o professor da Oficina de Teclado, que atua também na área de Educação Indígena e é um dos membros mais atuantes do Espaço Cultural, demonstrou o maior interesse na consecução dos objetivos da presente proposta, sinalizando a possibilidade da continuidade auto-sustentável para as ações de Construção de Fontes Sonoras de Matriz Africana na comunidade atendida pelo Ponto de Cultura.

O Espaço Cultural Pierre Verger é um Ponto de Cultural conveniado com o MINc, e contemplado com o  kit multimídia, agregando assim uma sala de cultura digital, o que poderá facilitar a realização, de forma preferencial mas não obrigatória, do registro digital das atividades conforme previsto no plano de ação.

PRODUTO FINAL PREVISTO

Construção de instrumentos de matriz africana com referência em registros visuais, encontrados na obra de Pierre Verger (fotos da Bahia) e em outras fontes de informação, como os documentos que atestam a permanência da marimba de arco na manifestação cultural “Congada” em Ilhabela, litoral norte de São Paulo.

Os instrumentos:

– xilofones de tipologia afro-americana, como o “amadinda” e a “marimba de arco”;
– instrumentos melódicos com ressonadores, incluindo metalofones, marimbas e xilofones de formatos e materiais diversos;
– tambores de pele natural de formato quadrado, retangular e redondo: adufe e tambor;
– kalimbas e outros idiofones de percussão, a partir da identificação evidenciada pelos participantes com os materiais demonstrados e utilizados pelo facilitador e por eles próprios.

Exposição e apresentação musical, utilizando os instrumentos construídos nas oficinas e os instrumentos cedidos pelo ateliê Construindo o Som, constando de arranjos instrumentais de peças que já são estudadas nas classes de Violão, Canto e Coral, Percussão, Experimentação Musical, Teclado, Capoeira e do repertório desenvolvido durante a residência artística: “Matança”, “Machadeiro”, “No Bojo da Macaíba” e outras composições escolhidas em comum acordo.

Construção, preferencialmente em integração com a Oficina de Cultura Digital, de site/blog descrevendo as etapas da residência artística, com coleta de depoimento dos envolvidos, imagens e vídeos da experiência.