VERGER-2

CONSTRUINDO INSTRUMENTOS A PARTIR DE FOTOGRAFIAS DE PIERRE VERGER – PARTE 2

Pierre Verger fotografou o tamborim quadrado em pelo menos três lugares importantes:  Recife, Rio de Janeiro e Salvador, deixando o registro da morfologia desse instrumento, do tipo de couro utilizado e até da baqueta, elementos estes que sofreram transformações radicais, a partir da fabricação industrial do tamborim.

Tamborim quadrado construído nas oficinas.
Foto: Roberto Luis

Os instrumentos construídos nas oficinas de tamborim levaram em conta a informação visual presente na fotografia de Verger, checada com outros registros visuais e textuais. O instrumento da foto acima, encourado com pele de cobra, tem referência na terceira foto abaixo (Exemplo 3). Nota-se o detalhe da angulação da caixa de madeira, uma particularidade que confere a este instrumento identidade especial. Todos os outros tamborins de madeira que vimos,  possuem o formato quadrado e o corte da moldura em 90º.

Exemplo 1

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Tamborim quadrado no carnaval de Recife.
Foto: Pierre Verger

Exemplo 2

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Tamborim quadrado no carnaval do Rio de Janeiro.
Foto: Pierre Verger

Exemplo 3

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Tamborins quadrados em festa de rua. Salvador.
Foto: Pierre Verger

Photo Pierre Verger©Fundação Pierre Verger

Todas as baquetas de madeira utilizadas por este grupo de batuqueiros são de tamanho grande, mais aproximadas das baquetas dos surdos de barrica em voga na época, em nada semelhantes às típicas baquetas de tamborim.

A esse respeito, vejamos o que diz o Mestre Marçal:

…”O couro na época influenciou também a sonoridade, pois ressoa ao contrário do nylon, usado hoje. Mudou também a baqueta que era menor que um palmo e fino, na grossura de um cigarro, que produziu um som grave. Hoje, a baqueta é comprida, mede 30 a 50 cm de comprimento, dependendo do fabricante, e o nylon que substituiu o bambu é flexível que resulta num som de estalo. Com a flexibilidade transformou-se também a maneira de tocar. Antigamente, tocava-se o tamborim de lado, a batida se encaixando no conjunto do restante da bateria. Havia improvisação, enquanto hoje o arranjo é padronizado.”
(“O criador na tradição oral: a linguagem do tamborim na escola de samba – Dra. Marianne Zeh
XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM) Brasília – 2006)