PROJETO

Xilofone inspirado no modelo usado na Congada de Ilhabela, litoral norte paulista. Foto: Roberto Luis

Foto: Roberto Luis

FACILITADOR:
ROBERTO LUIS CASTRO – Ateliê Construindo o Som

(Salvador – Bahia)

Músico, pesquisador e construtor de objetos sonoros, especializado em percussão de barras (xilofones, metalofones, marimbas).
Atualmente, além de produzir instrumentos, dedica-se a investigar programas digitais que exploram sonoridade, movimento e criação a partir de instrumentos musicais de referências étnicas, visando sua aplicação em educação.
Site: http://www.construindoosom.com.br

Histórico

O ateliê Construindo o Som é desenvolvido há 30 anos pelo músico e educador baiano Roberto Luis Castro.

Sua proposta originou-se trabalho que ele realizou em 1978/79 com crianças e jovens carentes dos bairros de Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, em Salvador, através do Núcleo Municipal de Arte-Educação e em seguida no Centro de Recepção e Triagem da Fundação de Assistência a Menores do Estado da Bahia, em 1984/85.

Motivado pela idéia de promover a educação musical através da construção e utilização de fontes sonoras elementares, o músico começou confeccionando e criando instrumentos a partir de matérias-primas da natureza, agregando em seguida os refugos e materiais de sucata, num processo de refinação crescente que resultou na proposta atual, que consiste em produzir veículos sonoros de qualidade, com design e acabamento sofisticados, fornecidos a escolas de música e núcleos de musicoterapia em todo o país.

A produção bem cuidada de xilofones, metalofones e marimbas, entre outros instrumentos, faz do ateliê Construindo o Som referência para estudantes, profissionais e instituições voltados para ensino/terapia, o que pode ser constatado no site oficial, na seção “Clientes/ Parceiros”.

Preocupado em desenvolver um projeto sustentável e socialmente responsável, Roberto Luis tem contribuído com a doação de objetos sonoros de sua produção a entidades como o GAS – Grupo de Ação Social (instituição filantrópica sem fins lucrativos, que, entre outras atividades, ministra aulas de música para 30 crianças em vulnerabilidade social no bairro de Jardim Cajazeiras), e o GACC – Grupo de Apoio à Criança com Câncer, ambas em Salvador.

Paralelamente, Roberto ministra cursos e oficinas para professores e musicoterapeutas, difundindo sua experiência em diversas cidades brasileiras. Um dos resultados de alcance mais significativo foi a oficina desenvolvida com crianças e jovens da unidade de música do Projeto Axé, no Pelourinho em Salvador, em 2005/06. Durante cinco meses, com a participação ativa dos alunos, incluindo visita ao ateliê Construindo o Som, foram construídos diversos instrumentos, incluindo xilofones ‘Orff’ e uma marimba cromática de 3 e 1/2 oitavas, que hoje integram o acervo instrumental do Projeto Axé.

No mais recente trabalho assumido por Roberto Luis está o estudo de viabilidade para produção no Brasil de uma gama de objetos sonoros específicos para o treino auditivo, (etapa importante na metodologia Edgar Willems de Educação Musical), que atualmente são importados com altos custos da Europa, tendo sido convidado pela Associação Internacional de Educação Musical a desenvolver tal estudo. Um dos antecedentes dessa colaboração foi a doação feita à entidade, através da representante do Método Willems no Brasil Carmen Mettig Rocha, de um exemplar do “Kit de Intervalos”, material criado por Roberto Luis para facilitar a percepção das relações sonoras (intervalos musicais).

Atualmente, Roberto Luis Castro dedica-se à manutenção de uma rede social on-line, que congrega músicos, luthiers, artesãos, pesquisadores com o objetivo de discutir e divulgar propostas na área de construção e utilização de instrumentos musicais de cordas, sopro, percussão e alternativos.

Proposta de Interação

A presente proposta visa gerar intercâmbio cultural, compartilhando com jovens e adultos do bairro do Engenho Velho de Brotas e seu entorno, as técnicas de construção de instrumentos sonoros, assim como troca de experiência/conhecimento referentes às matrizes musicais africanas com jovens e adultos freqüentadores da Oficina de Percussão do Espaço Cultural Pierre Verger.

O Espaço Cultural é resultado das atividades sócio-culturais desenvolvidas pela Fundação Pierre Verger. Inaugurado em 4 de novembro de 2005, tem por objetivo proporcionar a crianças e jovens moradores do bairro do Engenho Velho de Brotas e região circundante, um espaço para a realização de atividades culturais, dando-lhe oportunidade, através de oficinas artístico-pedagógicas, de experimentar/conhecer as diversas linguagens artísticas, ampliando assim suas referências culturais.

O objetivo principal do Projeto Construindo o Som é o de desenvolver habilidades, através de estímulos, tendo como ponto de partida a experiência do proponente e o poder criativo dos jovens e adultos que participarão das oficinas de construção e utilização de instrumentos de percussão. Tal proposta não deixa de contemplar a possibilidade de investir no âmbito da profissionalização dos jovens e adultos, a partir da aquisição de conhecimento e da identificação pessoal com as técnicas construtivas, ampliando o alcance da proposta para uma perspectiva de auto-suficiência e conseqüente inserção dos indivíduos no mercado cultural.
Além de incentivar a criação e aperfeiçoamento de novas práticas culturais, tendo a cultura afro-brasileira como fonte inspiradora ao longo do desenvolvimento das atividades pedagógicas e da pesquisa/ação, implementadas no decorrer da interação/integração estética.

Apesar de muito específica e relativamente complexa, a área de confecção de veículos sonoros abrange diversas modalidades de “fazeres” de cunho acentuadamente popular (a exemplo da confecção de berimbaus). Este Projeto intenta ampliar e enriquecer o universo musical dos participantes a partir do compartilhamento de experiências na área de instrumentos musicais de referência étnica, ao introduzir o trabalho com marimbas, envolvendo membros de uma comunidade sabidamente vinculada a esta realidade histórica, geográfica e cultural.

Como público-alvo das Oficinas de Construção serão selecionados alunos na faixa etária a partir de 10 anos, estabelecida como parâmetro para a participação em atividades que utilizem materiais perfuro-cortantes, podendo, no entanto, envolver as crianças com idade abaixo desta faixa em outras vivências a serem realizadas durante o período da residência artística.

OBJETIVOS

Promover interação do Atelier Construindo o Som com o Espaço Cultural Pierre Verger, possibilitando aos alunos e professores a vivência da prática de construção e utilização de instrumentos musicais percussivos, assim como o levantamento e sistematização de informações referentes à continuidade/descontinuidade dos instrumentos musicais de matriz africana no Brasil.

Objetivos Específicos

Ministrar oficinas integradas às atividades do Espaço Cultural, proporcionando todos os meios para a construção e utilização de objetos sonoros, priorizando os instrumentos melódicos de percussão de barras e os xilofones típicos africanos: “balafon, timbila, amadinda, mbaire”, entre outros, buscando identificação com sua sonoridade;

Refletir sobre a continuidade dos instrumentos de matriz africana no Brasil, através da observação/experimentação dos objetos da nossa cultura, estabelecendo comparação com a cultura de outros povos de procedência étnica marcadamente africana;

Promover vivências sonoras com os participantes, possibilitando novas descobertas através dos instrumentos construídos e tocados por eles mesmos, partindo da abordagem eco-sustentável dos recursos existentes na região circundante (bambuzal, bananeiras) e dos materiais específicos fornecidos pelo facilitador;
Construir e tocar instrumentos de percussão, experimentando diferentes combinações de timbres e afinações, tendo como repertório tanto improvisações estruturadas como motivos melódicos de inspiração étnica e canções de temáticas voltadas para o meio ambiente;

Exibir audiovisual previamente preparado de cada conteúdo a ser trabalhado nas oficinas, como informação preliminar, motivação e como meio para criar a predisposição e espontaneidade necessária à participação dos alunos;

Realizar pesquisa visual e textual junto aos acervos do Espaço Cultural e da Fundação Pierre Verger, visando enriquecer a fundamentação do projeto e a descoberta de novas possibilidades de abordagem para o tema proposto;

Estabelecer contatos com pessoas da comunidade que estejam envolvidas em atividades de confecção e/ou reparo de instrumentos de percussão ligados aos cultos afro, buscando a interação/integração com o Ponto de Cultura através da realização de entrevistas, palestras, apresentações, visitações, etc.;

Produzir e exibir registro audiovisual e fotográfico das etapas da interação estética, assim como dos resultados das pesquisas junto ao acervo da Fundação Pierre Verger;

Estimular a atividade de produção de instrumentos musicais de referência étnica como meio de capacitar o indivíduo para o trabalho e para a transferência de conhecimento, visando sua melhor inserção na sociedade e no mercado de trabalho.

JUSTIFICATIVA

Partimos de experiência anterior, precisamente em 2006, na qual o músico e pesquisador Roberto Luis Castro, realizou uma exibição audiovisual no Espaço Cultural Pierre Verger com o tema “Marimbas do Mundo”, seguida de exposição acerca de seus trabalhos na área de construção de instrumentos, contribuindo ao final desta participação com a doação de alguns instrumentos sonoros de sua produção, o que enriqueceu as atividades musicais e pedagógicas desenvolvidas na instituição.

Sendo o Espaço Cultural Pierre Verger, referencia em estudos da cultura afro- brasileira e pertencendo a uma comunidade formada em grande parte por afro-descendentes, nos sentimos motivados a promover essa integração, desenvolvendo uma série de atividades que possibilitem a ampliação da compreensão, através de estudos e vivências, dos valores musicais de matriz africana, principalmente no que se refere aos diversos instrumentos de percussão originários do continente africano tais como, o xilofone e a marimba.

EXECUÇÃO

O Projeto “Construindo o Som: Uma proposta de interação e resgate da musicalidade ancestral africana na comunidade do Engenho Velho” prevê a duração de 3 meses.
Nesse período, as ações de pesquisa, intercâmbio, planejamento, avaliação, documentação, serão desenvolvidas em ritmo contínuo, enquanto que as atividades de oficinas, ensaios, palestras e visitações serão distribuídas em períodos/aula regulares, com pelo menos 03 encontros semanais de 2 horas. No total serão 36 aulas, perfazendo o mínimo de 72 horas, nas quais serão desenvolvidos: 09 Oficinas, 04 Vivências, 03 Painéis e uma Culminância.
Para o alcance das metas previstas foram estabelecidas 188 horas de trabalho do artista-residente.
Previamente, terão sido cumpridas as etapas necessárias para concepção da proposta, visitas e contatos com a equipe do Ponto de Cultura, reuniões com a consultoria de elaboração do Projeto, planejamento e levantamento de custos operacionais e de materiais/ferramentas. No primeiro mês da residência artística está prevista a execução de todo o processo de compra de materiais permanentes e de consumo. No terceiro mês serão destinadas horas às etapas de avaliação, elaboração de relatório, além das atividades de desdobramento na forma de culminâncias diversas do produto final.

INTERAÇÃO E INTEGRAÇÃO COM O PONTO DE CULTURA

Partindo das atividades já desenvolvidas pelo Espaço Cultural tais como: Oficinas de Violão Popular, Canto e Coral, Percussão, Experimentação Musical e Capoeira Angola entre outras, constatamos a possibilidade de enriquecer a expressão musical dos alunos, com a utilização de instrumentos de percussão melódicos como: metalofones, xilofones e marimba de orquestra, disponibilizados pelo ateliê Construindo o Som no período da residência artística. Isto servirá como elemento propiciador e como motivação para que os alunos construam seus próprios instrumentos, mediante a orientação do facilitador.

Entre os instrumentos disponibilizados estará uma marimba cromática de 3 oitavas de extensão, instrumento típico de orquestra, que poderá ser utilizada nos arranjos instrumentais nas atividades pedagógicas desenvolvidas no Espaço Cultural Pierre Verger.

A residência facilitará a realização de pesquisas no acervo textual e fotográfico da Fundação Pierre Verger, visando à obtenção de informações sobre instrumentos musicais de matriz africana e/ou originários de manifestações culturais da Bahia e de outras localidades pelas quais o etnólogo Pierre (Fatumbi) Verger teve passagem. Sendo este Espaço Coordenado pela etnomusicóloga Angela Lühning, abre-se mais uma possibilidade de interação e integração constituída pelo contato entre profissionais de áreas complementares da área de música, como sendo: a pesquisa musicológica e a atividade de construção de instrumentos.

Integrando a equipe pedagógica responsável pelas Oficinas de Música do Espaço Cultural está o professor de Percussão, membro originário da comunidade do Engenho Velho e atualmente estudante de marimba/vibrafone na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, o qual se manifestou muito favorável ao intercâmbio sugerido neste Projeto, sendo o parceiro principal nesta interação. Por outro lado, o professor da Oficina de Teclado, que atua também na área de Educação Indígena e é um dos membros mais atuantes do Espaço Cultural, demonstrou o maior interesse na consecução dos objetivos da presente proposta, sinalizando a possibilidade da continuidade auto-sustentável para as ações de Construção de Fontes Sonoras de Matriz Africana na comunidade atendida pelo Ponto de Cultura.

O Espaço Cultural Pierre Verger é um Ponto de Cultural conveniado com o MINc, e contemplado com o kit multimídia, agregando assim uma sala de cultura digital, o que poderá facilitar a realização, de forma preferencial mas não obrigatória, do registro digital das atividades conforme previsto no plano de ação.

PRODUTO FINAL PREVISTO

Construção de instrumentos de matriz africana com referência em registros visuais, encontrados na obra de Pierre Verger (fotos da Bahia) e em outras fontes de informação, como os documentos que atestam a permanência da marimba de arco na manifestação cultural “Congada” em Ilhabela, litoral norte de São Paulo.

Os instrumentos:

– xilofones de tipologia afro-americana, como o “amadinda” e a “marimba de arco”;
– instrumentos melódicos com ressonadores, incluindo metalofones, marimbas e xilofones de formatos e materiais diversos;
– tambores de pele natural de formato quadrado, retangular e redondo: adufe e tambor;
– kalimbas e outros idiofones de percussão, a partir da identificação evidenciada pelos participantes com os materiais demonstrados e utilizados pelo facilitador e por eles próprios.

Exposição e apresentação musical, utilizando os instrumentos construídos nas oficinas e os instrumentos cedidos pelo ateliê Construindo o Som, constando de arranjos instrumentais de peças que já são estudadas nas classes de Violão, Canto e Coral, Percussão, Experimentação Musical, Teclado, Capoeira e do repertório desenvolvido durante a residência artística: “Matança”, “Machadeiro”, “No Bojo da Macaíba” e outras composições escolhidas em comum acordo.

Construção, preferencialmente em integração com a Oficina de Cultura Digital, de site/blog descrevendo as etapas da residência artística, com coleta de depoimento dos envolvidos, imagens e vídeos da experiência.

2 ideias sobre “PROJETO

  1. Romildo

    Este p´rojeto é maravilhoso, apezar de não ser musico, confecciono xilofones, gostaria de trocar experiência com vocês, ter mais e melhores informações da construção e qual o referêncial utilizado no processo.

  2. OTACILIO SOUZA

    Caro Roberto Luis. Primeiramente, meus parabéns pelo seu trabalho, digno do mais alto reconhecimento.
    Trabalho com arte em cabaças e já fiz algumas kalimbas. Tenho usado lâminas retiradas de limpadores de pára-brisa de automóveis, mas o resultado não tem sido muito satisfatório.
    Gostaria que me informasse que tipo de lâmina vocês utilizam e onde posso adquiri-las.

    Grato. Otacilio (a seu dispor para troca de experiências; moro em Brasília DF)

    Grato. Otacilio.

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