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  • Segredos dos usuários são a nova mina de ouro da web

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 05/08/2010

    04/08/2010
    Julia Angwin
    The Wall Street Journal Americas

    Escondido dentro do computador de Ashley Hayes-Beaty, um minúsculo arquivo ajuda a acumular detalhes pessoais sobre ela, e tudo isso será colocado à venda por um vigésimo de centavo.

    O arquivo consiste em um único código – 4c812db292272995e5416a323e79bd37 – que secretamente a identifica como uma mulher de 26 anos, da cidade americana de Nashville, Tennessee.

    O código sabe que alguns de seus filmes favoritos são “A Princesa Prometida”, “Como Se Fosse a Primeira Vez” e “10 Coisas que Eu Odeio em Você”. Sabe também que ela gosta da série “Sex and the City”. E ainda que navega por notícias de entretenimento e gosta de testes de conhecimento geral.

    “Bem, eu gostaria de pensar que ainda existe algum mistério em mim, mas aparentemente não!”, disse Hayes-Beaty quando lhe contaram o que o pedacinho de código revela sobre ela. “O perfil é assustadoramente correto.”

    Hayes-Beaty está sendo monitorada pela Lotame Solutions Inc., empresa de Nova York que usa um software sofisticado chamado de “beacon” para capturar o que as pessoas estão digitando em um site de internet -seus comentários sobre filmes, digamos, ou seu interesse por gravidez e informações para pais. A Lotame empacota esses dados em perfis, sem identificar o nome da pessoa, para empresas que estão em busca de clientes. Os gostos de Hayes-Beaty podem ser vendidos no atacado (um pacote de apreciadores de filmes custa US$ 1 por milhar) ou customizado (jovens de 26 anos que moram no sul dos Estados Unidos e gostam de “Como Se Fosse a Primeira Vez”).

    “Você pode segmentar tudo até chegar a uma só pessoa”, diz Eric Porres, diretor de marketing da Lotame.

    Uma investigação do Wall Street Journal descobriu que um dos negócios que mais crescem na internet é o de espiar os usuários.

    O WSJ realizou um estudo abrangente que avalia e analisa o vasto conjunto de cookies e outras tecnologias de vigilância que as empresas estão usando para seguir os passos dos internautas. O estudo revela que o acompanhamento dos consumidores se tornou ainda mais dominante e mais intrusivo do que todos, com exceção de algumas poucas pessoas na vanguarda da indústria, imaginam.

    O estudo descobriu que os 50 principais sites dos EUA instalaram uma média de 64 peças de tecnologia de rastreamento nos computadores dos visitantes, sem nenhum alerta. Uma dúzia de sites instalaram mais de 100. A Wikipédia, que não tem fins lucrativos, não colocou nenhum.

    A tecnologia de rastreamento está se tornando mais inteligente e mais intrusiva. O monitoramente costumava ser limitado principalmente aos “cookies” que registram as visitas das pessoas aos websites. Mas o WSJ encontrou novas ferramentas para escanear em tempo real o que as pessoas estão fazendo numa página de internet e, aí, determinar a localização, renda, interesses de compra e até mesmo estado de saúde. Algumas ferramentas secretamente se refazem, mesmo depois de o usuário ter tentado apagá-las.

    Os perfis de pessoas, constantemente atualizados, são comprados e vendidos em mercados que surgiram nos últimos 18 meses e se assemelham a bolsas de valores.

    As novas tecnologias estão transformando a economia da internet. No passado, os anunciantes basicamente compravam espaço publicitário em páginas específicas da internet – um anúncio de carro num site de carros. Agora, os anunciantes estão pagando um ágio para seguir as pessoas na internet, onde elas forem, com mensagens de marketing muito específicas.

    Entre o usuário da internet e o anunciante, o WSJ identificou mais de cem intermediários – empresas que coletam os dados, corretores de dados e redes de anunciantes – que competem para suprir a crescente demanda por dados sobre comportamento e interesses individuais.

    Os dados sobre os hábitos cinematográficos de Hayes-Beaty, por exemplo, estão sendo oferecidos a anunciantes na BlueKai Inc., uma das novas bolsas de dados.

    “A maré está mudando em relação à forma como o setor funciona”, diz Omar Tawakol, diretor-presidente da BlueKai. “Os anunciantes querem comprar acesso às pessoas, não páginas na internet.”

    O WSJ examinou os 50 sites mais populares dos EUA, que correspondem a 40% das páginas de internet que são vistas pelos americanos. (O Journal também testou seu próprio site, o WSJ.com.) Aí, analisou os arquivos de acompanhamento e programas que esses sites baixaram em um computador de teste.

    Juntos, esses 50 sites colocaram 3.180 arquivos para coletar dados nos computadores de teste do WSJ. Quase um terço deles eram inócuos, usados para lembrar a senha de um site favorito ou identificar os artigos mais populares.

    Mas mais de dois terços – 2.224 – foram instalados por 131 empresas, muitas das quais estão no negócio de seguir os usuários da internet e criar um rico banco de dados com perfis de consumidores que podem ser vendidos.

    O principal local para tal tecnologia, descobriu o WSJ, é o Dictionary.com, da IAC/InterActive Corp. Uma visita ao dicionário on-line resultou no download de 234 arquivos ou programas no computador de teste de WSJ, sendo que 223 deles vieram de empresas que monitoram os usuários da internet.

    A informação que as empresas coletam é anônima, no sentido de que os usuários de internet são identificados por um número designado ao seu computador, não pelo nome específico da pessoa. A Lotame, por exemplo, afirma que não sabe o nome de usuários como Hayes-Beaty – somente seus comportamentos e atributos, identificados por um código numérico. As pessoas que não querem ter seus passos seguidos podem ser removidas do sistema Lotame.

    E o setor alega que os dados são usados sem prejudicar ninguém. David Moore, presidente do conselho da 24/7 RealMedia Inc., uma rede de anúncios da WPP PLC, informa que o rastreamento dá aos usuários da internet uma propaganda melhor.

    “Quando um anúncio é propriamente focado, ele deixa de ser um anúncio, ele se torna uma informação importante”, diz.

    O monitoramento não é coisa nova. Mas a tecnologia está se tornando tão poderosa e onipresente que mesmo alguns dos maiores sites dos EUA afirmaram que não tinham conhecimento, até que foram informados pelo WSJ, de que estavam instalando arquivos intrusivos nos computadores dos visitantes.

    O WSJ descobriu que o popular portal de internet da Microsoft, o MSN.com, plantou um arquivo recheado de dados: ele tinha a previsão da idade do internauta, código postal e sexo, além de um código com a estimativa de renda, estado civil, presença de crianças na casa e propriedade de imóveis, de acordo com a empresa de coleta de dados que criou o arquivo, a Targus Information Corp.

    Tanto a Targus quando a Microsoft afirmaram que não sabiam como o arquivo tinha ido parar no MSN.com, e acrescentaram que a ferramenta não continha informações “pessoais identificáveis”.

    O rastreamento é feito por minúsculos arquivos e programas chamados de “cookies”, “Flash cookies”e “beacons”. Eles são colocados em um computador quando o usário visita o site. Os tribunais dos EUA decidiram que é legal usar o tipo mais simples, o cookie, assim como é legal uma pessoa que usa um telefone permitir que um amigo escute uma conversa. Os tribunais ainda não decidiram sobre os programas mais complexos.

    O monitoramento mais intrusivo vem do que o setor chama de arquivo de acompanhamento de “terceiros”. Eles funcionam assim: na primeira vez em que um site é visitado, ele instala um arquivo de acompanhamento, que atribui ao computador um número de identificação único. Mais tarde, quando o usuário visita um site ligado à mesma empresa de acompanhamento, ele pode tomar nota de onde o usuário esteve antes e onde está agora. Desta forma, a empresa pode construir um perfil robusto.

    Informações sobre os pensamentos das pessoas e suas ações a cada momento, reveladas por sua atividade on-line, podem mudar de mãos rapidamente. Alguns segundos depois de uma visita ao eBay.com ou ao Expedia.com, é provável que informações detalhadas sobre a atividade do internauta sejam leiloadas na bolsa de dados gerida pela BlueKai.

    Porta-vozes da eBay Inc. e da Expedia Inc. informam que os perfis são vendidos anonimamente e que as pessoas não são identificadas como visitantes dos seus sites. A BlueKai informa que seu próprio site dá aos consumidores uma maneira fácil de ver o que ele monitora sobre eles.

    Os arquivos de rastreamento chegam aos websites, e são baixados para um computador, de várias maneiras. Muitas vezes, as empresas simplesmente pagam aos sites para distribuir seus arquivos de monitoramento.

    Mas as empresas de rastreamento às vezes escondem seus arquivos dentro de software gratuito oferecido aos websites, ou os escondem dentro de outros arquivos de acompanhamento ou anúncios. Quando isso acontece, os sites não estão sempre cientes de que estão instalando os arquivos nos computadores dos visitantes.

    O acompanhamento do consumidor é a base de uma economia de publicidade on-line que movimentou US$ 23 bilhões nos EUA no ano passado. A atividade de monitoramento está com crescimento explosivo. Pesquisadores dos AT&T Labs e do Instituto Politécnico Worcester encontraram no fim do ano passado tecnologia de rastreamento em 80% dos 1.000 sites mais populares, em comparação com 40% desses sites em 2005.

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  • TV por assinatura deve ter crescimento recorde em 2010, diz ABTA

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 04/08/2010

    03/08/2010
    Gabriel Baldocchi
    Folha Online

    O mercado de TV por assinatura deve registrar em 2010 o melhor ano de crescimento no Brasil, de acordo com o presidente da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), Alexandre Annemberg.

    A base de assinantes do serviço chegou a cerca de 8,5 milhões de clientes em junho. O número representa crescimento de 13,1% em relação ao número de dezembro de 2009.

    “Não temos como prever como vai fechar [o ano]. Pela lógica, seria dobrar esse número [os 13,1%]“, afirmou o presidente durante coletiva à imprensa. Ele, no entanto, ponderou que o crescimento pode ser um pouco inferior a isso porque no 1º semestre pesou uma forte alavancagem de vendas para a Copa do Mundo.

    O número do segundo semestre não deve se repetir. Ainda assim, há outro fator que leva Annemberg a apostar no melhor ano: as eleições. Segundo ele, o horário eleitoral vai estimular novas adesões.

    O presidente defendeu que mudanças de regulação no setor podem permitir maior crescimento. A tecnologia de DHT (satélite) foi o único serviço por assinatura a observar expansão. De acordo com os dados da Abta, o serviço está presente em 5.564 municípios, ante 129 cidades com presença de TV a cabo.

    As últimas licenças para o serviço de TV a cabo foram outorgadas em outubro de 2000. “É claro que os serviços a cabo estão concentrados nos municípios de maior valor econômico”, apontou Annemberg.

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  • Murdoch: iPad é perfeito para jornais

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 04/08/2010

    03/08/2010
    Redação
    O Globo Online

    O presidente e diretor-executivo da News Corp., Rupert Murdoch, considera os computadores tablet, como o iPad, da Apple, “uma plataforma perfeita” para oferecer conteúdo barato e atualizado dos jornais do grupo. Em um fórum sobre novas mídias promovido pelo jornal “The Australian”, controlado pela News Corp., Murdoch lembrou o sucesso dos aplicativos de “Wall Street Journal” e “The Times” para o iPad. O do “Times”, que no mês passado passou a cobrar pelo acesso a seu site, registrou cinco mil assinaturas em três dias.

    Ele ainda se mostrou otimista com o futuro do iPad, que vendeu mais de três milhões de unidades em 80 dias.

    - Parece que eles vão vender cerca de 15 milhões de iPads este ano e mais de 40 milhões até 2012. O iPad é apenas um dos muitos tablets que estão na linha de montagem. A News Corp. pretende estar também em todas essas outras plataformas.

    Murdoch também voltou a defender a cobrança pelo acesso aos jornais on-line:

    - O argumento de que a informação quer ser gratuita só é usado por aqueles que querem que ela seja gratuita.

    Na segunda-feira, o site New Media Age afirmou que a News Corp. analisa criar uma divisão para fornecer conteúdo para leitores eletrônicos. Há pouco tempo, o grupo comprou a plataforma de e-reader Skiff. Segundo o site, a decisão seria anunciada nas próximas semanas.

    A News Corp. decidiu ainda reforçar a dependência entre o pagamento de seus principais executivos e o desempenho das ações, de acordo com documento entregue à Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado americano). Dois terços dos bônus anuais dos principais executivos – incluindo Murdoch – vão se basear no desempenho financeiro e operacional, e um terço, em fatores qualitativos. Murdoch tem agora uma meta anual de bônus de US$ 12,5 milhões, com o teto de US$ 25 milhões.

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  • Fórum Brasil Digital promoverá mega debate sobre PNBL em agosto

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 04/08/2010

    03/08/2010
    Mariana Mazza
    Teletime

    O segundo encontro do Fórum Brasil Digital não será nada tímido. O grupo criado para que a sociedade tenha interlocução com o governo na construção dos objetivos finais do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) terá três dias de debates com a meta de traçar um panorama das medidas estratégicas que precisam ser tomadas para o projeto seguir adiante. O mega debate será realizado nos dias 24, 25 e 26 de agosto.

    O primeiro encontro do fórum ocorreu no fim de junho e funcionou como uma espécie de ambientação para as 54 entidades convidadas a compor o grupo. Agora os objetivos das discussões estão mais claros, segundo o coordenador do fórum e assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez. “Na semana passada, mandamos a cada entidade um roteiro com a síntese dos temas que serão debatidos. Para cada tema colocamos também a posição do governo e pedimos para as entidades anteciparem suas opiniões”, explicou Alvarez, nesta terça-feira, 3, após participar da assembléia da Telebrás.

    Esse roteiro contém 11 temas de debate que resumem os objetivos mais preementes do PNBL – chamados também de metas de “nível II” ou metas de “hoje”. As primeiras ações do plano, ou metas de nível I, já foram tomadas pelo governo, sendo o maior exemplo a revitalização da Telebrás. Um terceiro conjunto de objetivos tem como foco as ações de longo prazo e não serão debatidas no próximo encontro.

    Para organizar um debate com tantos representantes de entidades civis e governo, o fórum deverá fazer uma reunião para cada um dos temas fixados. Não haverá limitação de participação nos debates: desde que a pessoa esteja cadastrada por uma entidade pertencente ao fórum, ela poderá assistir todas as discussões. Será dada prioridade, no entanto, aos representantes que encaminharem antecipadamente suas posições nessa rodada preparatória pois isso indicaria maior interesse no tema.

    A coordenação do fórum ainda não decidiu se alguma parte do encontro será aberta ao público. Além dos debates setoriais, será promovida uma grande plenária para alinhamento das discussões. O encontro acontecerá em Brasília.

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  • A tecnologia espanca o conteúdo

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 03/08/2010

    A tecnologia espanca o conteúdo

    3/8/2010
    Nelson Hoineff
    Observatório da Imprensa

    A tecnologia está espancando o conteúdo na televisão aberta – e isso vem provocando um grande desconforto nas redes. Estão todas com dificuldades em definir suas prioridades para as plataformas com que já estão trabalhando.

    A hegemonia da tecnologia sobre o conteúdo é considerado um fato mais ou menos normal – pelo menos todo mundo já se acostumou a isso –, mas com o surgimento das plataformas digitais essa diferença se avolumou bruscamente e bateu nos cofres das empresas.

    Sabemos que quando uma dúvida chega aos cofres, ela deixa de ser uma questão filosófica e passa a ser um indicador econômico. É aí que as alternativas menos ortodoxas cessam de ser motivo de zombarias e se transformam no que as pessoas costumam chamar de “coisa séria”.

    Falhas no sistema

    A conta da digitalização é o que se entende por coisa séria. Algo em torno de 10 bilhões de reais. Esperava-se que o pagamento dessa conta se desse através da boa utilização de algumas das principais propriedades da TV digital: HDTV, multiprogramação, mobilidade & portabilidade e 3D, para não falar das ferramentas interativas. Todas essas propriedades têm potencial para gerar conteúdos originais e inovadores – capazes, portanto, de se transformar em receita.

    O varejo cumpriu sua parte, colocou no mercado televisores aptos a receber sinais em alta-definição (os full HD) a preços acessíveis. Mas as emissoras não moveram um músculo para melhorar o conteúdo – a menos que considerem que reforçar a maquiagem das atrizes e esconder os defeitos da cenografia represente um grande avanço conteudístico.

    No tocante à multiprogramação, não houve mesmo o que fazer. O Ministério das Comunicações decidiu que só as outorgas públicas poderão subdividir seus canais em definição standard e isso vai ficar para os próceres do próximo governo.

    Já com a entrada em operação do 3D – que chegou bem mais cedo do que as emissoras suspeitavam – o abismo entre a tecnologia disponível e o conteúdo para adequá-la se tornou maior ainda. Por um lado, não há consenso sobre as tecnologias aplicadas – a Globo, por exemplo, não considera exatamente 3D o que a RedeTV! vem fazendo, e ela mesma, a Globo, teve que cancelar as transmissões em 3D dos jogos da Copa do Mundo – que seriam feitas dentro de alguns cinemas – por reconhecer que o sistema ainda era muito falho.

    Situações distintas

    O que preocupa de fato a Globo – e outras redes que eventualmente caminhem no limite da sensatez – é que fala-se em 3D e vendem-se equipamentos em 3D antes que a mobilidade e a portabilidade tenham tido a chance de decolar. O usuário simplesmente não tomou conhecimento desta que é, no momento, a mais poderosa propriedade das plataformas digitais.

    Não tomou conhecimento porque as emissoras não estavam preparadas para isso. Ao contrário do 3D ou do HDTV, que modificam a qualidade e a natureza das imagens, a mobilidade e a portabilidade modificam todo o modelo de negócios da televisão; criam novas e atraentes faixas para o seu consumo e estimulam a criação de conteúdos mais focados, necessariamente mais dinâmicos, em oposição ao engessamento e à acomodação da televisão que se pratica no país. Perto da mobilidade, o 3D é a cereja.

    Em tese, a televisão móvel, portátil, vai buscar o espectador em qualquer lugar, exatamente o contrário do que acontecia até agora – quando o televisor, passivamente, o esperava chegar em casa, como uma dona de casa exemplar (que além das sandálias, lhe deixava as novelas quentinhas).

    Executivos que são pagos para qualquer coisa, menos olhar para frente, continuam fazendo isso – sem se darem conta de que o mundo não é mais assim. Se as plataformas digitais permitem o recurso da mobilidade, então a televisão – não por altruísmo, mas por mera questão de sobrevivência – tem que ir onde o espectador estiver. Ele vai estar na condução, no trabalho, no almoço, em qualquer lugar – mas seja lá onde for parar, dificilmente vai se comportar como o desmiolado que põe os chinelos em casa para ver o que vai acontecer no capítulo da novela.

    Se excetuarmos alguns programas humorístico que têm ousado testar os seus limites – Pânico e CQC são exemplos óbvios – a televisão brasileira está olhando para si mesma como se nada estivesse acontecendo ao seu redor. Ela não sabe o que fazer com o público adicional gerado pelas transmissões para receptores móveis, mas se não lhe oferecer o conteúdo que ele está buscando fora de casa vai perdê-lo para outras mídias. Reluta, com acerto, em mergulhar no 3D, porque sabe que as situações enfrentadas pela televisão e pelo cinema são muito diferentes. O cinema precisava de gimmicks para tirar o espectador de casa, levá-lo até as salas. A televisão precisa o contrário: fazer com que o usuário receba a televisão onde quer que ele se esconda.

    Avanço tecnológico

    O desafio do 3D, antes que a mobilidade seja resolvida, leva à loucura quem quer que esteja percebendo a quantidade de recursos que vai escorrer por rios que simplesmente não foram percorridos. E não o foram por falta de idéias originais para desenvolver uma TV móvel que atenda às necessidades do meio. Tem pouca gente pensando, e quem está pensando não está pensando bem.

    Quem olha para frente vê também que a mobilidade é um imensa caixa de marimbondos. Numa estimativa pessimista, o que está em jogo são faixas de audiência de 20%, quando o que se disputa neste momento são décimos de pontos. Qualquer mexida mal resolvida pode, então, modificar radicalmente quadros de audiência estáveis há muito tempo. Ninguém que ganhe acima de dois salários mínimos quer meter a mão nesta cumbuca.

    A televisão aberta brasileira está sofrendo, como poucas vezes sofreu antes, de falta de criatividade e inovação. O avanço das novas tecnologias está contribuindo para tornar esse quadro mais evidente. Está mostrando que o rei está nu. A televisão já é móvel, já é tridimensional, já é quase interativa. Seu conteúdo, no entanto, ainda está lamentando a chegada do vídeotape.

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  • A Hora do Cinema Digital

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    por: conteudosdigitais, em Publicações no dia 02/08/2010

    A Hora do Cinema Digital – Democratização e Globalização do Audiovisual, Imprensa Oficial, São Paulo 2009.

    Livro sobre cinema digital de Luiz Gonzaga de Luca disponível em versão online.

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  • Dia 22, vai ao ar a TV dos Trabalhadores

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 02/08/2010

    29/07/2010
    Lia Segre
    Observatório do Direito à Comunicaçãoo

    Está marcada para 22 de agosto a estreia da TV dos Trabalhadores (TVT). A transmissão inaugural põe fim a uma espera de 23 anos, desde o primeiro pedido de concessão feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Será, também, um marco para a TV aberta brasileira. A TVT é a primeira emissora ligada a movimentos sociais a garantir seu espaço entre os canais abertos brasileiros.

    Gestora da TV, a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho é mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas sua diretoria é também composta por outros grandes sindicatos da região. O peso da representação destas organizações e nem mesmo o fato de um ex presidente do sindicato ter se tornado o presidente da República, entretanto, não foi suficiente para abreviar a longa espera pela concessão, nem diminuir as dificuldades para colocar a emissora no ar.

    A outorga foi concedida em 2005 e reserva o canal 46 UHF em Mogi das Cruzes (SP). A programação será ainda transmitida pela TV a cabo, através da Rede NGT e de algumas emissoras comunitárias. Além disso, a TVT terá toda sua produção disponível na internet e funcionará totalmente integrada com essa mídia. “A ideia geral é abrir acesso à TV a quem nunca teve”, afirmou Valter Sanches, diretor da fundação, fazendo menção à concentração da mídia no país.

    Segundo ele, o orçamento da TVT será de R$ 400 mil por mês – na sua opinião, um valor “espartano, muito pouco para TV”. Para poder pleitear o canal, a fundação precisou de um aporte financeiro de 12 milhões de reais. Com isso, tem condições de se sustentar por dois anos. Segundo Sanches, a categoria decidiu, em congresso, investir na causa. Assim, todo o dinheiro utilizado para comprovar a saúde financeira da fundação foi dado por ela, e “não necessariamente será gasto”.

    Às vésperas do lançamento do canal, a diretoria da TVT se esforça para colocar a emissora no ar inclusive com o objetivo de atrair mais parceiros par ao projeto – como outras categorias, partidos, movimentos sociais.

    Parcerias

    Antes de conseguir a outorga, a TVT era um acervo de 4 mil fitas guardadas em um escritório em São Bernardo do Campo e que documentam momentos da história do país desde 1986, quando a produtora foi fundada. Mais recentemente, começaram a ser produzidos alguns programas, que podiam ser acessados pela internet.

    A decisão de ampliar o alcance do projeto e transformar a TVT em um canal de TV foi determinação de congresso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “Há muito tempo a base decidiu entrar na disputa por uma concessão e ocupar espaço na luta pela democratização dos meios de comunicação”, comentou Sanches.

    De início, a TVT terá uma hora e meia de produção própria por dia. A emissora produzirá um telejornal regional e programas semanais como Memória e Contexto (que utilizará o longo acervo audiovisual do sindicato), Boa Gente (entrevista com personagens que se dedicam ao coletivo), Coopera Brasil (sobre economia solidária) e o Click e Ligue, um programa que cobrirá as redes sociais e buscará disseminar o uso de novas e velhas tecnologias. O restante da grade de programação será preenchido por reportagens e documentários da TV Brasil e das TVs Câmara e Senado.

    Internet

    A TVT terá relação íntima com a internet. Todo material produzido estará disponível no portal da emissora, de modo que possa ser “envedado” automaticamente, ou seja, copiado livremente para outros sites, blogs, celular, redes sociais. Para esta finalidade, os conteúdos estarão disponíveis em formato grande e em pacotes de uma hora de programação. Já para a exibição online, os programas serão disponibilizados em partes menores, por exemplo, notícias separadas do telejornal.

    Uma inovação são as possibilidades de comentários nas matérias e programas. O sistema aceitará comentários escritos, mas também comentários em vídeo, que podem ser gravados com webcam, e disponibilizados no site. A direção da TV estuda utilizar estes comentários também nas transmissões da emissora.

    Outra aposta é nos blogs dos programas, que serão mantidos pelos repórteres, colunistas e colaboradores. Assim, informações que não entraram nas matérias de vídeo poderão ser detalhadas em texto. Além, disso, como tentativa de humanizar as matérias, os repórteres, cinegrafistas e outros profissionais que participam das coberturas serão entrevistados em algumas matérias, para darem um relato pessoal dos acontecimentos. A equipe da TVT será composta por 70 profissionais.

    Leia mais em: Por que o trabalhador não pode ter uma TV?

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  • Experimentações com interface de usuário

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 30/07/2010

    Minipalestra com o designer de interfaces John Underkoffler, da Oblong Industries, na TED2010.

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  • MinC fará consultas públicas para Canal da Cultura

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 30/07/2010

    28/07/2010
    André Mermelstein
    Tela Viva

    A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura fará consultas públicas com diversos setores das artes e da comunicação para definir a linha do Canal da Cultura, previsto pelo decreto que criou a TV digital brasileira.

    Segundo o secretário Newton Cannito, já estão definidos alguns princípios gerais. “Não será um canal institucional do ministério, nem um canal institucional da arte brasileira, para divulgar artistas etc. Também não é um canal para ‘desovar’ a produção nacional. Até pode servir para isso, quando tiver grade, mas não é o perfil. É um canal da cultura, não da Secretaria do Audiovisual”, afirmou em entrevista à revista TELA VIVA.

    A ideia, segundo ele, é fazer um canal de experimentação, que funcione como uma “incubadora de formatos”. “Queremos ter muita coisa ao vivo, e criar novos formatos televisivos, como realities”, disse.

    Cannito também espera fazer parcerias com as TVs comerciais.”Podemos até coproduzir, desenvolver programas juntos. Em um formato considerado de alto risco, podemos entrar com incentivos, fazer uma parte do programa, ter esse papel de estimular a inovação.”

    A entrevista completa poderá ser conferida na edição de agosto, que circula a partir do início do próximo mês.

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  • País ultrapassa quatro mil rádios comunitárias

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    por: conteudosdigitais, em Notícias no dia 29/07/2010


    28/07/2010
    Renata Maia
    Ministério das Comunicações

    Número de entidades autorizadas a executar o serviço de radiodifusão comunitária mais que dobrou desde 2003

    O número de rádios comunitárias existentes no Brasil ultrapassou, neste mês de julho, a marca de quatro mil emissoras. E o objetivo do governo é que esse número continue crescendo expressivamente. O incentivo e a ampliação das rádios comunitárias legais são prioridades para o Ministério das Comunicações, que trata a questão de forma aberta e democrática, justamente para evitar a proliferação de rádios não autorizadas.

    Segundo o coordenador de Serviços de Radiodifusão Comunitária, Gleucione Junior, 4.001 rádios comunitárias foram autorizadas desde 1999. Destacou que de janeiro de 2003 até o momento, foram totalizadas 2.298 emissoras. Sublinhou que a rádio comunitária cumpre um papel muito importante na comunidade, promovendo a solidariedade, a cultura e a educação. Além disso, ele destaca o caráter independente da rádio. “Não pode ter fins lucrativos, nem vínculos de qualquer tipo, tais como: partidos políticos, instituições religiosas etc”.

    O que é rádio Comunitária

    Trata-se de um tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado a, no máximo, 1 quilômetro a partir de sua antena transmissora. Seus objetivos são divulgar a cultura, o convívio social e eventos locais; noticiar os acontecimentos comunitários e de utilidade pública; promover atividades educacionais e outras para a melhoria das condições de vida da população. Além disso, uma rádio comunitária não pode ter fins lucrativos.

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