O E®®ANTE (FATEBOOK)

O E®®ANTE (FATEBOOK)

por migracielo.blogspot.com

breve ensaio do e®®ante sobre as mídias sociais e seu impacto no ser humano (usuário):

Ouça: a música a seguir é feita apenas por um piano e o que vejo através dela são as mãos sonhadoras do pianista, às vezes concentradas, às vezes conduzidas como se ele estivesse inebriado pelo delírio. É bom escrever deixando-se levar por músicas: não sobra tempo para escolher nada, tudo o que acontece acontece sem pestanejar e a melodia torna-se então intrínseca às palavras. Isso devolve – ou clarifica – a propriedade que as palavras carregam desde cada um de seus surgimentos, que é a de serem PULSAÇÕES. As palavras são pulsações de um órgão respirante e vivo, órgão que, embora invisível, existe no corpo de todas as pessoas. As mídias sociais estimulam esse órgão pois seu sistema de comments e atualizações é muito imediatista e exige interação ininterrupta, o que incita nos usuários a INSPIRAÇÃO CONSTANTE e sua contínua manifestação em palavras (POSTS e COMMENTS). Isso explica por que a INSPIRAÇÃO anda tão valorizada entre nós como uma das formas mais confiáveis e rápidas de se obter conhecimento no mundo globalizado, sempre tão competitivo. Quem cria para si um PERFIL e se usa como forma de conhecimento faz o óbvio, e é um ser naturalmente inspirado. Afinal, quando o ar entra dentro da gente, o corpo se expande – é ou não é? Isso é a INSPIRAÇÃO. É o ar com que se sopra a VONTADE para atiçá-la quando se tem a fibra de também tê-la, já que a VONTADE é puro FOGO num círio íntimo disponível a quem está vivo, FOGO brando ou violento dependendo do tipo de vento que lhe bata em cada estação que a vida atravessa. Como ritmos, estações. Como flores, fósseis: tudo dança e dura em direção às transformações do conteúdo eletrônico e digital-fotográfico dos nossos PERFIS, uma vez que a vida é deslocamento – e não tem fim. A vida viverá. Por isso eu disse uma vez, confesso que algo confuso, que vida era morte e que morte era vida. Mas – mas como asSIM? Hoje acho que eu quis dizer que como a vida não tinha fim, então a morte também não podia ter fim – e por derivar daí que o “SEMPRE” seja uma coisa só, abarcadora de todas as dimensões, palavras e corpos de galáxias, então esses estados cruciais de VIDA e MORTE deveriam portanto se equivaler de algum modo. Mas não consigo responder: para onde vai o TWITER da pessoa depois que ela morre? Fica penando na rede? O cálculo, por exemplo, foi desenvolvido por Isaac Newton para isolar os instantes de um movimento contínuo. Pelo mesmo motivo, a interação dos USUÁRIOS com o ambiente espectral das redes sociais se dá apenas por etapas matemáticas (coitos interrompidos), sempre por meio de POSTS e COMMENTS isolados e incapazes de abarcar o movimento filarmônico do que foi dito com a melodia completa das mãos ao piano (ORGASMO). Exato-instante, explosão: não me venham com -ismos e -óides. Venham-me com discos voadores, pode ser? Venham-me com ovos cósmicos, pelo amor de Deus. Por isso os livros de poesia caminham e perduram em direção à conquista de todos os planetas, mesmo que o dinheiro grosso dos enlatados não saia das mãos de vaca dos grandes assassinos. Mas muitos usuários se perdem pelo caminho porque muitos, embora incorporando ao seu PERFIL um volume expressivo de AMIGOS e TAGS nas PHOTOS dos OUTROS, não dizem nada. E usar palavras (PULSAÇÕES) para não dizer nada, aí já é demais. Mas nada contra o e®®o. Deixemos o e®®o em paz. Para dizer a verdade, ainda bem que mesmo as pessoas que afirmam que não e®®am nunca acabam e®®ando mais cedo ou mais tarde e com suas próprias pernas. É inevitável. E®®a®e humanum est (3x). E não dá nada: todos os caminhos (inclusive os virtuais) adoram essa peculiaridade humana de E®®AR, porque todos os caminhos se rejubilam com a criatividade peregrina dos seres vivos. Mas fico atento: as pessoas que atrelam o e®®o a um padrão constante de acontecimento – e, às vezes, até a um padrão “wikipédico”, “psicológico” – são em geral pessoas muito rígidas e por isso é preciso ter paciência com elas. Instrutivo é conversar com pessoas que utilizam muitas metáforas. Por exemplo: uma vez encontrei um homem no facebook que contava os dias para o aniversário de um de seus AMIGOS (1899 friends). Ele publicou um post que dizia assim: NÃO PENSO EM MENTIR NADA AO LONGO DESSA CONTAGEM REGRESSIVA EMBORA ME CREIA APTO A TENTAR PROLONGAR O QUE ME ACONTECE A UMA REGIÃO IMPESSOAL AO PONTO DA LOUCURA DE QUERER DEMONSTRAR COM A VALIDADE DE UM TEOREMA QUE AQUILO QUE ME ACONTECE ACONTECE TAMBÉM A TODAS AS PESSOAS CAPAZES DE DIZER: EU.

Esse homem se chamava Terêncio (antes de Cristo).

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