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tatu or not tatu

Manifesto Uninômade +10

Junho de 2012

A palavra revolução voltou a circular. Nas ruas, nas praças, na internet, e até mesmo nas páginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos espíritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: já não nos domina como dominava. Assistimos ao final de um ciclo – o ciclo neoliberal implementado a partir dos anos 80, mas cujo ápice se deu com a queda do muro de Berlim e o consenso global em torno da expansão planetária do mercado. Muitos dentre nós (principalmente os jovens) experimentam seu primeiro deslocamento massivo das placas tectônicas da história.

Mas nossa era não é apenas crepuscular. Ao fim de um ciclo abrem-se amplas oportunidades, e cabe a nós transformar a crise da representação e do capitalismo cognitivo em novas formas de democracia absoluta. Para além das esferas formais, dos Estados e nacionalidades. Para além do capitalismo financeiro e flexível. Lá onde brilha nossa singularidade comum: a mulher, o negro, o índio, o amarelo, o pobre, o explorado, o precário, o haitiano, o boliviano, o imigrante, o favelado, o trabalhador intelectual e manual. Não se trata de um recitar de excluídos, mas de uma nova inclusão híbrida. A terra, enfim, nossa. Nós que somos produzidos por esta chuva, esta precipitação de encontros de singularidades em que nos fazemos divinos nesta terra.

É pelo que clama a multidão na Grécia, na Espanha e os occupy espalhados pelos Estados Unidos; é pelo que clamam as radicalidades presentes na primavera árabe, esta multidão situada para além da racionalidade ocidental. É o mesmo arco que une a primavera árabe, as lutas dos estudantes no Chile e as lutas pela radicalização da democracia no Brasil. Nossas diferenças é o que nos torna fortes.

A luta pela mestiçagem racial, simbólica, cultural e financeira passa pela materialidade do cotidiano, pela afirmação de uma longa marcha que junte nossa potência de êxodo e nossa potência constituinte. Acontecimento é o nome que nos anima para o êxodo perpétuo das formas de exploração. Êxodo para dentro da terra. Fidelidade à terra. Tatu or not tatu.

É preciso ouvir em nós aquele desejo que vai para além da vida e da sua conservação: para além do grande terror de uma vida de merda que nos impõe o estado de precariedade e desfiliação extrema. É preciso re-insuflar o grito que nos foi roubado à noite, resistir aos clichês que somos, e que querem fazer de nós: para além de nossas linhas de subjetivação suspensas entre o luxo excedente do 1% ou do lixo supérfluo dos 99%.

É preciso não precisar de mais nada, a não ser nossa coragem, nosso intelecto e nossos corpos, que hoje se espraiam nas redes de conhecimentos comuns apontando para nossa autonomia. Somos maiores do que pensamos e desejamos tudo.  Não estamos sozinhos! É preciso resistir na alegria, algo que o poder dominador da melancolia é incapaz de roubar. Quando o sujeito deixa de ser um mero consumidor-passivo para produzir ecologias. Um corpo de vozes fala através de nós porque a crise não é apenas do capital, mas sim do viver. Uma profunda crise antropológica. Manifesta-se no esvaziamento de corpos constrangidos, envergonhados, refletidos na tela da TV, sem se expandir para ganhar as ruas. Nossos corpos paralisam, sentem medo, paranóia: o outro vira o grande inimigo. Não criam novos modos de vida. Permanecem em um estado de vidaMenosvida: trabalho, casa, trem, ônibus, trabalho, casa. A vida individual é uma abstração. Uma vida sem compartilhamento afetivo, onde a geração do comum se torna impossível. É preciso criar desvios para uma vidaMaisvida: sobrevida, supervida, overvida. Pausa para sentir parte do acontecimento, que é a vida.  Somos singularidades cooperativas. Pertencemos a uma esfera que nos atravessa e nos constrói a todo o momento.

O capitalismo cognitivo e financeiro instaura um perpétuo estado de exceção que busca continuamente reintegrar e modular a normalidade e a diferença: lei e desordem coincidem dentro de uma mesma conservação das desigualdades que produz e reproduz as identidades do poder: o “Precário” sem direitos, o Imigrante “ilegal”, o “Velho” abandonado, o “Operário” obediente, a “Mulher” subjugada, a “Esposa” dócil, o “Negro” criminalizado e, enfim, o “Depressivo” a ser medicalizado. As vidas dos pobres e dos excluídos passam a ser mobilizadas enquanto tais. Ao mesmo tempo em que precisam gerar valor econômico, mantêm-se politicamente impotentes.

O pobre e o louco. O pobre – figura agora híbrida e modulada de inclusão e exclusão da cadeia do capital –  persiste no cru da vida, até usando seu  próprio corpo como moeda. E o louco, essa figura que vive fora da história, “escolhe” a exclusão. Esse sujeito que se recusa a produzir, vive sem lugar. Onde a questão de exclusão e inclusão é diluída no delírio. Ninguém delira sozinho, delira-se o mundo. Esses dois personagens vivem e sobrevivem à margem, mas a margem transbordou e virou centro. O capital passa a procurar valor na subjetividade e nas formas de vida das margens e a potência dos sem-dar-lucro passa a compor o sintoma do capital: a crise da lei do valor, o capitalismo cognitivo como crise do capitalismo.

A crise dos contratos subprimes em 2007, alastrando-se para a crise da dívida soberana europeia, já não deixa dúvidas: a forma atual de governabilidade é a crise perpétua, repassada como sacrifício para os elos fragilizados do arco social. Austeridade, cortes, desmonte do welfare, xenofobia, racismo. Por detrás dos ternos cinza dos tecnocratas pós-ideológicos ressurgem as velhas bandeiras do biopoder: o dinheiro volta a ter rosto, cor, e não lhe faltam ideias sobre como governar: “que o Mercado seja louvado”, “In God we trust”. O discurso neutro da racionalidade econômica é obrigado a mostrar-se em praça pública, convocando o mundo a dobrar-se ao novo consenso, sem mais respeitar sequer a formalidade da democracia parlamentar. Eis o homo œconomicus: sacrifício, nação, trabalho, capital! É contra este estado de sítio que as redes e a ruas se insurgem. Nas mobilizações auto-convocadas em redes, nas praças das acampadas, a exceção aparece como criatividade do comum, o comum das singularidades que cooperam entre si.

No Brasil são muitos os que ainda se sentem protegidos diante da crise global. O consenso (neo) desenvolvimentista produzido em torno do crescimento econômico e da construção de uma nova classe média consumidora cria barreiras artificiais que distorcem nossa visão da topologia da crise: a crise do capitalismo mundial é, imediatamente, crise do capitalismo brasileiro. Não nos interessa que o Brasil ensine ao mundo, junto à China, uma nova velha forma de capitalismo autoritário baseado no acordo entre Estados e grandes corporações!

O governo Lula, a partir das cotas, do Prouni, da política cultural (cultura viva, pontos de cultura) e da distribuição de renda (programas sociais, bolsa família, valorização do salário mínimo) pôde apontar, em sua polivalência característica, para algo que muitos no mundo, hoje, reivindicam: uma nova esquerda, para além dos partidos e Estados (sem excluí-los). Uma esquerda que se inflame dos movimentos constituintes que nascem do solo das lutas, e reverta o Estado e o mercado em nomes  do comum. Uma esquerda que só pode acontecer “nessa de todos nós latino-amarga américa”. Mais do que simples medidas governamentais, nestas políticas intersticiais, algo de um acontecimento histórico teve um mínimo de vazão: aqueles que viveram e morreram por transformações, os espectros das revoluções passadas e futuras, convergiram na construção incipiente de nossa emancipação educacional, racial, cultural e econômica. Uma nova memória e um novo futuro constituíram-se num presente que resistira ao assassinato simbólico da história perpetrado pelo neoliberalismo. A popularidade dos governos Lula tinha como lastro esses interstícios onde a política se tornava uma poética. Já hoje, nas taxas de aprovação do governo Dilma, podemos facilmente reconhecer também as cores deslavadas de um consenso prosaico. O “país rico” agora pacifica-se no mantra desenvolvimentista, retrocedendo em muitas das políticas que tinham vazado. Voltam as velhas injunções progressistas: crescimento econômico para redistribuir! Estado forte! As nuvens ideológicas trazem as águas carregadas do gerencialismo e do funcionalismo tecnocrático: menos política, mais eficiência! Desta maneira, removem-se e expropriam-se os pobres: seja em nome de um Brasil Maior e se seu interesse “público” (Belo Monte, Jirau, Vila Autódromo), seja em nome de um Mercado cada vez Maior e de seu interesse “privado” (Pinheirinho, TKCSA, Porto do Açu). Juntando-se entusiasticamente às equações do mercado, os tratores do progresso varrem a sujeira na construção de um novo “País Rico (e) sem pobreza”. Os pobres e as florestas, as formas de vida que resistem e persistem, se tornam sujeira. A catástrofe ambiental (das florestas e das metrópoles) e cultural (dos índios e dos pobres) é assim pacificada sob o nome do progresso. Dominação do homem e da natureza conjugam-se num pacto fáustico presidido por nenhum Mefistófeles, por nenhuma crise de consciência: já somos o país do futuro!

Na política de crescer exponencialmente, só se pensa em eletricidade e esqueceu-se a democracia (os Soviets : Conselhos). Assim, governa-se segundo a férrea lógica – única e autoritária – da racionalidade capitalista. Ataca-se enfim a renda vergonhosa dos “banquiplenos”, mas a baixa dos juros vai para engordar os produtores de carros, essas máquinas sagradas de produção de individualismo, em nome da moral do trabalho. Dessa maneira, progredir significa, na realidade, regredir: regressão política como acontece na gestão autoritária das revoltas dos operários das barragens; regressão econômica e biológica, como acontece com uma expansão das fronteiras agrícolas que serra a duração das relações entre cultura e natureza; regressão da vida urbana, com a remoção de milhares de pobres para abrir o caminho dos megaeventos; regressão da política da cultura viva, em favorecimento das velhas oligarquias e das novas indústrias culturais. O progresso que nos interessa não contém nenhuma hierarquia de valor, ele é concreta transformação qualitativa, “culturmorfologia”.

Este é o imaginário moderno em que a dicotomia prevalece: corpo e alma, natureza e cultura, nós e os outros; cada macaco no seu galho! Estes conceitos resultam em uma visão do mundo que distancia o homem da ecologia e de si mesmo. O que está em questão é a maneira de viver no planeta daqui em diante. É preciso encontrar caminhos para reconciliar estes mundos. Perceber outras configurações relacionais mais móveis, ativar sensibilidades. Fazer dessa revolução um grande caldeirão de desejos que crie formas de cooperação e modos de intercâmbio, recombine e componha novas práticas e perspectivas: mundos. Uma mestiçagem generalizada: nossa cultura é nossa economia e nosso ambiente é nossa cultura: três ecologias!

As lutas da primavera Árabe, do 15M Espanhol, do Occupy Wall Street e do #ocupabrasil gritam por transformação, aonde a base comum que somos nos lança para além do estado de exceção econômico: uma dívida infinita que busca manipular nossos corações e manter-nos acorrentados aos medos. Uma dívida infinita que instaura a perpétua transferência de renda dos 99% dos devedores ao 1% dos credores. Não deixemos que tomem por nós a decisão sobre o que queremos!

A rede Universidade Nômade se formou há mais de dez anos, entre as mobilizações de Seattle e Gênova, os Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e a insurreição Argentina de 2001 contra o neoliberalismo. Foram dois momentos constituintes: o manifesto inicial que chamava pela nomadização das relações de poder/saber, com base nas lutas dos pré-vestibulares comunitários para negros e pobres (em prol da política de cotas raciais e da democratização do acesso ao ensino superior); e o manifesto de 2005 pela radicalização democrática. Hoje, a Universidade Nômade acontece novamente: seu Kairòs (o aqui e agora) é aquele do capitalismo global como crise. Na época da mobilização de toda a vida dentro da acumulação capitalista, o capitalismo se apresenta como crise e a crise como expropriação do comum, destruição do comum da terra. Governa-se a vida: a catástrofe financeira e ambiental é o fato de um controle que precisa separar a vida de si mesma e opõe a barragem aos índios e ribeirinhos de Belo Monte,  as obras aos operários, os megaeventos aos favelados e aos pobres em geral, a dívida aos direitos, a cultura à natureza. Não há nenhum determinismo, nenhuma crise terminal. O capital não tem limites, a não ser aqueles que as lutas sabem e podem construir. A rede Universidade Nômade é um espaço de pesquisa e militância, para pensar as brechas e os interstícios onde se articulam as lutas que determinam esses limites do capital e se abrem ao possível: pelo reconhecimento das dimensões produtivas da vida através da renda universal, pela radicalização democrática através da produção de novas instituições do comum, para além da dialética entre público e privado, pelo ressurgimento da natureza como produção da diferença, como luta e biopolítica de fabricação de corpos pós-econômicos. Corpos atravessados pela antropofagia dos modernistas, pelas cosmologias ameríndias, pelos êxodos quilombolas, pelas lutas dos sem teto, sem terra, precários, índios, negros, mulheres e hackers: por aqueles que esboçam outras formas de viver, mais potentes, mais vivas.

Declaração de Port Huron.1962
Irmãos de Esquerda
Nós somos pessoas desta geração, criados em conforto modesto, agora instalados nasuniversidades, olhando desconfortavelmente para o mundo que herdamos.Quando éramos crianças os Estados Unidos [ representavam ] (…) liberdade e igualdade para cada indivíduo, governo de , pelo e para o povo – esses valores americanos nósconsideramos bons, princípios segundo os quais poderíamos viver como homens (…)A medida que crescemos, porém, nosso conforto foi invadido por acontecimentos perturbadores demais para serem ignorados. Primeiramente, o fato disseminado e cruel da degradação humana, simbolizado pela luta do Sul contra a intolerância racial, levou amaioria de nós do silêncio para o ativismo. Depois, a Guerra Fria, simbolizada pela presença da Bomba, trouxe a consciência de que nós, e nossos amigos, e milhões de outros “abstratos” podemos morrer a qualquer momento. (…) Nós consideramos os homens infinitamente preciosos e dotados de capacidades nãorealizadas de razão, liberdade e amor. Ao afirmarmos esses princípios, estamos conscientes de sermos contrários talvez as concepções dominantes do homem no séculoXX: de que ele é algo para ser manipulado, e que ele é inerentemente incapaz deconduzir seus próprios negócios. Nós nos opomos à despersonalização que reduz os seres humanos ao status de coisas.Os homens tem um potencial não realizado para o aperfeiçoamento pessoal, para conduzir a si mesmos, para a compreensão pessoal, e a criatividade. (…) O objetivo do homem e da sociedade deve ser a independência humana: uma preocupação não com aimagem ou a popularidade, mas com encontrar um sentido na vida que seja pessoalmente autentico, uma qualidade da mente não movida compulsivamente por uma sensação de impotência , não uma que irrefletidamente adote valores de status, não uma que reprima todas as ameaças e seus hábitos, mas uma que permita acesso pleno e espontâneo a experiências presentes e passadas , uma que facilmente junte os pedaçosfragmentados da historia pessoal, uma que enfrente abertamente problemas perturbadores e não-resolvidos; uma com uma consciência intuitiva das possibilidades,uma curiosidade ativa, uma capacidade e um desejo de aprender.(…) Solidão, estranhamento, isolamento descrevem a enorme distância que há hoje entreos homens. Essas tendências dominantes não podem ser superadas por uma melhor administração pessoal nem por aparelhos melhorados, mas apenas quando o amor do homem supera a adoração idólatra das coisas pelo homem.(…) Iremos substituir o poder baseado na posse, no privilégio ou na situação econômica pelo poder e pela singularidade baseados no amor, na reflexão, na razão e na criatividade.
Declaração de Port Huron Students for a Democratic Society ( SDS) , 1962

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MSST}Sateliteless – Movimentos dos sem satélite

v.11

português

movimento dos sem satélite

Comunidade de artesãos de bits e volts, poetas humanistas, cientistas nômades, para onde estamos indo? Confio no pulso dos seus passos, nossa revolução é o próximo segundo e o desafio constante de não render-se ao conformismo de simplesmente entreter-se ou entreter, distraindo o fato de que vivemos além da história, dos muros, dos bancos, da semelhança dos corpos e suas consagüinidades. Queremos um ecossistema condizente com toda esta pirotecnia prometéica de um suposto Sapiens, uma simbiose duradoura e enfim poder pensar em criar e imaginar outros espaços e formas para todo esse conhecimento que mantemos aceso nesta chama. Mas se ainda hoje nossos semelhantes marcham por um pedaço de chão para sobreviver, outros alienam seus instintos mais criativos em busca de algum reconhecimento dentro de uma esmagadora cultura de consumo auto destrutivo, nos deparamos com a questão: qual o papel que nós aqui já alimentados e abrigados temos em pensar numa soberania deslocalizada? E na
transmissão de conhecimentos que buscam reverter esta pulsão auto destrutiva da humanidade? A conjectura deste manifesto é em função de apontar uma faísca rachando no horizonte: Criaremos nosso primeiro satélite feito à mão e mandaremos ao espaço sideral entulhado de satélites industriais corporativos e governamentais. Será nosso satélite capaz de tornar nossas redes ainda mais autônomas? Ou o caminho é repensar e mapear toda atual estrutura de nossa tecnocracia e ciência a ponto de decidirmos estratégicamente um caminho totalmente diferente? Qual??Muito mais que cobaias da Tecnocracia! Sonhando e Dançando: marcham os Sem-Satélite…

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castellano

Movimiento de los sin satelite

Comunidades de artesanos de bits y voltios, poetas humanistas, cientificos nómadas
hacia donde vamos?? Confio en el pulso de tus pasos, nuestra revolución es el proximo
segundo, el desafio constante de no rendirse al conformismo de entretenerse o entretener,
distrayendonos del hecho de que vivimos mas alla de la história, de los muros, de los bancos, de la semejanza de los cuerpos y sus consanguinidades. Queremos un ecosistema coherente con toda esta pirotecnia prometeica de un supuesto Sapiens, una simbiosis duradera para al fin poder crear e imaginar otros espacios y formas para todo ese conocimiento que mantiene encendiada la llama. Pero hoy nuestros semejantes marchan gritando por un pedazo de tierra para sobrevivir, otros alienan sus instintos mas creativos en busca de algún reconocimiento dentro de una bulimica cultura de consumo destructivo. Nos deparamos con esta cuestión,¿que papel nosotros abrigados y alimentados podemos jugar en la generación de una soberania deslocalizada? Y en la creación y transmision de conocimientos que puedan llegar a revertir esta pulsion autodestructiva de la humanidad? La conjetura de este manifiesto es una ecuación que apunta a una chispa que se asoma en el horizonte: crearemos nuestro primer satélite hecho a mano y lo mandaremos al espacio sideral entre hordas de satélites industriales corporativos y guvernamentales.

Será nuestro satélite capaz de tornar nuestras redes mas autonomas?

Mapear, repensar toda la actual estructura de nuestra tecnocracia y ciencia hasta dirigirla estrategicamente hacia un camino totalmente diferente. Qual??
Mucho más que cobaias de la Tecnocracia!!
Soñando y danzando: marcha los Sin-Satelite….

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italiano

Movimento dei senza satellite

MSST (Movimento dei senza satellite), è un audio/video performance basata sull’interazione di partecipanti, tanto in locale quanto in remoto, con diversi hardware e interfaccie virtuali.

“La scienza informatica riguarda i computer quanto l’astronomia i telescopi”
E. W. Dijkstra

Hardware autocostruito, live coding, biofeedback, reclaiming the streets, storia del free software in una performance…

Comunità di artigiani dei bits e dei volts, poeti, scienziati nomadi, dove stiamo andando? Confido nel ritmo dei vostri passi, la nostra rivoluzione è imminente e costante; è la sfida di non arrendersi al conformismo del divertirsi o del divertire, distraendoci dal dato di fatto che viviamo oltre la storia, i muri, le banche, la somiglianza dei corpi e e del sangue.
Vogliamo un ecosistema coerente dove tutta questa [piro]tecnica prometeica dell’essere Sapiens generi una simbiosi duratura fra i viventi: pensare di creare e immaginare altri spazi e forme per tutta questa conoscenza che coltiviamo come fiamma accesa. Ma se oggi i nostri simili marciano per un pezzo di terra per sopravvivere, o alienano i loro istinti creativi all’interno di una vasta cultura del consumo auto-distruttivo, ci scontriamo con una domanda:
qual’è il ruolo che noi, che già abbiamo cibo e casa, dovremmo avere per immaginare una nuova sovranità, una diversa condivisione della conoscenza, che possa ribaltare questa pulsione auto-distruttiva dell’umanità?
Il tentativo di questo manifesto è apportare una scintilla capace di raschiare l’orizonte. Cresceremo il nostro primo satellite fatto a mano e lo spediremo nello spazio siderale, saturo di satelliti corporativi. Il nostro satellite sarà capace di rendere le nostre reti ancora più autonome? o forse il cammino è ripensare tutta la struttura dell nostra tecnocrazia e della scienza fino al punto di deciderci strategicamente per un cammino totalmente differente? Quale?
Sicuramente molto più che cavie della tecnocrazia!
Sognando e danzando: noi, senza satellite, marciamo…

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English

Satelitteless moviments

MSST (Movimento dos Sem Satélite), an audiovisual performance based on local and remote particpants interacting through hardware structures and virtual interfaces.
“Computer Science is no more about computers than astronomy is about telescopes.
E. W. Dijkstra”

Hardware from scratch, Live coding, Biofeedback, reclaiming the streets, history of free software culture in a performance…

Singing open source code: dmesg > /dev/dsp && my shell had spit a byte chunk of a song…

Artisans of bits and volts, humanist poets, nomadic scientists – where are we going? I trust in the pulse of your steps, our revolution is the next second, and the constant challenge is not to surrender to the conformity of being entertained or entertaining: distracting the fact that we want to live beyond history, walls, banks, genetic similarity. We want an ecosystem that is worth of all this Prometheic pyrotechinic – this being, which is supposed to be Sapiens. Some intelligent symbiosis to keep this flame heating an harmonic environment.

But, if today we still looking at some of us marching for a piece of land to survive or alienating their most creative instincts in a desperate search for exist inside a culture of self-destructive consumption, we have to ask: What’s the role of those sheltered and fed in thinking about an autonomy in knowledge and information transmition for those efforts that wants revert this pulsion of humanity self-destructive greed?

The conjecture of this manifesto is inside a function pointing to a cracking sparkle at the horizon: The day we will be able to build our first handmade satellite and send it to this sidereal space wich is already full of corporative and governamental devices. Will our satellite be able to transform our networks in something more autonomous? Or we have to re-think all technocracy to reach that by a tottaly different path? How?

We’re more than technocracy guinea pigs!

Dreaming and dancing: the march of the Satelitteless..

I.

Manifesto Por Poesia Revolucionária. Movimento Poetas na Praça. Publicado no Jornal O Inimigo do Rei em novembro de 1979, Salvador, Bahia.