CULTURA POPULAR FOI DESTAQUE NA PROGRAMAÇÃO NATALINA DE CAMARAGIBE

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Marcado também pela descentralização, contemplando diversos bairros do município, o Natal de 2017 resgatou manifestações tradicionais como pastoril e reisado

O Natal de Camaragibe 2017 resgatou manifestações tradicionais como pastoril e reisado

Reisado Imperial. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

A Prefeitura Municipal de Camaragibe e Fundação de Cultura procuram dar relevância às expressões culturais populares, muito fortemente presentes no município, e esta prioridade se manteve em todo o ano de 2017, culminando nas festividades de fim de ano. “A gratificação maior é valorizar as manifestações tradicionais pernambucanas e proporcionar aos camaragibenses alegria e cultura para quem, na maioria das vezes, tem menos oportunidades de deslocamento e recursos para usufruir e vivenciar a nossa cultura popular” afirma Prazeres Barros, diretora de Eventos da FCC.

Apesar de plenamente absorvidos e inseridos no imaginário da população brasileira, os elementos que envolvem o ciclo natalino foram originados numa realidade bem distante da cultura e do clima do nosso país. Mas a distância geográfica não impediu que o contexto, surgido em berços europeus, fosse adaptado às particularidades tupiniquins, ganhando uma ressignificação especialmente na cultura popular nordestina.

Pastoril se apresenta no Parque Camaragibe

Pastoril se apresenta no Parque Camaragibe. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

É o caso de folguedos como o reisado e o pastoril, trazidos pela colonização portuguesa e encenados no período do Natal, em que é possível perceber essa reconstrução a partir das características locais adquiridas pelos personagens integrantes do enredo. O pastoril carrega o exemplo mais emblemático, em que a sacralidade da versão original, de origem religiosa, por exemplo, é rompida e surge uma nova modalidade completamente avessa, denominada de “pastoril profano”.

“Os pastoris se apresentavam todos os anos na rua Eliza Cabral de Souza, no Centro, na casa grande do Engenho Camaragibe — mais conhecido como a casa Maria Amazonas — e também na gruta. Na Vila da Fábrica já era tradição. Aos poucos foram acabando. Mas graças a essa gestão por amor a Camaragibe estão renascendo. Isso é fundamental”, pontua Anderson Melo, gestor público na Diretoria de Música da FCC e que acompanha a cena musical do município desde os anos 1980.

Os três reis magos também visitaram dez comunidades de Camaragibe, através do espetáculo O Natal de Cristo, um auto natalino sobre o nascimento de Jesus. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

Os três reis magos também visitaram dez comunidades de Camaragibe, através do espetáculo “O Natal de Cristo”, um auto natalino sobre o nascimento de Jesus. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

O fechamento do ciclo ocorreu no último sábado, dia 6 de janeiro, com a tradicional Folia de Reis, trazendo como destaque entre as atrações o Reisado Imperial, comandado pelo Mestre Geraldo Almeida. Com mais de sessenta anos à frente da agremiação e noventa de idade, Seu Geraldo lidera o único grupo de reisado ainda existente no Recife, numa luta constante pela preservação do brinquedo, que rememora através do canto e da dança a jornada de visita dos Reis Magos ao Cristo recém-nascido.

É fundamental ressaltar que a perspectiva de investimento na cultura popular e tradicional, fomentada pela atual gestão da Fundação de Cultura de Camaragibe, ultrapassa a lógica do mero entretenimento, não se restringindo apenas aos circuitos festivos nacionais, mas contribuindo cotidianamente para consolidar uma estrutura perene de incentivo, pois as necessidades do universo da cultura se apresentam a longo prazo.

Queima da Lapinha no Natal de Camaragibe. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

Queima da Lapinha no Natal de Camaragibe. Foto: Josivan Rodrigues/CulturaCamaragibe

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Escrito por Amauri Lins com revisão de Karolina Pacheco.

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