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JazzB faz show para bebês inspirado no poeta Manoel de Barros

O grupo Fê Lelot Música para Crianças vai apresentar músicas do álbum “Revoada”.

Por Cultura Livre | SP

No próximo sábado (12) a partir do meio-dia, o projeto “JazzBB” de música para bebês, da casa de shows JazzB, situada no centro de São Paulo, vai receber um show especial com músicas inspiradas em poemas de Manoel de Barros, com direito a um brunch cheio de guloseimas feitas especialmente para crianças e pais que participarem do evento. Para os pequenos de até sete anos, tanto o show quanto o buffet são gratuitos.

JazzBB faz brunch musical para pais e filhos.

JazzBB faz brunch musical para pais e filhos.

O grupo Fê Lelot Música para Crianças, com a contribuição da cantora Tatiana Parra, vai apresentar músicas do álbum “Revoada”, que tem como tema principal os tipos diferentes de passarinhos e as particularidades poéticas que cada um pode ter.  Com inspiração no universo do poeta matogrossense Manoel de Barros, todas as faixas trazem diferentes instrumentos de sopro, de corda e de percussão para despertar a imaginação dos pequenos.

Fê Lelôt.

Fê Lelot.

A sonoplastia passeia por múltiplas e distintas possibilidades sonoras: é possível perceber sons de folhas, de árvores, do vento mas também de buzinas e de motores. O objetivo é fazer com que cada criança invente a sua própria maneira de ser pássaro, ou seja, de voar a partir das asas da criação, do sonho e da fantasia.

É um brunch musical para famílias com bebês e crianças pequenas ao som de um jazz de primeira. Na casa, toda a infraestrutura para receber os pequenos ouvintes: show com volume reduzido, banheiro com trocador, tapetes no chão e muito mais.

A abertura da casa será às 12h, com dois horários de show, das 14h30 às 13h15, e das 14h30 às 15h15. O ingresso custa R$ 12,50 para crianças de 11 a 15 anos, R$ 25 para os demais. Crianças de até dez anos têm entrada gratuita. O buffet é servido das 12h às 16h, e custa R$45 para adultos a partir de 16 anos; crianças de sete a 15 anos pagam R$ 20.

Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo

  Estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis.

Por Xavier Plassat da Fundação Rosa Luxemburgo – Cultura Livre | SP

Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa RAICE (Comissão Pastoral da Terra–CPT, e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH – CB) sintetizada neste livro mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades: de pontas de ruas a acampamentos de luta pela terra, de quilombos a atingidos por grandes projetos agropecuários.

O estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis: a persistente concentração fundiária, a expulsão de comunidades camponesas de seus territórios em função do avanço do capital, a omissão deliberada do Estado na garantia dos direitos mais essenciais, uma política agrária que não garante condições de produção a assentados, a dependência de um mercado de trabalho desigual em termos regionais, a exploração vista como algo natural, entre outras. Enfrentar essa realidade é objetivo do programa RAICE.

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Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo
Tadeu Breda
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán
(CDVDH/CB) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Araguaína, Tocantins, dezembro de 2016
ISBN: 987-85-92856-03-8

Historiador faz pesquisa com documentação inédita sobre escravidão no século XIX

O estudo traz nova perspectiva histórica sobre tráfico de escravos africanos no período do século XIX, na região do norte fluminense.

Por Cultura Livre | RJ

Baseado na análise de arquivos originais de batismo da primeira metade do século 19, o jornalista e historiador niteroiense Fábio Francisco deu início à uma pesquisa inédita sobre a atividade escravagista na região de Macaé, um dos principais portos da rota do tráfico de escravos africanos no pais.

O estudo faz parte da dissertação de mestrado do historiador, que recebe suporte acadêmico e documental disponibilizado pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Segundo Fábio Francisco, o projeto demonstra à importância dos registros de batismo como fonte serial fundamental para contextualizar cenários e traçar perfil social:

“Acredito que essa é uma pesquisa muito importante para ampliar o nosso conhecimento sobre um período extremamente rico da nossa história. Mas não só isso, pesquisar através de fontes documentais primárias nos permite mergulhar de cabeça naquela sociedade e descobrir particularidades que só os registros de batismos poderiam oferecer.” , diz Fabio.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

A jornalista e estudante de história, Sheila Fonseca, participa da pesquisa prestando suporte na área de leitura paleográfica e acredita que essa documentação é fundamental para a reconstrução da memória do período: “É um trabalho minucioso e muito revelador do que era a conformação social da época”, revela Sheila.

Com previsão de finalização e defesa do mestrado no fim do primeiro semestre de 2018, após a conclusão será lançado um livro com previsão para o mesmo ano:

“Esses documentos são um registro fiel e nos dão inúmeras possibilidades de interpretação. Pretendo trazer os resultados dessas pesquisa para uma linguagem menos acadêmica e democratizá-la ao grande público. Afinal, sem entender o nosso passado fica difícil contextualizar a realidade atual.”, acrescenta o historiador. 

Domésticas das Filipinas são escravizadas em São Paulo

Trabalhando por meses sem descanso e sem alimentação suficiente, imigrantes viviam em situação de trabalho escravo dentro de condomínio de alta renda.

Por Piero Locatelli  para Repórter Brasil – Cultura Livre | SP

Trabalhando como babá e empregada doméstica em uma casa dentro de condomínio de alta renda em São Paulo, filipina sentia fome e chegou a se alimentar da comida do cachorro, para quem ela cozinhava pedaços de carne. “Às vezes eu perguntava à minha patroa se podia pegar um ovo, e ela dizia que não”, afirma a imigrante, uma das três que estavam em situação análoga ao trabalho escravo em casas na região metropolitana de São Paulo, segundo auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Elas chegavam a trabalhar 16 horas por dia, em jornadas que ocupavam todo o período em que estavam acordadas.

Em entrevista à Repórter Brasil sob a condição de anonimato, as filipinas disseram que foram parar no hospital após vomitarem e sentirem tontura devido à falta de alimentação adequada e ao trabalho ininterrupto. “Nos primeiros seis meses eu trabalhei sem nenhum dia de folga”, diz uma delas. Seu dia “normal” de trabalho começava às seis da manhã e terminava às dez da noite. “E se os patrões tivessem visitas, me pediam mais uma hora”, conta a trabalhadora. Ela diz nunca ter sido paga pelas horas extras.

A situação das filipinas era mais precária do que àquela comum às trabalhadoras domésticas brasileiras. Segundo Lívia Ferreira, auditora fiscal responsável pelo caso, embora o Brasil tenha regulação “forte” sobre o trabalho doméstico, os imigrantes estão mais expostos à exploração. “O relato delas é muito conciso e muito coerente, por isso a fiscalização entendeu que ocorreu trabalho escravo”, diz a auditora. O crime foi caracterizado pela combinação de jornada exaustiva, servidão por dívida e trabalho forçado.

O Ministério do Trabalho passou as informações para a Defensoria Pública da União, que anunciou que deve entrar com ações individuais pedindo verbas rescisórias e danos morais aos empregadores. Os casos também foram passados para o Ministério Público do Trabalho.

Agência de trabalho intermediou a contratação de trabalhadoras domésticas que ficaram em situação de trabalho escravo (FOTO: Reprodução)

Agência de trabalho intermediou a contratação de trabalhadoras domésticas que ficaram em situação de trabalho escravo (FOTO: Reprodução)

No total, os auditores do trabalho estão fiscalizando 130 empregadores, que serão intimados a apresentar os documentos de 180 trabalhadores domésticos – a grande maioria é de filipinos, mas também há alguns imigrantes nepaleses.

As três trabalhadoras foram agenciadas pela Global Talent, empresa especializada na contratação de domésticas estrangeiras. A agência será multada pelo Ministério do Trabalho por irregularidades no processo de visto, mas não foi responsabilizada pelo crime de trabalho escravo.

Procurada pela Repórter Brasil, a Global Talent afirmou desconhecer o “teor das constatações” do Ministério do Trabalho. “A empresa Global Talent repudia veementemente a alegação de que estaria utilizando-se ou agenciando mão de obra de pessoas em condições análogas a de escravos”, diz nota enviada pelo advogado da empresa. “A empresa Global Talent não contrata estrangeiros, já que seu trabalho é de providenciar e regularizar toda a documentação dos estrangeiros que pretendem trabalhar no Brasil” (leia nota na íntegra).

Exportação de mão-de-obra

Um dos motivos que faz os brasileiros se interessarem em contratar babás das Filipinas é a fluência na língua inglesa. Esse é um dos “atrativos” vendidos pelas agências de trabalho que exportam a mão de obra filipina para todo o mundo. “Os trabalhadores filipinos são considerados em todo o mundo a melhor mão de obra especializada em serviços domésticos, com personalidade alegre, são sempre leais e confiáveis para cuidados com sua casa e sua família”, diz o anúncio no site da Global Talent, empresa que fez o agenciamento das trabalhadoras.

A filipina Chang Jordan, ativista do Women’s Legal and Humans Right Bureau, uma organização feminista focada nas trabalhadoras domésticas, explica que estereótipos como esse são usados em todo o mundo. “Elas são as melhores, elas são alegres. Então você pode explorá-las muito, e está tudo certo”, diz a filipina. Segundo Chang, as mulheres acabam sendo “exportadas como commodities” por, entre outros motivos, não conseguirem espaço nos melhores postos do mercado de trabalho filipino.

A migração desse tipo cresceu desde o final dos anos 1980, quando o país estava em meio a uma crise econômica e o próprio governo estimulou esse processo. “A economia filipina tem crescido de maneira constante recentemente, perto de 6% ao ano. Mas o crescimento não se traduz para todos, e a disponibilidade de emprego para trabalhadoras domésticas fora do país continua forte”, diz Graziano Battistella, diretor do centro do Center for Migration Studies, organização que estuda a migração nas Filipinas. Entre os motivos, Battistella afirma que as alternativas nas Filipinas ainda são poucas, e o uso de rede sociais tem facilitado o recrutamento de mais trabalhadoras.

Essas remessas enviadas pelas trabalhadoras têm um papel essencial na economia do país exportador de mão de obra. Os dados mais recentes do Banco Mundial, de 2016, mostram que o valor total enviado por pessoas fora do país equivale a 10% do PIB das Filipinas.

Remessas feitas por trabalhadores filipinos que moram fora do país (em dólares)

remessa de dolares filipinos

 

Boa parte dessa verba vem das trabalhadoras domésticas, a ocupação mais comum entre os filipinos que moram em outros lugares do mundo. Dos 458 mil que trabalhavam fora do país em 2012, 155 mil eram empregados domésticos.

As remessas são ainda mais importantes para as famílias das imigrantes. Uma das trabalhadoras conta que a vinda ao Brasil é a oportunidade para que o filho faça uma faculdade. Outra diz que sustenta o filho e a mãe com o dinheiro recebido aqui: “eles estão famintos, e é por isso que eu estou longe deles”.

Hotel de luxo também tinha problemas

Ainda que não tenha sido constatado trabalho escravo, os auditores fiscais também encontraram uma série de irregularidades entre filipinas funcionárias do hotel e spa Lake Villas, que se intitula o “hotel de luxo em São Paulo mais premiado do Brasil”. A diária mais barata para um hóspede supera R$ 2.400 em sites de turismo.

Segundo o Ministério do Trabalho, alguns funcionários do hotel receberam apenas metade do salário previsto em contrato durante 18 meses. A suspeita é de que esse valor tenha sido usado para pagar as dívidas contraídas pelos empregados para a viagem ao Brasil, já que a fiscalização encontrou um documento de outra agência filipina cobrando valores parecidos dos mesmos trabalhadores.

O hotel tampouco oferecia alimentação adequada aos trabalhadores. Como o estabelecimento fica em uma estrada sem transporte público, os trabalhadores chegaram a se juntar para dividir o preço de um táxi que buscasse comida para eles, de acordo com os relatos colhidos pela auditora fiscal do trabalho. Também foram apontadas outras irregularidades, como sonegação do INSS e do FGTS, e máquinas que traziam riscos aos trabalhadores.

A Repórter Brasil buscou contato com o hotel por telefone e foi informada de que eles não se pronunciarão a respeito do caso.

Promessas enganosas

As trabalhadoras que conversaram com a Repórter Brasil relatam que o Brasil parecia a escolha mais segura por dois motivos. O principal era a promessa feita pelos agenciadores de que, após dois anos trabalhando, receberiam a residência permanente no país. Elas preferiam essa perspectiva aos salários melhores, que receberiam em outros locais como Hong Kong. A lei trabalhista brasileira seria outro atrativo, já que limita a jornada de trabalho e garante o pagamento de horas extras.

Ao chegar no Brasil, porém, as trabalhadoras descobriram que a promessa de residência era enganosa e a lei trabalhista não estava sendo aplicada. “A questão do engano é muito flagrante, é totalmente diferente como é vendida a vaga de empregos e o que elas encontram aqui,” diz a auditora.

As trabalhadoras agenciadas pela Global Talent entravam no Brasil de dois modos diferentes, de acordo com informações do Ministério do Trabalho. Uma delas seria através de uma agência filipina e outra através de uma empresa brasileira, a Serviços de Domésticas e Babás Internacionais (SDI).

Ainda segundo o Ministério do Trabalho, a SDI trazia os trabalhadores como turistas e regularizava sua situação por meio da solicitação de refúgio ou de visto de trabalho. A reportagem procurou a SDI, mas não obteve resposta.

Eldes Saullo lança “Como transcender no metrô lotado”

Autor de best-sellers da gigante Amazon sobre o mercado literário para escritores iniciantes, Eldes Saullo surpreende e lança livro sobre filosofia e espiritualidade. 

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre | RJ

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Eldes Saullo e seu novo livro.

No dia primeiro deste mês, a Amazon lançou o aguardado “Como Transcender no Metrô Lotado”, do escritor, professor e publicitário mineiro Eldes Saullo.

Numa convergência entre ciência, filosofia e espiritualidade, o livro aborda temas como bem-estar e realização pessoal propondo ao leitor uma imersão na jornada pelo autoconhecimento, que o autor considera “um meio de ser feliz em um mundo conturbado”.

A opção pela temática espiritual do novo livro surpreendeu antigos leitores habituados aos seus textos e análises sobre o mercado literário brasileiro.  Autor de outros 17 livros pela Editora Amazon, alguns deles best-sellers encabeçando as principais listas dos mais vendidos, Eldes se especializou nos últimos anos no nicho literário de manuais de escrita criativa para novos autores.

Segundo o escritor, apesar disso, o processo de criação de “Como transcender no metrô lotado” surgiu de maneira espontânea, como um apanhado de suas experiências de vida que divide com os leitores: “Este livro é um trabalho de 47 anos, pois reúne conhecimentos que acumulei ao longo da vida.”, conta.

Organizado de maneira semi-didática, como um manual, o  livro fala sobre as sete consciências necessárias para ser feliz, conduzindo o leitor a reflexão de como levar uma vida mais significativa no mundo em que vivemos.

Na visão do autor, o caminho passa pela união dos conhecimentos científicos, filosóficos e religiosos e pelo autoconhecimento. E passa também pelas oscilações neuronais:

“A hiperventilação do cérebro gera Ondas Gama e une os hemisférios cerebrais, o que se traduz pelo aumento na percepção extrassensorial”, afirma Eldes, que também ministra cursos sobre escrita criativa e marketing digital. 

Ao analisar e comparar textos sagrados da Cabalá, das religiões monoteístas e das sabedorias orientais e herméticas sob a luz da Filosofia e da Ciência, o  livro trata à evolução humana pelo despertar dos sentidos físicos e metafísicos. Mas, na opinião de Eldes, ao contrário do que pregam muitas religiões e correntes esotéricas, não há nenhum mistério nisto: “É tudo uma questão de hiperventilar o cérebro e alinhar o corpo, a mente e a essência”, revela.

O livro está disponível nas versões digital (e-book) e papel na Amazon Brasil: http://bit.ly/metro-lotado

 

Yoko Ono expõe “O céu ainda é azul, você sabe”, no Instituto Tomie Ohtake

A mostra “O céu ainda é azul, você sabe” revela detalhes da carreira da artista que é ícone da arte como instrumento de contestação social.

Por Cultura Livre | SP

O Instituto Tomie Ohtake recebe até 28 de maio a exposição “O céu ainda é azul, você sabe” com uma retrospectiva multilinguagem da carreira de Yoko Ono. A mostra tem curadoria do islandês Gunner B. Kvaran e propõe uma viagem pelo conceito da própria arte, com engajamento político e social, sob a ótica da artista.

Uma das principais artistas experimentais e de vanguarda, associada à arte conceitual, performance e ao Grupo Fluxus, Yoko Ono continua questionando de forma decisiva o conceito de arte e do objeto de arte, com o objetivo de ressignificar  esses conceitos e expandir limites. A artista é uma das pioneiras a incluir o espectador no processo criativo, convidando-o a desempenhar um papel ativo em sua obra.

A exposição, que é patrocinada pelo Bradesco e Instituto CCR, foi concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake e é formada por 65 peças de “Instruções” que evocam a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

Segundo o curador, a mostra evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono:

“São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), ‘acenda um fósforo e assista até que se apague’. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.”

 

Mostra faz uma retrospectiva na carreira da artista. Crédito da foto: Divulgação/Instituto Tomie Ohtake

Mostra faz uma retrospectiva na carreira da artista. Crédito da foto: Divulgação/Instituto Tomie Ohtake

Entre as obras da exposição há uma série de filmes, dois dos quais com a participação de John Lennon na concepção. Em Estupro (77 min, 1969), o músico foi codiretor e em Liberdade (1970), de apenas um minuto, assina a trilha sonora. Também registrada em filme presente na mostra, Peça Corte (16min 1965) traz a icônica performance da artista realizada no Carnegie Hall (1964, NY), na qual o público pôde cortar um pedaço de sua roupa e levar consigo.

Serviço:

“O céu ainda é azul, você sabe”

Quando: de 1º de abril a 28 de maio de 2017.

Onde: Instituto Tomie Ohtake – Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiro, São Paulo, SP.

Quanto: R$12 inteira e R$6 meia-entrada.

Surto de febre amarela pode estar ligado a lama da Samarco

Bióloga declara que cidades com incidência da doença estão na rota de contaminação da lama da tragédia em Mariana – MG.

Por Mídia Coletiva  – Cultura Livre | RJ

Segundo a bióloga da Fiocruz Márcia Chame, o aumento de casos suspeitos de febre amarela em Minas pode estar relacionado à tragédia de Mariana que ocorreu em 2015.  A hipótese tem como ponto de partida a localização das cidades mineiras que identificaram até o momento casos de pacientes com sintomas da doença. Grande parte está na região próxima do Rio Doce, afetado pelo rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015.

“Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, afirmou a bióloga, que também coordena a Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fiocruz. “Isso pode ser um dos motivos que contribuíram para os casos. Não o único”, completa. Márcia observa que essa região do Estado já apresentava um impacto ambiental importante, provocado pela mineração. “É um conjunto de coisas que vão se acumulando”, disse.

Crédito da Foto: Agência Brasil.

Crédito da Foto: Agência Brasil.

Além dos casos em Minas, foram notificadas também mortes de macacos na região próxima da cidade capixaba de Colatina, também afetada pelos reflexos do acidente de Mariana. Não há ainda comprovação de que os macacos dessa área morreram por febre amarela. Técnicos estão no local para investigar as causas dos óbitos. O Espírito Santo integra atualmente o grupo de 8 Estados que são considerados livres de risco para a febre amarela.

Márcia afirma que os episódios deste ano se assemelham aos que foram registrados em 2009, quando um surto de febre amarela foi identificado no Rio Grande do Sul, área que por mais de 50 anos foi considerada livre da doença:

“Ambientes naturais estão sendo destruídos. No passado, o ciclo de febre amarela era mantido na floresta. Com a degradação do meio ambiente, animais acabam também ficando mais próximos do homem, aumentando os riscos de contaminação.”

Na floresta, o vetor da febre amarela é o inseto Haemagogus. Ao picar um macaco contaminado, o mosquito recebe o vírus e, por sua vez, passa a transmiti-lo nas próximas picadas. Quando um homem sem estar vacinado entra nesse ambiente, ele também pode fazer parte do ciclo: transmitir ou ser infectado pela picada do mosquito. Essa corrente aumenta quando animais, por desequilíbrios ambientais, deixam seus ambientes e passam a viver em áreas mais próximas de povoados ou cidades. “Com o desmatamento, animais também se deslocam, aumentando o risco de transmissão.”

Para a coordenadora da Fiocruz, a curto prazo a medida a ser adotada é reforçar a vacinação nas áreas de risco. O imunizante, embora seguro, deve ser aplicado de acordo com as recomendações de autoridades sanitárias e, em caso de pacientes com doenças que afetam o sistema imunológico, de acordo com a orientação do médico. A médio prazo, completa a bióloga, é essencial a manutenção de unidades de conservação. “Os animais têm de ter espaço para viver, evitando assim a migração para áreas próximas de centros urbanos”, disse. “Animais agem como filtros de doenças.”

Samarco se esquiva

A Fundação Renova, criada pela Samarco para coordenar ações de reparação na área atingida pelo desastre de Mariana, não se manifestou sobre as declarações da bióloga da Fiocruz. Por meio de nota, informou estar em curso um diagnóstico sobre a biodiversidade na região. “Todas as informações que tenham aderência às ações em andamento serão incorporadas pela Fundação.”

Minidoc | Sawe: Um canto de união

Documentário sobre a questão socioambiental indígena e a luta dos povos indígenas do Rio Juruena, no norte do Mato Grosso, feito em parceria entre o coletivo Vaidapé e a Rádio Yandê.

Por Paulo Motoryn para Vaidapé  – Cultura Livre | MT

Vídeo e fotos: João Miranda

“Sawê – um canto de união” é um curta-metragem documental sobre os ataques aos povos indígenas que habitam as margens do Rio Juruena. O trabalho foi produzido durante o III Festival Juruena Vivo, realizado em Juara, no norte do Mato Grosso, na Amazônia Legal.

A produção foi realizado de forma colaborativa entre a Vaidapé e a Rádio Yandê, uma web-rádio indígena.

A sub-bacia do Rio Juruena abrange 190.931 km2 e é composta por dezenas de rios. Só o Rio Juruena é responsável por 70% das águas que formam o Tapajós no estado do Mato Grosso.

Dez diferentes povos indígenas lutam para preservar seu modo de vida na Bacia, como os Manoki, Munduruku, Nambikwara, Myky e Rikibaktsa. “Sawê” traz diversas entrevistas com indígenas. Além dos debates, o III Festival Juruena Vivo teve uma série de apresentações musicais e oficinas.

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Um canto de união

Direção: João Miranda
Produção e Pesquisa: Paulo Motoryn
Locução: Anápuáka Muniz Tupinanbá
Duração: 8min
Realização: Vaidapé

Assista no link:

https://www.youtube.com/watch?v=IX1EUNbrFMg

Caixa Cultural faz retrospectiva da poeta Ana Cristina César

A mostra “À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar” reúne acervo textual, fotográfico e visual da artista que é considerada um dos maiores expoentes da geração marginal.

Por Cultura Livre | RJ

A partir do dia 21 de março a CAIXA Cultural Rio de Janeiro faz uma imersão no universo poético da escritora carioca Ana Cristina César. A mostra À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar revela ao público um mosaico de seus trabalhos em diferentes suportes, como textos, videoarte e fotografias fazendo um passeio pela trajetória da autora cuja intensa produtividade resultou em uma carreira meteórica.

Com curadoria de Ana Hortides, a exposição é a primeira no Brasil totalmente dedicada à vida e à obra de Ana Cristina, que completaria 65 anos em 2017. Dividida em quatro diferentes núcleos – textual; fotográfico e videográfico; sonoro e infantil – a montagem do espaço se destaca pelas criativas saídas cenográficas utilizadas para expor de modo alternativo a seleção de poemas escolhidos.

Com o objetivo de incentivar a leitura, Hortides fez questão de separar um espaço dedicado ao público infantil, com atividades dirigidas realizadas por educadores:

“A exposição À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar faz um duplo convite ao público da cidade do Rio de Janeiro: por um lado, entrar em contato com a obra, a biografia e a fortuna crítica a respeito desta que tem se consolidado como uma das maiores poetas brasileiras do século XX; por outro, mergulhar no prazer de seu texto, e ficar, como diz Ana no verso que dá título à mostra, à mercê do impossível” declara Thiago Grisolia, um dos curadores. “Para tanto, contaremos com peças de seu acervo de fotografias e documentos, as primeiras edições de seus livros, um filme sobre sua poética e ainda realizaremos um seminário com importantes estudiosos de sua obra. Mas, sobretudo, contaremos com seus poemas, que, sendo a parte mais essencial de seu legado, ganharão corpo na galeria da Caixa Cultural Rio de Janeiro”, enumera.

Ana Cristina Cesar. Credito da Foto: Clara Alvim/Acervo Ana Cristina Cesar/Instituto Moreira Salles.

Ana Cristina Cesar. Credito da Foto: Clara Alvim/Acervo Ana Cristina Cesar/Instituto Moreira Salles.

Ana Cristina Cesar é considerada um dos maiores nomes da Poesia Marginal, da chamada “geração mimeógrafo” na década de 1970.  Apesar da interrupção precoce de sua carreira, após cometer suicídio com apenas 31 anos, em 1983, a artista deixou um vasto acervo com uma extensa produção de escritos, diários, correspondência, esboços e desenhos. Após sua morte, outros textos seus foram lançados em diversas edições, como Poética (2013). Além de poeta, foi professora, tradutora, ensaísta e pesquisadora, tendo sempre a literatura como principal objeto de trabalho.

Serviço:

Mostra À Mercê do impossível – Ana Cristina Cesar

Quando: de 21 de março à 7 de maio de 2117. 

Onde: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 4

Quanto: Entrada Franca

Street Art Festival reúne skate, dança, música e graffiti em Novo Hamburgo-RS

O evento multi-arte “Stret Art Festival” acontece na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, com entrada franca.

Por Cultura Livre | RS

No próximo sábado (18), um mix de arte e cultura urbana invade a cidade gaúcha de Novo Hamburgo, com a segunda edição do Street Art Festival.

O evento, em prol da valorização da cultura de rua, reúne live paint, Museu do Skate, mini ramp, apresentações teatrais, mostra de vídeos, exposições de arte, fotografia, música, dentre outras atrações a céu aberto e tudo com entrada franca.

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O evento conta com mini ramp para quem quiser arriscar manobras no skate.

Segundo os organizadores, um dos destaques desta edição é o Museu do Skate montado especialmente para o evento. A exposição traz recortes de jornais, peças antigas, vídeos, cartazes, zines e outros registros que marcam a história do skate em Porto Alegre. Para quem quiser mandar uma manobra na mini ramp, o festival conta com sessions para skatistas profissionais e abertos ao público.

Dentre as atrações estão programadas atividades com graffiti e customizações, além de uma instalação criada por artistas urbanos de comunidades carentes da região.

A moda também tem espaço no festival com a presença de expositores, estúdios de tatuagem, barbearias e até brechós. O teatro circense fica por conta do espetáculo “SEgundatentATIVA”, que apresenta malabarismo com claves, bolas gigantes e pirofagia, no esquema de improvisação.

Um dos maiores bateristas do país, Demétrius Locks fará um Drum Solo durante a festa. Demétrius tem seu trabalho reconhecido em todo Brasil, Europa e Estados Unidos, onde se destaca pela técnica do ritmo Maracatu aplicado ao kit de bateria.

 Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Haverá ainda um polo gastronômico instalado com diversos foodtrucks e opções de gastronomia de rua.

Serviço:

Quando: 18 de Março
Horário: das 11 as 23 horas – Área Externa e das 23 as 04 horas – Área Interna
Onde: Sociedade Ginástica Novo Hamburgo
Endereço: Rua Castro Alves, 166 – Bairro Rio Branco – Novo Hamburgo
Preço: Entrada franca

Greve geral paralisa ônibus, metrô e educação em todo o Brasil

Sindicatos e movimentos sociais protestam contra reformas da previdência e trabalhista propostas pelo governo Temer. Paralisações ocorrem em diversas capitais do país.

Por Marcos Souza  e  Sheila Fonseca – para Cultura Livre

Greves e manifestações acontecem nesta quarta-feira (15) em 25 estados do Brasil e mais o Distrito Federal. Milhares de trabalhadores, além de integrantes de movimentos sociais e entidades sindicais se reúnem por todo país em uma paralisação histórica contra as reformas da Previdência e Trabalhista, propostas pelo governo de Michel Temer.

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crádito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crédito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

São Paulo

Na capital paulista e em municípios da  Região Metropolitana, motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, professores e bancários também aderiram à paralisação. Terminais de ônibus e estações do Metrô amanheceram vazios, vias foram bloqueadas por manifestantes. A Prefeitura acabou liberando o rodízio de carros em toda a cidade. Na tarde de hoje, por volta 17h, a Av. Paulista já era tomada por mais de 100 mil manifestantes.

 Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Ana Paula, professora da rede municipal, traduz os retrocessos “Estamos em greve contra todos os retrocessos, se eu for colocar na ponta do lápis todos os impactos pra mim, vou me aposentar com quase 80 anos. É muito trabalho dando aula, e ainda mais trabalho quando chego em casa, para me aposentar nessa idade”.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perde de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena / Mídia NINJA.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perda de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena/Mídia Ninja.

 

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Curitiba

Curitiba amanheceu hoje com serviços parados no transporte, educação e coleta de lixo, entre outras áreas. Segundo levantamento da Associação Comercial do Paraná estima-se que pelo menos R$ 150 milhões deixaram de circular em Curitiba nesta quarta-feira, devido à paralisação. A estimativa leva em conta o PIB da capital e engloba os setores de comércio, indústria e serviços.

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Em decorrência da greve, 1,5 milhões de pessoas em Curitiba ficaram sem transporte publico. Segundo o sindicato, a paralisação será por tempo indeterminado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), Anderson Teixeira, o dia todo deve ser assim, sem transporte, mas a tendência é que a greve continue a partir desta quinta.  “Nós aderimos ao dina de mobilização e não deverá ter ônibus hoje em Curitiba e Região, mas a partir desta quinta a categoria decidiu permanecer parada porque há um desrespeito com motoristas e cobradores já que a database não foi acertada e a proposta de só repor o INPC não é aceita pelos trabalhadores”, afirmou.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Rio de Janeiro

No Rio, o Sindicato dos Professores (Sinpro-Rio), A CUT-Rio, além do sindicatos dos Bancários, Rodoviários,  Sindicato dos Petroleiros, dois sindicatos da saúde, radialistas, da Casa da Moeda, Correios, dentre outros, aderiram à paralisação e participam das manifestações.

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Manifestantes no Largo do Machado se dirigem ao Palácio Laranjeiras, sede do Governo do Rio.

Segundo o Sinpro-RJ, também houve grande adesão de escolas particulares,  com participação de mais de 15 mil professoras e professores dessas instituições na paralisação contra as reformas da Previdência, trabalhista, do ensino médio e a chamada Escola Sem Partido. Em nota, a entidade avaliou a manifestação como positiva:

“Altamente positiva, com expressiva adesão e apoio da sociedade.  Mais de 15 mil professoras e professores de escolas particulares aderiram à paralisação.

O Sinpro-Rio organizou atos públicos no Largo do Machado, Botafogo, Ipanema, Gávea, Tijuca, Jacarepaguá, Campo Grande. No Largo do Machado, por exemplo, cerca de duas mil pessoas passaram pelo local, com alunos e pais apoiando a paralisação. Houve ainda passeatas no Cosme Velho, Largo do Machado ao Palácio da Guanabara.

Alunos e professores falaram nos atos públicos, todos acentuando o quanto será nociva a reforma da Previdência, independente da idade, sendo que muitas mulheres se manifestaram, deixando claro que elas serão muito prejudicadas. A reforma trabalhista e outros retrocessos nos direitos sociais também foram alvo de protestos. Vamos à luta! Nenhum direito a menos!”

 

Greve rio

15 mil professores de escolas particulares aderiram à greve no Rio. Crédito da Foto: Sinpro/RJ.

A professora Luciana Moreira acredita que esse é um dia de luta histórica para o Sinpro-RJ: “Hoje é um dia histórico de protagonismo e luta por uma sociedade cidadã para o Sinpro-Rio em conjunto com todos os movimentos sociais, movimento de mulheres, sindicatos e entidades de classe, transeuntes e pessoas que resolveram se juntar à essa marcha, que decidiram parar e lutar por um país mais justo e contra um governo que emergiu, que chegou ao poder de forma não republicana, não democrática. As reformas trabalhistas e previdenciárias que estão sendo impostas violentamente à população são apenas consequência disso. Acredito que estamos hoje não apenas lutando pela manutenção nossos direitos, mas dando um exemplo para as gerações futuras e exercendo o nosso papel pleno de educadores.”

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

 

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

 

Faixa "Fora Temer" com manifestantes, no Rio.

Faixa “Fora Temer” com manifestantes, no Rio.

Brasília

Em Brasília, cerca de 3 mil manifestantes bloqueiam a Praça dos 3 Poderes. A perda de direitos e os retrocessos promovidos pelo governo Temer são os principais motivadores da ocupação, que tem sua centralidade na luta contra a reforma da Previdência, enviada pelo presidente Michel Temer em dezembro, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287.

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Derrota no Palácio do Planalto: Justiça determina retirada de propaganda sobre Reforma da Previdência do ar

A juíza Marciane Bonzanini, da 1ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre determinou nesta quarta-feira (15) que o governo de Michel Temer retire do ar as propagandas, veiculadas em qualquer tipo de mídia, sobre a reforma da Previdência.

A magistrada, que atendeu a uma ação movida por diversos sindicatos de trabalhadores, estabeleceu multa diária de R$ 100 mil, caso a decisão não seja cumprida. Bonzanini entendeu que o governo Temer não poderia ter utilizado recursos públicos para financiar as peças que tem caráter pessoal, partidário do governo e não didático, incluindo ameaças de perda de direitos como o bolsa-família, caso a reforma não venha a ser aprovada no Congresso.

“A campanha publicitária desenvolvida, utilizando recursos públicos, faz com que o próprio princípio democrático reste abalado, pois traz consigo a mensagem à população de que a proposta de reforma da previdência não pode ser rejeitada e de que nenhuma modificação ou aperfeiçoamento possa ser feito no âmbito do Poder Legislativo, cabendo apenas o chancelamento das medidas apresentadas”, diz a juíza.

A juíza ressalta que o debate político deve ser feito no Poder Legislativo, cabendo às partes sustentarem suas posições e construírem as soluções adequadas do ponto de vista constitucional e democrático: “O que parece destoar das regras democráticas é que uma das partes envolvidas no debate político busque reforçar suas posições e enfraquecer argumentos diferentes mediante campanha publicitária utilizando recursos públicos”, afirma.

Bonzanini determina também que o governo veicule, no mesmo espaço, uma contrapropaganda: “A campanha do Governo Federal sobre a Reforma da Previdência violou o caráter educativo, informativo e de orientação social, que, nos termos do artigo 37, §1º, da Constituição da República, deve pautar a publicidade oficial dos órgãos públicos, uma vez que difundiu mensagens com dados que não representam de forma fidedigna a real situação financeira do sistema de Seguridade Social brasileiro e que podem induzir à formação de juízos equivocados sobre a eventual necessidade de alterações nas normas constitucionais previdenciárias”.

Leia na íntegra a decisão:

https://www.slideshare.net/aquileslins/justia-manda-suspender-propaganda-da-reforma-da-previdncia?ref=http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/285124/Justi%C3%A7a-manda-Temer-tirar-do-ar-propaganda-mentirosa-sobre-Previd%C3%AAncia.htm

Qual a história do Parque Chácara do Jockey e porque ele não virou shopping ou condomínio

A área foi inaugurada em 2006 e passou por um processo de pressão comunitária para que o projeto saísse do papel. Quem conta é um dos personagens desse movimento, o Chicão.

Por Gil Reis para Vaidapé – Cultura Livre | SP

A conquista do Parque Chácara do Jockey, inaugurado em 2016 no Butantã é histórica. Após anos de luta comunitária para sua existência, a área, finalmente, saiu do papel.

O jogo de interesses pelo local é grande e acrescenta mais elementos na conturbada história de retomada do parque pelos moradores. O Chácara do Jockey, que soma uma extensão de 143 mil metros quadrados, está localizado nos limites da capital, quase na divisa com o município de Taboão da Serra. Uma região que sofre historicamente com enchentes, mas que, por outro lado, se valorizou nos últimos anos e entrou no radar de investidores e da especulação imobiliária.

Antes da construção de dois piscinões para conter o fluxo de água dos rios que cortam a região, o primeiro construído em 2004 e o segundo em 2010, as cheias do córrego Pirajussara causavam diversas inundações. Naquele local, porém, havia um alento: a Várzea do Jockey, essencial para o escoamento das águas das enchentes paulistanas.

“Existe um morador chamado Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a Defesa Civil e a Prefeitura em um local onde o poder público não atuava”

– Francisco Bodião, integrante do Movimento Parque Chácara do Jóquei
Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Localizada exatamente onde está alocado hoje o Parque Chácara do Jockey, a várzea sempre foi preservada pela comunidade, sobretudo pela sua importância ambiental em meio a um território estritamente urbano. O entendimento sobre a relevância da área foi essencial para as articulações da comunidade pela preservação do local.

Essa união entre moradores deu origem ao Movimento Parque Chácara do Jóquei, articulação de grande importância que fez frente as pressões de especuladores e garantiu que o parque fosse criado pela Prefeitura.

A articulação surgiu de forma natural, envolvida por uma necessidade dos moradores da região de que a área fosse transformada. Chegou-se a pensar na construção de moradias populares mas, depois de discussões entre moradores afetados pelas enchentes, o movimento e o poder público, houve o consenso de que parque deveria prevalecer sob a questão da moradia, justamente por conta da importância ambiental que a Chácara tem para o bairro.

A várzea do Jockey chegou a receber oficialmente projetos para o fatiamento de sua área. Durante a gestão de José Serra (2005-2006), houve uma maior empatia dos governantes de compensar a dívida de IPTU do local em troca de sua entrega para as construtoras e incorporadoras imobiliárias. O Movimento, no entanto, colocou em pauta as exigências da comunidade em torno da Chácara do Jockey, exigindo a preservação da várzea natural e, posteriormente, a criação de um parque municipal.

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

Para contar a história de conquista do terreno, a Vaidapé produziu uma série de entrevistas com figuras fundamentais para que o Chácara do Jockey pudesse, de fato, existir hoje. Mais do que a narração dos acontecimentos, a ideia é revelar as histórias por trás das lutas sociais que acontecem no Butantã e suas importâncias para o cotidiano do bairro.

Francisco Bodião, mais conhecido como Chicão, é membro e um dos articuladores do Movimento Parque Chácara do Jóquei desde o início das assembleias e reuniões. Ele participou de vários momentos históricos na evolução do grupo e relembra como a união dos moradores do bairro foi essencial para que o parque fosse aberto e contasse com as estruturas e a organização de hoje. Além de sua história dentro do Movimento, Chicão falou das dificuldades enfrentadas para que o parque se tornasse realidade.

Leia a entrevista completa:

Francisco Bodião.

Francisco Bodião.

Como nasceu a ideia do Parque Chácara do Jockey?

A área onde hoje é o parque é uma área de várzea que sempre foi essencial para conter as enchentes. Desde os anos 1990, existe um morador, chamado Djalma Kutxfara, ou Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a “Defesa Civil” e a “Prefeitura” em um local onde o poder público não atuava. Isso já da uma idéia da importância e da união que existia na comunidade em torno de um problema recorrente que havia ali. A turma que combatia as enchentes inspirou a luta para que o local se transformasse em parque público.

A ideia do parque se deu há 20 anos. A galera do bairro idealizava, mas ainda não tinha uma organização concreta. Nos anos 2000, no governo Marta, houve a possibilidade de construir moradias populares no espaço, que compensaria a dívida do Jockey [a área pertencia ao Jockey Club, possuía uma dívida de IPTU estimada em 60 milhões de reais naquela época]. Prevaleceu a preservação da área, afim de constituir um parque público, sugerindo a destinação das moradias populares para outro espaço. A discussão da comunidade em torno do tema da início à uma organização que foi o embrião do Movimento Parque Chácara do Jóquei. Nesse momento, houve a discussão sobre moradia popular, que foi a primeira opção. Mas pelas questões todas da várzea, chegou-se ao consenso de que o ideal seria a construção de um parque.

Por que a população preferiu a construção de um parque ao invés de moradias populares, por exemplo?

A possível construção de moradias populares consumiria uma grande parte da área verde da várzea. Por isso, a comunidade decidiu conjuntamente preservar na sua integralidade a área e sua cobertura vegetal, pela sua importância para as comunidades do entorno. A partir daí, foram promovidos encontros na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e, com a ajuda do Padre Darci, inicia-se toda uma mobilização pela criação do parque. Outros projetos já foram barrados aqui, como de um shopping, por exemplo. Durante a gestão Serra e Kassab em São Paulo, houve uma empatia muito grande para trocar a dívida de IPTU da área pela entrega do terreno à empreiteiras e construtoras. O Movimento foi contra e barrou esse processo, uma parte muito importante da luta. A atuação dos moradores foi decisiva para que esses empreendimento imobiliários e a construção do shopping fossem barrados.

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Quando o Movimento Parque Chácara do Jóquei se consolida e se institui oficialmente?

Após muitas consultas e discussões, é formado em 2013 o Movimento Parque Chácara do Jóquei, apesar da articulação e da luta pelo parque existirem desde 2000. Aqui no Brasil é muito comum sua demanda ganhar força depois que ela se “institucionaliza” e é criado um nome concreto para ação. O Movimento era formado pela comunidade em torno da várzea do Jockey e começa a ganhar uma legitimidade e uma cara própria.

Um momento histórico foi o “abraço no parque”, proposto pelo Padre Darci. Algo simbólico que caracterizou a vontade da comunidade em torno da ideia de se fazer um parque. A gente foi organizando ações no bairro, abaixo assinados, panfletagem na rua e até uma audiência pública na Câmara dos Vereadores. Tudo isso ajudou no processo de entendimento sobre a demanda e na fortificação da mensagem sobre o que nós queríamos ali.

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Qual foi, exatamente, o processo político para aprovação do Chácara do Jockey?

Na gestão do Kassab (2008-2012), foi criado um Decreto de Utilidade Pública (DUP), garantindo que aquela área seria destinada ao uso público. Já foi uma conquista. No final do governo Kassab, a preocupação era com o fim da vigência da DUP. Se ela não fosse renovada no fim desta gestão ou no inicio da gestão do Haddad, o Jockey poderia renegociar o espaço. A DUP era uma garantia de que a Prefeitura manteria aquele espaço como de utilidade pública.

Na gestão Haddad, foi renovada a DUP por mais 3 anos, concedida por Wanderley Meira do Nascimento, secretário do Verde e do Meio Ambiente na época. Isso deu fôlego e certeza de que o Movimento estava no caminho certo. A gente foi pressionando os técnicos e cobrando da Prefeitura, mas a decisão de se fazer um parque foi em grande parte política, pelo plano do Haddad de entregar 114 parques na sua gestão. Isso também foi essencial, pois ainda haviam projetos para construção de um shopping e um condomínio na área da várzea. Então foi anunciado, no dia 17 de junho de 2014, que o Parque Municipal Chácara do Jockey sairia do papel, sendo realizada também uma audiência pública para anunciar a comunidade sobre a decisão e discutir como seria construído o parque.

“A Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Deu origem a umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país”

O projeto do Jockey foi feito exatamente como pedido pela população? Ou houve mudanças?

A ideia, construída por atores da comunidade e também defendida pelo Haddad na época, era de que, além do parque, a Chácara do Jockey funcionaria como um polo cultural. Entre outros projetos, envolveria uma ação de participação com a SPcine, sendo um local de referência na produção audiovisual. Pelo tamanho da SPcine e pela atuação que eles teriam lá, o espaço seria um dos mais importantes polos de produção de cinema do Brasil. Tinha-se a ideia de que o local iria funcionar durante toda madrugada, servindo também para abrigar artistas de São Paulo e de outros lugares do país.

O local para abrigar o polo foi concluído, pois Já tinha sido garantido o dinheiro para realização disso. Mas a ideia não saiu do papel. Durante os anos de 2014 e 2015, os artistas se reuniram para discutir a ocupação dos espaços das baias pelos artistas da região, argumentando sobre a importância de se valorizar o movimento cultural do Butantã. Essa foi um dos combinados que não foram cumpridos e, com a nova gestão, ainda não sabemos se vai sair.

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Já a pista de skate é resultado de rodas de conversa com adolescentes e skatistas da região. A proposta inicial era construção da pista e três quadras. No processo de produção do pré-projeto, com auditoria realizada pela Federação Paulista de Skate, se viu a possibilidade de fazer um projeto maior para a pista.

Então a Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Isso deu origem em umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país. Tudo porque houve uma construção e um pensamento conjunto dos espaços do parque e, nesta parte, ouvindo os skatistas e a galera que tinha propostas para o bairro.

Por parte do Movimento, fomos na Prefeitura, fomos ouvir a comunidade e discutimos todo o uso das áreas do parque. Colocamos pressão e as reivindicações deram origem aos três núcleos hoje existentes no parque (Núcleo Contemplativo do Pirajussara, Núcleo Cultural das Baias e Núcleo Esportivo do Jockey).

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

Atualmente o parque está em processo de escolha do seu Conselho Gestor. Este processo, ano passado, passou por alguns problemas. Quais são eles? Como está a situação das eleições hoje?

O Conselho Gestor tinha que ser amplamente participativo. Chamamos reuniões com técnicos para dialogar sobre a lei e as regras do conselho. Fizemos diversas oficinas, estimulando propostas. Também fizemos várias articulações, tanto com a Prefeitura, quanto com as instituições e pessoas do bairro. Todos se convenceram que tinha que ser um processo de debate e conversa. Vimos que precisávamos nos organizar para isso também.

Fizemos reuniões com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, entendendo que, de saída, tínhamos de aumentar de três para oito o número de conselheiros da sociedade civil. Tivemos o conhecimento e a informação de que a lei permite ampliar a composição de conselheiros, exatamente pela complexidade particular de cada parque. No caso da Chácara do Jockey, temos na criação do parque três secretarias responsáveis pelo processo (Verde e do Meio Ambiente, Cultura e Esportes), além das instituições da sociedade civil. Fizemos um edital específico que foi aprovado e a composição do Conselho Gestor do Chácara do Jockey é um pouco diferente dos outros parques.

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Mesmo assim, tivemos problemas na primeira eleição, que seria em 2016. Um dos candidatos não morava no bairro, algo que era exigência do nosso edital. Como a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, de forma unilateral e sem consultar os representantes da sociedade civil, resolveu sozinha oficializar a homologar uma candidatura irregular, o Movimento resolveu se retirar do pleito.

Essa decisão aconteceu porque os órgãos competentes não quiseram anular a candidatura e rever a eleição. Então nós retiramos todos os nomes e instituições que estavam concorrendo. Foi uma decisão em conjunto do Movimento com outros representantes, buscando, novamente, garantir um processo amplamente participativo. Tivemos que reformular a eleição para este ano, conseguindo garantir todas os combinados da primeira, com exceção do candidato ser um morador do bairro. Mas foi mais uma vitória.

Serviço

O Movimento está hoje concentrado nas eleições do conselho, garantindo uma participação conjunta entre comunidade e poder público. A demanda é que sejam eleitos no mínimo 8 membros da sociedade civil para compor o corpo de conselheiros. Para os demais parques da cidade, a exigência é de 4 membros. A ideia é demonstrar que o caráter participativo foi elevado para contemplar as diversidade do Chácara do Jockey.

Nas palavras do próprio Movimento, “a constituição do conselho gestor é mais uma etapa a ser garantida e efetivada, na implantação de um parque público, inclusivo e para todas e todos”.

As eleições do parque acontecem nos dias 23 e 26 de março, na administração do logradouro.

 

Fernando Holiday fez uso de Caixa 2, segundo reportagem do BuzzFeed

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP), que também é um dos principais líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), foi alvo de reportagem do site BuzzFeed que revela por meio de documentos a prática de Caixa 2 em sua campanha. Eleito em 2016 com discurso anti-esquerda e anti-corrupção, Holiday não teria declarado à Justiça Eleitoral pagamentos feitos em dinheiro vivo a 26 pessoas recrutadas para fazer a panfletagem na reta final de sua campanha. 

Holiday teria pago pessoas para trabalhar em sua campanha em dinheiro vivo, não declarado à Justiça Federal.

Holiday teria pago pessoas para trabalhar em sua campanha em dinheiro vivo, não declarado à Justiça Federal.

Por Cultura Livre – SP

Segundo apuração dos jornalistas Tatiana Farah e Severino Motta, em reportagem publicada no portal BuzzFeed Brasil  nesta segunda-feira (13), o vereador do DEM de São Paulo pagou em dinheiro vivo e não declarou gastos com cabos eleitorais na reta final da última campanha eleitoral, em 2016. Holiday nega e diz que todas as despesas da campanha foram declaradas.

O BuzzFeed Brasil publicou, sem revelar a fonte, planilhas e documentos com nomes e valores pagos à 26 pessoas durante a campanha. De acordo com o site, parte delas foi localizada e confirmou os serviços prestados e os valores recebidos. Segundo os cabos eleitorais, eles faziam a panfletagem e recebiam R$60 em dinheiro vivo em um shopping na avenida Paulista. Quem os recrutava era Tatiane Carvalho, estudante que aparece em fotos ao lado de Fernando Holiday e Kim Kataguiri, outro líder do MBL.

Reprodução.

Reprodução.

Procurado pela reportagem, Fernando Holiday negou irregularidades e disse que todas as despesas de sua campanha à Câmara dos Vereadores de São Paulo foram declaradas à Justiça Eleitoral.

A reportagem checou a veracidade das planilhas com quatro pessoas cujos nomes e assinaturas estavam nos papéis. Eles confirmaram terem prestado serviço para o candidato e relataram que o pagamento era feito, após cada dia de trabalho, em dinheiro, na praça de alimentação de um shopping na Paulista.

Reprodução.

Reprodução.

Os cabos eleitorais recebiam R$ 60 dentro de um envelope com seus nomes ao final de cada dia de trabalho. Depois, assinavam a lista de presença no papel. Os panfleteiros são jovens que, à época, estavam desempregados.

Todos os ouvidos pelo BuzzFeed Brasil relataram a mesma história e disseram ter sido coordenados por uma mulher chamada Tatiane.

Ela é Tatiane Carvalho, estudante que aparece em fotos ao lado de Holiday e de outro líder do MBL, Kim Kataguiri. Tatiane era uma das administradoras da página de Holiday no Facebook.

A reportagem teve acesso a dois áudios de WhatsApp em que Tatiane relata como está sendo feito o trabalho de panfletagem de sua equipe à coordenação de campanha.

Em um dos áudios, a jovem que é ligada ao MBL relata que sobrou dinheiro porque dois cabos eleitorais não apareceram para trabalhar e que vai pagar um extra aos demais para estenderem o trabalho por uma hora.

Ouça no link o áudio 1: Tatiane Carvalho trata de pagamento, em dinheiro, para cabos eleitorais de Fernando Holiday.

https://soundcloud.com/alexandre-de-aragao/audio-whatsapp-1-tatiane-carvalho-fernando-holiday-dem

Em outro, Tatiane afirma que o trabalho de sua equipe é mais sofisticado do que o fornecido pela empresa Classe A – a empresa que aparece na prestação de contas do candidato à Justiça Eleitoral como a responsável pela distribuição de panfletos.

 

Ouça no link o áudio 2: Tatiane Carvalho reclama dos contratados pela Classe A (que aparece na prestação de contas) e diz que os panfleteiros que ela recrutou (e não aparecem na prestação) são mais eficientes.

https://soundcloud.com/alexandre-de-aragao/audio-whatsapp-2-tatiane-carvalho-fernando-holiday-dem

 

Os cabos eleitorais do MBL não fazem parte da empresa que apareceu na prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral.

Na prestação de contas de campanha de Holiday constam três notas fiscais emitidas pela empresa Classe A que somam R$ 4.755 pelo serviço de panfletagem. Uma das notas fiscais, de R$ 2000, coincide com o período em que os cabos eleitorais trabalharam: de 27 a 30 de setembro.

Mas esta nota não corresponde ao pagamento dos cabos eleitorais arregimentados por Tatiane Carvalho.

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Procurada, a empresa Classe A explicou ao BuzzFeed Brasil que não paga os trabalhadores em dinheiro e não convoca pessoas que não sejam de seu quadro de funcionários.

A Classe A afirmou que não paga os empregados por dia de trabalho prestado, mas sempre por mês. O pagamento é feito por cheque ou depósito bancário.

Os cabos eleitorais ouvidos pela reportagem nunca ouviram falar da Classe A e dizem ter sido recrutados pela campanha do então candidato. Dizem que Holiday aparecia de passagem durante a panfletagem.

Os cabos eleitorais cujo pagamento não foi declarado trabalharam com camisetas da campanha, enquanto os funcionários da Classe A usavam o uniforme da empresa.

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Cabos eleitorais vão de van para panfletar para o então candidato a vereador Fernando Holiday (DEM). Eles não aparecem na prestação de contas enviadas à Justiça Eleitoral. Reprodução

Outra diferença é que a empresa informou nunca ter arregimentado trabalhadores pelo Facebook, enquanto os cabos eleitorais ouvidos pelo BuzzFeed Brasil encontraram a oferta de trabalho pela rede social.

Os irmãos Bruno e Bruna Feitosa de Santana são dois dos cabos eleitorais que estão na planilha a que a reportagem teve acesso. Bruna contou que encontrou a oferta de trabalho em um post do Facebook. Ela convidou o irmão e outra colega para participar do trabalho.

Além dos dois irmãos, outras duas mulheres que confirmaram ter trabalhado na campanha, Bruna Thaisa Ribeiro Branco e Jaqueline Aparecida de Paula, contaram histórias idênticas sobre como foram arregimentadas e receberam em dinheiro vivo.

No link: Em vídeo, cabo eleitoral confirma o pagamento em dinheiro vivo.

https://www.youtube.com/watch?v=9KGCAT_Qt-s

 

Todos os quatro contaram ainda terem recebido a promessa de ganhar um dinheiro extra se o candidato fosse eleito. Holiday venceu a eleição, mas a promessa nunca foi cumprida.

Os quatro cabos eleitorais relataram, em entrevistas separadas ao BuzzFeed Brasil, ter trabalhado por uma semana no final de setembro.

De acordo com as planilhas e listas de presença obtidas pelo BuzzFeed Brasil, no dia 27, foram 19 pessoas; no dia 28, foram 15. Em 29 de setembro, a equipe contou com 17 pessoas e, no dia 30, com 19.

Seriam 70 diárias de R$ 60, que somam R$ 4.200. Nenhum dos 26 nomes de cabos eleitorais listado nos papéis aparece na prestação de contas como pessoa física recebedora de pagamento da campanha do candidato ou do comitê financeiro do partido dele.

No total, Holiday declarou que gastou R$52.551,68 na campanha. A principal despesa, R$ 22 mil, foi com a publicação de anúncios em jornal.

O que diz Fernando Holiday:

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Questionado pela reportagem do BuzzFeed Brasil, Fernando Holiday negou, por meio de sua assessoria de imprensa, irregularidades. A assessoria de imprensa do vereador enviou a seguinte nota:

“Conforme exige a legislação vigente, a prestação de contas da campanha foi entregue e aprovada pela Justiça Eleitoral e pode ser consultada publicamente. O mandato do vereador Fernando Holiday não é pautado por boataria, rumores ou inúmeros ataques que sofremos todos os dias. Portanto, não havendo qualquer acusação formal, tendo em vista a aprovação das contas; especulações desta natureza são apenas mais uma tentativa de atrapalhar o mandato combativo que o jovem vereador vem realizando.”

 

Entidades assinam manifesto contra Dória Jr: “A sua decisão é ser cruel com os mais pobres”

Entidades de Direitos Humanos publicam manifesto contra decreto do prefeito de São Paulo que permite a retirada de colchões, pertences e agasalhos da população de rua.

Por Cultura Livre – SP

Dezenove entidades de Direitos Humanos, dentre elas a mundialmente reconhecida Cáritas, se reuniram em um manifesto em desagravo às medidas tomadas contra à população mais pobre em situação de rua da cidade de São Paulo, ao que chamaram de “decisão pela crueldade”.

Intitulado “Dória e a decisão de ser cruel com os mais pobres”, o manifesto se refere ao polêmico Decreto de n.º 57.581, de 20 de Janeiro de 2017, (publicado no Diário Oficial do Município de SP em 21 de Janeiro de 2017), editado pelo Prefeito João Dória Jr., que eliminou artigo existente em  decreto anterior, dirigido aos servidores públicos municipais, proibindo-os  de retirar das pessoas em situação de rua seus colchões e cobertores. Segundo as entidades de direitos humanos que assinam o manifesto, a medida que vem sendo apontada como “higienista”, pode ser considerada um exemplo do desinteresse político em mitigar o grave problema social desses pobres.

O prefeito do PSDB, que também é empresário com fortuna estimada em R$180 milhões, de acordo a sua última declaração feita ao TSE, minimiza críticas afirmando que o decreto foi editado, mas não será cumprido.

Mendigos morrem todos os anos no frio do inverno paulistano. Crédito da foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Mendigos morrem todos os anos no frio do inverno paulistano. Crédito da foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Leia abaixo o manifesto assinado na íntegra:

Dória e a decisão de ser cruel com os mais pobres

Tendo em vista que não houve providência esperada por parte do senhor prefeito João Dória, a Campanha Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais colhe, por meio deste e mail, adesões de cidadãos e entidades para o manifesto abaixo, a ser divulgado nas redes sociais e entregue as devidas autoridades pelas entidades.

São Paulo assiste em silêncio ato de extrema violência. 

O Decreto de n.º 57.581, de 20 de Janeiro de 2017, (publicado no Diário Oficial do Município em 21 de Janeiro de 2017), editado pelo Prefeito João Dória, eliminou artigo existente em decreto anterior e dirigido aos servidores públicos municipais, proibindo-os de retirar das pessoas em situação de rua seus colchões e cobertores e é exemplo do desinteresse político em mitigar este grave problema social e da utilização de meios que apenas agravam o sofrimento desses pobres.

São Paulo possui hoje mais de 16 mil pessoas em situação de rua, inclusive muitas famílias. As causas desta tragédia cotidiana vão desde pessoas com problemas psiquiátricos a trabalhadores atingidos pela avassaladora crise econômica.

A realidade cruel da vida desses seres humanos, que não possuem voz nem representantes e que tem merecido de parte da sociedade o mais evidente desdém, quando não serem tratados como estorvo, será agravada ao extremo com esse Decreto do prefeito Dória, que a pretexto de “apreensão” resulta em um insulto à dignidade humana, além de evidente desrespeito ao direito de propriedade.

A alegação do Senhor Prefeito de que esse Decreto foi editado, mas que não será cumprido é de um absurdo completo.

Não se editam normas para que não sejam cumpridas. O fato é que servidores municipais, com a retirada da proibição, estão autorizados a essa prática que será utilizada sim, principalmente contra aqueles que  estejam em logradouros situados em áreas mais valorizadas da cidade.

Nem se alegue que se trata de um “estímulo”, para que a população de rua se dirija aos abrigos municipais.

Hoje, os abrigos municipais possuem vagas muito abaixo da necessidade de atendimento. Ou seja, não há vagas suficientes nos abrigos, cuja precaridade e desumanidade merecem outro destacado protesto.

A sociedade diante dessa ilegal arbitrariedade não pode se omitir e deve tomar todas as medidas cabíveis para que esse Decreto seja revogado, restabelecendo a legislação anterior.

As entidades abaixo assinadas conclamam que todos se mobilizem para que a revogação do Decreto 57.581/17 seja efetivada imediatamente, pois o inverno se aproxima e tragédias certamente acontecerão.

São Paulo, 20 de fevereiro de 2017

Assinam:

Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, CJP/SP;

Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, CSDDH;

Comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica;

Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo, GTNM-SP;

Mandato Toninho Vespoli;

Pastoral da Educação da Arquidiocese de SP;

Pastoral Fé e Política da  Arquidiocese de SP;

Pastoral da Moradia da Arquidiocese de SP;

CEDECA Sé;

Núcleo Maximiliano Kolbe, NMK:

Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, CAMI;

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, IEAB;

Caritas Arquidiocesana de SP

Pastoral do Menor da Arquidiocese de SP

Pastoral Indigenista

Pastoral da Mulher Marginalizada

Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB/Regional SP

Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, CPMVJ

Democracia Corintiana, CDC

 

Empresário denuncia racismo em abordagem da PM no RJ

O ator, designer de roupas e empresário carioca Luang Senegambia Dacach Gueye é vítima de detenção em abordagem truculenta da polícia militar e denuncia: “O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre (*atualizada às 21h48)

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia.

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia. Crédito da foto: Acervo.

Na última terça-feira (14) o ator e designer Luang Senegambia Dacach Gueye, proprietário da marca de roupas com inspiração na cultura africana Senegâmbia, veio a público utilizando o seu perfil pessoal em rede social para denunciar o episódio de racismo institucional ocorrido no dia 12 de novembro do ano passado, em que foi vítima de detenção arbitrária e abordagem truculenta da PM durante o evento Mimo Festival, no Rio de Janeiro.

“Fui acusado de desobediência”, diz Luang.

“No dia 12 de novembro de 2016, às 16 horas fui abordado por dois policiais em frente a Praça Paris [no bairro da Glória, Zona Sul do Rio], onde acontecia um festival de música. Questionei o motivo da abordagem e aleguei que estava apenas de passagem, não vendo motivo para ser revistado. Disseram que eu era suspeito. Perguntei: Suspeito de que?. Aleguei que a única explicação para eles me pararem é porque sou preto e eles racistas. Então fui imobilizado, cercado por uns 6 ou 8 policiais, algemado e levado para delegacia do Catete.” revela.

Segundo o empresário, foram momentos de tensão que incluíram ameaças veladas dos policiais: “Na viatura e na delegacia, diferentes PM´s em diferentes momentos repetiam com naturalidade uma afirmação bizarra: ‘Sorte tua que tu não tá na baixada…’ ”

Luang, que não recebeu cópia do boletim de ocorrência, ainda foi condenado a pagar multa de R$900,00 “Na delegacia não havia tinta de impressora, então não fiquei com nenhuma cópia do registro. Fui no JECRIM e, hoje, descobri que fui condenado a pagar 900,00 reais. ”

Está marcada para o mês de abril uma audiência de conciliação onde o empresário ficará frente-a-frente com os policias e o juiz para apuração dos fatos. Na avaliação de Luang, não há dúvidas de que foi um episódio de racismo:

“Para aqueles que tem dificuldade de entender o racismo, é isso. Para aqueles que o tema da apropriação cultural é uma abstração, disputa de argumento, e ou motivo de piadas, lhes digo que é apenas mais um das centenas de elos que, assim como a sexualização da mulher preta, a romantização da favela, parecem inofensivos, mas mantem a corrente do racismo apertada fortemente ao redor de milhões de brasileiros e brasileiras, antes, durante e depois do que uma pessoa branca “defender” o direito de usar um turbante.

O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

 

 

Mimo Festival traz maratona de shows gratuitos ao Rio

O festival tem entrada franca e apresentação de shows de artistas consagrados como Ney Matogrosso, Pat Thomas, Chico César, João Bosco e Hamilton de Holanda.

João Bosco se apresenta no Mimo Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

João Bosco se apresenta no Mimo Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Por Cultura Livre – RJ

Começa nessa sexta-feira(11) um dos maiores eventos de música instrumental gratuito do país. Até domingo (13) o Rio de Janeiro recebe o MIMO Festival, que vai reunir grandes nomes da música brasileira e estrangeira em vários pontos da cidade, além de cursos, cinema e atividades poéticas, sempre com entrada franca.

Essa edição do festival, que também já passou por Tiradentes, Ouro Preto e Paraty em anos anteriores, escolheu o Rio para receber a programação que reúne mais de 60 concertos, em cenários cartões-postais da cidade. A Praça Paris, na Glória, recebe dois palcos, o principal e o “Se Ligaê”. Nele, acontecem encontros musicais, como Jards Macalé e Otto, Simone Mazzer e Alice Caymmi, João Bosco e Hamilton de Holanda e Chico César com Miguel Araújo. No local também acontece o encerramento do festival, com ninguém menos que Ney Matogrosso.

As igrejas da Candelária, Outeiro da Glória, São Francisco da Penitência, Cine Odeon, patrimônios históricos da cidade, também estão entre os locais que vão receber os shows.

Nesta sexta, os artistas portugueses Mário Laginha e Pedro Burmester abrem o festival, às 18h30, com um concerto de dois pianos, na Igreja da Candelária, no Centro.

Dentre os artistas internacionais, outro destaque é Pat Thomas, da África Ocidental, que será acompanhado pela Kwashibu Area Band. Ele é o maior representante do highlife, gênero musical popular que nasceu nos anos de 1920 no Gana e influenciou diretamente o surgimento do afrobeat. Outra grande atração estrangeira é a diva colombiana Totó la Momposina, aos 76 anos e 50 de carreira, é uma das artistas mais respeitadas da América do Sul e conhecida como rainha da cúmbia.

Toto La Momposinsa é atração da Colômbia. Crédito da foto: Divulgação.

Toto La Momposinsa é atração da Colômbia. Crédito da foto: Divulgação.

No sábado, às 19h, Pablo Lapidusas International Trio sobe ao palco principal, no mesmo horário em que Jards Macalé convida Otto no Palco Se Ligaê. Às 20h, o grupo Bixiga 70 sobe ao palco da Praça Paris. João Bosco e Hamilton de Holanda se apresentam às 21h no Palco Se Ligaê; e às 22h30 será a vez do espetáculo de Pat Thomas & Kwashibu Area Band.

No domingo, às 17h30, começa a Chuva de Poesia, no Outeiro da Glória. O CCOMA abre os concertos da Praça Paris às 17h, no Palco Se Ligaê. Às 18h, será a vez de Jacky Terrasson & Stéphane Belmondo, diretamente da França para o palco Praça Paris. Para encerrar o evento, Ney Matogrosso leva à praça o show da turnê de “Atento aos Sinais”.

Atrações educativas

O MIMO também tem atrações educativas e lúdicas, com promoção de encontros entres artistas que participam do festival com jovens profissionais e estudantes de música. Aulas com Bixiga 70, Mario Laginha e Pedro Burmester (Portugal), Antonio Nobrega, Pat Thomas, Jacky Terrasson, Stéphane Belmondo, entre outros, além de workshop sobre a cúmbia com músicos da Totó la Momposina.

A poesia marca presença no festival com a proposta lúdica da Chuva de Poesia. Criada pelo poeta, tipógrafo e artista plástico Guilherme Mansur, a Chuva de Poesia acontece há mais de 20 anos em Minas Gerais. A proposta da iniciativa é fazer chover poesia no céu das cidades. Do alto de locais selecionados, milhares de folhas soltas coloridas, com tipografias especiais, são lançadas ao vento para o público que, invariavelmente, lota os locais para receber as pancadas esparsas dos poemas. As cidades do Rio de Janeiro e Olinda serão presenteadas com obras dos poetas portugueses Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá-Carneiro, Mário Cesariny e António Maria Lisboa.

Veja a programação completa no site www.mimofestival.com.

 

Denúncia: Professor é preso por tropas policiais dentro da Universidade Estadual de Goiás

Robson de Sousa Moraes, Professor e Coordenador de Extensão  da UEG, divulga carta aberta conta a invasão.

Por Esquerda Diário – DF

O professor estava na unidade da cidade de Goiás da UEG, que se encontrava ocupada. Sem mandado judicial, a PM invadiu a UEG (Universidade Estadual de Goiás), prendeu todos os ocupantes e desocupou à força a unidade.

Todos foram registrados na delegacia e em seguida liberados. Nessa semana, reportagem mostrou que a secretária de Educação de Goiás, professora Raquel Teixeira, mantém um grupo de WhatsApp com a PM para monitorar e vigiar manifestantes ligados às ocupações em Goiás”.

Temos a repressão contra estudantes e professores em escalada. Sinal que os movimentos de juventude e professores incomodam o golpismo.

A seguir declaração escrita, com data do dia 02/02, do professor Robson que coordena a Extensão da UEG:

“Como Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG, Campus Cora Coralina, quero manifestar meu repúdio a ação ilegal desencadeada pela Polícia Militar, nesta madrugada, que em um claro exercício de abuso de autoridade impediu de forma truculenta e intimidatória a livre manifestação e protesto de membros da comunidade acadêmica deste campus. A direção da UEG (Cora Coralina) reconhece e respeita a liberdade de expressão e de manifestação formalmente consolidados em nossa legislação . A ação proferida por forças policiais é um atentado contra o estado de direito e a já combalida democracia brasileira . Defender os alunos e professores contra essa absurda agressão é não se calar diante de um ato de flagrante desrespeito a norma constitucional vigente em nosso país.

Estamos vivenciado acontecimentos sombrios e tenebrosos que muito se assemelha a períodos recentes da história nacional, que em nome de uma suposta defesa da “ordem” instituiu-se atos de violência e barbárie, prisões ilegais, torturas e assassinatos. A UEG é um espaço de exercício da pluralidade de ideias, locus do saber e do conviver, escola de cidadania e da liberdade de expressão. Não abandonaremos e nem deixaremos sozinhos a expressão mais consciente de nossa juventude universitária, lutaremos em defesa da democracia e favor de nossa juventude contra os abusos e desvios autoritários, recorrermos as instâncias necessárias para cobrar responsabilidades e evitar que atentados como este ocorrido na cidade de Goiás não passe impunemente. Viva a liberdade! Viva a Democracia! Fascistas: Não passarão!

Robson de Sousa Moraes/ Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG (Campus Cora Coralina)”.

O Esquerda Diário se coloca a serviço de notas, artigos e denúncias que os companheiros de resistência aos ataques de Temer desejem divulgar nacionalmente. E chama os sindicatos de oposição ao governo a levantarem assembleias e órgãos de base para uma massificação das lutas contras os ataques do governo Temer.

 

Mostra ‘Hermeto Pascoal 80 anos’ homenageia o músico no Teatro Municipal de Niterói

Mostra em Niterói faz homenagem aos 80 anos do mestre do improviso.

Hermeto Pascoal é homenageado na mostra "Hermeto 80 anos". Crédito da foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa.

O músico é homenageado na mostra “Hermeto Pascoal 80 anos”. Crédito da foto: Divulgação.

Por Cultura Livre – RJ

O Teatro Municipal de Niterói recebe na sala anexa Carlos Couto a exposição “Hermeto Pascoal 80 Anos“, em comemoração ao aniversário de 80 anos do multi-instrumentista completos neste ano.

Com curadoria de Teca Nicolau e participação do músico Fábio Pascoal, filho de Hermeto, a mostra faz um passeio pela multiplicidade de sonoridades, imagens e formas, marcas registradas na carreira do artista.

“A exposição conta um pouco da história, genialidade e irreverência de Hermeto, compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro que toca acordeão, flauta, piano, saxofone, trompete, bombardino, escaleta, violão e diversos outros instrumentos musicais. Ímpar em seu processo criativo e de manifestação musical, a todo momento registra composições em quaisquer objetos ao alcance de suas mãos (panelas, revistas, bacias, tampas de vasos sanitário, toalhas, bule, chapéu, bandejas, pratos, copos e até paredes), tornando-os como bases para partituras com a mesma habilidade que extrai sons e notas melódicas de objetos inusitados.” , conceitua Fábio Pascoal.

Serviço:

Mostra “Hermeto Pascoal 80 anos”

Data: Até 30 de novembro

Horário: visitação de terça a sexta, das 10h às 19h, sábados e domingos de 15h às 19h.

Preço: Gratuito.

Organizações de direitos humanos promovem atos contra PEC 241 hoje

As entidades de direitos humanos Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular organizam manifestações hoje em diversas capitais do país.

Por Cultura Livre

Uma série de manifestações são programadas para o dia de hoje (25) em diversas cidades do país em protesto pelos cortes na educação e saúde impostos pelo governo Temer (PMDB).

As mobilizações promovidas pelas frentes de luta fazem coro ao protesto liderado por estudantes em ocupações de escolas que já tomam o país, com instituições de ensino fundamental e médio, além de institutos federais e universidades ocupadas contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio.

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Protesto contra a PEC no dia 17 em SP. Crédito da foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A PEC 241, que já vem sendo chamada de PEC do Fim do Mundo por analistas políticos, tem previsão de votação do segundo turno nesta terça-feira na Câmara e os protestos tem o objetivo de pressionar o legislativo para que não aprovem a medida.

Segundo nota divulgada pelas frentes organizadoras dos protestos, a aprovação do projeto significaria um atraso para o desenvolvimento do país e o governo Temer concretizaria “o maior de seus ataques, até agora, aos direitos do povo brasileiro”.

“Os recursos que hoje já são insuficientes para garantir educação pública, gratuita e de qualidade ou a prestação dos serviços dignos de saúde para a maioria da população brasileira, por exemplo, ficarão estagnados, enquanto a população cresce e as necessidades só aumentam”, completa a nota.

Revista Vaidapé #6 será lançada neste domingo com festival no CEU Butantã

A 6ª edição da Revista Vaidapé  será lançada com um festival multiartístico no CEU Butantã. O evento que acontece neste domingo (23) contará com apresentações musicais, projeções, campeonato de skate e sarau aberto.

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Cultura Livre – SP

O coletivo de mídia Vaidapé, que foi criado para atuar na defesa dos direitos humanos, denunciando a violência institucional e valorizando as movimentações marginais chega ao seu quarto  ano de existência com fôlego. O lançamento da sexta edição da revista impressa Vaidapé, que também atua com disseminação de conteúdo livre em um site e redes sociais, será feito em um grande festival multiartístico, com distribuição de 5.000 exemplares gratuitos e diversas atrações culturais.

Dentre elas, o cantor pernambucano Di Melo, que vai se apresentar ao lado da Semiorquestra. No line-up musical, também estão Obinrin Trio, Lu Manzin, Dinho Nascimento, Inffesto e DJ Niely. O festival vai contar com projeções visuais feitas pelo Cäimbra Coletivo.

Um campeonato de skate com premiação para melhores manobras e a realização de um sarau com microfone aberto para o público vão agitar a tarde de domingo no Butantã. A festa também será enfeitada por um varal de lambe-lambes.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

A proposta do coletivo é que a revista esteja presente nos espaços públicos da cidade, circule nas ruas, praças, ocupações, encontros, centros culturais, debates, universidades e movimentos sociais.

Depois do lançamento no CEU Butantã, a edição será distribuída em um segundo evento no Calçadão Cultural do Grajaú, zona sul de São Paulo. Em breve, serão anunciados os pontos fixos de distribuição, que devem abarcar todos as zonas da cidade de São Paulo.

Serviço:

Data: domingo, 23 de outubro de 2016

Local:Pista de skate do CEU Butantã – São Paulo (SP)

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