Estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis.

Por Xavier Plassat da Fundação Rosa Luxemburgo – Cultura Livre | SP

Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa RAICE (Comissão Pastoral da Terra–CPT, e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH – CB) sintetizada neste livro mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades: de pontas de ruas a acampamentos de luta pela terra, de quilombos a atingidos por grandes projetos agropecuários.

O estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis: a persistente concentração fundiária, a expulsão de comunidades camponesas de seus territórios em função do avanço do capital, a omissão deliberada do Estado na garantia dos direitos mais essenciais, uma política agrária que não garante condições de produção a assentados, a dependência de um mercado de trabalho desigual em termos regionais, a exploração vista como algo natural, entre outras. Enfrentar essa realidade é objetivo do programa RAICE.

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Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo
Tadeu Breda
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán
(CDVDH/CB) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Araguaína, Tocantins, dezembro de 2016
ISBN: 987-85-92856-03-8