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Comissão Guarani Yvyrupa lança Manifesto em favor do povo Guarani

Tribos sofrem com a diminuição do repasse de verbas da Funai e desrespeito por parte de ruralistas à demarcação de terras indígenas.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

Por Cultura Livre – SP

A 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa, que ocorreu em setembro desse ano, divulgou um manifesto com as pautas reivindicatórias do povo Guarani em nome da Terra Indígena Tenonde Porã.

No manifesto, o povo Guarani denuncia o sucateamento da Fundação Nacional do Índio – Funai, que teve orçamento drasticamente reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de terras e a efetivação da garantia dos direitos dos povos indígenas.

Leia integralmente o texto do manifesto:

“Nós, de todo o povo Guarani das regiões Sul e Sudeste do Brasil, nos reunimos na 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa para nos fortalecer na resistência contra os constantes ataques aos nossos direitos. Foram vários dias em que todos nós, anciãos, jovens e lideranças estivemos unidos para discutir os principais desafios que hoje temos de enfrentar; em que nos reunimos na opy, nossa casa de reza, para que Nhanderu nos dê força e coragem para seguir na nossa luta.

Continuamos firmes, com a inspiração de nossos ancestrais e com nosso nhandereko, nosso modo de viver, lutando para preservar tudo aquilo que Nhanderu deixou para nós, para vivermos com dignidade em nosso território tradicional, yvyrupa. Desde que nossas terras foram invadidas pelo jurua, os não-indígenas, nossa vida esteve sempre ameaçada. Passamos a viver cercados por conflitos, buscando dentro de nosso território aqueles tekoas, aquelas aldeias mais afastadas, onde pudéssemos viver em paz. Mas hoje depois de tanta destruição causada pelos jurua kuery, temos que nos organizar para lutar com todas as nossas forças e garantir as poucas terras que nos restam.

Nossa luta nunca foi fácil, mas hoje a situação é ainda mais preocupante. Os jurua poderosos e seus governos que estiveram sempre contra nossos direitos, estão se fortalecendo cada vez mais, aumentando os ataques contra nossos tekoas em nome de sua ganância, que  vê na terra apenas o dinheiro. Os jurua são tão gananciosos que agem contra seus próprios parentes, criando leis que nem eles mesmos cumprem, fazendo tudo para conseguirem o que querem. E os próprios jurua poderosos que criam as leis, os deputados e senadores, foram agora contra a sua principal lei, a constituição federal, para que um de seus representantes tomasse o poder.

Nos últimos anos já estávamos passando por uma situação que ficava cada vez mais difícil: a demarcação de nossas terras não progredia, o Governo e os empresários foram realizando cada vez mais grandes obras que impactavam nossas terras, dizendo que agiam em nome do desenvolvimento. Mas que desenvolvimento é esse que só beneficia os poderosos?  Que cria um mundo em que não tem espaço para os povos indígenas e para a preservação do meio ambiente? E agora com o novo Governo, escolhido diretamente pelos ruralistas e grandes empresários que dominam o Congresso Nacional, nossos direitos estão ainda mais ameaçados.

O novo Ministro da Justiça, escolhido pelo presidente golpista Temer, ficou conhecido no estado de São Paulo, onde foi secretário de segurança pública, por usar a polícia de forma brutal contra as manifestações que buscavam garantir os direitos dos mais pobres. Assim como os deputados ruralistas, distorcia todas as leis para permitir uma grande repressão contra o povo e a criminalização dos que se colocavam contra o Governo e os empresários que ele defendia. Assim que foi indicado como Ministro da Justiça ele declarou que era contra qualquer retomada dos territórios tradicionais e que não teria qualquer problema em usar da força policial contra os nossos parentes. E é esse Ministro tão violento que hoje é chefe da Funai.

Nos últimos anos, o orçamento da Funai tem sido cada vez mais reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de nossas terras e a efetivação da garantia de nossos direitos. Agora o corte foi tão grande que o orçamento aprovado da Funai é o menor dos últimos dez anos. Para nós esses cortes representam uma estratégia clara para imobilizar qualquer avanço na política indigenista, sangrando a Funai aos poucos para que todos os processos de reconhecimento de nossos territórios sigam paralisados. E essa situação pode ficar ainda pior caso o governo Temer aprove a PEC 241, que planeja congelar o orçamento da União pelos próximos 20 anos. Exigiremos sempre o fortalecimento da Funai para garantia dos nossos direitos fundamentais.

Não bastasse o corte orçamentário, os ruralistas do Congresso continuam a destruir nossos direitos através da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai/Incra, que foi aberta novamente mesmo tendo seu prazo expirado. Por meio da CPI nossas lideranças e apoiadores do movimento indígena são investigados como se fossem criminosos, enquanto nenhuma justiça é feita sobre o sangue derramado de nossos parentes pelos fazendeiros e pelo Estado. Na prática a estratégia do novo governo é que o genocídio continue: enquanto o único órgão indigenista do estado agoniza e nossas lideranças são perseguidas, os ruralistas e empresários seguem avançando contra a vida dos povos indígenas.

Nossa assembleia marca a resistência do povo Guarani nesse momento de tantas dificuldades e tantos ataques aos direitos dos povos indígenas, das diversas comunidades tradicionais, remanescentes de quilombos, das mulheres e de todos os trabalhadores. Mas nossa luta não começou hoje e nunca vai parar. Quando Nhanderu criou o mundo ele deu o papel para o jurua, enquanto deu pra nós o petygua, o cachimbo. Por causa da ganância o jurua não soube usar o papel, e com ele tem tentado acabar com as nossas terras, destruir nossas matas e acabar com nosso povo. Mas nós temos o petygua: nossa reza, nossa união e nosso nhandereko, nosso modo de vida. E com ele continuaremos resistindo nas nossas terras tradicionais, nas nossas retomadas, plantando o alimento verdadeiro, cuidando das matas e da água fresca que Nhanderu deixou para nós.

Aguyjevete pra quem luta!”

Ong argentina cria campanha contra o câncer à prova de censura em redes sociais

Por Cultura Livre

Como algumas redes sociais como Facebook e Instagram censuram imagens de seios femininos, a ONG argentina David de Buenos Aires encontrou uma forma criativa de mostrar como fazer um autoexame para combater o câncer de mama e criou a campanha #tetasxtetas para o Movimiento Ayuda Cancro de Mama (MACMA), lançada este mês para a campanha Outubro Rosa.

Em vídeos e imagens que compõem as peças da campanha ‘Tetas x tetas’ são mostrados os “peitos” de um homem e as mãos de uma mulher, que se posiciona atrás dele, fazendo o exame.  A iniciativa lançada nas redes sociais busca aumentar a consciência sobre o câncer de mama e também destaca de forma clara a sem censura sofida por mulheres na rede, abordando a questão do machismo e da auto-apropriação do corpo feminino.

Os seios femininos geralmente são censurados. Mesmo quando aparecem para ensinar como realizar um autoexame para a detecção precoce do câncer de mama. É aí que ‘tetasxtetas’ entra. Uma campanha relacionada com a saúde, que exige que os homens participem, para conseguirmos sucesso“, declaram Joaquin CubriaIgnacio Ferioli, ECDs da David Buenos Aires.

 

HQ Kondaro narra luta dos índios guaranis

O livro lançado em São Paulo no último dia 11 deste mês narra o processo de resistência indígena dentro da cidade de São Paulo, com roteiro e arte de Vitor Flynn Paciornik e publicação da editora Elefante.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

Por Cultura Livre – SP

O livro em formato HQ, com desenhos do artista Vitor Flynn Paciornik foi produzido pela Fundação Rosa Luxemburgo com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa, organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil, e narra a história recente de resistência indígena em São Paulo a partir do protesto de um jovem guarani durante a abertura da Copa do Mundo no Itaquerão, em 2014.

O lançamento ocorrido no último dia (11) no Espacio 945, na região Bela Vista em São Paulo, contou com um debate sobre resistência indígena e violência no campo com lideranças guaranis, com a presença de especialistas da Info Amazônia, Armazém Memória, De Olho nos Ruralistas e da Fundação Rosa Luxemburgo.

Ao longo de 60 páginas, as ilustrações retratam cenas da onda de manifestações dos Guarani Mbya, iniciada em 2013, pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo, como o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes e a ocupação do Monumento às Bandeiras.

Atualmente, os Guarani lutam pela demarcação de suas terras na zona norte e na zona sul da cidade de São Paulo. Mais de dois mil indígenas vivem na região de Parelheiros e Jaraguá.

Ficha técnica

Autor: Vitor Flynn Paciornik
Projeto Gráfico: Bianca Oliveira
Consultoria: Lucas Keese dos Santos
Apresentação: Daniel Santini
Editora: Fundação Rosa Luxemburgo & Editora Elefante
Apoio: Comissão Guarani Yvyrupa
Páginas: 60
Publicação: Setembro 2016
ISBN: 978-85-68302-08-8
Dimensões: 18,2 x 25,5 cm

Site da Editora: http://www.editoraelefante.com.br/produto/xondaro/#prettyPhoto[product-gallery]/6/

Salve-se quem puder

Prenderam Cunha: Salve-se quem puder. Charge de Celso Augusto Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.

charge cunha

 

Bar da Dida faz evento de lançamento da antologia poética Lá? Não, ali

O espaço situado no polo gastronômico da Praça da Bandeira, no Centro do Rio, promove evento misturando literatura com o melhor da comida de botequim.

Dida - Crédito da Foto Divulgação

Dida – Crédito da Foto Divulgação

Por Cultura Livre – RJ

O Bar da Dida, recanto boêmio da Praça da Bandeira abre as portas no próximo dia 28 de outubro, às 20h, mostrando que botequim também é lugar de poesia com evento literário de lançamento da antologia “Lá? Não, ali” da poeta carioca Tamara Marques, com entrada franca.

Um misto da tradicional comida de botequim com forte referência da culinária de matriz africana, decoração retrô lembrando os antigos armazéns do Rio com tijolos aparentes, quadros fazendo referência à mestres do samba e telas assinadas pelo artista plástico Paulo Belisário, além de cerveja artesanal e literatura é o que promete o evento.

Dentre os pratos servidos no cardápio estão o acarajé e feijão de engenho, uma feijoada com origem na culinária trazida por escravos, com abóbora, batata-doce e cana.

Feijoada é carro-chefe do cardápio. Crédito da foto: Stephane Munnier

Feijoada é carro-chefe do cardápio. Crédito da foto: Stephane Munnier

O espaço já nasceu em 2015 com fortes raízes na tradição do samba carioca: Dida, que junto com os três filhos comanda o restaurante, é filha da “Tia Maria” que na década de 1970 liderou um bar na Zona Norte frequentado por grandes baluartes do samba, como Mestre Sargento, Mestre Celso, dentre outros.

O livro “Lá? Não, ali.” , que terá a sua noite de autógrafos no evento, integra o amplo catálogo de poesias da Editora Perse, que tem apostado no gênero assumindo protagonismo no mercado editorial alternativo pelo investimento em novos autores e marca a estreia de Tamara Marques no formato impresso.

Tamara Marques - Crédito da foto: Divulgação

Tamara Marques – Crédito da foto: Divulgação

Egressa da internet, onde foi apontada como promessa da nova safra literária tendo seu trabalho destacado em reportagens de veículos como o portal Vermelho, Revista Di Rolê e o site Release Virtual, a autora de 23 anos que é estudante de Publicidade na PUC e publica poemas, contos e crônicas nos blogsRefantasiar e Pequenos Eternos, justifica a escolha da poesia para seu primeiro livro como um fluxo natural do seu trabalho, em que a escrita poética assumiu protagonismo:

“Não diria que foi exatamente uma escolha minha, mas sim algo que foi acontecendo. Aos poucos a poesia passou a ocupar um espaço protagonista na minha vida e na minha escrita.” diz.

O evento conta com leitura, autógrafos e bate-papo com a autora. Na opinião de Tamara, esse é um livro essencialmente afetivo que conduz o leitor a um mergulho em suas reminiscências:

“Acho que o leitor pode esperar nostalgia.“Lá? Não, ali” traz um bocado de saudades e memórias que não me pertencem, mas que também são minhas. Fragmentos de histórias, vidas e personagens inventados que passam por nós todos os dias, atravessando a rua, trabalhando, respirando e sentindo.” revela.

Serviço:

Dia 28/10/2016

Horário: 20h

Bar da Dida: R. Barão de Iguatemi, 408 – Praca da Bandeira, Rio de Janeiro – RJ.

Entrada Franca

Exposição ‘A Lama: De Mariana ao Mar’ mostra de perto tragédia ambiental

Imagens revelam a dimensão da tragédia e dos danos causados ao meio ambiente na exposição em cartaz no Paço Imperial, no Rio.

Exposição "A Lama – de Mariana ao mar" fica em cartaz no Paço Imperial.

Exposição “A Lama – de Mariana ao mar” fica em cartaz no Paço Imperial.

Por Cultura Livre – RJ

O Paço Imperial, na Praça XV, região central do Rio, recebe até o dia 20 de novembro a mostra “A Lama: De Mariana ao Mar” que retrata através de fotos panorâmicas a tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do país ocorrido em 5 de novembro de 2015, que arrasou o povoado de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais e trouxe impactos ambientais devastadores para o país.

O projeto da exposição teve origem em uma reportagem sobre o desastre publicada na revista Piauí, em julho de 2016. O registro fotográfico da extensão da destruição e do percurso feito pela lama é do fotógrafo Cristiano Mascaro, acompanhado de imagens aéreas produzidas por seu filho, Pedro Mascaro, por meio de um drone.

A exposição é resultado de uma parceria entre a revista Piauí, o Instituto Moreira Salles – IMS e o Paço Imperial com a curadoria de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.

Durante a exposição ocorrerão uma serie de encontros e debates sobre a tragédia. Confira a programação:

Terça, 18/10 A repórter Mariana Queiroz, da GloboNews, conversa com a jornalista da piauí, Consuelo Dieguez.

Mariana Queiroz foi para MG horas depois do rompimento da barragem e passou dias abastecendo ao vivo a programação do canal de notícias com informações sobre a tragédia. Já Consuelo, que tem no currículo o prêmio Esso pela reportagem Guerrilha do Araguaia, publicada noOGlobo em 96, foi a Bento Rodrigues, MG, para a reportagem  A Onda publicada na piauí de julho. Consuelo ouviu sete sobreviventes da lama na primeira metade da sua matéria e na segunda narrou onde estavam e o que faziam as autoridades responsáveis. Mariana Queiroz vai usar dessa experiência in loco, no calor dos acontecimentos, pra entrevistar Consuelo.

Sexta, 21/10 –  Conversa com Cristiano Mascaro. Cristiano Mascaro foi convidado pela piauí para percorrer todo o leito do rio Doce do local do rompimento da barragem até o mar, já no Espírito Santo. E pra empreitada, levou o filho Pedro Mascaro, que é engenheiro e está se rendendo a profissão do pai, mas em outra modalidade: a fotografia aérea. Pai e filho então fizeram os registros em terra e em tomadas aéreas que compuseram o portfólio publicado na mesma edição da reportagem de Consuelo.

Terça, 1/11 –  Consuelo Dieguez entrevista o promotor de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Entre os temas da conversa: a atualização sobre as investigações e a punição do responsáveis e ponta do iceberg que o rompimento da barragem revelou ser o problema da exploração do minério no Brasil. Para a plateia, foram convidados estudantes dos cursos de direito e de Engenhara ambiental das principais universidades do Rio.

Terça,  08/11 Pedro Mascaro, filho de Cristiano Mascaro e autor dos vídeos captados com drone e exibidos na exposição, fala sobre captação de imagens aéreas. Vamos levar para o Paço uma turma de um instituto de fotografia pra aprender sobre equipamentos e técnicas dessa modalidade de captação de imagens.

Serviço:

“A lama: de Mariana ao Mar”

Data: Até 20/11/2016. Terças,  Quartas,  Quintas,  Sextas,  Sábados e Domingos das 12:00 às 19:00

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, S/N, Centro, Rio de Janeiro – RJ

Entrada Franca

Poesia na periferia

Até o próximo domingo, 23 de outubro, acontece a 9ª Mostra Cultural da Cooperifa em São Paulo.

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Por Cultura Livre – SP

O poeta da periferia Sérgio Vaz realiza pelo nono ano a Mostra Cultural da Cooperifa. Dentre as múltiplas atividades promovidas no evento que acontece na Zona Sul, região periférica da cidade de São Paulo, estão shows de Fabiana Cozza, Criolo, conversas sobre empreendedorismo, literatura negra feminina, dança, futebol, cinema, teatro, ativismo e resistência, rap, samba e soul.

“Essa mostra prova que valeu a pena sonhar, a Cooperifa é resistência.”, diz o produtor.

Confira na página oficial do #Cooperifa no Facebook toda a programação, que é gratuita:

https://www.facebook.com/Cooperifaoficial/#

Marcelo Rubens Paiva recusa prêmio do Minc: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”

Marcelo Rubens Paiva, que foi indicado ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura à pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira, recusa prêmio e dispara: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Por Cultura Livre 

O escritor Marcelo Rubens Paiva publicou no último dia 11 uma foto no seu perfil do Facebook revelando a sua recusa ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura, a pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira:

“Era uma comenda de Ordem ao Mérito do MinC. Deste governo golpista. Como democrata, recusei. Até estranhei a oferenda.”, escreveu Rubens Paiva.

O escritor agradeceu, mas recusou a indicação e disse que  ‘só aceitaria se o prêmio fosse dado por um governo eleito’.

“Caros, obrigado pela lembrança, mas vou declinar. Sou um democrata, e não aceito a forma como o novo governo foi conduzido ao Poder. Aceitaria se fosse de um governo eleito pelo voto direto”, escreveu.

Rubens Paiva lança este mês a biografia da banda punk Inocentes, feita em parceria com Clemente, intitulada Meninos em Fúria.

Veja a troca de e-mails entre Milton da Luz Filho e o escritor Marcelo Rubens Paiva:

rubens paiva

 

 

Mais de sete mil pessoas no centro do Rio contra a PEC 241

Nessa segunda-feira (17), no Centro do Rio, milhares de pessoas que acreditam que a PEC 241 dilacera direitos fundamentais dos brasileiros em todas as áreas, inclusive saúde e educação reuniram-se para reivindicar seu futuro.

NINJA – RJ

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Nessa segunda-feira o povo foi ocupar as ruas para mostrar que rejeita a proposta de Emenda à Constituição 241 que tramita no Congresso Federal. Os jovens, outra vez, eram a maioria. Também estiveram muitos servidores públicos, especialmente da saúde e educação. A mobilização se somou à uma enxurrada de críticas e apelos que passam dos professores aos médicos da rede pública, de estudantes primários a pós-graduados, de técnicos de órgãos do próprio governo aos de setores sindicais, todos que já se pronunciaram publicamente para subsidiar a defesa contra a PEC.

A concentração do ato se deu a partir das 17h, no largo da Cinelândia, nas escadarias da Câmara de Vereadores. O governo de Michel Temer era repudiado por todos. Em celebração de boas-vindas, grupos que chegavam eram saudados pelos os que já estavam. Juntos gritavam com raiva na praça.

Crédito da Foto: Mídia NINJA

Crédito da Foto: Mídia NINJA

“A nossa luta é todo o dia, Saúde não é mercadoria.Por essa crise não pago, não. Quero dinheiro para saúde e educação”.

Palavras de ordem entoadas em meio à manifestação.

 

Talvez o mais numeroso dos grupos fosse o dos estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro, o IFRJ, que levaram cartazes “A grande mídia não vai nos calar”, “PEC 241: Brasil, um país de poucos”, entre dezenas de outros. Quatro institutos federais do Estado do Rio já estão ocupados. Outros podem ser ocupados a qualquer momento. Segundo a União Brasileira de Estudantes Secundaristas, já são 500 instituições de ensino ocupadas em todo o país – a maioria no Paraná.

Bloco de estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Foto Mídia NINJA

Bloco de estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Um coro com centena de jovens do IFRJ dominou a praça “Ocupa Tudo, Ocupa Tudo”. Um desses jovens era Daniel, 17 anos, aluno do último ano, que não sabe ainda qual curso superior vai querer fazer, mas já sabe que quer ser professor.

“Feliz de estar neste ato, estamos fazendo história. Sou contra a PEC sim. Eu quero ver o meu filho e o meu neto estudando na Instituição que eu estudei, tendo um pensamento crítico. A PEC é bem clara: o pobre vai ficar mais pobre e o rico mais rico. A PEC é para beneficiar eles. Não parece que eles estão pensando em ninguém, em nenhum momento. Eles não estariam pensando em sucatear a educação. Querem sucatear. Um exemplo é que há poucos dias eles fizeram questão de não colocar os índices do instituto no ranking do ensino médio. É para rebaixar o Instituto, sucatear o Instituto, para depois privatizá-lo”.

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Tatiana Roque, da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio, maior universidade do país, também se mostrava assustada com o futuro, embora mantenha a esperança de barrar a emenda.

“A gente tá preocupadíssimo com essa PEC, vai significar uma redução drástica no financiamento e verbas para saúde e educação, em especial, para as universidades. A PEC, ao congelar os valores atrelados à inflação, vai reduzir muito o investimento per capita. Vai ser algo muito sério, vai piorar muito. Mas eu ainda acho que dá para virar, a gente tá confiante que dá para barrar essa PEC”.

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

O texto da PEC 241 foi elaborado pelo próprio Governo Federal ainda em junho, durante o período interino de Michel Temer. O governo apressou o trâmite na Câmara. Para garantir fidelidade, proporcionou um banquete no Palácio do Planalto. Foi atendido, na segunda-feira passada, por 366 deputados, os mesmo que votaram pelo impeachment. O PMDB foi unânime. PSDB, DEM, PRB, PR, PP, entre muitos outros da base golpista, também assinaram essa bomba. Deputados do PSOL, PT, PC do B, REDE alguns deputados do PDT e muito poucos de outros partidos foram conta. A PEC será votada em segundo turno no plenário da Câmara na próxima segunda-feira, 24 de outubro.

A redação da Proposta traz: “será fixado, para cada exercício (ano), limite individualizado para a despesa primária total dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, inclusive o Tribunal de Contas da União, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”. Em outro trecho, completa que os limites cumprirão “o valor do limite referente ao exercício imediatamente anterior, corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo”, o mais importante índice inflacionário do Brasil. O crescimento do orçamento público, quase que completo, fica atrelado apenas a um crescimento inflacionário, mesmo que as previsões garantam que a população irá crescer e, ao mesmo tempo, envelhecer nos próximos 20 anos, exigindo também crescimento expressivos nos investimentos em educação e saúde, que já não estão em patamar adequado.

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Em texto pedindo apoio ao Congresso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira clamam “um Novo Regime fiscal no âmbito da União, para controlar o desequilíbrio fiscal do país”.

Quem estava na praça discorda que essa seja a solução para o Brasil. Quase às 19h, já eram centenas de grupos reunidos na Cinelândia quando todos decidiram partir pela avenida Rio Branco em direção à avenida Chile. Policiais militares do Choque enfileiraram-se à frente do Teatro Municipal. A multidão, sempre entoando gritos contra a PEC e contra o Governo Temer, virou à esquerda. Um estudante distribuía um folheto com críticas à PEC para os policiais. Alguns recebiam, outros encaravam com raiva um menino de 17 anos: “Vários aceitaram. Levei uns 25 panfleitos, só sobraram dois. Fiz minha parte para eles virem para o nosso lado. O movimento tem que ser coletivo”.

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Repressão e truculência

Já perto das 20h, quando a multidão passava pela avenida Chile, na altura do prédio da Petrobrás, os ataques da polícia começaram. Primeiro, em confronto com os grupos anarquistas. No primeiro dia do novo secretário de segurança do Estado do Rio, Roberto Sá, a PM carioca, de salários atrasados, demonstrou que mantém a velha covardia. Atacou com bombas de gás, que fizeram estudantes chorarem assustados. Em debandada, policiais machucavam mesmo pessoas paradas, como um jovem negro, que levou cacetadas e chutes de um policial gratuitamente. Indignado, ele ainda questionou o policial “você vai bater num negão como você?”. Comunicadores populares foram agredidos. Os grandes canais da televisão não foram visto na cobertura do ato.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A caçada irresponsável da PM invadia pequenas ruas do Rio, arrastando mesas e violentando mesmo quem estava parado ou filmando. Um jovem mudo, conhecido em protestos, foi preso, assim como, pelo menos, outras 4 pessoas, uma delas indígena. A multidão assustada retornou à Cinelândia. Um grupo resistia, e agora pichava a fachada da Câmara de Vereadores. Foi o momento em que chegou reforço do Choque, cerca de 50 policiais. A brutalidade da PM varreu desta vez a Cinelândia, já perto das 21h, e atingiu em cheio um dos mais conhecidos bares da cidade, o Amarelinho, onde outra mulher foi presa. Mesas e cadeiras foram arremessadas.

A população, mesmo quem não esteve no protesto, desafiava os policiais, lembrando que, como servidores públicos, também sofrem com o atraso do salário e sofrerão com os cortes da PEC, que atingem em cheio a pasta da Segurança. Cinco pessoas foram atendidas com cortes segundo um grupo da Cruz Vermelha revelou. Nenhuma delas em estado grave.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A PEC 241 foi rejeitada nas ruas nesta noite e a polícia mostrou que irá reprimir as manifestações contra a proposta.

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

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