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Category: Ativismo

Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo

  Estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis.

Por Xavier Plassat da Fundação Rosa Luxemburgo – Cultura Livre | SP

Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa RAICE (Comissão Pastoral da Terra–CPT, e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH – CB) sintetizada neste livro mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades: de pontas de ruas a acampamentos de luta pela terra, de quilombos a atingidos por grandes projetos agropecuários.

O estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis: a persistente concentração fundiária, a expulsão de comunidades camponesas de seus territórios em função do avanço do capital, a omissão deliberada do Estado na garantia dos direitos mais essenciais, uma política agrária que não garante condições de produção a assentados, a dependência de um mercado de trabalho desigual em termos regionais, a exploração vista como algo natural, entre outras. Enfrentar essa realidade é objetivo do programa RAICE.

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Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo
Tadeu Breda
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán
(CDVDH/CB) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Araguaína, Tocantins, dezembro de 2016
ISBN: 987-85-92856-03-8

Yoko Ono expõe “O céu ainda é azul, você sabe”, no Instituto Tomie Ohtake

A mostra “O céu ainda é azul, você sabe” revela detalhes da carreira da artista que é ícone da arte como instrumento de contestação social.

Por Cultura Livre | SP

O Instituto Tomie Ohtake recebe até 28 de maio a exposição “O céu ainda é azul, você sabe” com uma retrospectiva multilinguagem da carreira de Yoko Ono. A mostra tem curadoria do islandês Gunner B. Kvaran e propõe uma viagem pelo conceito da própria arte, com engajamento político e social, sob a ótica da artista.

Uma das principais artistas experimentais e de vanguarda, associada à arte conceitual, performance e ao Grupo Fluxus, Yoko Ono continua questionando de forma decisiva o conceito de arte e do objeto de arte, com o objetivo de ressignificar  esses conceitos e expandir limites. A artista é uma das pioneiras a incluir o espectador no processo criativo, convidando-o a desempenhar um papel ativo em sua obra.

A exposição, que é patrocinada pelo Bradesco e Instituto CCR, foi concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake e é formada por 65 peças de “Instruções” que evocam a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

Segundo o curador, a mostra evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono:

“São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), ‘acenda um fósforo e assista até que se apague’. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.”

 

Mostra faz uma retrospectiva na carreira da artista. Crédito da foto: Divulgação/Instituto Tomie Ohtake

Mostra faz uma retrospectiva na carreira da artista. Crédito da foto: Divulgação/Instituto Tomie Ohtake

Entre as obras da exposição há uma série de filmes, dois dos quais com a participação de John Lennon na concepção. Em Estupro (77 min, 1969), o músico foi codiretor e em Liberdade (1970), de apenas um minuto, assina a trilha sonora. Também registrada em filme presente na mostra, Peça Corte (16min 1965) traz a icônica performance da artista realizada no Carnegie Hall (1964, NY), na qual o público pôde cortar um pedaço de sua roupa e levar consigo.

Serviço:

“O céu ainda é azul, você sabe”

Quando: de 1º de abril a 28 de maio de 2017.

Onde: Instituto Tomie Ohtake – Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiro, São Paulo, SP.

Quanto: R$12 inteira e R$6 meia-entrada.

Minidoc | Sawe: Um canto de união

Documentário sobre a questão socioambiental indígena e a luta dos povos indígenas do Rio Juruena, no norte do Mato Grosso, feito em parceria entre o coletivo Vaidapé e a Rádio Yandê.

Por Paulo Motoryn para Vaidapé  – Cultura Livre | MT

Vídeo e fotos: João Miranda

“Sawê – um canto de união” é um curta-metragem documental sobre os ataques aos povos indígenas que habitam as margens do Rio Juruena. O trabalho foi produzido durante o III Festival Juruena Vivo, realizado em Juara, no norte do Mato Grosso, na Amazônia Legal.

A produção foi realizado de forma colaborativa entre a Vaidapé e a Rádio Yandê, uma web-rádio indígena.

A sub-bacia do Rio Juruena abrange 190.931 km2 e é composta por dezenas de rios. Só o Rio Juruena é responsável por 70% das águas que formam o Tapajós no estado do Mato Grosso.

Dez diferentes povos indígenas lutam para preservar seu modo de vida na Bacia, como os Manoki, Munduruku, Nambikwara, Myky e Rikibaktsa. “Sawê” traz diversas entrevistas com indígenas. Além dos debates, o III Festival Juruena Vivo teve uma série de apresentações musicais e oficinas.

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Um canto de união

Direção: João Miranda
Produção e Pesquisa: Paulo Motoryn
Locução: Anápuáka Muniz Tupinanbá
Duração: 8min
Realização: Vaidapé

Assista no link:

https://www.youtube.com/watch?v=IX1EUNbrFMg

Street Art Festival reúne skate, dança, música e graffiti em Novo Hamburgo-RS

O evento multi-arte “Stret Art Festival” acontece na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, com entrada franca.

Por Cultura Livre | RS

No próximo sábado (18), um mix de arte e cultura urbana invade a cidade gaúcha de Novo Hamburgo, com a segunda edição do Street Art Festival.

O evento, em prol da valorização da cultura de rua, reúne live paint, Museu do Skate, mini ramp, apresentações teatrais, mostra de vídeos, exposições de arte, fotografia, música, dentre outras atrações a céu aberto e tudo com entrada franca.

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O evento conta com mini ramp para quem quiser arriscar manobras no skate.

Segundo os organizadores, um dos destaques desta edição é o Museu do Skate montado especialmente para o evento. A exposição traz recortes de jornais, peças antigas, vídeos, cartazes, zines e outros registros que marcam a história do skate em Porto Alegre. Para quem quiser mandar uma manobra na mini ramp, o festival conta com sessions para skatistas profissionais e abertos ao público.

Dentre as atrações estão programadas atividades com graffiti e customizações, além de uma instalação criada por artistas urbanos de comunidades carentes da região.

A moda também tem espaço no festival com a presença de expositores, estúdios de tatuagem, barbearias e até brechós. O teatro circense fica por conta do espetáculo “SEgundatentATIVA”, que apresenta malabarismo com claves, bolas gigantes e pirofagia, no esquema de improvisação.

Um dos maiores bateristas do país, Demétrius Locks fará um Drum Solo durante a festa. Demétrius tem seu trabalho reconhecido em todo Brasil, Europa e Estados Unidos, onde se destaca pela técnica do ritmo Maracatu aplicado ao kit de bateria.

 Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Haverá ainda um polo gastronômico instalado com diversos foodtrucks e opções de gastronomia de rua.

Serviço:

Quando: 18 de Março
Horário: das 11 as 23 horas – Área Externa e das 23 as 04 horas – Área Interna
Onde: Sociedade Ginástica Novo Hamburgo
Endereço: Rua Castro Alves, 166 – Bairro Rio Branco – Novo Hamburgo
Preço: Entrada franca

Greve geral paralisa ônibus, metrô e educação em todo o Brasil

Sindicatos e movimentos sociais protestam contra reformas da previdência e trabalhista propostas pelo governo Temer. Paralisações ocorrem em diversas capitais do país.

Por Marcos Souza  e  Sheila Fonseca – para Cultura Livre

Greves e manifestações acontecem nesta quarta-feira (15) em 25 estados do Brasil e mais o Distrito Federal. Milhares de trabalhadores, além de integrantes de movimentos sociais e entidades sindicais se reúnem por todo país em uma paralisação histórica contra as reformas da Previdência e Trabalhista, propostas pelo governo de Michel Temer.

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crádito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crédito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

São Paulo

Na capital paulista e em municípios da  Região Metropolitana, motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, professores e bancários também aderiram à paralisação. Terminais de ônibus e estações do Metrô amanheceram vazios, vias foram bloqueadas por manifestantes. A Prefeitura acabou liberando o rodízio de carros em toda a cidade. Na tarde de hoje, por volta 17h, a Av. Paulista já era tomada por mais de 100 mil manifestantes.

 Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Ana Paula, professora da rede municipal, traduz os retrocessos “Estamos em greve contra todos os retrocessos, se eu for colocar na ponta do lápis todos os impactos pra mim, vou me aposentar com quase 80 anos. É muito trabalho dando aula, e ainda mais trabalho quando chego em casa, para me aposentar nessa idade”.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perde de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena / Mídia NINJA.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perda de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena/Mídia Ninja.

 

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Curitiba

Curitiba amanheceu hoje com serviços parados no transporte, educação e coleta de lixo, entre outras áreas. Segundo levantamento da Associação Comercial do Paraná estima-se que pelo menos R$ 150 milhões deixaram de circular em Curitiba nesta quarta-feira, devido à paralisação. A estimativa leva em conta o PIB da capital e engloba os setores de comércio, indústria e serviços.

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Em decorrência da greve, 1,5 milhões de pessoas em Curitiba ficaram sem transporte publico. Segundo o sindicato, a paralisação será por tempo indeterminado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), Anderson Teixeira, o dia todo deve ser assim, sem transporte, mas a tendência é que a greve continue a partir desta quinta.  “Nós aderimos ao dina de mobilização e não deverá ter ônibus hoje em Curitiba e Região, mas a partir desta quinta a categoria decidiu permanecer parada porque há um desrespeito com motoristas e cobradores já que a database não foi acertada e a proposta de só repor o INPC não é aceita pelos trabalhadores”, afirmou.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Rio de Janeiro

No Rio, o Sindicato dos Professores (Sinpro-Rio), A CUT-Rio, além do sindicatos dos Bancários, Rodoviários,  Sindicato dos Petroleiros, dois sindicatos da saúde, radialistas, da Casa da Moeda, Correios, dentre outros, aderiram à paralisação e participam das manifestações.

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Manifestantes no Largo do Machado se dirigem ao Palácio Laranjeiras, sede do Governo do Rio.

Segundo o Sinpro-RJ, também houve grande adesão de escolas particulares,  com participação de mais de 15 mil professoras e professores dessas instituições na paralisação contra as reformas da Previdência, trabalhista, do ensino médio e a chamada Escola Sem Partido. Em nota, a entidade avaliou a manifestação como positiva:

“Altamente positiva, com expressiva adesão e apoio da sociedade.  Mais de 15 mil professoras e professores de escolas particulares aderiram à paralisação.

O Sinpro-Rio organizou atos públicos no Largo do Machado, Botafogo, Ipanema, Gávea, Tijuca, Jacarepaguá, Campo Grande. No Largo do Machado, por exemplo, cerca de duas mil pessoas passaram pelo local, com alunos e pais apoiando a paralisação. Houve ainda passeatas no Cosme Velho, Largo do Machado ao Palácio da Guanabara.

Alunos e professores falaram nos atos públicos, todos acentuando o quanto será nociva a reforma da Previdência, independente da idade, sendo que muitas mulheres se manifestaram, deixando claro que elas serão muito prejudicadas. A reforma trabalhista e outros retrocessos nos direitos sociais também foram alvo de protestos. Vamos à luta! Nenhum direito a menos!”

 

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15 mil professores de escolas particulares aderiram à greve no Rio. Crédito da Foto: Sinpro/RJ.

A professora Luciana Moreira acredita que esse é um dia de luta histórica para o Sinpro-RJ: “Hoje é um dia histórico de protagonismo e luta por uma sociedade cidadã para o Sinpro-Rio em conjunto com todos os movimentos sociais, movimento de mulheres, sindicatos e entidades de classe, transeuntes e pessoas que resolveram se juntar à essa marcha, que decidiram parar e lutar por um país mais justo e contra um governo que emergiu, que chegou ao poder de forma não republicana, não democrática. As reformas trabalhistas e previdenciárias que estão sendo impostas violentamente à população são apenas consequência disso. Acredito que estamos hoje não apenas lutando pela manutenção nossos direitos, mas dando um exemplo para as gerações futuras e exercendo o nosso papel pleno de educadores.”

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

 

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

 

Faixa "Fora Temer" com manifestantes, no Rio.

Faixa “Fora Temer” com manifestantes, no Rio.

Brasília

Em Brasília, cerca de 3 mil manifestantes bloqueiam a Praça dos 3 Poderes. A perda de direitos e os retrocessos promovidos pelo governo Temer são os principais motivadores da ocupação, que tem sua centralidade na luta contra a reforma da Previdência, enviada pelo presidente Michel Temer em dezembro, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287.

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Derrota no Palácio do Planalto: Justiça determina retirada de propaganda sobre Reforma da Previdência do ar

A juíza Marciane Bonzanini, da 1ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre determinou nesta quarta-feira (15) que o governo de Michel Temer retire do ar as propagandas, veiculadas em qualquer tipo de mídia, sobre a reforma da Previdência.

A magistrada, que atendeu a uma ação movida por diversos sindicatos de trabalhadores, estabeleceu multa diária de R$ 100 mil, caso a decisão não seja cumprida. Bonzanini entendeu que o governo Temer não poderia ter utilizado recursos públicos para financiar as peças que tem caráter pessoal, partidário do governo e não didático, incluindo ameaças de perda de direitos como o bolsa-família, caso a reforma não venha a ser aprovada no Congresso.

“A campanha publicitária desenvolvida, utilizando recursos públicos, faz com que o próprio princípio democrático reste abalado, pois traz consigo a mensagem à população de que a proposta de reforma da previdência não pode ser rejeitada e de que nenhuma modificação ou aperfeiçoamento possa ser feito no âmbito do Poder Legislativo, cabendo apenas o chancelamento das medidas apresentadas”, diz a juíza.

A juíza ressalta que o debate político deve ser feito no Poder Legislativo, cabendo às partes sustentarem suas posições e construírem as soluções adequadas do ponto de vista constitucional e democrático: “O que parece destoar das regras democráticas é que uma das partes envolvidas no debate político busque reforçar suas posições e enfraquecer argumentos diferentes mediante campanha publicitária utilizando recursos públicos”, afirma.

Bonzanini determina também que o governo veicule, no mesmo espaço, uma contrapropaganda: “A campanha do Governo Federal sobre a Reforma da Previdência violou o caráter educativo, informativo e de orientação social, que, nos termos do artigo 37, §1º, da Constituição da República, deve pautar a publicidade oficial dos órgãos públicos, uma vez que difundiu mensagens com dados que não representam de forma fidedigna a real situação financeira do sistema de Seguridade Social brasileiro e que podem induzir à formação de juízos equivocados sobre a eventual necessidade de alterações nas normas constitucionais previdenciárias”.

Leia na íntegra a decisão:

https://www.slideshare.net/aquileslins/justia-manda-suspender-propaganda-da-reforma-da-previdncia?ref=http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/285124/Justi%C3%A7a-manda-Temer-tirar-do-ar-propaganda-mentirosa-sobre-Previd%C3%AAncia.htm

Qual a história do Parque Chácara do Jockey e porque ele não virou shopping ou condomínio

A área foi inaugurada em 2006 e passou por um processo de pressão comunitária para que o projeto saísse do papel. Quem conta é um dos personagens desse movimento, o Chicão.

Por Gil Reis para Vaidapé – Cultura Livre | SP

A conquista do Parque Chácara do Jockey, inaugurado em 2016 no Butantã é histórica. Após anos de luta comunitária para sua existência, a área, finalmente, saiu do papel.

O jogo de interesses pelo local é grande e acrescenta mais elementos na conturbada história de retomada do parque pelos moradores. O Chácara do Jockey, que soma uma extensão de 143 mil metros quadrados, está localizado nos limites da capital, quase na divisa com o município de Taboão da Serra. Uma região que sofre historicamente com enchentes, mas que, por outro lado, se valorizou nos últimos anos e entrou no radar de investidores e da especulação imobiliária.

Antes da construção de dois piscinões para conter o fluxo de água dos rios que cortam a região, o primeiro construído em 2004 e o segundo em 2010, as cheias do córrego Pirajussara causavam diversas inundações. Naquele local, porém, havia um alento: a Várzea do Jockey, essencial para o escoamento das águas das enchentes paulistanas.

“Existe um morador chamado Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a Defesa Civil e a Prefeitura em um local onde o poder público não atuava”

– Francisco Bodião, integrante do Movimento Parque Chácara do Jóquei
Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Localizada exatamente onde está alocado hoje o Parque Chácara do Jockey, a várzea sempre foi preservada pela comunidade, sobretudo pela sua importância ambiental em meio a um território estritamente urbano. O entendimento sobre a relevância da área foi essencial para as articulações da comunidade pela preservação do local.

Essa união entre moradores deu origem ao Movimento Parque Chácara do Jóquei, articulação de grande importância que fez frente as pressões de especuladores e garantiu que o parque fosse criado pela Prefeitura.

A articulação surgiu de forma natural, envolvida por uma necessidade dos moradores da região de que a área fosse transformada. Chegou-se a pensar na construção de moradias populares mas, depois de discussões entre moradores afetados pelas enchentes, o movimento e o poder público, houve o consenso de que parque deveria prevalecer sob a questão da moradia, justamente por conta da importância ambiental que a Chácara tem para o bairro.

A várzea do Jockey chegou a receber oficialmente projetos para o fatiamento de sua área. Durante a gestão de José Serra (2005-2006), houve uma maior empatia dos governantes de compensar a dívida de IPTU do local em troca de sua entrega para as construtoras e incorporadoras imobiliárias. O Movimento, no entanto, colocou em pauta as exigências da comunidade em torno da Chácara do Jockey, exigindo a preservação da várzea natural e, posteriormente, a criação de um parque municipal.

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

Para contar a história de conquista do terreno, a Vaidapé produziu uma série de entrevistas com figuras fundamentais para que o Chácara do Jockey pudesse, de fato, existir hoje. Mais do que a narração dos acontecimentos, a ideia é revelar as histórias por trás das lutas sociais que acontecem no Butantã e suas importâncias para o cotidiano do bairro.

Francisco Bodião, mais conhecido como Chicão, é membro e um dos articuladores do Movimento Parque Chácara do Jóquei desde o início das assembleias e reuniões. Ele participou de vários momentos históricos na evolução do grupo e relembra como a união dos moradores do bairro foi essencial para que o parque fosse aberto e contasse com as estruturas e a organização de hoje. Além de sua história dentro do Movimento, Chicão falou das dificuldades enfrentadas para que o parque se tornasse realidade.

Leia a entrevista completa:

Francisco Bodião.

Francisco Bodião.

Como nasceu a ideia do Parque Chácara do Jockey?

A área onde hoje é o parque é uma área de várzea que sempre foi essencial para conter as enchentes. Desde os anos 1990, existe um morador, chamado Djalma Kutxfara, ou Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a “Defesa Civil” e a “Prefeitura” em um local onde o poder público não atuava. Isso já da uma idéia da importância e da união que existia na comunidade em torno de um problema recorrente que havia ali. A turma que combatia as enchentes inspirou a luta para que o local se transformasse em parque público.

A ideia do parque se deu há 20 anos. A galera do bairro idealizava, mas ainda não tinha uma organização concreta. Nos anos 2000, no governo Marta, houve a possibilidade de construir moradias populares no espaço, que compensaria a dívida do Jockey [a área pertencia ao Jockey Club, possuía uma dívida de IPTU estimada em 60 milhões de reais naquela época]. Prevaleceu a preservação da área, afim de constituir um parque público, sugerindo a destinação das moradias populares para outro espaço. A discussão da comunidade em torno do tema da início à uma organização que foi o embrião do Movimento Parque Chácara do Jóquei. Nesse momento, houve a discussão sobre moradia popular, que foi a primeira opção. Mas pelas questões todas da várzea, chegou-se ao consenso de que o ideal seria a construção de um parque.

Por que a população preferiu a construção de um parque ao invés de moradias populares, por exemplo?

A possível construção de moradias populares consumiria uma grande parte da área verde da várzea. Por isso, a comunidade decidiu conjuntamente preservar na sua integralidade a área e sua cobertura vegetal, pela sua importância para as comunidades do entorno. A partir daí, foram promovidos encontros na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e, com a ajuda do Padre Darci, inicia-se toda uma mobilização pela criação do parque. Outros projetos já foram barrados aqui, como de um shopping, por exemplo. Durante a gestão Serra e Kassab em São Paulo, houve uma empatia muito grande para trocar a dívida de IPTU da área pela entrega do terreno à empreiteiras e construtoras. O Movimento foi contra e barrou esse processo, uma parte muito importante da luta. A atuação dos moradores foi decisiva para que esses empreendimento imobiliários e a construção do shopping fossem barrados.

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Quando o Movimento Parque Chácara do Jóquei se consolida e se institui oficialmente?

Após muitas consultas e discussões, é formado em 2013 o Movimento Parque Chácara do Jóquei, apesar da articulação e da luta pelo parque existirem desde 2000. Aqui no Brasil é muito comum sua demanda ganhar força depois que ela se “institucionaliza” e é criado um nome concreto para ação. O Movimento era formado pela comunidade em torno da várzea do Jockey e começa a ganhar uma legitimidade e uma cara própria.

Um momento histórico foi o “abraço no parque”, proposto pelo Padre Darci. Algo simbólico que caracterizou a vontade da comunidade em torno da ideia de se fazer um parque. A gente foi organizando ações no bairro, abaixo assinados, panfletagem na rua e até uma audiência pública na Câmara dos Vereadores. Tudo isso ajudou no processo de entendimento sobre a demanda e na fortificação da mensagem sobre o que nós queríamos ali.

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Qual foi, exatamente, o processo político para aprovação do Chácara do Jockey?

Na gestão do Kassab (2008-2012), foi criado um Decreto de Utilidade Pública (DUP), garantindo que aquela área seria destinada ao uso público. Já foi uma conquista. No final do governo Kassab, a preocupação era com o fim da vigência da DUP. Se ela não fosse renovada no fim desta gestão ou no inicio da gestão do Haddad, o Jockey poderia renegociar o espaço. A DUP era uma garantia de que a Prefeitura manteria aquele espaço como de utilidade pública.

Na gestão Haddad, foi renovada a DUP por mais 3 anos, concedida por Wanderley Meira do Nascimento, secretário do Verde e do Meio Ambiente na época. Isso deu fôlego e certeza de que o Movimento estava no caminho certo. A gente foi pressionando os técnicos e cobrando da Prefeitura, mas a decisão de se fazer um parque foi em grande parte política, pelo plano do Haddad de entregar 114 parques na sua gestão. Isso também foi essencial, pois ainda haviam projetos para construção de um shopping e um condomínio na área da várzea. Então foi anunciado, no dia 17 de junho de 2014, que o Parque Municipal Chácara do Jockey sairia do papel, sendo realizada também uma audiência pública para anunciar a comunidade sobre a decisão e discutir como seria construído o parque.

“A Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Deu origem a umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país”

O projeto do Jockey foi feito exatamente como pedido pela população? Ou houve mudanças?

A ideia, construída por atores da comunidade e também defendida pelo Haddad na época, era de que, além do parque, a Chácara do Jockey funcionaria como um polo cultural. Entre outros projetos, envolveria uma ação de participação com a SPcine, sendo um local de referência na produção audiovisual. Pelo tamanho da SPcine e pela atuação que eles teriam lá, o espaço seria um dos mais importantes polos de produção de cinema do Brasil. Tinha-se a ideia de que o local iria funcionar durante toda madrugada, servindo também para abrigar artistas de São Paulo e de outros lugares do país.

O local para abrigar o polo foi concluído, pois Já tinha sido garantido o dinheiro para realização disso. Mas a ideia não saiu do papel. Durante os anos de 2014 e 2015, os artistas se reuniram para discutir a ocupação dos espaços das baias pelos artistas da região, argumentando sobre a importância de se valorizar o movimento cultural do Butantã. Essa foi um dos combinados que não foram cumpridos e, com a nova gestão, ainda não sabemos se vai sair.

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Já a pista de skate é resultado de rodas de conversa com adolescentes e skatistas da região. A proposta inicial era construção da pista e três quadras. No processo de produção do pré-projeto, com auditoria realizada pela Federação Paulista de Skate, se viu a possibilidade de fazer um projeto maior para a pista.

Então a Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Isso deu origem em umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país. Tudo porque houve uma construção e um pensamento conjunto dos espaços do parque e, nesta parte, ouvindo os skatistas e a galera que tinha propostas para o bairro.

Por parte do Movimento, fomos na Prefeitura, fomos ouvir a comunidade e discutimos todo o uso das áreas do parque. Colocamos pressão e as reivindicações deram origem aos três núcleos hoje existentes no parque (Núcleo Contemplativo do Pirajussara, Núcleo Cultural das Baias e Núcleo Esportivo do Jockey).

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

Atualmente o parque está em processo de escolha do seu Conselho Gestor. Este processo, ano passado, passou por alguns problemas. Quais são eles? Como está a situação das eleições hoje?

O Conselho Gestor tinha que ser amplamente participativo. Chamamos reuniões com técnicos para dialogar sobre a lei e as regras do conselho. Fizemos diversas oficinas, estimulando propostas. Também fizemos várias articulações, tanto com a Prefeitura, quanto com as instituições e pessoas do bairro. Todos se convenceram que tinha que ser um processo de debate e conversa. Vimos que precisávamos nos organizar para isso também.

Fizemos reuniões com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, entendendo que, de saída, tínhamos de aumentar de três para oito o número de conselheiros da sociedade civil. Tivemos o conhecimento e a informação de que a lei permite ampliar a composição de conselheiros, exatamente pela complexidade particular de cada parque. No caso da Chácara do Jockey, temos na criação do parque três secretarias responsáveis pelo processo (Verde e do Meio Ambiente, Cultura e Esportes), além das instituições da sociedade civil. Fizemos um edital específico que foi aprovado e a composição do Conselho Gestor do Chácara do Jockey é um pouco diferente dos outros parques.

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Mesmo assim, tivemos problemas na primeira eleição, que seria em 2016. Um dos candidatos não morava no bairro, algo que era exigência do nosso edital. Como a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, de forma unilateral e sem consultar os representantes da sociedade civil, resolveu sozinha oficializar a homologar uma candidatura irregular, o Movimento resolveu se retirar do pleito.

Essa decisão aconteceu porque os órgãos competentes não quiseram anular a candidatura e rever a eleição. Então nós retiramos todos os nomes e instituições que estavam concorrendo. Foi uma decisão em conjunto do Movimento com outros representantes, buscando, novamente, garantir um processo amplamente participativo. Tivemos que reformular a eleição para este ano, conseguindo garantir todas os combinados da primeira, com exceção do candidato ser um morador do bairro. Mas foi mais uma vitória.

Serviço

O Movimento está hoje concentrado nas eleições do conselho, garantindo uma participação conjunta entre comunidade e poder público. A demanda é que sejam eleitos no mínimo 8 membros da sociedade civil para compor o corpo de conselheiros. Para os demais parques da cidade, a exigência é de 4 membros. A ideia é demonstrar que o caráter participativo foi elevado para contemplar as diversidade do Chácara do Jockey.

Nas palavras do próprio Movimento, “a constituição do conselho gestor é mais uma etapa a ser garantida e efetivada, na implantação de um parque público, inclusivo e para todas e todos”.

As eleições do parque acontecem nos dias 23 e 26 de março, na administração do logradouro.

 

Empresário denuncia racismo em abordagem da PM no RJ

O ator, designer de roupas e empresário carioca Luang Senegambia Dacach Gueye é vítima de detenção em abordagem truculenta da polícia militar e denuncia: “O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre (*atualizada às 21h48)

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia.

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia. Crédito da foto: Acervo.

Na última terça-feira (14) o ator e designer Luang Senegambia Dacach Gueye, proprietário da marca de roupas com inspiração na cultura africana Senegâmbia, veio a público utilizando o seu perfil pessoal em rede social para denunciar o episódio de racismo institucional ocorrido no dia 12 de novembro do ano passado, em que foi vítima de detenção arbitrária e abordagem truculenta da PM durante o evento Mimo Festival, no Rio de Janeiro.

“Fui acusado de desobediência”, diz Luang.

“No dia 12 de novembro de 2016, às 16 horas fui abordado por dois policiais em frente a Praça Paris [no bairro da Glória, Zona Sul do Rio], onde acontecia um festival de música. Questionei o motivo da abordagem e aleguei que estava apenas de passagem, não vendo motivo para ser revistado. Disseram que eu era suspeito. Perguntei: Suspeito de que?. Aleguei que a única explicação para eles me pararem é porque sou preto e eles racistas. Então fui imobilizado, cercado por uns 6 ou 8 policiais, algemado e levado para delegacia do Catete.” revela.

Segundo o empresário, foram momentos de tensão que incluíram ameaças veladas dos policiais: “Na viatura e na delegacia, diferentes PM´s em diferentes momentos repetiam com naturalidade uma afirmação bizarra: ‘Sorte tua que tu não tá na baixada…’ ”

Luang, que não recebeu cópia do boletim de ocorrência, ainda foi condenado a pagar multa de R$900,00 “Na delegacia não havia tinta de impressora, então não fiquei com nenhuma cópia do registro. Fui no JECRIM e, hoje, descobri que fui condenado a pagar 900,00 reais. ”

Está marcada para o mês de abril uma audiência de conciliação onde o empresário ficará frente-a-frente com os policias e o juiz para apuração dos fatos. Na avaliação de Luang, não há dúvidas de que foi um episódio de racismo:

“Para aqueles que tem dificuldade de entender o racismo, é isso. Para aqueles que o tema da apropriação cultural é uma abstração, disputa de argumento, e ou motivo de piadas, lhes digo que é apenas mais um das centenas de elos que, assim como a sexualização da mulher preta, a romantização da favela, parecem inofensivos, mas mantem a corrente do racismo apertada fortemente ao redor de milhões de brasileiros e brasileiras, antes, durante e depois do que uma pessoa branca “defender” o direito de usar um turbante.

O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

 

 

Denúncia: Professor é preso por tropas policiais dentro da Universidade Estadual de Goiás

Robson de Sousa Moraes, Professor e Coordenador de Extensão  da UEG, divulga carta aberta conta a invasão.

Por Esquerda Diário – DF

O professor estava na unidade da cidade de Goiás da UEG, que se encontrava ocupada. Sem mandado judicial, a PM invadiu a UEG (Universidade Estadual de Goiás), prendeu todos os ocupantes e desocupou à força a unidade.

Todos foram registrados na delegacia e em seguida liberados. Nessa semana, reportagem mostrou que a secretária de Educação de Goiás, professora Raquel Teixeira, mantém um grupo de WhatsApp com a PM para monitorar e vigiar manifestantes ligados às ocupações em Goiás”.

Temos a repressão contra estudantes e professores em escalada. Sinal que os movimentos de juventude e professores incomodam o golpismo.

A seguir declaração escrita, com data do dia 02/02, do professor Robson que coordena a Extensão da UEG:

“Como Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG, Campus Cora Coralina, quero manifestar meu repúdio a ação ilegal desencadeada pela Polícia Militar, nesta madrugada, que em um claro exercício de abuso de autoridade impediu de forma truculenta e intimidatória a livre manifestação e protesto de membros da comunidade acadêmica deste campus. A direção da UEG (Cora Coralina) reconhece e respeita a liberdade de expressão e de manifestação formalmente consolidados em nossa legislação . A ação proferida por forças policiais é um atentado contra o estado de direito e a já combalida democracia brasileira . Defender os alunos e professores contra essa absurda agressão é não se calar diante de um ato de flagrante desrespeito a norma constitucional vigente em nosso país.

Estamos vivenciado acontecimentos sombrios e tenebrosos que muito se assemelha a períodos recentes da história nacional, que em nome de uma suposta defesa da “ordem” instituiu-se atos de violência e barbárie, prisões ilegais, torturas e assassinatos. A UEG é um espaço de exercício da pluralidade de ideias, locus do saber e do conviver, escola de cidadania e da liberdade de expressão. Não abandonaremos e nem deixaremos sozinhos a expressão mais consciente de nossa juventude universitária, lutaremos em defesa da democracia e favor de nossa juventude contra os abusos e desvios autoritários, recorrermos as instâncias necessárias para cobrar responsabilidades e evitar que atentados como este ocorrido na cidade de Goiás não passe impunemente. Viva a liberdade! Viva a Democracia! Fascistas: Não passarão!

Robson de Sousa Moraes/ Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG (Campus Cora Coralina)”.

O Esquerda Diário se coloca a serviço de notas, artigos e denúncias que os companheiros de resistência aos ataques de Temer desejem divulgar nacionalmente. E chama os sindicatos de oposição ao governo a levantarem assembleias e órgãos de base para uma massificação das lutas contras os ataques do governo Temer.

 

Organizações de direitos humanos promovem atos contra PEC 241 hoje

As entidades de direitos humanos Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular organizam manifestações hoje em diversas capitais do país.

Por Cultura Livre

Uma série de manifestações são programadas para o dia de hoje (25) em diversas cidades do país em protesto pelos cortes na educação e saúde impostos pelo governo Temer (PMDB).

As mobilizações promovidas pelas frentes de luta fazem coro ao protesto liderado por estudantes em ocupações de escolas que já tomam o país, com instituições de ensino fundamental e médio, além de institutos federais e universidades ocupadas contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio.

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Protesto contra a PEC no dia 17 em SP. Crédito da foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A PEC 241, que já vem sendo chamada de PEC do Fim do Mundo por analistas políticos, tem previsão de votação do segundo turno nesta terça-feira na Câmara e os protestos tem o objetivo de pressionar o legislativo para que não aprovem a medida.

Segundo nota divulgada pelas frentes organizadoras dos protestos, a aprovação do projeto significaria um atraso para o desenvolvimento do país e o governo Temer concretizaria “o maior de seus ataques, até agora, aos direitos do povo brasileiro”.

“Os recursos que hoje já são insuficientes para garantir educação pública, gratuita e de qualidade ou a prestação dos serviços dignos de saúde para a maioria da população brasileira, por exemplo, ficarão estagnados, enquanto a população cresce e as necessidades só aumentam”, completa a nota.

Revista Vaidapé #6 será lançada neste domingo com festival no CEU Butantã

A 6ª edição da Revista Vaidapé  será lançada com um festival multiartístico no CEU Butantã. O evento que acontece neste domingo (23) contará com apresentações musicais, projeções, campeonato de skate e sarau aberto.

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Cultura Livre – SP

O coletivo de mídia Vaidapé, que foi criado para atuar na defesa dos direitos humanos, denunciando a violência institucional e valorizando as movimentações marginais chega ao seu quarto  ano de existência com fôlego. O lançamento da sexta edição da revista impressa Vaidapé, que também atua com disseminação de conteúdo livre em um site e redes sociais, será feito em um grande festival multiartístico, com distribuição de 5.000 exemplares gratuitos e diversas atrações culturais.

Dentre elas, o cantor pernambucano Di Melo, que vai se apresentar ao lado da Semiorquestra. No line-up musical, também estão Obinrin Trio, Lu Manzin, Dinho Nascimento, Inffesto e DJ Niely. O festival vai contar com projeções visuais feitas pelo Cäimbra Coletivo.

Um campeonato de skate com premiação para melhores manobras e a realização de um sarau com microfone aberto para o público vão agitar a tarde de domingo no Butantã. A festa também será enfeitada por um varal de lambe-lambes.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

A proposta do coletivo é que a revista esteja presente nos espaços públicos da cidade, circule nas ruas, praças, ocupações, encontros, centros culturais, debates, universidades e movimentos sociais.

Depois do lançamento no CEU Butantã, a edição será distribuída em um segundo evento no Calçadão Cultural do Grajaú, zona sul de São Paulo. Em breve, serão anunciados os pontos fixos de distribuição, que devem abarcar todos as zonas da cidade de São Paulo.

Serviço:

Data: domingo, 23 de outubro de 2016

Local:Pista de skate do CEU Butantã – São Paulo (SP)

Comissão Guarani Yvyrupa lança Manifesto em favor do povo Guarani

Tribos sofrem com a diminuição do repasse de verbas da Funai e desrespeito por parte de ruralistas à demarcação de terras indígenas.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

Por Cultura Livre – SP

A 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa, que ocorreu em setembro desse ano, divulgou um manifesto com as pautas reivindicatórias do povo Guarani em nome da Terra Indígena Tenonde Porã.

No manifesto, o povo Guarani denuncia o sucateamento da Fundação Nacional do Índio – Funai, que teve orçamento drasticamente reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de terras e a efetivação da garantia dos direitos dos povos indígenas.

Leia integralmente o texto do manifesto:

“Nós, de todo o povo Guarani das regiões Sul e Sudeste do Brasil, nos reunimos na 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa para nos fortalecer na resistência contra os constantes ataques aos nossos direitos. Foram vários dias em que todos nós, anciãos, jovens e lideranças estivemos unidos para discutir os principais desafios que hoje temos de enfrentar; em que nos reunimos na opy, nossa casa de reza, para que Nhanderu nos dê força e coragem para seguir na nossa luta.

Continuamos firmes, com a inspiração de nossos ancestrais e com nosso nhandereko, nosso modo de viver, lutando para preservar tudo aquilo que Nhanderu deixou para nós, para vivermos com dignidade em nosso território tradicional, yvyrupa. Desde que nossas terras foram invadidas pelo jurua, os não-indígenas, nossa vida esteve sempre ameaçada. Passamos a viver cercados por conflitos, buscando dentro de nosso território aqueles tekoas, aquelas aldeias mais afastadas, onde pudéssemos viver em paz. Mas hoje depois de tanta destruição causada pelos jurua kuery, temos que nos organizar para lutar com todas as nossas forças e garantir as poucas terras que nos restam.

Nossa luta nunca foi fácil, mas hoje a situação é ainda mais preocupante. Os jurua poderosos e seus governos que estiveram sempre contra nossos direitos, estão se fortalecendo cada vez mais, aumentando os ataques contra nossos tekoas em nome de sua ganância, que  vê na terra apenas o dinheiro. Os jurua são tão gananciosos que agem contra seus próprios parentes, criando leis que nem eles mesmos cumprem, fazendo tudo para conseguirem o que querem. E os próprios jurua poderosos que criam as leis, os deputados e senadores, foram agora contra a sua principal lei, a constituição federal, para que um de seus representantes tomasse o poder.

Nos últimos anos já estávamos passando por uma situação que ficava cada vez mais difícil: a demarcação de nossas terras não progredia, o Governo e os empresários foram realizando cada vez mais grandes obras que impactavam nossas terras, dizendo que agiam em nome do desenvolvimento. Mas que desenvolvimento é esse que só beneficia os poderosos?  Que cria um mundo em que não tem espaço para os povos indígenas e para a preservação do meio ambiente? E agora com o novo Governo, escolhido diretamente pelos ruralistas e grandes empresários que dominam o Congresso Nacional, nossos direitos estão ainda mais ameaçados.

O novo Ministro da Justiça, escolhido pelo presidente golpista Temer, ficou conhecido no estado de São Paulo, onde foi secretário de segurança pública, por usar a polícia de forma brutal contra as manifestações que buscavam garantir os direitos dos mais pobres. Assim como os deputados ruralistas, distorcia todas as leis para permitir uma grande repressão contra o povo e a criminalização dos que se colocavam contra o Governo e os empresários que ele defendia. Assim que foi indicado como Ministro da Justiça ele declarou que era contra qualquer retomada dos territórios tradicionais e que não teria qualquer problema em usar da força policial contra os nossos parentes. E é esse Ministro tão violento que hoje é chefe da Funai.

Nos últimos anos, o orçamento da Funai tem sido cada vez mais reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de nossas terras e a efetivação da garantia de nossos direitos. Agora o corte foi tão grande que o orçamento aprovado da Funai é o menor dos últimos dez anos. Para nós esses cortes representam uma estratégia clara para imobilizar qualquer avanço na política indigenista, sangrando a Funai aos poucos para que todos os processos de reconhecimento de nossos territórios sigam paralisados. E essa situação pode ficar ainda pior caso o governo Temer aprove a PEC 241, que planeja congelar o orçamento da União pelos próximos 20 anos. Exigiremos sempre o fortalecimento da Funai para garantia dos nossos direitos fundamentais.

Não bastasse o corte orçamentário, os ruralistas do Congresso continuam a destruir nossos direitos através da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai/Incra, que foi aberta novamente mesmo tendo seu prazo expirado. Por meio da CPI nossas lideranças e apoiadores do movimento indígena são investigados como se fossem criminosos, enquanto nenhuma justiça é feita sobre o sangue derramado de nossos parentes pelos fazendeiros e pelo Estado. Na prática a estratégia do novo governo é que o genocídio continue: enquanto o único órgão indigenista do estado agoniza e nossas lideranças são perseguidas, os ruralistas e empresários seguem avançando contra a vida dos povos indígenas.

Nossa assembleia marca a resistência do povo Guarani nesse momento de tantas dificuldades e tantos ataques aos direitos dos povos indígenas, das diversas comunidades tradicionais, remanescentes de quilombos, das mulheres e de todos os trabalhadores. Mas nossa luta não começou hoje e nunca vai parar. Quando Nhanderu criou o mundo ele deu o papel para o jurua, enquanto deu pra nós o petygua, o cachimbo. Por causa da ganância o jurua não soube usar o papel, e com ele tem tentado acabar com as nossas terras, destruir nossas matas e acabar com nosso povo. Mas nós temos o petygua: nossa reza, nossa união e nosso nhandereko, nosso modo de vida. E com ele continuaremos resistindo nas nossas terras tradicionais, nas nossas retomadas, plantando o alimento verdadeiro, cuidando das matas e da água fresca que Nhanderu deixou para nós.

Aguyjevete pra quem luta!”

Ong argentina cria campanha contra o câncer à prova de censura em redes sociais

Por Cultura Livre

Como algumas redes sociais como Facebook e Instagram censuram imagens de seios femininos, a ONG argentina David de Buenos Aires encontrou uma forma criativa de mostrar como fazer um autoexame para combater o câncer de mama e criou a campanha #tetasxtetas para o Movimiento Ayuda Cancro de Mama (MACMA), lançada este mês para a campanha Outubro Rosa.

Em vídeos e imagens que compõem as peças da campanha ‘Tetas x tetas’ são mostrados os “peitos” de um homem e as mãos de uma mulher, que se posiciona atrás dele, fazendo o exame.  A iniciativa lançada nas redes sociais busca aumentar a consciência sobre o câncer de mama e também destaca de forma clara a sem censura sofida por mulheres na rede, abordando a questão do machismo e da auto-apropriação do corpo feminino.

Os seios femininos geralmente são censurados. Mesmo quando aparecem para ensinar como realizar um autoexame para a detecção precoce do câncer de mama. É aí que ‘tetasxtetas’ entra. Uma campanha relacionada com a saúde, que exige que os homens participem, para conseguirmos sucesso“, declaram Joaquin CubriaIgnacio Ferioli, ECDs da David Buenos Aires.

 

HQ Kondaro narra luta dos índios guaranis

O livro lançado em São Paulo no último dia 11 deste mês narra o processo de resistência indígena dentro da cidade de São Paulo, com roteiro e arte de Vitor Flynn Paciornik e publicação da editora Elefante.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

Por Cultura Livre – SP

O livro em formato HQ, com desenhos do artista Vitor Flynn Paciornik foi produzido pela Fundação Rosa Luxemburgo com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa, organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil, e narra a história recente de resistência indígena em São Paulo a partir do protesto de um jovem guarani durante a abertura da Copa do Mundo no Itaquerão, em 2014.

O lançamento ocorrido no último dia (11) no Espacio 945, na região Bela Vista em São Paulo, contou com um debate sobre resistência indígena e violência no campo com lideranças guaranis, com a presença de especialistas da Info Amazônia, Armazém Memória, De Olho nos Ruralistas e da Fundação Rosa Luxemburgo.

Ao longo de 60 páginas, as ilustrações retratam cenas da onda de manifestações dos Guarani Mbya, iniciada em 2013, pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo, como o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes e a ocupação do Monumento às Bandeiras.

Atualmente, os Guarani lutam pela demarcação de suas terras na zona norte e na zona sul da cidade de São Paulo. Mais de dois mil indígenas vivem na região de Parelheiros e Jaraguá.

Ficha técnica

Autor: Vitor Flynn Paciornik
Projeto Gráfico: Bianca Oliveira
Consultoria: Lucas Keese dos Santos
Apresentação: Daniel Santini
Editora: Fundação Rosa Luxemburgo & Editora Elefante
Apoio: Comissão Guarani Yvyrupa
Páginas: 60
Publicação: Setembro 2016
ISBN: 978-85-68302-08-8
Dimensões: 18,2 x 25,5 cm

Site da Editora: http://www.editoraelefante.com.br/produto/xondaro/#prettyPhoto[product-gallery]/6/

Exposição ‘A Lama: De Mariana ao Mar’ mostra de perto tragédia ambiental

Imagens revelam a dimensão da tragédia e dos danos causados ao meio ambiente na exposição em cartaz no Paço Imperial, no Rio.

Exposição "A Lama – de Mariana ao mar" fica em cartaz no Paço Imperial.

Exposição “A Lama – de Mariana ao mar” fica em cartaz no Paço Imperial.

Por Cultura Livre – RJ

O Paço Imperial, na Praça XV, região central do Rio, recebe até o dia 20 de novembro a mostra “A Lama: De Mariana ao Mar” que retrata através de fotos panorâmicas a tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do país ocorrido em 5 de novembro de 2015, que arrasou o povoado de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais e trouxe impactos ambientais devastadores para o país.

O projeto da exposição teve origem em uma reportagem sobre o desastre publicada na revista Piauí, em julho de 2016. O registro fotográfico da extensão da destruição e do percurso feito pela lama é do fotógrafo Cristiano Mascaro, acompanhado de imagens aéreas produzidas por seu filho, Pedro Mascaro, por meio de um drone.

A exposição é resultado de uma parceria entre a revista Piauí, o Instituto Moreira Salles – IMS e o Paço Imperial com a curadoria de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.

Durante a exposição ocorrerão uma serie de encontros e debates sobre a tragédia. Confira a programação:

Terça, 18/10 A repórter Mariana Queiroz, da GloboNews, conversa com a jornalista da piauí, Consuelo Dieguez.

Mariana Queiroz foi para MG horas depois do rompimento da barragem e passou dias abastecendo ao vivo a programação do canal de notícias com informações sobre a tragédia. Já Consuelo, que tem no currículo o prêmio Esso pela reportagem Guerrilha do Araguaia, publicada noOGlobo em 96, foi a Bento Rodrigues, MG, para a reportagem  A Onda publicada na piauí de julho. Consuelo ouviu sete sobreviventes da lama na primeira metade da sua matéria e na segunda narrou onde estavam e o que faziam as autoridades responsáveis. Mariana Queiroz vai usar dessa experiência in loco, no calor dos acontecimentos, pra entrevistar Consuelo.

Sexta, 21/10 –  Conversa com Cristiano Mascaro. Cristiano Mascaro foi convidado pela piauí para percorrer todo o leito do rio Doce do local do rompimento da barragem até o mar, já no Espírito Santo. E pra empreitada, levou o filho Pedro Mascaro, que é engenheiro e está se rendendo a profissão do pai, mas em outra modalidade: a fotografia aérea. Pai e filho então fizeram os registros em terra e em tomadas aéreas que compuseram o portfólio publicado na mesma edição da reportagem de Consuelo.

Terça, 1/11 –  Consuelo Dieguez entrevista o promotor de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Entre os temas da conversa: a atualização sobre as investigações e a punição do responsáveis e ponta do iceberg que o rompimento da barragem revelou ser o problema da exploração do minério no Brasil. Para a plateia, foram convidados estudantes dos cursos de direito e de Engenhara ambiental das principais universidades do Rio.

Terça,  08/11 Pedro Mascaro, filho de Cristiano Mascaro e autor dos vídeos captados com drone e exibidos na exposição, fala sobre captação de imagens aéreas. Vamos levar para o Paço uma turma de um instituto de fotografia pra aprender sobre equipamentos e técnicas dessa modalidade de captação de imagens.

Serviço:

“A lama: de Mariana ao Mar”

Data: Até 20/11/2016. Terças,  Quartas,  Quintas,  Sextas,  Sábados e Domingos das 12:00 às 19:00

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, S/N, Centro, Rio de Janeiro – RJ

Entrada Franca

Poesia na periferia

Até o próximo domingo, 23 de outubro, acontece a 9ª Mostra Cultural da Cooperifa em São Paulo.

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Por Cultura Livre – SP

O poeta da periferia Sérgio Vaz realiza pelo nono ano a Mostra Cultural da Cooperifa. Dentre as múltiplas atividades promovidas no evento que acontece na Zona Sul, região periférica da cidade de São Paulo, estão shows de Fabiana Cozza, Criolo, conversas sobre empreendedorismo, literatura negra feminina, dança, futebol, cinema, teatro, ativismo e resistência, rap, samba e soul.

“Essa mostra prova que valeu a pena sonhar, a Cooperifa é resistência.”, diz o produtor.

Confira na página oficial do #Cooperifa no Facebook toda a programação, que é gratuita:

https://www.facebook.com/Cooperifaoficial/#

Marcelo Rubens Paiva recusa prêmio do Minc: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”

Marcelo Rubens Paiva, que foi indicado ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura à pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira, recusa prêmio e dispara: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Por Cultura Livre 

O escritor Marcelo Rubens Paiva publicou no último dia 11 uma foto no seu perfil do Facebook revelando a sua recusa ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura, a pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira:

“Era uma comenda de Ordem ao Mérito do MinC. Deste governo golpista. Como democrata, recusei. Até estranhei a oferenda.”, escreveu Rubens Paiva.

O escritor agradeceu, mas recusou a indicação e disse que  ‘só aceitaria se o prêmio fosse dado por um governo eleito’.

“Caros, obrigado pela lembrança, mas vou declinar. Sou um democrata, e não aceito a forma como o novo governo foi conduzido ao Poder. Aceitaria se fosse de um governo eleito pelo voto direto”, escreveu.

Rubens Paiva lança este mês a biografia da banda punk Inocentes, feita em parceria com Clemente, intitulada Meninos em Fúria.

Veja a troca de e-mails entre Milton da Luz Filho e o escritor Marcelo Rubens Paiva:

rubens paiva

 

 

Mais de sete mil pessoas no centro do Rio contra a PEC 241

Nessa segunda-feira (17), no Centro do Rio, milhares de pessoas que acreditam que a PEC 241 dilacera direitos fundamentais dos brasileiros em todas as áreas, inclusive saúde e educação reuniram-se para reivindicar seu futuro.

NINJA – RJ

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Nessa segunda-feira o povo foi ocupar as ruas para mostrar que rejeita a proposta de Emenda à Constituição 241 que tramita no Congresso Federal. Os jovens, outra vez, eram a maioria. Também estiveram muitos servidores públicos, especialmente da saúde e educação. A mobilização se somou à uma enxurrada de críticas e apelos que passam dos professores aos médicos da rede pública, de estudantes primários a pós-graduados, de técnicos de órgãos do próprio governo aos de setores sindicais, todos que já se pronunciaram publicamente para subsidiar a defesa contra a PEC.

A concentração do ato se deu a partir das 17h, no largo da Cinelândia, nas escadarias da Câmara de Vereadores. O governo de Michel Temer era repudiado por todos. Em celebração de boas-vindas, grupos que chegavam eram saudados pelos os que já estavam. Juntos gritavam com raiva na praça.

Crédito da Foto: Mídia NINJA

Crédito da Foto: Mídia NINJA

“A nossa luta é todo o dia, Saúde não é mercadoria.Por essa crise não pago, não. Quero dinheiro para saúde e educação”.

Palavras de ordem entoadas em meio à manifestação.

 

Talvez o mais numeroso dos grupos fosse o dos estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro, o IFRJ, que levaram cartazes “A grande mídia não vai nos calar”, “PEC 241: Brasil, um país de poucos”, entre dezenas de outros. Quatro institutos federais do Estado do Rio já estão ocupados. Outros podem ser ocupados a qualquer momento. Segundo a União Brasileira de Estudantes Secundaristas, já são 500 instituições de ensino ocupadas em todo o país – a maioria no Paraná.

Bloco de estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Foto Mídia NINJA

Bloco de estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Um coro com centena de jovens do IFRJ dominou a praça “Ocupa Tudo, Ocupa Tudo”. Um desses jovens era Daniel, 17 anos, aluno do último ano, que não sabe ainda qual curso superior vai querer fazer, mas já sabe que quer ser professor.

“Feliz de estar neste ato, estamos fazendo história. Sou contra a PEC sim. Eu quero ver o meu filho e o meu neto estudando na Instituição que eu estudei, tendo um pensamento crítico. A PEC é bem clara: o pobre vai ficar mais pobre e o rico mais rico. A PEC é para beneficiar eles. Não parece que eles estão pensando em ninguém, em nenhum momento. Eles não estariam pensando em sucatear a educação. Querem sucatear. Um exemplo é que há poucos dias eles fizeram questão de não colocar os índices do instituto no ranking do ensino médio. É para rebaixar o Instituto, sucatear o Instituto, para depois privatizá-lo”.

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Tatiana Roque, da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio, maior universidade do país, também se mostrava assustada com o futuro, embora mantenha a esperança de barrar a emenda.

“A gente tá preocupadíssimo com essa PEC, vai significar uma redução drástica no financiamento e verbas para saúde e educação, em especial, para as universidades. A PEC, ao congelar os valores atrelados à inflação, vai reduzir muito o investimento per capita. Vai ser algo muito sério, vai piorar muito. Mas eu ainda acho que dá para virar, a gente tá confiante que dá para barrar essa PEC”.

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

O texto da PEC 241 foi elaborado pelo próprio Governo Federal ainda em junho, durante o período interino de Michel Temer. O governo apressou o trâmite na Câmara. Para garantir fidelidade, proporcionou um banquete no Palácio do Planalto. Foi atendido, na segunda-feira passada, por 366 deputados, os mesmo que votaram pelo impeachment. O PMDB foi unânime. PSDB, DEM, PRB, PR, PP, entre muitos outros da base golpista, também assinaram essa bomba. Deputados do PSOL, PT, PC do B, REDE alguns deputados do PDT e muito poucos de outros partidos foram conta. A PEC será votada em segundo turno no plenário da Câmara na próxima segunda-feira, 24 de outubro.

A redação da Proposta traz: “será fixado, para cada exercício (ano), limite individualizado para a despesa primária total dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, inclusive o Tribunal de Contas da União, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”. Em outro trecho, completa que os limites cumprirão “o valor do limite referente ao exercício imediatamente anterior, corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo”, o mais importante índice inflacionário do Brasil. O crescimento do orçamento público, quase que completo, fica atrelado apenas a um crescimento inflacionário, mesmo que as previsões garantam que a população irá crescer e, ao mesmo tempo, envelhecer nos próximos 20 anos, exigindo também crescimento expressivos nos investimentos em educação e saúde, que já não estão em patamar adequado.

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Em texto pedindo apoio ao Congresso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira clamam “um Novo Regime fiscal no âmbito da União, para controlar o desequilíbrio fiscal do país”.

Quem estava na praça discorda que essa seja a solução para o Brasil. Quase às 19h, já eram centenas de grupos reunidos na Cinelândia quando todos decidiram partir pela avenida Rio Branco em direção à avenida Chile. Policiais militares do Choque enfileiraram-se à frente do Teatro Municipal. A multidão, sempre entoando gritos contra a PEC e contra o Governo Temer, virou à esquerda. Um estudante distribuía um folheto com críticas à PEC para os policiais. Alguns recebiam, outros encaravam com raiva um menino de 17 anos: “Vários aceitaram. Levei uns 25 panfleitos, só sobraram dois. Fiz minha parte para eles virem para o nosso lado. O movimento tem que ser coletivo”.

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Repressão e truculência

Já perto das 20h, quando a multidão passava pela avenida Chile, na altura do prédio da Petrobrás, os ataques da polícia começaram. Primeiro, em confronto com os grupos anarquistas. No primeiro dia do novo secretário de segurança do Estado do Rio, Roberto Sá, a PM carioca, de salários atrasados, demonstrou que mantém a velha covardia. Atacou com bombas de gás, que fizeram estudantes chorarem assustados. Em debandada, policiais machucavam mesmo pessoas paradas, como um jovem negro, que levou cacetadas e chutes de um policial gratuitamente. Indignado, ele ainda questionou o policial “você vai bater num negão como você?”. Comunicadores populares foram agredidos. Os grandes canais da televisão não foram visto na cobertura do ato.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A caçada irresponsável da PM invadia pequenas ruas do Rio, arrastando mesas e violentando mesmo quem estava parado ou filmando. Um jovem mudo, conhecido em protestos, foi preso, assim como, pelo menos, outras 4 pessoas, uma delas indígena. A multidão assustada retornou à Cinelândia. Um grupo resistia, e agora pichava a fachada da Câmara de Vereadores. Foi o momento em que chegou reforço do Choque, cerca de 50 policiais. A brutalidade da PM varreu desta vez a Cinelândia, já perto das 21h, e atingiu em cheio um dos mais conhecidos bares da cidade, o Amarelinho, onde outra mulher foi presa. Mesas e cadeiras foram arremessadas.

A população, mesmo quem não esteve no protesto, desafiava os policiais, lembrando que, como servidores públicos, também sofrem com o atraso do salário e sofrerão com os cortes da PEC, que atingem em cheio a pasta da Segurança. Cinco pessoas foram atendidas com cortes segundo um grupo da Cruz Vermelha revelou. Nenhuma delas em estado grave.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A PEC 241 foi rejeitada nas ruas nesta noite e a polícia mostrou que irá reprimir as manifestações contra a proposta.

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

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