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Category: Cultura

JazzB faz show para bebês inspirado no poeta Manoel de Barros

O grupo Fê Lelot Música para Crianças vai apresentar músicas do álbum “Revoada”.

Por Cultura Livre | SP

No próximo sábado (12) a partir do meio-dia, o projeto “JazzBB” de música para bebês, da casa de shows JazzB, situada no centro de São Paulo, vai receber um show especial com músicas inspiradas em poemas de Manoel de Barros, com direito a um brunch cheio de guloseimas feitas especialmente para crianças e pais que participarem do evento. Para os pequenos de até sete anos, tanto o show quanto o buffet são gratuitos.

JazzBB faz brunch musical para pais e filhos.

JazzBB faz brunch musical para pais e filhos.

O grupo Fê Lelot Música para Crianças, com a contribuição da cantora Tatiana Parra, vai apresentar músicas do álbum “Revoada”, que tem como tema principal os tipos diferentes de passarinhos e as particularidades poéticas que cada um pode ter.  Com inspiração no universo do poeta matogrossense Manoel de Barros, todas as faixas trazem diferentes instrumentos de sopro, de corda e de percussão para despertar a imaginação dos pequenos.

Fê Lelôt.

Fê Lelot.

A sonoplastia passeia por múltiplas e distintas possibilidades sonoras: é possível perceber sons de folhas, de árvores, do vento mas também de buzinas e de motores. O objetivo é fazer com que cada criança invente a sua própria maneira de ser pássaro, ou seja, de voar a partir das asas da criação, do sonho e da fantasia.

É um brunch musical para famílias com bebês e crianças pequenas ao som de um jazz de primeira. Na casa, toda a infraestrutura para receber os pequenos ouvintes: show com volume reduzido, banheiro com trocador, tapetes no chão e muito mais.

A abertura da casa será às 12h, com dois horários de show, das 14h30 às 13h15, e das 14h30 às 15h15. O ingresso custa R$ 12,50 para crianças de 11 a 15 anos, R$ 25 para os demais. Crianças de até dez anos têm entrada gratuita. O buffet é servido das 12h às 16h, e custa R$45 para adultos a partir de 16 anos; crianças de sete a 15 anos pagam R$ 20.

Historiador faz pesquisa com documentação inédita sobre escravidão no século XIX

O estudo traz nova perspectiva histórica sobre tráfico de escravos africanos no período do século XIX, na região do norte fluminense.

Por Cultura Livre | RJ

Baseado na análise de arquivos originais de batismo da primeira metade do século 19, o jornalista e historiador niteroiense Fábio Francisco deu início à uma pesquisa inédita sobre a atividade escravagista na região de Macaé, um dos principais portos da rota do tráfico de escravos africanos no pais.

O estudo faz parte da dissertação de mestrado do historiador, que recebe suporte acadêmico e documental disponibilizado pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Segundo Fábio Francisco, o projeto demonstra à importância dos registros de batismo como fonte serial fundamental para contextualizar cenários e traçar perfil social:

“Acredito que essa é uma pesquisa muito importante para ampliar o nosso conhecimento sobre um período extremamente rico da nossa história. Mas não só isso, pesquisar através de fontes documentais primárias nos permite mergulhar de cabeça naquela sociedade e descobrir particularidades que só os registros de batismos poderiam oferecer.” , diz Fabio.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

A jornalista e estudante de história, Sheila Fonseca, participa da pesquisa prestando suporte na área de leitura paleográfica e acredita que essa documentação é fundamental para a reconstrução da memória do período: “É um trabalho minucioso e muito revelador do que era a conformação social da época”, revela Sheila.

Com previsão de finalização e defesa do mestrado no fim do primeiro semestre de 2018, após a conclusão será lançado um livro com previsão para o mesmo ano:

“Esses documentos são um registro fiel e nos dão inúmeras possibilidades de interpretação. Pretendo trazer os resultados dessas pesquisa para uma linguagem menos acadêmica e democratizá-la ao grande público. Afinal, sem entender o nosso passado fica difícil contextualizar a realidade atual.”, acrescenta o historiador. 

Caixa Cultural faz retrospectiva da poeta Ana Cristina César

A mostra “À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar” reúne acervo textual, fotográfico e visual da artista que é considerada um dos maiores expoentes da geração marginal.

Por Cultura Livre | RJ

A partir do dia 21 de março a CAIXA Cultural Rio de Janeiro faz uma imersão no universo poético da escritora carioca Ana Cristina César. A mostra À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar revela ao público um mosaico de seus trabalhos em diferentes suportes, como textos, videoarte e fotografias fazendo um passeio pela trajetória da autora cuja intensa produtividade resultou em uma carreira meteórica.

Com curadoria de Ana Hortides, a exposição é a primeira no Brasil totalmente dedicada à vida e à obra de Ana Cristina, que completaria 65 anos em 2017. Dividida em quatro diferentes núcleos – textual; fotográfico e videográfico; sonoro e infantil – a montagem do espaço se destaca pelas criativas saídas cenográficas utilizadas para expor de modo alternativo a seleção de poemas escolhidos.

Com o objetivo de incentivar a leitura, Hortides fez questão de separar um espaço dedicado ao público infantil, com atividades dirigidas realizadas por educadores:

“A exposição À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar faz um duplo convite ao público da cidade do Rio de Janeiro: por um lado, entrar em contato com a obra, a biografia e a fortuna crítica a respeito desta que tem se consolidado como uma das maiores poetas brasileiras do século XX; por outro, mergulhar no prazer de seu texto, e ficar, como diz Ana no verso que dá título à mostra, à mercê do impossível” declara Thiago Grisolia, um dos curadores. “Para tanto, contaremos com peças de seu acervo de fotografias e documentos, as primeiras edições de seus livros, um filme sobre sua poética e ainda realizaremos um seminário com importantes estudiosos de sua obra. Mas, sobretudo, contaremos com seus poemas, que, sendo a parte mais essencial de seu legado, ganharão corpo na galeria da Caixa Cultural Rio de Janeiro”, enumera.

Ana Cristina Cesar. Credito da Foto: Clara Alvim/Acervo Ana Cristina Cesar/Instituto Moreira Salles.

Ana Cristina Cesar. Credito da Foto: Clara Alvim/Acervo Ana Cristina Cesar/Instituto Moreira Salles.

Ana Cristina Cesar é considerada um dos maiores nomes da Poesia Marginal, da chamada “geração mimeógrafo” na década de 1970.  Apesar da interrupção precoce de sua carreira, após cometer suicídio com apenas 31 anos, em 1983, a artista deixou um vasto acervo com uma extensa produção de escritos, diários, correspondência, esboços e desenhos. Após sua morte, outros textos seus foram lançados em diversas edições, como Poética (2013). Além de poeta, foi professora, tradutora, ensaísta e pesquisadora, tendo sempre a literatura como principal objeto de trabalho.

Serviço:

Mostra À Mercê do impossível – Ana Cristina Cesar

Quando: de 21 de março à 7 de maio de 2117. 

Onde: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 4

Quanto: Entrada Franca

Street Art Festival reúne skate, dança, música e graffiti em Novo Hamburgo-RS

O evento multi-arte “Stret Art Festival” acontece na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, com entrada franca.

Por Cultura Livre | RS

No próximo sábado (18), um mix de arte e cultura urbana invade a cidade gaúcha de Novo Hamburgo, com a segunda edição do Street Art Festival.

O evento, em prol da valorização da cultura de rua, reúne live paint, Museu do Skate, mini ramp, apresentações teatrais, mostra de vídeos, exposições de arte, fotografia, música, dentre outras atrações a céu aberto e tudo com entrada franca.

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O evento conta com mini ramp para quem quiser arriscar manobras no skate.

Segundo os organizadores, um dos destaques desta edição é o Museu do Skate montado especialmente para o evento. A exposição traz recortes de jornais, peças antigas, vídeos, cartazes, zines e outros registros que marcam a história do skate em Porto Alegre. Para quem quiser mandar uma manobra na mini ramp, o festival conta com sessions para skatistas profissionais e abertos ao público.

Dentre as atrações estão programadas atividades com graffiti e customizações, além de uma instalação criada por artistas urbanos de comunidades carentes da região.

A moda também tem espaço no festival com a presença de expositores, estúdios de tatuagem, barbearias e até brechós. O teatro circense fica por conta do espetáculo “SEgundatentATIVA”, que apresenta malabarismo com claves, bolas gigantes e pirofagia, no esquema de improvisação.

Um dos maiores bateristas do país, Demétrius Locks fará um Drum Solo durante a festa. Demétrius tem seu trabalho reconhecido em todo Brasil, Europa e Estados Unidos, onde se destaca pela técnica do ritmo Maracatu aplicado ao kit de bateria.

 Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Demétrius Locks estará fazendo um Drum Solo durante a festa oficial do Street Art Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Haverá ainda um polo gastronômico instalado com diversos foodtrucks e opções de gastronomia de rua.

Serviço:

Quando: 18 de Março
Horário: das 11 as 23 horas – Área Externa e das 23 as 04 horas – Área Interna
Onde: Sociedade Ginástica Novo Hamburgo
Endereço: Rua Castro Alves, 166 – Bairro Rio Branco – Novo Hamburgo
Preço: Entrada franca

Qual a história do Parque Chácara do Jockey e porque ele não virou shopping ou condomínio

A área foi inaugurada em 2006 e passou por um processo de pressão comunitária para que o projeto saísse do papel. Quem conta é um dos personagens desse movimento, o Chicão.

Por Gil Reis para Vaidapé – Cultura Livre | SP

A conquista do Parque Chácara do Jockey, inaugurado em 2016 no Butantã é histórica. Após anos de luta comunitária para sua existência, a área, finalmente, saiu do papel.

O jogo de interesses pelo local é grande e acrescenta mais elementos na conturbada história de retomada do parque pelos moradores. O Chácara do Jockey, que soma uma extensão de 143 mil metros quadrados, está localizado nos limites da capital, quase na divisa com o município de Taboão da Serra. Uma região que sofre historicamente com enchentes, mas que, por outro lado, se valorizou nos últimos anos e entrou no radar de investidores e da especulação imobiliária.

Antes da construção de dois piscinões para conter o fluxo de água dos rios que cortam a região, o primeiro construído em 2004 e o segundo em 2010, as cheias do córrego Pirajussara causavam diversas inundações. Naquele local, porém, havia um alento: a Várzea do Jockey, essencial para o escoamento das águas das enchentes paulistanas.

“Existe um morador chamado Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a Defesa Civil e a Prefeitura em um local onde o poder público não atuava”

– Francisco Bodião, integrante do Movimento Parque Chácara do Jóquei
Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Crédito da Foto: Prefeitura de São Paulo.

Localizada exatamente onde está alocado hoje o Parque Chácara do Jockey, a várzea sempre foi preservada pela comunidade, sobretudo pela sua importância ambiental em meio a um território estritamente urbano. O entendimento sobre a relevância da área foi essencial para as articulações da comunidade pela preservação do local.

Essa união entre moradores deu origem ao Movimento Parque Chácara do Jóquei, articulação de grande importância que fez frente as pressões de especuladores e garantiu que o parque fosse criado pela Prefeitura.

A articulação surgiu de forma natural, envolvida por uma necessidade dos moradores da região de que a área fosse transformada. Chegou-se a pensar na construção de moradias populares mas, depois de discussões entre moradores afetados pelas enchentes, o movimento e o poder público, houve o consenso de que parque deveria prevalecer sob a questão da moradia, justamente por conta da importância ambiental que a Chácara tem para o bairro.

A várzea do Jockey chegou a receber oficialmente projetos para o fatiamento de sua área. Durante a gestão de José Serra (2005-2006), houve uma maior empatia dos governantes de compensar a dívida de IPTU do local em troca de sua entrega para as construtoras e incorporadoras imobiliárias. O Movimento, no entanto, colocou em pauta as exigências da comunidade em torno da Chácara do Jockey, exigindo a preservação da várzea natural e, posteriormente, a criação de um parque municipal.

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

O terreno pertence originalmente ao Jockey Club de São Paulo. Com sua falência, o local passou para a Prefeitura como forma de sanar dividas (Foto: Reprodução)

Para contar a história de conquista do terreno, a Vaidapé produziu uma série de entrevistas com figuras fundamentais para que o Chácara do Jockey pudesse, de fato, existir hoje. Mais do que a narração dos acontecimentos, a ideia é revelar as histórias por trás das lutas sociais que acontecem no Butantã e suas importâncias para o cotidiano do bairro.

Francisco Bodião, mais conhecido como Chicão, é membro e um dos articuladores do Movimento Parque Chácara do Jóquei desde o início das assembleias e reuniões. Ele participou de vários momentos históricos na evolução do grupo e relembra como a união dos moradores do bairro foi essencial para que o parque fosse aberto e contasse com as estruturas e a organização de hoje. Além de sua história dentro do Movimento, Chicão falou das dificuldades enfrentadas para que o parque se tornasse realidade.

Leia a entrevista completa:

Francisco Bodião.

Francisco Bodião.

Como nasceu a ideia do Parque Chácara do Jockey?

A área onde hoje é o parque é uma área de várzea que sempre foi essencial para conter as enchentes. Desde os anos 1990, existe um morador, chamado Djalma Kutxfara, ou Djalma das enchentes, que tocava uma sirene na hora que a água começava a subir. Ele era a “Defesa Civil” e a “Prefeitura” em um local onde o poder público não atuava. Isso já da uma idéia da importância e da união que existia na comunidade em torno de um problema recorrente que havia ali. A turma que combatia as enchentes inspirou a luta para que o local se transformasse em parque público.

A ideia do parque se deu há 20 anos. A galera do bairro idealizava, mas ainda não tinha uma organização concreta. Nos anos 2000, no governo Marta, houve a possibilidade de construir moradias populares no espaço, que compensaria a dívida do Jockey [a área pertencia ao Jockey Club, possuía uma dívida de IPTU estimada em 60 milhões de reais naquela época]. Prevaleceu a preservação da área, afim de constituir um parque público, sugerindo a destinação das moradias populares para outro espaço. A discussão da comunidade em torno do tema da início à uma organização que foi o embrião do Movimento Parque Chácara do Jóquei. Nesse momento, houve a discussão sobre moradia popular, que foi a primeira opção. Mas pelas questões todas da várzea, chegou-se ao consenso de que o ideal seria a construção de um parque.

Por que a população preferiu a construção de um parque ao invés de moradias populares, por exemplo?

A possível construção de moradias populares consumiria uma grande parte da área verde da várzea. Por isso, a comunidade decidiu conjuntamente preservar na sua integralidade a área e sua cobertura vegetal, pela sua importância para as comunidades do entorno. A partir daí, foram promovidos encontros na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e, com a ajuda do Padre Darci, inicia-se toda uma mobilização pela criação do parque. Outros projetos já foram barrados aqui, como de um shopping, por exemplo. Durante a gestão Serra e Kassab em São Paulo, houve uma empatia muito grande para trocar a dívida de IPTU da área pela entrega do terreno à empreiteiras e construtoras. O Movimento foi contra e barrou esse processo, uma parte muito importante da luta. A atuação dos moradores foi decisiva para que esses empreendimento imobiliários e a construção do shopping fossem barrados.

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Quando o Movimento Parque Chácara do Jóquei se consolida e se institui oficialmente?

Após muitas consultas e discussões, é formado em 2013 o Movimento Parque Chácara do Jóquei, apesar da articulação e da luta pelo parque existirem desde 2000. Aqui no Brasil é muito comum sua demanda ganhar força depois que ela se “institucionaliza” e é criado um nome concreto para ação. O Movimento era formado pela comunidade em torno da várzea do Jockey e começa a ganhar uma legitimidade e uma cara própria.

Um momento histórico foi o “abraço no parque”, proposto pelo Padre Darci. Algo simbólico que caracterizou a vontade da comunidade em torno da ideia de se fazer um parque. A gente foi organizando ações no bairro, abaixo assinados, panfletagem na rua e até uma audiência pública na Câmara dos Vereadores. Tudo isso ajudou no processo de entendimento sobre a demanda e na fortificação da mensagem sobre o que nós queríamos ali.

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Qual foi, exatamente, o processo político para aprovação do Chácara do Jockey?

Na gestão do Kassab (2008-2012), foi criado um Decreto de Utilidade Pública (DUP), garantindo que aquela área seria destinada ao uso público. Já foi uma conquista. No final do governo Kassab, a preocupação era com o fim da vigência da DUP. Se ela não fosse renovada no fim desta gestão ou no inicio da gestão do Haddad, o Jockey poderia renegociar o espaço. A DUP era uma garantia de que a Prefeitura manteria aquele espaço como de utilidade pública.

Na gestão Haddad, foi renovada a DUP por mais 3 anos, concedida por Wanderley Meira do Nascimento, secretário do Verde e do Meio Ambiente na época. Isso deu fôlego e certeza de que o Movimento estava no caminho certo. A gente foi pressionando os técnicos e cobrando da Prefeitura, mas a decisão de se fazer um parque foi em grande parte política, pelo plano do Haddad de entregar 114 parques na sua gestão. Isso também foi essencial, pois ainda haviam projetos para construção de um shopping e um condomínio na área da várzea. Então foi anunciado, no dia 17 de junho de 2014, que o Parque Municipal Chácara do Jockey sairia do papel, sendo realizada também uma audiência pública para anunciar a comunidade sobre a decisão e discutir como seria construído o parque.

“A Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Deu origem a umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país”

O projeto do Jockey foi feito exatamente como pedido pela população? Ou houve mudanças?

A ideia, construída por atores da comunidade e também defendida pelo Haddad na época, era de que, além do parque, a Chácara do Jockey funcionaria como um polo cultural. Entre outros projetos, envolveria uma ação de participação com a SPcine, sendo um local de referência na produção audiovisual. Pelo tamanho da SPcine e pela atuação que eles teriam lá, o espaço seria um dos mais importantes polos de produção de cinema do Brasil. Tinha-se a ideia de que o local iria funcionar durante toda madrugada, servindo também para abrigar artistas de São Paulo e de outros lugares do país.

O local para abrigar o polo foi concluído, pois Já tinha sido garantido o dinheiro para realização disso. Mas a ideia não saiu do papel. Durante os anos de 2014 e 2015, os artistas se reuniram para discutir a ocupação dos espaços das baias pelos artistas da região, argumentando sobre a importância de se valorizar o movimento cultural do Butantã. Essa foi um dos combinados que não foram cumpridos e, com a nova gestão, ainda não sabemos se vai sair.

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Já a pista de skate é resultado de rodas de conversa com adolescentes e skatistas da região. A proposta inicial era construção da pista e três quadras. No processo de produção do pré-projeto, com auditoria realizada pela Federação Paulista de Skate, se viu a possibilidade de fazer um projeto maior para a pista.

Então a Prefeitura propôs a construção de uma pista maior, abrindo mão de uma das quadras. Fomos contrários no início, mas temos que reconhecer que essa foi a melhor escolha. Isso deu origem em umas das pistas de skate que é referência na cidade e no país. Tudo porque houve uma construção e um pensamento conjunto dos espaços do parque e, nesta parte, ouvindo os skatistas e a galera que tinha propostas para o bairro.

Por parte do Movimento, fomos na Prefeitura, fomos ouvir a comunidade e discutimos todo o uso das áreas do parque. Colocamos pressão e as reivindicações deram origem aos três núcleos hoje existentes no parque (Núcleo Contemplativo do Pirajussara, Núcleo Cultural das Baias e Núcleo Esportivo do Jockey).

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

A pista de skate do parque (Foto: Movimento Parque Chácara do Jóquei)

Atualmente o parque está em processo de escolha do seu Conselho Gestor. Este processo, ano passado, passou por alguns problemas. Quais são eles? Como está a situação das eleições hoje?

O Conselho Gestor tinha que ser amplamente participativo. Chamamos reuniões com técnicos para dialogar sobre a lei e as regras do conselho. Fizemos diversas oficinas, estimulando propostas. Também fizemos várias articulações, tanto com a Prefeitura, quanto com as instituições e pessoas do bairro. Todos se convenceram que tinha que ser um processo de debate e conversa. Vimos que precisávamos nos organizar para isso também.

Fizemos reuniões com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, entendendo que, de saída, tínhamos de aumentar de três para oito o número de conselheiros da sociedade civil. Tivemos o conhecimento e a informação de que a lei permite ampliar a composição de conselheiros, exatamente pela complexidade particular de cada parque. No caso da Chácara do Jockey, temos na criação do parque três secretarias responsáveis pelo processo (Verde e do Meio Ambiente, Cultura e Esportes), além das instituições da sociedade civil. Fizemos um edital específico que foi aprovado e a composição do Conselho Gestor do Chácara do Jockey é um pouco diferente dos outros parques.

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Mesmo assim, tivemos problemas na primeira eleição, que seria em 2016. Um dos candidatos não morava no bairro, algo que era exigência do nosso edital. Como a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, de forma unilateral e sem consultar os representantes da sociedade civil, resolveu sozinha oficializar a homologar uma candidatura irregular, o Movimento resolveu se retirar do pleito.

Essa decisão aconteceu porque os órgãos competentes não quiseram anular a candidatura e rever a eleição. Então nós retiramos todos os nomes e instituições que estavam concorrendo. Foi uma decisão em conjunto do Movimento com outros representantes, buscando, novamente, garantir um processo amplamente participativo. Tivemos que reformular a eleição para este ano, conseguindo garantir todas os combinados da primeira, com exceção do candidato ser um morador do bairro. Mas foi mais uma vitória.

Serviço

O Movimento está hoje concentrado nas eleições do conselho, garantindo uma participação conjunta entre comunidade e poder público. A demanda é que sejam eleitos no mínimo 8 membros da sociedade civil para compor o corpo de conselheiros. Para os demais parques da cidade, a exigência é de 4 membros. A ideia é demonstrar que o caráter participativo foi elevado para contemplar as diversidade do Chácara do Jockey.

Nas palavras do próprio Movimento, “a constituição do conselho gestor é mais uma etapa a ser garantida e efetivada, na implantação de um parque público, inclusivo e para todas e todos”.

As eleições do parque acontecem nos dias 23 e 26 de março, na administração do logradouro.

 

Mimo Festival traz maratona de shows gratuitos ao Rio

O festival tem entrada franca e apresentação de shows de artistas consagrados como Ney Matogrosso, Pat Thomas, Chico César, João Bosco e Hamilton de Holanda.

João Bosco se apresenta no Mimo Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

João Bosco se apresenta no Mimo Festival. Crédito da Foto: Divulgação.

Por Cultura Livre – RJ

Começa nessa sexta-feira(11) um dos maiores eventos de música instrumental gratuito do país. Até domingo (13) o Rio de Janeiro recebe o MIMO Festival, que vai reunir grandes nomes da música brasileira e estrangeira em vários pontos da cidade, além de cursos, cinema e atividades poéticas, sempre com entrada franca.

Essa edição do festival, que também já passou por Tiradentes, Ouro Preto e Paraty em anos anteriores, escolheu o Rio para receber a programação que reúne mais de 60 concertos, em cenários cartões-postais da cidade. A Praça Paris, na Glória, recebe dois palcos, o principal e o “Se Ligaê”. Nele, acontecem encontros musicais, como Jards Macalé e Otto, Simone Mazzer e Alice Caymmi, João Bosco e Hamilton de Holanda e Chico César com Miguel Araújo. No local também acontece o encerramento do festival, com ninguém menos que Ney Matogrosso.

As igrejas da Candelária, Outeiro da Glória, São Francisco da Penitência, Cine Odeon, patrimônios históricos da cidade, também estão entre os locais que vão receber os shows.

Nesta sexta, os artistas portugueses Mário Laginha e Pedro Burmester abrem o festival, às 18h30, com um concerto de dois pianos, na Igreja da Candelária, no Centro.

Dentre os artistas internacionais, outro destaque é Pat Thomas, da África Ocidental, que será acompanhado pela Kwashibu Area Band. Ele é o maior representante do highlife, gênero musical popular que nasceu nos anos de 1920 no Gana e influenciou diretamente o surgimento do afrobeat. Outra grande atração estrangeira é a diva colombiana Totó la Momposina, aos 76 anos e 50 de carreira, é uma das artistas mais respeitadas da América do Sul e conhecida como rainha da cúmbia.

Toto La Momposinsa é atração da Colômbia. Crédito da foto: Divulgação.

Toto La Momposinsa é atração da Colômbia. Crédito da foto: Divulgação.

No sábado, às 19h, Pablo Lapidusas International Trio sobe ao palco principal, no mesmo horário em que Jards Macalé convida Otto no Palco Se Ligaê. Às 20h, o grupo Bixiga 70 sobe ao palco da Praça Paris. João Bosco e Hamilton de Holanda se apresentam às 21h no Palco Se Ligaê; e às 22h30 será a vez do espetáculo de Pat Thomas & Kwashibu Area Band.

No domingo, às 17h30, começa a Chuva de Poesia, no Outeiro da Glória. O CCOMA abre os concertos da Praça Paris às 17h, no Palco Se Ligaê. Às 18h, será a vez de Jacky Terrasson & Stéphane Belmondo, diretamente da França para o palco Praça Paris. Para encerrar o evento, Ney Matogrosso leva à praça o show da turnê de “Atento aos Sinais”.

Atrações educativas

O MIMO também tem atrações educativas e lúdicas, com promoção de encontros entres artistas que participam do festival com jovens profissionais e estudantes de música. Aulas com Bixiga 70, Mario Laginha e Pedro Burmester (Portugal), Antonio Nobrega, Pat Thomas, Jacky Terrasson, Stéphane Belmondo, entre outros, além de workshop sobre a cúmbia com músicos da Totó la Momposina.

A poesia marca presença no festival com a proposta lúdica da Chuva de Poesia. Criada pelo poeta, tipógrafo e artista plástico Guilherme Mansur, a Chuva de Poesia acontece há mais de 20 anos em Minas Gerais. A proposta da iniciativa é fazer chover poesia no céu das cidades. Do alto de locais selecionados, milhares de folhas soltas coloridas, com tipografias especiais, são lançadas ao vento para o público que, invariavelmente, lota os locais para receber as pancadas esparsas dos poemas. As cidades do Rio de Janeiro e Olinda serão presenteadas com obras dos poetas portugueses Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá-Carneiro, Mário Cesariny e António Maria Lisboa.

Veja a programação completa no site www.mimofestival.com.

 

Mostra ‘Hermeto Pascoal 80 anos’ homenageia o músico no Teatro Municipal de Niterói

Mostra em Niterói faz homenagem aos 80 anos do mestre do improviso.

Hermeto Pascoal é homenageado na mostra "Hermeto 80 anos". Crédito da foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa.

O músico é homenageado na mostra “Hermeto Pascoal 80 anos”. Crédito da foto: Divulgação.

Por Cultura Livre – RJ

O Teatro Municipal de Niterói recebe na sala anexa Carlos Couto a exposição “Hermeto Pascoal 80 Anos“, em comemoração ao aniversário de 80 anos do multi-instrumentista completos neste ano.

Com curadoria de Teca Nicolau e participação do músico Fábio Pascoal, filho de Hermeto, a mostra faz um passeio pela multiplicidade de sonoridades, imagens e formas, marcas registradas na carreira do artista.

“A exposição conta um pouco da história, genialidade e irreverência de Hermeto, compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro que toca acordeão, flauta, piano, saxofone, trompete, bombardino, escaleta, violão e diversos outros instrumentos musicais. Ímpar em seu processo criativo e de manifestação musical, a todo momento registra composições em quaisquer objetos ao alcance de suas mãos (panelas, revistas, bacias, tampas de vasos sanitário, toalhas, bule, chapéu, bandejas, pratos, copos e até paredes), tornando-os como bases para partituras com a mesma habilidade que extrai sons e notas melódicas de objetos inusitados.” , conceitua Fábio Pascoal.

Serviço:

Mostra “Hermeto Pascoal 80 anos”

Data: Até 30 de novembro

Horário: visitação de terça a sexta, das 10h às 19h, sábados e domingos de 15h às 19h.

Preço: Gratuito.

Revista Vaidapé #6 será lançada neste domingo com festival no CEU Butantã

A 6ª edição da Revista Vaidapé  será lançada com um festival multiartístico no CEU Butantã. O evento que acontece neste domingo (23) contará com apresentações musicais, projeções, campeonato de skate e sarau aberto.

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Cultura Livre – SP

O coletivo de mídia Vaidapé, que foi criado para atuar na defesa dos direitos humanos, denunciando a violência institucional e valorizando as movimentações marginais chega ao seu quarto  ano de existência com fôlego. O lançamento da sexta edição da revista impressa Vaidapé, que também atua com disseminação de conteúdo livre em um site e redes sociais, será feito em um grande festival multiartístico, com distribuição de 5.000 exemplares gratuitos e diversas atrações culturais.

Dentre elas, o cantor pernambucano Di Melo, que vai se apresentar ao lado da Semiorquestra. No line-up musical, também estão Obinrin Trio, Lu Manzin, Dinho Nascimento, Inffesto e DJ Niely. O festival vai contar com projeções visuais feitas pelo Cäimbra Coletivo.

Um campeonato de skate com premiação para melhores manobras e a realização de um sarau com microfone aberto para o público vão agitar a tarde de domingo no Butantã. A festa também será enfeitada por um varal de lambe-lambes.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

A proposta do coletivo é que a revista esteja presente nos espaços públicos da cidade, circule nas ruas, praças, ocupações, encontros, centros culturais, debates, universidades e movimentos sociais.

Depois do lançamento no CEU Butantã, a edição será distribuída em um segundo evento no Calçadão Cultural do Grajaú, zona sul de São Paulo. Em breve, serão anunciados os pontos fixos de distribuição, que devem abarcar todos as zonas da cidade de São Paulo.

Serviço:

Data: domingo, 23 de outubro de 2016

Local:Pista de skate do CEU Butantã – São Paulo (SP)

Comissão Guarani Yvyrupa lança Manifesto em favor do povo Guarani

Tribos sofrem com a diminuição do repasse de verbas da Funai e desrespeito por parte de ruralistas à demarcação de terras indígenas.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

Por Cultura Livre – SP

A 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa, que ocorreu em setembro desse ano, divulgou um manifesto com as pautas reivindicatórias do povo Guarani em nome da Terra Indígena Tenonde Porã.

No manifesto, o povo Guarani denuncia o sucateamento da Fundação Nacional do Índio – Funai, que teve orçamento drasticamente reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de terras e a efetivação da garantia dos direitos dos povos indígenas.

Leia integralmente o texto do manifesto:

“Nós, de todo o povo Guarani das regiões Sul e Sudeste do Brasil, nos reunimos na 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa para nos fortalecer na resistência contra os constantes ataques aos nossos direitos. Foram vários dias em que todos nós, anciãos, jovens e lideranças estivemos unidos para discutir os principais desafios que hoje temos de enfrentar; em que nos reunimos na opy, nossa casa de reza, para que Nhanderu nos dê força e coragem para seguir na nossa luta.

Continuamos firmes, com a inspiração de nossos ancestrais e com nosso nhandereko, nosso modo de viver, lutando para preservar tudo aquilo que Nhanderu deixou para nós, para vivermos com dignidade em nosso território tradicional, yvyrupa. Desde que nossas terras foram invadidas pelo jurua, os não-indígenas, nossa vida esteve sempre ameaçada. Passamos a viver cercados por conflitos, buscando dentro de nosso território aqueles tekoas, aquelas aldeias mais afastadas, onde pudéssemos viver em paz. Mas hoje depois de tanta destruição causada pelos jurua kuery, temos que nos organizar para lutar com todas as nossas forças e garantir as poucas terras que nos restam.

Nossa luta nunca foi fácil, mas hoje a situação é ainda mais preocupante. Os jurua poderosos e seus governos que estiveram sempre contra nossos direitos, estão se fortalecendo cada vez mais, aumentando os ataques contra nossos tekoas em nome de sua ganância, que  vê na terra apenas o dinheiro. Os jurua são tão gananciosos que agem contra seus próprios parentes, criando leis que nem eles mesmos cumprem, fazendo tudo para conseguirem o que querem. E os próprios jurua poderosos que criam as leis, os deputados e senadores, foram agora contra a sua principal lei, a constituição federal, para que um de seus representantes tomasse o poder.

Nos últimos anos já estávamos passando por uma situação que ficava cada vez mais difícil: a demarcação de nossas terras não progredia, o Governo e os empresários foram realizando cada vez mais grandes obras que impactavam nossas terras, dizendo que agiam em nome do desenvolvimento. Mas que desenvolvimento é esse que só beneficia os poderosos?  Que cria um mundo em que não tem espaço para os povos indígenas e para a preservação do meio ambiente? E agora com o novo Governo, escolhido diretamente pelos ruralistas e grandes empresários que dominam o Congresso Nacional, nossos direitos estão ainda mais ameaçados.

O novo Ministro da Justiça, escolhido pelo presidente golpista Temer, ficou conhecido no estado de São Paulo, onde foi secretário de segurança pública, por usar a polícia de forma brutal contra as manifestações que buscavam garantir os direitos dos mais pobres. Assim como os deputados ruralistas, distorcia todas as leis para permitir uma grande repressão contra o povo e a criminalização dos que se colocavam contra o Governo e os empresários que ele defendia. Assim que foi indicado como Ministro da Justiça ele declarou que era contra qualquer retomada dos territórios tradicionais e que não teria qualquer problema em usar da força policial contra os nossos parentes. E é esse Ministro tão violento que hoje é chefe da Funai.

Nos últimos anos, o orçamento da Funai tem sido cada vez mais reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de nossas terras e a efetivação da garantia de nossos direitos. Agora o corte foi tão grande que o orçamento aprovado da Funai é o menor dos últimos dez anos. Para nós esses cortes representam uma estratégia clara para imobilizar qualquer avanço na política indigenista, sangrando a Funai aos poucos para que todos os processos de reconhecimento de nossos territórios sigam paralisados. E essa situação pode ficar ainda pior caso o governo Temer aprove a PEC 241, que planeja congelar o orçamento da União pelos próximos 20 anos. Exigiremos sempre o fortalecimento da Funai para garantia dos nossos direitos fundamentais.

Não bastasse o corte orçamentário, os ruralistas do Congresso continuam a destruir nossos direitos através da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai/Incra, que foi aberta novamente mesmo tendo seu prazo expirado. Por meio da CPI nossas lideranças e apoiadores do movimento indígena são investigados como se fossem criminosos, enquanto nenhuma justiça é feita sobre o sangue derramado de nossos parentes pelos fazendeiros e pelo Estado. Na prática a estratégia do novo governo é que o genocídio continue: enquanto o único órgão indigenista do estado agoniza e nossas lideranças são perseguidas, os ruralistas e empresários seguem avançando contra a vida dos povos indígenas.

Nossa assembleia marca a resistência do povo Guarani nesse momento de tantas dificuldades e tantos ataques aos direitos dos povos indígenas, das diversas comunidades tradicionais, remanescentes de quilombos, das mulheres e de todos os trabalhadores. Mas nossa luta não começou hoje e nunca vai parar. Quando Nhanderu criou o mundo ele deu o papel para o jurua, enquanto deu pra nós o petygua, o cachimbo. Por causa da ganância o jurua não soube usar o papel, e com ele tem tentado acabar com as nossas terras, destruir nossas matas e acabar com nosso povo. Mas nós temos o petygua: nossa reza, nossa união e nosso nhandereko, nosso modo de vida. E com ele continuaremos resistindo nas nossas terras tradicionais, nas nossas retomadas, plantando o alimento verdadeiro, cuidando das matas e da água fresca que Nhanderu deixou para nós.

Aguyjevete pra quem luta!”

HQ Kondaro narra luta dos índios guaranis

O livro lançado em São Paulo no último dia 11 deste mês narra o processo de resistência indígena dentro da cidade de São Paulo, com roteiro e arte de Vitor Flynn Paciornik e publicação da editora Elefante.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

Por Cultura Livre – SP

O livro em formato HQ, com desenhos do artista Vitor Flynn Paciornik foi produzido pela Fundação Rosa Luxemburgo com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa, organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil, e narra a história recente de resistência indígena em São Paulo a partir do protesto de um jovem guarani durante a abertura da Copa do Mundo no Itaquerão, em 2014.

O lançamento ocorrido no último dia (11) no Espacio 945, na região Bela Vista em São Paulo, contou com um debate sobre resistência indígena e violência no campo com lideranças guaranis, com a presença de especialistas da Info Amazônia, Armazém Memória, De Olho nos Ruralistas e da Fundação Rosa Luxemburgo.

Ao longo de 60 páginas, as ilustrações retratam cenas da onda de manifestações dos Guarani Mbya, iniciada em 2013, pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo, como o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes e a ocupação do Monumento às Bandeiras.

Atualmente, os Guarani lutam pela demarcação de suas terras na zona norte e na zona sul da cidade de São Paulo. Mais de dois mil indígenas vivem na região de Parelheiros e Jaraguá.

Ficha técnica

Autor: Vitor Flynn Paciornik
Projeto Gráfico: Bianca Oliveira
Consultoria: Lucas Keese dos Santos
Apresentação: Daniel Santini
Editora: Fundação Rosa Luxemburgo & Editora Elefante
Apoio: Comissão Guarani Yvyrupa
Páginas: 60
Publicação: Setembro 2016
ISBN: 978-85-68302-08-8
Dimensões: 18,2 x 25,5 cm

Site da Editora: http://www.editoraelefante.com.br/produto/xondaro/#prettyPhoto[product-gallery]/6/

Bar da Dida faz evento de lançamento da antologia poética Lá? Não, ali

O espaço situado no polo gastronômico da Praça da Bandeira, no Centro do Rio, promove evento misturando literatura com o melhor da comida de botequim.

Dida - Crédito da Foto Divulgação

Dida – Crédito da Foto Divulgação

Por Cultura Livre – RJ

O Bar da Dida, recanto boêmio da Praça da Bandeira abre as portas no próximo dia 28 de outubro, às 20h, mostrando que botequim também é lugar de poesia com evento literário de lançamento da antologia “Lá? Não, ali” da poeta carioca Tamara Marques, com entrada franca.

Um misto da tradicional comida de botequim com forte referência da culinária de matriz africana, decoração retrô lembrando os antigos armazéns do Rio com tijolos aparentes, quadros fazendo referência à mestres do samba e telas assinadas pelo artista plástico Paulo Belisário, além de cerveja artesanal e literatura é o que promete o evento.

Dentre os pratos servidos no cardápio estão o acarajé e feijão de engenho, uma feijoada com origem na culinária trazida por escravos, com abóbora, batata-doce e cana.

Feijoada é carro-chefe do cardápio. Crédito da foto: Stephane Munnier

Feijoada é carro-chefe do cardápio. Crédito da foto: Stephane Munnier

O espaço já nasceu em 2015 com fortes raízes na tradição do samba carioca: Dida, que junto com os três filhos comanda o restaurante, é filha da “Tia Maria” que na década de 1970 liderou um bar na Zona Norte frequentado por grandes baluartes do samba, como Mestre Sargento, Mestre Celso, dentre outros.

O livro “Lá? Não, ali.” , que terá a sua noite de autógrafos no evento, integra o amplo catálogo de poesias da Editora Perse, que tem apostado no gênero assumindo protagonismo no mercado editorial alternativo pelo investimento em novos autores e marca a estreia de Tamara Marques no formato impresso.

Tamara Marques - Crédito da foto: Divulgação

Tamara Marques – Crédito da foto: Divulgação

Egressa da internet, onde foi apontada como promessa da nova safra literária tendo seu trabalho destacado em reportagens de veículos como o portal Vermelho, Revista Di Rolê e o site Release Virtual, a autora de 23 anos que é estudante de Publicidade na PUC e publica poemas, contos e crônicas nos blogsRefantasiar e Pequenos Eternos, justifica a escolha da poesia para seu primeiro livro como um fluxo natural do seu trabalho, em que a escrita poética assumiu protagonismo:

“Não diria que foi exatamente uma escolha minha, mas sim algo que foi acontecendo. Aos poucos a poesia passou a ocupar um espaço protagonista na minha vida e na minha escrita.” diz.

O evento conta com leitura, autógrafos e bate-papo com a autora. Na opinião de Tamara, esse é um livro essencialmente afetivo que conduz o leitor a um mergulho em suas reminiscências:

“Acho que o leitor pode esperar nostalgia.“Lá? Não, ali” traz um bocado de saudades e memórias que não me pertencem, mas que também são minhas. Fragmentos de histórias, vidas e personagens inventados que passam por nós todos os dias, atravessando a rua, trabalhando, respirando e sentindo.” revela.

Serviço:

Dia 28/10/2016

Horário: 20h

Bar da Dida: R. Barão de Iguatemi, 408 – Praca da Bandeira, Rio de Janeiro – RJ.

Entrada Franca

Exposição ‘A Lama: De Mariana ao Mar’ mostra de perto tragédia ambiental

Imagens revelam a dimensão da tragédia e dos danos causados ao meio ambiente na exposição em cartaz no Paço Imperial, no Rio.

Exposição "A Lama – de Mariana ao mar" fica em cartaz no Paço Imperial.

Exposição “A Lama – de Mariana ao mar” fica em cartaz no Paço Imperial.

Por Cultura Livre – RJ

O Paço Imperial, na Praça XV, região central do Rio, recebe até o dia 20 de novembro a mostra “A Lama: De Mariana ao Mar” que retrata através de fotos panorâmicas a tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do país ocorrido em 5 de novembro de 2015, que arrasou o povoado de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais e trouxe impactos ambientais devastadores para o país.

O projeto da exposição teve origem em uma reportagem sobre o desastre publicada na revista Piauí, em julho de 2016. O registro fotográfico da extensão da destruição e do percurso feito pela lama é do fotógrafo Cristiano Mascaro, acompanhado de imagens aéreas produzidas por seu filho, Pedro Mascaro, por meio de um drone.

A exposição é resultado de uma parceria entre a revista Piauí, o Instituto Moreira Salles – IMS e o Paço Imperial com a curadoria de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.

Durante a exposição ocorrerão uma serie de encontros e debates sobre a tragédia. Confira a programação:

Terça, 18/10 A repórter Mariana Queiroz, da GloboNews, conversa com a jornalista da piauí, Consuelo Dieguez.

Mariana Queiroz foi para MG horas depois do rompimento da barragem e passou dias abastecendo ao vivo a programação do canal de notícias com informações sobre a tragédia. Já Consuelo, que tem no currículo o prêmio Esso pela reportagem Guerrilha do Araguaia, publicada noOGlobo em 96, foi a Bento Rodrigues, MG, para a reportagem  A Onda publicada na piauí de julho. Consuelo ouviu sete sobreviventes da lama na primeira metade da sua matéria e na segunda narrou onde estavam e o que faziam as autoridades responsáveis. Mariana Queiroz vai usar dessa experiência in loco, no calor dos acontecimentos, pra entrevistar Consuelo.

Sexta, 21/10 –  Conversa com Cristiano Mascaro. Cristiano Mascaro foi convidado pela piauí para percorrer todo o leito do rio Doce do local do rompimento da barragem até o mar, já no Espírito Santo. E pra empreitada, levou o filho Pedro Mascaro, que é engenheiro e está se rendendo a profissão do pai, mas em outra modalidade: a fotografia aérea. Pai e filho então fizeram os registros em terra e em tomadas aéreas que compuseram o portfólio publicado na mesma edição da reportagem de Consuelo.

Terça, 1/11 –  Consuelo Dieguez entrevista o promotor de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Entre os temas da conversa: a atualização sobre as investigações e a punição do responsáveis e ponta do iceberg que o rompimento da barragem revelou ser o problema da exploração do minério no Brasil. Para a plateia, foram convidados estudantes dos cursos de direito e de Engenhara ambiental das principais universidades do Rio.

Terça,  08/11 Pedro Mascaro, filho de Cristiano Mascaro e autor dos vídeos captados com drone e exibidos na exposição, fala sobre captação de imagens aéreas. Vamos levar para o Paço uma turma de um instituto de fotografia pra aprender sobre equipamentos e técnicas dessa modalidade de captação de imagens.

Serviço:

“A lama: de Mariana ao Mar”

Data: Até 20/11/2016. Terças,  Quartas,  Quintas,  Sextas,  Sábados e Domingos das 12:00 às 19:00

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, S/N, Centro, Rio de Janeiro – RJ

Entrada Franca

Poesia na periferia

Até o próximo domingo, 23 de outubro, acontece a 9ª Mostra Cultural da Cooperifa em São Paulo.

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Criolo é um dos destaques do evento. Crédito da foto: Raul Zito

Por Cultura Livre – SP

O poeta da periferia Sérgio Vaz realiza pelo nono ano a Mostra Cultural da Cooperifa. Dentre as múltiplas atividades promovidas no evento que acontece na Zona Sul, região periférica da cidade de São Paulo, estão shows de Fabiana Cozza, Criolo, conversas sobre empreendedorismo, literatura negra feminina, dança, futebol, cinema, teatro, ativismo e resistência, rap, samba e soul.

“Essa mostra prova que valeu a pena sonhar, a Cooperifa é resistência.”, diz o produtor.

Confira na página oficial do #Cooperifa no Facebook toda a programação, que é gratuita:

https://www.facebook.com/Cooperifaoficial/#

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