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Category: Direitos Humanos

Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo

  Estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis.

Por Xavier Plassat da Fundação Rosa Luxemburgo – Cultura Livre | SP

Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa RAICE (Comissão Pastoral da Terra–CPT, e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH – CB) sintetizada neste livro mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades: de pontas de ruas a acampamentos de luta pela terra, de quilombos a atingidos por grandes projetos agropecuários.

O estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis: a persistente concentração fundiária, a expulsão de comunidades camponesas de seus territórios em função do avanço do capital, a omissão deliberada do Estado na garantia dos direitos mais essenciais, uma política agrária que não garante condições de produção a assentados, a dependência de um mercado de trabalho desigual em termos regionais, a exploração vista como algo natural, entre outras. Enfrentar essa realidade é objetivo do programa RAICE.

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Novas dinâmicas de migração para o trabalho escravo
Tadeu Breda
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán
(CDVDH/CB) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Araguaína, Tocantins, dezembro de 2016
ISBN: 987-85-92856-03-8

Domésticas das Filipinas são escravizadas em São Paulo

Trabalhando por meses sem descanso e sem alimentação suficiente, imigrantes viviam em situação de trabalho escravo dentro de condomínio de alta renda.

Por Piero Locatelli  para Repórter Brasil – Cultura Livre | SP

Trabalhando como babá e empregada doméstica em uma casa dentro de condomínio de alta renda em São Paulo, filipina sentia fome e chegou a se alimentar da comida do cachorro, para quem ela cozinhava pedaços de carne. “Às vezes eu perguntava à minha patroa se podia pegar um ovo, e ela dizia que não”, afirma a imigrante, uma das três que estavam em situação análoga ao trabalho escravo em casas na região metropolitana de São Paulo, segundo auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Elas chegavam a trabalhar 16 horas por dia, em jornadas que ocupavam todo o período em que estavam acordadas.

Em entrevista à Repórter Brasil sob a condição de anonimato, as filipinas disseram que foram parar no hospital após vomitarem e sentirem tontura devido à falta de alimentação adequada e ao trabalho ininterrupto. “Nos primeiros seis meses eu trabalhei sem nenhum dia de folga”, diz uma delas. Seu dia “normal” de trabalho começava às seis da manhã e terminava às dez da noite. “E se os patrões tivessem visitas, me pediam mais uma hora”, conta a trabalhadora. Ela diz nunca ter sido paga pelas horas extras.

A situação das filipinas era mais precária do que àquela comum às trabalhadoras domésticas brasileiras. Segundo Lívia Ferreira, auditora fiscal responsável pelo caso, embora o Brasil tenha regulação “forte” sobre o trabalho doméstico, os imigrantes estão mais expostos à exploração. “O relato delas é muito conciso e muito coerente, por isso a fiscalização entendeu que ocorreu trabalho escravo”, diz a auditora. O crime foi caracterizado pela combinação de jornada exaustiva, servidão por dívida e trabalho forçado.

O Ministério do Trabalho passou as informações para a Defensoria Pública da União, que anunciou que deve entrar com ações individuais pedindo verbas rescisórias e danos morais aos empregadores. Os casos também foram passados para o Ministério Público do Trabalho.

Agência de trabalho intermediou a contratação de trabalhadoras domésticas que ficaram em situação de trabalho escravo (FOTO: Reprodução)

Agência de trabalho intermediou a contratação de trabalhadoras domésticas que ficaram em situação de trabalho escravo (FOTO: Reprodução)

No total, os auditores do trabalho estão fiscalizando 130 empregadores, que serão intimados a apresentar os documentos de 180 trabalhadores domésticos – a grande maioria é de filipinos, mas também há alguns imigrantes nepaleses.

As três trabalhadoras foram agenciadas pela Global Talent, empresa especializada na contratação de domésticas estrangeiras. A agência será multada pelo Ministério do Trabalho por irregularidades no processo de visto, mas não foi responsabilizada pelo crime de trabalho escravo.

Procurada pela Repórter Brasil, a Global Talent afirmou desconhecer o “teor das constatações” do Ministério do Trabalho. “A empresa Global Talent repudia veementemente a alegação de que estaria utilizando-se ou agenciando mão de obra de pessoas em condições análogas a de escravos”, diz nota enviada pelo advogado da empresa. “A empresa Global Talent não contrata estrangeiros, já que seu trabalho é de providenciar e regularizar toda a documentação dos estrangeiros que pretendem trabalhar no Brasil” (leia nota na íntegra).

Exportação de mão-de-obra

Um dos motivos que faz os brasileiros se interessarem em contratar babás das Filipinas é a fluência na língua inglesa. Esse é um dos “atrativos” vendidos pelas agências de trabalho que exportam a mão de obra filipina para todo o mundo. “Os trabalhadores filipinos são considerados em todo o mundo a melhor mão de obra especializada em serviços domésticos, com personalidade alegre, são sempre leais e confiáveis para cuidados com sua casa e sua família”, diz o anúncio no site da Global Talent, empresa que fez o agenciamento das trabalhadoras.

A filipina Chang Jordan, ativista do Women’s Legal and Humans Right Bureau, uma organização feminista focada nas trabalhadoras domésticas, explica que estereótipos como esse são usados em todo o mundo. “Elas são as melhores, elas são alegres. Então você pode explorá-las muito, e está tudo certo”, diz a filipina. Segundo Chang, as mulheres acabam sendo “exportadas como commodities” por, entre outros motivos, não conseguirem espaço nos melhores postos do mercado de trabalho filipino.

A migração desse tipo cresceu desde o final dos anos 1980, quando o país estava em meio a uma crise econômica e o próprio governo estimulou esse processo. “A economia filipina tem crescido de maneira constante recentemente, perto de 6% ao ano. Mas o crescimento não se traduz para todos, e a disponibilidade de emprego para trabalhadoras domésticas fora do país continua forte”, diz Graziano Battistella, diretor do centro do Center for Migration Studies, organização que estuda a migração nas Filipinas. Entre os motivos, Battistella afirma que as alternativas nas Filipinas ainda são poucas, e o uso de rede sociais tem facilitado o recrutamento de mais trabalhadoras.

Essas remessas enviadas pelas trabalhadoras têm um papel essencial na economia do país exportador de mão de obra. Os dados mais recentes do Banco Mundial, de 2016, mostram que o valor total enviado por pessoas fora do país equivale a 10% do PIB das Filipinas.

Remessas feitas por trabalhadores filipinos que moram fora do país (em dólares)

remessa de dolares filipinos

 

Boa parte dessa verba vem das trabalhadoras domésticas, a ocupação mais comum entre os filipinos que moram em outros lugares do mundo. Dos 458 mil que trabalhavam fora do país em 2012, 155 mil eram empregados domésticos.

As remessas são ainda mais importantes para as famílias das imigrantes. Uma das trabalhadoras conta que a vinda ao Brasil é a oportunidade para que o filho faça uma faculdade. Outra diz que sustenta o filho e a mãe com o dinheiro recebido aqui: “eles estão famintos, e é por isso que eu estou longe deles”.

Hotel de luxo também tinha problemas

Ainda que não tenha sido constatado trabalho escravo, os auditores fiscais também encontraram uma série de irregularidades entre filipinas funcionárias do hotel e spa Lake Villas, que se intitula o “hotel de luxo em São Paulo mais premiado do Brasil”. A diária mais barata para um hóspede supera R$ 2.400 em sites de turismo.

Segundo o Ministério do Trabalho, alguns funcionários do hotel receberam apenas metade do salário previsto em contrato durante 18 meses. A suspeita é de que esse valor tenha sido usado para pagar as dívidas contraídas pelos empregados para a viagem ao Brasil, já que a fiscalização encontrou um documento de outra agência filipina cobrando valores parecidos dos mesmos trabalhadores.

O hotel tampouco oferecia alimentação adequada aos trabalhadores. Como o estabelecimento fica em uma estrada sem transporte público, os trabalhadores chegaram a se juntar para dividir o preço de um táxi que buscasse comida para eles, de acordo com os relatos colhidos pela auditora fiscal do trabalho. Também foram apontadas outras irregularidades, como sonegação do INSS e do FGTS, e máquinas que traziam riscos aos trabalhadores.

A Repórter Brasil buscou contato com o hotel por telefone e foi informada de que eles não se pronunciarão a respeito do caso.

Promessas enganosas

As trabalhadoras que conversaram com a Repórter Brasil relatam que o Brasil parecia a escolha mais segura por dois motivos. O principal era a promessa feita pelos agenciadores de que, após dois anos trabalhando, receberiam a residência permanente no país. Elas preferiam essa perspectiva aos salários melhores, que receberiam em outros locais como Hong Kong. A lei trabalhista brasileira seria outro atrativo, já que limita a jornada de trabalho e garante o pagamento de horas extras.

Ao chegar no Brasil, porém, as trabalhadoras descobriram que a promessa de residência era enganosa e a lei trabalhista não estava sendo aplicada. “A questão do engano é muito flagrante, é totalmente diferente como é vendida a vaga de empregos e o que elas encontram aqui,” diz a auditora.

As trabalhadoras agenciadas pela Global Talent entravam no Brasil de dois modos diferentes, de acordo com informações do Ministério do Trabalho. Uma delas seria através de uma agência filipina e outra através de uma empresa brasileira, a Serviços de Domésticas e Babás Internacionais (SDI).

Ainda segundo o Ministério do Trabalho, a SDI trazia os trabalhadores como turistas e regularizava sua situação por meio da solicitação de refúgio ou de visto de trabalho. A reportagem procurou a SDI, mas não obteve resposta.

Minidoc | Sawe: Um canto de união

Documentário sobre a questão socioambiental indígena e a luta dos povos indígenas do Rio Juruena, no norte do Mato Grosso, feito em parceria entre o coletivo Vaidapé e a Rádio Yandê.

Por Paulo Motoryn para Vaidapé  – Cultura Livre | MT

Vídeo e fotos: João Miranda

“Sawê – um canto de união” é um curta-metragem documental sobre os ataques aos povos indígenas que habitam as margens do Rio Juruena. O trabalho foi produzido durante o III Festival Juruena Vivo, realizado em Juara, no norte do Mato Grosso, na Amazônia Legal.

A produção foi realizado de forma colaborativa entre a Vaidapé e a Rádio Yandê, uma web-rádio indígena.

A sub-bacia do Rio Juruena abrange 190.931 km2 e é composta por dezenas de rios. Só o Rio Juruena é responsável por 70% das águas que formam o Tapajós no estado do Mato Grosso.

Dez diferentes povos indígenas lutam para preservar seu modo de vida na Bacia, como os Manoki, Munduruku, Nambikwara, Myky e Rikibaktsa. “Sawê” traz diversas entrevistas com indígenas. Além dos debates, o III Festival Juruena Vivo teve uma série de apresentações musicais e oficinas.

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Um canto de união

Direção: João Miranda
Produção e Pesquisa: Paulo Motoryn
Locução: Anápuáka Muniz Tupinanbá
Duração: 8min
Realização: Vaidapé

Assista no link:

https://www.youtube.com/watch?v=IX1EUNbrFMg

Entidades assinam manifesto contra Dória Jr: “A sua decisão é ser cruel com os mais pobres”

Entidades de Direitos Humanos publicam manifesto contra decreto do prefeito de São Paulo que permite a retirada de colchões, pertences e agasalhos da população de rua.

Por Cultura Livre – SP

Dezenove entidades de Direitos Humanos, dentre elas a mundialmente reconhecida Cáritas, se reuniram em um manifesto em desagravo às medidas tomadas contra à população mais pobre em situação de rua da cidade de São Paulo, ao que chamaram de “decisão pela crueldade”.

Intitulado “Dória e a decisão de ser cruel com os mais pobres”, o manifesto se refere ao polêmico Decreto de n.º 57.581, de 20 de Janeiro de 2017, (publicado no Diário Oficial do Município de SP em 21 de Janeiro de 2017), editado pelo Prefeito João Dória Jr., que eliminou artigo existente em  decreto anterior, dirigido aos servidores públicos municipais, proibindo-os  de retirar das pessoas em situação de rua seus colchões e cobertores. Segundo as entidades de direitos humanos que assinam o manifesto, a medida que vem sendo apontada como “higienista”, pode ser considerada um exemplo do desinteresse político em mitigar o grave problema social desses pobres.

O prefeito do PSDB, que também é empresário com fortuna estimada em R$180 milhões, de acordo a sua última declaração feita ao TSE, minimiza críticas afirmando que o decreto foi editado, mas não será cumprido.

Mendigos morrem todos os anos no frio do inverno paulistano. Crédito da foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Mendigos morrem todos os anos no frio do inverno paulistano. Crédito da foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Leia abaixo o manifesto assinado na íntegra:

Dória e a decisão de ser cruel com os mais pobres

Tendo em vista que não houve providência esperada por parte do senhor prefeito João Dória, a Campanha Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais colhe, por meio deste e mail, adesões de cidadãos e entidades para o manifesto abaixo, a ser divulgado nas redes sociais e entregue as devidas autoridades pelas entidades.

São Paulo assiste em silêncio ato de extrema violência. 

O Decreto de n.º 57.581, de 20 de Janeiro de 2017, (publicado no Diário Oficial do Município em 21 de Janeiro de 2017), editado pelo Prefeito João Dória, eliminou artigo existente em decreto anterior e dirigido aos servidores públicos municipais, proibindo-os de retirar das pessoas em situação de rua seus colchões e cobertores e é exemplo do desinteresse político em mitigar este grave problema social e da utilização de meios que apenas agravam o sofrimento desses pobres.

São Paulo possui hoje mais de 16 mil pessoas em situação de rua, inclusive muitas famílias. As causas desta tragédia cotidiana vão desde pessoas com problemas psiquiátricos a trabalhadores atingidos pela avassaladora crise econômica.

A realidade cruel da vida desses seres humanos, que não possuem voz nem representantes e que tem merecido de parte da sociedade o mais evidente desdém, quando não serem tratados como estorvo, será agravada ao extremo com esse Decreto do prefeito Dória, que a pretexto de “apreensão” resulta em um insulto à dignidade humana, além de evidente desrespeito ao direito de propriedade.

A alegação do Senhor Prefeito de que esse Decreto foi editado, mas que não será cumprido é de um absurdo completo.

Não se editam normas para que não sejam cumpridas. O fato é que servidores municipais, com a retirada da proibição, estão autorizados a essa prática que será utilizada sim, principalmente contra aqueles que  estejam em logradouros situados em áreas mais valorizadas da cidade.

Nem se alegue que se trata de um “estímulo”, para que a população de rua se dirija aos abrigos municipais.

Hoje, os abrigos municipais possuem vagas muito abaixo da necessidade de atendimento. Ou seja, não há vagas suficientes nos abrigos, cuja precaridade e desumanidade merecem outro destacado protesto.

A sociedade diante dessa ilegal arbitrariedade não pode se omitir e deve tomar todas as medidas cabíveis para que esse Decreto seja revogado, restabelecendo a legislação anterior.

As entidades abaixo assinadas conclamam que todos se mobilizem para que a revogação do Decreto 57.581/17 seja efetivada imediatamente, pois o inverno se aproxima e tragédias certamente acontecerão.

São Paulo, 20 de fevereiro de 2017

Assinam:

Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, CJP/SP;

Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, CSDDH;

Comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica;

Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo, GTNM-SP;

Mandato Toninho Vespoli;

Pastoral da Educação da Arquidiocese de SP;

Pastoral Fé e Política da  Arquidiocese de SP;

Pastoral da Moradia da Arquidiocese de SP;

CEDECA Sé;

Núcleo Maximiliano Kolbe, NMK:

Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, CAMI;

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, IEAB;

Caritas Arquidiocesana de SP

Pastoral do Menor da Arquidiocese de SP

Pastoral Indigenista

Pastoral da Mulher Marginalizada

Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB/Regional SP

Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, CPMVJ

Democracia Corintiana, CDC

 

Empresário denuncia racismo em abordagem da PM no RJ

O ator, designer de roupas e empresário carioca Luang Senegambia Dacach Gueye é vítima de detenção em abordagem truculenta da polícia militar e denuncia: “O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre (*atualizada às 21h48)

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia.

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia. Crédito da foto: Acervo.

Na última terça-feira (14) o ator e designer Luang Senegambia Dacach Gueye, proprietário da marca de roupas com inspiração na cultura africana Senegâmbia, veio a público utilizando o seu perfil pessoal em rede social para denunciar o episódio de racismo institucional ocorrido no dia 12 de novembro do ano passado, em que foi vítima de detenção arbitrária e abordagem truculenta da PM durante o evento Mimo Festival, no Rio de Janeiro.

“Fui acusado de desobediência”, diz Luang.

“No dia 12 de novembro de 2016, às 16 horas fui abordado por dois policiais em frente a Praça Paris [no bairro da Glória, Zona Sul do Rio], onde acontecia um festival de música. Questionei o motivo da abordagem e aleguei que estava apenas de passagem, não vendo motivo para ser revistado. Disseram que eu era suspeito. Perguntei: Suspeito de que?. Aleguei que a única explicação para eles me pararem é porque sou preto e eles racistas. Então fui imobilizado, cercado por uns 6 ou 8 policiais, algemado e levado para delegacia do Catete.” revela.

Segundo o empresário, foram momentos de tensão que incluíram ameaças veladas dos policiais: “Na viatura e na delegacia, diferentes PM´s em diferentes momentos repetiam com naturalidade uma afirmação bizarra: ‘Sorte tua que tu não tá na baixada…’ ”

Luang, que não recebeu cópia do boletim de ocorrência, ainda foi condenado a pagar multa de R$900,00 “Na delegacia não havia tinta de impressora, então não fiquei com nenhuma cópia do registro. Fui no JECRIM e, hoje, descobri que fui condenado a pagar 900,00 reais. ”

Está marcada para o mês de abril uma audiência de conciliação onde o empresário ficará frente-a-frente com os policias e o juiz para apuração dos fatos. Na avaliação de Luang, não há dúvidas de que foi um episódio de racismo:

“Para aqueles que tem dificuldade de entender o racismo, é isso. Para aqueles que o tema da apropriação cultural é uma abstração, disputa de argumento, e ou motivo de piadas, lhes digo que é apenas mais um das centenas de elos que, assim como a sexualização da mulher preta, a romantização da favela, parecem inofensivos, mas mantem a corrente do racismo apertada fortemente ao redor de milhões de brasileiros e brasileiras, antes, durante e depois do que uma pessoa branca “defender” o direito de usar um turbante.

O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

 

 

Denúncia: Professor é preso por tropas policiais dentro da Universidade Estadual de Goiás

Robson de Sousa Moraes, Professor e Coordenador de Extensão  da UEG, divulga carta aberta conta a invasão.

Por Esquerda Diário – DF

O professor estava na unidade da cidade de Goiás da UEG, que se encontrava ocupada. Sem mandado judicial, a PM invadiu a UEG (Universidade Estadual de Goiás), prendeu todos os ocupantes e desocupou à força a unidade.

Todos foram registrados na delegacia e em seguida liberados. Nessa semana, reportagem mostrou que a secretária de Educação de Goiás, professora Raquel Teixeira, mantém um grupo de WhatsApp com a PM para monitorar e vigiar manifestantes ligados às ocupações em Goiás”.

Temos a repressão contra estudantes e professores em escalada. Sinal que os movimentos de juventude e professores incomodam o golpismo.

A seguir declaração escrita, com data do dia 02/02, do professor Robson que coordena a Extensão da UEG:

“Como Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG, Campus Cora Coralina, quero manifestar meu repúdio a ação ilegal desencadeada pela Polícia Militar, nesta madrugada, que em um claro exercício de abuso de autoridade impediu de forma truculenta e intimidatória a livre manifestação e protesto de membros da comunidade acadêmica deste campus. A direção da UEG (Cora Coralina) reconhece e respeita a liberdade de expressão e de manifestação formalmente consolidados em nossa legislação . A ação proferida por forças policiais é um atentado contra o estado de direito e a já combalida democracia brasileira . Defender os alunos e professores contra essa absurda agressão é não se calar diante de um ato de flagrante desrespeito a norma constitucional vigente em nosso país.

Estamos vivenciado acontecimentos sombrios e tenebrosos que muito se assemelha a períodos recentes da história nacional, que em nome de uma suposta defesa da “ordem” instituiu-se atos de violência e barbárie, prisões ilegais, torturas e assassinatos. A UEG é um espaço de exercício da pluralidade de ideias, locus do saber e do conviver, escola de cidadania e da liberdade de expressão. Não abandonaremos e nem deixaremos sozinhos a expressão mais consciente de nossa juventude universitária, lutaremos em defesa da democracia e favor de nossa juventude contra os abusos e desvios autoritários, recorrermos as instâncias necessárias para cobrar responsabilidades e evitar que atentados como este ocorrido na cidade de Goiás não passe impunemente. Viva a liberdade! Viva a Democracia! Fascistas: Não passarão!

Robson de Sousa Moraes/ Coordenador de Extensão, Cultura e Assistência Estudantil da UEG (Campus Cora Coralina)”.

O Esquerda Diário se coloca a serviço de notas, artigos e denúncias que os companheiros de resistência aos ataques de Temer desejem divulgar nacionalmente. E chama os sindicatos de oposição ao governo a levantarem assembleias e órgãos de base para uma massificação das lutas contras os ataques do governo Temer.

 

Organizações de direitos humanos promovem atos contra PEC 241 hoje

As entidades de direitos humanos Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular organizam manifestações hoje em diversas capitais do país.

Por Cultura Livre

Uma série de manifestações são programadas para o dia de hoje (25) em diversas cidades do país em protesto pelos cortes na educação e saúde impostos pelo governo Temer (PMDB).

As mobilizações promovidas pelas frentes de luta fazem coro ao protesto liderado por estudantes em ocupações de escolas que já tomam o país, com instituições de ensino fundamental e médio, além de institutos federais e universidades ocupadas contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio.

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Protesto contra a PEC no dia 17 em SP. Crédito da foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A PEC 241, que já vem sendo chamada de PEC do Fim do Mundo por analistas políticos, tem previsão de votação do segundo turno nesta terça-feira na Câmara e os protestos tem o objetivo de pressionar o legislativo para que não aprovem a medida.

Segundo nota divulgada pelas frentes organizadoras dos protestos, a aprovação do projeto significaria um atraso para o desenvolvimento do país e o governo Temer concretizaria “o maior de seus ataques, até agora, aos direitos do povo brasileiro”.

“Os recursos que hoje já são insuficientes para garantir educação pública, gratuita e de qualidade ou a prestação dos serviços dignos de saúde para a maioria da população brasileira, por exemplo, ficarão estagnados, enquanto a população cresce e as necessidades só aumentam”, completa a nota.

Revista Vaidapé #6 será lançada neste domingo com festival no CEU Butantã

A 6ª edição da Revista Vaidapé  será lançada com um festival multiartístico no CEU Butantã. O evento que acontece neste domingo (23) contará com apresentações musicais, projeções, campeonato de skate e sarau aberto.

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Cultura Livre – SP

O coletivo de mídia Vaidapé, que foi criado para atuar na defesa dos direitos humanos, denunciando a violência institucional e valorizando as movimentações marginais chega ao seu quarto  ano de existência com fôlego. O lançamento da sexta edição da revista impressa Vaidapé, que também atua com disseminação de conteúdo livre em um site e redes sociais, será feito em um grande festival multiartístico, com distribuição de 5.000 exemplares gratuitos e diversas atrações culturais.

Dentre elas, o cantor pernambucano Di Melo, que vai se apresentar ao lado da Semiorquestra. No line-up musical, também estão Obinrin Trio, Lu Manzin, Dinho Nascimento, Inffesto e DJ Niely. O festival vai contar com projeções visuais feitas pelo Cäimbra Coletivo.

Um campeonato de skate com premiação para melhores manobras e a realização de um sarau com microfone aberto para o público vão agitar a tarde de domingo no Butantã. A festa também será enfeitada por um varal de lambe-lambes.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

Festival de lançamento da Vaidapé #5, em abril deste ano, contou com presença dos skatistas da região.

A proposta do coletivo é que a revista esteja presente nos espaços públicos da cidade, circule nas ruas, praças, ocupações, encontros, centros culturais, debates, universidades e movimentos sociais.

Depois do lançamento no CEU Butantã, a edição será distribuída em um segundo evento no Calçadão Cultural do Grajaú, zona sul de São Paulo. Em breve, serão anunciados os pontos fixos de distribuição, que devem abarcar todos as zonas da cidade de São Paulo.

Serviço:

Data: domingo, 23 de outubro de 2016

Local:Pista de skate do CEU Butantã – São Paulo (SP)

Comissão Guarani Yvyrupa lança Manifesto em favor do povo Guarani

Tribos sofrem com a diminuição do repasse de verbas da Funai e desrespeito por parte de ruralistas à demarcação de terras indígenas.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa debateu os direitos dos povos Guarani.

Por Cultura Livre – SP

A 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa, que ocorreu em setembro desse ano, divulgou um manifesto com as pautas reivindicatórias do povo Guarani em nome da Terra Indígena Tenonde Porã.

No manifesto, o povo Guarani denuncia o sucateamento da Fundação Nacional do Índio – Funai, que teve orçamento drasticamente reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de terras e a efetivação da garantia dos direitos dos povos indígenas.

Leia integralmente o texto do manifesto:

“Nós, de todo o povo Guarani das regiões Sul e Sudeste do Brasil, nos reunimos na 7ª Assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa para nos fortalecer na resistência contra os constantes ataques aos nossos direitos. Foram vários dias em que todos nós, anciãos, jovens e lideranças estivemos unidos para discutir os principais desafios que hoje temos de enfrentar; em que nos reunimos na opy, nossa casa de reza, para que Nhanderu nos dê força e coragem para seguir na nossa luta.

Continuamos firmes, com a inspiração de nossos ancestrais e com nosso nhandereko, nosso modo de viver, lutando para preservar tudo aquilo que Nhanderu deixou para nós, para vivermos com dignidade em nosso território tradicional, yvyrupa. Desde que nossas terras foram invadidas pelo jurua, os não-indígenas, nossa vida esteve sempre ameaçada. Passamos a viver cercados por conflitos, buscando dentro de nosso território aqueles tekoas, aquelas aldeias mais afastadas, onde pudéssemos viver em paz. Mas hoje depois de tanta destruição causada pelos jurua kuery, temos que nos organizar para lutar com todas as nossas forças e garantir as poucas terras que nos restam.

Nossa luta nunca foi fácil, mas hoje a situação é ainda mais preocupante. Os jurua poderosos e seus governos que estiveram sempre contra nossos direitos, estão se fortalecendo cada vez mais, aumentando os ataques contra nossos tekoas em nome de sua ganância, que  vê na terra apenas o dinheiro. Os jurua são tão gananciosos que agem contra seus próprios parentes, criando leis que nem eles mesmos cumprem, fazendo tudo para conseguirem o que querem. E os próprios jurua poderosos que criam as leis, os deputados e senadores, foram agora contra a sua principal lei, a constituição federal, para que um de seus representantes tomasse o poder.

Nos últimos anos já estávamos passando por uma situação que ficava cada vez mais difícil: a demarcação de nossas terras não progredia, o Governo e os empresários foram realizando cada vez mais grandes obras que impactavam nossas terras, dizendo que agiam em nome do desenvolvimento. Mas que desenvolvimento é esse que só beneficia os poderosos?  Que cria um mundo em que não tem espaço para os povos indígenas e para a preservação do meio ambiente? E agora com o novo Governo, escolhido diretamente pelos ruralistas e grandes empresários que dominam o Congresso Nacional, nossos direitos estão ainda mais ameaçados.

O novo Ministro da Justiça, escolhido pelo presidente golpista Temer, ficou conhecido no estado de São Paulo, onde foi secretário de segurança pública, por usar a polícia de forma brutal contra as manifestações que buscavam garantir os direitos dos mais pobres. Assim como os deputados ruralistas, distorcia todas as leis para permitir uma grande repressão contra o povo e a criminalização dos que se colocavam contra o Governo e os empresários que ele defendia. Assim que foi indicado como Ministro da Justiça ele declarou que era contra qualquer retomada dos territórios tradicionais e que não teria qualquer problema em usar da força policial contra os nossos parentes. E é esse Ministro tão violento que hoje é chefe da Funai.

Nos últimos anos, o orçamento da Funai tem sido cada vez mais reduzido, impossibilitando os trabalhos de demarcação de nossas terras e a efetivação da garantia de nossos direitos. Agora o corte foi tão grande que o orçamento aprovado da Funai é o menor dos últimos dez anos. Para nós esses cortes representam uma estratégia clara para imobilizar qualquer avanço na política indigenista, sangrando a Funai aos poucos para que todos os processos de reconhecimento de nossos territórios sigam paralisados. E essa situação pode ficar ainda pior caso o governo Temer aprove a PEC 241, que planeja congelar o orçamento da União pelos próximos 20 anos. Exigiremos sempre o fortalecimento da Funai para garantia dos nossos direitos fundamentais.

Não bastasse o corte orçamentário, os ruralistas do Congresso continuam a destruir nossos direitos através da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai/Incra, que foi aberta novamente mesmo tendo seu prazo expirado. Por meio da CPI nossas lideranças e apoiadores do movimento indígena são investigados como se fossem criminosos, enquanto nenhuma justiça é feita sobre o sangue derramado de nossos parentes pelos fazendeiros e pelo Estado. Na prática a estratégia do novo governo é que o genocídio continue: enquanto o único órgão indigenista do estado agoniza e nossas lideranças são perseguidas, os ruralistas e empresários seguem avançando contra a vida dos povos indígenas.

Nossa assembleia marca a resistência do povo Guarani nesse momento de tantas dificuldades e tantos ataques aos direitos dos povos indígenas, das diversas comunidades tradicionais, remanescentes de quilombos, das mulheres e de todos os trabalhadores. Mas nossa luta não começou hoje e nunca vai parar. Quando Nhanderu criou o mundo ele deu o papel para o jurua, enquanto deu pra nós o petygua, o cachimbo. Por causa da ganância o jurua não soube usar o papel, e com ele tem tentado acabar com as nossas terras, destruir nossas matas e acabar com nosso povo. Mas nós temos o petygua: nossa reza, nossa união e nosso nhandereko, nosso modo de vida. E com ele continuaremos resistindo nas nossas terras tradicionais, nas nossas retomadas, plantando o alimento verdadeiro, cuidando das matas e da água fresca que Nhanderu deixou para nós.

Aguyjevete pra quem luta!”

Ong argentina cria campanha contra o câncer à prova de censura em redes sociais

Por Cultura Livre

Como algumas redes sociais como Facebook e Instagram censuram imagens de seios femininos, a ONG argentina David de Buenos Aires encontrou uma forma criativa de mostrar como fazer um autoexame para combater o câncer de mama e criou a campanha #tetasxtetas para o Movimiento Ayuda Cancro de Mama (MACMA), lançada este mês para a campanha Outubro Rosa.

Em vídeos e imagens que compõem as peças da campanha ‘Tetas x tetas’ são mostrados os “peitos” de um homem e as mãos de uma mulher, que se posiciona atrás dele, fazendo o exame.  A iniciativa lançada nas redes sociais busca aumentar a consciência sobre o câncer de mama e também destaca de forma clara a sem censura sofida por mulheres na rede, abordando a questão do machismo e da auto-apropriação do corpo feminino.

Os seios femininos geralmente são censurados. Mesmo quando aparecem para ensinar como realizar um autoexame para a detecção precoce do câncer de mama. É aí que ‘tetasxtetas’ entra. Uma campanha relacionada com a saúde, que exige que os homens participem, para conseguirmos sucesso“, declaram Joaquin CubriaIgnacio Ferioli, ECDs da David Buenos Aires.

 

HQ Kondaro narra luta dos índios guaranis

O livro lançado em São Paulo no último dia 11 deste mês narra o processo de resistência indígena dentro da cidade de São Paulo, com roteiro e arte de Vitor Flynn Paciornik e publicação da editora Elefante.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

HQ Kondaro: a imagem retrata o Monumento às Bandeiras.

Por Cultura Livre – SP

O livro em formato HQ, com desenhos do artista Vitor Flynn Paciornik foi produzido pela Fundação Rosa Luxemburgo com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa, organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil, e narra a história recente de resistência indígena em São Paulo a partir do protesto de um jovem guarani durante a abertura da Copa do Mundo no Itaquerão, em 2014.

O lançamento ocorrido no último dia (11) no Espacio 945, na região Bela Vista em São Paulo, contou com um debate sobre resistência indígena e violência no campo com lideranças guaranis, com a presença de especialistas da Info Amazônia, Armazém Memória, De Olho nos Ruralistas e da Fundação Rosa Luxemburgo.

Ao longo de 60 páginas, as ilustrações retratam cenas da onda de manifestações dos Guarani Mbya, iniciada em 2013, pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo, como o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes e a ocupação do Monumento às Bandeiras.

Atualmente, os Guarani lutam pela demarcação de suas terras na zona norte e na zona sul da cidade de São Paulo. Mais de dois mil indígenas vivem na região de Parelheiros e Jaraguá.

Ficha técnica

Autor: Vitor Flynn Paciornik
Projeto Gráfico: Bianca Oliveira
Consultoria: Lucas Keese dos Santos
Apresentação: Daniel Santini
Editora: Fundação Rosa Luxemburgo & Editora Elefante
Apoio: Comissão Guarani Yvyrupa
Páginas: 60
Publicação: Setembro 2016
ISBN: 978-85-68302-08-8
Dimensões: 18,2 x 25,5 cm

Site da Editora: http://www.editoraelefante.com.br/produto/xondaro/#prettyPhoto[product-gallery]/6/

Exposição ‘A Lama: De Mariana ao Mar’ mostra de perto tragédia ambiental

Imagens revelam a dimensão da tragédia e dos danos causados ao meio ambiente na exposição em cartaz no Paço Imperial, no Rio.

Exposição "A Lama – de Mariana ao mar" fica em cartaz no Paço Imperial.

Exposição “A Lama – de Mariana ao mar” fica em cartaz no Paço Imperial.

Por Cultura Livre – RJ

O Paço Imperial, na Praça XV, região central do Rio, recebe até o dia 20 de novembro a mostra “A Lama: De Mariana ao Mar” que retrata através de fotos panorâmicas a tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do país ocorrido em 5 de novembro de 2015, que arrasou o povoado de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais e trouxe impactos ambientais devastadores para o país.

O projeto da exposição teve origem em uma reportagem sobre o desastre publicada na revista Piauí, em julho de 2016. O registro fotográfico da extensão da destruição e do percurso feito pela lama é do fotógrafo Cristiano Mascaro, acompanhado de imagens aéreas produzidas por seu filho, Pedro Mascaro, por meio de um drone.

A exposição é resultado de uma parceria entre a revista Piauí, o Instituto Moreira Salles – IMS e o Paço Imperial com a curadoria de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.

Durante a exposição ocorrerão uma serie de encontros e debates sobre a tragédia. Confira a programação:

Terça, 18/10 A repórter Mariana Queiroz, da GloboNews, conversa com a jornalista da piauí, Consuelo Dieguez.

Mariana Queiroz foi para MG horas depois do rompimento da barragem e passou dias abastecendo ao vivo a programação do canal de notícias com informações sobre a tragédia. Já Consuelo, que tem no currículo o prêmio Esso pela reportagem Guerrilha do Araguaia, publicada noOGlobo em 96, foi a Bento Rodrigues, MG, para a reportagem  A Onda publicada na piauí de julho. Consuelo ouviu sete sobreviventes da lama na primeira metade da sua matéria e na segunda narrou onde estavam e o que faziam as autoridades responsáveis. Mariana Queiroz vai usar dessa experiência in loco, no calor dos acontecimentos, pra entrevistar Consuelo.

Sexta, 21/10 –  Conversa com Cristiano Mascaro. Cristiano Mascaro foi convidado pela piauí para percorrer todo o leito do rio Doce do local do rompimento da barragem até o mar, já no Espírito Santo. E pra empreitada, levou o filho Pedro Mascaro, que é engenheiro e está se rendendo a profissão do pai, mas em outra modalidade: a fotografia aérea. Pai e filho então fizeram os registros em terra e em tomadas aéreas que compuseram o portfólio publicado na mesma edição da reportagem de Consuelo.

Terça, 1/11 –  Consuelo Dieguez entrevista o promotor de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Entre os temas da conversa: a atualização sobre as investigações e a punição do responsáveis e ponta do iceberg que o rompimento da barragem revelou ser o problema da exploração do minério no Brasil. Para a plateia, foram convidados estudantes dos cursos de direito e de Engenhara ambiental das principais universidades do Rio.

Terça,  08/11 Pedro Mascaro, filho de Cristiano Mascaro e autor dos vídeos captados com drone e exibidos na exposição, fala sobre captação de imagens aéreas. Vamos levar para o Paço uma turma de um instituto de fotografia pra aprender sobre equipamentos e técnicas dessa modalidade de captação de imagens.

Serviço:

“A lama: de Mariana ao Mar”

Data: Até 20/11/2016. Terças,  Quartas,  Quintas,  Sextas,  Sábados e Domingos das 12:00 às 19:00

Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, S/N, Centro, Rio de Janeiro – RJ

Entrada Franca

Marcelo Rubens Paiva recusa prêmio do Minc: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”

Marcelo Rubens Paiva, que foi indicado ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura à pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira, recusa prêmio e dispara: “Aceitaria se fosse de um governo eleito”.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Marcelo Rubens Paiva. Origem da foto: internet.

Por Cultura Livre 

O escritor Marcelo Rubens Paiva publicou no último dia 11 uma foto no seu perfil do Facebook revelando a sua recusa ao prêmio de Ordem do Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura, a pessoas, iniciativas ou instituições que tenham contribuído com a cultura brasileira:

“Era uma comenda de Ordem ao Mérito do MinC. Deste governo golpista. Como democrata, recusei. Até estranhei a oferenda.”, escreveu Rubens Paiva.

O escritor agradeceu, mas recusou a indicação e disse que  ‘só aceitaria se o prêmio fosse dado por um governo eleito’.

“Caros, obrigado pela lembrança, mas vou declinar. Sou um democrata, e não aceito a forma como o novo governo foi conduzido ao Poder. Aceitaria se fosse de um governo eleito pelo voto direto”, escreveu.

Rubens Paiva lança este mês a biografia da banda punk Inocentes, feita em parceria com Clemente, intitulada Meninos em Fúria.

Veja a troca de e-mails entre Milton da Luz Filho e o escritor Marcelo Rubens Paiva:

rubens paiva

 

 

Mais de sete mil pessoas no centro do Rio contra a PEC 241

Nessa segunda-feira (17), no Centro do Rio, milhares de pessoas que acreditam que a PEC 241 dilacera direitos fundamentais dos brasileiros em todas as áreas, inclusive saúde e educação reuniram-se para reivindicar seu futuro.

NINJA – RJ

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Marchando pelo centro do Rio, a manifestação mobilizou mais de 7 mil pessoas. Crédito da Foto: Mídia NINJA

Nessa segunda-feira o povo foi ocupar as ruas para mostrar que rejeita a proposta de Emenda à Constituição 241 que tramita no Congresso Federal. Os jovens, outra vez, eram a maioria. Também estiveram muitos servidores públicos, especialmente da saúde e educação. A mobilização se somou à uma enxurrada de críticas e apelos que passam dos professores aos médicos da rede pública, de estudantes primários a pós-graduados, de técnicos de órgãos do próprio governo aos de setores sindicais, todos que já se pronunciaram publicamente para subsidiar a defesa contra a PEC.

A concentração do ato se deu a partir das 17h, no largo da Cinelândia, nas escadarias da Câmara de Vereadores. O governo de Michel Temer era repudiado por todos. Em celebração de boas-vindas, grupos que chegavam eram saudados pelos os que já estavam. Juntos gritavam com raiva na praça.

Crédito da Foto: Mídia NINJA

Crédito da Foto: Mídia NINJA

“A nossa luta é todo o dia, Saúde não é mercadoria.Por essa crise não pago, não. Quero dinheiro para saúde e educação”.

Palavras de ordem entoadas em meio à manifestação.

 

Talvez o mais numeroso dos grupos fosse o dos estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro, o IFRJ, que levaram cartazes “A grande mídia não vai nos calar”, “PEC 241: Brasil, um país de poucos”, entre dezenas de outros. Quatro institutos federais do Estado do Rio já estão ocupados. Outros podem ser ocupados a qualquer momento. Segundo a União Brasileira de Estudantes Secundaristas, já são 500 instituições de ensino ocupadas em todo o país – a maioria no Paraná.

Bloco de estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Foto Mídia NINJA

Bloco de estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Um coro com centena de jovens do IFRJ dominou a praça “Ocupa Tudo, Ocupa Tudo”. Um desses jovens era Daniel, 17 anos, aluno do último ano, que não sabe ainda qual curso superior vai querer fazer, mas já sabe que quer ser professor.

“Feliz de estar neste ato, estamos fazendo história. Sou contra a PEC sim. Eu quero ver o meu filho e o meu neto estudando na Instituição que eu estudei, tendo um pensamento crítico. A PEC é bem clara: o pobre vai ficar mais pobre e o rico mais rico. A PEC é para beneficiar eles. Não parece que eles estão pensando em ninguém, em nenhum momento. Eles não estariam pensando em sucatear a educação. Querem sucatear. Um exemplo é que há poucos dias eles fizeram questão de não colocar os índices do instituto no ranking do ensino médio. É para rebaixar o Instituto, sucatear o Instituto, para depois privatizá-lo”.

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ - Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Daniel, 17 anos, estudante do IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro. Crédito da foto: Mídia NINJA

Tatiana Roque, da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio, maior universidade do país, também se mostrava assustada com o futuro, embora mantenha a esperança de barrar a emenda.

“A gente tá preocupadíssimo com essa PEC, vai significar uma redução drástica no financiamento e verbas para saúde e educação, em especial, para as universidades. A PEC, ao congelar os valores atrelados à inflação, vai reduzir muito o investimento per capita. Vai ser algo muito sério, vai piorar muito. Mas eu ainda acho que dá para virar, a gente tá confiante que dá para barrar essa PEC”.

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

Fora Temer. Crédito da Foto: Midia NINJA

O texto da PEC 241 foi elaborado pelo próprio Governo Federal ainda em junho, durante o período interino de Michel Temer. O governo apressou o trâmite na Câmara. Para garantir fidelidade, proporcionou um banquete no Palácio do Planalto. Foi atendido, na segunda-feira passada, por 366 deputados, os mesmo que votaram pelo impeachment. O PMDB foi unânime. PSDB, DEM, PRB, PR, PP, entre muitos outros da base golpista, também assinaram essa bomba. Deputados do PSOL, PT, PC do B, REDE alguns deputados do PDT e muito poucos de outros partidos foram conta. A PEC será votada em segundo turno no plenário da Câmara na próxima segunda-feira, 24 de outubro.

A redação da Proposta traz: “será fixado, para cada exercício (ano), limite individualizado para a despesa primária total dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, inclusive o Tribunal de Contas da União, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”. Em outro trecho, completa que os limites cumprirão “o valor do limite referente ao exercício imediatamente anterior, corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo”, o mais importante índice inflacionário do Brasil. O crescimento do orçamento público, quase que completo, fica atrelado apenas a um crescimento inflacionário, mesmo que as previsões garantam que a população irá crescer e, ao mesmo tempo, envelhecer nos próximos 20 anos, exigindo também crescimento expressivos nos investimentos em educação e saúde, que já não estão em patamar adequado.

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Crédito da Foto: Mídia Ninja

Em texto pedindo apoio ao Congresso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira clamam “um Novo Regime fiscal no âmbito da União, para controlar o desequilíbrio fiscal do país”.

Quem estava na praça discorda que essa seja a solução para o Brasil. Quase às 19h, já eram centenas de grupos reunidos na Cinelândia quando todos decidiram partir pela avenida Rio Branco em direção à avenida Chile. Policiais militares do Choque enfileiraram-se à frente do Teatro Municipal. A multidão, sempre entoando gritos contra a PEC e contra o Governo Temer, virou à esquerda. Um estudante distribuía um folheto com críticas à PEC para os policiais. Alguns recebiam, outros encaravam com raiva um menino de 17 anos: “Vários aceitaram. Levei uns 25 panfleitos, só sobraram dois. Fiz minha parte para eles virem para o nosso lado. O movimento tem que ser coletivo”.

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Faixas chamavam a proposta de PEC da Morte e #PECdoFimDoMundo. Crédito da foto: Mídia NINJA

Repressão e truculência

Já perto das 20h, quando a multidão passava pela avenida Chile, na altura do prédio da Petrobrás, os ataques da polícia começaram. Primeiro, em confronto com os grupos anarquistas. No primeiro dia do novo secretário de segurança do Estado do Rio, Roberto Sá, a PM carioca, de salários atrasados, demonstrou que mantém a velha covardia. Atacou com bombas de gás, que fizeram estudantes chorarem assustados. Em debandada, policiais machucavam mesmo pessoas paradas, como um jovem negro, que levou cacetadas e chutes de um policial gratuitamente. Indignado, ele ainda questionou o policial “você vai bater num negão como você?”. Comunicadores populares foram agredidos. Os grandes canais da televisão não foram visto na cobertura do ato.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A caçada irresponsável da PM invadia pequenas ruas do Rio, arrastando mesas e violentando mesmo quem estava parado ou filmando. Um jovem mudo, conhecido em protestos, foi preso, assim como, pelo menos, outras 4 pessoas, uma delas indígena. A multidão assustada retornou à Cinelândia. Um grupo resistia, e agora pichava a fachada da Câmara de Vereadores. Foi o momento em que chegou reforço do Choque, cerca de 50 policiais. A brutalidade da PM varreu desta vez a Cinelândia, já perto das 21h, e atingiu em cheio um dos mais conhecidos bares da cidade, o Amarelinho, onde outra mulher foi presa. Mesas e cadeiras foram arremessadas.

A população, mesmo quem não esteve no protesto, desafiava os policiais, lembrando que, como servidores públicos, também sofrem com o atraso do salário e sofrerão com os cortes da PEC, que atingem em cheio a pasta da Segurança. Cinco pessoas foram atendidas com cortes segundo um grupo da Cruz Vermelha revelou. Nenhuma delas em estado grave.

Crédito da foto: Mídia NINJA

Crédito da foto: Mídia NINJA

A PEC 241 foi rejeitada nas ruas nesta noite e a polícia mostrou que irá reprimir as manifestações contra a proposta.

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

Crédito da foto: Joana Diniz / Mídia NINJA

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