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Historiador faz pesquisa com documentação inédita sobre escravidão no século XIX

O estudo traz nova perspectiva histórica sobre tráfico de escravos africanos no período do século XIX, na região do norte fluminense.

Por Cultura Livre | RJ

Baseado na análise de arquivos originais de batismo da primeira metade do século 19, o jornalista e historiador niteroiense Fábio Francisco deu início à uma pesquisa inédita sobre a atividade escravagista na região de Macaé, um dos principais portos da rota do tráfico de escravos africanos no pais.

O estudo faz parte da dissertação de mestrado do historiador, que recebe suporte acadêmico e documental disponibilizado pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Segundo Fábio Francisco, o projeto demonstra à importância dos registros de batismo como fonte serial fundamental para contextualizar cenários e traçar perfil social:

“Acredito que essa é uma pesquisa muito importante para ampliar o nosso conhecimento sobre um período extremamente rico da nossa história. Mas não só isso, pesquisar através de fontes documentais primárias nos permite mergulhar de cabeça naquela sociedade e descobrir particularidades que só os registros de batismos poderiam oferecer.” , diz Fabio.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

Fontes originais de batismo da Freguesia de Macaé são utilizadas na pesquisa.

A jornalista e estudante de história, Sheila Fonseca, participa da pesquisa prestando suporte na área de leitura paleográfica e acredita que essa documentação é fundamental para a reconstrução da memória do período: “É um trabalho minucioso e muito revelador do que era a conformação social da época”, revela Sheila.

Com previsão de finalização e defesa do mestrado no fim do primeiro semestre de 2018, após a conclusão será lançado um livro com previsão para o mesmo ano:

“Esses documentos são um registro fiel e nos dão inúmeras possibilidades de interpretação. Pretendo trazer os resultados dessas pesquisa para uma linguagem menos acadêmica e democratizá-la ao grande público. Afinal, sem entender o nosso passado fica difícil contextualizar a realidade atual.”, acrescenta o historiador. 

Eldes Saullo lança “Como transcender no metrô lotado”

Autor de best-sellers da gigante Amazon sobre o mercado literário para escritores iniciantes, Eldes Saullo surpreende e lança livro sobre filosofia e espiritualidade. 

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre | RJ

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Eldes Saullo e seu novo livro.

No dia primeiro deste mês, a Amazon lançou o aguardado “Como Transcender no Metrô Lotado”, do escritor, professor e publicitário mineiro Eldes Saullo.

Numa convergência entre ciência, filosofia e espiritualidade, o livro aborda temas como bem-estar e realização pessoal propondo ao leitor uma imersão na jornada pelo autoconhecimento, que o autor considera “um meio de ser feliz em um mundo conturbado”.

A opção pela temática espiritual do novo livro surpreendeu antigos leitores habituados aos seus textos e análises sobre o mercado literário brasileiro.  Autor de outros 17 livros pela Editora Amazon, alguns deles best-sellers encabeçando as principais listas dos mais vendidos, Eldes se especializou nos últimos anos no nicho literário de manuais de escrita criativa para novos autores.

Segundo o escritor, apesar disso, o processo de criação de “Como transcender no metrô lotado” surgiu de maneira espontânea, como um apanhado de suas experiências de vida que divide com os leitores: “Este livro é um trabalho de 47 anos, pois reúne conhecimentos que acumulei ao longo da vida.”, conta.

Organizado de maneira semi-didática, como um manual, o  livro fala sobre as sete consciências necessárias para ser feliz, conduzindo o leitor a reflexão de como levar uma vida mais significativa no mundo em que vivemos.

Na visão do autor, o caminho passa pela união dos conhecimentos científicos, filosóficos e religiosos e pelo autoconhecimento. E passa também pelas oscilações neuronais:

“A hiperventilação do cérebro gera Ondas Gama e une os hemisférios cerebrais, o que se traduz pelo aumento na percepção extrassensorial”, afirma Eldes, que também ministra cursos sobre escrita criativa e marketing digital. 

Ao analisar e comparar textos sagrados da Cabalá, das religiões monoteístas e das sabedorias orientais e herméticas sob a luz da Filosofia e da Ciência, o  livro trata à evolução humana pelo despertar dos sentidos físicos e metafísicos. Mas, na opinião de Eldes, ao contrário do que pregam muitas religiões e correntes esotéricas, não há nenhum mistério nisto: “É tudo uma questão de hiperventilar o cérebro e alinhar o corpo, a mente e a essência”, revela.

O livro está disponível nas versões digital (e-book) e papel na Amazon Brasil: http://bit.ly/metro-lotado

 

Greve geral paralisa ônibus, metrô e educação em todo o Brasil

Sindicatos e movimentos sociais protestam contra reformas da previdência e trabalhista propostas pelo governo Temer. Paralisações ocorrem em diversas capitais do país.

Por Marcos Souza  e  Sheila Fonseca – para Cultura Livre

Greves e manifestações acontecem nesta quarta-feira (15) em 25 estados do Brasil e mais o Distrito Federal. Milhares de trabalhadores, além de integrantes de movimentos sociais e entidades sindicais se reúnem por todo país em uma paralisação histórica contra as reformas da Previdência e Trabalhista, propostas pelo governo de Michel Temer.

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crádito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

Movimentos sociais protestam na avenida Paulista, em São Paulo. Crédito da Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

São Paulo

Na capital paulista e em municípios da  Região Metropolitana, motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, professores e bancários também aderiram à paralisação. Terminais de ônibus e estações do Metrô amanheceram vazios, vias foram bloqueadas por manifestantes. A Prefeitura acabou liberando o rodízio de carros em toda a cidade. Na tarde de hoje, por volta 17h, a Av. Paulista já era tomada por mais de 100 mil manifestantes.

 Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Paulista tomada por mais de 100 mil manifestantes.

Ana Paula, professora da rede municipal, traduz os retrocessos “Estamos em greve contra todos os retrocessos, se eu for colocar na ponta do lápis todos os impactos pra mim, vou me aposentar com quase 80 anos. É muito trabalho dando aula, e ainda mais trabalho quando chego em casa, para me aposentar nessa idade”.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perde de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena / Mídia NINJA.

Manifestantes marcham em São Paulo contra a perda de direitos trabalhistas e previdenciários. Crédito da Foto: Ângela Helena/Mídia Ninja.

 

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Nathália, Yasmin e Beatriz, estudantes do Ensino Médio, vieram protestar contra a reforma do Ensino Médio e da Previdência. Elas também pedem a saída do presidente Michel Temer.

Curitiba

Curitiba amanheceu hoje com serviços parados no transporte, educação e coleta de lixo, entre outras áreas. Segundo levantamento da Associação Comercial do Paraná estima-se que pelo menos R$ 150 milhões deixaram de circular em Curitiba nesta quarta-feira, devido à paralisação. A estimativa leva em conta o PIB da capital e engloba os setores de comércio, indústria e serviços.

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Trabalhadores protestam em Curitiba contra reforma na Previdência. Crédito da Foto: Henry Milleo

Em decorrência da greve, 1,5 milhões de pessoas em Curitiba ficaram sem transporte publico. Segundo o sindicato, a paralisação será por tempo indeterminado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), Anderson Teixeira, o dia todo deve ser assim, sem transporte, mas a tendência é que a greve continue a partir desta quinta.  “Nós aderimos ao dina de mobilização e não deverá ter ônibus hoje em Curitiba e Região, mas a partir desta quinta a categoria decidiu permanecer parada porque há um desrespeito com motoristas e cobradores já que a database não foi acertada e a proposta de só repor o INPC não é aceita pelos trabalhadores”, afirmou.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Pontos de ônibus ficaram lotados no início da manhã em Curitiba.

Rio de Janeiro

No Rio, o Sindicato dos Professores (Sinpro-Rio), A CUT-Rio, além do sindicatos dos Bancários, Rodoviários,  Sindicato dos Petroleiros, dois sindicatos da saúde, radialistas, da Casa da Moeda, Correios, dentre outros, aderiram à paralisação e participam das manifestações.

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Manifestantes no Largo do Machado se dirigem ao Palácio Laranjeiras, sede do Governo do Rio.

Segundo o Sinpro-RJ, também houve grande adesão de escolas particulares,  com participação de mais de 15 mil professoras e professores dessas instituições na paralisação contra as reformas da Previdência, trabalhista, do ensino médio e a chamada Escola Sem Partido. Em nota, a entidade avaliou a manifestação como positiva:

“Altamente positiva, com expressiva adesão e apoio da sociedade.  Mais de 15 mil professoras e professores de escolas particulares aderiram à paralisação.

O Sinpro-Rio organizou atos públicos no Largo do Machado, Botafogo, Ipanema, Gávea, Tijuca, Jacarepaguá, Campo Grande. No Largo do Machado, por exemplo, cerca de duas mil pessoas passaram pelo local, com alunos e pais apoiando a paralisação. Houve ainda passeatas no Cosme Velho, Largo do Machado ao Palácio da Guanabara.

Alunos e professores falaram nos atos públicos, todos acentuando o quanto será nociva a reforma da Previdência, independente da idade, sendo que muitas mulheres se manifestaram, deixando claro que elas serão muito prejudicadas. A reforma trabalhista e outros retrocessos nos direitos sociais também foram alvo de protestos. Vamos à luta! Nenhum direito a menos!”

 

Greve rio

15 mil professores de escolas particulares aderiram à greve no Rio. Crédito da Foto: Sinpro/RJ.

A professora Luciana Moreira acredita que esse é um dia de luta histórica para o Sinpro-RJ: “Hoje é um dia histórico de protagonismo e luta por uma sociedade cidadã para o Sinpro-Rio em conjunto com todos os movimentos sociais, movimento de mulheres, sindicatos e entidades de classe, transeuntes e pessoas que resolveram se juntar à essa marcha, que decidiram parar e lutar por um país mais justo e contra um governo que emergiu, que chegou ao poder de forma não republicana, não democrática. As reformas trabalhistas e previdenciárias que estão sendo impostas violentamente à população são apenas consequência disso. Acredito que estamos hoje não apenas lutando pela manutenção nossos direitos, mas dando um exemplo para as gerações futuras e exercendo o nosso papel pleno de educadores.”

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

O MST pela manhã fechou a BR 365 que dá acesso ao Porto do Açu. Crédito da Foto: Rafael Caliari/CUT-Rio.

 

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

Milhares de pessoas fazem concentração na Candelária.

 

Faixa "Fora Temer" com manifestantes, no Rio.

Faixa “Fora Temer” com manifestantes, no Rio.

Brasília

Em Brasília, cerca de 3 mil manifestantes bloqueiam a Praça dos 3 Poderes. A perda de direitos e os retrocessos promovidos pelo governo Temer são os principais motivadores da ocupação, que tem sua centralidade na luta contra a reforma da Previdência, enviada pelo presidente Michel Temer em dezembro, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287.

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Sindicatos protestam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista, nesta quarta-feira. Crédito da foto: ERALDO PERES/AP

Derrota no Palácio do Planalto: Justiça determina retirada de propaganda sobre Reforma da Previdência do ar

A juíza Marciane Bonzanini, da 1ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre determinou nesta quarta-feira (15) que o governo de Michel Temer retire do ar as propagandas, veiculadas em qualquer tipo de mídia, sobre a reforma da Previdência.

A magistrada, que atendeu a uma ação movida por diversos sindicatos de trabalhadores, estabeleceu multa diária de R$ 100 mil, caso a decisão não seja cumprida. Bonzanini entendeu que o governo Temer não poderia ter utilizado recursos públicos para financiar as peças que tem caráter pessoal, partidário do governo e não didático, incluindo ameaças de perda de direitos como o bolsa-família, caso a reforma não venha a ser aprovada no Congresso.

“A campanha publicitária desenvolvida, utilizando recursos públicos, faz com que o próprio princípio democrático reste abalado, pois traz consigo a mensagem à população de que a proposta de reforma da previdência não pode ser rejeitada e de que nenhuma modificação ou aperfeiçoamento possa ser feito no âmbito do Poder Legislativo, cabendo apenas o chancelamento das medidas apresentadas”, diz a juíza.

A juíza ressalta que o debate político deve ser feito no Poder Legislativo, cabendo às partes sustentarem suas posições e construírem as soluções adequadas do ponto de vista constitucional e democrático: “O que parece destoar das regras democráticas é que uma das partes envolvidas no debate político busque reforçar suas posições e enfraquecer argumentos diferentes mediante campanha publicitária utilizando recursos públicos”, afirma.

Bonzanini determina também que o governo veicule, no mesmo espaço, uma contrapropaganda: “A campanha do Governo Federal sobre a Reforma da Previdência violou o caráter educativo, informativo e de orientação social, que, nos termos do artigo 37, §1º, da Constituição da República, deve pautar a publicidade oficial dos órgãos públicos, uma vez que difundiu mensagens com dados que não representam de forma fidedigna a real situação financeira do sistema de Seguridade Social brasileiro e que podem induzir à formação de juízos equivocados sobre a eventual necessidade de alterações nas normas constitucionais previdenciárias”.

Leia na íntegra a decisão:

https://www.slideshare.net/aquileslins/justia-manda-suspender-propaganda-da-reforma-da-previdncia?ref=http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/285124/Justi%C3%A7a-manda-Temer-tirar-do-ar-propaganda-mentirosa-sobre-Previd%C3%AAncia.htm

Empresário denuncia racismo em abordagem da PM no RJ

O ator, designer de roupas e empresário carioca Luang Senegambia Dacach Gueye é vítima de detenção em abordagem truculenta da polícia militar e denuncia: “O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

Por Sheila Fonseca – para Cultura Livre (*atualizada às 21h48)

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia.

Luang é proprietário da marca de roupas Senegâmbia. Crédito da foto: Acervo.

Na última terça-feira (14) o ator e designer Luang Senegambia Dacach Gueye, proprietário da marca de roupas com inspiração na cultura africana Senegâmbia, veio a público utilizando o seu perfil pessoal em rede social para denunciar o episódio de racismo institucional ocorrido no dia 12 de novembro do ano passado, em que foi vítima de detenção arbitrária e abordagem truculenta da PM durante o evento Mimo Festival, no Rio de Janeiro.

“Fui acusado de desobediência”, diz Luang.

“No dia 12 de novembro de 2016, às 16 horas fui abordado por dois policiais em frente a Praça Paris [no bairro da Glória, Zona Sul do Rio], onde acontecia um festival de música. Questionei o motivo da abordagem e aleguei que estava apenas de passagem, não vendo motivo para ser revistado. Disseram que eu era suspeito. Perguntei: Suspeito de que?. Aleguei que a única explicação para eles me pararem é porque sou preto e eles racistas. Então fui imobilizado, cercado por uns 6 ou 8 policiais, algemado e levado para delegacia do Catete.” revela.

Segundo o empresário, foram momentos de tensão que incluíram ameaças veladas dos policiais: “Na viatura e na delegacia, diferentes PM´s em diferentes momentos repetiam com naturalidade uma afirmação bizarra: ‘Sorte tua que tu não tá na baixada…’ ”

Luang, que não recebeu cópia do boletim de ocorrência, ainda foi condenado a pagar multa de R$900,00 “Na delegacia não havia tinta de impressora, então não fiquei com nenhuma cópia do registro. Fui no JECRIM e, hoje, descobri que fui condenado a pagar 900,00 reais. ”

Está marcada para o mês de abril uma audiência de conciliação onde o empresário ficará frente-a-frente com os policias e o juiz para apuração dos fatos. Na avaliação de Luang, não há dúvidas de que foi um episódio de racismo:

“Para aqueles que tem dificuldade de entender o racismo, é isso. Para aqueles que o tema da apropriação cultural é uma abstração, disputa de argumento, e ou motivo de piadas, lhes digo que é apenas mais um das centenas de elos que, assim como a sexualização da mulher preta, a romantização da favela, parecem inofensivos, mas mantem a corrente do racismo apertada fortemente ao redor de milhões de brasileiros e brasileiras, antes, durante e depois do que uma pessoa branca “defender” o direito de usar um turbante.

O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.”

 

 

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