O que a Colônia, parcialmente rural e com aeroporto, tem culturalmente?

ColôniaO que é que a Colônia, região da cidade povoada por migrantes italianos agricultores e que foi cogitada para sediar a capital mineira, tem de expressões e manifestações artístico-culturais? Moradores dos cinco bairros locais – Colônia do Giarola, Colônia do Bengo, Colônia do Marçal, Solar da Serra e Residencial Girassol – mais três de outros bairros tentaram esboçar um perfil da herança e produção cultural da região, sexta-feira, 23, na última conferência livre preparatória para a Conferência Municipal de Cultura. A reunião foi na escola estadual Brighenti Cesare.

“A igreja católica é a força maior na região, com eventos e festas sempre cheios, como a de São Genaro e Semana Santa. As famílias de descendentes italianos conservam algumas tradições, realizando encontros festivo-culturais de vem em quando. Boa parte da hotelaria são-joanense, de pousadas, está concentrada aqui na Colônia, que ainda tem muito de bairro rural, vizinho a estradas e trilhas rurais que possibilitam cavalgadas e caminhadas, por exemplo, até o município vizinho Coronel Xavier Chaves e a Tiradentes, pela Serra de São José. Turista quer isso, cheiro de curral. Mas a vida cultural, a existência e a apresentação de grupos artísticos como de música sertaneja de raiz, ou de grupos teatrais com base na igreja ou na escola estadual, é reduzida ou não aparece. Precisamos estimulá-la. O bairro sedia quase todas as fábricas são-joanenses de estanho, mas as lojas de venda estão no centro histórico”, avalia o morador e guia turístico nos fins de semana Jadir Jânio da Silva, complementado pelos presentes.

Ele conta que o desejado turismo cultural, o turista interessado em conhecer a cultura e a vida cultural da cidade que visita, “está crescendo. Outro final de semana um perguntou: o que eu faço à noite na cidade, em programação cultural? Indiquei a peça ‘As Bruxas de Salém’, do grupo teatral local ManiCômicos. Ele se interessou e o levamos lá”. Para Jadir, “devido aos preços proibitivos, elitizados de hospedagem em Tiradentes, qualquer evento lá muitos participantes hospedam-se em pousadas na Colônia, que lotam. Outros turistas hospedam-se aqui e vão um dia a cada município histórico das Vertentes. Nós, são-joanenses, temos que explorar mais roteiros específicos atraentes aos turistas, como um de cultura italiana na cidade, outro de caldos, outro de caminhadas grupais por trilhas rurais. Tais roteiros também interessam a muitos moradores”, propõe.

Presentes à reunião lembraram outras frentes, com face também cultural, carentes de atenção: a agricultura ecológica da região pode ser melhor aproveitada, já que oferece produtos inorgânicos, que interessam a muitos; que a Colônia do Felizardo tem plantações de flores, podendo ser organizadas visitações; e que a entrada da cidade, que passa pelo aeroporto e pelo bairro “é a mais bonita”, pela vista agrícola, mas a avenida central, 31 de Março, “precisa ser mais humanizada, arborizada, com canteiro central e instalação de calçadas”. O bairro, grande, com distâncias maiores a ser percorridas que os demais bairros são-joanenses, não tem calçada contínua para pedestres em toda sua extensão nas avenidas principais, paralelas.

Por: Edson Paz

Deixe um Comentário

*

Pular para a barra de ferramentas