O que eu queria ter dito no 10em10
01/10/2009 - postado por curaloucura

Há algum tempo estou em processo de ativismo encubado. Várias situações em minha vida estão me mostrando um caminho sólido e conciso sobre o que significa cultura digital em prol de uma modesta revolução social. Hoje, ter visto um tweet sobre a conversa com Pierre Levy, Gilberto Gil e outros ao vivo, foi uma delas, e essa conversa que me trouxe a conhecer este site e a escrever aqui.
Bem, foi muito importante para mim ter visto a discussão, já que isso me fomentou uma iniciativa mais social do que a princípio eu pensava que seria essa revolução, além de me dar a segurança de que isso é algo que está sendo discutido não só no âmbito individual, mas no âmbito político. Assim, com tantas idéias sugeridas numa discussão como a de hoje, muitos dos meus argumentos ficaram mais claros, e tentarei expor os principais.
Primeiramente, a questão de que o governo e os grupos sociais devem estimular de maneira mais contundente o desenvolvimento de softwares livres em prol da população nacional, apesar de saber que isso entra em conflito com interesses comerciais. Esta certeza tive ao estar cansado de, por ter restrições financeiras claras para adquirir softwares como Adobe Suite, assumir a posição de quase todos os usuários domésticos e apelar para os crackers, sentindo a culpa de ser um contra-lei, porém sem maiores opções disponíveis. Além disso, precisei de um software de edição de vídeo e encontrei um por U$80, que aparentemente iria suprir minha necessidade, porém, quando precisei de uma única funcionalidade específica, descobri que precisava adquirir a versão de U$650 para tê-la. Neste momento formatei meu computador e apesar das diversas dificuldades, instalei o Linux e decidi que nunca mais iria utilizar softwares comerciais para projetos pessoais, pelo menos. Com esta certeza, eu sinto que não há políticas públicas a estimular por exemplo, a aquisição de computadores baseando-se nessa cultura, pelo menos, isso não chega até meu círculo social, tendo que ser um hacker para situar-se confortavelmente neste ambiente, lidando com diversos conflitos que um usuário final desistiria de continuar a trabalhar em cima dele.
Além disso, tenho diversos planos de sites que vejo como benéficos para a população, porém, sem condições de pagar seus U$80 mensais para a infra-estrutura que todos esses sites iriam necessitar, além de registros anuais de domínios (sem considerar as iniciativas privadas ou estrangeiras), e nesta situação tenho três direções a seguir, partir para uma visão comercial, o que deturpa o princípio social dos sites que pretendo desenvolver, apelar para publicidade ou doações, que também interferem na clareza da assimilação do conteúdo e por fim pagar de meu próprio bolso, o que acho incoerente. Com isso, solicito atenção a esta situação, pois além de democratizar o acesso, entendo ser necessário a disponibilização de um meio de gerar conteúdos de maneira estruturada que não recaia no interesse individual mas de um grupo, fugindo assim das restrições impostas pelo formato de blog ou de ferramentas pré-prontas que não permitem que pessoas com conhecimentos avançados de web, como eu que trabalho na área, possam desenvolver ferramentas sociais de maneira transparente conseguindo, assim, uma efetiva democratização do conteúdo.
Também gostaria de ter um canal aberto com o governo e com organizações não governamentais para fomentar a produção de material que seja socialmente positivo e tenha bases para uma mudança social aquém dos interesses de empresas e veja o custo real incluindo o impacto ambiental e na saúde da população brasileira dos costumes enraigados proporcionando assim incentivos para uma mudança social tanto na vida das pessoas quanto no meio-ambiente e diretamente impactando na vida de milhões de animais e na desigualdade social, na falta de terras produtivas gerando inclusive movimentos como Sem-Terra e continuam a favorecer a fome em nosso país e a destruição de nossas florestas.
E por fim, como ex-estudante de artes visuais e ciente que o conteúdo protegido por leis de copyright possam limitar as ações criativas, solicito uma atenção de maneira abrangente sobre a forma como a produção de conteúdo cultural possa ser acessível e distribuída com os devidos incentivos do governo, seguindo filosofias como a GPL, Creative Commons e a de Copyleft, além de produções culturais que identifiquem a sociedade brasileira amplamente reconhecida pelo Ministério da Cultura, recebam algum benefício que permita em prazo menor que o de Domínio Público, a serem utilizadas em outras produções artísticas e culturais que não irão depreciar o sentido inicial desta produção, servindo assim de biblioteca e uso comum para a liberdade de expressão daqueles produtores independentes sem que haja nenhum conflito com leis de copyright ou que o próprio custo de aquisição de produtos ou de conteúdo dificultem a sua produção. Além do que, como cultura digital, vejo não só a internet mas como todo meio de produção audio-visual que na esmagadora maioria das vezes, não está acessível ao cidadão brasileiro e vejo como necessários ateliês digitais com além de computadores, equipamentos onde possam ser produzidos vídeos e outras mídias independentes de maneira democrática, e não mais restritos àqueles que tem poder aquisitivo, o que me exclui da equação no momento.
E assim, me introduzo neste primeiro post
