Gatinhos do mar
26/10/2009 - postado por curaloucura
Pois é, acabei caindo novamente em notícias sobre os sea kittens do Peta e acho curioso como ele é o ápice da mentalidade do Peta.
De início achei horrível, uma idéia que parece mais piada que uma campanha de verdade, mudar o nome de peixe para “gatinhos do mar”. Mas devo admitir que provavelmente eles atingiram seus objetivos.
Com certeza a intenção deles não era que as pessoas levassem realmente a sério a troca de nome, mas sim precisavam de um chamariz, e posso admitir que foi muito eficiente. Todo mundo fala mal, todo mundo xinga, todo mundo reclama falando que o PETA não pode estar falando sério. Mas é o velho ditado, falem bem, falem mal, mas falem de mim. E as pessoas estão falando e é absurdo perceber o quanto as pessoas ignoram o fato de os peixes SENTIREM dor e sofrer ao morrer asfixiados ou serem pegos por anzóis apenas para “pesca esportiva”.
De início tive a mesma reação agressiva, pensei “mas isso é muita palhaçada”, mas depois, vendo que a reação das pessoas é agressiva por considerarem que peixes “não devam ser levados em conta” até mesmo por vegans, que acham que a pesca deve ser estimulada para que pessoas que vivam disso possam continuar sobrevivendo da pesca, eu percebi que há um grande mal entendido nisso tudo.
Há uma aura de pureza com relação aos pescadores, que tiram do mar os animais para seu sustento e de sua família e é assim por várias gerações, e isso é “sustentável”, isso é social, então não devemos ultrapassar esta linha. Mas é a mesma coisa que estimular alguém que cria galinhas “bem-tratadas” para matar. Inadmissível tanto quanto.
Mas bem, na minha infância tive algumas experiências interessantes com peixes, e posso dizer que foi através do sofrimento deles que eu me dei conta do que significa compaixão por animais.
Duas situações foram importantes para mim: A primeira, ainda muito pequeno, pegávamos mariscos na praia e levávamos para casa, como minha vó ensinou. Jogava na água fervente, eles tentavam fugir desesperadas, eu ficava angustiado e a gente comia. Mas eu parei de comer porque tinha um sentimento ruim, não sabia porque, tinha uns 6 anos de idade. Depois meu pai me ensinou a pescar, eu adorava ir ao lago, mas quando tirávamos o peixe e colocava ele no saco, ele pulando, minha vontade era levá-lo de volta para a água. Depois vi que algumas pessoas levavam baldes e colocavam os peixes ali com água. Eu pensava “que pessoas boas, vou fazer o mesmo”. Mas nunca me dei conta que eles iriam morrer asfixiados depois de qualquer jeito.
Anos mais tarde tivemos aquários, eu e minhas irmãs, e achávamos lindo os peixinhos, mas morriam porque criança não sabe cuidar. E sempre era uma tristeza. E quando eles pulavam para fora do aquário, tentávamos rapidamente salvá-los.
Depois tive mais consciência, tornei-me vegetariano, e posso dizer, peixes não são gatos, mas tenho tanto amor por eles quanto eu tenho por um gato, cachorro, camelo ou leão. E peço, eles não sabem gritar, não sabem respirar ar, não sabem ser fofinhos com você, mas eles sabem que querem viver e não virar seu alimento.
E essa campanha do PETA não mudou o nome de peixe para gatinhos do mar, mas reforçou muito a minha preocupação pelos peixes e me mostrou que as pessoas ainda não aprenderam que o mesmo peixe que está no aquário coloridinho, é a mesma espécie daquele filé que eles compram congelado no mercado. E o fato de enquanto se pesca não ouvir os gritos do peixe, não significa que eles não estejam gritando pedindo “por favor, me deixem viver”

