Cor Luz, Cor Tinta

Em meu último artigo coloquei a possibilidade de apresentar uma demonstração prática de representar uma música através de uma atmosfera de cores. A distância temporal de meu último artigo já fornece ao leitor indícios das grandes dificuldades que encontrei pelo caminho.

A questão é que desde o momento em que me comprometi a ir fundo na questão da fusão das duas artes, pintura e música, meu objetivo não era simplesmente identificar a cor correspondente a uma nota musical e construir um aparato tecnológico que tornasse isso possível. Se fosse este o caso o artigo Convertendo sons em cores (http://culturadigital.br/dacio/2011/06/04/convertendo-sons-em-cores/) traz esta relação bastante clara em uma tabela que relaciona a frequência de uma nota com sua cor correspondente.

Uma associação como esta pode ser verificada no trabalho do músico britânico Neil Harbisson que devido a uma deficiência visual (não conseguia distinguir cores) desenvolveu um aparato que identifica uma cor e a converte em uma nota musical. Com isso hoje ele consegue ouvir 366 cores do espectro! Podem conferir uma matéria sobre sua palestra no Campus Party no link (http://busk.com/deck/ouvindo-cores-a-impressionante-histoacuteria-do-primeiro-ciborgue-do-mundo?q=c%3Atecnologia+l%3Aportuguese). Mas perceba que a idéia nesse projeto é simplesmente associar uma nota a uma cor, sem necessariamente se preocupar se a nota possui associações precisas com a mesma (analizando sua frequência, combinações resultantes de séries harmônica, etc…)

Como mencionei no artigo Música – Série Harmônica (http://culturadigital.br/dacio/2011/05/22/musica-serie-harmonica/) uma nota é composta de uma série de outras notas originadas a partir de sua frequência original, e se pensarmos que a sobreposição de notas (um acorde, por exemplo) resultará não só na combinação de suas frequências originais (que irei chamá-las de fundamentais) mas também da combinação de suas frequências encontradas na séria harmônicas (que irei chamá-las de secundárias), a definição das cores a serem usadas devem ser cuidadosamente analisadas.

E como músico, naturalmente acabei me preocupando com todas as nuances presentes em uma execução e percebi que deveria fazer algumas análises no que diz respeito as cores para que não se cometam erros na tentativa de criar algum aparato que tente reproduzir esta associação. As cores também possuem particularidades além de uma simples conversão de frequência.

Em um primeiro momento é importante considerar que podemos tratar as cores como luz ou pigmento, e para facilitar minhas análises irei levar em consideração os padrões mais conhecidos no mercado. Tratarei a cor luz no padrão RGB e a cor impressa como CMYK.

No padrão RGB (utilizado nos monitores de computador, por exemplo) a cor é composta de Vermelho (Red), Verde (Green) e Azul (Blue). Neste padrão de cores é possível representar uma gama muito maior do espectro visível, o que justifica porque é possível utilizar na tela do computador cores que são muito mais brilhantes e vibrantes do que jamais irá perceber no papel.

Sistema de cores RGB

O padrão RGB é uma mistura aditiva, ou seja, quanto mais cor na mistura, mais clara ela fica, é uma mistura de luzes onde se obtem a cor branca somando-se todas as cores.

A maior parte da impressão a cores em papel usa um processo de quatro cores conhecido como CMYK que é composto das cores Ciano (Cyan), Magenta (Magenta), Amarelo (Yellow) e Preto (Black). Todas as outras cores são obtidas sobrepondo essas quatro cores no processo em porcentagens variadas. Existem muitas cores que o processo CMYK não pode reproduzir.

O sistema de cores CMYK

O padrão CMYK é um sistema de mistura subtrativa, ou seja, quanto mais cores se adiciona à mistura, mais escura ela fica. É muito utilizado nas gráficas e impressoras jato de tinta, na realidade todo sistema físico de saída de cores utiliza o modo CMYK.

Com isso, deve-se tomar um cuidado muito grande ao representar uma conversão em cores de um som. Tudo o que foi tratado até aqui se refere a conversão de um comprimento de onda (luz) em frequência e sua coresspondência em oitavas à nota musical correspondente.

Faz-se então necessário, ao se identificar a cor luz correspondente, encontrar a sua equivalência na cor pigmento a ser usada em uma tela de pintura.

No próximo artigo veremos a diferença em se atribuir uma cor a uma simples nota (o que já foi feito) e a cor resultante quando levamos sua série harmônica em consideração.

A presto,

D.

Veja os apps do autor na App Store

Veja os livros do autor no iTunes

Em um primeiro momento é importante considerar que podemos tratar as cores como luz ou pigmento, e para facilitar minhas análises irei levar em consideração os padrões mais conhecidos no mercado. Tratarei a cor luz no padrão RGB e a cor impressa como CMYK.

No padrão RGB (utilizado nos monitores de computador, por exemplo) a cor é composta de Vermelho (Red), Verde (Green) e Azul (Blue). Neste padrão de cores é possível representar uma gma muito maior do espectro visível, o que justifica porque é possível utilizar na tela do computador cores que são muito mais brilhantes e vibrantes do que jamis irá perceber no papel.

O padrão RGB é uma mistura aditiva, ou seja, quanto mais cor na mistura, mais

clara ela fica, é uma mistura de luzes onde se obtem a cor branca somando-se todas as cores.

A maior parte da impressão a cores em papel usa um processo de quatro cores

conhecido como CMYK. CMYK é composto das cores Ciano (Cyan), Magenta

(Magenta), Amarelo (Yellow) e Preto (Black). Todas as outras cores são

obtidas sobrepondo essas quatro cores no processo em porcentagens variadas. Existem muitas cores que o processo CMYK não pode reproduzir.

O padrão CMYK é um sistema de mistura subtrativa, ou seja, quanto mais cores se

adiciona à mistura, mais escura ela fica. É muito utilizado nas gráficas e impressoras jato de tinta, na realidade todo sistema físico de saída de cores utiliza o modo CMYK.

Com isso, deve-se tomar um cuidado muito grande ao representar uma conversão em cores de um som. Tudo o que foi tratado até aqui se refere a conversão de um comprimento de onda (luz) em frequência e sua coresspondência em oitavas à nota musical correspondente.

Faz-se então necessário, ao se identificar a cor luz correspondente, encontrar a sua equivalência na cor pigmento a ser usada em uma tela de pintura.

Próximo artigo veremos a diferença em se atribuir uma cor a uma simples nota (o que já foi feito) e a cor resultante quando levamos sua série harmônica em consideração.

A presto,

Dácio

Esta entrada foi publicada em Arte, Tencologia e marcada com a tag , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

4 respostas a Cor Luz, Cor Tinta

  1. Olá Dácio, tudo bem?
    Achei muito interessante seus estudos de som e cor. Eu tb sou músico, e estou desenvolvendo, para uma apresentação amanhã (24/5), um programa que comanda uma luminária DMX, de modo que ela acenda de acordo com as notas tocadas de um teclado. Fiquei curioso para saber sobre suas considerações sobre as cores relacionadas à serie harmonica. Gostaria de testar os resultados.
    Um abraço

  2. Ana M. V. disse:

    Bom dia!
    Tenho acompanhado seus comentários e confesso que fiquei instigada em conhecer mais sobre o tema.
    Tenho acessado o blog e fico decepcionada porque não postou mais nada…
    Continue escrevendo pra nós.
    Abraços

  3. Vitorino Pereira Batista disse:

    Isto é um agradecimento pela idéia. Meu filho, com 5 anos pediu para eu ensinar-lhe harmonia. Tenho dificuldade e só ensinei uns simples acordes. A musica nasceu comigo, não tenho dificuldade de executar, mas tenho dificuldade de transmitir. Vou estudar este sistema de cores para ver se assim eu supero minha dificuldade didática, com meu filho, agora com 7 anos.
    Agradecido
    Vitorino

    • Boa Tarde Vitorino,

      Desculpe-me a resposta tardia. Muito obrigado pelo seu comentário sobre meus artigos, me é muito importante o retorno dequeles que o lêem. Se o ensino que dá a seu filho envolver questões teóricas da música, acredito sim que o assunto possa ajudar em algo, do contrário, veja lá se não vai confundi-lo, hein. Grande abraço.
      D.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*