A Percepção da Cor

Percepção da corA percepção da cor

A percepção da cor é algo muito mais complexo do que a sensação que ela oferece onde existe simplesmente a questão fisiológica do olho que vê e a luz que chega até ele.

Na percepção da cor, distingue-se 3 características:

Matiz – comprimento de onda
Valor – luminosidade ou brilho
Croma – Saturação ou pureza da cor

Uma nota musical possui as seguintes características (não usarei aqui o elemento timbre que definiria qual instrumento tocaria esta nota, por entender que o instrumento usado não se aplica na associação que se deseja fazer):

Altura – é a frequência que determina a própria nota (do, re, mi, etc…)
Duração – o intervalo de tempo que essa nota soará (vibrará)
Intensidade – O quão forte ou fraco a nota é executada

Pretendo então criar uma associação direta entre cor e som relacionando da seguinte forma:

A matiz da cor com a altura da nota
O valor da cor com a duração da nota
A saturação da cor com a intensidade da nota

Desta forma pretende-se criar um resultado com uma aproximação mais fiel da relação entre as duas grandezas.

Além disso, Israel Pedrosa em sua obra mais famosa Da Cor a Cor Inexistente apresenta uma classificação de 22 características das cores, das quais apresento 9 que estão ligadas diretamente na sua formação ou percepção:

Cor Primária – Cada uma das 3 cores indecomponíveis que, misturadas em proporções variáveis, produzem todas as cores do espectro.
Cor Secundária – É formada em equilíbrio óptico por 2 cores primárias.
Cor Terciária – É a intermediária entre uma cor secundária e qualquer das duas primárias que lhe dão origem.
Cor Complementar – Aquela cuja mistura produz o branco
Cor quente – Vermelho e o Amarelo
Cor Fria – Azul e o Verde
Cor Crua – É a cor pura, sem graduações
Cor Natural – Coloração existente na natureza
Cor inexistente – É a cor complementar formada de entrechoques de tonalidades de uma cor levadas ao paroxismo por ação de contrastes (conceito de autoria do autor que não detalharei aqui mas justificarei sua utilização em um momento oportuno).

Uma escala musical, composta das sete notas que a compõe, possui características bem definidas para cada nota de sua escala, a saber:

Grau I – Tónica (estável)
Grau II – Supertônica ou Sobretônica
Grau III – Mediante
Grau IV – Subdominante (menos instável)
Grau V – Dominante (instável)
Grau VI – Superdominante ou Sobredominante
Grau VII – Subtónica ou Sensível (o grau VII só é sensível em alguns casos)
Grau VIII – Tónica (= I)

Associar as características das cores com os graus da escala já é um tarefa muito mais complexas pois o significado de uma nota muda completamente quando colocada em um contexto musical. Não se pode mais dizer que o Dó representa isso ou aquilo, mas sim a nota que ocupa determinado grau na escala tem essa ou aquela característica. Pretende-se com isso atribuir associações de cores em contextos harmônicos, e não simplesmente atribuir uma cor a uma nota.

Mas isso já é assunto para um próximo artigo.

A presto,

D.

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8 respostas a A Percepção da Cor

  1. Thiago Habib disse:

    D.,
    a cada postagem sua, fico mais admirado com a complexidade de sua análise do assunto e me encanto com as possibilidades diante dos resultados dela.
    Mas, estou curioso…
    No momento atual, você sabe aonde chegará com esse desenrolar das coisas?
    Desculpe perguntar, pois não conheço o contexto no qual foi gerado esse projeto e estou realmente entusiasmado com ele.
    Um abraço e até a próxima,
    Thiago

    • Obrigado pelo seu comentário Thiago. Espero que esteja acompanhando desde o primeiro artigo que é onde procuro informar quais são minhas intenções, que muito resumidamente é a de “estabelecer relações entre os dois campos (música e pintura, som e cor) e disponibilizar minhas observações para compartilhar com todos minhas conclusões” – Tecnologia & Arte – Uma Introdução.

      O caminho é bem longo, e procurarei sempre apresentar meus resultados antes mesmo de chegar a conclusões definitivas.

      Espero que continue acompanhando os posts.

      Abraços,

      D.

  2. lj disse:

    Cor Terciária não é o resultado de uma cor secundária (junção de duas primárias) e a terceira cor primária que não entrou na composição da secundária (Ex: Verde (amarelo+azul) + magenta = castanho?

    • Obrigado pelo seu comentário caro amigo. Não, como descrito no artigo A percepção da Cor a Cor Terciária “É a intermediária entre uma cor secundária e qualquer das duas primárias que lhe dão origem.” (PEDROSA, Israel – DA COR À COR INEXISTENTE, 10 ed., 2015, pág. 22). Para entender melhor, considere as cores primárias – pigmento: Magenta, Ciano e Amarelo. Se juntarmos as cores primárias Magenta e Amarelo, iremos obter a cor secundária Vermelho. A cor Laranja seria uma cor Terciária, pois é uma cor intermediária entre o Vermelho (cor secundária) e o Amarelo (cor primária).

      Espero que tenha sanado sua dúvida e que continue acompanhando os posts.

      Abraços,

      D.

  3. Marco Pinagé disse:

    Vejo cores quando ouço as notas musicais, porém é diferente da tabela tão conhecida e calculada,não tão diferente ….mas é. Escrevi até um diário de composição no qual explico de várias formas o que vejo. Uma musicista da Europa, ao associar cores em um vídeo musical,também colocou cores nas notas diferente dessa tabela…Porque há diferença?

    • Olá Marco, obrigado pela sua mensagem e desculpe a demora de minha resposta.
      Bem, não posso falar sobre os critérios que o musicista europeu usou para a escolha das cores em seu video musical. Existem diversas formas de associar música e cores por aí. A que proponho é uma associação científica onde igualo os valores de frequência entre o som e a cor.
      Também não saberia explicar porque os sinestésicos (me parece ser o seu caso) vêem exatamente determinadas cores quando ouvem algum som. Dê uma olhada em meu artigo Música e Pintura – Sinestesia? e veja se as cores que vê corresponde às que apresentei lá.
      Grande abraço.
      A presto,
      Dácio

  4. Interessante e suscinto seu artigo. A relação cor x som (ou cor = som) foi e sempre será uma correlação natural a observação da manifestação das potências naturais (sempre em 7 com interseções em 12). Gratidão por compartilhar suas impressões e por citar Israel Pedrosa – que dedicou sua vida aos estudos cromáticos.

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