Harmonia e Cores -II

corBom continuando em minha jornada.

Durante todo esse período sem publicar os textos de minha pesquisa, jamais deixei de lado o assunto, continuando a pesquisar tudo aquilo que pudesse contribuir como conteúdo para novas conclusões. Não é tarefa simples controlar meu impulso de apresentar tudo àquilo que descubro e que pode trazer mais luz á tona, ou não, na tentativa de criar uma associação cada vez mais profunda entre cor e som.

Outra fonte que preciso citar, além das quais já mencionei, é o livro The Music of Painting de Peter Vergo que me trouxe bastante inspiração para aprofundar minhas buscas.

No artigo Harmonia e Cores- I (http://culturadigital.br/dacio/2013/08/28/harmonia-e-cores-i/) apresentei a complexidade da representação da “cor” de um acorde, considerando que cada nota que o compões também possui seus harmônicos – http://culturadigital.br/dacio/2012/07/02/cores-harmonicas/ , e delimitei a esta relação um acorde de 3 notas.

Porém, aprofundando meus estudos vejo que até mesmo o conceito de harmonia, neste caso, deve estar bem claro para contextualizar o resultado, uma vez que desde suas origens gregas e latinas, o termo harmonia não teve um significado tão claro (mais tarde foi definida como: disposição bem ordenada das partes de um todo). Utilizo então o entendimento de Goethe que considerava que dentro de uma totalidade se conseguir perceber os elementos que a integram, pode chamá-la de harmonia.

Na música a harmonia basicamente se vale de estados de RepousoMovimento e Tensão, sendo a tensão parte do movimento que pede por uma conclusão (repouso). Um músico entende isso facilmente com a progressão de acordes I – IV – V, por exemplo – Dó maior – Fá maior – Sol maior (ver artigo A percepção da Corhttp://culturadigital.br/dacio/2013/06/01/a-percepcao-da-cor/ – para conhecer os graus da escala musical).

Quando Newton afirma que uma cor e sua cor complementar formam o branco, ele cria o elemento básico do acorde cromático, definindo as partes (cores opostas) em relação ao todo (luz branca).  De acordo com o livro já mencionado de Israel Pedrosa Da Cor à Cor Inexistente, uma cor qualquer e sua complementar rebaixada ou degradada formam um acorde que corresponderia em música à harmonia em repouso. Uma cor dominante entre tonalidades afins produz contrastes que apresentam certas analogia com a harmonia em movimento, o que em música corresponderia à sua melodia (sucessão de notas no tempo).

É interessante perceber que muitos termos usados em música são também utilizados pelos estudiosos/profissionais teóricos da cor: escala cromática, harmonias dissonantes e consonantes, escalas de modo maior e menor, tom ritmo, fuga, etc.

Tudo isso traz mais elementos que nos permite criar uma relação bem mais próxima entre as duas grandezas. E tem mais por aí.

Mas isto, só no próximo artigo.

A presto

D.

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2 respostas a Harmonia e Cores -II

  1. Natan Ourives disse:

    Olá, Dácio.

    Bastante interessante seu blog. Tenho uma sugestão: creio que está tratando harmonia – no seu conceito simples, como um associação temporal entre classes de notas, que pode ser simultânea ou sucessiva, e que vai depender do tipo desta associação entre elas (por registro, timbre, intensidade, contorno, posição métrica, duração e etc.) – de maneira muito tradicional ou funcional. Isto talvez te deixe, tratando-se de música, muito preso a um contexto harmônico muitas vezes tonal ou relacionado à expansão da tonalidade ocorrida no final do século XIX e início do século XX. Talvez se tratar este tipo de harmonia se livrando destas amarras funcionais você possa ter mais liberdades associativas. Consulte o autor J. N. Straus, no livro Introdução à Teoria Pós-tonal, onde são abordadas as bases matemáticas da música feita a partir do período do atonalismo livre (início do século XX), acho que irá expandir seus horizontes.

    • Olá Natan, obrigado pela sua mensagem e me desculpe a demora de meu retorno.
      Muito obrigado pela dica e pesquisarei sim o autor sugerido. E sim, tens razão, nesta pesquisa lida com a música ocidental acadêmica e tradicionalmente temperada (raiz décima segunda de 2 entre os intervalos de cada nota).
      Um grande abraço.
      A presto,
      Dácio

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