Música e Pintura – Sinestesia?

Na minha travessia em traçar encontros entre a música e a pintura, tratei no artigo passado sobre as características físicas das cores. E antes de entrarmos propriamente dito na fusão das duas grandezas, som e cores (ou das duas artes, se preferirem, música e pintura), acho por bem esclarecer um detalhe que considero importante.

O detalhe a que me refiro é a sinestesia, que é uma espécia de confusão neurológica que provoca a percepção (visual, olfativa, auditiva ou tátil) de mais de um sentido de uma só vez.

Essa combinação de dois ou mais sentidos é automática e involuntária, não é algo da imaginação ou que se aprende. Não tem a ver com metáforas ou uma invenção deliberada.

Algumas formas de sinestesia ocorre em 1 a cada 23 pessoas. São pessoas que “ouvem” aquilo que estão vendo, associa cores a palavras, números ou letras, ou sentem gostos quando tocam objetos. E há aqueles que vêem cores quando ouvem música.

Minha preocupação em tocar no assunto da sinestesia é evitar uma confusão do que as pessoas com essa particularidade conseguem ver ao ouvir uma música, e a relação física e precisa que pretendo establecer no confronto com as duas grandezas.

Tenho comigo um grande aliado que foi o pintor russo Wassily Kandinsky cuja sensibilidade artística certamente foi estimulada por sua sinestesia. Kandinsky percebeu as relações entre cores, musicalidade e movimento. Jamais abandonando essa temática, Kandinsky, em paralelo a isso, defendeu a comunhão das diversas artes (música e pintura principalmente). Provavelmente o esforço de Kandinsky tenha sido decorrente de sua sensibilidade como sinestésico de relacionar sons e cores (que corresponderiam à música e à pintura).

Na figura abaixo, teclas do piano vista como alguns sinestésicos relacionam as notas com as cores.

Nos próximos artigos mostrarei a exata cor associada as notas baseadas em seus valores de frequência.

A presto,

D.

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Mais técnica que arte II

No artigo passado introduzi o assunto sobre a relação entre as artes música e pintura e tratei das características técnicas relacionadas as notas musicais.

Nesse artigo vou falar das cores.

Obviamente não é o caso aqui de filosofarmos sobre os conceitos biológicos das cores, e nem de seus valores de comprimento de onda ou a parte da luz não visível pelos olhos humanos (raios gama, X, ultra violeta, etc…).

Ao tratar de cores, temos de falar a respeito da luz desde que Newton descobriu que a luz poderia se dividir em muitas cores (utilizando um prisma) e Maxwell estabeleceu teoricamente que a luz é uma modalidade de energia radiante que se propaga através de ondas eletromagnéticas. Sua teoria foi comprovada por Hertz (veja só?!?) uns 15 anos depois.

Bom, tudo isso para entendermos que sendo a luz uma onda eletromagnética, possui um comprimento de onda. Os cientistas sabem que a velocidade da luz no ar é igual a 3,0 x 108 m/s, logo, é possível utilizar uma equação que relaciona frequência, comprimento e velocidade de uma onda.

Através desta fórmula pode-se calcular a frequência de cada cor. No intervalo do espectro eletromagnético que corresponde à luz visível, cada frequência equivale à sensação de uma cor. A tabela abaixo mostra essa relação:

Cor Comprimento de onda
( A= 10-10m)
Frequência
(1014 Hz)
Violeta 3900 – 4500 7,69 – 6,65
Anil 4500 – 4550 5,65 – 6,59
Azul 4550 – 4920 6,59 – 6,10
Verde 4920 – 5770 6,10 – 5,20
Amarelo 5770 – 5970 5,20 – 5,03
Alaranjado 5970 – 5220 5,03 – 4,82
Vermelho 6220 – 7800 4,82 – 3,84

(Como curiosidade, a fórmula mencionada é: f= v/λ e na tabela se encontram os valores de comprimento de onda)

É fácil perceber que conforme a frequência aumenta, diminui o comprimento de onda, assim como mostra a tabela acima. Dentro do espectro eletromagnético, a parte que nos interessa é um pequeno trecho da luz visível, conforme pode-se ver na próxima figura:

Com essas informações só nos resta saber como relacionar as frequências das notas musicais com as frequências das cores visíveis do espectro.

Mas isso é assunto para o próximo artigo.

A presto

D.

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Mais técnica que arte

Neste artigo vou tratar mais dos aspectos físicos dos elementos que compõe a matéria prima das duas principais grandes artes (em minha opinião, claro) que da própria arte em si. As cores e as notas musicais. A Música e a Pintura.

Desde sempre a relação entre as duas artes era óbvia pra mim. Sete notas músicais (escala natural) e suas composições harmônicas. Sete cores do espectro e suas combinações. Ambas representadas por valores de frequência.

Nesse artigo vou falar das notas musicais.

Vejamos os valores de frequência da escala musical natural (expresso em Hz – Hertz):

Do – 261,63

Re – 293,63

Mi – 329,63

Fa – 349,23

Sol – 392,00

La – 440,00

Si – 493,88

Observações: Foi tomada a região baseada no Lá(3) que é a referência para a afinação da maioria dos instrumentos

Foram utilizadas somente duas casas depois da vírgula (o valor preciso do DO(3) é: 261.625565).

Algumas bibliografias adotam valores um pouco diferentes de frequência do La para afinação (como 435,00 Hz, por exemplo).

Como já devem saber, as notas com seus respectivos acidentes em uma escala temperada somam 12 (do, do#, re, re# e assim por diante) e nessa escala o intervalo entre elas são iguais. Além disso, sabe-se que uma oitava após os doze intervalos seu valor de frequência dobra. Se o La3 = 440 Hz, então o La4 = 880Hz.

Hora, se na escala temperada os intervalos são iguais, então cada nota é obtida pela multiplicação sucessiva deste valor (seu intervalo) até que resulte igual a 2 (uma oitava completa), pois os intervalos de uma oitava inteira são em número de 12. Então podemos escrever matemáticamente assim:

i = intervalo

i 12 = 2 – porque em uma oitava após 12 intervalos a frequência dobra

então   i = raiz décima segunda de dois ou        i = 2  x  1/12

i = 1,0594631

Para testar este resultado, basta dividir o valor da frequência de cada nota musical pelo valor da nota que lhe antecede que dará sempre o mesmo resultado, ou seja, 1,0594631 que é uma razão constante.

Ex:

La3/sol#3 = 440/415,30 = 1,059

Lembrando que em um instrumento não temperado (como o violino, por exemplo) esses intervalos não tem o mesmo valor. A distância entre um tom e outro em uma escala é dividiva em 9 comas (1 coma = 1 subdivisão de um intervalo) e na escala temperada dividindo um tom ao meio, temos 1 semitom. Como os intervalos são iguais para todas as notas, então 1 semitom na escala temperada possui 4,5 comas. Veja:

do – re = 1 tom = 9 comas

do – do# = 1/2 tom = 4,5 comas

do# – re = 4,5 comas

Mas em um instrumento não temperado, essses intervalos não são iguais. Compare o exemplo acima com o exemplo abaixo de um instrumento não temperado:

do – do# = 5 comas

do# – re = 4 comas

Observação: Não é o caso aqui de tratar do acidente bemol (b).

Bem, no próximo artigo veremos a parte técnica das cores.

A presto,

D.

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A Música e a Pintura

No último artigo mencionei a possibilidade de se relacionar música com cores através da associação de seus valores de frequência, mas é claro que esta associação pode ser puramente artística e não possuir nenhuma relação técnica.

A relação entre a pintura e a música sempre me fascinou. Uma partitura vazia é tão angustiante pra mim quanto uma página em branco, e não é incomum que as pessoas escutem músicas e a associem com imagens, acontecimentos, fases da vida etc…

Mas tenho de confessar que esta reflexão não pode ser feita no curso da história da arte, pelo menos até o final do século retrasado, onde a pintura tinha uma exigência de conteúdo, não a música (deixemos de lado a música vocal).

Por isso os compositores não observavam os pintores, enquanto os pintores, esses sim, observavam atentamente os compositores, no sentido em que a realidade musical se oferecia como um objeto privilegiado às suas observações. Obviamente este é um discurso genérico, mas rara e acidental é a contemplação da realidade da pintura pelos músicos compositores.

Um outro discurso entre as duas artes seria, de um lado, a dimensão atemporal específica da pintura e de outro lado, a articulação no tempo própria da música. Mas isso são divagações artísticas um tanto pessoal resultante de observações artísticas no universo da cultura ocidental.

Bem, isso é somente uma introdução para um tema, que atualmente não é difícil encontrar infinitos argumentos para justificar uma relação entre as duas artes que não necessite de uma justificativa técnica. Esse tipo de justificativa tratarei em artigos posteriores.

A presto

D.

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Tecnologia e Arte – Uma introdução

Ao iniciar uma série de artigos em um novo “porto” gosto sempre de me posicionar para que os leitores tenham uma idéia do que virá a seguir. A escolha do título deste blog está diretamente ligada a minha história pessoal e profissional.

Iniciei meus estudos em música aos 13 anos, aos 15 iniciei meus estudos de formação média em eletrônica e aos 18 iniciava minhas atividades como técnico em laboratório em manutenção e montagem de micro (em uma época em que realmente se dava manutenção nos componentes do micro, e não simplesmente se substituíam dispositivos).

Durante toda minha vida profissional foi muito natural pra mim procurar recursos técnicos para satisfazer meus desejos de músico, não só com relação a equipamentos eletrônicos, mas com a proliferação do recurso MIDI na década de 90, utilizando o micro como mais uma ferramenta de trabalho para minhas criações artísticas.

A música em si possui uma conexão direta com as ciências exatas. Há uns 2500 anos atrás Pitágoras estabeleceu sua gama diatônica, uma escala de 5 notas que ainda pode ser ouvida na música chinesa. Sua separação foi feita através de frações matemáticas.

Já a gama dos físicos (também conhecido como gama de Zarlino) criou uma escala musical com 12 intervalos de notas, ligeiramente desiguais, obtidas através da relação entre os harmônicos de dois sons.

A gama temperada, utilizada universalmente por todos os instrumentos de notas bem definidas, possui 12 intervalos iguais e sua relação entre eles é a raiz duodécima de 2. A história credita a Bach (1685-1750) a criação deste sistema de composição musical, mas só foi possível porque John Napier (matemático escocês, 1550-1617) havia criado os logaritmos.

E se pensarmos que o som resultante de qualquer instrumento é uma freqüência (expressa em hertz –hz) e que se dobrarmos essa freqüência teremos a mesma nota uma oitava acima, podemos estabelecer relações entre as freqüências musicais e as cores do espectro (que também possuem seus valores de freqüência). Já imaginou as cores de uma sinfonia de Mozart?

Bem, eu como um profissional da música e ao mesmo tempo um profissional da área tecnológica procuro sempre estabelecer relações entre os dois campos e procurarei colocar aqui minhas observações para compartilhar com vocês minhas conclusões.

Até a próxima.

Dácio

English Version

Art and Technology – An Introduction

Throughout all of my professional life it has been natural for me to search for technical resources to satisfy my needs of as a musician. Not just with regards to electronics equipment but also, with the popularization of MIDI technologic in the 1990’s, with the use of the computer as one more tool for my artistic creations.

Music itself has a direct connection with the exact sciences. 2,500 years ago Pitagoras established his diatonic scale, a scale with 5 notes which can still be heard in Chinese music. The difference in pitch between each note was defined through the use of mathematical fractions.

The physicists scale (also known as the Zarlino´scale) was created using a musical scale with 12 note intervals, lightly unequal, which were obtained from the relationship between the harmonics of two sounds.

The well tempered, which is universally used by all musical instruments with well defined notes, has 12 equal intervals whose relationship between each note is taken from the twelfth root of two. History credits Bach (1685-1750) with the creation of this musical composition system, but it was only possible because of John Napier’s invention of logarithms.

If we think about the resulting sound of any musical instrument is at a specific frequency value (noted in hertz – hz) and if we then multiply this frequency by 2, we obtain the same note only one octave higher. Thus we can establish the relationship between musical frequencies and the colors of the spectrum (which also have these frequency values). Can you imagine the colors of a Mozart symphony?

Well, as I am both a music, and an IT professional of the music and of the IT area, I’m always establishing the relationship between the two fields e will put here and I would like to share my observations to share my and conclusions here.

A presto

Dácio

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