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Artigos por dannlacerda

Mercado da Torre: quiosques com variedades gastronômicas e serviços

Crédito: Mid Comunicação/Divulgação

Um novo estilo de comércio tem movimentado o bairro da Torre, na Zona Norte do Recife. Localizado no terreno anteriormente ocupado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), o Mercado da Torre reúne espaços de alimentação e serviços voltados para o dia a dia, como boutique de carnes, bancas de frutas e verduras e uma nova estrutura que abriga dez quiosques com operações voltadas para a gastronomia. Até o momento, seis já estão em funcionamento, são elas La Glace Sorvetes Artesanais, Anka Sushi e Culinária Oriental, Coffee Cube, Tablero Steakhouse, Tomassa e Speck Haus Burger. Os clientes ainda podem contar com 80 vagas de estacionamento. A delicatessen Portus, uma das âncoras do novo empreendimento, abre todos os dias às 11h, e comercializa produtos regionais, nacionais e importados. O espaço oferece área de alimentação, com venda de sanduíches, casquinha de caranguejo e bolinhos de bacalhau. No próximo mês, a loja ganhará serviço de buffet com café da manhã, almoço e ceia. Inspirados pelo Mercado de Campo Ourique, de Lisboa, os empresários Ricardo e Adriana Dias Batista optaram por investir no espaço que é um misto de centro de compras de bairro e praça de alimentação.

Iguarias encontradas na Portus, uma das âncoras do novo empreendimento – Crédito: Rafa Medeiros/Divulgação

O Anka Sushi e Culinária Oriental conta com cardápio enxuto e cartela inclusiva – Crédito: Anka Sushi e Culinária Oriental/Divulgação

O Anka Sushi e Culinária Oriental, conta com sistema take away e cardápio com opções veganas. O cardápio é assinado pelos chefs Rô Gonzaga e Lehi Alves, consultores da Gasttro Design. “Um dos nossos maiores objetivos era elaborar um cardápio enxuto e com uma cartela inclusiva, como as opções veganas, feitas com vegetais, cogumelos e coco verde, para que a experiência dos clientes seja completa”, explica Rô. Além das peças tradicionais, a operação oferece os especiais e combinados, que é uma seleção dos produtos em destaque na casa. “Nosso carro chefe é o Especial Anka, um uramaki com manta de salmão, recheio de salmão e skin, e topo com geleia de laranja e tarê” revela Lehi. Nos fins de semana, serão oferecidos pratos em formato de petisco, como bolinhos fritos de arroz e salmão empanados na farinha panko.

O menu recebe influências argentinas e regionais, apresentando carne Angus, picanha suína, linguiça artesanal de carne de sol – Crédito: Tablero/Divulgação

Dedicado ao universo de carnes e cortes nobres, o Tablero Steakhouse, dos sócios João Amorim, Cássio Amorim e Eduardo Souto, oferece os serviços de almoço executivo e happy hour. No almoço, o cliente escolhe uma proteína e três guarnições (farofa da casa, batata crinkle e chimichurri), já no happy hour, são duas guarnições para acompanhar os cortes. O menu recebe influências argentinas e regionais, apresentando carne Angus, picanha suína, linguiça artesanal de carne de sol, acompanhada de queijo coalho e queijo manteiga, e todos são preparados na parrilla. O cardápio também conta com consultoria dos chefs Rô Gonzaga e Lehi Alves. “Pensamos em oferecer formatos distintos para atender às expectativas referentes às demandas dos horários”, conta Lehi.

A pizza Tomassa feita com massa vegana e molho de tomate artesanal – Crédito: Tomassa/Divulgação

Massas feitas com ingredientes naturais e orgânicos é a proposta do Tomassa Pizzaria Artesanal, um conceito que une sabor, sustentabilidade e afeto. Essa é quarta unidade da rede no Grande Recife, que já tem restaurantes em Casa Forte, Poço da Panela e Aldeia. Os produtos usados nas receitas não levam agrotóxicos, incluindo temperos cultivados em pequenas hortas, como manjericão, rúcula e salsa. Além disso, todas as massas são veganas – sem leite nem ovos. No cardápio: pizza, massas, polpette e bruschetta com molhos de tomate artesanal. “Assim que soubemos do Mercado da Torre, corremos para reservar o nosso box. O projeto é inovador e acredito que nossos produtos se encaixam com a proposta” revela Fernando Times, empresário responsável pelo estabelecimento.

 O Coffee Cube aposta em cafés especiais e harmonizações – Coffee Cube – Crédito: Divulgação

A operação gastronômica também inclui o Coffee Cube, com cafés especiais e harmonizações, garantindo uma experiência sensorial. Quem está à frente do estabelecimento é Guilherme Cerqueira e Arthur Rieper, que participam desde a escolha de grãos à preparação dos métodos. Até o final do mês, o Mercado recebe uma franquia do Ponto do Açaí, com cardápio fit e variados de açaí. A expectativa é que mais dois estabelecimentos também abram as portas no Armazém Original: O Bar, um box de bebidas com rótulos da Ambev e a Petiscaria, com comidas e petiscos regionais.

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UFPE lança edital de concurso público para preencher 34 vagas de técnicos administrativos

fotconcurso18.03.191A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lançou edital de concurso público com 34 vagas para técnicos administrativos em Educação de níveis médio e superior, com lotações nos três campi (Recife, Vitória e Caruaru). As inscrições devem ser feitas no site www.cec.ufpe.br, de 7 de maio a 9 de junho. O Edital nº 38/2019, que foi publicado no Diário Oficial da União de hoje (18), estará disponível, em breve, nos endereços: www.cec.ufpe.br e www.ufpe.br/progepe.

A taxa de inscrição será de R$ 78 para os cargos pertencentes aos níveis de classificação D (nível médio) e de R$ 125 para os cargos de nível de classificação E (nível superior). O período de solicitação da isenção desta taxa vai de 7 a 10 de maio e as regras para a solicitação estão disponíveis no edital.

As vagas de nível médio são para os seguintes cargos: nível de classificação D – confeccionador de instrumentos musicais, editor de imagem, técnico de laboratório, técnico em audiovisual, técnico em química, técnico em segurança do trabalho, tradutor e intérprete de linguagem de sinais. Os cargos de nível superior oferecidos são analista em tecnologia da informação, físico e engenheiro de segurança do trabalho. Os vencimentos iniciais são de R$ 2.446,96 (nível de classificação D) e R$ 4.180,66 (nível de classificação E).

As provas objetivas serão aplicadas no dia 21 de julho nos turnos da manhã, para os candidatos aos cargos das categorias D, e da tarde, para os candidatos aos cargos das categorias E. O período para realização das provas práticas/operacionais será de 14 a 22 de setembro. O resultado final do concurso será divulgado até 31 de outubro. O concurso terá validade de um ano, a contar da publicação da homologação do resultado no Diário Oficial da União, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da UFPE.
OLP 2019

Olimpíada de Língua Portuguesa com inscrições abertas

Segue até o dia 30 de abril o prazo para inscrições na sexta edição da Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP), promovida pela Fundação Itaú Social e Ministério da Educação, sob a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Podem participar estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, mas para que isso ocorra é preciso que os professores acessem o portal Escrevendo o Futuro e cadastrem suas turmas.

A OLP tem o objetivo de apoiar os professores da rede pública no aprimoramento das práticas de ensino de leitura e escrita, e prevê a realização de oficinas de produção de texto com os estudantes. A partir daí, a competição passa por várias etapas municipais, estaduais e regionais, até chegar ao número de 32 vencedores na etapa nacional.  Este ano, o tema do concurso é O lugar onde vivo, um estímulo à reflexão sobre as realidades locais.

Após as oficinas, as escolas terão até 19 de agosto para encaminhar os textos às comissões julgadoras da OLP. Para apoiar os professores no desenvolvimento das atividades, o programa fornece material formativo com conteúdos criados para serem incorporados ao planejamento do ano escolar, sem fugir ao cotidiano da sala de aula. Candidatos do 5ª ano do Ensino Fundamental devem escrever poemas; já o 6º e 7º ano do Ensino Fundamental participam do concurso por meio de memórias literárias. Alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental devem criar crônicas. Primeiro e segundo ano do Ensino Médio ficam com documentário; já os estudantes do 3º do Ensino Médio devem redigir um artigo de opinião.

Os professores participam do concurso por meio do relato de prática, no qual registram suas experiências com a realização das oficinas, descrevendo aprendizagens, descobertas, desafios e reflexões. Dentre as premiações há novidades: imersão pedagógica internacional para os professores e viagem cultural em território brasileiro para os estudantes. As escolas dos alunos vencedores receberão como prêmio acervo para reforço da biblioteca.

Confira aqui o regulamento

Livros de George R. R. Martin serão publicados por selo da Companhia das Letras

George R. R. Martin tem nova editora no Brasil: o Grupo Companhia das Letras, pelo selo Suma, vai passar a publicar 19 títulos do autor, incluindo a série As Crônicas de Gelo e Fogo (na qual Game of Thrones é inspirada).

Os três primeiros títulos da série (A Guerra dos Tronos, A Fúria dos Reis, A Tormenta de Espadas) chegam às livrarias ainda em abril, de acordo com um comunicado da editora.

As obras do autor eram publicadas anteriormente pela editora Leya.

Capa de ‘A Guerra dos Tronos’ do selo Suma

Leia o comunicado:

“A Editora Suma, selo do Grupo Companhia das Letras, adquiriu os direitos de publicação da obra de George R. R. Martin no Brasil e passa a comercializar 19 títulos do autor a partir de abril, incluindo as séries As crônicas de gelo e fogo e Wild Cards. Os três livros iniciais de As Crônicas de Gelo e Fogo serão os primeiros a chegar às livrarias com alterações pontuais no projeto gráfico. Em novembro do ano passado, a Suma lançou no Brasil Fogo & Sangue que se mantém desde a semana de estreia na lista dos mais vendidos do país. No Brasil, o autor era publicado desde 2010 pela Editora Leya, que fez de sua obra um dos maiores fenômenos de venda do país nessa década.”

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Por que o aniversário do Recife não é feriado?

A Lei Municipal do Recife nº 9.777, de 16 de junho de 1967, estabelece quatro feriados para a cidade: a Sexta-Feira Santa (data móvel), 24 de junho (dia de São João), 16 de julho (dia de Nossa Senhora do Carmo, sua padroeira) e 8 de dezembro (dia de Nossa Senhora da Conceição). O texto não prevê o aniversário, comemorado em 12 de março, como feriado. Segundo a Câmara Municipal do Recife, a data é apenas uma “referência ao aniversário da cidade”, pois “ninguém sabe dizer com precisão quando foi criada”.

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A casa afirma que, por esta ser uma data apenas simbólica, histórica e não oficial, o feriado é considerado apenas nas escolas municipais, quando cai em dias úteis. O comércio, por sua vez, funciona normalmente. O artigo 176 da Lei Orgânica do Recife, publicada em 1990, traz exatamente que “é declarado o dia 12 de março de 1537 como data histórica da fundação do Recife”.

Olinda, diferentemente da capital pernambucana, tem um documento chamado foral que atesta o dia de sua fundação com data oficial: 12 de março de 1535. Esta certidão de nascimento da cidade-patrimônio é o plano de doação de terras e nomeação do primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho.

O vereador do Recife Liberato Costa Júnior, falecido em 2016, realizou pesquisas nos anos 1970 para buscar referências para definir a data do Recife. Em entrevista ao site da Câmara em 2011, ele afirmou que o foral de Olinda fazia referências a “terras para as bandas do sul de Olinda, que são os arrecifes dos navios”. Essas terras são uma pequena colônia de pescadores que mais tarde tornou-se porto e povoado. O artigo 176 da Lei Orgânica foi baseado em um projeto do então prefeito Augusto Lucena, que o apresentou dias depois de Liberato propor um projeto de lei estabelecendo o 12 de março como dia de criação do Recife.

OLINDA
De acordo com a Prefeitura de Olinda, seus feriados municipais são três: 12 de março (aniversário da cidade), 6 de agosto (dia do Santíssimo Salvador do Mundo, seu padroeiro) e 10 de novembro (dia do primeiro grito de República no Brasil).

Maracatu Ògún Onilê realiza ensaio aberto com o Grupo Orí, da Xambá

Com a chegada do Carnaval, diversas agremiações e grupos culturais estão a todo vapor nos preparativos para a festa de Momo. Uma delas, o Maracatu Ògún Onilê, recebe neste próximo domingo (27/01) o Grupo Orí, formado por músicos da Xambá, para um ensaio aberto no Bairro do Recife. O encontro servirá de pontapé inicial para o projeto Ocupe Boulevard, que tem como intuito ocupar o Bairro do Recife com cultura popular e apresentar ao público a diversidade e riqueza do que é feito nos bairros e periferia na Região Metropolitana do Recife.

A cada 15 dias uma agremiação será convidada para participar do projeto e, além das atrações musicais gratuitas, serão comercializadas de comidas e bebidas, cuja renda ajudará a custear o projeto social do maracatu. O encontro terá ainda a presença da Feira Quilombar, com artesanato e moda que fortalecem o empreendedorismo afro.

Reprodução/Internet

Reprodução/Internet

O Grupo Orí surgiu em 2016 e é composto por Beto da Xambá, Nino da Xambá, Moisés da Xambá e Thulio da Xambá

O Grupo Orí surgiu em 2016 com o apadrinhamento do Maestro Letieres Leite e é composto por Beto da Xambá, Nino da Xambá, Moisés da Xambá e Thulio da Xambá. Nascidos e criados na Casa Xambá –terreiro de candomblé que recentemente conquistou o título de Patrimônio Vivo de PernambucoA próxima agremiação a ser convidada pelo Maracatu Ògún Onilê para realizar um ensaio aberto no Bairro do Recife será o Afoxé Oyá Tokolê Owo, no dia 3 de fevereiro.

Vania Patriota/Duvulgação

Vania Patriota/Duvulgação

Durante o período carnavalesco, cerca de 100 integrantes, entre batuqueiros e bailarinos, participam dos cortejos

“Desde o final do ano passado já estamos trabalhando na concepção dos figurinos e repertório e deste mês até o carnaval teremos ensaios aos domingos já em preparação para o Carnaval”, explica Natália Constantino, uma das integrantes do maracatu que este ano fará uma homenagem a Oxum.

Segundo Natália, nos dias de Carnaval cerca de 100 integrantes, entre batuqueiros e bailarinos, participam dos cortejos. Os ensaios são abertos ao público e acontecem todos os domingos, às 15h, na Avenida Rio Branco, no Bairro do Recife.

Vania Patriota/Duvulgação

Vania Patriota/Duvulgação

Os ensaios do Ògun Onilêi são abertos ao público e acontecem todos os domingos, às 15h, na Avenida Rio Branco, no Bairro do Recife

Depois que a folia acabar, o Maracatu Ògún Onilê irá oferecer aulas de instrumentos, como alfaia, agbê, caixa, atabaque e gonguê. “Qualquer pessoa pode participar, mesmo que nunca tenha tido contato com música, e no primeiro mês emprestamos o instrumento para uso”, ressalta Natália Constantino. Outras informações sobre as aulas podem ser tiradas através do Instragram do grupo.

Serviço:
OCUPE BOULEVARD, com o Maracatu Ògún Onilê (Ensaio aberto Ògún Onilê com o Grupo Orí + Feira Quilombar)
Domingo (27) | 15h
Avenida Rio Branco – Recife Antigo
Gratuito

Confira a agenda do Maracatu Ògún Onilê durante as prévias e o Carnaval:

03/02 | 14h30
Ensaio aberto com Oyá Tokolê

10/02 | 14h30
Arrastão Olinda

17/02 | 14h30
Ensaio no Recife Antigo

24/02 | 14h30
Arrastão à fantasia

01/03
Arrastão oficinl no Recife Antigo

04/03 | 15h
Desfile Carnaval no Recife Antigo

05/03 | 15h
Desfile encerramento do Carnaval no Recife Antigo

Gonzaga de Garanhuns sustenta o reisado pernambucano

Fundador de oito grupos de Reisado, dos quais quatro permanecem ativos, Luiz Gonzaga de Lima é bastante requisitado nas principais épocas festivas de Pernambuco. Natural de Garanhuns, somente na edição de 2018 do Festival de Inverno da cidade, Gonzaga de Garanhuns – como ficou conhecido – se apresentou com cinco grupos de reisados, sendo dois deles de amigos. Aos 75 anos de idade, completos no último dia 8 de agosto, o artista exibe uma disposição invejável que lhe permite ter a generosidade de alavancar não só as suas iniciativas, mas também as de outros grupos. Tudo para ver o reisado reinar como merece.

“O reisado para mim é tudo. É como se fosse um medicamento, porque, se não fosse isso, acho que eu já estaria morto. A gente se aposenta, fica lá no canto, cabisbaixo, sem ter um negócio pra desenvolver a mente, aí vai embora logo. Isso me dá ânimo, mas quando termino a apresentação, Deus sabe como as minhas pernas ficam”, brinca ele, que trabalhou por mais de 50 anos como vendedor de tecidos no comércio de Garanhuns e hoje, com mais tempo livre, se dedica mais intensamente ao brinquedo. “Às vezes me apresento também com reisados que não são meus ajudando eles. Geralmente eu sou o mestre, mas quando participo no dos outros sou ajudante”, completa, entregando a receita da vitalidade.

Fer Verícimo

Fer Verícimo

Bastante querido em sua cidade natal, o mestre se apresentou no Palco de Cultura Popular do FIG de 2017.

Por isso, a rotina de ensaios depois da aposentadoria passou a ser quase diária. Nas terças-feiras, o mestre ensaia com os Unidos com Alegria; nas quartas com o Garanhuns Cultural e o Reisado Mirim da Convivência; e nas sextas com o Cultura de Garanhuns. Com exceção dos grupos voltados para crianças e adolescentes, Gonzaga segue a tradição do Reisado e mantém os grupos sempre com integrantes mais velhos. “Tem gente que sai, tem gente que morre. No Cultura de Garanhuns já morreram cinco componentes com idade avançada, por exemplo. Tem outros que estão com problemas de saúde, aí não estão participando no momento”, revela ele, que sempre está aberto para receber novos integrantes.

Quando alguém quer participar, eu chamo para fazer o ensaio e, se passar no teste, fica. De um modo geral, eles vêm atrás de mim. Só não quero pessoas doentes, porque tem gente que tem problemas de coração e não quero piorar isso. Só aceito quando o médico e a família dão permissão”, esclarece ele, sobre os critérios usados na escolha de novos brincantes, buscando sempre manter entre 10 a 25 membros em suas apresentações.

À frente do Reisado Mirim da Convivência, que atende crianças do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, e do Reisado EREM Virgem do Socorro, o mestre persiste em ter projetos que aproximem os menores do brinquedo como uma forma de perpetuar a tradição. “Se não investir nas crianças, o reisado acaba. Como é que pode continuar só com pessoas idosas? Tem que ter criança para levar adiante”, responde ele.

Laís Domingues

Laís Domingues

Em 1982, Gonzaga fez sucesso ao participar do LP “Benditos e Reisados”, primeiro disco dedicado ao gênero.

TRAJETÓRIA

Essa abertura para os mais jovens dentro do reisado é coerente com a sua própria trajetória com o brinquedo que começou quando ele tinha apenas 13 anos de idade. “Em dezembro de 1954, eu assisti meu primeiro reisado. Eu tinha 12 anos de idade e me chamaram a atenção aquelas cantigas bonitas, as pisadas, aquelas rodadas que o rei dava. Tudo isso me deixou encantado. Até então, eu não brincava nada. Esse foi o meu primeiro passo na cultura popular, minha entrada na vida artística foi com o reisado. No ano seguinte, formei um reisado de garotos e garotas da minha idade. Eu era o mestre, mas era o menor de todos”, relembra Gonzaga, que seguiu com o seu primeiro grupo até 1957.

Depois de um longo hiato, o brincante voltou a dançar reisado após os ensinamentos de Manoel Clarindo da Rocha, a quem chama até hoje de “primeiro mestre”, e com quem participava do Reisado do Mestre Cândido. A partir daí, em 1977, Gonzaga foi convidado a ser o personagem Mateus, no Reisado do Mestre João Gomes, mas a guinada em sua carreira foi quando gravou uma faixa de autoria própria para o LP “Benditos e Reisados”, de 1982, que foi o primeiro disco dedicado ao gênero. Através do trabalho, Gonzaga foi convidado no mesmo ano a se apresentar no programa “Som Brasil”, da Rede Globo, sob o comando de Rolando Boldrin, tornando Garanhuns uma referência nacional em reisado.

Até hoje eu componho reisados inéditos, mas também canto os de outros mestres. Tem mestre aqui que só quer cantar o dele, mas eu canto o dos outros também”, explica ele, que adota apenas triângulo, pandeiro, viola e agogô para acompanhar a sua cantoria. “A tradição é essa. Tem gente que usa sanfona e zabumba, mas eu não quero. Esses que usam outros instrumentos, eu não acho certo, porque não acertam o tom da peça”, diz ele, que, apesar de não tocar nada, é criterioso na escolha dos músicos. Na viola, por exemplo, não abre mão de Senival Teixeira, com quem se apresenta há mais de 40 anos.

Beto Figueiroa/Santo Lima

 

O Reisado Unidos com Alegria é um exemplo de como Gonzaga busca manter as tradições e repassá-las para os mais jovens.

Em 1995, participou do festival “Alô Pernambuco”, tendo conquistado o sexto lugar com a composição que mais tarde deu origem ao CD “Reisado Pernambucano”, sendo a primeira música do gênero gravada no formato. “Foram mil cópias. Não deu para quem quis”, relembra ele, sobre o prestígio que tem em Garanhuns, onde já recebeu o troféu local Anum de Ouro, em 2007, como reconhecimento pelo seu trabalho para o crescimento da cultura da cidade. No ano seguinte, passou a ser uma das atrações mais tradicionais do Polo de Cultura Popular do Festival de Inverno de Garanhuns. “O Mestre Salustiano comandava o palco e disse que me queria lá, aí nunca mais parei”, relembra.

“A gente se apresenta no FIG, no Natal, quando tem festa de igreja, festa de santo, aniversários de cidades”, comenta ele sobre o perfil dos eventos que já o levaram a viajar para cidades de todo o Estado ao longo dos seus mais de 60 anos de atividade com o reisado. “Meu maior desejo era ver o reisado no auge. Quando comecei, tinha reisado que ninguém valorizava, outros que ficavam mais pela zona rural.  Formei os grupos em Garanhuns e deu certo”, observa ele, que nasceu no Sítio Susuaruna, quando ainda era parte da zona rural de Garanhuns, mas hoje fica no território da cidade de São João.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Com cerca de 350 títulos escritos, Gonzaga também é destaque na literatura de cordel.

LITERATURA DE CORDEL

A sua relação com o centro urbano da cidade também fez despertar, ainda na infância, uma outra paixão. Quando criança, Gonzaga costumava ir às feiras públicas de Garanhuns, onde gostava de ler os cordéis pendurados nas barracas e acabava comprando alguns para ele. Ainda nessa época, começou a escrever suas próprias histórias seguindo as métricas do gênero, mas foi somente em 1973 que publicou seu primeiro cordel, intitulado “Lampião em Serrinha”.

De lá para cá, já escreveu cerca de 350 títulos, sendo considerado um dos melhores cordelistas do Nordeste pelo holandês Joseph M. Luyten, que é pesquisador de literatura de cordel e um dos maiores divulgadores da cultura popular brasileira. Livros de Gonzaga, como “Garanhuns em Versos”, lançado em 2008 com incentivo do Funcultura, também apontam a importância da sua produção literária como fonte de pesquisa sobre a cidade.

Jan Ribeiro

Gonzaga de Garanhuns recebe o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco das mãos de Ricardo Leitão, presidente da CEPE Editora, durante o encerramento da XI Semana do Patrimônio, em 2018. Foto: Jan Ribeiro

A abrangência do seu trabalho alcança ainda territórios internacionais, tendo cordéis seus no museu Off Etnologic, na cidade de Osaka, no Japão, e no Museu Internacional da Santa Fé, que fica no Novo México, nos Estados Unidos. Junto ao poeta e cordelista Bispo, Gonzaga também promoveu a primeira Feira de Literatura de Cordel, em Garanhuns, no ano de 2011.

“Meu nome pouco importa, o que eu quero ver em destaque é a cultura para o povo, para nossa terra. Muita gente diz que eu divulguei Garanhuns mais do que todo mundo, porque eu amo a minha cidade. Para mim, não existe outra igual”, conclui ele, um homem que encontrou nas suas paixões um jeito de acrescentar ao lugar onde vive.