terça-feira, 22 de maio de 2012

LÚCIO AGRA E VJ PALM DESMISTIFICAM A “TECNO ARTE”

Jogos de luzes, microchips, “trackers”, arduínos, sensores ópticos e projeções de vídeo aliadas à antiga arte da interpretação foram temas de debate no última edição do projeto “Que Amores São Esses?” que ocorreu no dia 14 de janeiro no Teatro de Arena Eugênio Kusnet.

OgAAAIDdNf07v-oCCD5Vu1UC2vifkk14mW_IC5LXX-B7USnzVVV6aF7PfnvXObdCYj8kxwwAwwaCsRfpuGFebycudZcAm1T1UEMitpczX5ry4hBQQJaDdi13hIFypeqPor Leandro Caldarelli

Jogos de luzes, microchips, “trackers”, arduínos, sensores ópticos e projeções de vídeo aliadas à antiga arte da interpretação foram temas de debate no última edição do projeto “Que Amores São Esses?” que ocorreu no dia 14 de janeiro no Teatro de Arena Eugênio Kusnet.

Começamos com nosso parceiro Lúcio Agra nos dando um panorama histórico geral de como ocorreu a fusão “teatro + tecnologia” dando origem aos primeiros espetáculos com mecanismos analógicos de movimentação de cenários e efeitos especiais, por volta das décadas de 20 – 30. Algumas dessas engenhocas desenvolvidas por Erwin Piscator (1893 – 1966) que, em suas experimentações com o teatro épico, dava vida a bonecos, movimentava plataformas, e utilizava projeções de vídeo.
Imagem20100107 059peqAgra então nos fez viajar pela trajetória da tecnologia no teatro, passando então pelo período pós-guerra em que nasceu a primeira noção de performance como algo que não era dança, não era teatro e não era artes plásticas e sim um misto de tudo isso levando a cena às últimas conseqüências para envolver o público, sempre utilizando os recursos tecnológicos em favor da mesma.

Discorreu então sobre o Living Theatre americano com o “happening” trazendo um novo conceito de teatro em que o público já não era mais espectador da obra e sim parte da obra.

Adentramos na era contemporânea em que a tecnologia digital invadiu os palcos de vez acrescentando cada vez mais elementos ao teatro e deixando o mesmo cada vez mais com cara de performance.

Depois foi a vez de Ricardo Palmieri nos imergir no universo do teatro tecnológico pós moderno nos apresentando alguns grandes nomes da cena mundial.Imagem20100107 060peq

http://www.youtube.com/watch?v=STRMcmj-gHc

Nesse vídeo, podemos ver a performance “Messa di Voce” do artista americano Golan Levin em 2003, que começou como engenheiro e descobriu a arte na tecnologia. A maioria de suas obras são performances ou instalações nas quais ele se utiliza de projeções, sensores de som, câmeras que captam a movimentação e muita criatividade para fazer com que o seu público experimente as sensações de sua arte por completo.

http://www.vimeo.com/1362832

Aqui, assistimos a instalação “Body Navigation” do artista dinamarquês Ole Kristensen, que se utiliza da mais moderna tecnologia de sensores de movimentação corporal e projeções para criar ambientações com as quais os atores e dançarinos possam interagir criando desenhos, imagens, jogos e brincadeiras que enchem os sentidos do público.

http://www.youtube.com/watch?v=lz6ZXt7aVa8

Em seguida, fomos elevados ao nível das grandes performances ao ar livre com esse vídeo do grupo espanhol La Fura dels Baus em sua magnífica “Naumachia”. O La Fura Dels Baus, se utiliza de engenhocas gigantes e apresentações chocantes que misturam muito das artes circenses com a tecnologia de luzes e projeções para imergir o público em um estado de adrenalina e êxtase.

http://www.youtube.com/watch?v=5AEllGM_HC8&feature=related

Passamos também pelo grupo Royal De Luxe que se utiliza de bonecos gigantes e também de engenhocas gigantes como o La Fura mas dessa vez no meio das ruas, passando de cidade a cidade, envolvendo públicos distintos e habitats diversos para contar suas histórias.

E então, Palmieri nos apresentou seu trabalho e a tecnologia utilizada por ele para criar e executar sua arte nos mais diferentes tipos de espaços e linguagens mas sempre agregando o público como parte da criação e não apenas como espectador, deixando espaço para que o mesmo deixe sua marca nas obras.

http://www.youtube.com/watch?v=a6hnA1owMvw

Nessa instalação Palmieri desenvolveu um sistema de câmeras que captam o movimento do indivíduo que se encontra na sala e dispara vídeos de celulares sendo destruídos.

http://www.youtube.com/watch?v=pDiRuAn_fY8

Aqui, o robô, programado para ficar “perdido” no ambiente, conforme passeia sobre o mapa dispara vídeos com cenas das ruas da cidade.

http://www.youtube.com/watch?v=bn7LYTfxgd8

Nessa cozinha, o lance era fazer uma sopa de olhos. A projeção dos olhos feita sobre a água fervente era contínua. O público poderia entrar na cozinha e fazer qualquer receita sobre sopa de olhos.

http://www.youtube.com/watch?v=R6VFb4Qs3Q4

Esse vídeo é a introdução de seu último trabalho e audiovisual nos palcos em parceria com a Cia. Les Commediens Tropicales, o espetáculo “O Pato Selvagem” de Henrik Ibsen do qual fez parte da criação cenográfica. É uma vídeo colagem feita por Carlos Canhamero. O espetáculo se encontra em cartaz no SESC Santana para quem quiser conferir de perto um pouco da obra do VJ Palm.

Entre outras tecnologias que o VJ Palm nos apresentou, duas são as mais peculiares: a utilização o Wiimote e do Nunchuk (joysticks do vídeo-game Nintendo Wii) como instrumentos musicais virtuais para criação musical. Ele os conecta via Bluetooth a um PC, utilizando um software específico, e através dos movimentos de suas mãos que são detectados e codificados pelo computador, consegue imitar sons como se tocasse os próprios instrumentos. A outra, são os arduínos, pequenas placas de recepção e armazenamento de informação que conseguem transformar informações captadas por microchips espalhados pelo meio ambiente ligados a algum veículo de mídia específico, como uma webcam, em informação digital, tudo isso a distâncias grandes. Com isso, conseguimos, por exemplo, captar imagens de um espetáculo apresentado em um teatro e exibi-las em outro teatro próximo, ao vivo, sem a utilização de nenhum tipo de cabeamento.

Em suma, o debate que era pra ser sobre a utilização do audiovisual no teatro, acabou sendo uma grande aula sobre a tecnologia de ponta disponível a preços acessíveis no mercado e as milhares de aplicações das mesmas na arte, seja ela teatral ou não. E, como é de fácil utilização, quando se tem uma orientação de alguém que seja um pouco entendido na área da programação. E mesmo não tendo essa orientação, é perfeitamente possível que um leigo, através da utilização da internet como meio de pesquisa, se torne apto a desenvolver infinitos tipos de engenhocas que dialoguem com o ambiente artístico; algo que na década de 20, quando começou a despontar, era sofrido e levava muito tempo para ser testado e realizado.

E fica aí um convite para todos que apreciam esta linguagem artística pesquisarem um pouco e ousarem utilizar desse conhecimento em sua arte. E aí? Vai encarar?


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